Continental 30 Anos De Sucessos (1973)

Olá, amiguíssimos cultos e ocultos! Olha, vou ser sincero com vocês… estamos em total decadência. Sim, o Toque Musical nunca esteve tão em baixa. E isso se deve a uma série de fatores, a começar por essa plataforma que embora seja perfeita, já não atende aos requisitos que hoje pedem mais interação e imediatismo. As redes sociais, mais especificamente o Facebook e o Youtube passaram a ser a bola da vez. Tudo pode ser encontrado nesses dois ambientes de uma maneira muito mais rápida e interativa e de uma certa forma o interesse do público está mudando, se generalizando. Ampliando os horizontes, mas numa profundidade cada vez mais rasa. Daí, ninguém tem mais saco para acompanhar postagens. O que dizer então quando para se ter acesso ao que se publica aqui precisa antes se associar a um grupo? Sem dúvida, isso é desestimulante e só mesmo que está muito interessado é que encara o jogo. E o jogo hoje se faz muito mais rápido. Demorou, dançou… Por isso, se quisermos nos manter ativos por mais 10 anos, o jeito é acompanhar os novos tempos e implementar novas alternativas. Daí, penso em migrar definitivamente o Toque Musical para o Youtube. Há tempos venho pensando nisso, talvez agora seja a nossa hora. Fiquem ligados, logo o nosso canal vai estar na rede com tudo aquilo que já postamos por aqui. Será um trabalho longo, afinal, repor mais de 3 mil postagens não é moleza. Mas vamos tentar 🙂
Marcando esse momento, eu hoje trago para vocês um álbum triplo comemorativo, da gravadora Continental, lançado lá pelos idos de 1973, ano de uma das melhores safras da indústria fonográfica brasileira. 73 foi o ano em que essa gravadora completou seus 30 anos de atividade e lançou este álbum cujo os discos são de 10 polegadas. São três lps percorrendo todas as fases da gravadora, trazendo os mais diferentes artistas em ordem cronológica. Começa em Vicente Celestino, indo até aos Novos Baianos. São trinta músicas que expressam bem os 30 anos desta histórica gravadora.
Confiram já no GTM 😉

Disco 1
noite cheia de estrelas – vicente celestino
positivismo – noel rosa
implorar – moreira da silva
ondas curtas – orlando silva
brasil – francisco alves e dalva de oliveira
cai, cai – joel e gaúcho
brasil pandeiro – anjos do inferno
é doce morrer no mar – dorival caymmi
mágoas de um trovador – silvio caldas
copacabana – dick farney
Disco 2
felicidade – quarteto quitandinha
flamengo – jacob do bandolim
na paz do senhor – lúcio alves
delicado – waldir azevedo
feitiço da vila – araci de almeida
jura – mario reis
risque – aurora miranda
menino grande – nora ney
linda flor – elizete cardoso
dúvida – luiz bonfá e antonio carlos jobim
Disco 3
tristeza do jeca – tonico e tinoco
fechei a porta – jamelão
dor de cotovelo – elis regina
mas que nada – jorge ben e conjunto de zá maria
o baile da saudade – francisco petronio
nhem nhem nhem – martinho da vila
dela – ciro monteiro
adeus batucada – célia
você mudou demais – claudia barroso
o samba da minha terra – novos baianos
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Noel Pela Primeira Vez – 229 Gravações De Noel Rosa Em Suas Versões Originais (2000)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Dentro das comemorações de 9 anos do Toque Musical, eu hoje presenteio vocês com uma coleção que ganhei há mais de uma década. Um box com 7 cds duplos, lançado pela Funarte e a Editora Velas, reunindo 229 gravações originais do Poeta da Vila, o grande Noel Rosa. Este box saiu em 2000, mas ao que parece, em uma edição meio que limitada. Tanto assim que eu mesmo, na época, não consegui achar para comprar. Somente algum tempo depois ganhei de presente de uma amiga. Muitas vezes fiquei tentado a publicar esta coleção aqui no Toque Musical, mas acabei deixando que outros blogs se encarregassem da tarefa. Hoje, passado um bom tempo e já maturada, esta edição já pode ser mostrada por aqui. Podemos dizer que essa é uma coleção definitiva, que permeia toda a obra de Noel Rosa. Confiram…

CD 1:
1. Ingênua
2. Festa no Céu
3. Minha Viola
4. Com que Roupa?
5. Malandro Medroso
6. Meu Sofrer
7. Lataria
8. Eu Vou pra Vila
9. Com que Roupa?
10. Dona Aracy
11. Nega
12. A. B. Surdo
13. Por Esta Vez Passa
14. Dona Emília
15. Gago Apaixonado
16. Bom Elemento
17. Sinhá Ritinha
CD 2:
18. Agora
19. Cordiais Saudações
20. Cordiais Saudações
21. Mulata Fuzarqueira
22. Samba da Boa Vontade
23. Picilone
24. Eu Agora Fiquei Mal
25. Esquecer e Perdoar
26. O Pulo da Hora
27. Vou Te Ripar
28. Mão no Remo
29. Por Causa da Hora
30. Nunca… Jamais
31. A. E. I. O. U.
32. Já Não Posso Mais
33. Só pra Contrariar
CD 3:
1. Palpite
2. É Preciso Discutir
3. Espera Mais Um Ano
4. Pesado 13
5. Gosto, Mas Não É Muito
6. Rumba da Meia-Noite
7. Você Foi o Meu Azar
8. Você Foi o Meu Azar
9. Mentiras de Mulher
10. Felicidade
11. São Coisas Nossas
12. Mulher Indigesta
13. Tenentes do Diabo
14. Sem Tostão
15. Que Se Dane
CD 4:
16. Adeus
17. E Não Brinca Não (Não Brinca Não)
18. Tenho Um Novo Amor
19. Assim, Sim!
20. Não Me Deixam Comer
21. Fiquei Sozinha
22. Para Me Livrar do Mal
23. Nuvem Que Passou
24. A Razão dá-se a Quem Tem
25. Não Faz, Amor
26. Quem Dá Mais
27. Coração
28. Uma Jura que Fiz
29. Mulato Bamba
30. Vitória
31. Não Há Castigo
CD 5:
1. Rir
2. Escola de Malandro
3. Mentir
4. Prazer em Conhecê-lo
5. Quero Falar com Você
6. Até Amanhã
7. Ando Cismado
8. É Peso
9. Seu Jacinto
10. Quem Não Dança
11. Estamos Esperando
12. Estamos Esperando
13. Tudo que Você Diz
14. Mas Como… Outra Vez?
15. Dona do Lugar
16. Primeiro Amor
CD 6:
17. Fita Amarela
18. Qual Foi o Mal que Eu Te Fiz?
19. Fui Louco
20. Prato Fundo
21. Vai Haver Barulho no Chateaux
22. Nem com Uma Flor
23. Onde Está a Honestidade?
24. Arranjei um Fraseado
25. Pra Esquecer
26. Quando o Samba Acabou
27. Sei que Vou Perder
28. Capricho de Rapaz Solteiro
29. Contraste
30. Sorrindo Sempre
31. Isso Não se Faz
32. Deus Sabe o que Faz
33. Já Sei que Tens Um Novo Amor
CD 7:
1. Você Só… Mente
2. Feitio de Coração
3. Eu Queria Um Retratinho de Você
4. Seja Breve
5. Vejo Amanhecer
6. Vejo Amanhecer
7. Filosofia
8. Julieta
9. Quem Não Quer Sou Eu
10. Não Tem Tradução
11. Nunca Dei a Perceber
12. Não Digas
13. Positivismo
14. Devo Esquecer
CD 8:
15. Esquina da Vida
16. Meu Barracão
17. Você, por Exemplo
18. O Orvalho Vem Caindo
19. O Sol Nasceu pra Todos
20. Estrela da Manhã
21. Tenho Raiva de Quem Sabe
22. Se a Sorte Me Ajudar
23. Retiro da Saudade
24. Feitiço da Vila
25. Feitiço da Vila
26. Riso de Criança
27. Boa Viagem
CD 9:
1. Triste Cuíca
2. Cansei de Pedir
3. Amor de Parceria
4. João Ninguém
5. Conversa de Botequim
6. Não Foi Por Amor
7. Não Resta a Menor Dúvida
8. Palpite Infeliz
9. Que Baixo!
10. Pierrot Apaixonado
11. O que é que Você Fazia?
12. Este Meio Não Serve
13. Menina dos Meus Olhos
14. É Bom Parar
CD 10:
15. De Babado
16. Cem Mil Réis
17. Pela Primeira Vez
18. Dama do Cabaré
19. Cidade Mulher
20. Tarzan
21. Maria-Fumaça
22. Só Pode Ser Você
23. O X do Problema
24. Provei
25. Você Vai se Quiser
26. Quem Ri Melhor
27. Quantos Beijos
28. Eu Sei Sofrer
CD 11:
1. O Maior Castigo que Eu Te Dou
2. Último Desejo
3. O Século do Progresso
4. Pastorinhas
5. Rapaz Folgado
6. Pra que Mentir?
7. De qualquer Maneira
8. Silêncio de Um Minuto
9. Pela Décima Vez
10. Silêncio de Um Minuto
11. Três Apitos
12. Três Apitos
13. Mais Um Samba Popular
14. Remorso
15. Tipo Zero
CD 12:
16. Cor de Cinza
17. Voltaste (pro Subúrbio)
18. A Melhor do Planeta
19. Queimei Teu Retrato
20. Você É Um Colosso
21. No Baile da Flor-de-Lis
22. Suspiro
23. Balão Apagado
24. Morena Sereia
25. João Teimoso
26. Verdade Duvidosa
27. Para Atender a Pedido
28. Vai para Casa Depressa
29. Atchim!
30. Cabrocha do Rocha
31. Ao Meu Amigo Edgar
32. Disse-Me Disse
CD 13:
1. Espera mais Um Ano
2. Estátua da Paciência
3. Araruta
4. Na Bahia
5. Com Mulher Não Quero mais Nada
6. Choro
7. Feitio de Oração
8. Até Amanhã
9. Fita Amarela
10. Tudo Pelo Teu Amor
11. Cansei de Implorar
12. Boas Tenções
13. Para o Bem de Todos Nós
14. O Joaquim É Condutor
15. Perdoa este Pecador
16. Tipo Zero
17. Tudo Nos Une
18. Finaleto
19. Saí da Tua Alcova
20. Faz Três Semanas
CD 14:
21. Último Desejo
22. Fiquei Rachando Lenha
23. Feitiço da Vila
24. Deixa de Ser Convencida
25. Vou Te Ripar II
26. Dono do Meu Nariz
27. Paga-Me Esta Noite
28. Canção do Galo Capão
29. Roubou, mas Não Leva
30. Foi Ele
31. A Genoveva Não Sabe o que Diz
32. Mardade de Cabocla
33. Chuva de Vento
34. Habeas-Corpus
35. Seu Zé
36. Vagolino de Cassino
37. Faz de Conta que Eu Morri
38. Amar com Sinceridade

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Horacina Corrêa – Noel Rosa (1956)

Boas noites, prezados amigos cultos e ocultos! Dando sequencia aos lps de 10 polegadas e mais uma vez trazendo uma cantora de fama internacional. Temos aqui a gaúcha Horacina Corrêa, cantora que, segundo contam, surgiu meio que inspirada em Carmem Miranda. Iniciou sua carreira na década de 30. Foi ‘crooner’na orquestra do maestro Fon fon. Participou de diversos espetáculos musicais, sendo que muitos desses na Argentina, onde era talvez mais famosa que a Carmem Miranda. Seu sucesso internacional foi também na Europa, atuando na Itália por várias vezes. Sua discografia é pequena, sendo que gravou mais em 78 rpm. Em 1956 a Musidisc lançou este lp de 10 polegadas, reunindo gravações da cantora de músicas de Noel Rosa pelo selo, desde 54. Horacina gravou sambas de Noel acompanhada pela orquestra de Léo Peracchi, responsável pelos arranjos e regência. São 10 sambas clássicos do poeta da Vila. Um disco que vale a pena ouvir 😉

até amanhã
feitiço da vila
silencio de um minuto
pra que mentir
de babado
último desejo
feitio de oração
o orvalho vem caindo
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Ismael Silva & Noel Rosa – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol.87 (2014)

Estamos de volta com o Grand Record Brazil, agora em sua edição de número 87, apresentando a terceira e última parte de nosso retrospecto sobre Ismael Silva (1905-1978), um dos grandes nomes do samba. Focalizamos aqui o Ismael intérprete, apresentando sete gravações , com seis músicas de outros autores ( em 78 rpm Odeon) e uma regravação de samba dele próprio (em LP Sinter). Nossa primeira faixa é “Louca”, samba de Bucy Moreira, neto da lendária Tia Ciata, gravado por Ismael na “marca do templo” em  3 de setembro de 1931, disco 10835-B, matriz 4297. Na faixa  3 está o lado A, “Samba raiado”, de Marcelino de Oliveira, matriz 4296. Em seguida temos outro samba, “Escola de malandro”, um dueto de Ismael Silva com Noel Rosa, feito pelo Poeta da Vila em parceria com Orlando Luiz Machado (só este foi creditado como autor no selo). Gravação de 15 de setembro de 1932, disco 10949-B, matriz 131447 (por esse número, a matriz é certamente é uma “sobra” da Parlophon, subsidiária da Odeon, desativada naquele ano).  O lado A, matriz 131292, gravado em 25 de novembro de 1931, é outro samba, que desta vez Ismael canta solo, “Carinho eu tenho”, de autoria do lendário Sylvio Fernandes, o Brancura, célebre malandro do Estácio. Em seguida, mais um dueto de Ismael Silva com Noel Rosa, a marchinha ‘Seu Jacinto”, composição só de Noel, gravada na “marca do templo” em 27 de outubro de 1932 e lançada em janeiro de 33 para o carnaval, disco 10953-A, matriz 4534. No lado B, Ismael e Noel também cantam juntos “Quem não dança”, samba só do Poeta da Vila, gravado dias mais tarde, em 17 de novembro de 1932, matriz 4552. Em ambas as faixas, com acompanhamento do Grupo Gente Boa, está bem destacada no coro a voz de Francisco Alves.
Em seguida, uma regravação de Ismael Silva para um hit seu de 1932, em parceria com Noel Rosa  e Francisco Alves, lançada  originalmente pela dupla Jonjoca-Castro Barbosa: o samba “Adeus”, faixa 2. Teria sido composto em homenagem póstuma a Nílton Bastos, falecido pouco antes, mas a dúvida fica por conta dos versos “Sem teu amor/ esta vida não tem mais valor”. Este registro foi lançado pela Sinter em novembro de 1955, no primeiro LP-solo do compositor, o 10 polegadas “O samba na voz do sambista”.  E, para completar este programa, já que Ismael canta três faixas em dueto com Noel Rosa (1910-1937), ele aqui aparece como nosso “convidado especial”, com cinco antológicas gravações Columbia, todas elas sambas, feitos por ele com a maestria e a genialidade de sempre.  Pra começar, “Felicidade”, parceria de Noel com Renê Bittencourt, lançado em fevereiro de 1932, disco 22083-B, matriz 381159. Na edição impressa, levou o subtítulo “Que bom, felicidade, que vai ser!”, verso final do estribilho. Em seguida, temos o magnífico e não menos genial “Coisas nossas”, em que Noel sintetiza e apreende a alma e os costumes do povo de seu Rio de Janeiro natal,  Teria sido apresentado  também no  filme “Coisas nossas”, um musical de sucesso de bilheteria, cujo título  teria sido tirado exatamente deste samba (informação esta passível de confirmação),  e do qual não restaram cópias. Saiu pela Columbia em março de 1932, sob n.o 22089-B, matriz 381168. O verso, matriz 381176, é ‘Mulher indigesta”, que, se fosse lançado hoje, provocaria a indignação de muitas feministas…  Noel é aqui acompanhado pelo misterioso grupo Os Sete Diabos, nome talvez aleatório.  “Mentiras de mulher” é o outro lado de “Felicidade”, matriz 381158, e é cantado por Noel, que o fez sem parceria, junto com Artur Costa, ator de revistas e também compositor, que no entanto só participa do estribilho, e Noel o interpreta praticamente sozinho. Finalizando a especialíssima participação de Noel nesta edição, ele canta sua obra-prima em parceria com Orestes Barbosa, “Positivismo”, que a Columbia pôs nas lojas em setembro de 1933 sob n.o 22240-B, matriz 381530. Não poderia encerramento com melhor chave de ouro do que este, para esta edição do GRB. Até o nosso próximo encontro, amigos cultos, ocultos e associados!
* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

Marília Pera E Grande Otelo – A Noiva Do Condutor – Opereta Inédita De Noel Rosa (1985)

A Eldorado, gravadora pertencente ao jornal “O Estado de S. Paulo”, deixou um acervo importantíssimo para quem estuda, pesquisa e aprecia a música popular brasileira. Foi fundada em janeiro de 1972, sendo a pioneira na utilização de equipamentos de gravação em 16 canais (até então apenas dois estúdios no Brasil tinham equipamentos para 8 canais), causando uma autêntica revolução em nosso mercado fonográfico. De início, era apenas estúdio de gravação, alugado por gravadoras para produção de discos de artistas do porte de Roberto Carlos, Rita Lee, Tim Maia e Hermeto Paschoal, só para citar alguns.
Em 1977, a Eldorado passa a lançar seus próprios trabalhos em disco, sendo o primeiro deles o álbum “Revendo com a flauta os bons tempos do chorinho”, do flautista Carlos Poyares. A partir daí, muitos artistas, das mais variadas tendências musicais, passariam pela gravadora, entre eles Daniela Mercury (que lançou seu primeiro álbum por esse selo), Nélson Sargento, Mônica Salmaso, Banda Mantiqueira, Raul Seixas, Zimbo Trio, o violonista Yamandú Costa, e até bandas de rock pesado, como Angra e Viper. Duramente atingida pela crise no mercado fonográfico, tanto no Brasil como no mundo, a Eldorado deixou de operar em fevereiro de 2004, voltando a funcionar em agosto do ano seguinte e encerrando definitivamente suas atividades em 2008.
Agora, o Toque Musical oferece a seus amigos, cultos e associados, um dos mais expressivos trabalhos da Eldorado: a gravação, na íntegra, de uma opereta inédita de Noel Rosa (1910-1937), “A noiva do condutor”. Foi composta em 1935, época em que a Rádio Clube do Brasil, onde Noel trabalhava, apresentava o programa “Como se as óperas célebres do mundo houvessem nascido aqui no Rio”. Noel fez três: “O barbeiro de Niterói” (paródia ao “Barbeiro de Sevilha”, de Rossini), “Ladrão de galinha”, apresentando paródias de músicas de sucesso na época, e finalmente esta “Noiva do condutor”, em parceria com o maestro Arnold Gluckmann, alemão radicado no Brasil.
 Este trabalho, gravado em novembro de 1985 e lançado em abril de 86, é fruto de um esforço arqueológico dos pesquisadores João Máximo e Carlos Didier, iniciado em 1983 com outro álbum da mesma Eldorado, “Noel Rosa inédito e desconhecido”, com o Conjunto Coisas Nossas. Foram escalados para a gravação desta opereta inédita do Poeta da Vila dois artistas versáteis: Marília Pêra, carioca da gema (n.1943), ainda hoje em franca atividade, e Grande Otelo (Sebastião Bernardes de Souza Prata, Uberlândia, MG, 1915-Paris, França, 1993). O bonde é a peça-chave do enredo, que começa no bairro carioca de Cascadura. Helena (Marília Pêra) ama Joaquim (interpretado por Carlos Didier), que se declara reservista, vacinado e advogado. Como de praxe nos anos 1930, o dr. Henrique (Grande Otelo), a princípio estrila, mas depois consente no namoro, assim encerrando o primeiro ato. Mas, no segundo ato, Helena descobre, horrorizada, que Joaquim é condutor de bonde, e rompe com o cara, não quer saber mais dele, que implora pelo reatamento, mas o dr. Henrique também se desentende com ele. Quem irá salvar o romance é o pai de Joaquim, um rico banqueiro chamado Jota Barbosa, aqui interpretado por Oscar Bolão, que também atua como baterista e pandeirista neste disco (como vocês veem, nessa época já havia conflito de gerações, e Joaquim tinha virado condutor de bonde para contrariá-lo).
É toda essa história que se desenrola neste trabalho, de inegável valor histórico, com arranjos a cargo do cavaquinista Henrique Cazes e do tecladista Aloísio Didier, que, claro, também participam como músicos. “Cansei de implorar” é uma paródia de ‘Cansei de pedir”, samba do próprio Noel lançado por Aracy de Almeida em 1935.  “Tipo zero”, samba de 1934, foi gravado vinte anos depois por Marília Batista e, para esta opereta, Noel retocou a segunda parte e lhe acrescentou uma nova estrofe. E tudo, claro, acaba num “Finaleto” em que os quatro personagens cantam: “Viva Deus e chova arroz!”, alusão ao costume de se jogar arroz nos noivos recém-casados à saída da igreja, após a cerimônia matrimonial, tradição esta originária da China, há mais de dois mil anos (o arroz é simbolo de fartura).
Choque de gerações, oposição rico-pobre, preconceito contra uma profissão sem status social, hipocrisia em suas manifestações menos dignas (note-se o rebuscamento poético da primeira faixa, “Tudo pelo teu amor”), tudo isso, enfim, está representado neste histórico trabalho que o Toque Musical tem a honra e o prazer de oferecer a vocês, com a chancela do inegável talento deste eterno mestre chamado Noel de Medeiros Rosa!
*Texto de Samuel Machado Filho
prelúdio
tudo pelo teu amor
cansei de implorar
boas tensães
para o bem de todos nós
joaquim condutor
perdoa esse pecador
tipo zero
tudo nos une
finaleto
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Noel Rosa E Sua Turma Da Vila (1968)

Olá meus prezados amigos cultos e ocultos! Antecedendo ao aniversário de Noel Rosa, postamos aqui, na segunda feira, uma bela coletânea do compositor cantando suas próprias músicas. Ontem, em homenagem ao dia de seu nascimento tivemos um super álbum duplo, um disco raro e especial. Hoje, mais uma vez, vamos com Noel. É sempre bom um antes, um durante e um depois. Não dá para enjoar de Noel Rosa. Neste lp, lançado pela Odeon/Imperial, temos uma seleção de fonogramas raros. De um lado, abrindo o disco, temos seis faixas com Noel Rosa cantando. Algumas, inclusive, são repetidas, apresentadas nas duas últimas postagens. Do outro lado temos músicas de Ary Barroso e Noel & Vadico, interpretadas por João Petra de Barros. O cantor e compositor Luiz Barbosa também comparece em outras três faixas encerrando assim este delicioso ‘long play’. Não deixem de conferir!

conversa de botequim – noel rosa

joão ninguém – noel rosa

arranjei um fraseado – noel rosa

onde está a honestidade – noel rosa

provei – noel rosa e marilia batista

você vai se quiser – noel rosa e marília batista

sentinela alerta – joão petra de barros

duro com duro – joão petra de barros

feitiço da vila – joão petra de barros

sou jogador – luiz barbosa

bumba no caneco – luiz barbosa

um sorriso igual ao teu – luiz Barbosa

Noel Rosa (1982)

Boa noite amigos cultos e ocultos! Aos trancos e barrancos, aqui vamos nós. Com alguns atrasos, algumas falhas… mas saibam que se dependesse só de mim, isso aqui estaria uma maravilha.

Hoje eu estou trazendo um disco especial, em homenagem a uma figura também especial, o nosso inigualável Noel Rosa. Se estivesse vivo, estaria fazendo hoje 102. Mais novo que o Niemayer, heim!? Mas o Noel, como aquela vida boêmia que levava não ia mesmo muito longe. Não foi, realmente. Mas teve tempo suficiente para se tornar eterno. O presente lp foi produzido pela FENAB (Federação Nacional de Associações Atléticas Banco do Brasil), um disco duplo e independente, de tiragem limitada, lançado no ano de 1982. O álbum se divide em dois momentos, o primeiro no disco 1, iremos encontrar uma seleção de fonogramas antigos com alguns de seus primeiros sucessos interpretados por Araci de Almeida, João Petra de Barros, Mário Reis, Francisco Alves, Mário Reis, Marília Batista e também pelo próprio Noel. No disco 2 iremos encontrar, de um lado, outras músicas de Noel em gravações mais recentes, a partir dos anos 60. Do outro lado, uma seleção de seis músicas gravadas especialmente para este disco. Foram reunidos aqui artistas como Roberto Paiva, Zezé Gonzaga e Roberto Silva, acompanhados pelo Conjunto Época de Ouro. As músicas contaram com arranjo e regência do maestro Orlando Silveira. Para completar o álbum traz um livreto de dez páginas contando um pouco a trajetória de Nole Rosa. Muito legal 🙂

festa no céu – noel rosa

eu vou pra vila – almirante e o bando de tangarás

nuvem que passou – francisco alves

prazer em conhece-lo – mário reis

cem mil réis – noel roda e marília batista

joão niguém –  araci de Almeida

feitiço da vila – joão petra de barros

capricho de rapaz solteiro – mario reis

pra me livrar do mal – francisco Alves

provei – noel e marilia batista

conversa de botequim – noel rosa

pela décima vez – araci de almeida

depoimento de joão de barro sobre ‘linda pequena’ e ‘pastorinhas’

linda pequena – joão petra de barros

pra que mentir – paulinho da viola

filosofia – mario reis

pra esquecer – clara nunes

não tem tradução – joão nogueira

mulato bamba – mario reis

tarzam (o filho do alfaiate) – roberto paiva e conjunto época de ouro

dama do cabaré – roberto silva e conjunto época de ouro

só pode ser você – zezé gonzaga e conjunto época de ouro

cor de cinza – zezé gonzaga e conjunto época de ouro

uma jura que fiz – roberto silva e conjunto época de ouro

mais um samba popular – roberto paiva e conjunto época de ouro

último desejo – roberto e conjunto época de ouro

 

 

Noel Rosa – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 47 (2012)

Nascido a 11 de dezembro de 1910, em um chalé da Rua Teodoro da Silva, no bairro carioca de Vila Isabel (onde atualmente está erguido um edifício residencial que leva seu nome), Noel de Medeiros Rosa viveu pouco, apenas 26 anos e quase cinco meses (morreu em 4 de maio de 1937, vitimado pela tuberculose), mas deixou uma obra musical extensa (quase 260 composições!), criativa e cheia de sucessos. E o impressionante é que as composições do Poeta da Vila são sempre atualíssimas, nunca passam de época. Um legado que tem atravessado os anos, com muita justiça, e faz a gente se sentir grato por ele ter existido, ainda que por pouco tempo, e deixado coisas tão eternas, tão permanentes.

Pois nesta sua quadragésima-sétima edição, o Grand Record Brazil reverencia o talento de Noel Rosa como autor e também intérprete, através de 14 preciosos fonogramas. E ele só levou a disco música sua, com e/ou sem parceria (aqui todas as músicas são dele sozinho). Quem mais gravou músicas de Noel, por sinal, acabou sendo ele próprio: 33 ao todo.

Noel deixou gravações nos selos Parlophon, Odeon, Columbia (futura Continental) e Victor. Sua primeira gravação como intérprete, aqui incluída, foi a toada “Festa no céu”, lançada pela Parlophon em agosto de 1930, disco 13185-A, matriz 3320. No verso, matriz 3654, a embolada “Minha viola”, a faixa seguinte. Depois temos um autêntico clássico noelino: o samba “Com que roupa?”, um eufemismo da época para “Com que dinheiro?”, traduzindo a crise econômica causada pelo “crack” da Bolsa de Nova York, em 1929. Outro registro Parlophon, datado de 30 de setembro de 1930 e lançado em novembro seguinte sob n.o 13245-A, matriz 4007. Um autêntico estouro no carnaval de 1931! Quase ao final do registro, o maestro e compositor Eduardo Souto diz de improviso: “Vai de roupa velha e tutu, seu trouxa!” (Noel depois fez nova gravação de “Com que roupa?”, com outra letra e em dueto com Inácio Guimarães de Loyola, o Ximbuca). No verso, matriz 4008, outro samba interessante, “Malandro medroso”. “Gago apaixonado” é um samba muito apreciado principalmente por sua originalidade, e o próprio Noel declarou ser esta sua melhor composição, pois além de original, não conseguia ser cantada por seus vizinhos e respectivos papagaios de estimação… A gravação, lançada pela Columbia em março de 1931 (disco 22023-B, matriz 381007), tem um atrativo à parte: o solo de lápis nos dentes do cantor Luiz Barbosa, abrindo e fechando a boca para alterar o timbre! “Cordiais saudações” é um “samba epistolar”, que surgiu na revista “Mar de rosas”, e nela foi interpretado por Sílvio Caldas. Noel gravou a música duas vezes na Parlophon, e esta é a primeira versão, com acompanhamento da Orquestra Copacabana, do palestino Simon Bountman, matriz 131170, não lançada comercialmente, uma vez que foi desaprovada pelo próprio compositor, que fez outro registro dias depois, com o Bando de Tangarás, sendo esse último o que foi para as lojas, em julho de 1931, com o número 13327-A. E é do lado B, matriz 131185, um outro bom samba do mestre Noel por ele próprio cantado, “Mulata fuzarqueira” (ser “da fuzarca” era o mesmo que farrear). O “samba fonético” “Picilone”, subintitulado “Yvone”, é uma alusão à reforma ortográfica que aboliu do alfabeto brasileiro a letra “y”, agora reconduzida ao mesmo. “Dizer um picilone” era a mesma coisa que elogiar. Noel canta junto com João “Braguinha” de Barro, seu colega no Bando de Tangarás, nesta gravação lançada pela Parlophon em setembro de 1931, com o n.o 13344-B, matriz 131208. Há também referência à Kananga do Japão, uma “sociedade familiar dançante e carnavalesca” então existente no Rio. “O pulo da hora” saiu pela mesma gravadora um mês mais tarde, em outubro de 31, disco 13350-A, matriz 131241, tendo no verso, matriz 131242, “Vou te ripar”, que também apresentamos aqui. Foram incluídas, igualmente, as duas músicas do único disco-solo de Noel na Victor, o de n.o 33488, gravado em 10 de outubro de 1931 e lançado em novembro seguinte. Abrindo-o, matriz 65252, “Por causa da hora”, referência ao horário de verão, adotado pela primeira vez naquele ano para economizar luz elétrica e que voltaria em outros anos, sendo adotado ininterruptamente no Brasil a partir de 1985. Mais atual impossível… No verso, matriz 65251, saiu “Nunca… jamais”. Em “Mentiras de mulher”, Noel canta junto com Artur Costa, ator do teatro de revista. Gravação lançada pela Columbia em fevereiro de 1932, sob n.o 22083-A, matriz 381158. Para encerrar, apresentamos “Espera mais um ano”, também cantado em dueto por Noel e Arthur em registro Columbia, de novembro de 1931, mas, ao que parece, não lançado comercialmente na época, sendo o disco de prova encontrado nos arquivos do pesquisador Eduardo Corrêa de Azevedo. Em 1983, “Espera mais um ano” foi registrado na Eldorado pelo Conjunto Coisas Nossas para o LP “Noel Rosa inédito e desconhecido”, aproveitando no início parte deste registro original. Enfim, uma pequena amostra da genialidade do grande Noel Rosa, que, mesmo tendo voz pequena, agradava bastante como intérprete, pois tinha muita bossa e talento!

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.

Roberto Paiva E Francisco Egydio – Polêmica (1956)

Boa noite amigos cultos e ocultos! Finalmente me encontro numa pausa e aproveito o momento para mandar aqui o meu recado, o toque do dia. Como estou em trânsito, hoje vou recorrer aos meus ‘discos de gaveta’. Não tive tempo para preparar coisa melhor, daí vamos com o excelente “Polêmica” – Noel Rosa X Wilson Batista, nas vozes de Francisco Egydio e Roberto Paiva.
Embora seja um disco já bem divulgado em diversos blogs musicais, eu penso que ele ainda irá surpreender muita gente que passa por aqui. Trata-se, sem dúvida, de um disco com músicas de dois grandes compositores, Noel Rosa e o sambista Wilson Batista. Acredito que todos saibam da história da rixa entre os dois compositores. Contam que por causa de uma morena tudo começou. Noel estava ressentido com o malandro Wilson que havia lhe ‘roubado’ uma pequena. Quando Wilson Batista compôs “Lenço no pescoço”, uma apologia à malandragem, Noel viu ali a chance de lhe revidar e escreveu o samba “Rapaz folgado”, onde numa indireta bem direta ele puxa o rodo no Wilson. Daí começa a curiosa batalha musical, com Noel e Wilson trocando insultos em versos (insultos mais por conta de Wilson Batista, é bom dizer). Esse fato durou pouco mais de uns dois anos, mas se prolongou na história porque dele nasceram músicas que hoje são clássicos do nosso cancioneiro popular. Com a mesma morena por quem a disputa começou, foi também o motivo como tudo terminou (bem). Wilson havia escrito o samba “Terra de cego”, onde dava mais uma alfinetada em Noel. Mostrou e cantou para ele a música em um bar e ali mesmo. Segundo contam, Noel gostou do samba, mas pediu para trocar a letra, ou melhor, criou uma nova letra para a música que passou a se chamar “Deixa de ser convencida”. A letra que antes dizia a Noel para perder a mania de bamba, agora falava à morena Ceci para deixar de ser convencida.
Em 1956 a Odeon decide então lançar o álbum “Polêmica”, onde reúne os sambas que os dois fizeram durante esse período. Francisco Egydio foi o responsável pelas interpretações dos sambas de Noel e Roberto Paiva os de Wilson Batista. A gravação deste álbum foi importante porque trouxe a tona um assunto que não era do conhecimento do grande público. Fez também trazer de volta essas primeiras composições de Wilson Batista.
Na contracapa do lp de 10 polegadas, temos um texto explicando melhor essa polêmica, escrito por Nassara, que também assina a bela e divertida capa.

lenço no pescoço – roberto paiva
rapaz folgado – francisco egydio
mocinho da vila – roberto paiva
palpite infeliz – francisco egydio
frankenstein – roberto paiva
feitiço da vila – francisco egydio
conversa fiada – roberto paiva
joão ningém – francisco egydio
terra de cego – roberto paiva

Noel Rosa – Vários Odeon (1962)

Olá! Hoje, para facilitar a minha vida e alegrar a de todos nós, vamos com a música de Noel Rosa. É como dizem, quando o doce é bom a gente não enjoa. Noel é sempre Noel, seja cantado por quem for. E aqui ele vem nas vozes e instrumentação de grandes nomes do ‘cast’ da Odeon, no início dos anos 60. Este álbum, conforme nos indica um dos textos da contracapa, foi lançado pela gravadora no sentido de relembrar o Poeta da Vila, no 25º ano de sua morte. Foram reunidos neste lp doze das mais badaladas músicas criadas por Noel Rosa, um verdadeiro festival de sucessos. Muitas dessas gravações vocês também poderão encontrar em outros discos da gravadora já postados aqui anteriormente. Na contracapa há também um texto do Sérgio Cabral falando um pouco sobre cada uma das faixas, o que facilitou ainda mais o meu trabalho.
O toque inicial eu já dei, agora vocês podem ir rolando a bola. 😉

feitio de oração – coral de ouro preto
mulato bamba – mário reis
fita amarela – sambistas da guanabara
rapaz folgado – francisco egydio
feitiço da vila – côro odeon
último desejo – roberto luna
até amanhã – trio irakitan
pastorinhas – a banda do corpo de bombeiros rj
gago apaixonado – moreira da silva
eu vou prá vila – astor e orquestra
pra esquecer – solon salles
conversa de botequim – fafá lemos

Noel Rosa – RCA Camden (1967)

Bom dia! Hoje eu acordei com vontade de ouvir músicas de Noel Rosa. Já faz um bom tempo que não escuto nada dele, desde a semana passada 🙂 Vou colocando para fora (no bom sentido, claro) alguns álbuns que ficaram lá no fundão da gaveta, esperando uma hora, assim como essa, em que eu estou mais corrido e automatizado que o Charles Chaplin em “Tempos Modernos”. Hoje eu juntei a fome com a vontade de comer. Então vamos saborear…
Temos aqui um álbum lançado em 1967, pelo selo RCA Camden. Segundo o texto da contracapa, ‘associado às comemorações do 30º aniversário da morte de Noel Rosa…’. Sinceramente, eu preferia dizer ‘relembrando’, pois ‘comemoração’ sempre me soou mais como uma situação alegria, e em ‘aniversário da morte’ fica então como um trocadilho infame. Mas quem sou para corrigir o proposto. Tomo isso apenas como uma observação curiosa. O importante é que temos aqui uma seleção bem bacana, já conhecida por todos. Uuma coleção musical extraída de antigos discos e gravações da RCA Victor, com alguns dos seus mais importantes artistas, como se pode ver na capa ou logo a baixo na lista das faixas. Possivelmente, acho que quase todas essas gravações podem ser encontradas em outros discos postados aqui. Mas uma coletaneazinha sempre caí bem , não é mesmo. Por tanto, vamos a ela…

menina dos olhos – orlando silva
feitiço da vila – nelson gonçalves
rapaz folgado – aracy de almeida
pra que mentir – sílvio caldas
cidade mulher – orlando silva
último desejo – isaura garcia
quando o samba acabou – nelson gonçalves
silêncio de um minuto – marília batista
pela primeira vez – orlando silva
com que roupa – nelson gonçalves
queixumes – carlos galhardo
a e i o u – lamartine babo
século do progresso – aracy  de almeida
palpite infeliz – nelson gonçalves

Marilia Batista – Poeta Da Vila (1953)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje eu trago para vocês um disco raro e bem interessante. Como já se pode ver pela capa, temos aqui um Noel Rosa na voz de uma de suas intérpretes favoritas, a cantora e compositora Marília Batista. Este álbum, primeiro lançamento em ‘long play’ de 10 polegadas do selo Rádio, saiu em 1953, trazendo de volta a cantora que se encontrava afastada já há vários anos dos estúdios. No álbum de oito faixas, cinco das são interpretadas por ela. As demais são apenas orquestradas e ficam por conta do Maestro Aldo Taranto, que foi quem cuidou de toda a direção, fazendo os arranjos e orquestração.
Uma curiosidade que me chamou a atenção é que além de ser este um dos primeiros ‘lps’ lançados no Brasil, foi também o primeiro vinil mesclado, com manchas brancas, lembrando bem os discos de edições especiais, que mais adiante viriam a aparecer no mercado. Eu sempre acreditei que fosse um disco com defeito na fabricação, até o dia em que vi outros exemplares do mesmo álbum. Imagino que o mesmo deve ter passado pela cabeça daqueles que também adquiriram o disquinho. Mas roda que é uma beleza! Quer conferir?

feitio de oração
até amanhã
quando o samba acabou
pra esquecer
com que roupa
quem ri melhor
pela primeira vez
dama do cabaré

Noel Rosa – Uma Rosa Para Noel – 50 Anos Depois (1987)

Bom dia Cultos e Ocultos, gente de todo o mundo! Sei que vocês não tem nada com isso, mas apenas para justificar. Meu tempo anda curtíssimo e com isso acabo sem ter como preparar devidamente as minhas postagens. Estou tendo que recorrer aos meus arquivos de gaveta e em alguns casos, percebo que os mesmos precisavam de uma revisão. Infelizmente e de imediato não poderei fazer muita coisa. Vida de blogueiro não é só ficar direto na frente de um computador. Peço a todos paciência. O mingau de vez enquanto é de araruta.

Para hoje então, temos este disquinho curioso, lançado pela gravadora Continental em 1987, celebrando o Poeta da Vila, no cinquentenário de sua morte. A curiosidade vai por conta do trabalho de mixagem que fundiu suas antigas gravações, realizadas entre 1931 e 33, com outra recente, seguinda a risco pelo maestro Edson José Alves, responsável pelos arranjos e reconstituição instrumental. O resultado desta fusão é bem interessante, muito embora, a diferença de som tenha gerado algumas distorções. Há momentos que o som do antigo distorce. Pensei que fosse um problema na minha digitalização, mas percebo que ela está no próprio disco. Como estou meio corrido, não terei tempo para os ajustes. Gostaria que vocês conferissem e me dessem um retorno. Tentarei mais tarde ripá-lo novamente, caso necessário.
positivismo
mentiras de mulher
coisas nossas
devo esquecer
vejo amanhecer
mulher indigesta
felicidade
gago apaixonado

Arthur Moreira Lima E Radamés Gnattali – A Grande Música De Noel Rosa – A Grande Música Do Brasil (1978)

Há tempos eu venho pensando em postar este disco aqui no Toque Musical, mas sempre acabo deixando ele de lado. Mas desta vez eu tomei boa parte da manhã ‘dando um trato’ no arquivo e agora ele entra! Não ficou lá grandes coisas, porque eu não tenho os recursos e programas necessários para sua limpeza. Apenas removi alguns estalos e chiados muito evidentes. Este álbum bem que merece um cuidado especial, pois é simplesmente maravilhoso. Ele faz parte de uma série intitulada “A Grande Música do Brasil”, concebida e dirigida por Marcus Pereira para Discos Copacabana. Esta coleção foi criada no sentido de homenagear alguns dos maiores nomes da nossa música, em interpretação sinfônica, com grandes instrumentistas e arranjadores. Trata-se de um trabalho exclusivamente instrumental, cuja a direção musical era do maestro e compositor Marcus Vinicius.
Temos aqui a grande música de Noel Rosa, numa parceria entre o pianista Arthur Moreira Lima e o maestro Radamés Gnattali e orquestra. Tenho certeza que se Noel tivesse ouvido este disco iria ficar encantado com essa versão instrumental e super sensível de algumas de suas mais belas composições. Eu resumiria este trabalho dizendo apenas ser esta a feliz união da flor e seu perfume. Lindo de viver!
concerto para noel rosa
– as pastorinhas
– em feitio de oração
– conversa de botequim
feitiço da vila
último desejo / três apitos
fita amarela / silêncio de um minuto
de babado sim / até amanhã

Leal Brito E Seu Conjunto – Noel Rosa Sem Parceiros (1957)

Eis aqui um lp dos mais interessantes lançados pela Sinter em 1957. Após vinte anos da morte de Noel Rosa, a gravadora resolveu produzir este álbum com o pianista Leal Brito (o Britinho) e seu Conjunto executando um repertório de composições do Poeta da Vila sem parceiros. Me parece que na época andaram duvidando da excelência de Noel. Na capa, ao estilo de um jornal, temos o texto de Almirante, também na mesma linha, defendendo o artista. Britinho por sua vez não deixa por menos, criando arranjos que valorizam ainda mais as melodias de Noel. Ele escala um time de feras para tocar com ele além de seu conjunto, formado por Pedro Vidal Ramos (contrabaixo), Hugo Tagnin (bateria) e Tião Gomes (percussão). Tocam também neste disco o sax-tenor Sandoval Dias, José Menezes na guitarra elétrica, Abel Ferreira, Altamiro Carrilho e outros que vocês poderão conferir na contracapa. Maravilha de disco!

palpite infeliz
último desejo
x do problema
eu sei sofrer
não tem tradução
prá esquecer
com que roupa?
mulato bamba
até amanhã
silêncio de um minuto
quando o samba acabou
eu vou pra vila

Noel Rosa e Vassourinha – A Bossa Dos Bambas (1969)

Olá meus caríssimos amigos cultos, ocultos e apreciadores de bolachas em geral. Aqui estou eu para lhes apresentar mais um resgate importante. Um disco da Continental com o selo Disco Lar, exclusivo para vendas diretas a domicílio, sem intermediários, assim como a Odeon que tinha o seu selo Imperial para vendas através do correio. Normalmente esses discos eram coletâneas ou relançamentos de álbuns que fizeram sucesso. Dessa forma, lps com este, são de tiragem limitada, o que dão a eles um status ainda de mais raros.
“A bossa dos bambas” é, sem dúvida, um exemplo típico de raridade. Aqui encontramos dois grandes nomes da música popular brasileira, Noel Rosa e Mário Ramos, (Vassourinha) numa dobradinha que bem merecia ser um álbum duplo de tão bom que é. Temos de um lado Noel e do outro o Vassourinha. Embora o Noel não tivesse lá ‘aquela voz’ é bom ouvi-lo cantando suas próprias composições (e de outros também). Ao ouví-lo, nos sentimos mais próximos do mito e de todo o clima de uma época. Vassourinha também não fica para trás, embora esteja presente em apenas três faixas. Confira já este toque!

gago apaixonado – canta noel rosa
mulher indigesta – canta noel rosa
positivismo – canta noel rosa
felicidade – canta noel rosa
coisas nossas – canta noel rosa
devo esquecer – cantam noel rosa e léo vilar
seu libório – canta vassourinha
juracy – canta vassourinha
emilia – canta vassourinha
mentira de mulher – cantam noel rosa e arthur costa
vejo amanhecer – cantam noel rosa e ismael silva

Araci De Almeida – Noel Rosa Na Voz De Araci De Almeida (1967)

Boas… Aqui vamos nós com a postagem do dia. Mais uma vez trazendo o “filósofo do samba”, o grande Noel, na voz de Araci de Almeida, interprete inquestionável de suas canções. A primeira gravação de Araci foi um samba de Noel “Sorriso de criança”. Seu nome e seus discos sempre estiveram associados ao “poeta da Vila”. Este álbum, me parece, foi um relançamento de uma bolacha de 78 rpm, incluíndo outras canções. Me corrijam se eu estiver errado…

meu barracão
são coisas nossas
fita amarela
cor de cinza
a melhor do planeta
palpite infeliz
feiticho da vila
pra que mentir
último desejo
conversa de botequim
não tem tradução
silêncio de um minuto

Songbook de Noel Rosa – Vários Artistas (1992)

Para finalizar a semana e também dando uma pausa no Noel Rosa, trago agora um time de artistas interpretando as suas composições mais famosas. Idealizado e produzido por Almir Chediak, fundador e presidente da Lumiar Discos & Editora, o Projeto Songbook foi um grande sucesso. Ele editou dezenas de livros, dentre os quais: Ary Barroso, Bossa Nova, Caetano Veloso, Chico Buarque, Djavan, Dorival Caymmi, Edu Lobo, Rita Lee, Tom Jobim,Vinicius de Moraes e o Noel Rosa. Este cd faz parte da coleção, mas foi vendido separadamente, assim como os três volumes do songbook de Noel. Como disse o Tom Jobim: “Noel deve estar feliz com tanta gente boa cantando a música dele”.

Conjunto Coisas Nossas – Noel Inédito (1983)

Segue agora mais um disco primoroso. Um trabalho que vale a pena ouvir. O Conjunto Coisas Nossas foi um grupo que realizava diversos espetáculos sobre Noel Rosa e a música carioca das décadas de 20 e 30. Neste álbum eles resgatam obras, até então, inéditas do compositor. Os arranjos e interpretação procuram ser fiéis à época. Até onde eu sei, o disco foi lançado originalmente em 1983, em vinil, pelo Estúdio Eldorado e foi novamente relançado em cd nos anos 90. Como disse, vale a pena conferir mais este toque musical.

Canções de Noel Rosa Cantadas Por Noel Rosa (1955)

Mais um toque musical deste que foi um dos nossos maiores compositores populares. Aqui temos o próprio, Noel em pessoa, interpretando suas composições. Um ‘disquinho’ também histórico, raro e muito bonito. Este lp eu conhecia apenas pela capa e de estórias contadas sobre ele. Até então só tinha ouvido através da coleção “Noel Pela Primeira Vez”. Graças ao intercâmbio no Soulseek, tenho agora o previlégio de ouvi-lo na íntegra e (por certo) dar esse toque para vocês. Viva Noel Rosa!