Som Brasileiro (1975)

É com a satisfação de sempre que o Toque Musical oferece hoje, a seus amigos cultos, ocultos e associados, mais uma coletânea apresentando MPB da melhor qualidade. Trata-se de “Som brasileiro”, editada em 1975 pela Odeon (depois EMI, hoje Universal Music), reunindo alguns dos então contratados da “marca do templo” em dez faixas marcantes e bastante expressivas. Uma seleção de primeira, conforme vocês poderão constatar. O álbum já começa arrebentando, com o grande Mílton Nascimento e seu eterno clássico “Travessia”, que o projetou nacionalmente em 1967 e aqui, em registro feito, ao que parece, especialmente para esta compilação. O grande Bituca ainda comparece com outra de suas inesquecíveis criações, “San Vicente”, lançada em 1972 no histórico álbum duplo “Clube da Esquina”. Outro “cobra” de nossa música, Marcos Valle, aqui nos traz “Remédio pro coração”, de sua longa e profícua parceria com o irmão Paulo Sérgio, extraída de seu álbum de 1974. O clássico “Primavera”, de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes, composto  para a peça “Pobre menina rica”, é aqui oferecido na voz de Alaíde Costa, em gravação que saiu primeiro num compacto duplo também  de 1974 e, no ano seguinte, foi incluída em um dos muitos LPs dessa excelente cantora. João de Aquino vem com “Sapos e grilos”, parceria dele próprio com Paulo Frederico, faixa extraída do álbum “Violão viageiro”. Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro, juntamente com outra notável cantora, Márcia, aqui nos apresentam “Mordaça”, em registro feito ao vivo durante o espetáculo “O importante é que a nossa emoção sobreviva” (título, por sinal, oriundo de um verso desta música), e lançado primeiramente no álbum de mesmo nome. Gonzaguinha, o inesquecível  e eterno aprendiz, então ainda se assinando Luiz Gonzaga Júnior, aqui comparece com “Meu coração é um pandeiro”, faixa de seu segundo álbum-solo, de 1974 (no mesmo ano, a música teve outro registro, feito ao vivo, pela cantora Marlene).  Obra-prima de João Donato, em parceria com Lysias Ênio e Mercedes Chies, “Até quem sabe?” é apresentada neste disco na voz da não menos inesquecível Maysa, em faixa de seu derradeiro álbum de estúdio. Autor de clássicos como “Eu e a bridsa” e “Céu e mar”, Johnny Alf expressa bem sua porção- intérprete com “Um gosto de fim”, de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de  Souza, faixa extraída do álbum “Nós”. Finalizando, temos o grande Egberto Gismonti, músico completo e extremamente versátil, com “Vila Rica 1720”, por ele gravada pela primeira vez em 1972, para o álbum “Água & vinho” e, aqui, em seu segundo registro, extraído de um de seus mais expressivos LPs, ‘Academia de danças”. Repertório primoroso, intérpretes do melhor quilate… Que mais se pode querer?

travessia – milton nascimento
remédio pro coração – marcos valle
primavera – alaide costa
sapos e grilos – joão de auino
mordaça – paulo cesar pinheiro, eduardo gudin & marcia
san vicente – milton nascimento
meu coração é um pandeiro – luiz gonzaga jr
até quem sabe – maysa
um gosto de fim – johnny alf
vila rica 1720 – egberto gismonti

*Texto de Samuel Machado Filho

Brasil Selo Exportação (1978)

No decorrer dos anos 1970, com o sucesso obtido pela Som Livre, gravadora vinculada à Rede Globo de Televisão, as emissoras concorrentes decidiram criar seus próprios selos fonográficos. Dessa maneira, surgiram a Bandeirantes Discos, a Seta (vinculada à Record)e a GTA (Gravações Tupi Associadas). Esta última, vinculada à Rede Tupi, grande rival da Globo na época, surgiu em 1976, e seu primeiro lançamento foi a coletânea “Sucessos pop Difusora”, recheada de hits internacionais, e produzida pela rádio AM paulistana de mesmo nome, que também pertencia ao grupo Diários Associados e tinha uma programação para a juventude, embrião do que as FMs teriam bem mais tarde. O disco (que tinha na capa o desenho de uma macaca vestida de Mona Lisa) foi um sucesso, sendo logo seguido de um segundo volume. A GTA fazia praticamente o mesmo que a Som Livre, ou seja, trilhas sonoras das novelas da Tupi e compilações nacionais e internacionais de gêneros diversos, a partir de fonogramas cedidos pelas co-irmãs. Mas, com a falência da emissora, em 1980, acabou também sumindo do mercado fonográfico, o mesmo acontecendo com a Seta e a Bandeirantes Discos, que também não foram muito longe. A Som Livre, vocês sabem, continua na ativa. É justamente uma coletânea da GTA que o Toque Musical está oferecendo hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados. Trata-se de “Brasil selo exportação”. Com seleção de repertório a cargo de Ana Maria Mazzocchi, cujo nome está ligado ao extinto Sebo de Elite, uma loja de discos raros que comandou por mais de quinze anos em São Paulo, o álbum reúne vários nomes da MPB de então, a maior parte bastante conhecidos. A exceção fica por conta de Neuber, um cantor-compositor que a própria GTA tentou emplacar sem êxito, aqui com a faixa “Análise”, que encerra o LP. No mais, verdadeiras “feras” da MPB batem ponto neste disco: Maria Bethânia, logo de saída, vem com “Terezinha”,  cujo autor, Chico Buarque, aparece logo em seguida com a não menos antológica “Basta um dia”, também composição sua. Temos ainda a inesquecível Elis Regina com “Sentimental eu fico”, de Renato Teixeira, Lula Carvalho com “Portão antigo”, releitura de uma composição de Antônio Maria originalmente lançada por Renata Fronzi em 1953, Ney Matogrosso interpretando “A gaivota”, de Gilberto Gil, a não menos inesquecível cantora e violonista Rosinha de Valença com sua “Os grilos são astros”, Fafá de Belém com a sensível “Dentro de mim mora um anjo”, de Suely Costa e Cacaso, João Nogueira com sua “Albatrozes”, Nana Caymmi revivendo “Perdoa, meu amor”, de Georges Moran e J. G. de Araújo Jorge, hit de Orlando Silva em 1947, Gal Costa com a versão “Louca me chamam” (Crazy he calls me)”, feita pelo poeta concretista Augusto de Campos a partir de original dos norte-americanos Carl Sigman e Bob Russell, e Alaíde Costa com um trabalho da parceria Ivan Lins-Vítor Martins, “Corpos”. Tudo isso em uma compilação de inestimável valor artístico e histórico, trazendo de volta um pouco da melhor MPB da década de 1970. É ouvir e comprovar.

terezinha – maria bethania

basta um dia – chico buarque

sentimental eu fico – elis regina

portão antigo – lula carvalho

a gaivota – ney matogrosso

os grilos são astros – rosinha de valença

dentro de mim mora um anjo – fafá de belém

albatrozes – joão nogueira

perdoa meu amor – nana caymmi

louca me chamam – gal costa

corpos – alaide costa

análise – neuber

*Texto de Samuel Machado Filho

Velha Bossa Nova (1976)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Segue aqui mais um disco da série ‘doação’ que eu acredito que todos irão gostar. Trata-se de uma coletânea. Coletâneas são sempre muito bem vidas, principalmente se for de Bossa Nova e ainda com um time e repertório que foge ao comum. Eis aqui um lançamento da RCA Victor, de 1976. São 18 faixas bem escolhidas do arquivo da gravadora durante a década de 60. Ao falar em 18 músicas e vendo pela capa e contracapa uma lista tão grande de artistas há de se pensar que este é um álbum duplo. Mas não é duplo e curiosamente também não são gravações reduzidas. Para meu espanto, conseguiram enfiar num lp de 12 polegadas 18 músicas e sem corte. Uma prova de capacidade acima do normal para um lp.

samba pro pedrinho – walter santos
você sabe – flora purim
estamos aí – raulzinho (raul de souza)
chora tua tristeza – alaide costa
receita para esquecer – leny andrade
só tinha de ser com você – trio 3d
cartão de visita – flora purim
amanhã – walter santos
vem balançar – conjunto mario castro neves
complicação – alaide costa
a vontade mesmo – raulzinho (raul de souza)
dindi – alaide costa
o que é amar – johnny alf
meu amor foi embora – leny andrade
minha namorada – trio 3d
nem o mar sabia – flora purim
demais / meu mundo caiu / preciso aprender a ser só – maysa
wave (vou te contar) – os cariocas e lúcio alves
.

Alaide Costa – Jóia Moderna (1961)

Boa noite a todos! Ontem, sexta feira, eu acabei não fazendo nenhuma postagem. Em outros tempos isso jamais aconteceria, com chuva ou com sol, eu sempre estava lá presente. Mas de uns tempos pra cá vejo que essa preocupação era só minha. Relaxei e faço agora tudo dentro do possível. Isso vale inclusive para as reposições. Antes eu ficava preocupado em atender, agora continuo atendendo, mas sem pressão. Assim, o que viria na sexta, está chegando agora. E claro, como sempre, coisa boa. Olha aí, mais uma vez marcando presença, a grande Alaíde Costa!
Temos aqui “Alaíde, Jóia Moderna”, outro álbum maravilhoso da cantora e também compositora. Neste lp ela marca presença com “Canção do amor sem fim”, música em parceria com Geraldo Vandré. No repertório temos também outras tantas jóias, uma seleção musical feita pela própria cantora. Aliás, no texto da contracapa Alaíde nos conta todos os passos da produção deste trabalho. Detalhes importantes e interssantes, coisa que todos os discos deveriam trazer. Sabemos aqui que os arranjos de todas as músicas são de Baden Powell, que também toca no disco. Acompanham também a artista os irmãos Castro Neves, Paulo Tito, Copinha e o trombonista Macaxeira. Outro detalhe curioso é a capa que traz na foto um colar, um jóia criada pelo artista, mais conhecido como paisagista, Burle Marx. Legal, né? 🙂

encontro com a saudade
samba de nós dois
se foi passado
gostar de ninguém
só de mentirinha
ponto final
canção de amor sem fim
no mundo da lua
gosto do seu olhar
sem você
segue a vida em paz
lágrima
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Alaide Costa – Canta Suavemente (1960)

Olá amigos cultos e ocultos! É… definitivamente eu chego a conclusão de que as pessoas que passam por aqui, em sua maioria, não lêem os conteúdos das postagens e muito menos as informações e orientações de uso do blog. Seria, para mim, apenas lamentável não fosse também uma amolação, pois estou sempre tendo que explicar o óbvio. Não seria mais fácil simplesmente ler o que está escrito no Toque Musical? Estão perdendo tempo… Inclusive, aproveitando o ensejo, quero deixar claro e avisado aqui também (e mais uma vez) que a configuração de participação dos associados ao GTM deve ser SEMPRE e EXCLUSIVAMENTE a de não receber e-mails do grupo. Muitos, aos se associarem, marcam lá nas opções o recebimento de mensagens (ou links), mas isso não está valendo. Todos, ao se inscreverem, são automaticamente redefinidos para essa opção. Aqueles que teimam, entram no site do GTM e muda suas configurações de recebimento, logo que assinalados têm seus e-mails banidos. Por isso, peço a todos que fiquem atentos. Que leiam e aceitem as condições deste blog, ok? O Toque Musical só tem sentido se houver participação, o famoso ‘feed-back’.
Bom, para hoje eu estou trazendo um disco de uma das minhas cantoras favoritas. Se até hoje eu não andei postando muitos discos dela aqui, foi apenas por descuido, ou mesmo porque sempre podemos encontrar sua voz cantando em outras fontes. Mas dessa vez, movido pelo embalo do canto feminino da semana, achei por bem trazer para o nosso lado outro disco da Alaide.
Temos aqui o “Alaide Costa, Canta Suavemente”, álbum lançado em 1960 pela RCA Victor. Este foi o segundo ‘long play’ gravado pela cantora, mantendo um inquestionável bom gosto de repertório, com músicas como “Esquecendo você”, de Tom Jobim; “Complicação”, de Ronaldo Boscoli e Chico Feitosa; “Chora tua tristeza”, de Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini; “Dindi”, de Aloysio Oliveira e Jobim… Putz, só tem coisa boa aqui! Entre outras, era também a Bossa Nova se manifestando na voz de uma das maiores cantoras do Brasil! Melhor listar logo a baixo todas de uma vez 🙂

esquecendo você
complicação
história de nossa história
ciúme
é mentira nosso adeus
chora tua tristeza
dindi
jura de pombo
o nosso olhar
dê-me o braço
discussão
fim de noite

Meu Brasil – Coletânea De Milan Filipovic

Olá amigos cultos e ocultos! Aqui estamos em mais um sábado de coletâneas. Vou aproveitar a pausa do almoço para fazer logo a nossa postagem. Hoje temos como convidado o Milan Filipovic, do excelente blog Parallel Realities. Essa ideia de coletâneas, convidando outros blogs parceiros, começou com o sérvio, eu inclusive fui por ele um dos convidados, apresentado uma seleção da Alaide Costa. A minha versão é um pouquinho diferente, se prolonga por um prazo indeterminado. Enquanto houver aqueles que atendam ao meu convite, os colaboradores espontâneos e eu próprio criando novas coletâneas, a programação continua.
Em “Meu Brasil”, Milan reuniu para nós alguns de seus artistas brasileiros, ao que parece, os que ele mais aprecia. Temos aqui o equivalente a um álbum duplo de 10 polegadas, ou seja, dezesseis músicas, extraídas (quase todas) de discos neste formato. A escolha dos artistas e repertório refletem bem o perfil do “Parallel Realities”. Cantoras das décadas de 40, 50 e 60, além de umas pitadas intrumentais de Ribamar, Alberto Mota, Pocho e Moacyr Silva. Gostei, uma bela seleção. Vamos conferir?

ternura antiga – marisa gata mansa
só por amor – odete lara
ô ba la la – norma benguell
com açucar e com afeto – waleska
insensatez – alaide costa
apelo – elizete cardoso
suas mãos – sylvia telles
e a noite chegou – francineth
cantiga de quem está só – neusa maria
brigas de amor – angela maria
ser só – dalva andrade
carinho perdido – isaura garcia
a noite do meu bem – ribamar
canção de amor – alberto mota
mente – pocho
meiga presença – moacyr silva

Coletânea Aum Soham – Brasil 68-75 (2011)

Hoje, sábado, vamos nos dedicar às coletâneas! Temos aqui uma feita pelo meu amigo, o artista multimídia Aum Soham, trazendo para nós uma seleção, que segundo ele, foi a trilha de um bom momento em sua vida. Com certeza, as músicas reunidas aqui fizeram e fazem o momento de muita gente, inclusive o meu.

top top – mutantes
refazenda – gilberto gil
atrás do trio elétrico – caetano veloso
baioque – maria bethania
lingua do p – gal costa
ponta de areia – elis regina
carlos, lucia, chico e tiago – milton nascimento
paisagem da janela – lô borges
me deixa em paz – alaide costa e milton nascimento
a tua presença morena – maria bethania
paisagem inútil – caetano veloso
o rouxinol – gilberto gil
mora na filosofia – caetano veloso
passarinho – gal costa
magrelinha – luiz melodia
os povos – milton nascimento
caça a raposa – elis regina
maldição – maria bethania
dom quixote – mutantes
fuga número dois dos mutantes – mutantes
baby – mutantes

Alaide Costa Zezé Gonzaga E Zéluiz – Sidney Miller (1982)

Bom dia, amigos cultos e ocultos. Mais uma vez estamos sendo censurados a pedidos do Tio Sam. Desta vez foi um disco do Eumir Deodato, que pode ser encontrado às pencas na rede para ‘download’. Mas eles resolveram que seria o Toque Musical a bola da vez. Tudo bem, a gente segue a cartilha, voltamos com a postagem, sem indicação para o arquivo (pelo menos da minha parte). Repliquei numa postagem extra a tal notificação, a título de noticiar a todos o ocorrido e também com uma forma de desabafo. Contudo, não posso criticar a postura do Blogger, que agiu de maneira clara e educada. A indicação para baixarem o disco já foi retirada. Só espero que não insistam na exclusão da postagem, essa permanece.
Seguindo em nossas postagens, vamos hoje com um disco homenagem. Dois anos após a morte de Sidney Miller, Hermínio Bello de Carvalho e Antonio Adolfo produziram este disco, aproveitando a deixa do Projeto Almirante da Funart. No álbum temos reunidas algumas das melhores e mais conhecidas composições de Sidney Miller, interpretadas por três grandes cantores: Alaíde Costa, Zéluiz e Zezé Gonzaga. Os arranjos são de Antonio Adolfo que também toca no disco. Somando a esses, temos também o próprio autor em duas faixas, “O circo”, extraída de um de seus discos e a emblemática “A estrada e o violeiro” com Nara Leão. Não há como negar a importância desse artista, o que faltou foi mesmo um álbum duplo, o cara merecia. Mesmo assim, “Sidney Miller” é um disco encantador, tanto pelas composições, quanto pelos seus intérpretes e interpretações. Acompanha o disco um encarte com textos de Hermínio, Tárik de Souza e Nelson Motta.
Memória é isso… que seja curta, mas seja culta e nunca oculta 😉

maria joana / alô fevereiro – zéluiz e zezé gonzaga
nós os foliões – zéluiz
alma minha – zezé gonzaga
casinha do arraial – zéluiz
o circo – sidney miller
menina da agulha – zéluiz e alaíde costa
o bonde – zéluiz
pois é, prá quê? – zezé gonzaga, alaíde costa e zéluiz
a estrada e o violeiro – sidney miller e nara leão

Alaide Costa & Oscar Castro Neves (1973)

Bom dia amigos cultos & ocultos! Neste fim de semana eu tive a honra de ser convidado pelo amigo blogueiro, o sérvio Milan Filipovic, a participar da série de coletâneas de artistas brasileiros que ele está promovendo em seu espaço, o Parallel Realities. Trata-se de um convite onde eu escolhi o artista e as músicas para que ele criasse a coletânea. Achei a ideia dele ótima e me dispus a colaborar, enviando minha seleção musical de uma das cantoras que eu mais gosto, a grande Alaide Costa. Para aqueles que ainda não conhecem o blog do cara, eu sugiro uma visita. Milan é um apaixonado pela música brasileira. No Parallel Realities há discos muito interessantes e raros. Ele também é um fã incondicional da cantora Waleska e mantém um outro blog exclusivo para ela. Se vocês querem ouvir a minha seleção exclusiva de Alaide Costa e também a de outros convidados, vai lá e confiram. Tenho certeza de que vocês irão gostar muito.

E por falar na Alaide, eu resolvi hoje postar este sensacional álbum da cantora ao lado de Oscar Castro Neves. Este é também um dos discos da cantora que eu mais aprecio. Lançado no início dos anos 70 pela Odeon, numa fase onde ela retomava gradualmente a sua carreira, depois de ter ficado afastada do disco na segunda metade dos anos 60 por motivos de saúde. Ela teve um problema grave de audição, mas nos anos 70 estava de volta e ainda melhor. Cantando ao lado de Milton Nascimento, participando da faixa “Me deixa em paz” do celebre disco do Clube da Esquina, esta foi sua nova arrancada para o lp de 1973 com Oscar Castro Neves. Aqui temos um repertório escolhido a dedo e apoiado por feras como Milton Miranda e Aloysio de Oliveira, que cuidaram da produção. A direção musical é do maestro Gaya e a orquestração e regência de Castro Neves. Um álbum imperdível que merece o nosso toque musical. Confiram…
obrigada meu bem
sabe você
só não vem você
caminhos
noturno
companheira da manhã
cala meu amor
outono
murmúrios
retrato em branco e preto
amigo amado
a dama de vermelho

Alaide Costa – Amiga De Verdade (1988)

Entre um gole de café, uma mordida no pão e esta postagem, aqui vou eu fazendo tudo ao mesmo tempo para não perder o bonde do dia.
Hoje tenho para vocês uma das cantoras que e mais admiro, cuja a voz é uma maravilha de se ouvir. Pela primeira vez no Toque Musical, tenho o prazer de apresentar, Alaide Costa. Além de uma grande intérprete é também compositora de mão cheia. Suas parcerias não são poucas, vai de Vinícius de Morais, Geraldo Vandré, Johnny Alf, Tom Jobim e muitos outros. Está na estrada da música desde os 13 anos de idade quando começou a cantar, vencendo um concurso de cantores infatins num programa de rádio do saudoso ator Paulo Gracindo.
Escolhi este álbum, uma produção independente, gravado nos anos 80, que eu acho o máximo. Para mim, este disco deveria se chamar “Alaide No Céu Com Diamantes”. Isto porque ela canta para anjos e ao seu lado estão verdadeiros pedras preciosas da nossa música. Grandes compositores e grandes instrumentistas. Não é preciso nem falar, está na capa. Ouçam e tirem as suas conclusões 😉

amiga de verdade
quem sabe
estrada do sertão
teus olhos, meu lugar
cinema antigo
bela, bela
absinto
choro das águas
morrer de amor
mais que a paixão

Miguel Gustavo – MPM Propaganda (1972)

Olá a todos! Ontem, devido a minha falta de planejamento e também de tempo, acabei por não fazer a postagem do dia. Enganei vocês trazendo apenas mais um volume da coleção Nova História da MPB. Infelizmente, não tive mesmo condições. Mas retomo agora às curiosidades e raridades fonográficas como eu havia prometido. Há muito que eu venho querendo postar essas coisas aqui e acho que é chegado um bom momento.
Hoje temos um disco brinde de natal, criado para a agência MPM Propaganda em 1972, no intuito de presentear aos seus clientes e também homenagear um dos maiores criadores de jingles (música de propaganda), o compositor Miguel Gustavo, falecido naquele ano. No lp encontramos algumas de suas mais conhecidas composições, tanto para o mundo da propaganda como no musical artístico. Suas criações são aqui interpretadas por nomes de peso da música brasileira. Apenas a faixa “A Estrada” não é criação de Miguel. Esta foi feita em sua homenagem. Uma seleção bacana, como muita coisa inédita e rara.
Miguel Gustavo foi um compositor, como ele mesmo se intitulava, primário. Ele não entendia de música e suas composições eram fruto apenas de sua sensibilidade natural. Por certo que a prática acaba levando a perfeição e Miguel foi muito além.
Incluo a baixo (por pura preguiça) um texto de Fábio Dias, extraído do site Clube do Jingle, apresentando este ilustre desconhecido e seus famosos feitos musicais:
Miguel Gustavo Werneck de Souza Martins, compositor, jornalista, poeta e radialista nasceu no Rio de Janeiro em 24. de março de 1922 e faleceu em 22 de janeiro de 1972 aos 50 anos de idade. Ele era um cronista musical. Retratava em suas músicas o que de mais importante estava acontecendo nos meios sociais da época. Começou como discotecário da Rádio Vera Cruz em 1941. Mais tarde passou a escrever programas de rádio.
Em 1950 começou a compor jingles tendo se notabilizado nesta atividade com vários jingles de grande repercussão podendo ser destacado o que foi composto para as Casas da Banha com aproveitamento da melodia de Jesus, alegria dos homens de Johann Sebastian Bach. Sua primeira música gravada foi Primeiro amor, interpretada por Luiz de Carvalho, Os Tocantins e Dilu Mello em gravação Continental lançada em julho/agosto de 1946.
Em 23 de setembro de 1947, Ataulfo Alves gravou na Victor o samba O que é que eu vou dizer em casa, de sua autoria e Miguel Gustavo. Foi seu primeiro sucesso musical.
Em 1953 voltou a fazer sucesso com É sempre o papai, um baião de sua autoria que Zezé Gonzaga gravou na Sinter.
Mais tarde veio o ciclo dos sambas de breque com Moreira da Silva: O conto do pintor, O rei do gatilho, O último dos Moicanos, O sequestro de Ringo, O rei do cangaço e Morengueira contra 007.
Em 1963 compôs um jingle para o Leite Glória que até hoje é lembrado por muita gente pela forma moderna e criativa que a letra falava sobre as características do produto.
A música A dança da boneca, gravada pelo Chacrinha para o carnaval de 67 foi, depois, transformada no prefixo do Programa do Chacrinha com ligeiras modificações na letra e se popularizou pelo Brasil inteiro.
Para a Copa do Mundo de 1970, no México, ele criou o extraordinário Pra Frente Brasil ao participar de um concurso organizado pelos patrocinadores das transmissões dos jogos. O sucesso foi tanto que no carnaval do ano seguinte a música figurou entre as mais cantadas e até hoje é lembrada com carinho pela torcida brasileira.
Umas das principais características dos jingles de Miguel Gustavo eram as introduções marcantes que muitas vezes se tornavam um prefixo do próprio jingle e podiam ser consideradas melodias independentes dentro da peça, de tão bem estruturadas e fortes.
*Fábio Dias com dados fornecidos pela collectors.com.br

casas da banha – moinho de ouro – radamés gnattali
e daí? e daí? – alaide costa
morengueira contra 007 – moreira da silva
brasil eu adoro você – hino do sesquicentenário – angela maria
per omnia secula seculorum – josé tobias
café soçaite – jorge veiga
tatuzinho – leite gloria – erlon chaves
calma coração – miltinho
canção inútil da paz – severino filho
prá frente brasil – fala manuel gustavo
partido baixo do partido alto
a estrada – luis reis

Movimento 65 – Um Show Com… (1965)

Amigos, para arrematar e fechar a semana com chave de ouro, deixo aqui para vocês este disco que é outra pérola do jazz com bossa. “Movimento 65” é o nome deste álbum raríssimo, também super cultuado por colecionadores do mundo inteiro. Embora pelo título tenhamos a impressão de que se trata de um disco ao vivo, na verdade ele é uma espécie de coletânea, que reúne alguns dos artistas da RCA Victor que lançaram discos em 1965. Obviamente artistas de bossa e jazz.
Este é mais um que o Toque Musical assina embaixo. Confira…

1- REZA – Flora Purim
2- CONSOLAÇÃO – Trio 3-D
3- VOCÊ – Luiza
4- 1º DE ABRIL – Os Poligonais
5- NÓS E O MAR – Leny Andrade
6- CÉU E MAR – Johnny Alf
7- ESTAMOS AÍ – Raulzinho w/ Sambalanco Trio
8- NANÃ – Os Cobras
9- VAI DE VEZ – Luiza
10- SAMBA DE VERÃO – Marcos Moran
11- SAMBA DO CARIOCA – Flora Purim
12- RAPAZ DE BEM – Johnny Alf
13- SEM VOCÊ – Alaide Costa
14- NEGRO – Myrzo Barroso

Apoteose – O Show Dos Shows (1991)

Hoje não vou prolongar… Além do mais, o sono já vem me pegando de jeito.
Sobre este disco não é preciso falar muito, tá na capa! Uma seleção de artistas de primeira linha que passaram pela RGE. É isso aí… a gravadora se mantém com nomes de peso. Nada como uma coletânea, reunindo o que de melhor o selo ofereceu ao longo dos tempos. Neste, lançado somente em vinil e cassete (lembra da fitinha?), temos apresentações ao vivo de shows e festivais, realizados em 1964 e 65. Faixas retiradas de outros álbuns da gravadora.
chove chuva – jorge ben
terra de ninguém – elis regina e marcos valle
maria moita – nara leão
sem deuz com a família – césar roldão vieira
primavera – toquinho
tem dó de mim – quarteto em cy
aleluia – edu lobo e yvette
pedro pedreiro – chico buarque
garota de ipanema – zimbo trio
nós e o mar – maysa
onde está você – alaíde costa
mulher sempre mulher – vinícius de morais