As Cantoras – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 146 (2016)

Em sua edição de número 146, o Grand Record Brazil apresenta mais uma seleção de gravações com cantoras que fazem parte da história de nossa música popular, mesclando nomes consagrados com outros que o passar do tempo foi esquecendo, e perfazendo um total de 16 faixas, autênticas raridades que são reveladas para os amigos cultos, ocultos e associados de nosso TM.  –  Abrindo a seleção musical desta quinzena, temos o samba-canção “Amigos”, de autoria de Paulo Marques e Aylce Chaves, na interpretação de Linda Batista, acompanhada de conjunto no qual o violino, certamente, é de Fafá Lemos. A gravação foi feita na RCA Victor em 27 de janeiro de 1955 e lançada em março do mesmo ano, sob número de disco 80-1429-A, matriz BE5VB-0651. Em seguida, temos Aracy de Almeida, a inesquecível “dama da Central” e “do Encantado”, interpretando outro samba-canção, este clássico e bastante regravado: “Bom dia, tristeza”, lançado pela Continental em maio-junho de 1957 sob número 17437-B, matriz 11947. E a música tem uma história bem interessante: os versos, de autoria do Poetinha Vinícius de Moraes, foram enviados por ele de Paris (ele trabalhava na embaixada brasileira na França), por correio, a Aracy de Almeida, a fim de que ela fizesse o que bem entendesse com eles. Aracy, então colega de Adoniran Barbosa na Rádio e Televisão Record de São Paulo, solicitou então a ele que os musicasse. Mestre Adoniran desincumbiu-se plenamente da tarefa, e o resultado foi mais uma página antológica de seu trabalho autoral, no qual se destacam sambas como “Saudosa maloca” e “Trem das onze”, entre outros. Ângela Maria, a festejada Sapoti, aqui comparece com um tango bastante expressivo e de sucesso: “Mentindo”, de Eduardo Patané e Lourival Faissal. Foi lançado pela Copacabana em setembro-outubro de 1956, com o número 20032-A (dentro da série “de exportação” da companhia), matriz M-1671, mais tarde abrindo o LP de dez polegadas “Sucessos de Ângela Maria, número 2”. A cantora também interpretou “Mentindo” em dois filmes: “Com água na boca”, da Cine TV Filmes (mais tarde Herbert Richers), e “Rio fantasia”, de Watson Macedo. Paulista de Santos, Eladyr Porto iniciou sua carreira interpretando sambas e marchinhas. Mas, após residir na Argentina, passou a cantar tangos. É desta fase a gravação escalada para esta edição do GRB, “Cantando”, um clássico do gênero, escrito por Mercedes Simone, com letra brasileira de Virgínia Amorim. Quem o conhece na interpretação em dueto de Silvana e Rinaldo Calheiros, agora vai poder conferir sua primeira gravação em português, com Eladyr Porto, lançada pela Mocambo em 1956 sob número 15016-A, matriz R-537, aparecendo também no LP de dez polegadas “Tangos em versão”. Logo depois, Norma Ardanuy interpreta “Alma de boêmio (Alma de bohemio)”, outro tango clássico, de autoria de Roberto Firpo e Juan Andrés Caruso, em versão de Vanda Ardanuy, por certo irmã da intérprete. Foi gravado na Polydor em 13 de abril de 1956, e o disco recebeu o número 149-A, matriz POL-1116. Grande destaque do rádio de São Paulo nos anos 1940/50, e também pioneira da televisão no Brasil, Rosa Pardini aqui interpreta o bolero “Nunca, jamais (Nunca, jamás)”, de autoria de Lalo Guerrero, norte-americano do Arizona, mas descendente de mexicanos, em versão de Nélson Ferreira. Gravação Polydor de 31 de agosto de 1956, em disco número 173-B, matriz POL-1215, e que também abriu o LP de dez polegadas n.o LPN-2013, sem título. Em seguida, volta Eladyr Porto, interpretando “Silêncio”, versão dela própria para um tango clássico de Carlos Gardel, Alfredo Le Pera e Horacio Pettarosi. Outra gravação Mocambo , lançada em dezembro de 1956 sob número 15117-A, matriz R-740, sendo também faixa de abertura do já citado LP de dez polegadas “Tangos em versão”. Luely Figueiró interpreta depois “Até (Prière sans espoir)”, versão de Oswaldo Santiago para um fox de origem francesa, de autoria de Charles Danvers e Pierre Benoit Buisson, sucesso em todo o mundo na letra norte-americana de Carl Sigman, com o nome de “Till”. A gravação de Luely saiu pela Continental em setembro-outubro de 1958, sob número 17589-B, matriz 12120, entrando também no primeiro LP da cantora, “Gauchinha bem querer”. No mesmo ano, esta versão foi também gravada por Julie Joy, com o nome de “Até que…”.  A recifense-pernambucana Maria Helena Raposo bate ponto aqui com “Antigamente”, samba-toada de Vadico e Jarbas Mello, faixa de seu único LP, “Encantamento”, lançado em 1958 pela Mocambo, gravadora que inclusive tinha sede em seu Recife natal. Isaura Garcia, a sempre lembrada “Personalíssima”, aqui interpreta “Falaram de você”, samba-canção dos irmãos Hervê e Renê Cordovil, gravação RCA Victor de 13 de novembro de 1953, lançada em março de 54 sob número de disco 80-1258-B, matriz BE4VB-0304. O clássico “Conceição”, de Waldemar “Dunga” de Abreu e Jair Amorim, imortal sucesso de Cauby Peixoto, é aqui apresentado na voz de Dircinha Batista. A gravação dela para esse samba-canção foi feita na RCA Victor em 29 de maio de 1956, e lançada em agosto do mesmo ano sob número 80-1646-B, matriz BE6VB-1178, e, em virtude da enorme repercussão do registro de Cauby, ficou esquecida. Portanto, o GRB agora oferece uma oportunidade de ouvir e reavaliar esta interpretação de Dircinha Batista para “Conceição”. Logo depois, Dóris Monteiro interpreta “Quando tu passas por mim”, samba-canção que, embora tenha sido integralmente composto pelo Poetinha Vinícius de Moraes, letra e música, teve parceria por ele mesmo concedida a Antônio Maria. Originalmente gravado por Aracy de Almeida, em 1953, é oferecido aqui na interpretação da sempre notável  Dóris, lançada pela Continental em março de 1955, sob número 17092-B, matriz C-3555, com orquestração e regência do mestre Tom Jobim, outra importantíssima credencial. “Quantas vezes”, samba-canção de Peterpan, e outro sucesso de Dóris Monteiro (1952), aqui aparece na voz da eterna “Favorita”, Emilinha Borba (por sinal cunhada do compositor), em gravação extraída de acetato da Rádio Nacional carioca, então vivendo seu período áureo. Uma das “cantorinhas” reveladas pelo programa “Clube do Guri”, da Rádio Tamoio, também do Rio de Janeiro, Zaíra Cruz interpreta graciosamente a valsa “Anjo bom”, de Lourival Faissal em parceria com o jornalista Max Gold, em homenagem ao Dia das Mães. Gravação RCA Victor de 15 de março de 1956, lançada em maio do mesmo ano sob número 80-1600-B, matriz BE6VB-1022. Um ano mais tarde, apareceu no LP-coletânea de dez polegadas “Mãezinha querida”.  Entre 1952 e 1961, Zaíra Cruz gravou 21 discos de 78 rpm com 42 músicas, quase todos pela RCA Victor, e o último na Tiger. A também atriz Heloísa Helena (Rio de Janeiro, 28/10/1917-idem, 19/6/1999) bate ponto nesta edição com uma verdadeira raridade: “N’aimez que moi”, canção de Joubert de Carvalho e Maria Eugênia Celso, com letra me francês, originalmente lançada em disco por Marlene Valleé, em 1932. A presente gravação, em que Heloísa Helena é acompanhada ao piano por Benê Nunes, foi  tirada diretamente da trilha sonora do filme “É fogo na roupa”, de 1952, produzido e dirigido por Watson Macedo, verdadeiro craque das chanchadas.  E por último, da escassa discografia da cantora Míriam de Souza, resgatamos “Noite de chuva”, samba-canção do maestro Lindolfo Gaya em parceria com Pascoal Longo. É o lado A de seu segundo disco, o Odeon 13684, gravado em 28 de maio de 1954 e lançado em julho do mesmo ano, matriz 10144. Míriam gravou apenas seis discos 78 com doze músicas, cinco pela Odeon, entre 1953 e 1956, e o último na obscura Ciclone, em 1960. Enfim, esta é mais uma contribuição do GRB e do TM para a preservação da memória musical do Brasil, tarefa árdua porém extremamente gratificante. Divirtam-se!
*Texto de Samuel Machado Filho

Sambas – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 123 (2014)

E prossegue a gloriosa trajetória do Grand Record Brazil. Já estamos na edição de número 123, e nela estamos apresentando uma seleção especialmente dedicada ao samba. São 15 gravações, com sambas de autores consagrados do gênero, interpretados pelos melhores cantores de sua época.  Abrindo esta edição, temos “Capital do samba”, de José Ramos (1913-2001), fluminense de Campos, que ajudou a fundar a ala de compositores da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, na interpretação do sempre notável Gilberto Alves. Gravação Odeon de 9 de setembro de 1942, lançada em outubro do mesmo ano, disco 12214-A, matriz 7053. Dos cariocas João da Baiana (João Machado Guedes, 1887-1974) e Babaú da Mangueira (Waldomiro José da Rocha, 1914-1993) é “Sorris de mim”, a faixa seguinte, interpretada por Odete Amaral, “a voz tropical do Brasil”. Ela o gravou na Victor em 9 de julho de 1940,com lançamento em setembro do mesmo ano, disco 34657-B, matriz 33463. De Paquito (Francisco da Silva Fárrea Júnior, 1915-1975) e do lendário Paulo da Portela  (Paulo Benjamin de Oliveira, 1901-1949), foi escalado “Arma perigosa”, na interpretação de Linda Rodrigues (Sophia Gervasoni, 1919-1995). É o lado A de seu terceiro 78, o Continental 15423, lançado em setembro de 1945, matriz 1136. Na quarta faixa, um clássico indiscutível do mestre Ary Barroso: é “Morena boca de ouro”,  na interpretação de Sílvio Caldas, que o imortalizou na Victor em 4 de julho de 1941, com lançamento em setembro do mesmo ano, disco 34793-A, matriz S-052259. Foi várias vezes regravado,inclusive por João Gilberto, que o incluiu em seu primeiro LP, “Chega de saudade”, em 1959. O dito popular “Quem espera sempre alcança” dá título à nossa quinta faixa, mais uma composição do lendário Paulo da Portela. Quem canta este samba é Mário Reis, em gravação lançada pela Odeon em setembro de 1931, disco 10837-B, matriz 4272, com acompanhamento da Orquestra Copacabana, do palestino Simon Bountman. “Quem mandou, Iaiá?” é de Benedito Lacerda (também no acompanhamento com sua flauta mágica e inconfundível) e Oswaldo “Baiaco” Vasques, e foi lançado pela Columbia  para o carnaval de 1934, em janeiro desse ano, na voz de Arnaldo Amaral, disco 22262-A, matriz 1005. Também de Baiaco, em parceria com João dos Santos, é nossa sétima faixa, “Conversa puxa conversa”, gravação Victor de Almirante (“a maior patente do rádio”) em 24 de abril de 1934, lançada em julho do mesmo ano com o n.o 33800-A, matriz 79615, com acompanhamento da orquestra Diabos do Céu, formada e dirigida por Pixinguinha.  Babaú da Mangueira volta em nossa faixa 8, “Ela me abandonou”, samba do carnaval de 1949, em parceria com Taú Silva. Novamente aqui comparece Gilberto Alves, em gravação RCA Victor de 23 de dezembro de 48, lançada um mês antes da folia,em janeiro,disco 80-0591-B, matriz S-078852. Autor de clássicos do samba, Ismael Silva (1905-1978) mostra seu lado de intérprete em “Me deixa sossegado”, que assina junto com Francisco Alves e Nílton Bastos, e foi lançado pela Odeon em dezembro de 1931, disco 10858-B,matriz 4281. De família circense, sobrinho do lendário palhaço Piolim,  o comediante paulista Anchizes Pinto, o Ankito (1924-2009), considerado um dos cinco maiores nomes da era das chanchadas em nosso cinema, bate ponto aqui com “É fogo na jaca”, samba de Raul Marques, Estanislau Silva e Mateus Conde. Destinado ao carnaval de 1954, foi lançado pela Columbia (depois CBS e hoje Sony Music) em janeiro desse ano, sob n.o  CB-10017-B, matriz CBO-152. Paulo da Portela volta na faixa 11, assinando com Heitor dos Prazeres “Cantar pra não chorar”, do carnaval de 1938. Quem canta é Carlos Galhardo, “o cantor que dispensa adjetivos”, em gravação Victor de 15 de dezembro de 37, lançada um mês antes da folia, em janeiro, disco 34278-B, matriz 80634. Na faixa 12, volta José Ramos, agora assinando com o irmão, Marcelino Ramos, “Jequitibá”. Gravação de Zé e Zilda (“a dupla da harmonia”), em 1949, na Star, disco 151-B, por certo visando o carnaval de 50. A eterna “personalíssima”, Isaura Garcia, vem com o samba “Mulher de malandro”, de Hervê Cordovil.  Gravado na Victor em 23 de outubro de 1945, seria lançado apenas em  setembro de 46, sob n.o 80-0431-B, matriz S-078380. Ernani Alvarenga, o Alvarenga da Portela, assina “Fica de lá”, samba do carnaval de 1939, em gravação Odeon de Francisco Alves, datada de 16 de dezembro de 38 e lançada bem em cima da folia,em fevereiro, disco 11700-A,matriz 5995. Por fim, temos o samba “Não quero mais”, samba de autoria de Zé da Zilda (também conhecido por Zé com Fome e José Gonçalves) e Carlos Cachaça (Carlos Moreira de Castro, que apareceu no selo com o sobrenome errado, “da Silva”),  gravado na Victor por Aracy de Almeida  em 9 de setembro de 1936 e lançado em dezembro do mesmo ano, disco 34125-A, matriz 80214, certamente com vistas ao carnaval de 37. Note-se, a respeito deste samba, que Cartola tinha feito duas segundas partes, mas Zé da Zilda fez uma outra segunda parte por conta própria e, assim, eliminou Cartola da co-autoria. Enfim, é uma excelente seleção de sambas que o GRB  nos oferece, para apreciação de todos aqueles que apreciam o melhor de nossa música popular.

* Texto de Samuel Machado Filho

A Música De Lupicinio Rodrigues – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol.117 (2014)

Esta semana o Grand Record Brazil prossegue a retrospectiva dedicada à obra de Lupicínio Rodrigues (1914-1974), por certo o maior nome que o Rio Grande do Sul deu à nossa música popular. Depois de apresentarmos o próprio Lupi interpretando suas composições, temos agora catorze preciosas gravações de suas obras nas vozes de intérpretes diversos, a maior parte sambas e sambas-canções.
Para começar, temos o próprio Lupicínio interpretando “Sombras”, faixa que é o lado B do disco Star 353, editado em maio-junho de 1952 no álbum “Roteiro de um boêmio”. Eram quatro discos 78 embalados em capa especial, expediente às vezes comum nessa época, em que o LP estava em processo de implantação, e apenas começava a ser fabricado entre nós. Na faixa seguinte é “Triste história”, parceria de Lupi com Alcides Gonçalves, por este último interpretada,  gravação Victor de 3 de agosto de 1936, lançada em setembro do mesmo ano, disco 34089-B (o primeiro com gravações de músicas de Lupicínio), matriz 80188, samba que, por sinal, venceu, um ano antes, um concurso realizado em Porto Alegre por ocasião do centenário da Revolução Farroupilha (os autores abiscoitaram dois contos de réis).  Em seguida,o samba-canção “Divórcio”, só de Lupicínio,por ele composto numa ocasião em que o assunto estava na pauta das discussões, interpretado por João Dias, cantor que Francisco Alves indicara para sucedê-lo, dada a semelhança vocal. Gravação Odeon de 29 de janeiro de 1952,lançada em agosto do mesmo ano (um mês antes da trágica morte de Chico Viola em desastre automotivo),  sob n.o 13306-A, matriz 9233. O clássico “Vingança”, também só de Lupicínio, é a faixa seguinte, na gravação original do Trio de Ouro, então em sua segunda fase,  com Noemi Cavalcanti no lugar de Dalva de Oliveira, que se separara do fundador do grupo, Herivelto Martins, e mantendo Nilo Chagas (ainda que já tivesse divergências com Herivelto).  Gravado na RCA Victor em 10 de abril de 1951 e lançado em junho seguinte sob n.o 80-0776-B,matriz S-092932, “Vingança”, porém, teve sucesso muito maior posteriormente, na voz de Linda Batista, que fez da música um clássico, deixando este registro original esquecido. Ainda assim, o trazemos aqui para reavaliação.  O “rei do samba de breque”, Moreira da Silva, também mostrava algumas vezes sua faceta sentimental e romântica,como aqui, interpretando “Meu pecado”, parceria de Lupicínio com Felisberto Martins. Gravação Odeon de 3 de outubro de 1944,lançada em novembro do mesmo ano, disco 12516-B, matriz 7572. Na faixa seguinte, o primeiro grande hit nacional de Lupicínio como autor, e outra parceria com Felisberto Martins: o samba “Se acaso você chegasse”,verdadeiro clássico do gênero, que também projetou seu intérprete, o grande Cyro Monteiro.  Ele imortalizou esta obra-prima na Victor em 19 de julho de 1938, com lançamento em setembnro seguinte, sob n.o 34360-A, matriz 80844. Tocou até em um filme americano chamado ”Dançarina loira” e, em 1959, projetaria também a cantora Elza Soares.  A eterna “personalíssima”, Isaura Garcia, aqui comparece com “Eu não sou louco”, samba que Lupicínio fez com Evaldo Ruy, visando o carnaval de 1950. Foi gravado na RCA Victor em 14 de novembro de 49, e saiu um mês antes da folia, em janeiro, com o n.o 80-0625-B, matriz S-078984. Orlando Silva,o sempre lembrado “cantor das multidões”, vem com outro sucesso: “Brasa”,que Lupi compôs ao testemunhar as brigas domésticas de seu  irmão Francisco com a esposa, na ocasião em que residiu com eles. Novamente com a parceria de Felisberto Martins, foi imortalizado por Orlando na Odeon em  9 de março de 1945, e lançado em abril do mesmo ano,disco 12571-A, matriz 7772. Onofre Pontes é o parceiro do nosso Lupicínio em “Amigo ciúme”, lançado pela Copacabana em março de 1957, na voz da grande Sapoti, Ângela Maria, disco 5739-B, matriz M-1634. Felisberto Martins volta a ser parceiro de Lupicínio em “Feiticeira”. Afinal, Lupi era gastrônomo e cozinheiro de mão cheia, e as mulheres sabiam que o caminho para o seu coração também passava por uma boa mesa. Gravação de Homero Marques, lançada em 1952 pela Elite Special (coligada da Odeon), disco N-1081-A, matriz MIB-1131. “Quem há de dizer”, parceria de Lupicínio com Alcides Gonçalves, é outro clássico do samba-canção e da dor de cotovelo.  Alcides, nessa época, era pianista em casas noturnas portoalegrenses, e,  enquanto tocava, de certa feita observava enciumado o assédio dos fregueses da Boate Marabá à sua namorada,Maria Helena, bailarina da casa, o mesmo acontecendo com Lupicínio em relação à sua escolhida. Era preciso esperá-las cumprir sua obrigação profissional, o cabaré terminar. Francisco Alves imortalizou a música (letra de Lupi, melodia de Alcides) na Odeon em 25 de maio de 1948, com lançamento em julho do mesmo ano, disco 12863-A, matriz 8369. “Ponta de lança”, de Lupi sem parceiro, foi gravado na mesma Odeon por Dircinha Batista em 7 de fevereiro de 1952, com lançamento em abril seguinte no lado B em que saiu o clássico “Nunca”, também de Lupi, disco 13244, matriz 9249, e obtendo igualmente sucesso, ainda que em menor proporção.  Caco Velho (Mateus Nunes), “o sambista infernal”, e protoalegrense como Lupicínio, assina com ele o samba “Que baixo!”, e o interpreta com toda a bossa que lhe era peculiar nesta gravação Continental de 9 de agosto de 1945, lançada em setembro do mesmo ano, disco 15416-A, matriz 1154.Para finalizar a seleção desta semana, homenageamos o time de futebol de coração do mestre Lupicínio Rodrigues, apresentando o “Hino do Grêmio”, por ele mesmo composto em 1953, em meio a uma greve no transporte público de sua Porto Alegre (daí o verso inicial, “Até a pé nós iremos para o que der e vier”).  Tal obra, porém, só seria gravada efetivamente em 1971, pela Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro (então Estado da Guanabara), para o LP de selo Continental “Hinos do futebol brasileiro”. É este registro que apresentamos nesta edição do GRB, merecendo (e com louvor) figurar como exceção à regra de apresentarmos apenas gravações em 78 rpm. Afinal, o retrato de Lupicínio está  na Galeria dos Gremistas Imortais, no salão nobre do clube. Divirtam-se e até a próxima!
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Texto de Samuel Machado Filho

Beijos – Coletânea 24 Beijos Do Toque Musical (2014)

Olá amigos cultos e ocultos! Há tempos eu não apresento aqui uma produção exclusiva do Toque Musical, além da já tradicional série Grand Record Brazil. Como ‘bola da vez’, o assunto do momento é o beijo. O beijo de um casal gay na novela da Globo. Polêmicas a parte e em partes, achei bem oportuno criar aqui uma coletânea dedicada ao ‘beijo’. Selecionei 24 músicas cujos os títulos e a temática é o tal ‘toque labial’, o beijo, sempre celebrado nas mais diferentes épocas e músicas do cancioneiro popular. Por certo existem milhares de músicas que falam de beijos e devo admitr que não foi fácil escolher essas 24 músicas. Só com títulos onde aparece a palavra ‘beijo’ (e no singular) eu achei mais 200! Mas, selecionei aqui aquelas que me pareceram mais evidentes e também num sentido de ser o mais variável possível. Coincidentemente e por acaso, separei 24 músicas. Um número mais do que expressivo, considerando também o fato de que o beijo celebrado nessa história foi um ato gay. Calma, não estou com isso querendo tirar sarro preconceituoso de ninguém, muito pelo contrário… Pensei mais foi na ideia de um álbum duplo, fosse esse um lançamento fonográfico. E mais ainda, dedico esta coletânea ao Amor, na sua forma mais pura, sem conceito ou preconceito. Beijar e ser beijado é muito bom. É um sinal de carinho. Beijo na boca então é mais… Só love
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me dê um beijo, meu bem – eduardo araújo
a dança do beijo – moacyr franco e the jordans
história de um beijo – vera regina
um beijo e nada mais – zezé gonzaga
beijo exagerado – os mutantes
beijo quente – cleide alves
um beijo é um tiro – erasmo carlos
beijo molhado – belchior
beijo bombom – claymara borges e heuríco fidelis
beijo na boca – cyro monteiro
beijo de amor – moreira da silva
tudo cabe num beijo – seu jorge e almaz
beijo na boca – itamar assumpção e banda isca de polícia
beijo baiano (boca de caqui) – cravo e canela
eu beijo sim – carlos careqa
por um beijo – maria martha
beijo frio – isaura garcia
me dá um beijo – alceu valença e geraldo azevedo
beijo clandestino – lucina
o primeiro beijo – alda perdigão
preso por um beijo – cyro aguiar
aquele beijo que te dei – roberto carlos
beijo roubado – zenildo
último beijo – os cariocas
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A Música De Geraldo Pereira – Parte 1 – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 80 (2013)

E chegamos a edição de número 80 do nosso Grand Record Brasil. Em edição anterior, como os amigos cultos, ocultos e associados do TM bem se lembram, apresentamos algumas das melhores gravações de Geraldo Pereira (Juiz de Fora, MG, 1918-Rio de Janeiro, 1955) como intérprete, inclusive, claro, composições próprias. E, como prometemos nessa ocasião, estamos voltando a focalizar a obra deste nome importantíssimo de nossa música popular. Desta vez, apresentamos doze gravações (é até chover no molhado falar de suas qualidades e de sua importância histórica) em que cantoras e conjuntos  contemporâneos do compositor interpretam suas obras.  Abrindo nossa seleção desta semana, os Quatro Ases e um Coringa, originários do Ceará, apresentam uma seleção de sambas que  homenageiam a Bahia de todos os santos, que sempre fascinou inúmeros compositores, sejam eles nascidos ou não na chamada boa terra, gravada na RCA Victor em 18 de julho de 1953 e lançada em outubro do mesmo ano sob n.o 80-1204-B, matriz BE3VB-0210. De Geraldo Pereira, aparece um trecho de seu clássico “Falsa baiana”, e neste pot-pourri também foram incluídos sambas de Vicente Paiva e Chianca de Garcia (“Exaltação à Bahia”), Dorival Caymmi (“O que é que a baiana tem?”)  e Ary Barroso (“Faixa de cetim”, “Na Baixa do Sapateiro”).  Na faixa seguinte, os Quatro Ases, que durante toda a carreira deram de fato as cartas,  nos brindam com “Ai! Que saudade dela”, samba de Geraldo Pereira em parceria com Ari Monteiro, gravação Odeon de primeiro de setembro de 1942, lançada em novembro do mesmo ano sob n.o 12221-B, matriz 7044. Mesmo pouco divulgado, é um samba que merece atenção.  Outro importantíssimo conjunto vocal dessa época, os Anjos do Inferno, liderados por Léo Vilar, aqui comparece com três sambas absolutamente imperdíveis. O primeiro é “Sem compromisso”, de Geraldo Pereira em parceria com Nélson Trigueiro, gravação Continental de 29 de maio de 1944, lançada em junho do mesmo ano com o n.o 15184-A, matriz 823. Nessa época, os salões e dancings eram bastante frequentados por certa camada da população carioca, e Geraldo, atento observador do cotidiano, adorava esse ambiente. Portanto, não deixaria mesmo passar em branco a cena – real ou imaginária – relatada neste samba, por sinal muito bem regravado por Chico Buarque em 1974. Outro hit de Geraldo Pereira  imortalizado pelos Anjos do Inferno é “Bolinha de papel”, gravação Victor de primeiro de fevereiro de 1945, lançada em abril do mesmo ano sob n.o 80-0266-B, matriz S-078125. Samba que, como muitos sabem, seria regravado em 1961 por João Gilberto. Em seguida tem “Vai que depois eu vou”, também de Geraldo sem parceiro, em outra gravação Victor, esta de 28 de novembro de 1945, lançada bem em cima do carnaval de 46, em fevereiro, disco 80-0381-B, matriz S-078402, e uma das músicas mais cantadas nessa folia momesca.  A faixa seguinte é “Pode ser?”, samba em que Geraldo Pereira conta com a parceria de Marino Pinto. E tem uma particularidade: foi incluído no disco de estreia da paulistana Isaurinha Garcia, a eterna “personalíssima”, gravado na Columbia em 23 de junho de 1941 e lançado em agosto do mesmo ano sob n.o 55294-B, matriz 440 (no lado A estava “Chega de tanto amor”, de Mário Lago). Como se vê, Isaurinha já mostrava a que veio, e esse seria o pontapé inicial de uma carreira repleta de sucessos. Na época, ela já era contratada da Rádio Record de São Paulo (então “a maior”), sendo inclusive considerada por seu então proprietário, Paulo Machado de Carvalho (“o marechal da vitória”), autêntico patrimônio da casa, fazendo parte até mesmo de seus móveis e utensílios (!), e Isaurinha lá permaneceu por mais de 40 anos.  Outro inesquecível cartaz do rádio e do disco, Dircinha Batista apresenta o samba-choro “Sinhá Rosinha”, parceria de Geraldo com Célio Ferreira, por ela gravado na Odeon em 7 de abril de 1942 e lançado em julho do mesmo ano, disco 12167-B, matriz 6937. Aqui, a temática é a do malandro regenerado, presente em outras composições de Geraldo Pereira, bastando lembrar, por exemplo, o samba-canção “Pedro do Pedregulho”, por ele mesmo gravado e que já apresentamos anteriormente no GRB. Dircinha ainda interpreta o samba “Fugindo de mim”, parceria com Geraldo com Arnaldo Passos e Waldir Machado, destinado ao carnaval de 1952. Gravação também da  Odeon, de 8 de novembro de 51, lançada um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 13212-B, matriz 9186. “A minha, a sua, a nossa favorita” Emilinha Borba, fenômeno de popularidade como raramente se viu em nosso país, e outro grande nome da fase áurea do rádio brasileiro, comparece aqui com outros dois sambas de Geraldo Pereira, em gravações Continental. O primeiro deles é “Boca rica”, parceria de Geraldo com Arnaldo Passos, lançado em janeiro de 1950 para o carnaval desse ano, disco 16142-B, matriz 2211. Do carnaval seguinte, de 1951, é “Perdi meu lar”, também da parceria Geraldo Pereira-Arnaldo Passos, gravado pela eterna “Favorita” em 25 de outubro de 50 e lançado um mês antes dos festejos momescos, em janeiro, sob n.o 16340-B, matriz 2478. Logo depois, temos Marlene (Vitória de Martino Bonaiutti), a que foi rival de Emilinha sem nunca ter sido (naquele tempo, como se vê, já tinha marqueteiro), interpretando outro samba de Geraldo Pereira e Arnaldo Passos, “Aquele amor”, destinado ao carnaval de 1952 e lançado pela Continental em janeiro desse ano, tendo a gravação sido feita em 5 de novembro de 51, disco 16513-A, matriz C-2783. Finalizando, temos uma cantora hoje pouco lembrada, mas que teve sua época, Heleninha Costa, interpretando aqui outro samba de Geraldo Pereira em parceria com Arnaldo Passos: “Não consigo esquecer”. Destinado ao carnaval de 1953, foi gravado por Heleninha na RCA Victor em 20 de agosto de 52, sendo lançado ainda em novembro sob n.o 80-1007-A, matriz SB-093410 (no lado B apareceu o clássico “Barracão”, de Luiz Antônio e Oldemar Magalhães). Como se percebe, as músicas destinadas ao carnaval eram então lançadas com antecedência, a fim de serem divulgadas e aprendidas pelos foliões em tempo hábil. Assim, chegando fevereiro, o público poderia escolher suas favoritas e cantá-las nos salões e nas ruas. Na próxima semana, continuaremos a abordar a obra de Geraldo Pereira, apresentando gravações de cantores contemporâneos do autor. Aguardem!
* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.

Hebe Camargo – Hebe Comanda O Espetáculo (1961)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Eu reservei para hoje, sábado a noite, um encontro de vocês com a Hebe Camargo. Olha aí, que programa legal! Vai ficar em casa? Então se junte a essa turma que ela traz para o seu sofá.
Temos aqui um curioso disco da Odeon, lançado em 1961 pela Odeon. Já nessa época a Hebe fazia sucesso como apresentadora. A cantora já tinha até o seu sofá, onde recebia os ilustres artistas. Foi nessa onda que a gravadora resolveu lançar este disco no qual a cantora nos apresenta alguns artistas, obviamente, do seu ‘cast’. Como se pode ver pela divertida capa, temos a Hebe Camargo ao lado de Isaura Garcia, Walter Wanderley, Francisco Egydio, Osny Silva, Pery Ribeiro, Germano Mathias, Celly e Tony Campello. Cada qual em seu momento apresenta uma música, sendo essas faixas extraídas de seus álbuns, na época. De original aqui, creio, só mesmo o diálogo entre os artistas, dando a parecer como no programa de televisão.

cantiga de quem está só – pery ribeiro
faz-me rir – hebe camargo
quem quiser encontrar o amor – walter wanderley
desse amor melhor – hebe camargo
canário – celly e tony campello
no domingo não – hebe camargo
só em teus braços – isaura garcia
são francisco – hebe camargo
maria rosa – francisco egydio
eu tenho adoração pelos meus olhos – hebe camargo
bonitona do 1. andar – germano mathias
el dia em que me queiras – osny silva e hebe camargo
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Vários – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 29 (2012)

Após uma semana de ausência, motivada pelo aniversário do nosso Toque Musical, estamos de volta com o Grand Record Brazil, em sua edição de número 29. O coquetel da semana tem quinze fonogramas com os mais variados intérpretes, para enriquecer os acervos de muitos colecionadores.

Para começar, apresentamos uma cantora incluída entre as pioneiras na interpretação e gravação de temas folclóricos: Elsie Houston (Rio de Janeiro, 1902-Nova York, EUA, 1943), soprano que era filha de um dentista americano do Tennessee, no Rio desde 1892, e de uma carioca descendente de portugueses da Ilha da Madeira. Estudou canto lírico na Alemanha em 1922 e tomou o gosto por nosso folclore ao conhecer o maestro e compositor Luciano Gallet. Casou-se, em 1927, com o poeta e militante trotskista Benjamin Peret, durante temporada em Paris, e tiveram um filho em 1931. No mesmo ano, hostilizado pelo governo getulista, o casal mudou-se para a França. Em 1936, Peret foi lutar na Guerra Civil Espanhola e se envolveu com uma pintora hispano-americana, motivo que faria Elsie, um ano mais tarde, mudar-se para Nova York. Em 1939-40 apresentou na rede de rádio NBC o programa “Fiesta pan-americana”, onde divulgava nossa música. No dia 20 de fevereiro de 1943, Elsie Houston foi encontrada morta em seu apartamento na Park Avenue, não se sabe até hoje se por assassinato ou suicídio! Aqui, poderemos ouvi-la numa gravação de 26 de setembro de 1933, feita na Gramophone Company de Paris,  na qual interpreta dois temas harmonizados por ela mesma: “Berceuse africano-brasilienne” e Óia o sapo”, disco original K-7055-B, matriz OPG 1017-1. Em seguida, Gastão Formenti (Guaratinguetá, SP, 1894-Rio de Janeiro, 1974) apresenta um de seus mais queridos e conhecidos sucessos: o cateretê (que mais parece rumba) “De papo pro á”, da parceria Joubert de Carvalho-Olegário Mariano, em gravação Victor de 28 de agosto de 1931, lançada em outubro do mesmo ano, disco 33469-A, matriz 65226. Convém lembrar aliás que jereré, citada na letra, não é uma cidade mas sim um tipo de rede de pesca. Pescar de jereré equivale a pescar de anzol. Editado como “canção regional”, “De papo pro á” tem vários registros e é até hoje muito conhecida e lembrada. O contracanto é feito por Castro Barbosa, sem crédito no selo e o acompanhamento por “orquestra típica”. Dilú Mello (Maria de Lourdes Argollo Oliver, Viana, MA, 1913-Rio de Janeiro, 2000) também foi séria pesquisadora de nosso folclore, e deixou mais de cem composições. Aqui, um de seus hits, bastante conhecido: a toada “Fiz a cama na varanda”, dela em parceria com Ovídio Chaves, lançada pela Continental em abril de 1944, disco 15126-A, matriz 724, com acompanhamento do Conjunto Tocantins, que também faz coro. Outra peça que tem inúmeros registros, entre eles os de Stelinha Egg, Inezita Barroso e Nara Leão. De ascendência alemã, o carioca Breno Ferreira Hehl (1907-1966) foi cantor enquanto estudava direito, e abandonou a advocacia depois de se formar. Também foi pioneiro do cooperativismo no Brasil, tendo publicado vários livros técnicos, e foi o descobridor de Dolores Duran. Eis Breno Ferreira em sua obra mais conhecida, por certo: a embolada “Andorinha preta”, por ele composta em 1925, e que gravaria sete anos depois, na Columbia, neste registro lançado em maio de 1932, disco 22136-B, matriz 381255. Foi regravada mais tarde, entre outros, por Nat King Cole, Trio Irakitan e (vejam vocês!) Hebe Camargo. Os Trigêmeos Vocalistas aqui comparecem com um corimá (gênero afro-brasileiro) de João da Baiana, “Ogum Nilê”, por eles gravado na Odeon em 31 de maio de 1950, com lançamento em agosto seguinte com o n.o 13033-A, matriz 8633. No selo original, é dado como co-autor Raul Carrazatto, um dos Trigêmeos, mas em 1957, quando o próprio João da Baiana regravou a música, Raul sumiu da parceria, nem sequer sendo creditado! Por que será? Vamos agora comentar sobre três gravações do GRB desta semana, feitas em 7-8 de agosto de 1940, a bordo do navio “S.S.Uruguai”, então atracado no porto carioca, sob a supervisão do maestro britânico Leopold Stokowski (Londres, 1882-Hampshire, 1977), que então excursionava com sua All American Youth Orchestra. A nata da MPB naqueles tempos foi escalada para fazer uma série de 40 gravações, com plateia formada pelos músicos da orquestra de Stokowski. Destas, dezessete saíram em disco nos EUA pela Columbia, no início de 1942, em dois álbuns de 78 rpm com quatro cada um, intitulados “Native brazilian music”. O GRB apresenta, desta série que só saiu no Brasil em 1987, em LP da Funarte, três registros preciosíssimos: o ponto de macumba “Caboclo do mato”, de Getúlio “Amor” Marinho e João da Baiana, interpretado por ele mesmo em dupla com Janir Martins, sendo a flauta do mestre Pixinguinha (disco 36504-B, matriz CO-30151),  a embolada “Bambo do bambu”, de Donga e Patrício Teixeira, interpretada por Jararaca e Ratinho (disco 36505-B, matriz CO-30156), e o samba, também de Donga, “Passarinho bateu asas” (disco 36508-B, matriz CO-30149), na voz de Zé da Zilda. Histórico! Isaura Garcia, a “personalíssima”, cantora de longa carreira e inúmeros sucessos, vem aqui com um deles, em dueto com o mineiro (de Viçosa) Hervê Cordovil: o baião “Pé de manacá”, de Hervê com Mariza Pinto Coelho, em gravação RCA Victor de 22 de junho de 1950, lançada em setembro do mesmo ano, disco 80-0686-A, matriz S-092695. Eles já cantavam a música em dueto na Rádio Record de São Paulo, e o sucesso se repetiu em disco. Conhecidos como “os reis do riso”, Alvarenga e Ranchinho aqui estão em uma das páginas mais conhecidas e apreciadas de seu repertório: a “valsa fúnebre” “Romance de uma caveira”, deles próprios mais Chiquinho Sales, em gravação Odeon de 2 de fevereiro de 1940, lançada em março seguinte, disco 11831-A, matriz 6301. No acompanhamento, o conjunto do violonista Rogério Guimarães. Quem nunca ouviu que atire a primeira pedra! A seguir, duas gravações lançadas somente em LP: a primeira é a conhecida toada “Chuá, chuá”, de Pedro de Sá Pereira, Ary Pavão e Marques Porto, os três por coincidência gaúchos. Foi lançada na revista teatral “Comidas, meu santo!”, em 1925,  por Roberto Vilmar, sendo depois levada a disco pelo cantor Fernando. Aqui, quem a interpreta, acompanhada pela orquestra de Rafael Puglielli, é a dupla Cascatinha e Inhana, em registro lançado pela Todamérica em 1958 no álbum “Os sabiás do sertão” (LPP-TA-316). A outra é a canção “Azulão”, de Hekel Tavares e Luiz Peixoto, cuja primeira gravação, na voz de Paraguassu (1930), apresentamos na edição anterior do GRB. Aqui, a regravação de Patrício Teixeira, feita em 1956 para o LP de dez polegadas da Sinter “Festival da velha guarda” (SLP-1074), o único registro por ele feito após seu último 78 rpm, que saiu em 1944. Stefana de Macedo (Recife, PE, 1903-Rio de Janeiro, 1975) também foi séria pesquisadora do folclore brasileiro. Ela aqui comparece com o coco “Ronca o bisouro na fulô”, recolhido por ela mesma, em gravação lançada pela Columbia em fevereiro de 1930, disco 5147-A, matriz 380432. Pra finalizar esta nossa edição do GRB, duas composições do mestre baiano Dorival Caymmi. A primeira, interpretada por ele mesmo, é a clássica canção praieira “O mar”, em registro Columbia de 7 de novembro de 1940, lançado em dezembro seguinte, disco 55247, matrizes 328-329, ocupando os dois lados do disco. O acompanhamento orquestral foi concebido por Guerra Peixe, conduzido com maestria por Lírio Panicalli. A segunda é uma canção de ninar interpretada pelo Trio de Ouro em sua primeira fase (Herivelto Martins, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas): “História pra sinhozinho”, gravação Odeon de 15 de março de 1945, lançada em maio seguinte com o n.o 12573-B, matriz 7779, e acompanhamento de conjunto de estúdio da “marca do templo”, faixa esta que encerra com chave de ouro o nosso GRB da semana. Para apreciar e sobretudo guardar!

*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

**ESTA SELEÇÃO MUSICAL FOI EXTRAÍDA DO SITE GOMA-LACA, RESPONSÁVEL PELA DIGITALIZAÇÃO DOS FONOGRAMAS.

Elas Cantam Samba – Volume 1 (2011)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Depois de uma semana dedicada às cantoras, obviamente a coletânea deve seguir na mesma linha. Preparei então esta seleção, equivalente a um álbum triplo. Um álbum virtual generoso, com trinta e seis sambas escolhidos a dedo. Só sinto pelo fato de que nesta coletânea de cantoras eu não consegui colocar todas as que eu queria. Por essa razão é que dei ao subtítulo o nome de ‘Volume 1’.
Temos aqui uma série de sambas interpretados por cantoras das décadas de 30, 40 e 50. Muitas das músicas contidas aqui fazem parte de álbuns já postados no Toque Musical, mesmo assim, não deixa de ser interessante. Afinal, reunir todas num mesmo ‘disco’ só seria possível dessa maneira.
Coletâneas sempre foram uma boa pedida e quando são bem feitas acabam fazendo muito sucesso. Espero que a minha “Elas Cantam Samba” esteja no agrado de vocês. 🙂

nega maluca – linda batista
mulata assanhada – elza soares
chega de saudade – marisa gata mansa
agua de beber – elza laranjeira
não se aprende na escola – dircinha batista
em hora errada – elza laranjeira
esmola – elizete cardoso
meu rio – dalva de oliveira
é luxo só – dalva andrade
o apito no samba – marlene
você nasceu pro mal – nora ney
telecoteco n.2 – nora ney
tristeza nunca mais – dalva barbosa
eu o samba – emilinha borba
batuque no morro – dircinha batista
brigas nunca mais – marlene
imenso amor – nora ney
descendo o morro – dorinha freitas
boato – lana bittencourt
nunca mais – lila
a felicidade – zezé gonzaga
lamento – dorinha freitas
não me culpe – emilinha borba
tenha pena de mim – elza soares
poema das mãos – lana bittencourt
é um estouro – lila
não sabemos – maria helena
na cadência do samba – marisa barroso
minha saudade – alaide costa
amor em video tape – francineth
chora tua tristeza – marisa
meu mundo é você – francineth
jura de pombo – alaide costa
fez bobagem – aracy de almeida
com razão ou sem razão – aracy de almeida
roseira que não dá rosa – isaura garcia

Noel Rosa – RCA Camden (1967)

Bom dia! Hoje eu acordei com vontade de ouvir músicas de Noel Rosa. Já faz um bom tempo que não escuto nada dele, desde a semana passada 🙂 Vou colocando para fora (no bom sentido, claro) alguns álbuns que ficaram lá no fundão da gaveta, esperando uma hora, assim como essa, em que eu estou mais corrido e automatizado que o Charles Chaplin em “Tempos Modernos”. Hoje eu juntei a fome com a vontade de comer. Então vamos saborear…
Temos aqui um álbum lançado em 1967, pelo selo RCA Camden. Segundo o texto da contracapa, ‘associado às comemorações do 30º aniversário da morte de Noel Rosa…’. Sinceramente, eu preferia dizer ‘relembrando’, pois ‘comemoração’ sempre me soou mais como uma situação alegria, e em ‘aniversário da morte’ fica então como um trocadilho infame. Mas quem sou para corrigir o proposto. Tomo isso apenas como uma observação curiosa. O importante é que temos aqui uma seleção bem bacana, já conhecida por todos. Uuma coleção musical extraída de antigos discos e gravações da RCA Victor, com alguns dos seus mais importantes artistas, como se pode ver na capa ou logo a baixo na lista das faixas. Possivelmente, acho que quase todas essas gravações podem ser encontradas em outros discos postados aqui. Mas uma coletaneazinha sempre caí bem , não é mesmo. Por tanto, vamos a ela…

menina dos olhos – orlando silva
feitiço da vila – nelson gonçalves
rapaz folgado – aracy de almeida
pra que mentir – sílvio caldas
cidade mulher – orlando silva
último desejo – isaura garcia
quando o samba acabou – nelson gonçalves
silêncio de um minuto – marília batista
pela primeira vez – orlando silva
com que roupa – nelson gonçalves
queixumes – carlos galhardo
a e i o u – lamartine babo
século do progresso – aracy  de almeida
palpite infeliz – nelson gonçalves

Isaura Garcia (1961)

Bom dia a todos! Tenho ficado muito feliz e animado com os comentários em nosso Toque Musical. A participação tem sido crescente, focada e principalmente produtiva, que é exatamente um dos objetivos deste blog. Não quero apenas ser um fomentador de discos, mas principalmente um aglutinador de ideias, opiniões e informações fonográficas e musicais. Infelizmente (ou felizmente), eu não sou um estudioso, conhecedor profundo do assunto que escolhi postar. Talvez por isso mesmo, buscando interação com o público e contando com seus complementos, colaborações e ajudas é que chegamos onde estamos. Ao longo de quase quatro anos, temos criado laços de amizades, aproximando as afinidades e gerando uma verdadeira ‘produção cultural paralela’. Estamos criando aqui algo que seria impossível na esfera do convencional. Somos um grupo, uma associação por afinidades e interesses. Por isso é tão importante a participação de todos, pois fortalece o grupo e lhe dá uma certa legitimidade. Sei que este é um assunto polêmico, principalmente porque, infiltrado entre nós estão aqueles contrários a tudo isso, seja por se sentirem de alguma forma prejudicados, pela inveja, pela ignorância ou burrice e até mesmo por serem naturalmente ‘do contra’ (nossos famosos chatos de plantão). Mas, ao contrário do que parece, a unanimidade não é boba e nem burra. Todos nós sabemos reconhecer o que é do bem e o que é do mal. Tenho certeza de que a grande maioria apoia o Toque Musical (putz! até rimou!). Fico mesmo muito feliz e agradecido. Que continue sempre assim 🙂

Depois dessa longa introdução, vamos ao disco do dia, mas serei breve. Continuando a nossa mostra feminina, trago mais uma vez a cantora Isaura Garcia. Neste álbum, lançado pela RCA Camden, temos uma coletânea reunindo as primeiras gravações que a cantora fez para a Victor, ainda em 78 rpm Temos aqui uma série de sambas, um baião e um choro que não me deixa esquecer algumas ‘ilustres figuras’ que orbitam o Toque Musical. Não deixem de conferir mais este álbum raro da Isaura Garcia. Vale a pena… 😉
mensagem
barulho no morro nunca
duas mulheres e um homem
zé do contra
escuta
pé de manacá
edredon vermelho
pode ficar
adivinhe coraçõa
aperto de mão
dizem

Isaura Garcia – Documento Inédito (1987)

Olá amigos cultos e ocultos! Meio na pressa, saindo já para a Feira do Vinil, aqui vou eu rapidinho deixando a nossa postagem do dia. Como informei na anterior, a feira acontece durante todo o dia, hoje e amanhã, no Centro Cultural Padre Eustáquio, no antigo mercado coberto do bairro Padre Eustáquio. Quem é de Belô não vai ter como errar o endereço, entrada pela rua Jacutinga ou pela rua Padre Eustáquio. Apareçam porque vai ter muito coisa bacana. Eu vou cedinho para pegar ‘a primeira fornada’. 😉

Bom, aqui vai o do dia, Isaura Garcia num disco muito interessante lançado pelo Estúdio Eudorado em 1987. Trata-se de um momento raro, uma gravação de uma entrevista dada pela cantora à Rádio Eldorado em 1979. Nesta entrevista, que na verdade é um depoimento, Isaura Garcia conta um pouco de sua vida, o início de carreira, os momento áureos no rádio, o casamento com Walter Wanderley e principalmente fala de música, daquelas que ela gravou e de tantas outras que ela gostaria de ter gravado. O álbum é também uma oportunidade única onde ela pode realizar esse desejo de gravar suas canções prediletas. Musicalmente é um disco singelo, onde Isaura Garcia canta descompromissada, tendo apenas um violão por acompanhamento. O resultado desta gravação como disco ficou ótimo e é sem dúvida um depoimento histórico. Vale a pena dar uma conferida…
só louco
e o mundo não acabou
por causa de você
preciso aprender a ser só
não se esqueça de mim
falando sério
fênix
matriz ou filial
contrasenso
tenho que ir
se você visse
sufoco

Eles Começaram Assim… (1978)

Bom dia a todos os visitantes cultos e ocultos. Inicialmente eu quero agradecer aos amigos pelo carinho e atenção na passagem do meu aniversário. Sei que falar de aniversário não acrescenta nada de objetivo ao Toque Musical e para a maioria isso é irrelevante ou até sem sentido. Não deveria caber à um blog musical questões como essa, não fosse ele antes de tudo um espaço pessoal (ao qual se permite o acesso público). Como autor do blog, me dou ao direito de fazer dele o que eu quiser, desde que isso não vá contra a moral, a dignidade e o respeito pelo outros. O que eu expresso aqui é apenas a minha visão pessoal. Por fazê-lo público, me exponho e inevitavelmente vou de encontro a todo tipo de sorte. Há os que participam, colaborando de uma forma ou de outra. Há os que criticam e os que crititicam. Há amigos cultos & ocultos e os inimigos também. Mas independente das minhas ‘babaquices textuais’, estou aqui diariamente levando a vocês alguma coisa boa, que são os discos e a música. Compartilho com todos o que tenho de bom, porque o ruim ou mal é fácil de fazer. Destruir é mais fácil que ajudar a construir, imagina construir sozinho… Acho que nem preciso explicar melhor os motivos desta introdução. Quem frequenta o Toque Musical diariamente sabe do que eu estou falando.

Para não render muito assunto, vamos ao que interessa… O disco de hoje é uma coletânea que merece a nossa atenção. Faz parte de uma série criada pela Continental, nos anos 70, chamada “Eles começaram assim…” Segundo o texto da contracapa, a série foi criada com a intenção de ser mais que uma simples coletânea para atrair público. A ideia seria a de apresentar alguns de seus artistas logo em inicio de carreira ou seus primeiros trabalhos por esse selo. O presente álbum seria o de número 22. Confesso que não me lembro de outros volumes e nunca os vi. Imagino que deve ter sido uma bela e rica coleção, considerando o vasto mundo de artistas da gravadora e também por essa numeração. Se alguém aí tiver outros volumes, pode mandar… Pela capa do que temos já dá para saber quem está neste disco, mesmo assim, confiram o que eles cantam:
olha a baiana – orlando silva
agora pode chorar – adoniran barbosa
pode ser? – isaura garcia
seu libório – vassourinha
treme-treme – jacob do bandolin
tambor índio – índios tabajara
não diga não – tito madi
dúvida – luiz bonfá e tom jobim
dá sorte – elis regina
mas, que nada – zé maria e seu conjunto com jorge ben
final- benito di paula
nhem, nhem, nhem – martinho da vila

Isaura Garcia (1973)

Olá amigos cultos e ocultos! Tenho percebido que muitos dos que visitam o blog não fazem idéia da extensão do que temos aqui. Me refiro, obviamente, ao acervo que já tem uma média de mil títulos raros e variados. Acho que nem mesmo colocando na lateral um ‘slide show’ fez a maioria se tocar para este fato. Por essa e por outras é que vou adotar a repostagem em bloco, como fiz com os discos de carnaval. Como dizem, a propaganda é a alma do negócio. Mas que fique claro, o ‘negócio’ por aqui não é pirataria. Aqui só se fatura amizades 😉
Por falar em pirata (não em pirataria) vocês já conhecem o Partido Pirata? Tem um link logo aí ao lado. Clic nele e se intere da coisa. Saiba mais sobre esse movimento que aos poucos vem se caracterizando como uma força política.
Hoje vamos de Isaura Garcia, retornando ao nosso blog neste disco que eu particularmente acho ótimo. Mais um bom trabalho de remasterização do meu amigo Chris, que rapidamente trabalhou os arquivos para que eu pudesse trazê-los para vocês.
Para variar, tanto no lp quanto pela rede, as informações são zero. A Continental lançou este disco, pelo que parece, na maior preguiça. Ficou numa capinha simples, extremamente realista e sem nenhuma informação além da listagem das músicas contidas no disco. Pela rede, olhando rapidamente, também não encontrei nada relevante que pudesse ser acrescentado. Assim, fica valendo apenas o meu lacônico e particular parecer. Um disco excelente com um repertório que incluí coisas de Antonio Carlos e Jocafi, Lucio Cardim, Haroldo Barbosa, entre outros… O que mais me chama a atenção são os arranjos. Lindos e perfeitos! Como disse, no álbum não há informações, mas tendo a acreditar que neste disco também estão os dedos do Walter Wanderley. Muito bom, confiram já!

eu canto
meu chorinho
mensagem
mundo de amor
o bicão
o homem comum
desmazelo
de conversa em conversa
desespero
felicidade é isso aí…
troca idílio
manhã de sol

Isaura Garcia – Sempre Personalíssima (1959)

Completando a ‘dobradinha’, tenho aqui mais um ‘mimo’, recompensando o mal entendido da primeira de hoje. Este é para ser perdoado. Tenho certeza que vocês irão apreciar. Temos aqui, Isaura Garcia, num disco importante de sua carreira. Gravado em 1959, este álbum conta com a participação do marido, Walter Wanderley e seu conjunto. O repertório é bem agradável com músicas de Ted Moreno, Haroldo Barbosa, Billy Blanco e Tom Jobim com “Meditação” – musica esta que viria meses depois a adquirir a versão definitiva na voz e violão de João Gilberto. Mas vamos deixa o João pra lá e ouvir o que mais a ‘Personalíssima’ tem a nos oferecer.

saia do meu caminho
se você viesse
de conversa em conversa
premio de consolação
mensagem
aperto de mão
e daí? (proibição inútil e ilegalP
podei ser eu
meditação
a banca dodistinto
sêde de amor
feiúra não é nada

Isaura Garcia – Chico Buarque De Hollanda E Noel Rosa Na Voz De Isaura Garcia (1968)

Isaura Garcia foi a primeira cantora de paulista a obter projeção nacional. De molejo imbatível no samba sincopado ou no samba-canção, ela apresenta lado a lado, neste LP de 1968, dois dos maiores compositores brasileiros: Noel Rosa e seu discípulo Chico Buarque, que na ocasião com apenas três anos de carreira já aparecia com a alcunha (merecida) de gênio. Aliás, foi ele mesmo que assinou a contra-capa do disco. Este álbum foi relançado em cd e ainda se encontra com uma certa facilidade à venda. Escute aqui e corra logo atrás dos seu, porque este já é meu! (toque dado, texto adaptado – tô com pressa!)

1 Januária (Chico Buarque)
2 Triste cuíca (Hervé Cordovil – Noel Rosa)
3 Com açúcar, com afeto (Chico Buarque)
4 Eu sei sofrer (Noel Rosa)
5 Olé olá (Chico Buarque)
6 Século do progresso (Noel Rosa)
7 Último desejo (Noel Rosa)
8 Tem mais samba (Chico Buarque)
9 Feitio de oração (Vadico – Noel Rosa)
10 Fica (Chico Buarque)
11 Suspiro (Noel Rosa – Orestes Barbosa)
12 Carolina (Chico Buarque)