Moreira Da Silva – Compacto (1964)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Primeiramente, Fora Temer! Essa é uma abertura que eu já devia ter adotado. Desde que o golpista tomou o Poder, eu ainda não havia me pronunciado. Aliás, eu não estava querendo misturar o que nos uni, que é a música, com o que nos separa, que é a política. Infelizmente, neste (es)quisito não se pode esperar bom senso nem do amigo mais culto. A percepção política do brasileiro ainda se baseia na simpatia e na cumplicidade. Melhor deixarmos esse assunto de lado. Voltemos nossa atenção para a música, para os discos e coisas mais agradáveis…
Hoje eu trago, para variar, um disco de 7 polegadas. Temos aqui o grande Moreira da Silva em um disquinho raro, um compacto simples Odeon lançado em 1964, possivelmente para o Carnaval daquele ano. Aqui encontramos duas marchinhas de sua própria autoria, “Adão sem Eva” e “Cassa o mandato dele”, essa última é bem apropriada para os dias de hoje. Coincidentemente, no ano do Golpe Militar (e se caçava com dois S!)

cassa o mandato dele
adão sem eva

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Moreira Da Silva – O Astro (1978)

O Toque Musical tem o prazer de apresentar a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum com o inigualável Moreira da Silva (Rio de Janeiro, 1/4/1902-idem, 6/6/2000), verdadeira unanimidade na história de nossa música popular, autêntico mito, e referência obrigatória quando se fala em samba de breque.  Trata-se da coletânea “O astro”, lançada no final de 1978 pela EMI-Odeon com o selo Jangada, braço dito “econômico” da empresa. Esta seleção traz muita coisa boa, músicas que sempre estiveram no repertório do grande Morenguera, e que nós, ouvintes, também apreciamos muito. São gravações de 1958 a 1965, extraídas de LPs que gravou para a Odeon nesse período. A faixa de abertura é o clássico “Amigo urso” (“Saudação polar”…), de Henrique Gonçalez,  lançada por Moreira na Victor em 1941 e que ele revive num registro de 1958, extraído do álbum “O último malandro”.  Desse disco também as regravações de “Acertei no milhar” (originalmente de 1940), “Esta noite eu tive um sonho” (1941) e “Na subida do morro” (1952). Este último é um clássico do samba-de-breque, oficialmente assinado pelo próprio Moreira em parceria com Ribeiro Cunha, fabricante dos chapéus do cantor, mas na verdade é de autoria de Geraldo Pereira. Do álbum seguinte, “A volta do malandro” (1959), são “Gago apaixonado” (ótima releitura do clássico de Noel Rosa), e as então inéditas “Filmando na América” e “Fui ao Japão”. Encontramos também aqui as duas deliciosas e divertidas “aventuras” do personagem Kid Morenguera, escritas (e apresentadas em falsete no início dos registros) por Miguel Gustavo: “O rei do gatilho” (1962, do álbum “O ’tal’… malandro”) e “O último dos moicanos” (do LP de mesmo nome, 1963). Gustavo também assina e apresenta a não menos divertida “Morenguera contra 007”, “superprodução” dirigida por Chacrinha (!), em que nosso herói recebe a missão de salvar de um sequestro o “rei do futebol”, Pelé, no qual James Bond tem a cumplicidade da atriz italiana Claudia Cardinale.  Gravação de 1965, editada apenas em compacto simples na época. Por fim, do álbum “Conversa de botequim”, também de 1965, são a faixa-título, deliciosa recriação do clássico de Noel Rosa e Vadico, e “Risoleta”, sucesso de Luiz Barbosa em 1937, também brilhantemente revivido por Moreira aqui. Enfim, é uma compilação imperdível, que revive toda a bossa e a  versatilidade do imortal Moreira da Silva!

amigo urso
gago apaixonado
conversa de botequim
o último dos moicanos
filmando na america
risoleta
na subida do morro
o rei do gatilho
acertei no milhar
morenguera contra 007
esta noite eu tive um sonho
fui ao japão
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Texto de Samuel Machado Filho

 

A Música De Lupicinio Rodrigues – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol.117 (2014)

Esta semana o Grand Record Brazil prossegue a retrospectiva dedicada à obra de Lupicínio Rodrigues (1914-1974), por certo o maior nome que o Rio Grande do Sul deu à nossa música popular. Depois de apresentarmos o próprio Lupi interpretando suas composições, temos agora catorze preciosas gravações de suas obras nas vozes de intérpretes diversos, a maior parte sambas e sambas-canções.
Para começar, temos o próprio Lupicínio interpretando “Sombras”, faixa que é o lado B do disco Star 353, editado em maio-junho de 1952 no álbum “Roteiro de um boêmio”. Eram quatro discos 78 embalados em capa especial, expediente às vezes comum nessa época, em que o LP estava em processo de implantação, e apenas começava a ser fabricado entre nós. Na faixa seguinte é “Triste história”, parceria de Lupi com Alcides Gonçalves, por este último interpretada,  gravação Victor de 3 de agosto de 1936, lançada em setembro do mesmo ano, disco 34089-B (o primeiro com gravações de músicas de Lupicínio), matriz 80188, samba que, por sinal, venceu, um ano antes, um concurso realizado em Porto Alegre por ocasião do centenário da Revolução Farroupilha (os autores abiscoitaram dois contos de réis).  Em seguida,o samba-canção “Divórcio”, só de Lupicínio,por ele composto numa ocasião em que o assunto estava na pauta das discussões, interpretado por João Dias, cantor que Francisco Alves indicara para sucedê-lo, dada a semelhança vocal. Gravação Odeon de 29 de janeiro de 1952,lançada em agosto do mesmo ano (um mês antes da trágica morte de Chico Viola em desastre automotivo),  sob n.o 13306-A, matriz 9233. O clássico “Vingança”, também só de Lupicínio, é a faixa seguinte, na gravação original do Trio de Ouro, então em sua segunda fase,  com Noemi Cavalcanti no lugar de Dalva de Oliveira, que se separara do fundador do grupo, Herivelto Martins, e mantendo Nilo Chagas (ainda que já tivesse divergências com Herivelto).  Gravado na RCA Victor em 10 de abril de 1951 e lançado em junho seguinte sob n.o 80-0776-B,matriz S-092932, “Vingança”, porém, teve sucesso muito maior posteriormente, na voz de Linda Batista, que fez da música um clássico, deixando este registro original esquecido. Ainda assim, o trazemos aqui para reavaliação.  O “rei do samba de breque”, Moreira da Silva, também mostrava algumas vezes sua faceta sentimental e romântica,como aqui, interpretando “Meu pecado”, parceria de Lupicínio com Felisberto Martins. Gravação Odeon de 3 de outubro de 1944,lançada em novembro do mesmo ano, disco 12516-B, matriz 7572. Na faixa seguinte, o primeiro grande hit nacional de Lupicínio como autor, e outra parceria com Felisberto Martins: o samba “Se acaso você chegasse”,verdadeiro clássico do gênero, que também projetou seu intérprete, o grande Cyro Monteiro.  Ele imortalizou esta obra-prima na Victor em 19 de julho de 1938, com lançamento em setembnro seguinte, sob n.o 34360-A, matriz 80844. Tocou até em um filme americano chamado ”Dançarina loira” e, em 1959, projetaria também a cantora Elza Soares.  A eterna “personalíssima”, Isaura Garcia, aqui comparece com “Eu não sou louco”, samba que Lupicínio fez com Evaldo Ruy, visando o carnaval de 1950. Foi gravado na RCA Victor em 14 de novembro de 49, e saiu um mês antes da folia, em janeiro, com o n.o 80-0625-B, matriz S-078984. Orlando Silva,o sempre lembrado “cantor das multidões”, vem com outro sucesso: “Brasa”,que Lupi compôs ao testemunhar as brigas domésticas de seu  irmão Francisco com a esposa, na ocasião em que residiu com eles. Novamente com a parceria de Felisberto Martins, foi imortalizado por Orlando na Odeon em  9 de março de 1945, e lançado em abril do mesmo ano,disco 12571-A, matriz 7772. Onofre Pontes é o parceiro do nosso Lupicínio em “Amigo ciúme”, lançado pela Copacabana em março de 1957, na voz da grande Sapoti, Ângela Maria, disco 5739-B, matriz M-1634. Felisberto Martins volta a ser parceiro de Lupicínio em “Feiticeira”. Afinal, Lupi era gastrônomo e cozinheiro de mão cheia, e as mulheres sabiam que o caminho para o seu coração também passava por uma boa mesa. Gravação de Homero Marques, lançada em 1952 pela Elite Special (coligada da Odeon), disco N-1081-A, matriz MIB-1131. “Quem há de dizer”, parceria de Lupicínio com Alcides Gonçalves, é outro clássico do samba-canção e da dor de cotovelo.  Alcides, nessa época, era pianista em casas noturnas portoalegrenses, e,  enquanto tocava, de certa feita observava enciumado o assédio dos fregueses da Boate Marabá à sua namorada,Maria Helena, bailarina da casa, o mesmo acontecendo com Lupicínio em relação à sua escolhida. Era preciso esperá-las cumprir sua obrigação profissional, o cabaré terminar. Francisco Alves imortalizou a música (letra de Lupi, melodia de Alcides) na Odeon em 25 de maio de 1948, com lançamento em julho do mesmo ano, disco 12863-A, matriz 8369. “Ponta de lança”, de Lupi sem parceiro, foi gravado na mesma Odeon por Dircinha Batista em 7 de fevereiro de 1952, com lançamento em abril seguinte no lado B em que saiu o clássico “Nunca”, também de Lupi, disco 13244, matriz 9249, e obtendo igualmente sucesso, ainda que em menor proporção.  Caco Velho (Mateus Nunes), “o sambista infernal”, e protoalegrense como Lupicínio, assina com ele o samba “Que baixo!”, e o interpreta com toda a bossa que lhe era peculiar nesta gravação Continental de 9 de agosto de 1945, lançada em setembro do mesmo ano, disco 15416-A, matriz 1154.Para finalizar a seleção desta semana, homenageamos o time de futebol de coração do mestre Lupicínio Rodrigues, apresentando o “Hino do Grêmio”, por ele mesmo composto em 1953, em meio a uma greve no transporte público de sua Porto Alegre (daí o verso inicial, “Até a pé nós iremos para o que der e vier”).  Tal obra, porém, só seria gravada efetivamente em 1971, pela Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro (então Estado da Guanabara), para o LP de selo Continental “Hinos do futebol brasileiro”. É este registro que apresentamos nesta edição do GRB, merecendo (e com louvor) figurar como exceção à regra de apresentarmos apenas gravações em 78 rpm. Afinal, o retrato de Lupicínio está  na Galeria dos Gremistas Imortais, no salão nobre do clube. Divirtam-se e até a próxima!
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Texto de Samuel Machado Filho

Moreira Da Silva – O Rei Do Gatilho (1985)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Aqui vou eu lançando mão de mais um ‘disco de gaveta’, aquele sempre pronto para entrar em cena quando a cena complica aqui para o meu lado. Trago aqui para vocês este lp do Moreira da Silva,  lançado em 1985 pela PolyGram. Trata-se, naturalmente, de uma coletânea de gravações dos anos de 79 e 81. Músicas que sempre estiveram em seu repertório e que nós, certamente, sempre apreciamos, não é mesmo?

o rei do gatilho
fui a paris
doze anos
gago apaixonado
acertei no milhar
amigo urso (saudação polar)
homenagem a noel
risoleta
o último dos moicanos
homenagem ao malandro
fumando na américa
morengueira contra 007
idade não é documento
na subida do morro
piston de gafieira
a volta do boêmio
kleusa
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Beijos – Coletânea 24 Beijos Do Toque Musical (2014)

Olá amigos cultos e ocultos! Há tempos eu não apresento aqui uma produção exclusiva do Toque Musical, além da já tradicional série Grand Record Brazil. Como ‘bola da vez’, o assunto do momento é o beijo. O beijo de um casal gay na novela da Globo. Polêmicas a parte e em partes, achei bem oportuno criar aqui uma coletânea dedicada ao ‘beijo’. Selecionei 24 músicas cujos os títulos e a temática é o tal ‘toque labial’, o beijo, sempre celebrado nas mais diferentes épocas e músicas do cancioneiro popular. Por certo existem milhares de músicas que falam de beijos e devo admitr que não foi fácil escolher essas 24 músicas. Só com títulos onde aparece a palavra ‘beijo’ (e no singular) eu achei mais 200! Mas, selecionei aqui aquelas que me pareceram mais evidentes e também num sentido de ser o mais variável possível. Coincidentemente e por acaso, separei 24 músicas. Um número mais do que expressivo, considerando também o fato de que o beijo celebrado nessa história foi um ato gay. Calma, não estou com isso querendo tirar sarro preconceituoso de ninguém, muito pelo contrário… Pensei mais foi na ideia de um álbum duplo, fosse esse um lançamento fonográfico. E mais ainda, dedico esta coletânea ao Amor, na sua forma mais pura, sem conceito ou preconceito. Beijar e ser beijado é muito bom. É um sinal de carinho. Beijo na boca então é mais… Só love
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me dê um beijo, meu bem – eduardo araújo
a dança do beijo – moacyr franco e the jordans
história de um beijo – vera regina
um beijo e nada mais – zezé gonzaga
beijo exagerado – os mutantes
beijo quente – cleide alves
um beijo é um tiro – erasmo carlos
beijo molhado – belchior
beijo bombom – claymara borges e heuríco fidelis
beijo na boca – cyro monteiro
beijo de amor – moreira da silva
tudo cabe num beijo – seu jorge e almaz
beijo na boca – itamar assumpção e banda isca de polícia
beijo baiano (boca de caqui) – cravo e canela
eu beijo sim – carlos careqa
por um beijo – maria martha
beijo frio – isaura garcia
me dá um beijo – alceu valença e geraldo azevedo
beijo clandestino – lucina
o primeiro beijo – alda perdigão
preso por um beijo – cyro aguiar
aquele beijo que te dei – roberto carlos
beijo roubado – zenildo
último beijo – os cariocas
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José Vasconcelos Conta Histórias De Bichos (1962)

Bom dia criançada culta e oculta! Com tantas manifestações relacionadas ao ao universo infantil e principalmente por conta de ser hoje o Dia das Crianças, aqui vamos nós com uma homenagem a altura e bem ao gosto do Toque Musical. Apesar de reduzir o fluxo de postagens, o TM não pára e continua mandando vê… e ouvir, claro!
Olha aí, que legal! Trago para vocês este raro e interesantíssimo lp do saudoso comediante José Vasconcellos, figura que foi muito popular, principalmente nos anos 60. Este álbum tem um quê de especial porque não se resume apenas a mais um disco do humorista. Trata-se de um disco voltado para o público infantil. As músicas são criações do maestro Lindolfo Gaya, com letras de Pascoal Longo. Eu mesmo, quando criança, ouvi este disco até acabar e sabia até cantar as músicas de introdução. Taí outro e importante valor agregado, a cada história contada pelo Zé, vem de abertura um trecho musical cantado por algumas estrelas do ‘cast’ da Odeon na época. Daí, já deu para perceber… Celly Campello, Moreira da Silva, Anísio Silva, Stellinha Egg, Elza Soares, Noriel Vilela, Trio Irakitan, Norma Bengell e até o João Gilberto. Curiosamente, tem por aí alguns fãs do João que nunca ouviram essa faceta, vão gostar. Ë nessa hora que eu fico pensando e me perguntando, quando que a indústria fonográfica conseguiria repetir algo parecido, ou, do mesmo nível. Ah, que bobinho sou eu… isso tudo já é coisa do passado. (acho que é por isso que eu sou tão saudosista)

o presunto do jacaré – celly campello
a roupa do leão – joão gilberto
o elefante tarzan – noriel vilela
vicente, o peru diferente – norma bengell
o rato cangaceiro – trio irakitan
rosa, a macaca formosa – anísio silva
a barata serafina – elza soares
panchito, o galo tenor – trio esperança
a pirraça da tartaruga – stellinha egg
o gato raulino – moreira da silva
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Moreira Da Silva – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 71 (2013)

Continuando sua vitoriosa trajetória, o Grand Record Brazil chega a sua edição número 71, desta vez homenageando o eterno e festejado rei do samba de breque: Moreira da Silva!
Batizado como Antônio Moreira da Silva, nosso biografado nasceu, e isso não é nenhuma mentira, no dia primeiro de abril de 1902, no bairro carioca da Tijuca, tendo sido criado no morro do Salgueiro. Era o filho mais velho de Bernardino de Sousa Paranhos, trombonista da Polícia Militar, e Pauladina de Assis Moreira (sim, o nome dela era Pauladina mesmo!). Moreira tinha 11 anos quando teve a infelicidade de perder seu pai, o que o obrigou a abandonar precocemente a escola para ingressar no mercado de trabalho. Foi empregado de fábricas de cigarros e tecelagens, e também motorista de praça (comprou um táxi aos 19 anos) e de ambulância, tendo-se casado em 1928. Ao mesmo tempo, freqüentava rodas de malandros e boêmios.
Em 1932, Moreira lança seu primeiro disco, na Odeon, interpretando dois pontos der macumba de Getúlio “Amor” Marinho: “Ererê” e “Rei de umbanda”. Mais tarde, obtém seu primeiro grande sucesso, na Columbia, com o samba “Arrasta a sandália”, uma das músicas mais cantadas no carnaval de 1933. Outros sucessos, além dos presentes nesta edição do GRB: “Implorar”, “Jogo proibido”, “Na subida do morro”, “Amigo urso”, “Doutor em futebol”, “É batucada”, “O rei do gatilho” (com o qual ganhou o apelido de Kid Morenguera), “O último dos moicanos”, “Os intocáveis” (inspirado no seriado americano de TV de mesmo nome), “Morenguera contra 007”, “O sequestro de Ringo”, “Supermorenguera” (que gravou em dupla com Cyro Aguiar), etc. Seu último trabalho em disco, lançado em 1995, foi o CD “Os três malandros in concert”, gravado juntamente com Bezerra da Silva e Dicró, uma brincadeira com os “três tenores”, Luciano Pavarotti, José Carreras e Plácido Domingo.
Segundo os que conheceram o grande Morenguera, sua imagem de malandro e boêmio não passava de um tipo, um personagem. Era um cidadão exemplar, de vida regrada, não bebia, não fumava, e sempre cumpriu à risca seus deveres, em uma trajetória de vida longa e repleta de acontecimentos surpreendentes. Primeiramente como seresteiro, depois como um autêntico mestre do samba de breque, tornou-se um verdadeiro mito, uma autêntica unanimidade na história da música popular brasileira. Moreira da Silva faleceu no dia 6 de junho de 2000, em seu Riode Janeiro natal, vítima de falência múltipla de órgãos.
Para esta edição do GRB, foram pinçadas treze faixas de excelente qualidade, uma seleção que agradará a todos aqueles que conhecem o trabalho do grande Morenguera e vai permitir os que não conhecem de desfrutar um pouco de seu trabalho. Para começar, temos “Esta noite eu tive um sonho”, que o próprio Moreira assina com Wilson Batista, gravação Victor lançada em junho de 1941, disco 34754-A. Mostra como um alemão é enganado no jogo de chapinha, no qual se usavam três tampinhas de cerveja, com um miolo de pão dentro de uma delas. “Antes porém” leva a assinatura de Djalma Mafra e Cyro Monteiro, e saiu pela Odeon em junho de 1943, com o número 12315-A. “Acertei no milhar” é um clássico indiscutível, assinado por Geraldo Pereira e Wilson Batista, tendo sido editado pela mesma Odeon em agosto de 1940 sob número 11883-B. Teve regravações pelo próprio Moreira e por Jorge Veiga, entre outros. “Olha a cara dela” é uma marchinha do Morenguera em parceria com Geraldo Pereira, e saiu pela Victor bem em cima do carnaval de 1941, em fevereiro, sob n.o 34717-A. Ismael Silva e José de Almeida assinam “Maestro, toque aquela”, editado pela Odeon em dezembro de 1943, visando evidentemente o carnaval de 44, sob n.o 12390-B. Desse disco também foi escalado o lado A, “Samba pro concurso” (faixa 10 de nossa seleção), outra parceria do Morenguera com Geraldo Pereira. “Com açúcar”, a faixa 6, é também do Moreira, em parceria com Darcy de Oliveira, e saiu pela Victor em dezembro de 1940 para o carnaval de 41, com o número 34686-B. “O que tem Iaiá”, de Getúlio “Amor” Marinho e Antonico do Samba, é de 1937, lançado pela Columbia sob n.o 8249-B. “Amor” também assina sozinho “Na Favela”, lançado pela Odeon em 1932 com o número 10896-A. Em seguida temos o lado B, “Eu sou é bamba”, do mesmíssimo autor. “Nicolau” é de João da Baiana e Ari Monteiro, e saiu pela Odeon bem em cima do carnaval de 1942, em fevereiro, com o n.o 12107-A. Para finalizar, dois sambas de Geraldo Pereira em parceria com o próprio Morenguera, gravados na Odeon: “Lembranças da Bahia”, parceria com o próprio Morenguera, editado em agosto de 1942 com o n.o 12186-A, e “Voz do morro”, lançado para o carnaval de 1943, em janeiro, sob n.o 12252-B. Uma homenagem à altura que o GRB presta ao eterno Moreira da Silva, que foi, é e sempre será “o tal”!
Texto de SAMEUL MACHADO FILHO

Vários Cantores – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 41 (2012)

E chegamos à quadragésima-primeira edição do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil. Desta vez, apresentamos uma seleção de sambas, do acervo do blog Coisa da Antiga (http://coisadaantiga.blogspot.com.br), pertencente ao grande Ary do Baralho, dono de um autêntico tesouro do gênero, cheio de raridades absolutas. A você, Ary, os nossos mais sinceros agradecimentos.
Esta seleção, com doze preciosas gravações, dá bem uma ideia do que o Ary tem no Coisa da Antiga, autênticas joias do samba. E começamos com o carioca Moreira da Silva (1902-2000), o eterno rei do samba de breque, de vida (98 anos) e carreira lôngevas. O eterno Kid Morenguera se faz presente através do disco Columbia 22165, lançado em dezembro de 1932, com vistas ao carnaval de 33. A faixa de abertura, matriz 381362, apresenta este que foi o primeiro grande sucesso do Moreira: “Arrasta a sandália”, de Aurélio Gomes e Osvaldo Vasques, este último conhecido como Baiaco (Rio de Janeiro, c.1913-idem, c.1935), ritmista e um dos fundadores da primeira escola de samba, a Deixa Falar, no bairro carioca do Estácio. Entoado num esquema pergunta-resposta típico do partido alto, caiu no agrado popular e tornou-se um clássico. No verso, matriz 381363, outra composição do Baiaco, agora em parceria com Ventura: “Vejo lágrimas”.O acompanhmento neste disco é do grupo Gente do Morro, liderado por Benedito Lacerda, com sua flauta inconfundível.
Patrício Teixeira (1893-1972) era também carioca, da Rua Senador Eusébio, no coração da lendária Praça Onze, autêntico reduto de sambistas e boêmios, e onde aconteciam os desfiles da escolas de samba cariocas até sua demolição, para dar lugar à Avenida Presidente Vargas. Cantor e violonista, também foi professor de violão, e entre suas alunas mais famosas estão Linda Batista, Aurora Miranda e as irmãs Danusa e Nara Leão. Dele apresentamos, inicialmente, outra composição de Osvaldo “Baiaco” Vasques, em parceria com o grande flautista Benedito Lacerda: “Tenho uma nêga”, gravação Victor de 14 de novembro de 1932, lançada em dezembro seguinte com o número 33600-B, matriz 65535, também para a folia de 1933. Em seguida, de Max Bulhões e Mílton de Oliveira, outro samba bastante conhecido: “Sabiá-laranjeira” (“ouvi teu cantar bem perto”…), de Max Bulhões e Mílton de Oliveira, gravação Victor de 13 de maio de 1937, lançada em agosto seguinte com o número 34137-B, matriz 80404. Apesar de ser o outro lado do clássico “Não tenho lágrimas”, dos mesmos autores, este “Sabiá” também fez sucesso, e ambas as músicas seriam bastante cantadas no carnaval de 1938.
No disco seguinte, o Columbia 22238, de 1933, mais uma vez Osvaldo Vasques, o Baiaco, se faz presente, com dois sambas interpretados em dueto por Léo Vilar (futuro líder do conjunto vocal Anjos do Inferno) e Arnaldo Amaral (que também foi galã de cinema): de um lado, matriz 381527, “Rindo e chorando”, parceria de Baiaco com Bucy Moreira (1909-1982), neto da Tia Ciata, em cuja residência aconteciam rodas de samba na qual se reuniam autênticos bambas da MPB no início do século XX, como Pixinguinha, Donga e João da Baiana. Bucy também fundou uma escola de samba de nome pitoresco: Vê se Pode! No verso, matriz 381526, “Se passar da hora”, em que Baiaco tem a parceria de Boaventura dos Santos.
Relembramos depois o grande Ciro Monteiro (1913-1973), o “cantor das mil e uma fãs”, também conhecido como “Formigão”, sem dúvida um dos maiores expoentes de nosso samba, com uma carreira repleta de sucessos. Ele comparece aqui com dois sambas de Djalma Mafra (Rio de Janeiro, c.1900-idem, 1974), gravados na Victor: “Obrigação”, parceria de Djalma com Alcides Rosa, registrado em 3 de maio de 1945 e lançado em julho seguinte sob n.o 80-0294-B, matriz S-078163, e “Oh seu Djalma”, parceria de Mafra com Raul Marques (1913-1991), gravado em 13 de outubro de 1943 e lançado em dezembro seguinte com o n.o 80-0138-A, matriz S-052856.
Apresentamos em seguida duas composições de Geraldo Pereira (Juiz de Fora, MG, 1918-Rio de Janeiro, 1955), responsável por clássicos como “Falsa baiana”, “Sem compromisso”, “Escurinha” e “Escurinho”, interpretadas por Roberto Paiva (pseudônimo de Helim Silveira Neves). Primeiro, “Se você sair chorando”, de Geraldo com Nélson Teixeira, gravação Odeon de 26 de setembro de 1939, lançada em novembro seguinte com o n.o 11788-B, matriz 6206, visando ao carnaval de 1940. Depois Roberto canta “Tenha santa paciência”, parceria de Geraldo com Augusto Garcez, em gravação Victor de 6 de março de 1942, lançada em maio seguinte, disco 34923-A, matriz S-052489.
Para encerrar, o notável Otávio Henrique de Oliveira, aliás, Blecaute (Espírito Santo do Pinhal, SP, 1919-Rio de Janeiro, 1963), detentor de inúmeros êxitos no meio de ano e no carnaval (quem nunca cantou “Maria Candelária”, “General da banda”, “Papai Adão”, “Pedreiro Valdemar” e tantas outras?), e que recebeu esse apelido do Capitão Furtado (Ariowaldo Pires), por causa dos blecautes (apagões) que havia em toda a orla marítima do Brasil na época da Segunda Guerra Mundial durante a noite, a fim de evitar ataques inimigos. Blecaute aqui comparece com dois clássicos de Geraldo Pereira, gravados na Continental: Primeiro o delicioso “Chegou a bonitona”, de Geraldo com José Batista, gravado em 11 de agosto de 1948, com lançamento entre outubro e dezembro do mesmo ano, disco 15954-A, matriz 1922. Depois outro clássico do Geraldo Pereira, agora em parceria com Arnaldo Passos, o famoso “Que samba bom”, lançado em janeiro de 1949 para o carnaval daquele ano com o número 15981-B, matriz 2002. Um fecho realmente de ouro para esta sambística seleção do GRB, para enriquecer os acervos de muitos amigos cultos, ocultos e associados. E olha: pretendemos aproveitar muito mais coisas do blog Coisa da Antiga, pois o Ary do Baralho tem bastante coisa boa nele. Aguardem!
Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.

Vários – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 28 (2012)

Fratura no joelho é um troço bem complicado… O nosso Augusto TM que o diga! Mas depois de mais um período de ausência forçada (até eu senti saudades), eis aqui a vigésima-oitava edição do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil, apresentando mais dez preciosos fonogramas da era das 78 rotações por minuto para enriquecer os acervos de nossos amigos cultos e associados. E começamos com um sucesso de Patrício Teixeira (1893-1972), carioca da Rua São Leopoldo, na lendária Praça Onze, que começou a gravar ainda pelo processo mecânico e continuou de maneira bem sucedida na fase elétrica, até quando saiu seu último disco, em 1944. (depois disso, ainda gravaria a canção “Azulão”, de Hekel Tavares e Luiz Peixoto, para um LP da Sinter).  Foi até professor de violão, e entre suas alunas mais ilustres estão Nara Leão e as irmãs Linda e Dircinha Batista. E Patrício aqui comparece com um clássico: o samba “Gavião calçudo”, do mestre Pixinguinha, com letra de Cícero “Baiano” de Almeida, cujo sucesso desaguaria no carnaval de 1930. Saiu em duas gravações de Patrício: a primeira no selo Parlophon, em março de 1929, e esta segunda, com o selo Odeon, lançada em agosto do mesmo ano com o n.o 10436-A, matriz 2685, na qual o intérprete canta a letra completa, acompanhado de piano e violão (no registro original era com orquestra, e nele só foram apresentados o estribilho e uma das estrofes). “Azulão” também está aqui, mas no registro original do “cantor das noites enluaradas”, Paraguassu (Roque Ricciardi, 1894-1976), lançado pela Columbia em fevereiro de 1930, disco 5141-A, matriz 380474.

Em seguida, um monólogo divertidíssimo interpretado pelo ator Pinto Filho. Trata-se de “Guerra ao mosquito”, de Luiz Peixoto e Marques Porto, lançado pela Parlophon em agosto de 1929 com o n.o 12989-A, matriz 2670. Mais atual impossível, uma vez que o Brasil tem sido, nos últimos tempos, atingido por endemias tropicais como a dengue, especialmente no verão. Não faltam farpas a políticos de prestígio na época, como o então candidato a presidente da República Júlio Prestes.

A próxima faixa vem a ser o primeiro grande sucesso nacional de Ary Barroso como compositor: a marchinha “Dá nela”, interpretada por Francisco Alves com a Orquestra Pan American de Simon Bountman, e um dos hits do carnaval de 1930. Gravação de 9 de janeiro daquele ano, lançada pouco depois sob n.o 10558-A, matriz 3258. No dia 18, a música venceu um concurso promovido no Teatro Lírico do Rio de Janeiro, e com o dinheiro ganho (cinco contos de réis!), Ary Barroso teve condições de se casar (com Yvonne Belfort Arantes) e ainda recebeu seu diploma de advogado. De letra extremamente machista (característica da época), “Dá nela” também deu nome a uma revista do Teatro Recreio, nela interpretada (de calça comprida!) por Zaíra Cavalcanti.

Um dos clássicos de Ary Barroso em parceria com Luiz Peixoto, o samba-canção “Na batucada da vida” (subintitulado “A canção da enjeitada”) tornou-se inovador na época do lançamento, pelo realismo com que tratava uma temática de cunho social. Originalmente saiu em 1934, na voz de Cármen Miranda, e aqui é apresentada no registro de Dircinha Batista, feito na Odeon em 14 de abril de 1950 e lançado em agosto seguinte, disco 13031-B, matriz 8685, com acompanhamento de piano do próprio mestre de Ubá. Como bem sabem os fãs de Elis Regina, em 1974 ela também fez um registro memorável desta composição.

O inesquecível Kid Morenguera, o grande Moreira da Silva (1902-2000), insubstituível rei do samba de breque, aqui comparece com o raríssimo disco Star 225, datado de 1951, com acompanhamento do conjunto do violonista Claudionor Cruz, destacando-se o saxofone de Portinho (Antônio Porto Filho), também maestro e arranjador de prestígio. De um lado, o samba-choro “Entrevista”, do próprio Moreira, e no verso, nesse mesmo ritmo, a homenagem do GRB aos motoristas na semana do dia deles e de seu santo padroeiro, São Cristóvão: “Sou motorista”!

Humberto Marsicano fez parte da geração de artistas paulistas surgidos no final dos anos 1920. De sua escassa discografia como cantor (apenas 16 fonogramas distribuídos em nove 78 rpm), apresentamos o disco Columbia 5051, lançado em julho de 1929, com acompanhamento da orquestra de Álvaro Ghiraldini. Abrindo-o, matriz 380143, o samba-choro “Mulher sem coração”, composto por um nome que iniciava então sua carreira, José Maria de Abreu (1911-1966), paulista de Jacareí, responsável por sucessos inesquecíveis, tais como “E tome polca”, “Alguém como tu”, “Dançando com você” e muitos outros. No verso, matriz 380144, o delicioso “sambinha-embolada” Tico-tico vuô”, de Juca Paulista e Juvenal de Abreu.

Para encerrar, uma marchinha do carnaval de 1957, lançada pela Continental em janeiro desse mesmo ano, com o n.o 17375-B, matriz C-3912. É “Seu Romeu”, de João Rosa, Arnaldo Moraes e do paulistano Ruy Rey (1915-1995), sendo este último o intérprete. Ruy, que se chamava Domingos Zeminian, foi também exímio “bandleader”, e especializou-se em ritmos hispano-americanos, precursores da atual salsa. Enfim, um belo apanhado com o qual o GRB mata as saudades de todos que estavam aguardando esta retomada. Divirtam-se e recordem!

*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

Noel Rosa – Vários Odeon (1962)

Olá! Hoje, para facilitar a minha vida e alegrar a de todos nós, vamos com a música de Noel Rosa. É como dizem, quando o doce é bom a gente não enjoa. Noel é sempre Noel, seja cantado por quem for. E aqui ele vem nas vozes e instrumentação de grandes nomes do ‘cast’ da Odeon, no início dos anos 60. Este álbum, conforme nos indica um dos textos da contracapa, foi lançado pela gravadora no sentido de relembrar o Poeta da Vila, no 25º ano de sua morte. Foram reunidos neste lp doze das mais badaladas músicas criadas por Noel Rosa, um verdadeiro festival de sucessos. Muitas dessas gravações vocês também poderão encontrar em outros discos da gravadora já postados aqui anteriormente. Na contracapa há também um texto do Sérgio Cabral falando um pouco sobre cada uma das faixas, o que facilitou ainda mais o meu trabalho.
O toque inicial eu já dei, agora vocês podem ir rolando a bola. 😉

feitio de oração – coral de ouro preto
mulato bamba – mário reis
fita amarela – sambistas da guanabara
rapaz folgado – francisco egydio
feitiço da vila – côro odeon
último desejo – roberto luna
até amanhã – trio irakitan
pastorinhas – a banda do corpo de bombeiros rj
gago apaixonado – moreira da silva
eu vou prá vila – astor e orquestra
pra esquecer – solon salles
conversa de botequim – fafá lemos

Moreira Da Silva – Manchete Do Dia (1970)

Na sequência do blá, blá, blá, aqui vou eu com mais uma raridade que não se encontra fácil por aí. Mais uma vez marcando presença em nosso toque musical, temos o grande Moreira da Silva em seu disco “Manchete do dia”. Este álbum consta em algumas referências como sendo de 1970, eu cá tenho as minhas dúvidas. Se não me falha a memória, este disco já rolava lá em casa antes dessa época. Foi mesmo uma grata surpresa reencontrá-lo depois de tanto tempo. “Manchete do dia”, embora não seja um dos discos mais comentados do velho malandro, não deixa de ser tão excelente quantos outros. Quase todas as músicas são de sua autoria ou em parceria. Um disco de samba, sim senhor. Confiram aí…
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o urubu está voando baixo
chorei de dor
em boa companhia
telefonista
vou voltar pra lapa
viagem espacial
plantel de bois e cavalos
manchete do dia
a rosa do meu amor
escurinha legal
homenagem a paulistinha
está vendo doutor
moreninha poliglota
amanhã é domingo

Filigranas Musicais Volume XI – Carnaval da RCA (1988)

Olá! Como vocês podem ver, meu desejo de postar aqui alguns gaitistas teve que ser adiado Problemas, problemas, problemas… Como se já não bastasse o caso do meu HD, que aos poucos eu vou recuperando, agora veio mais uma merda. Como diz o pessimista, nunca está tão ruim que não possa ficar pior. Bela merda esse domingo! Não é atoa que nesse dia eu tenho a tendência de ficar deprimido. E hoje a bruxa está solta para o meu lado. Eu nem me arrisco a botar o pé para fora de casa. Hoje tá foda! Perdi a hora ao acordar, atrasado para um compromisso familiar, deixei a turma toda p… da vida. Perdi a hora e o almoço combinado. Na minha rua, a Cemig, estava fazendo um serviço de manutenção da rede elétrica, estávamos sem energia. Daí resolvi sair de bicicleta, dar umas voltas e espantar o mau humor. Longe de casa, já a uns cinco quilometros, o pneu furou. Não havia nas imediações nenhum borracheiro. Voltei, parei em um posto de gasolina e tentei enchê-lo para pelo menos não voltar carregando a bike. Não adiantou muita coisa, o pneu estava rasgado. Isso nunca aconteceu comigo. Voltei zangado, cheguei mais que suado, cansado. Nessa altura a luz já havia voltado, o que me poupou ter que subir cinco andares de escadas carregando a ‘magrela’. Tomei um banho, tomei um café e fui então preparar a postagem do dia. Foi aí que eu me lembrei que havia esquecido o computador ligado desde a noite anterior. Me dei mal… acho que como a manutenção da rede, uma sobrecarga talvez ao voltar, detonou alguma coisa nele. O fato é que não consegui fazer o computador funcionar. Ele liga, mas não abre. Fica apenas tentando acessar o ‘RWindows’. Tentei de tudo, passei o dia todo tentando resolver e nada… PQP!!! É hoje! Diante a merda, só me restou ligar o computador do meu filhote, aproveitando que ele não está por perto. Pensei em não fazer nenhuma postagem hoje, aliás eu não estou como o menor pique. Perdi mesmo o tesão.
Porém, já que tenho alguns ‘discos de gaveta’, para não perder também o dia, resolvi usar um deles. Escolhi entre as poucas opções este disco da série “Filigranas Musicais”. Embora a capa nos faça entender que seriam composições de Lamartine Babo e Haroldo Lobo, percebemos logo que a coisa não é bem assim. Na verdade o disco (pelo selo) chama-se “Carnaval da RCA” e nele estão reunidos diversos temas carnavalescos das décadas de 30 e 40. Necessariamente não são só músicas de autoria de Lalá e Haroldo. Confesso que eu não entendi qual era a razão de termos os dois estampados na capa. Mas tudo bem, não deixa de ser um disco bacana, que atende aos desejos daqueles que haviam me pedido discos da carnaval. Taí, caiam na folia… eu vou me guardando para fevereiro. Amanhã eu levo o computador para o conserto. Tomara que não seja nada sério. Eu já havia preparado alguns discos de gaitistas, mas até segunda ordem, ficaremos na gaveta. Torçam por mim, torçam por nós.

morena imperatriz – almirante e os diabos do céu
não pretendo mais amar – orlando silva
ali babá – odette amaral e os diabos do céu
louca – roberto paiva com benedito lacerda e seu regional
não resta a menor dúvida – bando da lua
quem é você – cyro monteiro
tapete de bagdá – carlos galhardo
mulher fingida – orlando silva e os diabos do céu
levante o dedo – moreira da silva e os diabos do céu
formosa mulher – nelson gonçalves
armas e os barões – almirante e os diabos do céu
chorei – silvio caldas e grupo da velha guarda

Juca Chaves, Moreira Da Silva, Mauro Celso, Os Araganos, Raul Gil, Trio Esperança – Compactos!

Na sequência da nossa ‘dobradinha’, alternando entre compactos e long plays, vamos até domingo nesse ritmo variado. Para a próxima semana estou programando uma mostra de rock. As vezes é preciso ir de um extremo ao outro para que as pessoas percebam que o Toque Musical é um blog eclético. Rola de tudo e para todos, com exceção apenas aos novos lançamentos comerciais e algumas coisas que nem ouvindo com outros olhos se pode levar fé. Axé! Salve, salve!

Temos para hoje mais uma boa leva de compactos. Procurei desta vez concentrar músicas e artistas com algo em comum, o humor e a descontração. Começamos pelo Juca Chaves e o seu tão aguardado “Lé com lé, cré com cré”. Finalmente chegou a sua vez! Essa música é realmente muito legal e acredito que não tenha sido lançada em lp, somente em compacto. Seguimos com a malandragem do Moreira da Silva com seu grande sucesso “Morenguera contra 007” de Miguel Gustavo e “O analfabeto”, música que eu não me lembro de tê-la visto e ouvido em algum de seus lps. Outra curiosidade é o Mauro Celso, lembram dele? Aquele do “Farofa-fá” e de alguns outros sucessos populares. Esta música não poderia faltar em nosso blog (para desespero do Walter Franco). Mais um interessante e raro, o conjunto vocal e instrumental do Rio Grande do Sul, que fez sucesso nos anos 60, Os Araganos. Especializados em temas do cancioneiro gaúcho. Aqui eles interpretam as divertidas “Pára Pedro” e “Mexericos de vovó”. Tem que ouvir… Na mesma linha segue o Raul Gil, aquele apresentador de programas de calouros, do microfone dourado, também cantando o “Pára Pedro” e duas do Volta Seca, “Acorda Maria Bonita” e “Se eu soubesse”. Encerramos com “A festa do Bolinha”, sucesso nas vozes do Trio Esperança. Uma boa seleção musical, não é mesmo? Então, manda ver… e ouvir 😉
Juca Chaves
lé com lé, cré com cré
romina
+
Mauro Celso
farofa-fá
coceira
+
Moreira da Silva
morenguera contra 007
o analfabeto
+
Os Araganos
mexericos de vovó
pára pedro
+
Raul Gil
pára pedro
acorda maria bonita
se eu soubesse
+
Trio Esperança
a festa do bolinha
não me abandone (downtown)

Moreira da Silva – Música Popular Brasileira Grandes Interpretes (1974)

Dentro da série Música Popular Brasileira – Grandes Interpretes, lançada pela RCA Victor e seu selo Camden para reedições de antigos fonogramas, temos hoje (e mais uma vez) o grande malandro, Moreira da Silva. Digo ‘malandro’ no sentido original da palavra, como cantou Chico Buarque em sua “Opera do Malandro”. Neste lp encontramos algumas das primeiras gravações de Antonio Moreira da Silva feitas na Victor. Extraídas das primeira bolachas de 78 rpm, encontramos aqui algumas pérolas que fizeram muito sucesso e ainda hoje podemos dizer que são bem conhecidas. Kid Morengueira sempre teve um repertório pronto e muitas das músicas que estão neste disco acompanharam o artista por toda a sua carreira. Vale a pena conferir essa jóia, pois muita coisa aqui, vocês não ouvirão tão cedo (ou tarde demais).

amigo urso
a deusa da vila
bilhete branco
mendigo de amor
com açucar
olha a direita
esta noite eu tive um sonho
doutor em futebol
olha a cara dela
o home que se casa é feliz
assim termina um grande amor
abre a boca e feche os olhos

Miguel Gustavo – MPM Propaganda (1972)

Olá a todos! Ontem, devido a minha falta de planejamento e também de tempo, acabei por não fazer a postagem do dia. Enganei vocês trazendo apenas mais um volume da coleção Nova História da MPB. Infelizmente, não tive mesmo condições. Mas retomo agora às curiosidades e raridades fonográficas como eu havia prometido. Há muito que eu venho querendo postar essas coisas aqui e acho que é chegado um bom momento.
Hoje temos um disco brinde de natal, criado para a agência MPM Propaganda em 1972, no intuito de presentear aos seus clientes e também homenagear um dos maiores criadores de jingles (música de propaganda), o compositor Miguel Gustavo, falecido naquele ano. No lp encontramos algumas de suas mais conhecidas composições, tanto para o mundo da propaganda como no musical artístico. Suas criações são aqui interpretadas por nomes de peso da música brasileira. Apenas a faixa “A Estrada” não é criação de Miguel. Esta foi feita em sua homenagem. Uma seleção bacana, como muita coisa inédita e rara.
Miguel Gustavo foi um compositor, como ele mesmo se intitulava, primário. Ele não entendia de música e suas composições eram fruto apenas de sua sensibilidade natural. Por certo que a prática acaba levando a perfeição e Miguel foi muito além.
Incluo a baixo (por pura preguiça) um texto de Fábio Dias, extraído do site Clube do Jingle, apresentando este ilustre desconhecido e seus famosos feitos musicais:
Miguel Gustavo Werneck de Souza Martins, compositor, jornalista, poeta e radialista nasceu no Rio de Janeiro em 24. de março de 1922 e faleceu em 22 de janeiro de 1972 aos 50 anos de idade. Ele era um cronista musical. Retratava em suas músicas o que de mais importante estava acontecendo nos meios sociais da época. Começou como discotecário da Rádio Vera Cruz em 1941. Mais tarde passou a escrever programas de rádio.
Em 1950 começou a compor jingles tendo se notabilizado nesta atividade com vários jingles de grande repercussão podendo ser destacado o que foi composto para as Casas da Banha com aproveitamento da melodia de Jesus, alegria dos homens de Johann Sebastian Bach. Sua primeira música gravada foi Primeiro amor, interpretada por Luiz de Carvalho, Os Tocantins e Dilu Mello em gravação Continental lançada em julho/agosto de 1946.
Em 23 de setembro de 1947, Ataulfo Alves gravou na Victor o samba O que é que eu vou dizer em casa, de sua autoria e Miguel Gustavo. Foi seu primeiro sucesso musical.
Em 1953 voltou a fazer sucesso com É sempre o papai, um baião de sua autoria que Zezé Gonzaga gravou na Sinter.
Mais tarde veio o ciclo dos sambas de breque com Moreira da Silva: O conto do pintor, O rei do gatilho, O último dos Moicanos, O sequestro de Ringo, O rei do cangaço e Morengueira contra 007.
Em 1963 compôs um jingle para o Leite Glória que até hoje é lembrado por muita gente pela forma moderna e criativa que a letra falava sobre as características do produto.
A música A dança da boneca, gravada pelo Chacrinha para o carnaval de 67 foi, depois, transformada no prefixo do Programa do Chacrinha com ligeiras modificações na letra e se popularizou pelo Brasil inteiro.
Para a Copa do Mundo de 1970, no México, ele criou o extraordinário Pra Frente Brasil ao participar de um concurso organizado pelos patrocinadores das transmissões dos jogos. O sucesso foi tanto que no carnaval do ano seguinte a música figurou entre as mais cantadas e até hoje é lembrada com carinho pela torcida brasileira.
Umas das principais características dos jingles de Miguel Gustavo eram as introduções marcantes que muitas vezes se tornavam um prefixo do próprio jingle e podiam ser consideradas melodias independentes dentro da peça, de tão bem estruturadas e fortes.
*Fábio Dias com dados fornecidos pela collectors.com.br

casas da banha – moinho de ouro – radamés gnattali
e daí? e daí? – alaide costa
morengueira contra 007 – moreira da silva
brasil eu adoro você – hino do sesquicentenário – angela maria
per omnia secula seculorum – josé tobias
café soçaite – jorge veiga
tatuzinho – leite gloria – erlon chaves
calma coração – miltinho
canção inútil da paz – severino filho
prá frente brasil – fala manuel gustavo
partido baixo do partido alto
a estrada – luis reis

Sambistas de Bossa e Samba de Breque (1977)

Eu havia pensado para hoje, postar do Jamelão, mais um disco. Porém percebi que dos outros que tenho, nenhum é disco de carreira. Ou é coletânea ou já estão em outras fontes. Para não caírmos naquela de “já baixei”, resolvi recrutar outros… Coletânea por coletânea, temos aqui outra melhor. Seis sambistas de bossa e samba de breque: Blecaute, Jorge Veiga, Geraldo Pereira, Ciro Monteiro, Moreira da Silva e Luiz Barbosa.. Por certo que Jamelão vai entender.
Este álbum reúne 16 fonogramas da RCA, tratados e reprocessados para estéreo. Não sei bem o quanto esse estéreo faz sentido, mas o resultado ficou muito bom e merece uma conferida.

você está sumindo – ciro monteiro
o guarda e o motorista – jorge veiga
a risoleta – luiz barbosa
esta noite eu tive um sonho – moreira da silva
chegou a bonitona – blecaute
velório no morro – jorge veiga
oh! seu oscar – ciro monteiro
falso patriota – geraldo pereira
dama ideal – geraldo pereira
doutor em futebol – moreira da silva
nêga – jorge veiga
botões de laranjeira – ciro monteiro
bilhete branco
primeiro eu
a coitadinha fracassou
o que se leva dessa vida

Moreira Da Silva – O Sucesso Continua (1968)

Antes que o sono me tome de vez sentado em frente ao monitor, deixa eu postar logo mais um. Para rimar com o Germano Mathias, nada melhor que o Moreira da Silva. Zzzzz…..
E não é que eu dormi mesmo, sentado naquela cadeira. Quando dei por mim já era quase 2 da madrugada. Fui dormir e deixei tudo pra hoje. Hoje a tarde. Mas antes tarde do que nunca.
Vamos por a malandragem pra rodar, porque o sucesso continua neste ótimo disco do ‘Rei do Gatilho’. Ele foi o criador do estilo samba de breque e romantizou a figura do malandro através da suas músicas. Neste disco ele continua mostrando talento e fazendo escola. Verdadeiramente um artista singular. Tem que ouvir…

– NA SUBIDA DO MORRO – Moreira da Silva e Ribeiro Cunha
– OLHA O PADILHA – Bruno Gomes, Ferreira Gomes e Moreira da Silva
– AMIGO URSO – Henrique Gonçales
– RESPOSTA DO AMIGO URSO – Maria Nazaré Maia
– TE AMO QUERIDA – Moes Filho e Moreira da Silva
– CONTO DO RELÓGIO – Gildo Moreno e Barbosa Silva
– BEIJO DE AMOR – Buci Moreira e Moreira da Silva
– REI DO GATILHO – Miguel Gustavo
– DAÍ UM JEITO NESTE MUNDO – Antônio Almeida e Alcebíades Barcelos
– BAILE DA PIEDADE – Raul Marques e Jorge Veiga
– A CARNE – Moreira da Silva e Amorim Roxo
– APRESSADO QUEIMA A BOCA – M. da Silva e H. Carvalho
– BAIANINHA CHEIROSA – Moreira da Silva
– O VELHO NÃO BOBEIA – Mario Rossi e Aldo Taranto