Quarteto Oficial Da Escola Nacional De Música (1966)

Hoje, o TM oferece a seus amigos cultos e ocultos mais um trabalho de nível abrangendo a música erudita brasileira. Desta vez, apresentamos um álbum com o Quarteto Oficial da Escola Nacional de Música da Universidade do Brasil, hoje também denominada Universidade Federal do Rio de Janeiro, lançado em 1966 pela CBS, hoje Sony Music. O grupo era um dos melhores da época, graças à perfeição técnica e conhecimento musical de seus integrantes, com execuções impecáveis, tendo em seu currículo excursões e recitais em várias partes do mundo, especialmente na América do Norte, Ásia e Europa, difundindo obras de compositores eruditos nacionais e internacionais.  E toda essa perfeição é encontrada justamente neste disco, apresentando obras de Radamés Gnattali (Porto Alegre, RS, 27/1/1906-Rio de Janeiro, 13/2/1988) e José Siqueira (Conceição, PB, 24/6/1907-Rio de Janeiro, 22/4/1985). No lado A do disco, são apresentados os “Quatro noturnos para quarteto de cordas e piano”, então obras recentes de Radamés Gnattali, cuja importância na história de nossa música popular e erudita, tanto como compositor,  quanto como pianista, orquestrador e maestro, é inquestionável. Ele dedicou os noturnos ao próprio Quarteto de Cordas Oficial da Escola Nacional de Música, e ainda participa ao piano dos registros dessas obras, até então jamais levadas a disco. Já no lado B, o quarteto executa duas composições do maestro e acadêmico José de Lima Siqueira, o “Tríptico negro número 2” e “Toada”. Formado em Direito, composição e regência,  tendo sido inclusive professor da Escola Nacional de Música, Siqueira foi reconhecido internacionalmente pelo papel de liderança que exerceu no meio musical de sua época e por sua participação na criação de várias entidades de classe (como a Ordem dos Músicos do Brasil, fundada em 1960, da qual foi o primeiro presidente) e culturais, ornando-se uma das grandes figuras da música erudita brasileira no século XX. Regeu orquestras nos EUA, Canadá e na Europa, tendo inclusive frequentado, em 1953, o curso de musicologia da Sorbonne. Fundou ainda a Orquestra Sinfônica Nacional, em 1961, e a Orquestra de Câmara do Brasil, em 1967. Em 1969, José Siqueira foi aposentado pela ditadura militar por defender o comunismo e, proibido de lecionar e exercer qualquer atividade artística no Brasil, encontrou abrigo na antiga União Soviética, onde regeu a Filarmônica de Moscou e participou como jurado de grandes concursos de música internacionais. Foi em Moscou, inclusive, que boa parte da obra de Siqueira foi editorada e preservada, incluindo óperas, cantatas, concertos, oratórios, sinfonias e obras para conjuntos de câmara. Publicou ainda livros didáticos, tais como “Canto dado em catorze lições”, “Música para a juventude” (quatro volumes) e “Curso de instrumentação”.  Com a abertura política, em 1979, José Siqueira voltou a residir no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro, onde faleceu. Como se pode perceber, este trabalho oferecido hoje pelo TM apresenta alto padrão técnico e artístico, e merece ser incluído entre os mais expressivos álbuns eruditos já gravados no Brasil. Simplesmente impecável!

quatro noturnos para quarteto de cordas e piano – radamés gnattali

triptico negro n. 2 – josé siqueira

toada – josé siqueira

*Texto de Samuel Machado Filho

Orquestra Brasileira De Espetáculos – Italia De Hoje (196…)

Olá amiguíssimos cultos e ocultos, como já deu para perceber, as resenhas de nossas postagens tem ficado a cargo do nosso amigo/colaborador Samuel Machado Filho. Mas, eventualmente eu também dou as caras por aqui…
Trago hoje para vocês um lp da Orquestra Brasileira de Espetáculos, da gravadora CBS, lançado certamente ainda na primeira metade da década de 60. A data, mesmo pesquisando eu não encontrei. O disco, como pode-se ver pelo título, “Itália de Hoje”, traz um repertório de músicas italianas, sucessos então do momento. Aliás, na década de 60 a música italiana esteve muito em voga, talvez por conta do cinema europeu que ajudou a projetar também a música. Mas o que nos chama mais a atenção aqui é o trabalho dessa magnífica orquestra de estúdio, sob a batuta do mestre Radamés Gnattali. É de dar inveja até às versões originais. Orquestra cristalina… 🙂

amici miei
perché non piango piú
tu non lo sai
devi recordar
el abrazo
ho scolpito il tuo nome
ieri ho incontrato mia madre
quando lo rivedrai
cielo muto
amore scusami
non e facile avere 18 anni
come sinfonia
era d’estate
aria di neve
.

Radamés Gnatalli – Radamés E Sua Bossa Nova (1961)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Passado o Carnaval, vamos voltar a Bossa Nova, que como sempre dá muito ibope. Hoje eu trago para vocês um raro e quase obscuro disquinho de 7 polegadas, o famoso ‘compacto’. Um disco de 45 rpm (que o torna ainda mais raro) de bossa nova, do grande maestro e precursor do mais famoso gênero musical brasileiro. Esta pequena preciosidade me foi enviada pelo amigo Hélio Mauro, a quem eu muito agradeço a generosidade. Antes de postá-lo, procurei dar uma melhorada no som e no GTM vocês irão encontrar este compacto duplo com suas faixas replicadas, possibilitando assim a escolha entre duas versões de cada faixa.
Neste joinha, vamos encontrar, abrindo o lado A, “Cheiro de saudade”, de Djalma Ferreira e Luiz Antonio; “Chora tua tristeza”, de Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini; “Samba de uma nota só”, de Tom Jobim e Newton Mendonça e fechando, “Pior pra você”, samba de Evaldo Gouveia e Almeida Rego.
Como eu disse, este é um compacto bem obscuro, entre a produção fonográfica de Radamés. Procurei pelos quatro cantos da internet informações sobre ele e nada… Em nenhum dos mais importantes sites sobre o músico, sobre seus discos ou sobre a Bossa Nova… nenhuma referência, exceto as músicas que podem ser acessadas no Youtube. Faltou apenas perguntar para a minha fonte onde foi que ele conseguiu o compacto. Assim sendo, até mesmo a data de lançamento é uma dúvida. Considerando alguns diversos fatores, eu deduzi que o disco seja do início dos anos 60. Coloquei 1961 por ser uma data memorável (pelo menos para mim, foi quando eu nasci) e até que me provem o contrário. De resto, oque ainda nos falta são as informações artísticas, a ficha da gravação confirmando a presença do Chiquinho do Acordeon, Luciano Perrone… Confiram já no Grupo Toque Musical 😉

cheiro de saudade
chora tua tristeza
samba de uma nota só
pior pra você
.

Dilermando Reis – Presença De Dilermando Reis (1962)


Boa noite, meus prezados amigos cultos e ocultos! Aqui vai um disco que certamente irá agradar aos garimpeiros de plantão. Temos para hoje este álbum do violonista Dilermando Reis, lançado em 1962, pela Continental. Nele encontraremos um repertório quase todo autoral. Diferente de outros discos do artista, neste ele vem acompanhado por Radamés Gnatalli e sua orquestra, que dá ao trabalho um caráter ainda mais amplo, deixando Dilermando mais como um solista da orquestra. Participa também o organista e compositor Steve Bernard, figura muito citada na Rede, mas eu mesmo não encontrei nada sobre ele. Me parece, pelo nome, que era um músico estrangeiro que teve passagem pelo Brasil, suponho eu. Confiram aí este lp e se alguém souber, esclarece aqui quem foi esse Steve Bernard. Fiquei curioso

recordando malaguña
presença
uma valsa, dois amores
torna a sorriento
fingimento
sob o céu de brasília
no tempo do vovô
tempo de criança
chuvisco
rosita
mágoas de africano
xodó da bahia
.

Banda Os Dragões Do Rei – Antigas Marchas Carnavalescas (1958)

Bom dia a todos os amigos cultos e ocultos! No pique do carnaval, abrimos a nossa segunda feira ao sons de antigas marchas carnavalescas. Hoje seria um dia dedicado ao GTM, com os sempre brilhantes textos do nosso amigo Samuel Machado Filho. Porém eu não tive tempo de preparar uma seleção de 78 rpm para o Samuca, além do mais, na sequência do GTM, o que teremos é a continuação da série Jacob do Bandolim. Fica assim prometido, ok?
Mas como eu dizia, nosso encontro hoje é com as antigas marchinhas de carnaval, apresentadas aqui pela gravadora Continental, através da banda “Os Dragões do Rei”, nome este dado a uma típica banda, que contou com três grandes regentes arranjadores: Radamés Gnattali, Guido de Morais e Severino Araújo. O disco foi lançado em 1958, trazendo em seu repertório velhas marchas carnavalescas, num estilo bem tradicional, procurando dessa forma relembrar e mostrar que mesmo diante às mudanças que aconteciam na música brasileira naquela época, a verve musical ainda era a mesma. Taí, um lp dos mais interessantes. Para se ouvir durante e depois do carnaval. 🙂

touradas de madrid
hino do carnaval brasileiro
ridi palhaço
tem gato na tuba
linda lourinha
história do brasil
pirata da perna de pau
linda morena
grau 10
pepita de guadalajara
trem blindado
lancha nova

Radamés Gnatalli – Concerto Para Harmonica De Boca E Orquestra – Brasiliana nº 3 (1961)

Eis aqui um disco raro, objeto de desejo de muitos colecionadores e de pesquisa, ou puro deleite, para quem escuta música com outros olhos. Uma atração à parte e especial que com toda certeza irá avivar os olhos e ouvidos dos meus amigos cultos e ocultos. Tenho hoje para vocês, o aclamado, “Concerto para Harmônica de Boca e Orquestra” de Radamés Gnatalli. Uma peça muito comentada, inclusive aqui no Toque Musical, mas que até hoje continuava escondida, recolhida como a grande maioria dos discos produzidos pelo selo Festa. Recementemente a Tratore Discos relançou uma dezena de títulos da gravadora de Irineu Garcia, mas se esqueceu deste que é talvez um dos mais raros e importantes discos de seu catálogo. Trata-se, obviamente, de um álbum de música erudita, o que de uma certa forma, comercialmente e no Brasil, não seria muito ‘produtivo’. Mas este disco tem uma importância também histórica, ou por outra, tem uma história que precisa ser ouvida.
Temos aqui o Maestro Radamés Gnatalli com a Orquestra Sinfônica Brasileira apresentando duas de suas peças em momentos distintos. O primeiro e principal, “Concerto para harmônica de boca e orquestra”, dedicado ao amigo, o gaitista Edu da Gaita, gravado ao vivo na estréia, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em novembro de 1958. Contou com a participação do homenageado, Edu (da gaita) Nadruz, como solista. O segundo momento, também gravado ao vivo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, aconteceu no mês de julho do ano seguinte, por ocasião do Festival Radamés Gnatalli.
Não vou entrar em detalhes sobre esses trabalhos, deixando que a contracapa e os comentários generosos complementem nossa postagem. A interação é fundamental!
Este álbum, eu não soube precisar a data de seu lançamento, mas suponho que tenha sido em 1960 ou 61. Outra curiosidade: nunca tive nas mãos um disco ‘cinquentão’ tão novinho. Acredito que este lp nunca chegou a ser tocado por uma agulha. É mesmo de dar gosto 🙂 Salve São Pampani! Obrigadão!
.

concerto para harmonica de boca:
allegro moderato
lento e expressivo
allegro marcato
brasiliana nº 3:
pampeano (allegro moderato)
modinha (adagio)
rojão (allegretto mosso)
capoeira (vivo)

Radamés Gnatalli – Meditação (196…)

Bom dia a todos! Dando sequência às nossas postagens eruditas, tenho para hoje e com grande prazer a presença de Radamés Gnatalli, um nome bastante conhecido e divulgado na ‘blogosfera’ musical. Radamés foi um dos maiores arranjadores da música popular brasileira. Grande parte da produção musical dos anos 50, 60, 70 e 80 tem o dedo dele. Foi um dos responsáveis pelo renascimento do choro nos anos 70. Mestre e incentivador de novos talentos como Raphael Rabello, Joel Nascimento, Maurício Carrilho e a turma do Camerata Carioca. Revolucionou na música ao inserir instrumentos de orquestra de forma percussiva, criando sons até então inéditos para o formato orquestral. Compositor e instrumentista refinado, possuía um estilo pessoal mas com fortes influências de Debussy e do jazz americano. Um músico que sempre transitou com naturalidade entre o popular e o erudito.
Neste álbum, gravado pela Continental, possivelmente no início dos anos 60, temos o mestre ao piano e com sua orquestra, interpretando peças de diversos compositores clássicos como Grieg, Gluck, Tchaikowsky, Schuman, Chopin, entre outros… Um álbum como diz o título, para meditação, música repousante para ouvir e relaxar…

apenas um coração solitário
porque
noturno em mi bemol
berceuse
largo
ave maria
au printemps
romance
serenata
greensleeves
melodia da ópera de orfeu
canção solveig

Dilermando Reis & Radamés Gnatalli – Concerto N.1 Para Violão E Orquestra (1976)

Quando se fala de violonista, um nome que a gente nunca esquece é o de Dilermando Reis. Violonista literalmente de ‘mão cheia’, tocava de todos os gêneros e muito bem. Foi um dos instrumentistas que mais popularizou o violão no país.
“Concerto N.1” é uma peça de Radamés Gnatalli dedicada ao grande violonista. Aqui temos o prazer de ouví-lo como solista, sendo Radamés o regente da orquestra. O disco é datado de 1976, mas me parece que o “Concerto N.1” é do início de 70. No lado B do disco, anda com o maestro, encontramos obras de Lorenzo Fernandez, Guerra Peixe, Villa Lobos, Heckel Tavares e Agostin Barrios. Taí, um lado mais erudito de Dilermando. Espero que gostem 🙂
concerto n.1 para violão e orquestra
velha modinha
ponteado
choro n.1
ponteio
la catedral