Zezinho E Seu Conjunto – Mesa De Pista N. 2 (1959)

Olá, amigos cultos e ocultos! Eis aqui mais um álbum dançante, dos muitos lançados pelas gravadoras nos anos 1950/60. É “Mesa de pista número 2”, editado pela Odeon em 1959, com Zezinho e seu conjunto (o primeiro saiu em 1957, com Zezinho à frente dos Copacabana). José Batista da Silva Júnior (seu nome de batismo), também pianista e acordeonista, era pernambucano do Recife, onde fez seus estudos musicais, e veio para o eixo Rio-São Paulo em 1957. Atuou na Rádio Nacional (hoje Globo) de São Paulo como acordeonista do conjunto de ritmos da emissora. Mais tarde, passou a chefiar o conjunto e a dirigir orquestra. Entretanto, devido à mudança de orientação da emissora, a orquestra foi dispensada e Zezinho passou a se apresentar em bailes e boates, além de fazer arranjos para gravações.  O disco, como informa a contracapa, reúne uma seleção das músicas mais executadas pelas casas noturnas da época, a pedido dos próprios frequentadores. Entre as faixas, destaque para “Meu limão, meu limoeiro”, um tema folclórico adaptado por José Carlos Burle, que Wilson Simonal reviveria anos mais tarde, “Calado venci” (única parceria de Ataulfo Alves e Herivelto Martins) e ainda para o clássico “Pra machucar meu coração”, do mestre Ary Barroso. No mais, um disco muito bom, que merece o nosso Toque Musical. A conferir no GTM, sem falta.

blues in the night
slow joe
timbó
vai querer
serenade imn mambo
temptation
cambina briante
meu limão meu limoeiro
quem manda na minha vida sou eu
calado venci
completamente
não tive tempo
champanhota
pra machucar meu coração
apoio moral
 



*Texto de Samuel Machado Filho

Raul De Barros – Sonho E Animação Em Ritmo De Dança (1960)

Sem dúvida um trombonista que marcou época em nossa música popular, Raul de Barros (Rio de Janeiro, 25/11/1915-Itaboraí, RJ, 8/6/2009) volta a bater ponto aqui no Toque Musical. Desta vez, trazemos para nossos amigos cultos e ocultos “Sonho e animação em ritmo de dança”, álbum lançado pela Odeon em 1960. Nele, à frente de seu conjunto, Raul sola clássicos nacionais e internacionais com muita propriedade, provando que era mesmo um trombonista nota 10. No repertório temos, entre outras, “Quiereme mucho”, “No rancho fundo”, “Tudo ou nada”, “Hymne a l’amour” e também um tema erudito, a “Valsa do adeus”, de Chopin, em ritmo de bolero. Conforme diz a contracapa, Raul de Barros se supera neste disco, fazendo dele puro divertimento para nós. É mais um ótimo disco dele que o TM oferece, com a satisfação de sempre. Não deixem de conferir no GTM. 

i’m in the mood for love
quiereme mucho
hymme a l’amoure
a valsa do adeus
temptation
tudo ou nada
perfídia
no rancho fundo
stardust
eu sei que vou te amar
andaluzia
all the things you are
 

*Texto de Samuel Machado Filho .

Trio Irakitan – Boleros E Vozes Que Agradam Milhões (1964)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje vamos de bolero e mais uma vez com o lendário Trio Irakitan, grupo vocal muito querido por aqui, tanto que deles já postamos vários outros discos. E desta vez temos para vocês o lp de 64, “Boleros e Vozes Que Agradam Milhões”. Um álbum onde temos uma seleção de clássicos do gênero em versões para o português. Confiram este disco no GTM.

angústia
eu pago esta noite
tu me acostumaste
estou perdido
o relógio
você
acorrentados
sabe deus
tu meu delírio
sabor a mim
a barca
canção de protesto

A Juventude (1970)

Olá, amigos cultos e ocultos! Estamos em pleno Carnaval e eu havia mesmo planejado postar aqui vários discos do gênero, mas percebi que esses são produções exclusivas do Grand Record Brazil, braço de cera, como diz o nosso amigo Samuca, que também é quem cuida das resenhas para essa série. Achei então melhor espaçar, deixá-los para outros momentos. Mas ainda assim teremos as marchinhas e outros quitutes carnavalescos, ok?
Vamos mais uma vez na herança deixada pelo Sintonia Musikal, agora trazendo uma coletânea do selo Odeon, celebrando a então música jovem. Temos aqui alguns dos artistas/conjuntos que faziam parte deste ‘cast’ da gravadora. Artistas, muitos deles, vindos da onda Jovem Guarda. Um disco bacana, pois seleciona diferentes artistas e faixas extraídas de discos que hoje já não encontramos com tanta facilidade por aí. Vale a pena recordar…

as pazes – adriana
eu esperarei – bobby de carlo
primavera – trio esperança
a rosa – deny e dino
eu quero alguém para amar – joão luiz
um tipo especial de amor – silvinha e eduardo araújo
madrugada – eduardo araújo
sou tri campeão – golden boys
gloriosa – módulo 1000
não sou quadrada como você – adriana
você amor – silvinha
vende-se – deny e dino

Adelina Garcia – Sonho Tropical (1955)

Olá amigos cultos e ocultos. Algumas coisas, as vezes, me chegam as mãos e ficam naquela gaveta esperando a sua hora. Quando chega uma oportunidade de postar já não me lembro. Este disco que posto hoje é algo assim. E oque temos para hoje é uma atração internacional, coisa que também não tenho feito por aqui. Apresento ao amigos, Adelina Garcia, uma cantora mexicana que fez muito sucesso aqui no Brasil nos anos 50. Ela, na verdade, como nos conta o próprio texto de contracapa, nasceu nos Estados Unidos, mas ainda criança foi morar no México. Seus pais eram mexicanos. Atuou como cantara e com muito sucesso nos anos 40 e 50. Esteve no Brasil várias vezes e em 1955 gravou por aqui este lp de dez polegadas com alguns de seus maiores sucessos, acompanhada da orquestra de Oswaldo Borba. Um disquinho bem ao gosto do público brasileiro. Certamente vocês vão amar. Confiram no GTM.

vereda tropical
penita contigo
despierta
amor salvage
besame mucho
quien sera
vaya con diós
caprichito

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Sucessão de Sucessos (1961)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Para manter diária a nossa produção, as vezes somos obrigados a recorrer aos ‘arquivos de gaveta’, ou ainda os arquivos enviados por amigos. Para fechar nosso domingão vamos com uma coletânea da Odeon, trazendo o melhor do seu ‘cast’ em 1961 no lp “Sucessão de Sucessos”. Um disco, que como já se pode ver pela capa tem Dalva de Andrade, Elza Soares, Celly Campello, Jayme Ferreira, Trio Irakitan, Anisio Siilva, Hebe Camargo, Orlando Dias, Isaura Garcia e Carlos Augusto. Infelizmente, as letras das músicas que, num raro momento, foram impressas na contracapa estão em baixa qualidade e quase não se pode ler. Fico devendo, logo que achar o disco, refaço o link. Por hora, ficamos aqui. Valeu, meu caro Denys!

beija-me depois – anisio silva
boato- elza soares
juro – carlos augusto
palhaçada – isaura garcia
ainda te espero – orlando dias
no domingo não – hebe camargo
perdoe-me pelo bem que te quero – orlando dias
broto legal – celly campello
o matador – trio irakitan
ser só – dalva andrade
estou pensando em ti – anisio silva
esmeralda – jayme ferreira



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Rosa Maria – Uma Rosa Com Bossa (1966)

Olá amiguinhos cultos e ocultos! Tempo corrido, vamos direto ao assunto. Tenho hoje para vocês a cantora Rosa Maria. Por certo, muitos irão lembrar do sucesso “California Dreamin”, do grupo The Mamas & The Papas, que ela regravou para uma campanha publicitária nos anos 80. A gravação fez tanto sucesso que acabaram lançado em um EP (um disco de 12 polegadas com apenas duas músicas) com outro grande clássico, a música “Summertime. Um disco promocional onde participa também o fantástico Tony Osanah. Mas a história de Rosa Maria começa nos anos 60, quando sai de Minas e vai para o Rio de Janeiro tentar a carreira artística como cantora e também atriz. Cantava jazz e bossa nova no Beco das Garrafas. ‘Apadrinhada’ por Wilson Simonal, participa como convidada em seu disco “S’Imbora”. Foi logo em seguida que ela assina contrato com a Odeon para gravar este que foi o seu primeiro disco: “Uma Rosa Com Bossa”, em 1966. Um discaço, diga-se de passagem. Cheio de bossa num repertório que ainda cabe a participação do Wilson Simonal em uma das faixas. É ele também que assina o texto de apresentação da cantora na contracapa. Não deixe de conferir essa joinha no GTM.

capoeira de oxalá
vivendo só
amor de nada
minha filosofia
a resposta
fica só comigo
você e eu 
tem dó
menino de braçanã
costa brava
o grito

 

João De Aquino – Violão Viageiro (1974)

Bom dia, amigos cultos e ocultos. Estou me esforçando para voltar a ter aquele ritmo dos primeiros tempos. Não vou garantir nada, mas farei todo o possível para manter essa frequência de publicações.
Hoje temos um disco raro, que eu ainda não cheguei a vê-lo postado em outros blogs. Aliás, poucos ainda resistem, como o nosso Toque Musical. Vamos com “Violão Viageiro”, do violonista e compositor baiano, João de Aquino, um nome importante na música brasileira, mas muito pouco comentado. Seu talento parece vir de família, pois foi primo de outro grande violonista, o lendário Baden Powell. João de Aquino iniciou sua carreira nos anos 60. Sua música de maior sucesso foi “Viagem”, feita em 64 em parceria com Paulo César Pinheiro. Essa música faz parte deste disco que foi seu primeiro trabalho lançado no Brasil (creio que ele chegou a gravar na Europa). “Violão Viageiro” tem também arranjos do maestro Radamés Gnatalli e Hugo Bellardi, a presença de Pedro Sorongo, Fernando Leporace, coral de Joab e outros. Taí, mais um disco bacana que não pode faltar por aqui. Em breve e na sequencia postarei outros dois discos desse artista, pois vale a pena.
Agradeço ao amigo Fáres mais essa contribuição (logo lhe devolvo os discos) E vamos ao GTM, pois o link não dura muito tempo. Quem não acompanha o blog, come mosca. 🙂

coiote
beira maré
macunzozo
fica amor
galope
sapos e grilos
caatinga
ponto do caboclo desengano
corpus
veredas
cactus
viagem
tributo a turibio santos

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Clementina de Jesus (1966)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Mais uma vez marcando presença em nosso espaço, temos o prazer de postar mais um disco da maravilhosa Clementina de Jesus. Esta é outra que despensa apresentações, até porque neste lp que agora estou trazendo, temos um longo texto de Hermínio Bello de Carvalho que não só nos dá um apanhado geral dessa artista, como também de cada faixa do disco. Isso me facilita a vida, pois nesse corre-corre de fim de ano fica difícil me debruçar para uma resenha, tal qual faz o nosso Samuca. Confesso, sou um preguiçoso, kkkk… Mas, enfim, taí o disco de Clementina lançado originalmente em 1966, reeditado nos anos 80. Neste disco Clementina canta uma série de músicas, sambas tradicionais, coisas que ela traz em sua bagagem. Um verdadeiro mostruário das raízes do samba e da nossa música popular. Segundo o próprio Hermínio, a ideia era mostrar a diversidade e riqueza de nossa música, mesmo sendo essas, em grande parte, sem origem ou autoria. Velhos sambas e jongos remanescentes das rodas de pagode e candomblé. Confiram no GTM!

piedade
cangoma me chamou
barracão é seu
tava dormindo
orgulho hipocrisia
coleção de passarinhos
garças pardas
esta melodia
tute de madame
vinde vinde companheiros



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Leny Andrade – Estamos Aí (1965)

Feliz Natal, amigos cultos e ocultos! Diferente dos anos anteriores, neste eu não fiz festa e nem publiquei discos com músicas natalinas. Sinceramente, não é de hoje que eu perdi o tesão com isso aqui. E não é por culpa do cansaço ou falta de tempo… É mesmo pela atual conjuntura política e social que passamos. Confesso, estou muito desanimado, decepcionado e desiludido com muita gente. A tamanha ignorância, estupidez e burrice tomaram conta desse nosso povo. Na verdade, as flores do mal se desabrocharam, um pensamento radical direitista, xucro e ignóbil se lançaram como uma onda sobre o Brasil. Vivemos hoje momentos tristes com a polarização social, um povo que antes era unido, agora se deixa levar por um plano diabólico de autodestruição. O país está partido, dividido entre conservadores adestrados de Direita com seu ‘baixo clero’ e uma Esquerda desunida e vaidosa, que não tem força para desbancar um idiota miliciano. Sinceramente, estou enojado com tanta estupidez e burrice. E isso, claro, se reflete também aqui, no Toque Musical. Sei que há muitos ‘bolsominions’ orbitando por aqui. Gente que até pouco tempo se dizia amigo culto. Gente que fazia parte desse nosso metiê. Por certo, eu não dou corda pra esse povo (a não ser que seja para eles se enforcarem), mas sei que estão por aqui e isso me incomoda, pois não penso mais em dividir com eles o que compartilho aqui. O Toque Musical é para pessoas com sensibilidade, pessoas que prezam e respeitam a cultura e arte, a música e sua história. Tenho tentado me livrar dessa gente, assim como faço nas redes sociais. Mas isso é uma praga, toda hora aparece. Daí, vem o desânimo… ficar aqui dando de bandeja esse toque musical pra gente ruim? Eu não! Por essas e outras é que o TM perdeu o encanto, o tesão diário. Porém, ainda assim, a gente continua, pois também sei que metade da maçã ainda está boa e é por essa que eu inspiro. O Toque Musical continua até não poder mais. E mais uma vez eu desejo, a este lado bom, um feliz Natal com muito amor, paz e consciência de classe! Classe musical, social e política. Somente a Educação é capaz de salvar o Brasil!
Dito isso, segue aqui o meu presente de Natal para vocês. É claro que não é uma grande surpresa, mas é sem dúvida um grande disco, talvez o melhor de uma das nossas maiores cantoras, a excepcional Leny Andrade, que aqui dispensa maiores apresentações, pois há tempos já faz parte do nosso ‘cast’ de artistas. “Estamos aí” é uma obra fina, cujo o repertório nos apresenta um valioso leque da atmosfera do samba bossanovista, sendo também responsável por essa pérola Eumir Deodato quem cuidou dos arranjos. Não deixem de conferir no GTM.

estamos aí
a resposta
deixa o morro cantar
o morro não tem vez
opinião
enquanto a tristeza não vem
reza
clichê
olhando o mar
banzo
samba de rei
tema feliz
razão de viver
esqueça não
samba em paris
coisa nuvem



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Márcia (1973)

Bom dia, prezados amigos cultos e ocultos! Devido a algumas atualizações feitas nas plataformas dos nossos blogs (WordPress e Blogspot), acabei também mudando o layout das edições, coisa simples, mas que alguns poderão notar. Temos que nos adaptar as mudanças. Além do mais, estamos sempre sendo invadido por idiotas que pensam em surfar em nossa onda, mas aqui o mar é bravo!
Muito bem, temos para hoje a cantora Márcia, uma das nossas grandes intérpretes, figura já apresentada aqui em outros discos, mas que merece sempre estar em nossas fileiras pela qualidade, talento e repertório. Este lp é na verdade o álbum “Rimas”, de 1973. Curiosamente lançado no mesmo ano pela Série Coronado, mas também trazendo no selo o ano 1972, isso por conta da faixas “Última forma”, “Pra não ser mais tristeza” e “Rimas”, que foram editas um ano antes, talvez em algum compacto, mas esse eu nunca vi. O certo é que se trata do mesmo disco, um excelente disco, diga-se de passagem, como se pode ver pela seleção musical. Não deixem de conferir no GTM.

última forma
e mais um samba
caminhos
pra não ser mais tristeza
minhas mãos
chorar chorei
rimas
só pode ser você
fez bobagem
tema da cidade longe
lua aberta
 
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Gao, Seu Piano e Orquestra (1964)

Olá amiguinhos cultos e ocultos! Hoje nós vamos com um disco do renomado pianista Gaó, Odmar Amaral Gurgel. Músico paulista, foi maestro, arranjador, compositor e instrumentista. Gaó foi inspirado em suas iniciais ao contrário. Foi diretor artístico da gravadora Columbia e da famosa Orquestra Colbaz, a qual gravou pela primeira vez a música “Tico-tico no fubá”, de Zequinha de Abreu. Não bastasse, ele foi muito além seguindo uma carreira internacional. Gaó teve um currículo extenso que merece um aprofundamento, mas por hoje ficaremos apenas nessa breve apresentação. O disco que hora apresentamos é uma seleção musical com temas nacionais e internacionais. Um disco gravado por ele, segundo consta no texto de contracapa em um momento de sua passagem pelo Brasil, quando na época morava nos Estados Unidos. Confiram aí mais esse resgatado no GTM.

diamante azul
in other words
mimoso
my beloved
roberta
minha garota sincopada
odeon
au revoir
anema e cuore
história de um amor
samba em prelúdio
greensleeves

 

George Kenny – Uma Noite No Beguin (1956)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Aqui, mais um náufrago resgatado, outro disco que merece o nosso toque musical. Hoje vamos com o organista argentino George Kenny, que segundo a contracapa nos informa ser este, na época, um dos grandes mestres dos teclados. Veio ao Brasil para se apresentar na lendária boate Beguin, do também lendário Hotel Glória, no Rio de Janeiro. Embora tenha todo esse mérito no texto de contracapa, George Kenny é hoje um ilustre desconhecido, pois nem mesmo fazendo uma busca no Google conseguimos encontrar mais informações sobre esse artista. Fica então mais essa chance, imortalizado no TM enquanto existir. Confiram no GTM!

holiday for strings
guacyra
laura
apanhei-te cavaquinho
andalucia
chuá chuá
all the things you are
liza

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Sergio Ricardo – Depois Do Amor (1961)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Hoje estou trazendo para vocês um disco que há muito eu queria ter postado aqui, mas como vocês sabem, eu gosto de um serviço completo, ou melhor dizendo, gosto de apresentar arquivos completos. Tenho preguiça até de ouvir quando o arquivo não traz capa, contracapa, selo e encartes. Por essa razão o “Depois do Amor”, de Sérgio Ricardo ficou na gaveta, esperando por uma capa, contracapa e selo. Mas, finalmente apareceu, o meu amigo Fares me presenteou com essa pérola e agora então posso compartilhar a alegria com vocês.
Temos aqui um Sergio Ricardo intérprete, bem ao estilo do artista que se apresentava na noite com seu piano. “Depois do Amor” é um disco onde ele seleciona 12 canções de outros autores, algumas, ou quase todas, verdadeiros clássicos da nossa canção popular. Sem dúvida, um disco bem bacana, hoje também um clássico, indispensável em qualquer discoteca de Bossa Nova. E aqui também 😉

depois do amor
errinho atoa
maria dos olhos grandes
foi a noite
serenata branca
duas contas
poema dos olhos da amada
passarinho
dorme dorme menininha
eu sonhei que tu estavas tão linda
ilusão atoa
quem quiser encontrar o amor

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Eduardo Marques (1973)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje eu trago um disco, que por certo, nunca vi postado em outros blogs (no tempo em que haviam blogs). Aliás, nunca vi este disco além da capa, conhecia talvez uma ou outra música. Certamente, ao pesquisarmos no Google as informações aparecem, mas posso dizer, sem dúvidas que este disco passou batido pela mídia recente. Permaneceu no obscurantismo dos nossos holofotes, esquecido entre outras pérolas da música popular brasileira. Observo que este lp, lançado pela Odeon, no ano de 73 segue um padrão de capa ao estilo de outros discos lançados pela gravadora naquela época, como os de Edu Lobo e do Francis Hime. São capas criadas pelo fotógrafo Cafi e pelo compositor Ronaldo Bastos, que naqueles tempos cuidavam das criações visuais da Odeon.
Não fosse a colaboração do meu amigo Fáres, este disco hoje não estaria aqui e talvez continuasse na penumbra, no esquecimento musical. Confesso que me apaixonei de cara logo na primeira faixa e a coisa seguiu de cabo a rabo. Onde eu estava que até então desconhecia essa preciosidade? Tardou, mas não faltou.
Mas afinal, quem é Eduardo Marques? Compositor, instrumentista e cantor carioca. Nasceu em Vila Isabel, zona norte do Rio, no berço do samba, vindo de uma família também musical. Seu avô foi violonista e seu pai cantor, chegando inclusive a gravar um disco com Jacob do Bandolim. Dentro desse ambiente, Eduardo Marques desde a adolescência já frequentava as rodas de samba e no início dos anos 70 começou uma parceria com Hermínio Bello de Carvalho. Suas composições começaram a ser gravadas por gente de peso como Elza Soares, Roberto Ribeiro, Clementina de Jesus, Simone e muitos outros. Apadrinhado por Cartola, Clementina, Carlos Cachaça e outros bambas, gravou este que foi o seu primeiro disco. Na verdade, antes, no mesmo ano de 73, saiu um compacto promocional com duas músicas, “Não esquente a cabeça” e “Jerusalém”.
Vou deixar aqui o relato do próprio artista sobre o lançamento deste belíssimo lp que encontrei em seu blog pessoal. Vale a pena a leitura:
Era o Tempo do “milagre brasileiro”, ano de 1973, na cidade do Rio de Janeiro. Eu mal completara vinte e um anos de idade. O local era o estúdio da gravadora Odeon, que ficava na sobreloja daquela galeria, ali próximo à Praça Paris, no finalzinho da Avenida Rio Branco, no Centro. Então, acontecia a gravação de…meu primeiro disco, um long-play, vulgo “bolachão”, de composições e interpretações minhas, produzido por meu parceiro Hermínio Bello de Carvalho, com arranjos musicais do Maestro Nelsinho do Trombone, e uma única faixa, dentre as doze, intitulada “Casa de Ferreiro”, arranjada por Luizinho Eça, do “Tamba Trio”. Essa faixa já estava gravada, quando recebemos a notícia de que fora vetada, com mais algumas outras, pelo serviço de censura vigente. Por orientação de Hermínio modifiquei letras e rimas, para que não se perdesse de todo o material de base já gravado, e até adotamos recursos, como simplesmente substituir um título original de uma determinada composição, por um outro bem babaca, que não tivesse qualquer sentido. Foi assim que um samba meu e de João de Aquino, originalmente intitulado “30 Moedas”, foi renomeado para “Fica, Amor” , gravado pelo João de Aquino e por Jorginho do Império. Então assim era feito e funcionava. Submetidas novamente à censura, as mesmas letras com títulos alterados eram, por fim, liberadas. As imagens de capa e contracapa do long-play foram das lentes precisas de Cafi e do compositor Ronaldo Bastos, além do traço delicado do pintor Luiz Canabrava, em uma imagem minha para o encarte do disco. O Hermínio preparara um esquemão para a divulgação do disco. Ele convidou para serem meus padrinhos artísticos: Cartola, Paulinho da Viola, Carlos Cachaça, Clementina de Jesus, e o General da Banda de Ipanema Albino Pinheiro. Houve a distribuição de convites, feita também com discos promocionais em formato de compacto simples, também de vinil, com duas músicas em parceria com Hermínio, extraídas do long-play, “Não Esquente A Cabeça” e “Jerusalém”, sendo uma em cada lado da “bolachinha”. A capa do compacto simples era de caricaturas impressas e assinadas pelo cartunista Lan, comigo ao colo de minha madrinha Clementina de Jesus, com meus outros padrinhos, como em um “batizado”, e na contracapa um texto de Hermínio. Os compactos foram endereçados à imprensa, à artistas, críticos, empresários, enfim. Os técnicos de gravação eram Toninho e Nivaldo, com a direção geral do Maestro Gaya. Uma produção vultosa, que me apavorou de tal forma, a ponto de eu me ausentar do “meio artístico”, em longa reclusão, tal me parecia a responsabilidade. O timaço de Músicos participantes nas gravações foi de primeiríssima grandeza: Regional do Canhoto, Maestro Orlando Silveira do acordeão, Chiquito Braga na guitarra elétrica, Hugo Belardi nos teclados, Dino 7 Cordas, Damázio no violão de 6, Luizão Maia no contrabaixo de pau, Luna na bateria, Pedro Sorongo nos efeitos, Erastro, irmão do percussionista Nana Vasconcellos, de berimbau e tambores, Luizinho Eça de piano, e nos vocais o Coral do Joab e d’As Gatas.

eu não digo nada
acostumado
não esquente a cabeça
meu chorinho
roseira
o que eu chorei de amor
toc toc
o solitário
deixa comigo
cumplicidade
casa de ferreiro
jerusalém



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Carolina Cardoso De Menezes – Tapete Mágico (1960)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Temos hoje e mais uma vez abrilhantando nossas páginas a genial pianista Carolina Cardoso de Menezes. Neste lp lançado pela Odeon ela nos apresenta uma absurda lista de 60 músicas de sucesso, nacionais e internacionais. Na base do ‘pot pourri’ nossa artista toca sem pausas, direto e reto numa performance incansável que merece toda a nossa atenção. Este disco já foi postado em outros blog, mas nenhum deles resistiu. Cabe agora então ao TM eternizá-lo enquanto eterno for esse blog. 🙂

just one of those things
dancing in the dark
honeysuckle rose
oh lady be good
louise
broadway melody
you were meant for me
you do somenthing to me
mister sandman
three little words
dream
embraceable you
manhattan
i’m confessing that i love you
smoke gets in your eyes
once in a while
tea for two
because of you
sweet georgia brown
i’ll see you in my dreams
on the sunny side of the street
blue skies
poor buterfly
my melancholy baby
some of these days
margie
you are my lucky star
my blue heaven
liza
i can’t give you anything but love baby
mamãe eu quero
na baixa do sapateiro
delicado
baião
tico tico no fubá
não tenho lágrimas
cai cai
aurora
aquarela do brasil
maracangalha
vereda tropical
quizas, quizas, quizas
oh sole mio
nosotros tres palabras
solamente una vez
jalouise
amapola
anema e cuire
 olhos negros
la cucaracha
begin the beguine
frenesi
aquellos ojos verdes
la ultima noche
carioca
negra consentida
para vigo me vou
bim bam bum
el manisero

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Lyrio Panicalli – E O Sucesso (1969)

Maestro, arranjador e pianista, além de compositor, LyrioPanicalli volta a bater ponto hoje aqui no TM. Ele veio ao mundo na cidade de Queluz, interior de São Paulo, em 26 de junho de 1906. Filho de imigrantes italianos, aos 12 anos transferiu-se para São Paulo, ingressando no Liceu Coração de Jesus e depois no Conservatório Dramático e Musical da cidade. Em 1922, já no Rio de Janeiro, estudou no Instituto Nacional de Música, e foi maestro e pianista da Companhia Negra de Revista. É quando conhece Lamartine Babo, e compõe com ele o fox “Saias curtas”. Por razões familiares, teve de voltar à Queluz natal, onde desenvolveu intensa atividade musical, organizando bandas e coros. Regressando à capital paulista, começou a trabalhar na Rádio São Paulo, desta passando, em 1938, para a lendária Nacional do Rio de Janeiro, onde participou do programa “Canção antiga”, de Almirante. Nesse ano, organizou uma orquestra melódica com seu nome, e desde então escreveu temas para diversas novelas da PRE-8, como as valsas “Encantamento”, “Magia” e “Ternura”. Em 1939, faz seu primeiro trabalho para o cinema: a trilha sonora do filme “Aves sem ninhos”, de Raul Roulien. Depois, faz o roteiro musical de inúmeros outros filmes, tais como “Moleque Tião” (1943), “A dupla do barulho” (1953) e “Nem Sansão, nem Dalila” (1954), os três da lendária Atlântida. Panicalli também foi um dos fundadores, em 1950, da gravadora Sinter (hoje Universal Music), onde foi diretor artístico e gravou seu primeiro LP, “Orquestra Melódica de LyrioPanicalli”. Idealizou com Paulo Roberto, na Rádio Nacional, o famoso programa “Lyra de Xopotó”, sobre bandas do interior do Brasil, de que resultou uma série de LPs com o mesmo título, alguns deles já postados aqui no TM. Foi ainda maestro contratado da Rádio MEC, também do Rio, e enriqueceu, com seus arranjos e regências, as gravações de vários cantores brasileiros, tais como Francisco Alves, Dalva de Oliveira, Sílvio Caldas, Orlando Silva, Cauby Peixoto, Tito Madi e Sérgio Murilo, às vezes usando o pseudônimo de Bob Rose. Com a popularização das telenovelas, nos anos 1960, escreveu trilhas sonoras para várias delas, trabalho esse resumido, em 1972, no disco “Panicalli e as novelas”. Faleceu em 29 de novembro de 1984, em Niterói, litoral fluminense, aos 78 anos de idade. Além dos discos da Lyra de Xopotó, o TM já postou outros trabalhos que tiveram o dedo do mestre LyrioPanicalli: “Cantigas de roda”, “Nova dimensão”, “Boleros” (regendo a Orquestra Violinos de Ouro) e “Panicalli italiano”. Agora trazemos, para desfrute de nossos amigos cultos e ocultos, um álbum que a Odeon, gravadora à qual o maestro esteve vinculado durante bastante tempo, lançou em 1969. Trata-se de “LyrioPanicalli e o sucesso”, gravado sob a direção de produção de Mílton Miranda. Aqui, ele investe na linha dançante, apresentando com sua orquestra doze sucessos nacionais e internacionais daquele ano, destacando-se “Eu disse adeus” (do repertório de Roberto Carlos), “Sugar sugar” (de um conjunto americano do “faz de conta”, The Archies), “F… commefemme’ (de Salvatore Adamo, tema da novela “Beto Rockfeller”, da extinta Tupi),  “I started a joke’ (dos Bee Gees, tema da mesma novela), “Cantiga por Luciana” (vencedora do FIC de 69, na voz de Evinha), “Aquarius” (da peça “Hair”), “Love isall” (também do FIC de 69, sucesso do britânico Malcolm Roberts) e “Evie” (que, na voz de Johnny Mathis, seria mais tarde prefixo do jornal “Hoje”, da Globo). Enfim, mais um álbum do mestre LyrioPanicalli que o TM oferece, verdadeiro e irresistível convite à dança. Que comece a festa…

i started  a joke
evie
stormy
cantiga para luciana
aquarius
daydream
eu disse
love is all
será será..
f… comme femme
goodbye
sugar sugar

*Texto de Samuel Machado Filho

Tania Maria – Olha Quem Chega (1971)

Cantora, compositora e pianista de jazz brasileira mundialmente consagrada, Tânia Maria volta a bater ponto aqui no TM. Desta vez oferecemos a nossos amigos cultos e ocultos “Olha quem chega”, álbum lançado pela Odeon em 1971, segundo trabalho-solo de Tânia e o último feito por ela antes de fixar residência no exterior. Neste disco, que conta com arranjos do violonista Geraldo Vespar  (uma ótima credencial, convenhamos), Tânia Maria oferece, como sempre, um repertório irrepreensível e de qualidade, assinado por compositores de quilate: Ivan Lins (“Madalena”, “Hey você”), a dupla Eduardo Gudin-Paulo César Pinheiro (a faixa-título), Toquinho (“Bobeou, não vai entender”, parceria com Gianfrancesco Guarnieri, e “Mais um adeus”, com o Poetinha Vinícius), Johnny Alf (“Garota da minha cidade”), Chico Feitosa (“Vireivolta”), Abílio Manoel (“Ruas do Rio”), Anselmo Mazzoni (“De frente”) e ainda dois clássicos inesquecíveis de nosso cancioneiro: “Carinhoso” (Pixinguinha e João “Braguinha” de Barro) e “Ai, que saudades da Amélia (Ataulfo Alves e Mário Lago). Tudo com a versatilidade, a competência e  o talento incontestáveis da grande Tânia Maria, aliado ao que de melhor a Odeon tinha em aparato técnico de gravação, fazendo deste “Olha quem chega” um dos melhores trabalhos já realizados pela cantora-compositora-pianista. Simplesmente de arrepiar!

bobeou, não vai entender
madalena
olha quem chega
mais um adeus
ai que saudades da amélia
garota da minha cidade
ruas do rio
hey você
carinhoso
de frente
vireivolta

*Texto de Samuel Machado Filho

Los Cubanacans – Noches del Caribe (1964)

Ritmos de procedência afro-americana, como rumba, conga, guaracha, chá-chá-chá e bolero sempre foram muito bem recebidos pelo público brasileiro e, por extensão,latino-americano. Ainda no final da década de 1990, inclusive, fez sucesso de bilheteria o documentário “Buena Vista Social Club”, que mostrava artistas de vanguarda da música cubana reunidos pelo produtor musical Ry Cooder para a gravação de um disco, tais como Ibrahim Ferrer, Compay Segundo e OmaraPortuondo. O documentário relatava as histórias de vida desses músicos, e como o êxito do álbum de mesmo nomegravado por eles, que ganhou até mesmo um prêmio Grammy, transformou suas vidas.  O Toque Musical oferece hoje, a seus amigos cultos e ocultos, um álbum reunindo algumas das mais famosas páginas da música afro-americana, lançado pela Odeon em 1964. É “Noches del Caribe”, gravado pelo grupo Los Cubanacans. Não há nenhuma informação sobre os músicos que participaram deste disco, e nem mesmo a respeito do regente da orquestra (tudo indica que sejam brasileiros, mesmo). Entretanto, são doze músicas bem conhecidas, assinadas por compositores do porte de Ernesto Lecuona (“Para vigo me voy”, “Siboney””Canto karabali”), Gabriel Ruiz (“Mar”), Armando Orefiche (“Rumba azul”), Rafael Hernandez (Lamento borincano”), Moisés Simon (“Cubanacan”, “El manisero”), Nilo Menendez (“Aquellosojos verdes”), Luiz Alcaraz (“Prisionerodel mar”), Joaquin Pardavé (“Negra consentida”), com direito até ao tema folclórico mexicano “La cucaracha” e até músicas de procedência norte-americana (“South Americatake it away”, “The carioca”, “Indianlovecall”). Tudo em orquestrações de primeira, na medida certa para ouvir e dançar. Enfim, um disco de produção caprichada, que irá proporcionar momentos de pura diversão a todas as idades. Que comece la fiesta!

mar
para vigo me voy – lamento borincano
indian love call – aquellos ojos verdes
prisioneiro del mar
south america take it away
rumba azul
negra consentida
cubanacan
el manisero
la cucaracha
the carioca
canto karabali

*Texto de Samuel Machado Filho

Adriana (1970)

Cantora e compositora, ela é considerada uma das mais belas vozes femininas  do Brasil. Trata-se de Adriana Rosa dos Santos, ou simplesmente Adriana, que o TM põe em foco em sua postagem de hoje. Foi no dia 3 de fevereiro de 1953, no Rio de Janeiro, que nossa Adriana veio ao mundo, filha de Maria Helena, uma vedete do teatro de revista que atuou na companhia de Carlos Machado, então “o rei da noite”. Mesmo contra a vontade da mãe, que desaprovava sua intenção de seguir carreira artística, Adrianazinha começou na plenitude de seus 12/13 anos de idade, cantando em apresentações de matinês. Inscreveu-se ainda em programas de calouros, e, devidamente aprovada, tornou-se cantora de rádio. O sucesso que ela conseguiu apresentando-se nesses eventos, chamou a atenção de produtores musicais, e nossa Adriana passou a ser chamada para cantar em programas de TV. Extremamente tímida, ela pensou em obedecer a mãe e desistir de cantar, porém, convencida pelos produtores  a não desperdiçar sua potência vocal, decidiu seguir em frente na carreira. Em 1967, com a Jovem Guarda ainda no auge, Adriana grava seu primeiro disco, um compacto simples, no selo Equipe, e consegue, por tabela, seu primeiro grande sucesso, com “Anjo azul”, feita especialmente para ela por Nonato Buzar, que ficaria mais conhecida como “Vesti azul” (“Minha sorte então mudou”…), título com o qual seria regravada, com êxito redobrado, pelo então “rei da pilantragem”, Wilson Simonal. Gravou ainda mais dois compactos simples na Equipe, e as seis músicas de seus singles nessa marca foramreunidas num LP que compartilhou com Luiz Keller. Como era ainda adolescente, só podia se apresentar à tarde nos programas de auditório da época, como os de Chacrinha e Flávio Cavalcanti. O carisma de Adriana com o público lhe garantiu a alcunha de “rainha hippie”. Com a carreira consolidada, foi capa da revista “O Cruzeiro”, em 1973, e, cinco anos mais tarde (1978), venceu o festival de música de Mar del Plata, na Argentina, com a música “O cara”, dela mesma em parceria com Gibran. Outros hits de Adriana foram: “Lá lálá”, “Viu?”, “O que me importa?” (depois regravada por Tim Maia e Marisa Monte), “O problema é seu”, “Deixe estar como está”, “Mamãe, cê viu?”, “Quando você partir”, “Pra sempre vou te amar”, “Joguei tudo com você”, “Combinado assim” e, por certo o maior de todos, “I loveyou, baby”, de Gilson e Joran, lançado em 1986 e mais conhecido pela frase final da letra, “Te amar é tão bom, tão bom, tão bom”.  Até hoje, Adriana admite ser muito tímida, tem vergonha de dar entrevistas e aparecer na TV, e que sempre fica nervosa ao pisar em um palco. Sua discografia abrange cerca de 30 títulos, entre LPs e compactos, sem contar as coletâneas e participações em álbuns mistos. Ainda participou de filmes, novelas de TV e fotonovelas (daquelas que saíam antigamente nas revistas femininas). Casada há mais de vinte anos com o músico e biólogo marinho Márcio Monteiro, que conheceu nos palcos, Adriana tem duas filhas gêmeas, Natanna e Tuanny, que, ainda crianças, integraram a segunda formação da Turma do Balão Mágico e depois formaram-se em Direito, hoje fazendo coro para a mãezona em seus shows. Seu mais recente trabalho é o CD “Eu mereço”, com quatro músicas, lançado em 2016. Hoje, o TM oferece a seus amigos ocultos e ocultos este que foi o primeiro LP-solo de Adriana, lançado em maio de 1970 pela Odeon, gravadorapara a qual foi contratada por influência justamente de Wilson Simonal, um de seus maiores incentivadores, ao lado do “velho guerreiro”, Chacrinha. Sob a batuta de Mílton Miranda e com direção musical de Lírio Panicalli, Adriana dá um show de interpretação, e a primeira faixa, o samba-rock “Justo nesta noite”, de Luiz Wagner e Tom Gomes (também presentes aqui com “Agora que estou sozinha” e “Não digo nada”)foi apenas um dos êxitos desse disco. Temos ainda uma regravação do clássico “Hoje”, de Taiguara, uma composição de Hyldon, “Com muita saudade”, bem antes de ele estourar com “Na rua, na chuva, na fazenda”, e trabalhos de dois integrantes dos Golden Boys, os irmãos Ronaldo (“Não vou chorar nunca mais”) e Renato Corrêa (“Só se for nós dois”, parceria com Edinho). Carlos Imperial e Hélio Matheus aqui comparecem com “O que é que eu faço desta saudade?”.  São doze faixas no total, mostrando todo o talento e carisma de Adriana, sem dúvida uma excelente cantora, e ainda hoje em franca atividade, realizando shows por todo o país e recebendo os merecidos aplausos do público.

justo nesta noite
anjo
agora que eu estou sozinha
não diga nada
só se for nós dois
com muita saudade
aquele encantamento
hoje
o que que eu faço dessa saudade
descalça no parque
não vou chorar nunca mais
não vai mais acontecer

*Texto de Samuel Machado Filho

Carlos Gonzaga – Adão E Eva (Compacto) (1960)

E prossegue o festival de compactos raros do TM. Hoje apresentamos, para deleite de nossos amigos cultos e ocultos, um compacto duplo de 45 rpm (a mesma rotação dos que então saíam nos EUA e em outros países), lançado em 1960 pela RCA Victor, com um dos pioneiros do rock em terras brasileiras: José Gonzaga Ferreira, aliás Carlos Gonzaga. Foi na cidade mineira de Paraisópolis que Carlos Gonzaga veio ao mundo, no dia 10 de fevereiro de 1924. Iniciou sua carreira em meados dos anos 1940, demonstrando, desde então, extrema versatilidade, na interpretação dos mais variados gêneros musicais, como samba, guarânia, bolero, samba-canção, fox, tango e, evidentemente, o rock, no qual se consagrou interpretando versões de hits internacionais do gênero. Seu primeiro disco foi lançado pela RCA Victor em setembro de 1955, um 78 rpm apresentando a guarânia paraguaia “Anahi”, em versão de José Fortuna, e o tango “Perdão de Nossa Senhora”, de Palmeira e Teddy Vieira. Talvez os maiores êxitos de Carlos Gonzaga tenham sido as versões de “Diana”, de Paul Anka, assinada por Fred Jorge (“Não te esqueças, meu amor/ que quem mais te amou fui eu”…), e “BatMasterson”, de Bart Corwin e HavensWray, assinada por Édison Borges (“No velho Oeste ele nasceu”…), esta última o tema principal de um seriado de TV norte-americano do gênero western, no qual o personagem-título, interpretado pelo ator Gene Barry, portava uma perigosa bengala-espingarda, e que alcançou enorme sucesso no início dos anos 1960, inclusive no Brasil. Outros êxitos de Carlos Gonzaga foram: “Rapaz solitário (Lonely boy)”, “Você é meu destino (You are mydestiny)”, “Diabinho (Heylittledevil)”, “Oh! Carol”, “O diário (The diary)”, “Twist outra vez (Let’s twist again)”, “Regresso” (samba-canção de Adelino Moreira), “Ponderosa” (feito para aproveitar o sucesso de outro seriado de TV do gênero western, “Bonanza”), “Juramento de playboy” e outros mais. Fez shows por todo o Brasil e também nos principais países da América Latina, obtendo reconhecimento internacional. Desde 1986, reside na cidade de Santo André, no ABC paulista, e inclusive recebeu, em 2006, o título de Cidadão Andreense. “Adão e Eva” é o nome do compacto duplo de Carlos Gonzaga que o TM nos oferece hoje. A faixa-título e de abertura, claro, é versão de um sucesso de Paul Anka (“Adam andEve”), assinada por Fred Jorge, igualmente lançada em 78 rpm e no LP “És tudo para mim”, do qual também foram pinçadas as duas faixas seguintes do disquinho, “A vida, só com amor”, da misteriosa Marilena, e “Foi o luar (Far, faraway)”, outra versão de Fred Jorge, esta para um hit do cantor-compositor country Don Gibson. Já a faixa de encerramento, “Calipso de amor”, foi lançada originalmente no LP “The bestseller”, e é de autoria do compositor e radialista Serafim Costa Almeida. Enfim, mais uma raridade que o TM entrega a vocês, deste autêntico pioneiro do rock brazuca que é Carlos Gonzaga!

adão e eva
a vida só com amor
foi o luar
calypso do amor

*Texto de Samuel Machado Filho

Clara Nunes – Compacto (1968)

Nascida em 12 de agosto de 1942, em Cedro, distrito de Paraopeba (hoje Caetanópolis), na região central do estado de Minas Gerais, Clara Francisca Gonçalves, aliás Clara Nunes, prestou notável contribuição para nossa música popular, e é considerada, com justiça, uma das maiores e melhores intérpretes do Brasil. Era filha de um violeiro, Mané Serrador, que exercia importante papel em sua comunidade, sobretudo na Folia de Reis. Talento precoce, a futura Guerreira, aos 10 anos de idade, venceu seu primeiro concurso de canto, em sua cidade natal, e aos 14, começou a trabalhar como tecelã, ofício que continuou a exercer ao mudar-se para Belo Horizonte, em 1958. Cantando nas quermesses do bairro Renascença, onde morava, Clara chamou a atenção do violonista Jadir Ambrósio, que lhe abriu espaços principalmente em programas de rádio. Em 1960, venceu a fase mineira do concurso A Voz de Ouro ABC, e obteve o terceiro lugar na versão nacional. Mais tarde, é contratada pela Rádio Inconfidência e, em 1961, recebe o Troféu Ary Barroso de melhor cantora do rádio mineiro. Atuou também em clubes e boates da capital mineira, chegando a trabalhar junto com nada mais nada menos que Mílton Nascimento, então contrabaixista. Nessa época, fez sua primeira apresentação na televisão, em um programa que a lendária Hebe Camargo apresentava em BH. E, em 1963, ganhou programa exclusivo, “Clara Nunes apresenta”, na extinta TV Itacolomi, onde se apresentavam “medalhões” da MPB de então, como Altemar Dutra e Ângela Maria. Em 1965, muda-se para o Rio de Janeiro, logo atuando no rádio na televisão, casas noturnas e escolas de samba. Nesse ano, é contratada pela Odeon, sua única gravadora em toda a carreira, e, umano depois, lança o primeiro LP, “A voz adorável de Clara Nunes”, com repertório essencialmente romântico (boleros e sambas-canções), mas sem repercussão. Seu primeiro sucesso comercial viria em 1968, com “Você passa, eu acho graça”, de Ataulfo Alves e Carlos Imperial. A partir daí, aderiu de vez ao samba (interpretando também MPB e forró), sendo inclusive uma das cantoras que mais gravou músicas de compositores da Portela, sua escola de coração. Foi também a primeira cantora brasileira a vender mais de cem mil cópias, quebrando o tabu de que vozes femininas não vendiam discos. Conhecedora das músicas, danças e tradições afro-brasileiras, converteu-se à umbanda e levou a cultura africana para suas canções e vestimentas. Seu currículo também inclui apresentações no exterior, onde representou dignamente a cultura do Brasil, ela que também foi pesquisadora de nosso folclore e nossos ritmos. Em 1973, participou do show “Poeta, moça e violão”, junto com a dupla Toquinho e Vinícius de Moraes, então em evidência, no Teatro Castro Alves de Salvador, Bahia . Também fez, ao lado do ator Paulo Gracindo, em 1974, no extinto Canecão do Rio, o show “Brasileiro, profissão:  esperança”, no qual cantava músicas de Dolores Duran, entremeadas por crônicas de Antônio Maria, interpretadas por Gracindo, e que gerou um álbum de mesmo nome. Entre seus maiores sucessos, destacam-se: “Ê baiana”, “Conto de areia”, “Tristeza pé no chão”, “Menino Deus”, “O mar serenou”, “Deusa dos orixás”, “Banho de manjericão”, “Meu sapato já furou”, “Morena de Angola”, “Peixe com coco”, “Basta um dia”, “Na linha do mar”, “Portela na avenida”, “Nação”, “Tributo aos orixás”, “Guerreira”, “Feira de mangaio”, “As forças da natureza”, “Coração leviano” e “Ijexá”.  Uma gloriosa carreira que se encerrou prematuramente no dia 2 de abril de 1983, quando Clara Nunes faleceu, aos 40 anos, na Clínica São Vicente do Rio de Janeiro. Ela havia se submetido a uma cirurgia de varizes, aparentemente simples, mas acabou tendo uma reação alérgica a um componente do anestésico (o chamado “choque anafilático”), e sofreu uma parada cardíaca, permanecendo 28 dias em coma. Em sua homenagem, a Rua Arruda Câmara, onde fica a quadra da Portela, passou a chamar-se Rua Clara Nunes. A discografia da eterna Guerreira, que vendeu, em toda a sua trajetória artística, pelo menos4,4 milhões de cópias, segundo dados disponíveis, engloba 16 álbuns de estúdio e mais de 90 compactos, sem contar as coletâneas, tudo isso pela Odeon (depois EMI, hoje Universal Music). Dela, o TM foi buscar, para deleite de seus amigos cultos e ocultos, este raríssimo compacto duplo de 1968. Nele, vamos encontrar uma Clara Nunes ainda em início de carreira, interpretando versões de hits internacionais da época, todas assinadas por Geraldo Figueiredo. Destaque para “O amor é azul (L’amour est bleu)”, originalmente sucesso da cantora grega VickyLeandros, e merecedora até mesmo de uma famosa versão orquestrada do maestro francês Paul Mauriat, lembrada até hoje. Completam este precioso disquinho, “Mamãe (Mama)”, “Sozinha” (adaptada da “Suíte número 3”, de Johann Sebastian Bach) e “Adeus à noite (Adieu a lanuit)”. Nenhuma dessas faixas apareceu nos LPs da inesquecível Clara Nunes, o que redobra o valor histórico desta postagem do TM, precioso documento do início de carreira de uma das mais expressivas cantoras que o Brasil já teve. É só conferir.

mamãe
sozinha
o amor é azul
adeus a noite

*Texto de Samuel Machado Filho

Carlos Hamilton – Canta Para Os Namorados (196?)

Bom dia, caríssimos amigos cultos e ocultos! Mais uma vez, fazendo jus a nossa tradição, temos aqui uma raridade de alto nível, coisa que vocês só encontram em primeira mão no Toque Musical. Trago hoje para vocês esse raríssimo compacto, produção independente, talvez uma das primeiras lançadas por aqui. Aliás, este disquinho, é pioneiro não apenas como produção independente. É também uma das primeiras manifestações isoladas da Bossa Nova, o primeiro compacto triplo (com três faixas em cada lado) e o primeiro compacto de rotação 33.
Temos aqui o primeiro registro da ‘Turma da Savassi’, a turma dos compositores mineiros Pacífico Mascarenhas e Roberto Guimarães, nomes dos mais importantes da música mineira e porque não dizer, da Bossa mineira. Olhando assim, pela capa, para muitos esse disquinho pode ter passado batido, até porque quem se destaca é o intérprete, o cantor da turma, Carlos Hamilton. Quem vê o disquinho sem lhe dar muita atenção há de entender este, apenas como mais um velho compacto independente (e que ninguém conhece e se interessa). Mas, nesse sentido, o valor está na obra, nas composições, em especial de Pacífico Mascarenhas, onde temos uma autêntica bossa nova, a faixa de abertura, “Pouca duração”. Acredito que poucos conhecem bem essa música, a qual também aparece em outros discos do compositor. Este samba, que é pura bossa surgi neste compacto, que foi lançado no início dos anos 60. Infelizmente, eu não consegui localizar a data, a qual seria muito importante para termos uma dimensão da coisa. Ao que contam, Pacífico conseguiu convencer o produtor fonográfico Harry Zuckerman a transformar o compacto de 45 rpm em 33. Assim a Companhia Industrial de Discos (CID) criou o primeiro compacto, uma produção independente para este 7 polegadas e dava-se aí início aos disquinhos, agora rodando em 33 rpm. Não deixem de conferir essa raridade. Logo mais alguém coloca no Youtube (e eu aqui nem sou lembrado).

pouca duração
quantos anos
olhos feiticeiros
blusa vermelha
para haver amor
sem dizer mais nada
.

Conjunto Bossa Nova – Bossa É Bossa (1959)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Muitos são os discos que ainda queremos postar aqui no Toque Musical e hoje temos aqui um desses, um compactozinho que é pura raridade, cobiçado por muitos colecionadores, em especial aos amantes da Bossa Nova. Acredito eu que este seja o primeiro compacto de Bossa Nova lançado no mundo. Temos assim, o Conjunto Bossa Nova, num compacto duplo, com quatro músicas. Por certo, trata-se de um disquinho já bem manjado por todos os seguidores de blog. A primeira vez que apareceu foi no saudoso Loronix e aqui agora completo, com capa, contracapa e selos, para a turma mais exigente 🙂
O Conjunto Bossa Nova era formado por Roberto Menescal, Bill Horn, Luiz Carlos Vinhas. Bebeto Castilho, Helcio Milito e Luiz Paulo Nogueira. Lançado em 1959 pelo selo Odeon, este compacto traz um registro ao vivo do grupo, onde foram selecionadas quatro composições:

meditação
não faz assim
minha saudade
céu e mar

.

Guttemberg Guarabyra – So Tem Amor… (1973)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Vejo que por conta das nossas postagens espaçadas, muitos acham que o barco aqui está a deriva. Me refiro especialmente ao nosso grupo, o GTM, onde por lá todos os inscritos podem usufruir dos links de postagens. Percebi que alguns do grupo andaram mudando a configuração para o recebimento automático dos links. Como é sabido e avisado, a participação neste grupo é de forma passiva, ou seja, ninguém pode postar nada, apenas ter acesso aos links de forma segura. Mas, infelizmente alguns não se dão por satisfeitos e acabam invadindo a área do administrador, alterando assim as configurações de participação. Eu já avisei aqui e volto a repetir, qualquer alteração nas configurações do grupo a pessoa pode ser banida e isso é feito automaticamente e sem o meu controle. Neste caso, para que a pessoa volte a fazer parte do grupo vai precisar de um novo e-mail, pois o que foi banido não volta mais. Peço que fiquem atentos e evitem essas alterações para que assim possamos manter o blog sempre funcionando direitinho, ok?
Hoje eu estou trazendo para vocês um compacto, um disquinho o qual já foi postado aqui anteriormente, mas sem a sua capa original. Agora, recentemente, consegui um exemplar completo e assim, volto novamente a postagem como manda o nosso figurino. Temos aqui o compacto promocional da Pepsi Cola cujo o jingle faz sucesso até hoje. Quem não se lembra dessa música? Ficou tão conhecida que acabou merecendo um disquinho, um compacto que tem também uma primeira versão para a música ‘Pássaro’. Embora o disquinho seja do Guttemberg Guarabyra, as duas faixas são da dupla Sá & Guarabyra. Disquinho raro e muito bom, vamos conferir?

só tem amor quem tem amor pra dar
pássaro

.

O Grupo (1968)

Olá, amigos cultos e ocultos! O TM apresenta a vocês hoje o LP de um conjunto vocal-instrumental que infelizmente durou pouco tempo, aliás foi  o único álbum que registraram. O nome é o mais sintético possível: O Grupo. Formado por quatro rapazes pra lá de talentosos, Roberval, Raimundo, Jaime e Maurício, O Grupo ficou conhecido do público ao acompanhar Roberto Carlos no samba “Maria, carnaval e cinzas”, de Luiz Carlos Paraná, no Festival de MPB da TV Record, em 1967. Esta música, inclusive, foi o lado A do compacto simples de estreia do Grupo, lançado ainda em 67 pela Odeon, tendo no verso “Canto de perdão”, de Roberval, um dos integrantes, em parceria com Hedys Barroso Neto. “Maria, carnaval e cinzas” também está neste único LP do Grupo, como faixa de encerramento. E é um trabalho de primeira, concebido sob a batuta de Mílton Miranda, com direção musical de outro “cobra”, Lírio Panicalli, e assistência de produção de Orlando Silva (que, certamente, não era o “cantor das multidões”). Os competentísssimosrapazes do Grupo, literalmente, “botam pra quebrar” em um repertório basicamente composto de sucessos nacionais da ocasião. Nas orquestrações e regências, além do próprio Lírio Panicalli em “Passa por mim” e “Morrer de amor”, temos ainda Antônio Adolfo em “Sá Marina” (por sinal um de seus maiores hits autorais), “Januária”, “Eu e a brisa” (eterno clássico de Johnny Alf) e “Diane”, Carlos Monteiro de Souza no clássico “Travessia”, inesquecível obra-prima de Mílton Nascimento, Ugo Marotta em “O bonde”, e Nelsinho em “Maria, carnaval e cinzas”.  Tudo isso com a irrepreensível qualidade técnica então característica das produções da Odeon, e recomendado por um entusiasmado Paulo Sérgio Valle no texto de contracapa. Um resultado de fato magnífico, que merece mais esta postagem do TM e irá agradar muito. Após esse disco, eles ainda gravariam algumas faixas esparsas em álbuns mistos e desapareceriam de cena. De qualquer forma, este LP do Grupo vale como um documento musical precioso daquele que é conhecido como “o ano que não terminou”, 1968, para desfrute de todos aqueles que apreciam nossa música popular no que ela tem de melhor e mais expressivo. Aproveitem…

alegria de carnaval
januária
passa por mim
pelas ruas do recife
rosa branca
o bonde
sá marina
eu e a brisa
morrer de amor
travessia
diane
maria carnaval e cinzas

*Texto de Samuel Machado Filho

Som Três – 3 (1971)

Os amigos cultos, ocultos e associados do TM já foram brindados com o primeiro álbum do grupo Som Três, formado por César Camargo Mariano (piano), Sabá (contrabaixo) e Toninho Pinheiro (bateria), lançado em 1966 pela Som Maior. Pois hoje estamos trazendo de volta o Som Três, e desta vez apresentando uma coletânea que a Odeon lançou em 1971, reunindo doze faixas extraídas dos quatro LPs que o conjunto gravou na “marca do templo”. Se não, vejamos: do primeiro LP do grupo para a “marca do templo” (e segundo de carreira), “Som Três show”, lançado em 1968, entrou apenas uma faixa, “Watch what happens”. Do álbum de 1969, sem título, foram pinçadas as faixas “For once in my life”, “Que pena (Ela já não gosta mais de mim)”,sucesso de Jorge (então) Ben, “Blood mary” (esta, do próprio tecladista, César Camargo Mariano) e “California soul”. No mesmo ano, o grupo lançou “Um é pouco, dois é bom, este Som Três é demais”, do qual foram escaladas as faixas “Spooky”, “Tanga”, “Não identificado”, “Take it easy my brother Charles” (outro hit de Jorge da Capadócia)e “Teletema” (da novela “Véu de noiva”, da TV Globo). Por fim, do quinto e último LP do grupo, “Tobogã”, de  1970, entraram “Irmãos Coragem” (da novela global de mesmo nome, arrebentando em audiência na época) e “O telefone tocou novamente”, outro grande sucesso de Jorge Ben, depois Ben Jor. Tudo dentro do impecável padrão técnico de gravação que a Odeon possuía na época, e com execuções de primeira, sob medida para ouvir e dançar. Portanto, uma coletânea imperdível que o TM oferece, reunindo alguns dos melhores momentos do Som Três na “marca do templo”, em mais uma significativa amostra do que há de mais expressivo na música instrumental  brazuca. Agora é correr pro GTM e conferir…

for once in my life
o telefone tocou novamente
spooky
tanga
não identificado
take it easy my brother charles
watch what happens
que pena
blood-mary
teletema
irmãos coragem
california soul

*Texto de Samuel Machado Filho

Atahualpa Yupanqui – Tierra Querida (1968)

Conforme o prometido, o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum do cantor-compositor Atahualpa Yupanqui (1908-1992), considerado  um dos mais importantes divulgadores de música folclórica de nossa vizinha Argentina, dando prosseguimento ao nosso ciclo temático dedicado aos latino-americanos. Desta vez, apresentamos “Tierra querida”, lançado pela Odeon portenha em 1968 (e presumidamente jamais editado por aqui), com 14 faixas e a indicação na contracapa: “reconstrucción técnica”. Certamente é uma coletânea de antigas gravações de Yupanqui para a Odeon, onde iniciou sua carreira fonográfica em 1936, ao tempo das 78 rotações por minuto (ele também gravou na RCA Victor, BAM,  Chant du Monde e  Antar-Telefunken). Das 14 faixas que compõem este disco, dez são cantadas e as demais em solo de guitarra (isto é, violão).  A canción, a zamba, a chacarera, a milonga pampeana, enfim, os mais variados gêneros da música regional argentina batem ponto em mais este trabalho do grande Ataualpa Yupanqui, compilação expressiva e mais uma joia rara que o TM oferece com a satisfação e o orgulho de sempre. Aproveitem..

tierra querida
huella triste
ampo abierto
el vendedor de yoyos
zambita de los pobres
cancion del carretero
las cruces
la añera
ahi andamos senior
el rescoldeao
hui jo jo jo
leña verde
viene clareando
chacarera de las piedras

*Texto de Samuel Machado Filho

Marcos Valle (1970) REPOST

Um dos cobras da MPB, Marcos Valle já teve inúmeros álbuns postados aqui no TM, inclusive este, que agora volta como ‘repost, o quinto por ele gravado no Brasil, e lançado pela Odeon’, em 1970. Marcos Kostenbader Valle, seu nome na pia batismal, veio ao mundo em 14 de setembro de 1943, na cidade do Rio de Janeiro. Iniciou seus estudos de piano clássico aos seis anos de idade e formou-se em piano e teoria musical em 1956. Considerado um dos integrantes da segunda fase da bossa nova, Marcos iniciou sua carreira artística em 1961, participando de um trio do qual também faziam parte Edu Lobo e Dori Caymmi.  É quando também começa a compor, formando parceria com o irmão, Paulo Sérgio Valle. A primeira composição da dupla, “Sonho de Maria”, chegou ao público em 1963, interpretada pelo Tamba Trio. Um ano mais tarde, Marcos Valle grava seu primeiro LP-solo, “Samba demais”, alternando composições próprias com trabalhos de outros autores.  Entre os muitos sucessos compostos pelos irmãos Valle, destacamos: “Samba de verão”, “Preciso aprender a ser só”, “Terra de ninguém” (que Marcos apresentou com Elis Regina no show “Bossa no Paramount”, em 1965), “Viola enluarada”, “Black is beautiful”, “Com mais de trinta”, “Mustang cor de sangue”, “Um novo tempo” (aquela que todo fim-de-ano toca na programação da TV Globo, “Hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou”…), “Pelas ruas do Recife”, “Remédio pro coração”, etc. Seu respeitável currículo também inclui jingles publicitários, temas para novelas globais como “Pigmalião 70”, “Assim na terra como no céu”, “Carinhoso” e “Os ossos do barão”, e a trilha sonora do infantil “Vila Sésamo”, também da Globo, que tantas saudades deixou em quem foi criança nos anos 70. Compôs ainda a trilha completa do documentário “O fabuloso Fittipaldi” (1973), sobre a trajetória do célebre piloto de Fórmula-1 Emerson Fittipaldi. No setor publicitário, foi sócio da Aquarius Produções Artísticas, junto com o irmão Paulo Sérgio e o jornalista Nélson Motta. Em 1965, Marcos Valle esteve pela primeira vez nos EUA, onde atuou por sete meses no conjunto Brasil 65, de Sérgio Mendes. Retornou algumas vezes a esse país, e, farto da censura do regime militar, e enfrentando problemas psicológicos que afetavam sua voz, ali residiu entre 1975 e 1980, trabalhando com gente do porte de Andy Williams, Sarah Vaughan, Airto Moreira e o grupo de pop-rock Chicago. Fortemente influenciado pela “disco music”, então na moda, Marcos foi se aproximando  de músicos negros e do universo do rhythm and blues e do boogie-funk. Por volta de 1978, iniciou parceria com Leon Ware, colaborador frequente de Marvin Gaye. E, em 1980, Marcos volta definitivamente ao Brasil, já então em época de abertura política. Surgem, então, novos sucessos, como  “Bicho no cio”, “Velhos surfistas querendo voar”, “A Paraíba não é Chicago”, “Estrelar” e “Bicicleta”. Enfim, uma longa e vitoriosa trajetória com mais de 25 álbuns gravados, tanto no Brasil quanto nos EUA, além do DVD “Bossa entre amigos”, junto com Wanda Sá e Roberto Menescal, lançado em 2011. O álbum de Marcos Valle que o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados, de 1970, é um de seus melhores trabalhos. Curiosamente, na capa do disco, ele aparece deitado em uma cama, com o quarto arrumado, e, na contracapa, o mesmo quarto (na verdade o da irmã, Ângela Valle, na casa de seus pais) está vazio e desarrumado, com roupas femininas espalhadas pelo chão.  O álbum tem as credenciais de Mílton Miranda na direção de produção, com assistência de Mariozinho Rocha, direção musical do maestro Lírio Panicalli e arranjos e regências a cargo de dois outros “cobras”, Leonardo Bruno e Orlando Silveira. Evidentemente, é um trabalho autoral, com todas as faixas compostas pelo próprio Marcos Valle, sozinho ou com parceiros como Novelli e o irmão Paulo Sérgio. Destaque para dois temas que compôs para novelas da Globo, “Quarentão simpático” (de “Assim na terra como no céu”) e “Pigmalião 70” (do folhetim de mesmo nome) e para as faixas “Dez leis (Is that law)”, “Esperando o Messias”, esta com a participação dos sempre afinadíssimos Golden Boys, e a provocadora “Ele e ela”, na qual Marcos e a irmã Ângela insinuam uma relação sexual! “Os grilos” aparece duas vezes, na versão que foi gravada para este álbum, e na original, editada em compacto simples em 1967, como faixa-bônus. É mais um trabalho de Marcos Valle que o TM tem muito orgulho em oferecer a vocês que tanto apreciam nossa música popular, no que ela tem de melhor!
quarentão simpático
ele e ela
dez leis
pigmaleão
que eu canse e descanse
esperando o messias
freio aerodinâmico
os grilos
suite imaginária
os grilos (versão single 67)

*Texto de Samuel Machado Filho

Bossa 3 – Os Reis Do Ritmo (1966)

O TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum de música instrumental brasileira da melhor qualidade, com o conjunto Bossa 3, que os estudiosos consideram o primeiro grupo instrumental da bossa nova. O Bossa 3 foi criado no início dos anos 1960 pelo pianista e compositor Luiz Carlos Vinhas (Rio de Janeiro, 19/5/1940-idem, 22/8/2001), e, em sua primeira formação, estavam ainda o contrabaixista Tião Neto e o baterista Edison Machado. As primeiras apresentações do trio aconteceram nas boates do Beco das Garrafas, em Copacabana, acompanhando os bailarinos Lennie Dale, Joe Benett e Martha Botelho. Com eles, viajaram aos EUA para se apresentar no “Ed Sullivan Show”, então um dos programas de maior audiência da televisão norte-americana. Após gravarem três álbuns e realizarem uma série de apresentações em clubes de jazz novaiorquinos, Luiz Carlos Vinhas foi o único que resolveu  voltar para o Brasil. Aqui chegando, reorganizou o Bossa 3, agora com Octávio Bailly Júnior no contrabaixo e Ronie Mesquita na bateria. A nova formação gravou mais cinco álbuns, sendo um deles com Pery Ribeiro e outros dois com o mesmo intérprete, mais Leny Andrade, sob o nome de Gemini V. Após realizar uma turnê no México, da qual resultou um LP ao vivo, o Bossa 3 se dissolveu, e só voltaria à cena em 2000, para tocar com a cantora Wanda Sá, e desta vez com o baterista João Cortez e o contrabaixista Tião Neto. Foi a última formação do grupo, desfeito definitivamente com a morte de Luiz Carlos Vinhas, em 2001, aos 61 anos, de parada cárdio-respiratória. “Os reis do ritmo”, que o TM nos oferece hoje,  foi lançado pela Odeon em 1966, com o Bossa 3 já reformulado, isto é, com o baterista Ronnie Mesquita e o contrabaixista Octávio Bailly Júnior, acompanhando Luiz Carlos Vinhas, pianista e fundador do grupo. Sob a batuta de Mílton Miranda na direção de produção, e do maestro Lírio Panicalli na direção musical, e com excelentes arranjos do próprio Vinhas, o Bossa 3 está em plena forma, num repertório que mistura sambas clássicos (“Não me diga adeus”,  “Exaltação à Mangueira”), standards da bossa nova (“Onde anda o meu amor?”, “Até o sol raiar”, “Coisa mais linda”,  “Samba de verão”, “Balanço Zona Sul”, “Silk stop”) e trabalhos autorais do próprio Vinhas (“É”, “Le Bateau”, “Recado ao pé do berço”), que na última faixa, “Cartaz”, da parceria Roberto Menescal-Ronaldo Bôscoli (este também escreveu o texto de contracapa do disco) chega até mesmo a cantar! Tudo isso em um trabalho primoroso, com o invejável padrão técnico que a Odeon então imprimia às suas produções discográficas. É só ouvir e confirmar!  E mais:brevemente estaremos apresentando mais um álbum de Luiz Carlos Vinhas. Aguardem…

onde anda o meu amor
até o sol raiar
não me diga adeus
coisa mais linda
e
samba de verão
le bateau
silk stop
exaltação a magueira
balanço zona sul
recado ao pé do berço
cartaz

*Texto de Samuel Machado Filho