Som Três – 3 (1971)

Os amigos cultos, ocultos e associados do TM já foram brindados com o primeiro álbum do grupo Som Três, formado por César Camargo Mariano (piano), Sabá (contrabaixo) e Toninho Pinheiro (bateria), lançado em 1966 pela Som Maior. Pois hoje estamos trazendo de volta o Som Três, e desta vez apresentando uma coletânea que a Odeon lançou em 1971, reunindo doze faixas extraídas dos quatro LPs que o conjunto gravou na “marca do templo”. Se não, vejamos: do primeiro LP do grupo para a “marca do templo” (e segundo de carreira), “Som Três show”, lançado em 1968, entrou apenas uma faixa, “Watch what happens”. Do álbum de 1969, sem título, foram pinçadas as faixas “For once in my life”, “Que pena (Ela já não gosta mais de mim)”,sucesso de Jorge (então) Ben, “Blood mary” (esta, do próprio tecladista, César Camargo Mariano) e “California soul”. No mesmo ano, o grupo lançou “Um é pouco, dois é bom, este Som Três é demais”, do qual foram escaladas as faixas “Spooky”, “Tanga”, “Não identificado”, “Take it easy my brother Charles” (outro hit de Jorge da Capadócia)e “Teletema” (da novela “Véu de noiva”, da TV Globo). Por fim, do quinto e último LP do grupo, “Tobogã”, de  1970, entraram “Irmãos Coragem” (da novela global de mesmo nome, arrebentando em audiência na época) e “O telefone tocou novamente”, outro grande sucesso de Jorge Ben, depois Ben Jor. Tudo dentro do impecável padrão técnico de gravação que a Odeon possuía na época, e com execuções de primeira, sob medida para ouvir e dançar. Portanto, uma coletânea imperdível que o TM oferece, reunindo alguns dos melhores momentos do Som Três na “marca do templo”, em mais uma significativa amostra do que há de mais expressivo na música instrumental  brazuca. Agora é correr pro GTM e conferir…

for once in my life
o telefone tocou novamente
spooky
tanga
não identificado
take it easy my brother charles
watch what happens
que pena
blood-mary
teletema
irmãos coragem
california soul

*Texto de Samuel Machado Filho

Atahualpa Yupanqui – Tierra Querida (1968)

Conforme o prometido, o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum do cantor-compositor Atahualpa Yupanqui (1908-1992), considerado  um dos mais importantes divulgadores de música folclórica de nossa vizinha Argentina, dando prosseguimento ao nosso ciclo temático dedicado aos latino-americanos. Desta vez, apresentamos “Tierra querida”, lançado pela Odeon portenha em 1968 (e presumidamente jamais editado por aqui), com 14 faixas e a indicação na contracapa: “reconstrucción técnica”. Certamente é uma coletânea de antigas gravações de Yupanqui para a Odeon, onde iniciou sua carreira fonográfica em 1936, ao tempo das 78 rotações por minuto (ele também gravou na RCA Victor, BAM,  Chant du Monde e  Antar-Telefunken). Das 14 faixas que compõem este disco, dez são cantadas e as demais em solo de guitarra (isto é, violão).  A canción, a zamba, a chacarera, a milonga pampeana, enfim, os mais variados gêneros da música regional argentina batem ponto em mais este trabalho do grande Ataualpa Yupanqui, compilação expressiva e mais uma joia rara que o TM oferece com a satisfação e o orgulho de sempre. Aproveitem..

tierra querida
huella triste
ampo abierto
el vendedor de yoyos
zambita de los pobres
cancion del carretero
las cruces
la añera
ahi andamos senior
el rescoldeao
hui jo jo jo
leña verde
viene clareando
chacarera de las piedras

*Texto de Samuel Machado Filho

Marcos Valle (1970) REPOST

Um dos cobras da MPB, Marcos Valle já teve inúmeros álbuns postados aqui no TM, inclusive este, que agora volta como ‘repost, o quinto por ele gravado no Brasil, e lançado pela Odeon’, em 1970. Marcos Kostenbader Valle, seu nome na pia batismal, veio ao mundo em 14 de setembro de 1943, na cidade do Rio de Janeiro. Iniciou seus estudos de piano clássico aos seis anos de idade e formou-se em piano e teoria musical em 1956. Considerado um dos integrantes da segunda fase da bossa nova, Marcos iniciou sua carreira artística em 1961, participando de um trio do qual também faziam parte Edu Lobo e Dori Caymmi.  É quando também começa a compor, formando parceria com o irmão, Paulo Sérgio Valle. A primeira composição da dupla, “Sonho de Maria”, chegou ao público em 1963, interpretada pelo Tamba Trio. Um ano mais tarde, Marcos Valle grava seu primeiro LP-solo, “Samba demais”, alternando composições próprias com trabalhos de outros autores.  Entre os muitos sucessos compostos pelos irmãos Valle, destacamos: “Samba de verão”, “Preciso aprender a ser só”, “Terra de ninguém” (que Marcos apresentou com Elis Regina no show “Bossa no Paramount”, em 1965), “Viola enluarada”, “Black is beautiful”, “Com mais de trinta”, “Mustang cor de sangue”, “Um novo tempo” (aquela que todo fim-de-ano toca na programação da TV Globo, “Hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou”…), “Pelas ruas do Recife”, “Remédio pro coração”, etc. Seu respeitável currículo também inclui jingles publicitários, temas para novelas globais como “Pigmalião 70”, “Assim na terra como no céu”, “Carinhoso” e “Os ossos do barão”, e a trilha sonora do infantil “Vila Sésamo”, também da Globo, que tantas saudades deixou em quem foi criança nos anos 70. Compôs ainda a trilha completa do documentário “O fabuloso Fittipaldi” (1973), sobre a trajetória do célebre piloto de Fórmula-1 Emerson Fittipaldi. No setor publicitário, foi sócio da Aquarius Produções Artísticas, junto com o irmão Paulo Sérgio e o jornalista Nélson Motta. Em 1965, Marcos Valle esteve pela primeira vez nos EUA, onde atuou por sete meses no conjunto Brasil 65, de Sérgio Mendes. Retornou algumas vezes a esse país, e, farto da censura do regime militar, e enfrentando problemas psicológicos que afetavam sua voz, ali residiu entre 1975 e 1980, trabalhando com gente do porte de Andy Williams, Sarah Vaughan, Airto Moreira e o grupo de pop-rock Chicago. Fortemente influenciado pela “disco music”, então na moda, Marcos foi se aproximando  de músicos negros e do universo do rhythm and blues e do boogie-funk. Por volta de 1978, iniciou parceria com Leon Ware, colaborador frequente de Marvin Gaye. E, em 1980, Marcos volta definitivamente ao Brasil, já então em época de abertura política. Surgem, então, novos sucessos, como  “Bicho no cio”, “Velhos surfistas querendo voar”, “A Paraíba não é Chicago”, “Estrelar” e “Bicicleta”. Enfim, uma longa e vitoriosa trajetória com mais de 25 álbuns gravados, tanto no Brasil quanto nos EUA, além do DVD “Bossa entre amigos”, junto com Wanda Sá e Roberto Menescal, lançado em 2011. O álbum de Marcos Valle que o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados, de 1970, é um de seus melhores trabalhos. Curiosamente, na capa do disco, ele aparece deitado em uma cama, com o quarto arrumado, e, na contracapa, o mesmo quarto (na verdade o da irmã, Ângela Valle, na casa de seus pais) está vazio e desarrumado, com roupas femininas espalhadas pelo chão.  O álbum tem as credenciais de Mílton Miranda na direção de produção, com assistência de Mariozinho Rocha, direção musical do maestro Lírio Panicalli e arranjos e regências a cargo de dois outros “cobras”, Leonardo Bruno e Orlando Silveira. Evidentemente, é um trabalho autoral, com todas as faixas compostas pelo próprio Marcos Valle, sozinho ou com parceiros como Novelli e o irmão Paulo Sérgio. Destaque para dois temas que compôs para novelas da Globo, “Quarentão simpático” (de “Assim na terra como no céu”) e “Pigmalião 70” (do folhetim de mesmo nome) e para as faixas “Dez leis (Is that law)”, “Esperando o Messias”, esta com a participação dos sempre afinadíssimos Golden Boys, e a provocadora “Ele e ela”, na qual Marcos e a irmã Ângela insinuam uma relação sexual! “Os grilos” aparece duas vezes, na versão que foi gravada para este álbum, e na original, editada em compacto simples em 1967, como faixa-bônus. É mais um trabalho de Marcos Valle que o TM tem muito orgulho em oferecer a vocês que tanto apreciam nossa música popular, no que ela tem de melhor!
quarentão simpático
ele e ela
dez leis
pigmaleão
que eu canse e descanse
esperando o messias
freio aerodinâmico
os grilos
suite imaginária
os grilos (versão single 67)

*Texto de Samuel Machado Filho

Bossa 3 – Os Reis Do Ritmo (1966)

O TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum de música instrumental brasileira da melhor qualidade, com o conjunto Bossa 3, que os estudiosos consideram o primeiro grupo instrumental da bossa nova. O Bossa 3 foi criado no início dos anos 1960 pelo pianista e compositor Luiz Carlos Vinhas (Rio de Janeiro, 19/5/1940-idem, 22/8/2001), e, em sua primeira formação, estavam ainda o contrabaixista Tião Neto e o baterista Edison Machado. As primeiras apresentações do trio aconteceram nas boates do Beco das Garrafas, em Copacabana, acompanhando os bailarinos Lennie Dale, Joe Benett e Martha Botelho. Com eles, viajaram aos EUA para se apresentar no “Ed Sullivan Show”, então um dos programas de maior audiência da televisão norte-americana. Após gravarem três álbuns e realizarem uma série de apresentações em clubes de jazz novaiorquinos, Luiz Carlos Vinhas foi o único que resolveu  voltar para o Brasil. Aqui chegando, reorganizou o Bossa 3, agora com Octávio Bailly Júnior no contrabaixo e Ronie Mesquita na bateria. A nova formação gravou mais cinco álbuns, sendo um deles com Pery Ribeiro e outros dois com o mesmo intérprete, mais Leny Andrade, sob o nome de Gemini V. Após realizar uma turnê no México, da qual resultou um LP ao vivo, o Bossa 3 se dissolveu, e só voltaria à cena em 2000, para tocar com a cantora Wanda Sá, e desta vez com o baterista João Cortez e o contrabaixista Tião Neto. Foi a última formação do grupo, desfeito definitivamente com a morte de Luiz Carlos Vinhas, em 2001, aos 61 anos, de parada cárdio-respiratória. “Os reis do ritmo”, que o TM nos oferece hoje,  foi lançado pela Odeon em 1966, com o Bossa 3 já reformulado, isto é, com o baterista Ronnie Mesquita e o contrabaixista Octávio Bailly Júnior, acompanhando Luiz Carlos Vinhas, pianista e fundador do grupo. Sob a batuta de Mílton Miranda na direção de produção, e do maestro Lírio Panicalli na direção musical, e com excelentes arranjos do próprio Vinhas, o Bossa 3 está em plena forma, num repertório que mistura sambas clássicos (“Não me diga adeus”,  “Exaltação à Mangueira”), standards da bossa nova (“Onde anda o meu amor?”, “Até o sol raiar”, “Coisa mais linda”,  “Samba de verão”, “Balanço Zona Sul”, “Silk stop”) e trabalhos autorais do próprio Vinhas (“É”, “Le Bateau”, “Recado ao pé do berço”), que na última faixa, “Cartaz”, da parceria Roberto Menescal-Ronaldo Bôscoli (este também escreveu o texto de contracapa do disco) chega até mesmo a cantar! Tudo isso em um trabalho primoroso, com o invejável padrão técnico que a Odeon então imprimia às suas produções discográficas. É só ouvir e confirmar!  E mais:brevemente estaremos apresentando mais um álbum de Luiz Carlos Vinhas. Aguardem…

onde anda o meu amor
até o sol raiar
não me diga adeus
coisa mais linda
e
samba de verão
le bateau
silk stop
exaltação a magueira
balanço zona sul
recado ao pé do berço
cartaz

*Texto de Samuel Machado Filho

Lô Borges (1972)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Após mais de mil publicações a gente começa a esquecer o que já, ou não, foi postado por aqui. Para a minha surpresa, verifico que este segundo e emblemático disco do Lô Borges ainda não havia passado por aqui. E olha que não foi por falta de oportunidade. Mas, por alguma razão, acabou passando batido. Hoje, meio que na base dos discos ‘de gaveta’, enquanto espero as resenhas do Samuca, vou tomando a frente e finalmente postando o ‘álbum do tênis’. Este lp, originalmente foi lançado em capa sanduíche e trazia esta contracapa com a foto do adolescente Lô Borges sentado num caixote lendo jornal. Depois, na segunda edição, em capa comum, tiraram o cara do caixote e o colocaram numa cadeira, em foto preto e branco e dessa vez trazendo também as letras. 1972 foi para o artista um ano prolixo, que estreava naquele ano com dois discos, este do tênis e o Clube da Esquina, ao lado de Milton Nascimento. Dois álbuns básicos, clássicos da música popular brasileira. Para não dizer que não falei de flores… segue aqui e no GTM, finalmente 😉

você fica melhor assim
canção postal
o caçador
homem da rua
não foi nada
pensa você
fio da navalha
prá onde vai você
calibre
faça seu jogo
não se apague esta noite
aos barões
como o machado
eu estou com você
toda essa água
.

João Nogueira (1972)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Para começarmos bem o ano, escolhi um disco que também representa um começo. O começo da carreira do grande compositor e sambista João Nogueira. Este foi o seu primeiro lp, lançado pela Odeon, em 1972. A capa do disco é originalíssima, replicando a manchete do jornal O Globo, onde o escritor e jornalista Carlos Jurandir nos apresenta o artista e seu disco de estréia. Certamente, a manchete saiu antes do lançamento do disco. A capa, por si só, já dá o recado e eu como sou muito preguiçoso, aproveito a onda pra ir de jacarezinho. Ou seja, recomendo, maiores informações, consulte a capa 😉
Sei que há tempos tenho andado um tanto desleixado com minhas postagens, inclusive o trabalho de apresentação. Depois que troquei o computador e perdi meus programas piratas de edição de imagens, nem as capas eu tenho tratado. Mas como um autêntico virginiano, eu odeio essas ‘meia-bocas’, para mim, a coisa tem que estar certinha. Acho que só não tomei providências ainda, porque ninguém tem reclamado. Aliás, quase ninguém mais dá sinal de vida neste blog. Sei que eu sou um chato de dar medo, mas fiquem tranquilos, eu ainda não mordo. (kkk…)

morrendo verso em verso
maria sambamba
beto navalha
mãe solteira
alô madureira
heróis da liberdade
mariana da gente
prum samba
meu caminho
das 200 pra lá
blá blá blá
.

Elza Soares – O Samba É Elza Soares (1961)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Enfim, lá se foi 2016. Pqp, que ano feio! Fomos golpeados de todas as maneiras. Uma sequência de maus momentos que ainda insiste em se manter em 2017. Mas como diria o grande Belchior: ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro! Por aqui, no Toque Musical quem salvou o ano foi o amigo Samuca. Sem ele como colaborador, eu confesso, já teria desanimado. Aproveito para deixar aqui os meus agradecimentos, toda a atenção e empenho dedicado ao blog. Valeu, Samuel Machado Filho! Continuo contando com você em 2017. Por certo, também não posso deixar de agradecer a alguns poucos amigos cultos e ocultos que ainda visitam com frequência o nosso sítio. Obrigado pela colaboração e participação de todos. Desejo a vocês também um ótimo ano e que este seja mais musical e envolvente, pelo menos aqui no TM.
A postagem de hoje, “Elza Soares – O Samba é Elza Soares” já estava agendada desde o inicio do ano, mas por força das circunstâncias acabou ficando para o último dia. Deste álbum e desta cantora eu não preciso dizer muita coisa, todos já os conhecem bem. Temos aqui um clássico lp da Odeon, em capa sanduíche tradicional da gravadora. Elza Soares, sempre no auge do sucesso, nos apresenta uma seleção de ótimos sambas, com arranjos e orquestração do maestro Astor Silva que dá aos metais o nobre destaque. Neste álbum Elza também conta com a participação de, outro grande, o sambista e compositor Monsueto, presente em pelo menos três faixas. Um disco inegavelmente importante, que agora também faz parte de nosso acervo digital. Confiram…

eu e o rio
vedete certinha
teleco teco
bom mesmo é estar bem
fez bobagem
amor de mentira
na base do bilhetinho
cantiga do morro
acho que sim
ziriguidum
vou sonhar pra você ver
reconciliação

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II Festival Universitário da Guanabara (1969)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! Prosseguindo o ciclo dedicado aos festivais, o TM nos oferece hoje um compacto duplo com quatro músicas que concorreram no II Festival Universitário do Rio de Janeiro (então estado da Guanabara), promovido pela TV Tupi em 1969. Ao contrário dos certames similares promovidos pelas TVs Excelsior, Record e Globo, este destinava-se exclusivamente a compositores universitários, e foi realizado pela Tupi no Rio de Janeiro e em São Paulo durante quatro anos, de 1968 e 1972. Curiosamente, não consta deste compacto da Odeon a música vencedora da edição carioca de 1969 (quando o regime militar e, por tabela, a censura,  já estavam bastante endurecidos, com a decretação do draconiano Ato Institucional número 5), “O trem”, de e com Gonzaguinha, então assinando-se Luiz Gonzaga Júnior. Em compensação, vamos encontrar aqui grandes nomes da MPB em princípio de carreira, aos quais coube a apresentação das músicas dos então jovens compositores universitários.  Abrindo o precioso disquinho, temos “Nada sei de eterno” de Sílvio da Silva Jr. e Aldir Blanc, na voz de Taiguara, incluída depois no primeiro LP do cantor-compositor, uruguaio radicado no Brasil. “Dois minutos de um novo dia”, de Ruy Maurity e José Jorge, é interpretada pelo grupo Antônio Adolfo & A Brazuca, então em evidência.  Clara Nunes, acompanhada pelo Quarteto 004, apresenta a quinta colocada, “De esquina em esquina”, de César Costa Filho e Aldir Blanc, incluída depois no terceiro LP de Clara, “A beleza que canta”. Finalizando, os sempre afinadíssimos Golden Boys, interpretando “A menina e a fonte”, de Arthur  Verocai, Paulinho Tapajós e Arnoldo Medeiros.  Enfim, é um pequeno-grande documento sonoro que enriquecerá os acervos de tantos quantos apreciem o que a MPB produziu de melhor e mais expressivo na década de 1960. É só conferir…

nada sei de eterno – taiguara
2 minutos de um novo dia – antonio adolfo & a brazuka
de esquina em esquina – clara nunes
a menina e a fonte – golden boys

*Texto de Samuel Machado Filho

Golden Boys – Alguém na Multidão (1966)

No último sábado, 26 de novembro de 2016, a música popular brasileira sofreu mais uma perda irreparável. Roberto Corrêa, integrante dos Golden Boys, conjunto vocal de grande sucesso na Jovem Guarda, e de longa e vitoriosa trajetória, faleceu aos 76 anos, vítima de um câncer contra o qual lutava há tempos, em seu Rio de Janeiro natal. Formado por três irmãos (Roberto, Ronaldo e Renato Corrêa) e um primo (Waldir da Anunciação, falecido em 2004), o grupo iniciou carreira com seus membros ainda adolescentes (os irmãos mais jovens, Eva, Mário e Regina, formariam depois o Trio Esperança). O primeiro disco dos nossos “garotos de ouro”, em 78 rpm, foi lançado pela Copacabana em setembro de 1958, com as músicas “Wake up, little Susie” (então sucesso da dupla norte-americana Everly Brothers, de autoria do casal Boudleaux e Felice Bryant) e “Meu romance com Laura”, calipso de Jayro Aguiar que logo alcançou sucesso. Apresentaram-se em programas de rádio e televisão sempre com destaque, e gravaram inúmeros discos, entre LPs e compactos. Além disso, no final dos anos 1960 e início dos 70, participaram de vários álbuns de artistas da MPB e do rock brazuca, que futuramente se tornariam cults e objetos de desejo de inúmeros colecionadores, como “Carlos, Erasmo”, de Erasmo Carlos, “A matança do porco”, do Som Imaginário, e também em trabalhos de Marcos Valle. Muitos foram os hits dos Golden Boys, entre eles: “Erva venenosa”,  “Ai de mim”, “Toque balanço, moço”, “Pensando nela”, “Andança” (junto com Beth Carvalho), “História em quadrinhos”, “Agora é tarde”, “Fumacê”, “O cabeção”, “Perambulando”, “Minha empregada”,  “Sou tricampeão”, “Só vou criar galinha”… Além dos presentes no álbum que comentaremos a seguir. Como compositores, Ronaldo, Roberto e Renato fizeram várias músicas de sucesso. Basta citar, por exemplo, “É papo firme”, de Renato Corrêa e Donaldson Gonçalves, êxito em 1966 na voz do “rei” Roberto Carlos. Ou ainda “Foi assim’ (“Eu vi você passar por mim”…), de autoria de Renato e Ronaldo, marcante sucesso de Wanderléa em 1967. Ela também gravou, do agora falecido Roberto, “Eu já nem sei” e “Te amo”, outros de seus hits. Em homenagem póstuma a Roberto Corrêa, o Toque Musical oferece hoje, a seus amigos cultos, ocultos e associados, um dos melhores álbuns dos Golden Boys, e sem dúvida um título essencial quando se fala em Jovem Guarda. É o antológico “Alguém na multidão”, que a Odeon lançou em plena fervura do movimento, em junho de 1966. Devidamente acompanhados pelos Fevers, e com arranjos do maestro Peruzzi, nossos “garotos de ouro” dão verdadeiros shows de interpretação em suas doze faixas. Muitas delas foram sucessos inesquecíveis, a começar pela faixa-título, de autoria de Rossini Pinto, lançada pela primeira vez em compacto simples, em novembro de 1965, e que se tornaria um dos carros-chefes dos Golden Boys para sempre. As versões “Ontem (Yesterday)”, “Michelle” e “Mágoa (Heartaches)”, são outros pontos altos deste disco, todo excelente e para ser ouvido (e até dançado!) de fio a pavio. Oferecendo esta autêntica obra-prima da Jovem Guarda, um clássico em todos os sentidos, o TM homenageia com justiça o agora saudoso Roberto Corrêa e, por tabela, os Golden Boys, reconhecendo a importância que o grupo teve na história de nossa música jovem e, por extensão, da própria MPB.

se eu fosse você
ontem (yesterday)
te adoro (i need you)
tudo eu já fiz
alguém na multidão
o feiticeiro (love potion number nine)
o bobo
michelle
você me pega (woodoo woman)
só nós dois
mágoa (heartaches)
vai procurar alguém

*Texto de Samuel Machado Filho

Som Brasileiro (1975)

É com a satisfação de sempre que o Toque Musical oferece hoje, a seus amigos cultos, ocultos e associados, mais uma coletânea apresentando MPB da melhor qualidade. Trata-se de “Som brasileiro”, editada em 1975 pela Odeon (depois EMI, hoje Universal Music), reunindo alguns dos então contratados da “marca do templo” em dez faixas marcantes e bastante expressivas. Uma seleção de primeira, conforme vocês poderão constatar. O álbum já começa arrebentando, com o grande Mílton Nascimento e seu eterno clássico “Travessia”, que o projetou nacionalmente em 1967 e aqui, em registro feito, ao que parece, especialmente para esta compilação. O grande Bituca ainda comparece com outra de suas inesquecíveis criações, “San Vicente”, lançada em 1972 no histórico álbum duplo “Clube da Esquina”. Outro “cobra” de nossa música, Marcos Valle, aqui nos traz “Remédio pro coração”, de sua longa e profícua parceria com o irmão Paulo Sérgio, extraída de seu álbum de 1974. O clássico “Primavera”, de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes, composto  para a peça “Pobre menina rica”, é aqui oferecido na voz de Alaíde Costa, em gravação que saiu primeiro num compacto duplo também  de 1974 e, no ano seguinte, foi incluída em um dos muitos LPs dessa excelente cantora. João de Aquino vem com “Sapos e grilos”, parceria dele próprio com Paulo Frederico, faixa extraída do álbum “Violão viageiro”. Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro, juntamente com outra notável cantora, Márcia, aqui nos apresentam “Mordaça”, em registro feito ao vivo durante o espetáculo “O importante é que a nossa emoção sobreviva” (título, por sinal, oriundo de um verso desta música), e lançado primeiramente no álbum de mesmo nome. Gonzaguinha, o inesquecível  e eterno aprendiz, então ainda se assinando Luiz Gonzaga Júnior, aqui comparece com “Meu coração é um pandeiro”, faixa de seu segundo álbum-solo, de 1974 (no mesmo ano, a música teve outro registro, feito ao vivo, pela cantora Marlene).  Obra-prima de João Donato, em parceria com Lysias Ênio e Mercedes Chies, “Até quem sabe?” é apresentada neste disco na voz da não menos inesquecível Maysa, em faixa de seu derradeiro álbum de estúdio. Autor de clássicos como “Eu e a bridsa” e “Céu e mar”, Johnny Alf expressa bem sua porção- intérprete com “Um gosto de fim”, de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de  Souza, faixa extraída do álbum “Nós”. Finalizando, temos o grande Egberto Gismonti, músico completo e extremamente versátil, com “Vila Rica 1720”, por ele gravada pela primeira vez em 1972, para o álbum “Água & vinho” e, aqui, em seu segundo registro, extraído de um de seus mais expressivos LPs, ‘Academia de danças”. Repertório primoroso, intérpretes do melhor quilate… Que mais se pode querer?

travessia – milton nascimento
remédio pro coração – marcos valle
primavera – alaide costa
sapos e grilos – joão de auino
mordaça – paulo cesar pinheiro, eduardo gudin & marcia
san vicente – milton nascimento
meu coração é um pandeiro – luiz gonzaga jr
até quem sabe – maysa
um gosto de fim – johnny alf
vila rica 1720 – egberto gismonti

*Texto de Samuel Machado Filho

Moreira Da Silva – Compacto (1964)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Primeiramente, Fora Temer! Essa é uma abertura que eu já devia ter adotado. Desde que o golpista tomou o Poder, eu ainda não havia me pronunciado. Aliás, eu não estava querendo misturar o que nos uni, que é a música, com o que nos separa, que é a política. Infelizmente, neste (es)quisito não se pode esperar bom senso nem do amigo mais culto. A percepção política do brasileiro ainda se baseia na simpatia e na cumplicidade. Melhor deixarmos esse assunto de lado. Voltemos nossa atenção para a música, para os discos e coisas mais agradáveis…
Hoje eu trago, para variar, um disco de 7 polegadas. Temos aqui o grande Moreira da Silva em um disquinho raro, um compacto simples Odeon lançado em 1964, possivelmente para o Carnaval daquele ano. Aqui encontramos duas marchinhas de sua própria autoria, “Adão sem Eva” e “Cassa o mandato dele”, essa última é bem apropriada para os dias de hoje. Coincidentemente, no ano do Golpe Militar (e se caçava com dois S!)

cassa o mandato dele
adão sem eva

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Celly Campello – Brotinho Encantador (1961)

O Toque Musical traz hoje para seus amigos cultos, ocultos e associados um disco da primeira grande estrela feminina do rock brasileiro: Célia Benelli Campello, ou como ficou para a posteridade, Celly Campello (São Paulo, 18/6/1942-Campinas, SP, 4/3/2003). Paulistana criada em Taubaté, cidade da região paulista do Vale do Paraíba, ela fez sua primeira aparição pública aos 5 anos de idade, em um espetáculo mirim de balé, dançando “Tico-tico no fubá”. Aos seis anos, cantou pela primeira vez, ao microfone da Rádio Cacique. Paralelamente, estudava  balé, piano e violão, e tornou-se uma das estrelinhas do “Clube do Guri”, apresentado aos domingos na Rádio Difusora de Taubaté. Aos 12 anos, ganhou seu próprio programa, na Cacique. Aos 16 anos incompletos, em 1958, ela estreou em gravações, na Odeon, interpretando “Handsome boy”, tendo, no outro lado do 78 (também lançado em compacto simples de 45 rpm, aliás o primeiro single brasileiro da gravadora), “Forgive me”, com o irmão, Tony. O estouro definitivo, porém, veio em março de 1959, quando saiu o clássico “Estúpido Cupido (Stupid Cupid)”, versão de Fred Jorge para um hit de Neil Sedaka, que logo tornou-se coqueluche nacional. Daí vieram outros sucessos até hoje lembrados, tais como “Lacinhos cor de rosa”, “Muito jovem”, “Banho de lua”, “Túnel do amor”, “Eu não tenho namorado”, “Frankie”, “Jingle bell rock”, “Trem do amor”, etc. Em 1962, para tristeza de seu público, Celly resolve abandonar precocemente a carreira para se casar, ainda no apogeu e com vinte anos de idade. Ainda gravaria outros discos em ocasiões esporádicas, mas sem repetir o êxito inicial. Só conseguiu voltar à evidência em 1976, quando a novela “Estúpido Cupido”, escrita por Mário Prata para a TV Globo, e ambientada em 1961, reviveu antigos sucessos dela e de outros contemporâneos, como Carlos Gonzaga, Ronnie Cord, Wilson Miranda, Sérgio Murilo, Demétrius e o irmão Tony. A própria Celly declarou à imprensa, certa vez, que chegou a ganhar mais dinheiro nos seis meses de exibição da novela do que no auge da carreira! “Brotinho encantador”, o álbum hoje oferecido a vocês pelo TM, foi o quinto LP-solo de Celly Campello e o último que ela fez antes de abandonar precocemente a carreira para se casar, lançado pela Odeon em outubro de 1961. É um trabalho que segue a linha dos anteriores, recheado de versões de sucessos do rock internacional, com direito até a algumas faixas em inglês (“Runaway”, “Little devil”, “Angel , angel”). A primeira faixa, “Presidente dos brotos”, é uma versão bem humorada do especialista Fred Jorge, curiosamente lançada quando o Brasil vivia em regime parlamentarista de governo, decretado após grave crise política causada pela renúncia do presidente Jânio Quadros,e a tentativa de impedir a posse do vice, João Goulart, que acabou assumindo a chefia da nação com poderes limitados. Fred assina quatro outras versões constantes aqui: “Índio sabido” (que, curiosamente, era bastante apreciada pelo cantor Cyro Monteiro!), “Ordens demais”, “Tchau, baby, tchau” e “O jolly joker”.  A misteriosa Marilena assina a lírica “A lenda da conchinha”. Letras brazucas de Juvenal Fernandes (“Juntinhos/Together”), Romeu Nunes (“Flamengo rock”)  e do misterioso Tassilo Marischka (“Hey, boys, how do you do?”) completam o presente LP, muito bem escorado por arranjos e regências de Waldemiro Lemke e Mário Gennari Filho, e pelo invejável padrão técnico de gravação da Odeon nessa época. “Brotinho encantador”, portanto, traz uma Celly Campello ainda em plena forma, tendo por isso, inestimável valor histórico. É ouvir e recordar…

presidente dos brotinhos

índio sabido

juntinhos

ordens demais

tchau tchau tchau

runaway

flamengo rock

o jolly joker

angel angel

hey boys how do you do

a lenda da conchinha

little devil

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*Texto de Samuel Machado Filho

Dorival Caymmi – Acalanto (1972)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! O TM vem oferecer a vocês hoje um dos melhores trabalhos discográficos deste grande poeta seresteiro da Bahia que foi Dorival Caymmi (Salvador, BA, 30/4/1914-Rio de Janeiro, 16/8/2008). Este foi o sexto LP-solo de Caymmi, originalmente lançado pela Odeon (depois EMI e hoje Universal Music), então com Aloysio de Oliveira, ex-Bando da Lua, em sua direção artística, em 1960, com o título de “Eu não tenho onde morar”, e voltou às lojas em 1972, como “Acalanto – Dorival interpreta Caymmi” (o curioso é que, no selo dessa reedição, o título que aparece é o original), e áudio reprocessado de mono para estéreo. O álbum teve também reedições em CD, uma delas como parte do boxe “Caymmi, amor e mar”. Detalhes à parte, o fato é que o disco apresenta o mestre Caymmi em sua melhor forma, quando já havia sido adotado pela bossa nova, então em plena efervescência, mesmo sem pertencer à sua tribo específica, influenciando autores como Sérgio Ricardo (“Barravento”) e tendo suas composições regravadas por alguns de seus principais intérpretes, inclusive por seu então colega de gravadora (e também conterrâneo), João Gilberto. Muito bem apoiado pelas orquestrações do maestro Lindolfo Gaya, e com o impecável  padrão técnico de gravação da “marca do templo”, Caymmi aqui está, de acordo com o breve texto de contracapa, “mais solto, mais livre e mais espontâneo do que nunca”. Evidentemente, todas as faixas levam a assinatura do mestre soteropolitano, e são verdadeiros clássicos, até hoje presentes na memória e no imaginário popular. A faixa-título, “Eu não tenho onde morar”, e “São Salvador”, para começar, figuraram entre os maiores hits de 1960. Ainda no programa, regravações de músicas lançadas em disco ou pelo próprio Caymmi ou por outros intérpretes, que sempre vale a pena a gente ouvir e reouvir:  “Rosa morena”, “Acontece que eu sou baiano”, “Vestido de bolero”, “O dengo que a nêga tem” (feita para Cármen Miranda apresentar em sua última temporada brasileira, em 1940, no Cassino da Urca), “Dora” (“rainha do frevo  e do maracatu”), “O que é que a baiana tem?”(primeiro hit maiúsculo do mestre baiano, lançado por ele mesmo em dueto com Cármen Miranda, em 1939), “A vizinha do lado”, “Adeus”, “Marina”… E a faixa “Acalanto”, música regravada até mesmo por Roberto Carlos, é revestida de importância por ser a estreia em disco da filha do compositor, Nana Caymmi, na plenitude de seus 19 anos, em comovente dueto com o pai. Tão comovente que, terminada a gravação, pai, filha e a mãe, dona Estela, saíram do estúdio chorando de emoção. Enfim, um trabalho imperdível, para se ouvir do começo ao fim. Confiram!

eu não tenho onde morar
rosa morena
acontece que eu sou baiano
acalanto
vestido de bolero
o dengo que a nega tem
dora
o que que a baiana tem
a vizinha do lado
adeus
são salvador
marina

* Texto de Samuel Machado Filho

Evinha – Cartão Postal (1971)

Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Para alegrar o nosso dia tenho aqui este disco da Evinha, que sempre que ouço, associo a uma bela manhã de domingo. E hoje, por aqui está sendo um domingo ensolarado. Um presente para os namorados, afinal hoje é o dia deles!
Temos aqui a cantora Evinha em seu terceiro lp. Como todos devem saber, Evinha iniciou a carreira ainda criança, cantando ao lado dos irmãos Mário e Regina, com que formava o Trio Esperança. Em 68 ela partiu para uma vitoriosa carreira solo, sempre fazendo muito sucesso. Neste lp “Cartão Postal” temos vários destaques. Músicas como “Que bandeira”, de Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle e Mariozinho Rocha; “Feira Moderna”, de Beto Guedes e Fernando Brant; “Cartão Postal”, de Renato Correia e Guarabyra e vai por aí… Um disquinho realmente bom, para se ouvir hoje ou em qualquer outro dia 😉

que bandeira
feira moderna
cartão postal
olha o futuro
de tanto amor
esperar pra ver
tema de adão
só quero
rico sem dinheiro
encontro
por mera coincidência
onze e quize
.

Demônios Da Garôa – Saudosa Maloca (1957)

Olá, amigos cultos e ocultos! Rapidinho… Hoje eu tenho para vocês os Demônios da Garoa, grupo vocal paulista que, acredito, dispensa maiores apresentações. Temos aqui um lp de 1957. Na verdade o primeiro lp gravado por eles, interpretando, como nenhum outro, a música de Adoniran Barbosa. São oito sambas clássicos e gravações que até já vimos (e ouvimos) por aqui. Mas nada como apresentar o trabalho original, não é mesmo? 😉

saudosa maloca
apaga o fogo mané
iracema
um samba do bixigqa
o samba do arnesto
quem bate sou eu
as mariposas
pogressio (conselho de mulher)
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Orquestra E Coro Odeon – Carnaval Odeon (1955)

Uma autêntica preciosidade! É como se pode definir o álbum carnavalesco que o TM possui a grata satisfação de oferecer hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados. Ele foi lançado pela Odeon, no primitivo formato de dez polegadas,  apresentando músicas para a folia de 1955, na interpretação de seu cast na época. Evidentemente, as músicas também saíram em 78 rpm, uma vez que o LP estava ainda em processo de implantação e poucos tinham o toca-discos adequado para reproduzi-lo. Sempre lembrando que o primeiro LP brasileiro, editado pela Sinter em 1951, era também com músicas de carnaval, para aquele ano, que igualmente saíram em 78 rpm. O diferencial aqui fica por conta da abertura e do encerramento, a cargo da orquestra da “marca do templo”, fazendo o disco ser ouvido como se estivéssemos em um baile de carnaval. Logo no início, ouvimos a introdução do clássico “O teu cabelo não nega”, de Lamartine Babo, mais os irmãos Raul e João Vítor Valença.  Em seguida, desfilam as oito faixas então inéditas para a folia de 55. No lado A, só marchinhas. De cara, temos um grande sucesso: “Ressaca”, feita e interpretada pela “dupla da harmonia”, Zé e Zilda, novamente voltando ao tema da bebida, por eles abordado um ano antes em outro hit, “Sacarrolha”, com direito até a advertência contra o abuso da mesma: “Ela não é amiga, desce pra barriga e depois sobe pra cabeça”. Zé da Zilda, entretanto, não conheceu o sucesso de “Ressaca”, pois faleceria menos de um mês antes da gravação, em 10 de outubro de 1954, vitimado por um AVC. As outras sete faixas também apareceram, ainda que em menor proporção, constituindo-se em verdadeiras relíquias para os colecionadores. Francisco Ferraz Neto, o Risadinha, responsável por inúmeros hits na folia de Momo, brinda-nos com “Zum zum ba ê”,dele próprio em parceria com Sebastião Gomes. Roberto Paiva, outro grande intérprete, apresenta “O casamento da Rosa”, de Oldemar Teixeira Magalhães e Luiz Costa. Alcides Gerardi vem em seguida com “Água não!”, de Erasmo Silva e Américo Seixas, outra música tendo a bebida em foco, no caso o chope, que sempre desfrutou da preferência dos foliões nos bailes carnavalescos, tornando-se neles imprescindível. E bem geladinho, é claro… No lado B, é o samba que pede passagem. A eterna “rainha da voz”, Dalva de Oliveira, nos oferece “Chama do nosso amor”, de Oswaldo Martins e Dias da Cruz. Roberto Luna, então despontando para a fama, interpreta  “Deus me ajude”, assinado por Vicente Longo e Oswaldo Morigge.  A eterna “rainha da televisão brasileira”, Hebe Camargo, brinda-nos com “Madalena”, de Blecaute (intérprete festejado de carnavais, aqui como compositor) e Oswaldo França. João Dias, “o príncipe da voz”, eleito pelo próprio Francisco Alves para sucedê-lo, por ter voz idêntica à dele, vem com “Meu último reinado”, de Herivelto Martins e Raul Sampaio, este último integrante da terceira formação do Trio de Ouro, junto com Herivelto e Lourdinha Bittencourt. E o disco termina com a Orquestra Odeon executando a introdução da clássica marchinha “Cidade maravilhosa”, de André Filho. Enfim, é um álbum que surpreende pelas verdadeiras raridades nele contidas, que se constituem em agradáveis e surpreendentes descobertas para os colecionadores. E enriquece brilhantemente a discoteca da memória músico-carnavalesca do Brasil. Divirtam-se!
o teu cabelo não nega
ressaca
zum zum ba ba e
o casamento da rosa
agua não
chama do nosso amor
deus me ajude
madalena
meu último reinado
cidade maravilhosa

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* Texto de Samuel Machado Filho

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Elza Soares – O Samba É Elza Soares (1961)

Bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Segue aqui um discão da grande Elza Soares. Vinil lançado em 1961. Foi o seu terceiro lp, lançado pela Odeon. Um disco que como o próprio titulo diz é samba e o samba é Elza Soares, interpretando doze pérolas com arranjos e orquestração de Astor Silva e direção musical de Ismael Corrêa. Participam do disco Cyro Monteiro e Monsueto. Confiram e fiquem a vontade para comentar. Tem dia que por aqui é só samba 😉

teleco teco n. 2
contas
sal e pimenta
cartão de visitas
nêgo tu, nêgo nós, nêgo você
não quero mais
se acaso você chegasse
casa de turfista cavalo de pau
mulata assanhada
era bom
samba em copa
dedo duro
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Coro Da Associação De Canto Coral – O Natal Você E Sua Família (1963)

Olá, meus amigos cultos e ocultos! Para que vocês possam ter tempo para baixar e ouvir, estou postando o disco natalino com antecedência. Como disse anteriormente, na postagem de ontem, para este Natal só vão rolar esses dois discos, o compacto de Boas Festas, de ontem e agora este belíssimo lp lançado pela Odeon em 1963, apresentando o côro da Associação de Canto Coral, do Rio de Janeiro. Embora tenhamos aquele sempre mesmo repertório, vale a pena conhecer as diferentes interpretações. Um disco realmente muito bonito, que caí como uma luva durante a ceia de Natal.
Desde de já eu deixo aqui as minhas saudações a todos. Que os amigos cultos e ocultos tenham nessa noite junto aos seus, um encontro de paz, fraternidade e amor.

sino de belém
canta o galo
gloria in excelsis deo
adeste fidelis
cantam anjos lá no céu
meia noite,cristãos
a lapinha
pequena vila de belém
noite feliz
hosana hosana
primeiro natal
noite de natal
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Trio De Ouro – O Famoso Trio De Ouro (1958)

Olá amigos cultos e ocultos! Sei que temos em nosso grupo, o GTM, quase 3 mil associados. Com tudo, menos da metade recorre a ele com frequência. Para quem não sabe, os links das postagens feitas aqui no Toque Musical são compartilhados no GTM. Basta dar uma lida rápida nos textos laterais do blog para entender o processo de filiação. Recordando: os links tem um prazo de validade de aproximadamente 6 meses e depois não há reposição. Eventualmente eu reposto um novo link, mas não é de praxe. Para este fim de ano, considerando que em 2015 não tivemos postagens diárias ou regulares, eu estou repostando no grupo alguns novos links das antigas produções exclusivas do TM, pois essas eu mantenho os arquivos guardados. Este é o meu presente de Natal para vocês,ok?
E dando sequencia as postagens, eu trago hoje este lp do Trio de Ouro, um dos mais importantes trios vocais brasileiros, formado inicialmente por Dalva de Oliveira, Herivelto Martins e Nilo Chagas. trata-se de um lp lançado originalmente pela Odeon, no final dos anos 50. Uma coletânea que abrange um período de dez anos, entre 1937 a 47, a fase mais fértil e de sucessos desse fabuloso trio. Aqui estão algumas das mais importantes gravações feita na Odeon, Este disco viria a ser relançado no final dos anos 60 através do selo Imperial e ao que parece chegou também, mais tarde, a ser lançado em cd. Na internet, em diversos sites e blogs, assim como no You Tube este disco já foi bem divulgado, porém, sempre achei a qualidade dos arquivos meio tosca. Daí uma das muitas razões pela qual estou trazendo ele pra cá. Certamente é um disco que merece ser conhecido, ouvido e compartilhado. Se você ainda não o ouviu, corre lá no GTM e baixe logo. O tempo é limitado!

ave maria do morro
batuque no morro
fala, claudionor
yaya bahianinha
não é horário
a maria me controla
senhor do bonfim
morro
obé
negro artilheiro
festa de preto
mágoa
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Carlos Augusto – Juro (1961)

Nosso álbum de hoje já estava na web (até eu mesmo já baixei, não me lembro bem de que blog).  Ainda assim, o Toque Musical decidiu também oferecê-lo a seus amigos cultos, ocultos e associados, pois se trata de um produto de qualidade, além de ser bastante raro.  Trata-se de um LP lançado pela Odeon, em 1961, apresentando um dos maiores cantores brasileiros de sua época: Carlos Augusto. Na pia batismal, este nosso cantor chamava-se Carlos Antônio de Souza Moreira. Veio ao mundo em Fortaleza, capital do Ceará, no dia 10 de julho de1933. Foi em sua cidade natal que começou a cantar, na Rádio Iracema. Em 1950, mudou-se para a então Capital da República, o Rio de Janeiro, a fim de estudar no tradicionalíssimo Colégio Pedro II. Nessa ocasião, recebe convite para cantar na orquestra da Boate Night and Day. Pouco tempo depois, fez uma excursão pela região Nordeste do país, como parte de uma caravana de artistas que incluía, entre outros, a eterna “Favorita”, Emilinha Borba, então grande estrela da Rádio Nacional, que contrataria em seguida o nosso Carlos Augusto. Em maio de 1952, sai o primeiro 78 do cantor, pela Sinter, trazendo o fox “Meu sonho de amor” , de Paulo César, e o samba-canção “Briguei com você”, dos irmãos Haroldo e Hianto de Almeida.  Seu primeiro LP, de 10 polegadas, é lançado pela mesma gravadora em 1954, intitulado “O trovador  moderno”. Gravou mais de 40 discos  em 78 rpm, além de 7 LPs como solista, 4 compactos duplos, e participações em álbuns coletivos, sobretudo carnavalescos. Deixou sucessos inesquecíveis, tais como “Icaraí”, “Cigarro sem batom”, “Canção da eterna despedida”, “Negue”, “Esta noite ou nunca”, “Pecado ambulante”, “Vitrine”,  “Noite de saudade”, “Seria tão diferente” e outros mais. Infelizmente, Carlos Augusto morreria de forma trágica, em acidente automobilístico, no ano de 1968, quatro anos após gravar seu último disco, um compacto duplo, na Polydor/Philips. Este “Juro”, que o TM oferece hoje, vem a ser o sétimo e último LP-solo de Carlos Augusto, e depois dele o cantor só lançou compactos. A faixa-título é de Adelino Moreira, que, além de compor para Nélson Gonçalves, também criava números especialmente para outros cantores,como nosso Carlos Augusto. Adelino também comparece com “É mentira” (parceria com Oswaldo França), “Deus sabe o que faz” e “Seria tão diferente” (este, em parceria com Antônio Luna, nessa ocasião também gravado por Núbia Lafayette), todos sambas-canções românticos. Ele regrava aqui “Cigarro sem batom”, de Fernando César, por ele próprio lançado em 1955 como valsa,  em ritmo de bolero no presente LP,  e também revive “Boneca de pano”, expressivo samba de Assis Valente, originalmente lançado em 1950 pelos Quatro Ases e um Coringa. Composições de Ricardo Galeno (“A dor que mais dói”, “Deixa falar”, “Quem dá ordens sou eu”, “O sol da verdade”), Paulo Borges (“Cigarra”) e Cyro de Souza (“Volta”, também gravado na mesma ocasião por Marco Antônio) completam o disco, sem dúvida um dos melhores trabalhos fonográficos do inesquecível Carlos Augusto!
a dor  que mais dói
cigarra
deixa falar
é mentira
juro
quem dá ordens sou eu
boneca de pano
seria tão diferente
cigarro sem baton
o sol da verdade
deus sabe o que faz
volta
.
* Texto de Samuel Machado Filho