Grandes Instrumentistas Brasileiros (1978)

Boa noite amigos cultos, ocultos e associados! Enquanto eu espero o transito melhorar, vou de uma vez já mandando bronca na postagem do dia. Vou inclusive voltar para casa ouvindo (na boa) este discão, hehehe…

Discão mesmo. Este é um daqueles álbuns que merece a nossa atenção. Trata-se, sem dúvida, de uma coletânea, mas como poucas, muito bem produzida. Um trabalho do pesquisador J. L. Ferrete que juntamente com a Gravadora Continental nos proporciona uma deliciosa mostra de interpretação de alguns dos maiores músicos instrumentistas brasileiros. Nomes bastante conhecidos do público e também outros que merecem ser lembrados. Pena este disco ser apenas um álbum simples. Merecia um duplo, ou triplo, quem sabe. Artista para isso é o que não falta. Mas nessas treze faixas podemos bem saciar (ou despertar) a nossa sede musical. Muitas das faixas, inclusive, já foram apresentadas aqui, em outros discos. Por serem tão geniais, vale a pena ouvir de novo. Pouparei vocês de maiores apresentações, essas cabem melhor ao produtor, J. L. Ferrete em seu texto na contracapa. Gostaria apenas de chamar a atenção para dois artistas, Garoto na guitarra havaiana interpretando o chorinho “Dolente” e Pereira Filho e seu violão elétrico guitarrando e arrasando em outro chorinho, “Edinho no choro”. Quem se liga em guitarra e guitarristas não pode deixar de ouvir isso…

doutor sabe tudo – dilermando reis

capricho nortista – edu da gaita e orquestra de alexandre gnattali

gorgulho – benedito lacerda

camundongo – waldir azevedo

imperial – abel ferreira e seu conjunto

edinho no choro – pereira filho e conjunto

maluquinho – andré penazzi

salões imperiais – jacob do bandolim

sincopado – sivuca

dolente – garoto

sonho – luiz americano e pereira filho

bicharada – djalma ferreira

pé de moleque – radamés gnattali

André Penazzi – 2º Orgão Samba Percussão (1963)

Bom dia a todos! Esta é a primeira vez que eu faço uma postagem em trânsito, quer dizer, durante uma viagem. Nada como a comodidade de um computador portátil. Um dia eu ainda compro um para mim. Só não o fiz antes porque sei que aí ele vai ficar literalmente grudado em mim, e eu nele. Por enquanto eu não estou querendo ficar ‘on line’ o tempo todo. Não é atoa que eu odeio celular. Sem dúvida, um ‘notebook’ como esse Mac é uma tentação, mas por enquanto quero-o apenas emprestado por alguns minutos. Já preparei os títulos para as postagens da semana, sem esquecer dos compactos, claro! Basta agora eu achar tempo e a camaradagem aqui do colega de me emprestar seu ‘MacBook Air’ para publicar as postagens.
Segue aqui o volume 2 que faltava da série “Orgão – Samba – Percussão”, postada no Toque Musical. Não muito diferente dos dois outros volumes, temos no lp um repertório de ótimos sambas. E por incrível que pareça, depois de tanto ouví-los, mudei o meu conceito. Realmente é verdade, ‘nós ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais’.

apito no samba
zelão
a tua vida é um segredo
samba em prelúdio
se acaso você chegasse
tamanco no samba
eu não tenho onde morar
agora é cinza
menino desce daí
tem bobo pra tudo
implorar
cadência do samba

André Penazzi – Orgão Samba Percussão – Terceiro Volume (1964)

Coisa mais difícil desse mundo é encontrar a biografia de André Penazzi. Percorri páginas e páginas através do Google e em nenhuma delas achei mais do que uma simples nota. Nem mesmo em sites especializados como o Dicionário Cravo Albim (que de médio ficou pior) e o sempre em construção, Músicos do Brasil, não trazem nada! Até mesmo o respeitadíssimo Aramis Millarch, onde se encontra tudo sobre música brasileira, não havia muita coisa. Só depois me dei conta de que tudo que eu precisava estava na contracapa do disco. Segundo o texto, André Penazzi nasceu em Rio Claro, São Paulo em 1914. Foi um músico talentoso, mas que só conseguiu prestígio após ingressar na Audio Fidelity, em 1962, quando iniciou a série “Doctored”, versão tupiniquim. Seu primeiro disco pelo selo, já postado aqui, foi considerado um dos lps mais vendidos daquele ano. Assim também ocorreu com os álbuns e compactos subsequentes. Atingiram um número de vendagem que a própria crítica não podia acreditar, principalmente numa época onde a bola da vez era a Bossa Nova. Ao contrário do que se pensava, a música de Penazzi foi muito bem recebida pelo público.
Segue aqui o Terceiro Volume, até então inédito na blogosfera. Um álbum com as mesmas características dos outros. Um som que lembra o Walter Wanderley e que hoje soa para novos ouvidos como um som ‘cult’, diferente…, um ‘groove square’. Confiram o toque…

bolinha de sabão
o morro não tem vez
por causa de você menina
cafuné
berimbau
o que eu gosto de você
bigurrilho
samba do balanço
mas que nada
tem pena de mim
joão sebastião bach
pra que chorar

André Penazzi – Orgão… Samba… Percussão (1963)

Para fecharmos o dia e encerramos a noite, vamos no embalo do André Penazzi e seu orgão a la Walter Wanderley (sem querer comparar, claro). Este é o primeiro de uma série de discos gravados por Penazzi entitulado ‘Orgão Samba Percussão’. Estou postando este volume porque acho que ele ainda não apareceu nas bicas. Pessoalmente, eu acho essa série à um passo do bizarro. Algo que me soa tão estranho quanto o Pepeu Gomes solando em sua guitarra o Hino Nacional. Porém, contudo, todavia… gosto não se descute – se comenta ou se lamenta. Hoje em dia eu até que gosto mais. Algumas coisas são como caco de vidro ao sol, quanto mais distante, menos pobre, mais brilhante (putz! essa nasceu agora, de minha lavra!). Eu, nessa altura do campeonato só quero mesmo é comentários. Até amanhã!

samba de madrugada
castiguei
tema do boneco de palha
levanta mangueira
você
e… você não diz nada
mulata assanhada
liberdade demais
samba da minha terra
só vou de mulher
chora pierrot
quero morrer no carnaval