Trio Patinhas – O Mundo Maravilhoso De Walt Disney (1975)

Outubro, mês das crianças. É também a ocasião de despertar um pouco da criança que sempre existe em cada um de nós, relembrando um tempo feliz e cheio de recordações gratas e agradáveis. As brincadeiras, os tempos de escola, amigos e colegas que ficaram para sempre na memória e no coração… Muita gente, tanto no Brasil como no mundo, teve sua infância embalada pelas imortais criações dos estúdios de Walt Disney (1901-1966), cartunista e produtor cinematográfico norte-americano. Ele e seus auxiliares criaram tipos inesquecíveis, que todos conhecem, tanto das histórias em quadrinhos  (até hoje publicadas entre nós pela Editora Abril) quanto dos desenhos animados: Mickey (o primeiro deles, surgido em 1928), Pluto, Pato Donald e seus sobrinhos Huguinho, Zezinho e Luizinho, Clarabela, Margarida, Pateta, Mancha Negra, Zé Carioca, Esquálidus, o pato Peninha… Um dos mais expressivos argumentistas e desenhistas da Disney foi Carl Barks, que criou para o velho Walt personagens como Tio Patinhas, Irmãos Metralha, a feiticeira Maga Patalójika e o Professor Pardal, além de ter transformado os sobrinhos de Donald em escoteiros-mirins. Nunca esquecendo que Walt Disney foi o pioneiro dos “cartoons” em longa-metragem, ao lançar, em 1937, o inesquecível “Branca de Neve e os Sete Anões”. Seguiram-se outros sucessos, tais como “Dumbo”, “Bambi”, “Pinóquio”, “Cinderela”, “Música, maestro”, “Alice no país das maravilhas”,  “A dama e o vagabundo”, “A bela adormecida”,  “Cento e um dálmatas”, “A espada era a lei” (em que apareceu outra bruxa famosa do estúdio, Madame Min),  “Mógli, o menino-lobo”, “Aristogatas”, “A pequena sereia” e também produções em “live action”, ou seja, com atores, tais como “Mary Poppins”, “A ilha do tesouro”, “Felpudo, o cão feiticeiro”, “O fantástico super-homem”, “A lenda dos anões mágicos”, “O fantasma do Barba Negra”, “Se meu fusca falasse” (“Cento e um dálmatas” também foi refilmado com atores, inclusive com Glenn Close fazendo uma Cruela de Ville impagável), “A montanha enfeitiçada”…  E como esquecer as séries “Disneylândia” e “Zorro” (baseada no personagem de Johnston McCulley), que a televisão exibiu por décadas, inclusive no Brasil? Ainda hoje, a Disney é um dos maiores conglomerados de entretenimento do mundo, atuando ainda no setor de TV aberta (é dona da rede ABC, ainda hoje uma das maiores dos EUA) e por assinatura, e continuando a produzir filmes animados (agora por computador, tipo “Toy story”, “Carros”, “Monstros S.A.”, “Up – Altas aventuras”, “Bolt – Supercão”, “Frozen”) e de “live action” (“Encantada”, “High School Musical”, “Jamaica abaixo de zero” etc.). Atualmente, a Disney também é proprietária da Marvel, detentora dos direitos de super-heróis como Capitão América, Hulk, Thor, Surfista Prateado, Homem-Aranha, Quarteto Fantástico e Homem de Ferro. Pois o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos um álbum lançado em 1975 pela Som Livre (com o selo Disneyland), muito apropriadamente denominado “O mundo maravilhoso de Walt Disney”. O disco foi produzido pelo professor Theotônio Pavão (Pratânia, SP, 27/4/1915-São Paulo, 25/2/1988), o que por si só já o credencia. Ele assina a maior parte das faixas, apresentando cada um dos principais personagens clássicos da Disney, como Tio Patinhas, Donald, Gastão (aquele da sorte infalível), Zé Carioca, Zorro, Mickey, Pluto, Vovó Donalda etc. Abrindo o álbum, um trecho do tema principal do filme “Pinóquio”, de 1940, “When you wish upon a star”, e seguem-se as músicas, na interpretação do Trio Patinhas, do qual Meire Pavão, filha do professor Theotônio e cantora de sucesso na Jovem Guarda, é por certo a vocalista principal. E para fechar com chave de ouro, uma regravação de “Papai Walt Disney”, versão de Sidney Morais (que assina como Espírito Santo, uma vez que seu nome completo é Sidney do Espírito Santo de Morais) que tanto sucesso fez em 1962 com o Conjunto Farroupilha. Enfim, um trabalho que merece ser ouvido por crianças e adultos, e uma justa homenagem ao criador do chamado “mundo da fantasia”, Walt Disney. É ouvir e sonhar…

when you wish upon a star
lobo mau e os três porquinhos
zé carioca
peninha
huguinho, zezinho e luizinho
os sobrinhos
vovó donalda
pateta e mickey nu burgestão
madame min
alô walt disney
pato donald
o grilo falante
professor pardal
zorro
moedinha do tio patinhas
coelho quincas
primo gastão
pluto
papai walt disney

*Texto de Samuel Machado Filho

Lucinha Lins e Cláudio Tovar – Simbad de Bagdad (1986)

O TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum infantil que, por certo, vai fazer muitos deles recordarem seu tempo feliz de criança. Ele foi concebido por Lucinha Lins em companhia de seu segundo marido, Cláudio Tovar, e foi lançado em 1986 pela gravadora Arca Som, que pertencia ao Grupo de Comunicação O Dia, cuja principal empresa era o jornal carioca de mesmo nome, ainda hoje em circulação. Nesse tempo, a extinta Rede Manchete de Televisão havia perdido para a Globo a apresentadora Xuxa Meneghel, e o “Clube da Criança”, que ela apresentava na faixa vespertina, passou a ser uma simples “sessão desenho”. Para não deixar sua programação sem representantes para as crianças, a emissora dos Bloch, aproveitando o sucesso que Lucinha Lins e Cláudio Tovar vinham fazendo em espetáculos teatrais infantis, contratou o casal. Assim, no dia 3 de março de 1986, a Rede Manchete estreava o “Lupu Limpim Clapla Topo”, programa com nome bem incomum e que poucas crianças conseguiam pronunciar. Dirigido por Sérgio Galvão e Cláudio Tovar, e com textos de Lula Torres e Maria Lúcia Dahl, era um infantil bem diferente dos que haviam na época, pois baseava-se em teleteatro com agradáveis curiosidades e, logicamente, recheado de desenhos animados. Tempos depois, o programa passou a contar com um auditório de crianças. Nesta fase, além de brincadeiras como “Cama de gato”, o “Lupu Limpim” tinha dramatizações de clássicos infantis. E tinha também a Lucinha Lins ensinando a “língua do P”, uma forma diferente de falar que acabou caindo no gosto da criançada. O tema de abertura do programa era “Caixa de brinquedos”, que abre também o presente álbum, com produção executiva da própria Lucinha Lins, e dividido em duas partes. No lado A, temos a trilha sonora de um dos musicais teatrais que Lucinha e Cláudio fizeram com sucesso, “Simbad de Bagdad”. No lado B, os temas de “Lupu Limpim Clapla Topo”. Tudo com arranjos e regências de um verdadeiro “craque”, Antônio Adolfo. Em fins de 1987, o “Lupu Limpim Clapla Topo” saiu do ar, e o “Clube da Criança” voltou, agora apresentado por nada mais nada menos do que Angélica, atualmente na Globo. Este álbum de Lucinha Lins e Cláudio Tovar, portanto, é mais um trabalho de qualidade destinado ao público infantil, que o TM oferece com muito orgulho e satisfação. É digno representante de um tempo em que as redes de televisão aberta dedicavam mais espaço a atrações para crianças, que, com o advento da TV por assinatura e da internet , e as restrições impostas pelas autoridades à propaganda de produtos destinados ao consumo infantil, sobretudo guloseimas, passaram a se tornar inviáveis comercialmente. Mas, se as coisas boas um dia se acabam, o TM, através de postagens como esta, faz com que elas fiquem vivas em nossa lembrança!

*Texto de Samuel Machado Filho

Passa, Passa, Passará – TSO (1986)

Compositor,  tecladista, arranjador e professor de música, Antônio Adolfo (Rio de Janeiro. 10/2/1947) fez, em parceria com Tibério Gaspar, sucessos que ainda hoje estão na memória de muitos, tais como “Sá Marina”, “BR-3”, “Juliana” e “Porque hoje é domingo”.  É irmão de outro cantor-compositor bastante conhecido, Ruy Maurity, e pai da cantora Carol Saboya. Em 1971, no auge da ditadura militar, Antônio Adolfo  resolveu sair do Brasil, indo para os EUA e Europa, a fim de realizar estudos de aperfeiçoamento musical, retornado anos mais tarde para atuar como músico de estúdio. Em 1977, resolveu criar seu próprio selo fonográfico, o Artezanal, passando a produzir ele mesmo seus discos. Nesse ano, lançou seu primeiro álbum nesse novo esquema, “Feito em casa”, que é considerado o primeiro LP independente na história fonográfica brasileira. E, evidentemente, viriam muitos outros. Desde 1985, ele se dedica à sua escola de música, o Centro Musical Antônio Adolfo, além de participar em eventos internacionais como músico e educador, sem deixar de lado a carreira de intérprete. Ganhou dois Prêmios Sharp de Música, pelos álbuns “Antônio Adolfo” (1995) e “Chiquinha com jazz” (1997), este último dedicado á obra de Chiquinha Gonzaga. Em 1986, o selo Artezanal produziu o álbum que o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados. É a trilha sonora do musical infantil de teatro “Passa passa passará”, com texto de Ana Luiza Job, mulher de Antônio Adolfo (suas filhas, Carol Saboya, então atuando no teatro infantil, e Luísa Maria, sempre adoraram o gênero), e para o qual, além dele, também produtor, arranjador e executante das faixas deste disco, Xico Chaves e Paulinho Tapajós colaboraram na elaboração das canções.  A peça foi encenada com sucesso em teatros cariocas, e vez por outra ressurge em novas montagens. E, deste disco, participaram nomes de peso:  Oswaldo Montenegro, Elza Maria, Zezé Gonzaga, Joyce (atualmente Joyce Moreno), Leci Brandão e, claro, o irmão de Antônio Adolfo, Ruy Maurity, e a filhota, Carol Saboya, esta integrando o coral do Passa Passa Passará, ao lado de Paulinho Tapajós e do maestro Ary Sperling, entre outros. Tudo produzido com elevado padrão técnico e artístico, com músicas bem elaboradas e cativantes. Enfim, mais um trabalho de primeiríssima qualidade que o TM oferece hoje, para o encanto e o deleite de crianças e adultos!

passa passa passará

cacarejando

o menino perdido

samba do macaco

natureza

blues da raposa

bola de cipó

abelhinha

fazendo bolo

caracol

* Texto de Samuel Machado Filho

O Gato De Botas / O Pequeno Polegar (1957)

Advogado, escritor e poeta, Charles Perrault (Paris, França, 12/1/1628-idem, 16/5/1703) estabeleceu bases para um novo gênero literário: o conto de fadas. Por isso, foi cognominado “o pai da literatura infantil”. Contemporâneo do fabulista Jean de La Fontaine, e membro da Academia Francesa de Letras, Perrault ouvia muitas histórias de sua mãe e nos salões parisienses, e já idoso, aos 62 anos, resolveu registrá-las para publicação em livro. Este, surgido em 1697, quando Perrault já beirava os 70 anos, recebeu o título de “Histórias ou contos do tempo passado com moralidades”, mas também era chamado de “Contos da velha” e “Contos da cegonha”,  ficando afinal conhecido como “Contos da mamãe gansa”. Êxito mundial, o livro foi praticamente o pioneiro do gênero conto de fadas, sendo Perrault o primeiro a dar acabamento literário ao mesmo.
Até hoje, muitas histórias do mestre Perrault  são editadas, traduzidas e distribuídas em meios de comunicação diversos, teatro, cinema (“live action” e animação), TV, etc.  Dois de seus mais famosos contos de fadas estão no álbum que o Toque Musical tem o prazer de oferecer hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados, lançado em 1957 pela Musidisc de Nilo Sérgio. São “O gato de botas” e “O Pequeno Polegar”. O primeiro é a história de um caçula de três irmãos que recebe de herança do pai um gato de estimação. Depois de ganhar um par de botas, o gato, bastante esperto, consegue convencer um poderosíssimo rei de que pertence a um fidalgo, o Marquês de Carabás, e assim consegue ao seu dono a mão da princesa em casamento.  Já “O Pequeno Polegar” foi possivelmente inspirado na história hebraica do pastor Davi, depois rei dos hebreus. Ele era o caçula dos sete filhos de um pobre lenhador, e era tão pequenino que o chamavam de Pequeno Polegar. Apesar do tamanho, nosso herói  era também muito esperto, como o gato de botas. Um dia, o lenhador  resolveu abandonar os filhos na floresta e estes, após longa caminhada, avistaram um castelo,  em busca de abrigo e alimento.  Só que lá residia um ogro malvado (possível  referência ao Rei Saul de Israel, para quem Davi trabalhou antes de ser monarca, aqui substituído por um gigante) , que, ao ver os pobres garotos, resolveu devorá-los. Percebendo as intenções malignas do ogro, o Pequeno Polegar, durante a noite, trocou seu chapéu e o dos irmãos pelas coroas das filhas do monstro, que as devorou pensando que fossem os rapazes. Eles tiveram de fugir do castelo, e Polegar, enquanto o ogro dormia, calçou suas botas encantadas (as famosas botas de sete léguas), ajudando os irmãos a voltarem para casa. Auxiliado pelas botas, Polegar trabalhou para um rei, conseguiu muito dinheiro  e pôde finalmente voltar para casa. Assim, ele e sua família nunca mais passaram fome.
Em linhas gerais, com uma ou outra mudança, são estas as histórias que nosso álbum de hoje conta, em primorosa adaptação de Haroldo Barbosa  (Rio de Janeiro,  21/3/1925-idem, 6/9/1979), radialista, compositor, jornalista e redator de programas de rádio e televisão. A narração ficou por conta de Luís Jatobá (Maceió, AL, 5/1/1915-Nova York, EUA, 9/12/1982), médico ortopedista, locutor e jornalista que influenciou toda uma geração de “speakers”, não apenas de rádio, mas também de cinema, televisão e vídeo, e certamente foi o mais famoso timbre vocal masculino brasileiro, sendo a voz de Íris Lettieri (responsável pela locução de horários de voos no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro) seu correspondente feminino. Jatobá  trabalhou no rádio brasileiro por 45 anos, e sua voz privilegiada foi também ouvida durante anos em nossos cinemas, na apresentação, em “off”, de trailers de filmes. Um trabalho que se iniciou em 1940, quando Jatobá foi residir nos EUA, a convite da CBS, cadeia de rádio onde se tornou o brasileiro que dava as notícias da Segunda Guerra Mundial.  Voltando ao Brasil, Jatobá foi um dos pioneiros da TV Globo, apresentando, ao lado de Hilton Gomes e Nathalia Timberg, o “Jornal da Globo” (nada a ver com o atual), e comandou, ao lado de Léo Batista, a primeira edição do “Jornal Hoje”. Perseguido politicamente pelo governo da ditadura militar, Luiz Jatobá voltou aos EUA, onde retomou a gravação de trailers de cinema, e residiu até falecer. Foi casado com a atriz e pianista Margot Bittencourt (Margarida Jatobá), ex-esposa do compositor  Humberto Teixeira.  E abrilhanta com sua narração as histórias contadas no presente álbum Musidisc, certamente uma tentativa de competir com a Continental, que iniciou a gravação de histórias infantis em disco no ano de 1945, por iniciativa de mestre João “Braguinha” de Barro, através da série Discoteca Infantil, embrião do famoso selo Disquinho, aquele dos compactos de vinil coloridos. Não há informação, infelizmente, a respeito de quem foram os intérpretes dos personagens, certamente rádio-atores. De qualquer forma, é um trabalho que, por certo, vai fazer a gente voltar no tempo, recordando aquele tempo feliz de criança que não volta mais. Deliciem-se
* Texto de Samuel Machado Filho

Villa Lobos Às Crianças (1987)

Olá amiguinhos cultos e ocultos. Hoje é dia de Nossa Senhora da Aparecida, padroeira do Brasil. Salve ela e salve o Brasil! Mas é também o Dia das Crianças, salve, salve… Na minha infância não tinha isso de ‘dia das crianças’. Aliás, eu só vim a saber que existia o tal dia depois que eu virei adulto. Sacanagem… Passei pelo menos uns dez anos ignorando meus direitos. Acho que vou processar todas as Associações do Comércio por terem negligenciado a propaganda de incentivo a compra de brinquedos nesse dia. Poxa, meus pais não foram avisados, fiquei chupando dedo. Quero de volta todos os meus Dia das Crianças! E com presente!
Eu, durante o tempo de existência do blog, não me lembro de ter dedicado uma postagem à esse dia. Acho que poucas vezes postei material infantil por aqui. Embora eu tenha acesso a milhares de discos infantis, prefiro deixar isso para o Cantos & Encantos, que é o blog especializado no assunto. Porém, contudo e todavia, vou deixando aqui um toquezinho interessante.
“Villa Lobos às crianças” é um trabalho criado pelo violinista polonês, naturalizado brasileiro, Jerzy Milewski. Jerzy é conhecido por suas interpretações instrumentais de artistas como Milton Nascimento, Djavan, Paulinho da Viola, entre outros… Neste disco ele foi o responsável pela criação e direção, em um trabalho voltado para o público infantil. Trata-se de uma adaptação da obra de Maria Clara Machado, “Clarinha na ilha”, cuja a trilha é pautada em Villa Lobos. A adaptação é de Hélio Bloch e a narração dos atores Lucinha Lins e Claudio Cavalcanti.
Agora, senta que lá vai a história…