Os Canibais (1967)

Os Canibais surgiram em 1965, revelados em um programa de TV. Foi graças também às frequentes apresentações do grupo em programas jovens que seu nome foi ganhando popularidade, sendo assim uma das bandas cariocas mais respeitadas em bailes do Rio. Como Os Mugstones, Os Canibais tiveram uma carreira que durou até o início dos anos 70. Em 1970, eles gravaram para a Polydor a canção “Hoje É Dia De Rock” de Zé Rodrix, mas o contrato não vingou e nem foi lançado disco. Com as mudanças de uma nova década, mudou-se também a concepção musical e o nome do grupo para “Bango” (nome de uma especie de canabis encontrada no nordeste Africano). Mas esta é uma outra estória e o “Bango”, um toque que virá em breve.

01. O Prego (Love Me, Kiss Me) (vrs. Aramis)
02. Felizes Juntinhos (Happy Together) (vrs. Romeo Nunes)
03. Lindo Sonho
04. Um Milagre Aconteceu (Magic Potion)
05. Garota Teimosa (Time Won’t Let Me)
06. Quase Fico Nú (Everything You Do)
07. Ao Meu Amor
08. A Praça
09. Descubram Onde Meu Bem Está (Wonder Where My Baby is Tonight)
10. Se Você Quer (See Me Back)
11. Nosso Romance
bonus track:
12. Para o Meu Bem (Ticket to Ride) (Lennon – McCartney – vrs. Aramis) – 1966

The Sunshines (1966)

No final de 1966, este grupo carioca, que também gravou com nome de The Suns, alcançou grande sucesso com o primeiro compacto “O Último Trem, versão de Leno para o clássico “The Last Train To Clarksville”, original dos americanos The Monkees. Daí gravaram dois LPs, este de 66 e outro em 67, além de alguns compactos até o final dos anos 60, quando por fim se separaram. Segue este toque com a promessa de uma outra postagem do álbum seguinte. Aguarde…

01. Estou Ficando Apaixonado (Run For Your Life)
02. Abrengo Brongo
03. Volta Pra Mim (Norwegian Wood)
04. Outra Em Seu Lugar
05. Se Eu Encontrasse
06. Sozinho (You Won’t See Me)
07. Cachorro da Menina (Walkin’ The Dog)
08. Sem Você (Come On Back)
09. Raios de Sol
10. Deixa-me em Paz (Wait)
11. Meu Bem (It’s Only Love)
12. Amor de Criança

The Jordans – Studio 17 (1966)

Um dos expoentes do rock instrumental brasileiro, os Jordans surgiram no final dos anos 50, no programa de Tony e Celly Campello na TV Record. Seu primeiro sucesso, em 1961, foi “Blue Star”, que ficou oito meses nas paradas. “Tema de Lara” também foi outro sucesso que deram a eles o prêmio “Roquete Pinto” como o melhor conjunto da juventude. Lançaram vários discos (lps e compactos) e acompanharam diversos intérpretes da Jovem Guarda. Em 1967, encontraram-se com os Beatles, em Londres. Foram, sem dúvida um dos grupos pioneiros. Toque básico!

01. Studio 17 (André Brasseur)
02. La Comparsa (Ernesto Lecuona)
03. F.B.I. (Peter Gormley)
04. Choro de Amor (Raining In My Heart) (Boudleaux Bryant – Felice Bryant – vrs. Aladin)
05. Susie Q (D. Hawkins – S. J. Lewis – E. Broadwater – adpt. A. Ribeiro Valente)
06. Tema de Lara (Lara’s Theme From Doctor Zhivago) (Maurice Jarre)
07. Vivendo de Amor (Four Strong Winds) (Ian Tyson – vrs. Aladin)
08. Marionnettes (Christophe)
09. Granada (Agustin Lara)
10. Una Pistola Per Ringo (Enio Morricone – Gino Paoli)
11. Not For Sale (Beckstein – Leiser – Laube)
12. Cadillac (J. H. de Hont – Bob Bouber)

Os Mugstones (1967)

Os Mugstones foi também um dos muitos grupos que fizeram parte do cenário rock dos anos 60 no Brasil. Inicialmente se chamavam “Os Poligonais” e gravaram um disco em 66. Infelizmente não há muita informação sobre grupo. Me parece que eles continuaram na ativa até o inicio dos anos 70. Neste disco temos uma salada mista de generos liquidificados que agradavam bem na época. Não adianta me perguntarem o porquê dos modelitos tipo “kilt” – também gostaria de saber o motivo. Alguém pode completar o toque aí?

01 – o sole mio
02 – minha bonequinha
03 – toma pega leva
04 – gente maldosa
05 – calcei sapatos novos
06 – tema dos mugstones
07 – era um garoto que como eu amava os beatles e os rolling stones
08 – seleção de polcas
09 – o homem da luz vermelha (tracy´s theme)
10 – na onda do meu bem
11 – a grande parada
12 – o homem do braço de ouro

Sergio Murilo (1959)

Sergio Murilo foi mais um ‘dos primeiros’ do rock no Brasil. Começou sua carreira artística ainda criança como apresentador infantil em um programa de tv. Em 1958 estréiou no cinema, com o filme “Alegria de Viver”, e no ano seguinte se torna cantor na Rádio Nacional. Foi contratado pela Columbia, e grava “Menino Triste” e “Mudou Muito”que fizeram muito sucesso. Em seguida, graças a outros sucessos como “Broto legal”, “Rock de Morte” e “Marcianita” (regravada mais tarde por Caetano Veloso), surge o primeiro LP, “Sergio Murilo”.

01 – Sergio Murilo – Marcianita
02 – Sergio Murilo – Do-ré-mi
03 – Sergio Murilo – Put your head on my sholder
04 – Sergio Murilo – Lua azul (Blue moon)
05 – Sergio Murilo – The diary
06 – Sergio Murilo – Menino triste
07 – Sergio Murilo – Se eu soubesse
08 – Sergio Murilo – É meu destino amar (I’m in the mood for love)
09 – Sergio Murilo – Oh! Carol
10 – Sergio Murilo – Estúpido cupido (Stupid Cupid)
11 – Sergio Murilo – Personality

Ronnie Cord – Tonight My Love Tonight (1961)

O Ronnie Cord foi outro cantor que esteve a frente dos primeiros passos do rock no Brasil. Embora não fosse exatamente um ‘rocker’, cantava somente música americana, Paul Anka e coisas do genero, o que nos remete a idéia do rock’n’roll. Contudo e apesar de tudo, seu nome será também lembrado na história do rock no Brasil.

01 – Tonight my Love, Tonight (Paul Anka)
02 – I Gotta Go (John D. Loudermilk)
03 – There is a Tavern in the Town (Lenny Carroll)
04 – Starbright (Pockriss – Vance)
05 – Hey, Mister Cupid (Boudleaux Bryant)
06 – Autumn Leaves (J. Kosma – J. Prévert – J. Mercer)
07 – Dance on Little Girl (Paul Anka)
08 – I’ll Sting Along With You (Al Dubin – H. Warren)
09 – The Jackie Look (F. Bryant – B. Bryant)
10 – Utopia (Aaron Schroeder – W. Gold – M. Kalmanoff)
11 – Midnight Masquerade (B. Bierman – A. Berman – J. Manus)
12 – Lop-Sided Over Loaded (Kusik – Anton)

Luizinho E Seus Dinamites – Choque Que Queima (1967)

Outro grupo que merece um toque musical é este do Luizinho, guitarrista pioneiro no rock Brasil. Nos anos 50 ele já havia formado o “Blue Jeans Rockers”, grupo de rock and roll clássico, que animou muitos bailes no Rio de Janeiro. Os Dinamites era formado, além de Luizinho (guitarra e vocalista), por Jair (guitarra base), José Antônio (baixo) e Carlinhos (bateria) e Euclides (que também tocou com The Pop’s). “Choque que Queima”, me parece que foi o único disco do grupo. Mas mesmo sendo só um, já valeu demais. Obscuro, raro e esquecido, mesmo assim e talvez por isso mesmo, este disco merece um pouco mais da nossa atenção. Trata-se de um clássico, com certeza! “Luizinho morreu em meados dos anos noventa, deixando a lenda de ter sido um dos precurssores do rock nacional, sem o devido reconhecimento.” FR

01. Dinamite
02. Choque Que Queima (Choppin’ and Changin’)
03. Driving Guitars
04. Eu Vou a Lua (I Cannot Find a True Love)
05. As Estações (Evergreen Tree)
06. Apache
07. A Raposa e o Corvo (The Snake and The Bookworm)
08. Carango Twist (Down The Line)
09. Bongo Blues
10. Uma Voz na Solidão (A Voice in The Wilderness)
11. Lâmpada do Amor (Lamp of Love)
12. Guitar Twist

The Clevers – Encontro Com The Clevers – Twist (1963)

Bom, como uma coisa leva a outra, vou extendendo um pouco essas postagens dos primórdios do rock no Brasil. Vamos levando até onde o rock começa a ser ‘brasileiro’, o rock nacional. Temos aqui o The Clevers, um dos primeiros grupos vocal-instrumental de pop-rock. Iniciaram em 1962 e de saída fazendo muito sucesso já no primeiro disco, um 78 rpm com arranjo em ritmo de twist para uma canção espanhola, “El Relicario”. O grupo ainda acompanhou vários artistas da época, como Demétrius e Orlando Alvarado. Em 1965 eles mudariam de nome, se tornando “Os Incríveis”. Já apresentei dois discos da banda e um do Manito em postagens anteriores. Neste podemos encontrar os primeiros passos de um grande grupo (que só não foi maior devido a mediocridade e falta de visão de seus empresários). Este toque é básico!

01 – El relicario
02 – A swingin’ safari
03 – Maria Cristina
04 – My blue heaven
05 – The intruder
06 – Fascinante
07- Afrika
08 – Gandy dancer
09 – Baby my love
10 – Clevers
11 – Look at my eyes
12 – Ermitão da montanha – No hall do rei da montanha

The Young Years Vol. 1 e 2 – Raridades do Rock Brasileiro

Sempre tive uma má impressão do Orkut, na verdade nunca me senti atraído por ele. Achava que aquilo era coisa para adolescentes, para gente que tem tempo de sobra para ficar na frente de um computador. Por outra, também não tenho muito saco para um ‘social-virtual’, fazer novos amigos, trocar e-mails e aquele montão de comunidades malucas. Mas, mesmo apesar disso, tenho me deixado render por alguns encantos, principalmente por questões de intercambios musicais. Descobri recentemente por lá uma comunidade bacana “Música Cafona E Jovem Guarda”. Foi de lá que eu trouxe para vocês mais esta curiosidade dos primórdios do rock no Brasil, o álbum “The Young Years”, uma coletânea das raizes do rock nacional. Para um melhor entendimento e esclarecimentos sobre o álbum (no caso, duplo), achei melhor incluir o texto da comunidade, assinado por Rubens Stone. Reproduzo-o na íntegra. O texto é dele, mas o toque é musical! 😉

Em Janeiro de 1959, o disc-jóquei Miguel Vaccaro Neto criou a gravadora “Young”, juntamente com o empresário Enrique Labendiger, na época, dono da editôra Fermata. Vaccaro Neto era um DJ muito bem informado, falava fluentemente o inglês, portanto, muito ligado ao som jovem que se fazia lá fora. Na época, ele percebeu que a grande maioria dos sucessos internacionais não chegava ao Brasil, por isso, teve a idéia de juntar vários cantores brasileiros para gravarem estes mesmos sucessos na, sem versões, na lingua original, ou seja, o inglês, pois assim, o público brasileiro poderia apreciar estas músicas. Foi assim que, ao fundar o selo Young, Vaccaro Neto contratou vários artistas jovens que estavam começando, como Nick Savóya, Hamilton DiGiorgio, Regiane, Dori “Edson” Angiolella, Marcos Roberto, The Avalons, The Rebels (com Prini Lorez) e o exímio guitarrista “Gatto” (futuro guitarrista do grupo The Jet Blacks), entre outros. A gravadora Young durou apenas dois anos (de 59 a 61), pois seus artistas contratados começaram a ganhar projeção e foram se mudando para outras gravadoras, pois no selo Young, os seus contratados só podiam gravar em inglês, e provavelmente, estes artistas queriam seguir carreira cantando em português. Foram apenas dois anos de existência, porém, a gravadora Young e o seu criador, Miguel Vaccaro Neto, entraram definitivamente para a história do Rock Brasileiro. Abaixo, disponibilizamos uma coletânea com as principais gravações realizadas na Young nos seus dois anos de vida, uma verdadeira jóia rara para todos os colecionadores e pesquisadores dos primórdios do rock no Brasil.

-Rubens Stone é o dono da comunidade “Música Cafona E Jovem Guarda”

Sonia Delfino – Canta Para A Mocidade (1961)

Sonia Delfino foi mais uma artista dos primórdios do rock nacional. Tinha talento de sobra para fazer páreo com Celly Campello, mas seu repertório sempre oscilou entre o rock e a bossa juvenil. Acho que ela acabou se perdendo e não conseguindo mais destaque, por ter um trabalho híbrido, ficou meio em cima do muro, sei lá… Ao lado de Sérgio Murilo, ela também apresentou o programa ‘Alô Brotos’, na TV Tupi do Rio de Janeiro, alcançando grande sucesso, mas limitado ao estado carioca. Sonia gravou, além de diversos 78rpm’s e compactos, três LPs – “Alô Broto” de 1962, “Alô Broto Vol. 2” de 1964 e este que apresento para vocês; “Canta Para A Mocidade” de 1961″. Aqui tem a famosa versão “Oh Carol” de Neil Sedaka, contrastando com outras como, “Tome continha de você” de Dolores Duran e Edson Borges. Apesar do obscurantismo e oscilações, Sonia Delfino tem o seu lugar garantido no rock nacional. Espero que este toque contribua para isso.

01.SEI LÁ…SEI LÁ (Ivan Paulo e Dulcídio Magalhães)
02.EU VI A NOITE CHEGAR (Edgardo e Amado Régis)
03.PAZ EM NOSSO LAR (Célio ferreira e Sebastião Nunes)
04.OLHA QUE A LUA (vs. Llourival Faissal)
05.AMOR SINCOPADO (Marino Pinto e Chico Feitosa)
06.MEDITAÇÃO (Tom Jobim e Newton Mendonça)
07.DIGA QUE ME AMA (vs. Lana Bittencourt)
08.TOME CONTINHA DE VOCÊ (Dolores Duran e Edson Borges)
09.MEU AMOR POR VOCÊ (Osmar Navarro)
10.VOU DE SAMBA (Chico Feitosa e Ronaldo Bôscoli)
11.OH CAROL (Neil Sedaka)
12.SAUDADE QUERIDA (Tito Madi)

Tony Campello – c/ Mário Gennari Filhos & Seu Conjunto (1959)

Tony Campello foi também um dos pioneiros do rock nacional. Precursor da Jovem Guarda. Foi primeiro ‘rocker’ brasileiro (não confundir com roqueiro!). Ele fez sucesso com músicas como “Boogie do Bebê”, “Pertinho do Mar” e “Lobo Mau”. Este disco, de 1959, lançado pela Odeon é da fase inicial, cheio de versões de rocks e baladas aos moldes de Elvis Presley e Little Richards. Confira este toque…

Avanço 5 – Somos Jovens (1969)

Bom, já que toquei na Celly Campello (no bom sentido musical, claro!), vamos dar seqüência e trazer mais algumas ‘coisinhas’ do rock brasileiro e da Jovem Guarda. Aqui temos um dos muitos e até obscuros grupos formados na ‘onda jovem dos anos 60’, o quinteto Avanço 5 e seu único lp “Somos jovens”, lançado (aparentemente) em 69. Infelizmente não há muita informação sobre eles, além do fato de serem também um grupo de acompanhamento para outros diversos artistas da época. Gravaram com Tony Campello um EP também em 69, o “Ritmos da Juventude”. Com relação ao disco que apresento, não há novidades, um repertório típico oscilando entre hits internacionais e a ingenuidade romântica jovem daqueles anos. O ‘albinho’ até que é bem bacana, vale a pena ouvir. Confiram a baixo as faixas desse toque.

Stormy
Bobo Não Sou
F…Comme Femme
Shut Up
First of may
My Little Lady
Nem Mesmo Você
Não Sou de Ferro
Nem um Talvez
Preciso Esquecer Você
Lost Friend
Good Bye

Celly Campello (1976)

Em 1976, quando por conta de uma novela “Estúpido Cupido”, da Rede Globo, de grande sucesso de audiência que vinha puxado por seu hit de 1958 – Celly Campello voltou a ficar em evidência. Foi daí que nasceu este disco, seu último álbum, que mesmo trazendo o antigo sucesso renovado, com uma boa produção e feito algumas turnês, não conseguiu emplacar uma retomada. Sua carreira passou a resumir-se a apresentações esporádicas pelo interior de São Paulo. Morreu em 2003 em consequência de um tumor, deixando na lembrança seu nome como uma pioneira do rock brasileiro. Apesar dos pesares é um disquinho bacana, que vale o toque musical.
01 – Celly Campello – Diga que eu mando um alô
02 – Celly Campello – Não quero nem saber
03 – Celly Campello – Os anos 60
04 – Celly Campello – Jolene
05 – Celly Campello – Cante
06 – Celly Campello – Medley (Estupido Cupido – Banho de Lua)
07 – Celly Campello – Vamos começar tudo outra vez
08 – Celly Campello – A estação
09 – Celly Campello – Alguém é bobo de alguém
10 – Celly Campello – É mais um dia
11 – Celly Campello – No fim do mundo
12 – Celly Campello – Deixe o mundo entrar

Jaime & Nair (1974)

Jaime Alem é um músico, compositor, arranjador e produtor musical. Está na ativa desde os anos 60 e de lá pra cá acumulou muita experiência, trabalhando com os mais diversos artistas da mpb e sempre ao lado da companheira e esposa Nair Cândio. São intérpretes de suas canções artistas como Maria Bethânia, Elba Ramalho, o grupo Tarancón, entre outros. Como dupla, lançaram dois discos na década de 70. Este foi o primeiro, sendo que em 2001 foi relançado em cd no Japão. Ganharam alguma popularidade quando gravaram mais um volume para a coleção “Um banquinho, um violão…”. Os dois continuam por aí, tocando, cantado e compondo. Para quem não conhece, vale o toque…

1- Sob o mar
2 – Não valia tanto
3- Samuel Arcanjo
4- Névoa seca
5- A bica de chororo
6- Nigua-ninhas e coco do norte
7- Das minas
8- Olhos para São Paulo
9- Reino das Pedras
10- Sabia, diga lá
11- Boi-le-le
12- Zabumba

Edu Lobo – Camaleão (1978)

Edu, mais uma vez… Esse merece estar sempre lembrado, ouvido e tocado. Assim, vamos com Camaleão, álbum lançado em 1978, aquele que traz dois grandes sucessos: “Lero lero” e “Memórias de Marta Saré”. Lembrei desse disco quando postei o Boca Livre. Eles também participam. Aliás, foi a estréia do grupo, um momento muito especial ao lado do grande Edu Lobo

Lero Lero 3:28 Cacaso – Edu Lobo
O Trenzinho do Caipira 2:57 Villa Lobos – Poema de Ferreira Gullar
Coracão Noturno 4:36 Cacaso – Edu Lobo
Canudos 4:08 Cacaso – Edu Lobo
Camaleão (Instrumental) 3:20 Fernando Leporace
Sanha na Mandinga 4:07 Cacaso – Edu Lobo
Branca Dias 3:38 Cacaso – Edu Lobo
Bate Boca (Instrumental) 1:33 Edu Lobo
Descompassado 4:22 Cacaso – Edu Lobo
Memórias de Marta Saré 4:46 Gianfrancesco Guarnieri – Edu Lobo

Discomunal – Gravado Ao Vivo No Teatro Toneleros (1968)

Este álbum é um registro histórico de um encontro de grandes artistas, ocorrido no Teatro Toneleros em 1968. O show aconteceu para o lançamento de estréia do disco do Quarteto 004, um grupo vocal na linha do MPB 4. O espetáculo foi apresentado pelo escritor e humorista Millôr Fernandes e teve a participação (além do Quarteto 004) de Tom Jobim, Baden Powell, Chico Buarque, Hepteto Paulo Moura, Eumir Deodato e Márcia. Não é preciso dizer mais nada, né? O toque tá dado…

01 – Apresentação: Millor Fernandes
02 – Wave (Tom Jobim) with Paulo Moura Hepteto
03 – Outubro (Milton Nascimento – Fernando Brant) with Paulo Moura Hepteto
04 – Astronauta (Baden Powell – Vinicius de Moraes) with Baden Powell
05 – Carinhoso (Pixinguinha – João de Barro) with Baden Powell
06 – Eu e a brisa (Johnny Alf) with Baden Powell / Márcia
07 – Deixa (Baden Powell – Vinicius de Moraes) with Baden Powell / Márcia
08 – Apresentação de Tom Jobim – Millor Fernandes
09 – Vou te contar (Tom Jobim) with Tom Jobim / Quarteto 004
10 – Apresentação de Chico Buarque – Millor Fernandes
11 – Bom tempo (Chico Buarque) with Chico Buarque / Tom Jobim / Quarteto 004
12 – Retrato em branco e preto (Chico Buarque – Tom Jobim) with Tom Jobim / Quarteto 004
13 – Encerramento – Millor Fernandes

O Melhor Dos Festivais De Minas 1984

Este disco é o resultado de um projeto criado pelo governo mineiro em 1984. Um festival que reunisse os vencedores de outros festivais regionais de música pelo estado. Como é sabido, em Minas Gerais, eventos dessa natureza sempre tiveram vez. Este foi o primeiro, não sei dizer se houve continuidade, afinal projetos e políticas sociais não são o forte dos nossos governos. Quanto ao disco, apesar de ser um álbum simples com apenas oito músicas, não deixa de se uma boa amostra da produção nos festivais mineiros. Isso é que é toquinho mineiro, uai!

1- amanhecer – Marcus Bolivar
2- agua do cantil – Silvio Rabelo, Julio Regis e Sergio Rabelo
3- coisa simples – Robertinho Brant
4- luci – Toninho Ledo
5- destroier – Maurilio Rocha
6- pintura – Arlindo Maciel
7- estrada de ferro bahia-minas – Eros Januzzi e Jose Emilio Guedes
8- sete cantigas para chorar – Toniho Resende

Manassés – Pra Você (1987)

Manassés é um artista/músico pouco conhecido do grande público, isso talvez, por estar sempre envolvido nos bastidores. Mestre no domínio de diversos instrumentos de corda, Manassés de Souza começou a se destacar no cenário musical na década de 70. Tocou com alguns dos maiores nomes da MPB, como Chico Buarque, Nara Leão, Amelinha, Zé Ramalho, Mercedes Sosa, Fagner e Elba Ramalho. Até onde sei, ele tem três discos solos gravados: “Manassés”, “Nômades” e este que é um toque muito especial “Pra você” que gosta de música instrumental.

1- passeio de onibus
2- caminho das indias
3- choro de criança
4- retrato de luiza
5- trilha dos pescadores
6- balão
7- paixão
8- fina flor

Cristina Buarque – Prato e Faca (1976)

A gente roda, roda e acaba sempre voltando para o samba. Desta vez vamos com Cristina (Buarque), considerada por muitos com a “dama do samba”. Irmã de Chico Buarque, a cantora (e também compositora) adotou o samba como seu ofício maior. Começou sua carreira ao lado do irmão. Gravou pela primeira vez no disco “Onze Sambas & Uma Capoeira” com músicas de Paulo Vanzolini ao lado de outros grandes artistas. O disco que temos aqui foi seu segundo álbum solo. Um dos melhores em sua carreira e que eu recomendo, em mais um toque musical.

Fazenda Modelo – Terra Boa (1976)

Para falar sobre este conjunto, eu hoje, preguiçosamente resolvi incluir um texto do jornalista Aramis Millarch, publicado originalmente no jornal Estado do Paraná, em setembro de 76. Leiam porque este disco é uma raridade pura. Vale conferir este toque musical…
” Terra Boa” (CBS, 137949, setembro/76) temos um novo grupo vocal-instrumental, o Fazenda Modelo, que embora a respeito do qual não se disponha até o momento (21/09/76) maiores informações, pode se afirmar de se tratar de brasileirissimos jovens, preocupados em valorizar a autêntica forma de canção rural brasileira, tão marginalizada pelas ditas elites brasileiras, para expressar as suas criações. Com exceção do sucesso do cearense Ednardo (“Pavão Mysteriozo”) e de uma longa reverência a Luiz Gonzaga, com a inclusão de trechos rápidos de 11 de seus maiores sucessos (” Asa Branca”, ” Chofer de Praça”, ” 17 e 700″, ” Baião”, ” Embalança”, ” Calango da Lacraia”, Derramando o Gas”, ” Forró no Escuro”, ” Siri Jogando Bola”, ” A Volta da Asa Branca” e ” Assum Preto”), todas as demais composições são dos próprios integrantes do Fazenda Modelo. Que, dão um exemplo de “country”: ao invés de simíescas imitações dos caipiras de Nashville & adjacências (válidos, mas para a realidade americana), Beto Prado (violão, baixo, viola de 12 e 10 cordas, guitarra e harmônica), Carlos Papel (violão, vocal), João Guimarães (bateria, percussão), Preguinho (percussão) e Kátia (vocal/ Percussão) mergulham em nossa realidade cabocla, retirando da temática rural os temas para 11 músicas da maior força. Pode-se gostar ou não das músicas apresentadas pela Fazenda Modelo, mas é inegável a honestidade e sentido de amor a cultura popular, sem macaquices , assumindo o canto do povo do Interior, presente em faixas como “Roça”, “Cambori”, “Terra Boa”, “Véio Chico” , “Cumpadre Mané Vito” e, principalmente, “Sete Léguas”. Num momento que a música rural brasileira necessita, urgentemente, uma revisão, o trabalho do deste septeto nos parece da maior honestidade e oportunidade. E o elepe em que são apresentados já mostra os bons ventos que começam a soprar na CBS , com a contratação de Jairo Pires para sua direção artista : uma detalhada contracapa, produção esmerada, valorizada pela participação de quatro excelentes músicos – Copinha e Jorginho nas flautas; Waltel Branco na guitarra havaiana e Moacir Freitas no oboé . Waltel e Orlando Silveira, alias, são os responsáveis pelos arranjos das faixas “Pavão Mysteriozo” e “Obrigado, Luiz Gonzaga”, enquanto que as demais ficaram a cargo dos próprios integrantes da Fazenda Modelo.