Albertinho Fortuna – Preludio (1963)

Olá amigos cultos, ocultos, simpatizantes e visitantes em geral. Vejam como nosso barco segue. Uns dias por aqui, outros por ali… atendendo a todos dentro do possível e razoável. Desculpem, mas esqueci quem havia me pedido este disco do Albertinho Fortuna, porém ficou anotado no meu caderninho o seu pedido. Tenho feito assim, vou anotando e quando surge a oportunidade eu vou postando. Pode até demorar, mas acaba aparecendo 🙂
Temos então Albertinho Fortuna, cantor romântico, muito popular nos anos 40, 50 e ínicio dos 60. Seu forte mesmo eram os tangos e boleros. Nos dias de hoje ele foi completamente esquecido. Em 1963 ele gravou “Prelúdio” seu último disco e um de seus maiores destaques. É neste disco que encontramos “Prelúdio para ninar gente grande”, composição de grande sucesso de Luiz Vieira e também a marcha-rancho “Estão voltando as flores” de Paulo Soledade.
Embora eu não conheça direito outros discos de Albertinho, acho este, entre os que já ouvi, o mais bonito, começando pela fotografia que ilustra a capa. Perfeita composição visual!
prelúdio para ninar gente grande
se a vida parasse
quem é
canção da manhã feliz
ave maria dos namorados
abraça-me
e agora
moon river
canção do fim
e a vida continua
perdoa-me pelo bem que te quero
estão voltando as flores

Miltinho – Ao Vivo! (1965)

Bom, como ninguém comentou nada sobre as últimas postagens, acredito que não tenha despertado tanto interesse assim. Dessa forma, vamos então mudando o nosso ‘spot’ para um outro ponto. Que tal ouvirmos um disco do Miltinho?
Milton Santos de Almeida participou de alguns dos grupos vocais mais populares das décadas de 40 e 50 como os Namorados da Lua, Anjos do Inferno, Quatro Ases e Um Coringa, entre outros. No início da década de 60 partiu para carreira solo, gravando de lá prá cá mais de cem discos.
O disco que trago para você hoje é um registro ao vivo onde ele, acompanhado por músicos como Raul Mascarenhas e Rildo Horta, canta alguns de seus maiores sucessos. Este álbum chegou a ser relançado alguns anos depois com uma outra capa e já foi até postado em outros blogs. Como só me dei conta disso agora, vamos com este mesmo.

implorar
palpite infeliz
leva meu samba
eu não tenho onde morar
nossos momentos
la barca
sabor a mi
eu chorarei amanhã
opinião
vou andar por aí
meu nome é ninguém
devaneio
confidência
agora é cinza
despedida de mangueira
formosa
boneca de pano
fita amarela
cinco letras que choram
aos pés da cruz
helena, helena, helena
verdade da vida
folha morta
nem eu
das rosas
estátua de estácio de sá
rancho do rio
mulher de trinta
recado
menina moça
ri
noite chuvosa
all the way

Armandinho – Trio Elétrico Dodô & Osmar (1977)

Vamos aproveitar essa passagem pela Bahia e seguir o Trio Elétrico de Dodô & Osmar, afinal, “atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”. E salve a Bahia!
Aqui temos então este álbum histórico, lançado três anos após o retorno do Trio Elétrico ao carnaval baiano em 1974, depois de um período de ausência. Nesta retomada, Osmar reúne os filhos e também Moraes Moreira que entra como o primeiro cantor do grupo. Antes o Trio só fazia instrumental. Armandinho, genial guitarrista da banda A Cor do Som, filho de Osmar, juntamente com Moraes Moreira dão vida nova a este grupo que surgiu nos anos 50.
Em sua originalidade, o Trio Elétrico virou uma tradição e se tornou um sinônimo de carnaval não apenas na Bahia, mas em todo o Brasil.
Neste álbum temos uma seleção de frevos e marchinhas já bem conhecida do público. Além das composições cantadas de Moraes Moreira que trazem uma nova roupagem ao grupo. A partir daí começariam a surgir, no estilo, outros carros elétricos e grupos pela cidade de Salvador.

hino do bahia
novo é o povo
cornetas do além
a lira e a jandira
com mil demônios
um pedacinho de tudo
frevo pesado
baiana brejeira
santos dumont, dodô e osmar
estrepolia elétrica
frevo dobrado n.2
bozó
saia do caminho
gostosão
vassourinha
vassourinha II

I Festival do Samba Na Bahia (1967)

Meus caríssimos, hoje eu tenho a honra de lhes apresentar um disco raro em todos os sentidos. “I Festival do Samba na Bahia”, um lp raríssimo lançado pela memorável gravadora baiana JS Discos em 1967. A primeira vista, pela capa e título, temos a idéia de que se trata de um disco de samba regional e tradicional. Daí é só colocar a bolacha no prato e sentir que o buraco é mais embaixo. Ou melhor, que o nível da coisa é mais acima. Nada de sambão, na verdade música popular brasileira da melhor qualidade. Samba sim, mas com gosto de bossa, de canção, de todo aquele espírito musical que imperava nos anos 60 e nos festivais. Uma seleção que ultrapassa o gosto regional, mesmo sendo o conteúdo temático principal, a Bahia e o Samba. Aqui podemos ouvir o Inema Trio, presente em cinco das doze faixas do álbum. Temos também neste disco composições de Antonio Carlos Pinto e José Carlos Figueiredo que viriam alguns anos depois formar a dupla Antonio Carlos e Jocafi. Por aí já dá para se ter uma idéia do estilo de samba deste suposto festival. Digo ‘suposto’ porque não encontrei em minhas pesquisas nenhuma referencia a este Festival. Daí, suponho (que me corrijam aqueles que sabem) que este disco não se trata de uma coletânea de finalistas de um festival. Também não se trata de um festival que aconteceu nos anos 70 como foi colocado pelo pesquisador e crítico musical Zuza Homem de Mello ao assinar o catálogo “No palco, os Festivais”, do Instituto Cravo Albin. Acho que ele não leu direito o título do álbum e nem o texto na contracapa. Observem que o lp tem o seguinte nome: “Primeiro Festival DO Samba NA Bahia” e não “Primeiro Festival de Samba da Bahia”. Entendi que nesta sutil diferença, a JS Discos (em 1967!) – que se despontava como o selo e gravadora do artista baiano – se apoiou na onda dos festivais (que se fazia forte naquela década) para (talvez) ‘alavancar’ as vendas deste lp. É certo que nos anos 60 e 70 aconteceram dezenas de festivais, nacionais e regionais e que infelizmente os registros de muitos desses eventos ficaram apenas na memória de alguns poucos ou fragmentados na sua própria história. Assim, com o passar do tempo, numa visão distanciada dos fatos, fica mesmo muito difícil separar o joio do trigo.
“Libertamos os grilhões a que nos cingiam as distâncias com o Centro Sul. Encurtamos os caminhos para todos – músicos, poetas e cantores. Somos a nova verdade bahiana nesse primeiro Festival do Samba na Bahia. Somos mais que um selo. Somos uma bandeira.”
Este trecho de texto da contracapa, mais do que um simples reflexo dos grandes festivais do eixo Rio-São Paulo, se refere à JS como o grande estandarte ou porta voz dos artistas que estavam fora daquela esfera principal.

alagados – inema trio
maria – inema trio
morte do amor – carlos ganzineu e inema trio
d’angola é camará – josé carlos figueiredo
roda de samba – inema trio
fim de festa – prefixo 4
retorno – carlos gazineu e sue safira
sebastião e a serenata – rosa virginia
cheguei tarde – antonio moreira
samba do mercado – inema trio
abolição – rosa virginia
na piedade um caso por caso marie oliveira

Benedito Costa – Delicado (1968)

Olá a todos! Hoje também estou atendendo um pedido. Na verdade, mais que isso, segundo o nosso amigo frequentador e colaborador, a quem eu chamo de “D”, um desafio. Encontrar um disco deste artista. Pois aí está, meu caro amigo, um álbum de Benedito Costa. Confesso que eu mesmo nunca tinha ouvido um disco deste solista de cavaquinho. Embora pouco citado, Benedito Costa é considerado um dos grandes nomes do Choro. Segundo o amigo “D”, não existem muitas informações sobre ele. Sabe-se apenas que era um maestro, compositor, arranjador e produtor paulista, da região de Ribeirão Preto. Tocou ao lado dos maiores chorões, participando de diversos discos, gravações e apresentações ao vivo. Segundo contam, foi ele o criador do cavaquinho de cinco cordas, sendo considerado um virtuoso deste instrumento.
O presente disco, foi gravado e lançado originalmente em 1968. Em 1983, o mercado para o Choro estava em alta e ele foi novamente relançado com esta capa. O repertório vem com alguns clássicos ao lado de composições próprias da melhor qualidade. Destaque também para as versões instrumentais de “Quem te viu e quem te vê” de Chico Buarque e “Ponteio” de Edu Lobo. Para os que não o conhecem eu convido a ouvi-lo. Benedito é genial!

delicado
carinhoso
boogie woogie do rato
quem te viu em quem te vê
o sol nasceu pra todo
meu plangente madrigal
ponteio
protofonia do baião
cavalgada ligeira
caprichoso
indeciso
tema volúvel
brasileirinho (bônus)

Taiguara – Fotografias (1973)

Embora eu tenha procurado apresentar aqui coisas inéditas, não posso fugir das coincidências e duplicidades de que estamos sujeitos. Agora mesmo lá vou eu postando este álbum do Taiguara. Depois de insistentes(hehehe…) e-mails de um grande amigo, não pude deixá-lo a esperar. Mas tenho certeza que este também será bem vindo por todos 🙂

Temos então outro trabalho emblemático de Taiguara – “Fotografias” de 1973. – sem dúvida, um de seus melhores discos. “Que as crianças cantem livres” é o carro chefe e vale por todo o álbum.
“Vê como um fogo brando funde um ferro duro. Vê como o asfalto é teu jardim se você crê, que há sol nascente avermelhando o céu escuro, chamando os homens pro seu tempo de viver. E que as crianças cantem livres sobre os muros, e ensinem sonho ao que não pode amar sem dor, e que o passado abra os presentes pro futuro, que não dormiu e preparou o amanhecer…”
.
que as crianças cantem livres
pra luiza
flauta livre
gotas
a companheira
o mundo é um só
romina e juliano
não tem solução
no avião
saudade de marisa
cartinha pro leblon
nova york
fotografias

Jorge Mello – Integral (1977)

Interessante… sempre achei que o Jorge Mello fosse baiano. Na verdade, pouco conhecia deste artista, além deste álbum e alguma outra canção. Agora estou tendo a oportunidade de ouví-lo melhor e descobrir um pouco da sua história. Coincidentemente, como Clodo, Climério e Clésio, Jorge também veio do Piauí. Começou sua carreira ainda criança, participou e ganhou diversos festivais de música e foi um dos artistas do chamado “movimento cearense de música”
no início dos anos 70 juntamente com vários outros artistas nordestinos como Fagner, Belchior, Ednardo, entre outros.
“Integral” foi seu segundo álbum, lançado pela Warner, depois de ter se destacado no primeiro trabalho de 1976. Numa grande gravadora ele pode então nos apresentar um álbum super bem produzido, surpreendendo a crítica novamente, ganhando vários prêmios.

moda nova
marinheiro
sassaruê
que de quadrilha
passo da ema
eu falei pra você
água barrenta
canto bonito
trancelin
hora, tempo e lugar
embolada

Clodo Climério & Clésio – São Piauí (1977)

Eis que finalmente chegou minha vez de postar um disco dos irmãos Clodo, Climério e Clésio. Este trio de compositores ficou mais conhecido nas vozes de artistas como Fagner, Dominguinhos, Tim Maia, Nara Leão, Amelinha e outros . Foi a convite de outro interprete de suas composições, o cantor e compoistor Ednardo, que os três gravaram em 1977 “São Piauí”, o primeiro disco. Este álbum abriu as portas para eles, fazendo-os conhecidos nacionalmente. Canções como “Cebola cortada” e “Conflito”, tornaram-se grandes sucessos e estão presentes neste lp. Confira no Toque Musical, pois aqui é cabelo e barba 😉

a noite, amanhã, o dia
cebola cortada
cantiga
conflito
folia ou pressa
ilha azul
zero grau
palha de arroz
cada gesto
céu da boca
nudez
são piauí

Paulo Britto – Atenção (1977)

Olá a todos! Continuando pela Bahia, encontrei outra raridade que acredito, muitos poucos se lembrarão. Estou falando de Paulo Britto, ex-bancário, ex-estudante, ex-craque do futebol baiano. Em 1975, surgiu no cenário musical com o baião “Chegando”. Quem é da Bahia há de lembrar dessa música e também do artista, que sumiu do mapa. Difícil de encontrar informações sobre ele. “Atenção” foi seu álbum de estréia, lançado em 77 pela RCA Victor. Tenho para mim, que o Paulo Britto foi outro artista do empresário Athayde Guimarães, o mesmo de Tom & Dito e Antonio Carlos & Jocafi, as pinceladas são bem parecidas. Podemos conferir tais semelhanças em praticamente todas as faixas do disco. Duas músicas são destaque neste álbum, “Sem molho” e “Lúcia quer”, que chegaram a fazer um relativo sucesso na época. Confiram essa raridade…

lúcia quer
sem molho
muito queijo e pouco pão
o tempo dirá
duas rosas
quem tava aqui não tá mais
boca cheia
deixa comigo
chegando
valsa
sumiço
atenção

Tom & Dito – Revertério (1976)

Domingão chuvoso na cidade, mesmo assim o trabalho corre solto por aqui. Aproveito o intervalo para fazer a postagem do dia. Hoje começando uma nova semana livre.

Mais uma vez temos aqui a dupla baiana Tom e Dito. “Revertério” foi o terceiro álbum e saiu pela Continental em 1976. O disco mantém a mesma linha dos dois primeiros, trazendo sempre algum destaque. Neste temos “Revertério”, um samba bem aos moldes de outra dupla baiana, Antonio Carlos e Jocafi. Tem também “Cretina”, música que fez sucesso na época, um quase samba-rock ou algo assim. Pessoalmente é a que mais me agrada neste lp.
Uma curiosidade: o empresário de Tom e Dito era o mesmo de Antonio Carlos e Jocafi. Por isso, qualquer semelhança, pode não ter sido mera coincidência.

cretina
bolero
incenso
vinte meninas
hortelã
meus camaradas
revertério
moça bonita
catibiriba
procura-se vivo ou morto
água viva
divã

Gueto – Estação Primeira (1987)

Olá amigos cultos, ocultos e visitantes em geral. Estou dando por encerrada a semana dedicada ao rock feito no Brasil nos anos 80 e começo dos 90. Gostaria de apresentar outros discos e bandas que embalaram meus vinte e poucos anos. Mas sei que essa época ainda continua viva, a memória ainda está fresca e tem muitos blogs por aí dispostos a mostrar tudo isso. Minha cota é esta aí…
Escolhi o Gueto, com seu álbum “Estação Primeira” para fechar com chave de ouro essa mostra da semana, porque é outra das minhas prediletas. Um grupo que se destacou, para mim, pela qualidade, versatilidade e toda a sua sonoridade. Na época não havia uma banda assim (pelo menos eu não conhecia), capaz de mesclar o rock com funk, com rap, com heavy… Desculpem-me a expressão, mas era uma puta banda!
“Estação Primeira” foi o álbum de estréia que de saída já veio com convidados ilustres como o genial trombonista Raul de Souza, o tecladista Paulo Calazans, o baterista e produtor Geraldo D’Arbilly (do Blue Rondo a la Turk, Peso…) e até o DJ Malboro foi chamado para o “Scratch”. Aliás, é bom lembrar, D’Arbilly e Pena Schmidt foram as feras responsáveis pela produção deste super disco. De quebra, tem ainda para ilustrar a capa, as fotos de Klaus Mitteldorf.
O Gueto gravou outros álbuns, mas nenhum chegou aos pés de “Estação Primeira”. Confiram…

g.u.e.t.o
a mesma dor
uma estória
esse homem é você
emoção
borboleta psicodélica
você errou
estação primeira
ensaio geral

Smack – Ao Vivo No Mosh (1985)

Mais um disquinho que eu gosto e que entra na dobradinha do dia. Smack, banda paulista, nascida em 84. Este grupo surgiu como um paralelo para seus integrantes que na época já desenvolviam outros trabalhos. Começando por Edgar Scandurra com o seu IRA!, banda que se tornou uma das mais respeitadas no cenário pop dos últimos vinte anos. Thomas Pappon era do Fellini e hoje mora em Londres, trabalha na BBC como jornalista e produtor. Pamps era da banda de apoio de Itamar Assumpção e dever estar por aí fazendo coisas boas 🙂 Sandra Dee era das Mercenárias e também deve estar por aí fazendo coisas boas 😀 Juntos eles gravaram dois discos, sendo “Ao vivo no Mosh” o primeiro e, para mim, o melhor. Para os ‘desentendidos’, ao vivo aqui quer dizer em estúdio, direto… Os caras tocam juntos, no mesmo instante, sem retoques… o som nú e cru. Gosto disso…

fora daqui
onde li
clone
desespero juvenil
n. 4
16 horas e pouco
limite eternidade
faça umas compras
chance de fuga
mediocridade afinal

Pin Ups – Scrabby? (1993)

Olá moçada! Começo assim porque sei que a turma que tem andado por aqui nesta semana vai dos 15 aos 30 anos, maiores que isso só a aqueles poucos como eu que curtem de tudo um pouco e muito mais. Hoje temos outra banda e disco que gosto muito, “Scrabby?” do Pin Ups. Este álbum, me parece, foi o terceiro ou quarto da banda. Apesar deste trabalho ter me agradado muito, não sei bem porque razão, não investi mais nos Pin Ups. Confesso que nem conheço direito os outros álbuns. Mas do pouco que já ouvi, “Scrabby?” ainda me parece o mais legal. Até na arte gráfica podemos encontrar muita qualidade. Um bom disco de rock para iniciar os anos 90, confiram…

dedicated
feedback simphony
she’s keeping time
i feel love
you die
pure
eviceration
never learn
crack
love to love
let me down
you hurt
bright
going on
way

Virna Lisi – Esperar Oquê? (1993)

Olás! Hoje eu vou atacar com os mineiros do Virna Lisi. Esta banda surgiu em Belo Horizonte no final dos anos 80, formada (essencialmente) por César Maurício e Ronaldo Gino. Os dois tinham anteriormente uma outra banda, na linha pós-punk, chamada “Saída de Emergência”. Depois mudaram para apenas “O Saída” e saíram mesmo… Nascia então, no início de 90, o Virna Lisi com uma proposta mais profissional, músicas mais bem elaboradas e produzidas, com uma sonoridade pretensamente diferenciada dos grupos da época. Tendo uma boa receptividade de público e crítica no lançamento deste disco, a banda se tornou uma das maiores representantes do rock feito nas Minas Gerais. Ganharam o cenário nacional ao tocarem em diversos festivais e shows pelo país. Participaram de uma coletânea de rock ao lado de bandas internacionais em um álbum lançado no Brasil e Europa. Gravaram mais dois discos, sendo o último por uma grande gravadora, a americana MCA. Acredito que nessa última investida, com o fracasso de vendas do álbum, a turma acabou aposentando o Virna. Um tempo depois, César e Ronaldo voltariam novamente à cena com o “Radar Tantan”, gravando o álbum “Entre o céu e o sol”.
Ronaldo Gino hoje, anda mais envolvido com produção e trilhas. Cesar Maurício por sua vez, segue em carreira solo. Lançou ontem seu primeiro disco solo, “Não posso devolver sem danos o seu bobo coração”, em um show na capital mineira. O cara tá com a bola toda e parceiros prá lá de ilustres como os irmãos Lô e Márcio Borges e outro de Santê, o Skank Samuel Rosa.

passa
a sombra há
lucidez
esperar oque?
bem vinda
caminho II
dia lento
o óbvio
de fora pra dentro
ofício

O Último Numero – Strip-Tease Da Alma (1987)

Como eu pretendo apresentar os rock/pop nacionais somente nesta semana, acho então terei de postar mais de um título nos próximos três dias. Enxuguei bem a seleção do que eu queria mostrar, mas mesmo assim ainda tenho para mais. O jeito será fazer mais de uma postagem por dia. Vocês com certeza, não irão ficar chateados, né? 🙂
Mais um grupo mineiro de destaque na cena pop belorizontina na década de 80, O Último Numero formado inicialmente por Jair Gatto (letras e voz), João Daniel (guitarra e violão), Paulo Horta (baixo) e Clôde (bateria). Detalhe: o João Daniel da guitarra é hoje mais conhecido com John, do Pato Fu. “O Strip-tease da alma” foi o primeiro disco da banda, lançado pelo selo independente Cambio Negro em 1986. Jairo Gatto era uma das grandes promessas como letrista, chegou a ser citado pela revista Bizz como um dos melhores poetas da música pop brasileira. John saiu para formar com Fernanda Takai o Pato Fu. O Último Numero continuou na estrada até por volta de 2001, quando lançaram o último álbum, “Museu do Mundo”.

a dama da noite
ars longa vita brevis
animal sentimental
jogo da amarelinha
insistência
eu não vôo
o tempo dos assassinos
perjúrio
agora não
destino
o strip-tease da alma

Patife Band – Corredor Polonês (1987)

Antes que alguém reclame, aliás nem precisava… temos aqui a Patife Band, grupo criado em São Paulo por Paulo Barnabé, irmão do não menos genial, Arrigo Barbabé. Este foi o único lp da banda, um disco que já se tornou um clássico do rock nacional. “Corredor polonês” é um álbum original, com uma pegada forte e nervosa, gosto muito disso… Um amigo o descreve como uma versão punk de Arrigo. Eu diria que Paulo e sua banda são bem mais que isso. Eles influenciaram muitos titans por aí. Infelizmente o grupo não teve a chance de se mostrar inteiro e já no final dos anos 80 a Patife já era lenda. Este disco chegou a ser relançado em cd, mas em edição reduzida e já se tornou tão difícil de achar quanto o vinil. Taí um disco que eu recomendo e faz parte da minha lista dos dez do rock 80 nacional.

corredor polonês
pesadelo
chapeuzinho vermelho
tô tenso
poema em linha reta
teu bem
três por quatro
pregador maldito
vida de operário
maria louca

Violeta de Outono – Em Toda Parte (1989)

Aqui vou eu com outra banda de tirar o chapéu, uma das minhas favoritas, Violeta de Outono. Estava na dúvida se deveria ou não postar este disco, pois afinal ele ainda continua à venda através do site da banda. Eu normalmente não costumo postar discos que estão no mercado, principalmente de artistas que sei que tem no disco também o seu ganha-pão. Mas confesso que não resisti a tentação de ter essa jóia postada no blog. Seria injusto não trazer entre os melhores essa incrível banda.
“Em toda parte” foi o primeiro disco do grupo. Uma fusão deliciosa de progressivo e psicodélico. Me faz lembrar o Pink Floyd nos tempos de Syd Barret, Zabriskie Point… Uma das coisas que acho mais legal no Violeta é que em seus outros discos, sempre mantiveram essa mesma sonoridade. Entre as dez melhores bandas brasileiras de rock de todos os tempos, incluo sem pensar duas vezes este grupo paulista.
Vou pedir uma coisa a vocês: ouçam este disco aqui, mas se gostarem, não deixem de comprar a versão em cd, pois vale muito a pena. O disquinho saiu em edição limitada no formato Mini-LP e remasterizado. Inclui também faixas bônus originais das sessões de gravação nos estúdios da RCA. Toquem este toque 😉

rinoceronte na montanha de geléia
em toda parte
venus
aqui e agora
outra manhã
ilhas
terra distante
dança
lunática

Mercenárias – Cadê As Armas? (1986)

Pois é… como diz o companheiro G&B são poucos os discos de rock (Brasil) que salvam os anos 80. Eu também não tenho dúvidas disso, apesar de ter sido a década onde a música jovem no Brasil ganhou mais espaço. Talvez por isso mesmo se tenha feito tanta ‘adrem’. Eu, da minha parte, só procurei guardar o que era bom. E aqui vai mais um dos que eu ouvia intensamente, “Cadê as armas?” disco de estréia da banda feminina Mercenárias. Formada em São Paulo por Rosália Munhoz no vocal, Ana Machado na guitarra, Sandra Dee no baixo e Lou na bateria. A banda se destacou por seu som pesado e letras ‘politizadas’. Como diz um outro amigo meu, as Mercenárias seria uma versão feminina e mais ácida dos Titans, pelo menos naquela época.

Elas gravaram apenas dois discos, sendo este o primeiro e com certeza o mais legal. Um álbum, literalmente, curto e grosso. Mas muito bem feito e com uma pequena ajuda de amigos como Edgar Scandurra, João Gordo, Vange Leonel, entre outros… Para os chegados em rock, eu recomendo… discão!
.
me perco nesse tempo
polícia
imagem
inimigo
pânico
amor inimigo
loucos sentimentos
labirintos
além acima
santa igreja

Harry – Fairy Tales (1988)

Existem certos tipos de música que, para mim, são como jogo de tênis ou golf, só fazem sentido se eu tiver participando. Por certo este não era o meu pensamento a uns vinte anos atrás. Na época, toda novidade era bem vinda e com aqueles bons ‘aditivos’ tudo ficava parecendo ainda mais maravilhoso e atraente. Ao longo do tempo a gente vai aprendendo, se lapidando, ficando velho e mesmo que mantendo os ‘aditivos’, muita coisa hoje já se tornou lixo. Porém, existem outras que ao contrário desta situação vão a cada dia mais crescendo no meu conceito. Um bom exemplo disso é a banda santista Harry. Criada em 1985 por Hansenharryebm nos vocais e na guitarra, Cesar Di Giacomo na bateria e Richard Johnsson no baixo, o grupo começou a carreira tocando tocando um rock experimental sujo e barulhento, cantado em inglês. Lançaram um EP em 86 e dois anos depois vieram com “Fairy Tales”, primeiro álbum da banda. Gravaram mais uns dois disco, quando em 1996 o grupo se separou dando fim a uma das maiores referências eletrônicas na cena independente brasileira.

Em 2005 o Harry voltou a atividade com a mesma formação. Lançaram o box “Taxidermy– Boxing Harry”, com versões remasterizadas e faixas extras de “Fairy Tales” e “Vessels’ Town”, além de um cd com raridades, remixes e algumas composições inéditas do projeto de 1996 que havia ficado na gaveta.
Bom, espero que vocês gostem de tênis, golf, xadrez e principalmente música pop-rock-noisy-eletronic-experimental. (aberto à comentários..)

sky will be grey
genebra
joseph in the mirror
you have gone wrong
lycanthropia
the beast inside
soldiers
the last birthday
silent telephone
death

Nau (1986)

Olá a todos! Estou começando hoje (especialmente) uma série de postagens dedicadas à música pop/rock brasileira nos anos 80. Não serão muitos e nem os mais populares, muito pelo contrário. São grupos alternativos, o som que eu ouvia nos anos 80 :). São discos que já na época eram raros, bandas ‘underground’ e edições limitadas. Sei que esta série poderá causar estranhamento e afugentar alguns de nossos frequentes visitantes mais interessados na “velha guarda” e álbuns antigos. Porém volto sempre a lembrar que o nosso blog não se limita a um estilo ou época. Estou sempre buscando e apresentando variedades, discos raros feitos no Brasil, por artistas brasileiros ou eventualmente estrangeiros quando estes tenham alguma relação com o país. Dessa forma dou início, excepcionalmente hoje, às postagens daquilo que fez a minha cabeça nos ano 80 e possivelmente até os 90.
Abro com chave de ouro: Nau, um super grupo paulista que gravou apenas este excelente lp. Me lembro de tê-los ouvido antes em uma coletânea da Baratos Afins. Depois saiu uma tremenda matéria na revista Veja (de duas páginas) sobre o grupo e o lançamento do lp. A crítica era só elogios. O grupo foi considerado a grande revelação do pop/rock brasileiro naquele ano. Pelo tudo que li dava para imaginar um futuro promissor para aquela Nau. Convencido da genialidade da banda, no dia seguinte comprei o lp. Foi a agulha trilhar os primeiros segundos dos sulcos daquele vinil para eu me apaixonar de cara. Sem dúvida, estava ali uma sonoridade, um conjunto perfeito e inédito até então. Como diz um amigo meu. “sonzeira!”. Realmente um discaço!
A Nau era formada por quatro jovens talentos, entre eles o baixista Beto Bigher que tocou na banda new wave Zero e a vocalista Vange Leonel que depois seguiria em uma inexpressiva carreira solo. Apesar do disco ser uma maravilha e de ter sido bem recebido pela crítica, ele não vendeu bem. Posso dizer que chegou a ser um fracasso. Acho que faltou mais interesse da CBS em colocá-los no mercado, além da sonoridade “heavy” que ia contra o modelo medíocre reinante daqueles anos 80. Talvez por isso mesmo o grupo tenha ficado apenas em um disco. Reafirmando, um excelente disco…

bom sonho
cálculos astronômicos
linha esticada
o que eu quero é você
balada
diva
corpo vadio
barcas
as ruas
novos pesadelos
nada