Brasil Batuque – Isto É Que É Batucada Vol. 2 (1975)

Enfim chegamos ao final de mais um ano. É hora de renovarmos nossos projetos e esperanças. É hora de terminar e também de pensar em começar. Apesar da crise anunciada, o pessimismo não me acompanha e eu acredito que em 2009 teremos um ano bom. Crises a gente sempre viveu, hoje somos ‘expert’. Por isso posso dizer com certeza, não deixaremos de ser mais felizes do que já somos. Viva o Brasil! Viva a nossa alegria! Paz, amor e fraternidade são os meus votos para todos no próximo ano. Aos amigos cultos, ocultos, visitantes anônimos de todos os lugares desse mundo que durante 2008 estiveram presentes com seus comentários e críticas, os meus agradecimentos. Valeu!
Aqui vai então o último do ano. Um disco nota 10, puro batuque. Se vocês já ouviram os lp’s do Luciano Perrone e confirmaram a simpatia, vão adorar mais essa pérola. Infelizmente não há muito o que se falar sobre o lp, suas informações foram suprimidas, reduzidas apenas aos títulos das faixas. Pela rede também nada aparece além de ser uma produção e direção artística de Durval Ferreira. Disquinho bacana para trilhar o fim de ano.

mistura n.1
mistura n.2
mistura n.3
mistura n.4

Orquestra de Pereira Dos Santos & Côro Popular De Samuel Rosemberg – 24 Seleções De Ouro Em Tempo De Samba (196…)

Ufa! Demorei, mas cheguei… Vejam vocês a minha desatenção, só hoje percebi que para muitos monitores o blog não aparece por inteiro. Eu esqueci de avisar que o blog é totalmente visualizado em 1280 X 720 pixels. Hoje levei até um susto na casa de um amigo ao abrirmos o blog em seu computador. Pensei que o ‘layout’ estivesse se desconfigurado, mas o que estava mesmo era o monitor dele. Por isso, fiquem avisados meus caros optantes das fontes grandes. Se a fita cassete não estiver aparecendo totalmente na tela, mude a resolução para a indicada acima. Você vai ver melhor este e a maioria do sites da rede.
Agora, dando sequência aos momentos finais, aqui vai mais um disquinho bacana para se ouvir na festa de passagem de ano, “Samba”. Este álbum reúne 24 clássicos do samba no maior espírito carnavalesco, interpretados pela orquestra do maestro Pereira Dos Santos e Côro Popular De Samuel Rosemberg. Um detalhe curioso deste disco, segundo um amigo discófilo, é que ele foi um dos primeiros gravados em sistema estereofônico no Brasil. Infelizmente essa qualidade estéreo ficou um pouco comprometida com o passar dos anos e das agulhas. Mas nada que nos tire o prazer de ouvir esta seleção musical que parece ter sido feita para brindar o ano novo.
A relação das músicas, desta vez eu não vou me dar ao trabalho de transcrevê-las. Está na capa!

Peruzzi E Sua Orquestra – O Samba Visita O Clássico (196…)

Meus amigos, my friends… Estou apostando no samba para este revellion e trago aqui as minhas sugestões para trilhar as emoções, os momentos felizes dessa festa. Inicio com um disco prometido, mais uma jóia do maestro Peruzzi misturando a música clássica com o samba. Depois do sucesso de “Violinos no Samba”, o maestro lançou um novo disco na mesma linha. São trinta e seis violinos, um oboé, piston, trombone e três vocalistas sopranos contra um cavaquinho, violão, contra-baixo, agogô, cuíca, pandeiro e afoxé. Um lp com dez faixas (podiam ser mais) por onde desfilam alguns dos mais famosos temas da música clássica. Desta vez pelo recem-criado selo/gravadora MGL – Minas Gravações Ltda de Belo Horizonte. Foi a primeira gravadora em Minas Gerais. Não tenho certeza, mas acho que este foi um dos primeiros lançamentos do selo.
Curiosamente, quem contribuiu para o surgimento da gravadora foi o maestro Peruzzi. Para se entender um pouco melhor a história deixa explicar… A MGL foi criada pelo engenheiro de som e inventor mineiro Dirceu Cheibi, sinônimo também de Bemol e Paladium. Um homem talentoso que ainda está hoje à frente de um dos mais importantes estúdios de gravação do país, a Bemol. Dirceu é pai do fera Linconl Cheibi, grande baterista de Milton Nascimento. Em uma entrevista ele conta ao repórter Peron Rarez como entrou no ramo de gravação: “Na década de 60, terminando o curso de Direito, eu trabalhava com um advogado amigo, o Dr. Célio Luís Gonzaga, que conheceu em São Paulo o maestro Edmundo Peruzzi. O maestro tinha acabado de estourar o LP Violinos no Samba, pela RGE. Tratava-se de uma idéia genial: orquestra sinfônica, com uma cozinha de samba, tocando 12 sucessos da música erudita. Foi sucesso no mundo. E o Peruzzi nos convenceu a entrar para o mundo fonográfico… aí começou tudo. Criamos em BH o Selo MGL – Minas Gravações Ltda.” Como vemos, este disco não nasceu em Minas por acaso e é sem dúvida, um dos mais importantes e histórico lançamento fonográfico feito nas Geraes. Coisa raríssima e esquecida, mas agora ressuscitada para 2009.
Recomendadíssimo!

lago dos cisnes (p. tchaikovsky)
fantasia impromptu – op.66 póstuma (f. chopin)
canção de ninar (brahms)
poema (fibich’s)
ária para corda de sol (j. s. bach)
stephanie (a. czibulka)
coppelia (l. delibes)
momento musical (f. schubert)
souvenier (f. drdla)
largo de handel (g.f. handel)

Claudio Dauelsberg E Delia Fischer – Duo Fenix (1988)

Olá! Já chegando na reta final de 2008 (putz, como passou rápido!), continuamos no pique total, sempre trazendo o que já não se encontra facilmente por aí. A galinha chocadeira aqui, não pára um só dia. É um atrás do outro… hehehe… Vamos então ao omelete…
O Duo Fenix, formado pelos excelentes instrumentistas Cláudio Dauelsberg e Délia Fischer, surgiu no final dos anos 80 com este disco que passou meio que batido, não merecendo a devida atenção da crítica especializada e do público. Isso é até compreensível, levando-se em conta que a música instrumental no Brasil, de uma certa forma, não é popular. Geralmente quando se fala em música instrumental associamos àquela executada por estudiosos, acadêmicos… gente que está em um patamar acima do gosto popular. O que não deixa de ser verdadeiro, porém o acadêmico, erudito, o artista conhecedor profundo de música também se aventura pelo popular, o tradicional e folclórico. Eis Villa-Lobos, melhor exemplo não há. Mas longe de qualquer observação crítica, a música instrumental do Duo Fenix, neste disco, é universal. Para gostos apurados. Há uma mescla de várias influências, a soma do que esses dois artistas trazem na bagagem. O álbum é sem dúvida de uma sonoridade encantadora. Eu até me arriscaria a chamá-lo de New Age, mas sei que vai bem além disso. Cláudio e Délia ainda contam com participações muito especiais de Vitor Biglione, Marçal, Peter Dauelsberg e Idriss Boudrioua.
Se você ainda não viu um que tenha, aqui vai ver que também tem… 😉

fenix
baião de dois
oktokar
fragmentos
ornithology
marchinha para ele
valsa perdida
máscaras
passos

Sebastiao Tapajos – Guitarra Fantastica (1976)

Olá a todos! Espero que os amigos não tenha estranhado o fundo musical ao entrar no blog. Descobri este ‘player’ recentemente e fiquei encantado com a qualidade e sua interface. Normalmente eu não gosto de entrar em sites com musiquinhas tocando ao fundo. Em geral a trilha é sempre de gosto duvidoso, além do quê, a gente nunca encontra o tocador ou uma forma de desligar o som. Já neste aqui a coisa é diferente. Fiquei impressionado com a qualidade sonora. Dependendo de onde você busca as músicas para carregar o player/tocador, pode-se ouvir com essa qualidade. Escolhi o visual da fita cassete por ser contemporâneo e o mais próximo do vinil. Nele temos todas as funções básicas de todos os tocadores: play, pause, stop, avanço e anterior. Super fácil de usar. Se a música que está tocando agora você não gosta, passe para a próxima. Meu tocador tem umas trinta músicas ou mais, dá para escolher bem 🙂 De qualquer forma, ele está aqui apenas de maneira experimental. Se complicar muito a gente tira, ok?
Bom, agora vamos ao disco do dia. Mais uma vez, marcando presença no Toque Musical, o violonista Sebastião Tapajós. Gosto muito desse instrumentista. Aqui temos o lp “Guitarra Fantástica”, gravado em 1976. O álbum foi gravado para o mercado europeu e japonês, não sei se chegou a ser lançado no Brasil. Desta vez Sebastião não está sozinho, o disco conta com participações de peso, que dão ao álbum uma riqueza ainda maior. Tocam com ele Hélcio Milito, Bebeto, Maurício Einhorn, Marçal e Heloisa Raso no vocal. Sem dúvida, um discaço!

samba em berlin
viola desgarrada
dança paraguaya
você
colibri
soldadinho de chumbo
aquarela do brasil
alegro sinfônico
samba, viola e eu
visões do nordeste
valsa venezuelana
prelúdio inca
verano porteño
cantigas de roda
la despedida

Edson José Alves – Meu Violão Brasileiro (1983)

Ontem recebi um e-mail de um amigo me pedindo desesperadamente este disco. Cheguei a achar estranho seu pedido, visto que este álbum já foi postado em outros blogs. Mas conhecendo o ‘Fuinha” como eu conheço, imagino que os links já tenham caducado ou a qualidade ficou aquém do esperado. Então, aqui vai o disquinho… música instrumental na veia!
Edson Alves é um músico talentoso. Baixista da Banda Mantiqueira e guitarrista da Orquestra Jazz Sinfônica. Ele é compositor, arranjador e instrumentista. Toca violão, viola, guitarra, contrabaixo, flautas, entre outros. Em Setembro do ano passado eu postei de Edson o álbum “Preamar”. Desta vez vamos com “Meu violão brasileiro”, trabalho lançado pelo Estúdio Eldorado em 83. Acredito que tenha sido seu primeiro disco solo. Um disco com dez faixas instrumentais e a participação de feras como Dominguinhos, Olmir Stocker e Heraldo do Monte. No repertório temos chôro, samba e valsa. Muito bom!
Aproveito, já que falamos de música instrumental e violão, para dar um alô ao violonista Álvaro Henrique, que me enviou um pedido de divulgação de seus videos no Youtube (1, 2 e 3). Henrique toca o “Concerto de Copacabana”, para violão e orquestra de Radamés Gnatalli, com a Orquestra de Câmara Vale do Paraíba e regência de Rogério Santos. Segundo o instrumentista, “a composição remete ao Rio idílico dos anos 40, pré-Bossa Nova, e representa as belezas naturais da cidade do Rio de Janeiro. A orquestra é um grupo que trabalha num projeto social em São José dos Campos, e vêm realizado um trabalho belíssimo.”

subindo ao céu
na praia das toninhas
da cor do pecado / caco velho
não leve a sério
noites cariocas
bachiana brasileira n. 5
chorinho pro miudinho
pedacinho do céu
moleque
chorei

Coral Da Universidade De São Paulo (1974)

Olá a todos! Feliz Natal! Espero que tenham tido uma noite feliz, com uma boa e farta ceia, rodeado dos amigos e familiares. E que o Papai Noel tenha lhes deixado muitos presentes ao pé da árvore. Vê aí se tem algum que ele deixou para mim 🙂 Na minha árvore ele desta vez deixou um disquinho, bem apropriado para o dia de hoje. Pediu que eu repassasse para vocês.
Assim, temos para hoje um dos mais consagrados grupo vocal brasileiro, o Coral da USP, neste disco lançado pelo selo Marcus Pereira em 1974. Nesta época o Coral estava no auge do sucesso, depois de ter sido reconhecido internacionalmente em turnês pela Europa e América e recebido diversos prêmios. Pelo repertório podemos ter uma idéia do diferencial deste grupo coral. Acredito que o Coral da USP tenha sido um dos primeiros no Brasil a inovar com um repertório eclético e elaborados arranjos vocais. Muito bom!

frevos diversos:
evocação
chuva, suor e cerveja
a dor de uma saudade
trio elétrico
moteto em ré menor:
beba coca-cola
dieu! qu’il la fait bon regarder!
suite dos pescadores
deep river
tourdion:
quand je bois du vin clairet
rumo ao sol:
espiral
im herbst
rosa amarela
salmo

Boas Festas (1960)

Nada com ter um blog para nessas horas poder desejar a todos um feliz natal, acompanhado de trilha sonora e tudo mais. Isso sim é que é um cartão musical! E ele vai para todos vocês, com os meus votos de boas festas. Feliz Natal!
Aqui temos mais um disquinho para servir de trilha nesta noite que se aproxima. Este é outro álbum com repertório natalino lançado (segundo me informaram) em 1960 pela RCA Victor. A bolacha traz doze temas tradicionais na interpretação de alguns dos mais importantes nomes da gravadora. Este disco só peca em um evidente detalhe, a capa. Nessa eles fizeram feio. Esse Papai Noel aí não convenceu. Se uma criança der de cara com essa figura, passa de imediato a não acreditar no bom velhinho. Mas tirando esse bizarro detalhe, o disco é muito bonito, confiram…

boas festas – carlos galhardo
natal branco – nelson gonçalves e trio de ouro
quando chega o natal – ivon curi
jingle bells – mozart e sua bandinha
o velhinho – carlos galhardo
noite silenciosa – trio de ouro
papai noel – carlos galhardo
natl pobre – trio nagô
natal das crianças – carlos galhardo
fim de ano – mozart e sua bandinha
natal – zaíra cruz
ano novo – ivon curi

Um Feliz Natal (1965)

Enfim, está chegando o natal. Pessoalmente, esta é uma data triste para mim. Acho que no fundo deve ser para todo mundo que já viveu muitos ‘natais’. Depois de algum tempo o brilho se transforma em apenas um ponto de reflexão. A gente ainda sorri, ainda demonstra alegria… mas percebemos que a cada novo natal a única coisa que temos é a esperança. Amigos, parentes, pai, mãe e irmãos vão se reduzindo. A gente fica querendo reviver momentos, mas eles são apenas passageiros, assim como nós. Ah, tristes reflexões… Deixa eu parar… tô começando a ficar deprimido. Acho que é por isso que eu preciso da música. Esse é meu acalento.
Para sinalizar o natal aqui vai, antecipadamente um disquinho para a noite da ceia. Este álbum eu não sei ao certo se é do natal de 65, mas vale para qualquer um. Um disco lançado pela Philips, reunindo alguns de seu artistas numa coletânea com as músicas mais conhecidas de natal. Entre tantas, a faixa que mais me condiz e que destaco é “Natal verde e amarelo” de Wilma Camargo, aqui cantada pelo excelente grupo vocal Os Titulares do Ritmo. Este deveria ser o nosso hino de natal.

é natal – os pequenos cantores da guanabara
quando chega o natal – hebe camargo
noite feliz – francisco josé e os pequenos cantores da guanabara
boas festas – neide fraga
natal das crianças – blecaute
papai noel – leni caldeira
o natal chegou – noite ilustrada
natal da menininha – mariazinha
nasceu jesus – silvinho
o que eu queria de natal – norma suely
natal verde e amarelo – os titulares do ritmo
natal de jesus – os três tons

Violas & Repentes – V Congresso Nacional de Violeiros (1978)

Salve! Começo a semana num corre-corre dando. Mas sempre encontro um minutinho para a postagem do dia. Nesta semana, devido a falta de tempo, vou apelar para minhas reservas, meus ‘discos de gaveta’. De repente, uns violeiros, que tal?
Taí, outro disco com o selo Marcus Pereira. “Violas & Repentes”, um álbum que procura registrar alguns dos melhores momentos do V Congresso Nacional de Violeiros, acontecido em Campina Grande, na Paraíba no ano de 1978. Violeiros e repentistas de todo o nordeste participam de festivais como este. Neste disco, que bem podia ter sido um álbum duplo, encontramos alguns dos maiores nomes desta arte musical. Figuras que se tornaram famosas em todo o nordeste como, Adauto Ferreira, Severino Feitosa, Sebastião Dias, Expedito Sobrinho e tantos outros, fazem deste um documento sonoro dos mais interessantes e agradáveis.

eu sou martelo de aço você pedra de granito
a vida na senzala
este mundo que eu vejo no presente eu não sei quanto tempo vai durar
minstérios do oceano
o vaqueiro nordestino
o cantar dos passarinhos
a pessoa que tem amor distante voa sempre nas asas da saudade

Paulo Cesar Pinheiro – Poemas Escolhidos (1984)

Olá amigos cultos, ocultos e demais visitantes! Embora seja domingo, com tempo fechado e uma ameaça constante de chuva, eu sinto que o dia vai ser legal. A postagem de hoje eu quero dedicar ao amigo Carlos, que generosamente me presenteou com a coleção Nova História da Música Popular Brasileira, da Abril Cultural, completa! A partir de janeiro estarei postando semanalmente, independente da temática, um disco da coleção. Pode ser até que demore um pouco para vocês completarem a série, mas vai valer a pena…
Aqui temos então um grande poeta da MPB, Paulo Cesar Pinheiro, que dispensa comentários (meus). Parceiro de inúmeros compositores da nossa música, neste disco se dedica inteiramente a nos apresentar trinta e três poemas escolhidos na ponta da caneta. Participam do álbum, cuidando do fundo musical, Dori Caymmi, Dazinho e Guinga.
Pelo que me informaram, neste disco vinham incluídos os poemas em texto. Infelizmente, essa parte eu vou ficar devendo.

infância
o centauro
suicídio
realista
inspiração
revelação
sensitivo
escolha
bíblica
o sábio I
o sábio II
solidão
santo guerreiro
festa de natal
bachianas brasileiras
diário de bordo
os rios
loucura
magia branca
vidência
bicho homem
mal constante
versos de amor
tema de valsa
fruta nativa
poeminha safado
deiscência
baticum
lendas
ofício
dilema
café pinhão
ciclo fechado
Fazem parte do fundo musical as seguintes músicas:
desafio – dori caymmi
estrela da terra – dori caymmi e pc pinheiro
chôro breve – guiga
evangelho – dori caymmi e pc pinheiro
prelúdio n. 3 – villa lobos
o homem entre o mar e a terra – dori caymmi
igreja da penha – guing
coincidência – nivaldo duarte e pc pinheiro
confidências- ernesto nazareth
lenda – dori caymmi
comovida n.1 e 2 – guinga
violão vadio – baden powell e pc pinheiro

A Música Em Pessoa (1985)

Olá! Hoje eu acordei com meus pensamentos na poesia de Fernando Pessoa. Sempre que penso neste poeta me recordo destes versos:
“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”
Diretamente isso não tem nada a ver com as minhas questões como blogueiro ou anunciação de alguma medida radical. Longe disso… Eu apenas recorro ao texto para abrir uma nova temática (ou sair dela) e ornamentar esta postagem que considero especial. Fernando Pessoa é um dos meus poetas prediletos. Sua mensagem me é sempre sinalizadora e aconselhadora.
O presente álbum é foi um projeto criado por Elisa Byington e Olivia Hime no sentido de celebrar o cinquentenário da morte do poeta. A idéia foi convidar alguns dos maiores nomes de nossa música e teatro para musicar e interpretar seus versos. O disco ficou realmente lindo e só pecou pelo fato de não ser um álbum duplo. Temos então os parceiros e os interpretes do grande poeta e seus principais heterônimos (Alvaro de Campos, Alberto Caeiro, Bernardo Soares e Ricardo Reis) confiram…

o rio da minha aldeia – alberto caeiro e tom jobim – tom jobim
segue o teu destino – ricardo reis e sueli costa – nana caymmi
glosa – fernando pessoa e francis hime – francis e olivia hime
meantime – f. pessoa e ritchie – ritchie
emissário de um rei desconhecido – f. pessoa e milton nascimento – eugênia melo e castro
pasagem das horas – álvaro de campos e francis hime – marcos nanini
meus pensamentos de mágoa – f. pessoa e edu lôbo – edu lôbo
livro do desassossêgo – bernando soares, olivia e edgar duvivier – olivia byington
saudade dada – f. pessoa e arrigo barnabé – arrigo barnabé
na ribeira deste rio – f. pessoa e dori caymmi – dori caymmi
cavaleiro monje – f. pessoa e tom jobim – tom jobim
o menino da sua mãe – música de francis hime e intrepretação de marília pêra
quem bate à minha porta – f. pessoa e arrigo barnabé – vânia bastos
cruzou por mim, veio ter comigo numa rua da baixa – música de nando carneiro
interpretação de jô soares

Aparecida – Foram 17 Anos (1976)

Para fechar a semana, volto com mais um disco da sambista Aparecida em seu segundo álbum. No primeiro, postado aqui a uma semana atrás, faltou incluir a sexta faixa. Preferi esperar até agora, quando estou trazendo mais um disco, para informar que o link já foi corrigido.
“Foram 17 anos” é talvez o álbum de Aparecida que mais se destacou. Este é mais um álbum produzido por Durval Ferreira e arranjos e regência de José Menezes. Para melhorar o cozido, além de outros músicos e ritmistas (Conjunto Nosso Samba), há a participação especial de Sivuca e o côro dAs Gatas. Muito bom, confiram o toque…

17 anos
tributo às almas
santo antonio de pemba
os deuses afros
melodia não deixa parada de lucas
grongoio, popoió
diongo, mundiongo
aruê
todo mundo é preto
saravá,saravá bahia
lágrimas de oxum

Saul Barbosa – Movimento (1986)

Olás! Alguém aí quer chuva? Putz! A coisa aqui para os meus lados está de mofar. Quer dizer, antes fosse só o môfo da umidade, mas tem também o estrago que esse tempo provoca. Meu fim de semana foi literalmente por agua a baixo. 🙁 Por outro lado, ficando preso em casa, terei tempo para preparar as postagens da próxima semana.
Aqui vamos nós com mais um baiano, o compositor e violonista Saul Barbosa. Se não me engano, este foi o álbum de estréia de Saul, lançado pela gravadora Estúdio de Invenções do artista plástico e compositor Augusto Jatobá, que também responde pela capa do disco. Este selo foi responsável pela projeção de vários artistas baianos, principalmente da música instrumental.
“Movimento” não é um disco instrumental, porém sua força não está nas letras, concentra-se na música, na valorização dos instrumentos e instrumentistas. Participam do discos figuras como Márcio Montarroyos, Chiquinho do Acordeon e Guto Graça Melo.

a rainha e o peão
bola de gude
mestiça
jiboiando
partindo ao meio
amor de além mar
veloz lentidão
coisas a brasileira
correndo na chuva
movimento

Paulinho Andrade – Sax Appeal (1991)

Na sequência, vou contrastando com a música instrumental, que por acaso também vem da Bahia. Desta vez temos o saxofonista Paulinho Andrade em seu primeiro lp lançado pelo Estúdio de Invenções, um selo que se dedicava à música instrumental. Paulinho foi um dos fundadores da Banda Eva, um trabalho mais comercial. Mas seu forte mesmo está no instrumental. Atualmente ele vem se dedicando a carreira solo com o “Paulinho Andrade Quarteto”, grupo que o acompanha em diversos shows.
“Sax Appeal” é um nome bem sugestivo para este álbum de estréia. Um trabalho que revela bem as qualidades desse saxofonista baiano. Ele vem bem amparado por um grupo de instrumentistas que não deixam a peteca cair. O álbum ainda conta com a participação de Carlinhos Brown.
Taí uma dica de um grande instrumentista, Paulinho Andrade! Confiram…

olivença
passeio na barra
sax appeal
periférico
canoa quebrada
coisas do brasil
tecno
black trunk

Ara Ketu – Contos De Benin (1988)

Olá meus caros amigos cultos, ocultos e demais visitantes! Como se pode ver ainda estou em ritmo baiano. E hoje, mais uma vez, pretendo postar dois disco. Começo por este disco do grupo Ara Ketu que até pouco tempo eu nem conhecia. Confesso, tinha mesmo uma certa resistência.
Mas ao ouvir o disco sem idéias pré-concebidas, descobri um trabalho interessante, singular e contagiante. O grupo surgiu do bloco carnavalesco criado em 1980. Embora eu não conheça os outros discos do Ara Ketu, sei que de grupo virou banda. Mudaram um pouco a trajetória, incluindo instrumentos como teclados e metais. Fizeram muito sucesso e ganharam popularidade. Daí para o Axé foi um pulo. Contudo, porém, todavia… convido vocês a ouvirem esse álbum que é no mínimo uma boa curiosidade.
contos de benin
sentimento de um povo
crianças desabrigadas
ara ketu voz da natureza
canção do livramento
reino de daomé
desgosto de mãe
raiz
musa do ara ketu
povos de daomé

Tavinho Bonfá – Sem Palavras e É Tão Perfeito (1988)

Olá amigos e amantes da música! Embora meio sem tempo, aqui estou eu para a rodada do dia. Hoje iremos de música instrumental e por um pequeno erro meu, extraordinariamente, teremos não apenas um disco, mas dois em uma só postagem.
Estou trazendo para vocês oinstrumentistaa Tavinho Bonfá, que pelo nome já dá para saber que o moço tem algum parentesco com Luiz Bonfá. Tavinho é na verdade sobrinho do violonista, mas é também conhecido como Otávio Burnier, da dupla Burnier & Cartier.

Os discos que aqui seguem foram lançados no mesmo ano, 1988. São dois álbuns de produção independente. O primeiro “Sem Palavras” é um álbum totalmente instrumental, gravado no Rio e finalizado em Nova York, com participações de músicos americanos e brasileiros. Me parece que este disco foi promocional, uma encomenda para uma empresa de catálogos telefônicos. O outro disco, “É Tão Perfeito” segue o mesmo esquema de produção do primeiro, só que não é instrumental. Pessoalmente, acho esses dois discos medianos, principalmente e se comparado à trabalhos anteriores como em dupla com Cartier.
Como já disse outras vezes, costumo postar não apenas aquilo que gosto, mas também aquilo que dá gosto. Por isso o Toque Musical é assim variado. Um blog para quem escuta música com outros olhos 😉

É Tão Perfeito
.
é tão perfeito
professor de português no eua
musa
perto de você
sonhe com os anjos
ainda sou o mesmo
amor fora da lei
sem você
quando é verão
vem me dar um beijo
.
Sem Palavras
.
sem palavras
classical gas
beijo submerso II
visita presidencial
manhã de carnaval
agora mesmo
trenzinho caipira
mineral com jazz
amplificador de luz

Orquestra De Música Brasileira (1988)

Inicio a semana com boas novas. O nosso amigo Zecaloro do Loronix acabou de lançar seu novo projeto, uma enciclopédia eletrônica de música instrumental brasileira. Trata-se de um site, o “Músicos do Brasil – Uma Enciclopédia“, onde podemos encontrar informações precisas sobre os instrumentistas brasileiros. Taí uma nobre e necessária iniciativa a favor da memória musical em nosso país. Segundo o Zeca-Mauro “a Enciclopédia apresenta, além dos verbetes, dissertações universitárias que foram gentilmente cedidas por seus autores, e ensaios escritos especialmente para o projeto sobre os mais diversos aspectos da música instrumental brasileira.” Taí, mais uma boa fonte para nossas pesquisas. Saiba mais sobre o projeto no Loronix. Parabéns a toda a equipe envolvida neste trabalho!
Para brindar o momento instrumental estou postando a OMB – Orquestra de Música Brasileira em seu primeiro e único disco. Um álbum independente lançado em 1988, super elogiado pela crítica. A OMB foi criada e era regida por Roberto Gnattali. Em 91 fizeram sucesso em apresentação no “FREE Jazz Festival”. Muitos de seus integrantes, hoje são figurinhas conhecidas e respeitadas no cenário da música instrumental.
Não vou entrar em detalhes quanto ao disco e seu repertório, deixo que vocês o descubram por si só, o encarte é bem detalhado. Tenho certeza que todos irão gostar. Afinal é música brasileira e da boa! Toque este toque 😉

meu amigo tom jobim
quebra pedra
aquarela do brasil
jura
ou vai ou racha 1
ou vai ou racha 2
avenida
marimbanda
cantos silvestres afoxé
frevereiro

Camafeu de Oxossi – 1968 e Berimbaus Da Bahia (S/D)

Alternando entre os discos do Projeto Minerva, tenho apresentado alguns outros ligados à música de Umbanda, dos terreiros e fundo de quintal. Nessa linha, a Bahia é insuperável, rica em suas tradições e complexa nas questões espirituais, é por certo o estado brasileiro que melhor caracteriza a essência da cultura negra e sua herança africana.

Hoje, na sequência, estou trazendo uma das figuras mais interessantes da Bahia, Apio Patrocínio da Silva, o Camafeu de Oxossi. Personalidade tradicional baiana, conhecido internacionalmente através de sua famosa barraca São Jorge, foi tocador de berimbau, batuqueiro, ex-presidente dos Filhos de Gandhi e outras escolas de samba baianas. Tornou-se dono de um restaurante que ganhou seu apelido, “Camafeu de Oxossi” e desde então se tornou um dos pontos obrigatórios de passagem para todo o turista que visita Salvador. Apio ou Camafeu se preferirem, gravou apenas dois discos. No primeiro, lançado pela Philips em 1968, com uma bela capa do artista Caribé e texto de apresentação na contracapa de Dorival Caymmi, temos de um lado composições próprias para o Candomblé e do outro lado cantos de domínio público, recolhidas por Camafeu. O segundo álbum “Berimbaus da Bahia” também contou com texto de Caymmi e capa de Caribé. Um disco dedicado aos cantos de capoeira, alguns extraídos dos velhos tempos de escravidão. Este disco chegou a ser relançado uma década depois com outra capa e nomeado apenas de “Berimbau”, como podemos ver na foto menor ao lado. Até então, foi o único lp ressuscitado pelos blogs. Os dois discos de Camafeu de Oxossi são mesmo muito raros, por isso resolvi postá-los em conjunto. Infelizmente, mesmo com alguns cuidados, eu não consegui eliminar os estalos e chiados que acabaram sendo incorporados à percussão. Os encartes também precisam ser refeitos, mas isso eu farei caso haja interesse por parte de vocês. Como já dizia minha avó, a pressa é inimiga da perfeição. Mas eu ainda chego lá…
Camafeu 1968
ogum
exu-onã
oxum
oxossi
oxalá
crioula pariu mulata
bahia, minha bahia – canarinho da alemanha
canto contado
confirmação de oxossi
Berimbaus da Bahia
babá mixorô
moriô
ojo matin dolaie
afoxê loni
alá filá alá
adabaô no mafé
alá la la ê
paraná
quem quiser moça bonita
samba do mar
adeus corina
sou eu malta
vou dizê a meu sinhô que a manteiga derramou

100 Anos De Música Popular Brasileira – Projeto Minerva Vol.7 (1975)

Olá amigos cultos, ocultos e demais passantes. Ainda não acertamos com o quadriho de bate-papo? Não sejam preguiçosos 🙂 Não desistam…
Hoje finalizo a postagem dos quatro álbuns que tenho disponível do Projeto Minerva. Como informei anteriormente, esta coleção é composta de oito volumes. Foi lançada em 1975 pelo MEC através da Tapecar. Nos anos 80 a coleção voltaria num relançamento pobre da Soma/Sigla, sem preocupação ou cuidado de incluir as informações como no original. Depois de haver postado os quatro discos, vejo o quanto são raros. Ninguém tem, ninguém viu… mas quem sabe, numa hora dessa aparece…
O disco deste volume é todo dedicado ao samba e traz registros raros do mestre Cartola. Tem a música de Nelson Cavaquinho, Candeia e Martinho da Vila. Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Elza Soares e Roberto Silva. Pronto, não precisa dizer mais nada, não é mesmo? Momentos realmente raros com gosto de quero mais 🙂 Toque aí…

divina dama – quem me vê sorrindo – cartola
o sol nascerá – cartola
alvorada – cartola
acontece – cartola
notícia – roberto silva
luz negra – beth carvalho
a flor e o espinho – beth carvalho
as folhas secas – beth carvalho
a voz do morro – roberto silva
diz que fui por aí – elza soares
casa de bamba – roberto silva
tom maior e pequeno burguês – beth carvalho
canta, canta minha gente – elza soares
tiradentes – roberto silva
heróis da liberdade – beth carvalho
filosofia do samba- paulinho da viola
minhas madrugadas – paulinho da viola
manhã de carnaval – elza soares