Caco Velho – Coletânea Toque Musical – 78 RPM (2009)

Como e havia prometido e também no sentido de completar o que seria somente a postagem de ontem, aqui estamos novamente com o fabuloso Caco Velho. Os arquivos deste “disco” que eu montei, com direito a capinha (gostaram?), me foram enviados pelo amigo culto (e as vezes oculto) Tales. Pelo que ele me informou e também pelas minhas consultas às fontes históricas musicais, estes arquivos nos trazem alguns dos primeiros registros de Caco Velho em discos de 78 rpm. Há também gravações com outros artistas interpretando composições do “sambista infernal”.

Nesta semana nós não tivemos o dia do artista independente, devido a uma falha minha de não preparar antecipadamente alguma coisa relacionada ao tema do samba. Cheguei até a fazer contato de última hora com uns artistas independentes, mas eles não me responderam. Suponho que já estejam bem divulgados em outro blog. Além do mais, nesta troca de figurinhas, o Toque Musical tem ficado só com as repetidas. Espero que para os próximos haja uma contrapartida, uma pequena divulgação do blog nos sites do independentes. É justo, não? Contudo, para a próxima semana, ainda no ritmo do samba, vou trazer quem realmente precisa de uma força. Aqui é assim, uns sambam e outros dançam… 🙂
carreteiro – trio de ouro
a vida é uma mentira – aracy de almeida
samba russo – caco velho
mania da rita – caco velho
é mania – caco velho
preto alinhado – caco velho
porto rico – caco velho
barriga vazia – caco velho
por um beijo teu – caco velho
nêga mentirosa – caco velho
nêga – caco velho
minha candidatura – caco velho
viva o rio – caco velho

Caco Velho – Coletânea Toque Musical (2009)

Aqui estou eu neste sábado maravilhoso, trazendo para vocês um presente muito especial. Uma coletânea do sambista Caco Velho. Um nome pouco lembrado hoje em dia, mas sem dúvida, um artista genial. Gaúcho de Porto Alegre, começou a carreira nos anos 30, na Rádio Gaúcha como ‘crooner’ e pandeirista do Regional de Piratini. Também tocava piano, bateria e contrabaixo. Seu nome era Mateus Nunes. O apelido ou nome artístico Caco Velho vem da canção de Ary Barroso, esta era a música que ele mais gostava de cantar. Daí veio o epíteto nominal. Ele também trabalhou no cinema, em musicais de carnaval da Atlantida. Esteve por um tempo na Europa excursionando como cantor da Orquestra de Georges Henri. De volta ao Brasil, abriu uma casa de shows, a “Derval Bar” e depois outra, a “Brazilian’s Bar onde se apresentava com seu conjunto. Seguiu depois para os ‘States’ onde também fez apresentações. Depois foi para Portugal onde foi atração musical em rádio e televisão. A cantora portuguesa Amália Rodrigues chegou a gravar duas de suas músicas (esqueci de comentar que ele também era compositor hehe…)

A coletânea que tenho para vocês, na verdade trata-se de uma discografia incompleta, mas essencialmente básica. Tenho aqui um 3 em 1. Quer dizer, três álbuns importantes da carreira desse artista, reunidos por mim e graças à colaboração de alguns amigos cultos. São eles os seguintes discos: O compacto duplo lançado pela Copacabana em 1956, “A Voz do Sangue”, “Vida Noturna Nº1” de 1957 e aquele que deveria ser um dos 300, o delicioso “Comendador da Bossa Nova”, lançado em 1963. Tenho certeza que vocês irão gostar. E já prometendo para amanhã, tenho mais uma dose de Caco Velho. Aguardem… 😉
*A Voz do Sangue
a voz do sangue
chaufeur de lotação
raça
tem que ter mulata
*Vida Noturna Nº 1
botina estranha
não consigo entender
adoro a dora
silêncio
minueto
me diga teu nome
caco velho
nêga
minha candidatura
mulher infernal
se acaso você chegasse
vegeto sem mulher
*O Comendador da Bossa Nova
onde está
a cuíca está roncando
meu fraco é mulher
não faça hora comigo
maria cândida
parei na jogada
o pato
não quero intruso no meu samba
uma crioula
samba do meu tio
tonalidade original
samba de uma nota só

Carlão Elegante – Um Cidadão Sambista (1979)

Olha aí, meus prezados, quem vem pintando no pedaço… Carlão Elegante, conhece? Acredito que muito poucos fora das rodas de samba do Rio de Janeiro o conheceram. Digo isso e no tempo passado porque sou também um dos que nada sei a seu respeito e no pouquíssimo de referência que encontrei sobre o sambista, consta já ter falecido. Espero, pelo menos nesse ponto estar enganado. O pouco que encontrei são apenas referências à sua pessoa, nada muito consistente. Carlão foi puxador de samba, me parece que pela Estácio. Foi parceiro de Nei Lopes em diversos sambas e participou em disco de outros artistas, inclusive Elizete Cardoso. Há também referências a um Carlão Elegante no cinema nacional dos anos 70, mas meu tempo não me permitiu uma pesquisa mais detalhada que comprovasse isso. Acredito que este tenha sido seu único disco, lançado pela CBS em 1979. O álbum é bem produzido e apesar de não trazer muitas informações, percebe-se logo na primeira faixa que o Carlão está bem acompanhado por músicos que não deixam a peteca cair. A voz do sambista é poderosa e faz jus à fama de puxador de escola de samba. Acredito que este é um bom e raro disco de samba, que merece o nosso toque musical. Confira aí e dê a sua opinião. Tá valendo?

um cidadão sambista
morar no meu peito
soprou bom vento
desamor
explicação
papel de pão
mundo desigual
samba sim
momento de paz
mar de encanto
o violão e a conqusta
almôndegas de ouro

Cyro Monteiro, Nora Ney, Clementina De Jesus – Mudando De Conversa (1972)

Bom dia! Aqui vamos nós na sequência e na cadência bonita do samba. Desta vez trazendo um trio de ouro, Cyro Monteiro, Nora Ney e Clemetina de Jesus ao lado do Conjunto Rosa de Ouro. Como se pode ver, estamos com uma bela fortuna, criada pelo Midas, Hermínio Bello de Carvalho. Este disco é um registro ao vivo do show “Mudando de Conversa”, criado e produzido por Hermínio em 1967 no Teatro Santa Rosa, Rio de Janeiro. Participa também, ao violão, o jovem Jards Macalé. O espetáculo, como não podia deixar de ser, foi logo, no ano seguinte, transformado em disco e lançado pela Odeon. Em 1972 a gravadora o relançou pelo seu selo de venda domiciliar, o Imperial.
Uma curiosidade minha que eu não consegui descobrir: afinal, quem eram os integrantes do Conjunto Rosa de Ouro nesta apresentação? Seriam o mesmo do show/disco de 1965? Numa pesquisa rápida, não consegui juntar as peças desse quebra-cabeça. Algum comentário esclarecedor?
lamento
formosa
sacode carola
madame fulano de tal
divina dama
sofrer é da vida
risoleta
mudando de conversa
de cigarro em cigarro
neste mesmo lugar
bar da noite
eu e a brisa
se o carnaval acabar
sabiá
mulato bamba
escurinho
falsa baiana
que samba bom
meus vinte anos
aves daninhas
não te dói a consciência
castigo
não quero mais amar ninguém
se a saudade me apertar
saudade dela
leva meu samba

Telinho / Dominguinho Do Estácio – Sambistas Unidos (1975)

Olá! Uma pausa para o café. Ontem eu fechei de vez as portas do outro Toque Musical. Mesmo com um baita aviso no cabeçalho dizendo que as atividades do blog estavam concentradas aqui, ainda tinha gente insistia em segui-lo por lá. Agora vai acabar a confusão. Espero que todos se acomodem, cultos e ocultos, sempre presentes 🙂

Chega de choro e vamos de samba! Para nossa terça-feira, eu tenho aqui mais um autêntico, ou melhor, dois autênticos representantes do samba, Telinho da Mangueira e Dominguinho do Estácio. Este lp saiu em 1975 pelo selo Musidisc de Nilo Sérgio e contou com a direção musical do Mr. Sax, maestro Moacyr Silva, que soube dar aquela polida na prata, deixando o disco com cara de samba e não de pagode. Confiram aí…, que eu vou voltar ao trabalho.
o morro sou eu
esquema
meu garoto
o certo
amor e paz
chegou a hora
obrigado bateria
nanã buruquê
conclusão
tem veneno
minha santa ignorância
vamos à mangueira

Zuzuca (1974)

Bom dia, meus prezados! Esta semana eu quero me concentrar no samba. Teremos aqui alguns discos e gravações que irão enriquecer sua discoteca virtual ou o seu blog musical :). O importante é compartilhar o que já não se encontra para vender ou para lembrar.

Inicio então a semana com este disco nota 10 do Adil de Paula, mais conhecido com Zuzuca do Salgueiro. Para aqueles que não o conhecem, ele foi um dOs Cinco Só, grupo de samba criado em 1968 por Zuzuca, Wilson Moreira, Jair do Cavaquinho, Zito e Velha. Começou como compositor de sambas quando ingressou no Salgueiro. Em 1964 compôs o samba enredo “Chico Rei” que levou o Salgueiro ao segundo lugar no Carnaval daquele ano. É dele também, em parceria com Noel Rosa de Oliveira, o famoso samba “Vem chegando a madrugada”, sucesso na voz de Jair Rodrigues, regravado por Elizete Cardoso e outros. Tem também aquele famoso samba enredo “Festa para um rei negro”, cujo o refrão todo mundo já cantou: “…pega no ganzê, pega no ganzá…”
Este álbum de 1974, foi seu primeiro disco solo. Um lp recheado com sambas de qualidade, onde ele gravou não apenas suas composições, mas também de ilustres figuras como Ataulfo Alves, Nelson Cavaquinho, Geraldo Pereira, Baden e PC Pinheiro, entre outros… Confira já ou espere pelo genérico 😉
sonhos de menina
nome sagrado
vida da minha vida – pois é – sei que é covardia
tião
só deus
meu protetor
fim de festa
batuque do morro velho
última forma
obrigação – naufrago – pisei num despacho
pedro pedregulho
liberta meu coração
decadência
meu samba, meu gongá

Claudette Soares – De Tanto Amor (1971)

Boa noite, meus prezados amigos, cultos e ocultos! Demorei mas não faltei. A estrada foi longa e só agora sobrou um espaço necessário para atualizar o dia.

Trago hoje e mais uma vez a grande diva Claudette Soares. Uma cantora que dispensa apresentações, mas nunca nossa atenção. Por isso, resolvi postar este disco que, com certeza, irá agradar a todos. “De tanto amor”, foi um álbum lançado em 1971, uma fase muito boa de Claudette, que passeia com desenvoltura por treze faixas super selecionadas. O disco conta com a produção musical de Roberto Menescal e tem César Camargo Mariano como o arranjador principal. Uma curiosidade a parte é a participação do grupo O Terço na faixa “Ave Maria” de Menescal e Paulinho Tapajós. Este álbum foi relançado em 1985, numa segunda chance pelo selo Fontana da Philips/Polygram. Não sei se saiu também em cd, mas é bem provável que sim.
ave maria
amigo
por causa de você
de palavra em palavra
depois
coisas
eu não quero ver você triste
um novo sol
ao amigo tom
escada para o anti-sol
eu corro pra ver
medo
de tanto amor

II Festival Internacional Da Cançao Popular (1967)

Um dia longo, um tanto triste, pero soy latino americano e nunca me engano. Vamos enfrente que a estrada é a mesma para todos nós. Somente a música tem o poder mágico de nos acalentar ou de nos acompanhar. Vamos a ela…

Hoje, embora longe das coisas que sempre ficam próximas, tive o cuidado de deixar tudo preparado para não faltar com a postagem do dia. Estou em trânsito pelas estradas de Minas, mas antenado com a ‘blogsfera’ e o resto do mundo. Reservei para o nosso sábado este disco bacana sobre o II FIC de 1967. Acredito que não se trata de um álbum oficial, mas tem tudo a ver. Temos aqui um lp lançado pelo selo Ritmos da Codil em 1967. Nele temos o lado A, composto de seis músicas gravadas ao vivo no próprio festival, sendo que duas delas foram as finalistas – “Travesseia” com Milton Nascimento e “São os do norte que vem” com Claudionor Germano – respectivamente 2º e 5º lugares. No lado B temos gravações feitas nos estúdios da Rio Som de outras que foram classificadas, com direção artística de Agostinho dos Santos.

Conferia aí mais este toque do amigo aqui viajante 😉
travessia – milton nascimento
são os do norte que vem – claudionor germano
morro velho – milton nascimento
fala baixinho – ademilde fonseca
se você voltar – zezé gonzaga
maria, minha fé – agostinho dos santos
margarida – maricene
carolina – maricene
segue cantando – quarteto 004
chora minha nêga – reginaldo bessa
foi no carnaval – tita
o sim pelo não – alcyvando luz
quem diz que sabe – quarteto 004

Christophe Rousseau – Na Casa Do Músico (2009)

Bonjour! Hoje meu dia vai ser foda! Daí, serei ainda mais vespertino, agilizando para não ficar no atraso. Tenho uma boa surpresa, que preparei ao longo da semana.
Apresento a vocês o franco-uruguaio-carioca, Christophe Rousseau, um artista independente que vive entre o Brasil e a Europa. Ele passa seis meses na França, tocando em diversos lugares e nos outros seis ele está no Rio. Chris é uma figura conhecida do blog. Foi através dele que o Toque Musical lançou as polêmicas fitas de João Gilberto na casa de Chico Pereira. Desta vez ele volta às nossas postagens, mas como um artista, o elemento principal.
Há pouco mais de um mês ele me mostrou essas gravações despretensiosas que fez no Estúdio Casa do Músico, em São Gonçalo, Rio. De maneira bem intimista ele toca violão e canta, demonstrando muito bom gosto e qualidade. As gravações não foram feitas com a intenção de irem a público, percebe-se logo que são apenas ensaios. Mesmo assim ficou muito legal e eu insisti em apresenta-lo como se fosse um álbum de verdade. Criei a capinha com a arte em anexo, como qualquer outro álbum. Espero que vocês gostem do resultado e caso alguém tenha interesse em contratar o Christophe, o contato segue na embalagem. Pode chamar que vai ser show 😉

joão e maria
la javanaise
sorry seems to be the hardest world
l’écran noir de mes nuits blanches
j’ai rendez-vouz avec vous
dansez sur moi
les petits pavés
l’orage
the man i love
il faut tourner la page
dans mon ile
jeanne la française
le sud
ne me quittes pas
les moulins de mon coeur
nature boy
muito a vontade
bebê
c’était pour jouer
carinhoso

Dila – Podes Crer Bicho, Esta Mulata Canta “Paca”(1971)

Olá amigos cultos e ocultos, bom dia! Aqui vou trazendo para vocês mais uma grande raridade. Um álbum/arquivo que me acompanha desde outras encarnações ‘bloguísticas’.
Temos aqui a cantora Dila, revelação no início dos anos 70, mas que acabou ficando na promessa. Eu digo isso partindo do lacônico texto no verso da capa do disco, onde o compositor Arnoldo Medeiros nos apresenta a cantora. Nele, Dila é apontada como a intérprete esperada, do nível de Leny Andrade (ups!). Realmente, Dila é uma excelente cantora, mas me lembrou mais a Elis Regina (sem comparações, por favor!), talvez pela interpretação de “Madalena” de Ivan Lins, música a qual ela canta buscando a mesma garra da Pimentinha, talvez até por influências, sei lá… Mas percebe-se logo que ela tem uma identidade própria. E o fato é que a cantora realmente ‘bota pra quebrar’ ao lado de feras como Durval Ferreira na guitarra/violão, Romildo Cardoso no contrabaixo, Sidney no piano e Fernando e Horácio na bateria e percussão. Há também a presença de metais, sax e piston, mas no lp não temos informações. Segundo me foi informado, a cantora Dila faleceu pouco tempo depois do lançamento deste disco em um acidente de automóvel. Um pena, pois ela era mesmo uma cantora para botar banca.

inez
adeus bonfim
madalena
fim de papo
saberás
o morro não tem vez
como é que é bicho?
as paredes têm ouvidos
festa para um rei negro (samba enredo do salgueiro/71)
seleção de mangueira
perdoei
refém da solidão
.

Paulinho Nogueira – Violão E Samba (1979)

Olá! Quando eu comentei que esta seria uma semana sortida, foi muito em função do meu tempo para as postagens. Só mesmo quem tem um blog de música pode saber como isso dá trabalho e toma tempo da gente. Por isso, a razão do sortido (como se já não fosse) é que neste mês estou tendo que recorrer aos ‘arquivos de gaveta’ e alguns pré-prontos já agendados.
Hoje temos aqui e novamente o violonista Paulinho Nogueira, figura que dá um bom ‘ibope’ e resgata a credibilidade de qualquer blog. Não que o Toque Musical esteja precisando, pois variedades musicais e fonográficas foi sempre a nossa meta.
Segue assim este álbum de Paulinho, originalmente lançado em 1973 pela Continental e relançado seis anos depois pela mesma gravadora, mas com o selo Phonodisc. “Violão e Samba” é realmente uma jóia instrumental. Um lp com um repertório fino de sambas bem conhecidos de todos nós. Tem, além de duas únicas composições próprias, Vinícius, Toquinho, Pixinguinha, Sérgio Ricardo, Chico Buarque, Fernando Lôbo, Tom e outros mais… Jóia, jóia, jóia…

lamentos
mais um adeus
desespero
chuvas de verão
jogo de xadrez
rosa dos ventos
águas de março
zelão
da cor do pecado
a mesma rosa amarela
tímido
eu sei que vou te amar

Roberto Carlos – En Inglés (1981)

Manhã fria, anunciando o inverno que se aproxima. Está ficando cada vez mais difícil levantar da cama. Mesmo assim procurarei manter as postagens matinais, acompanhado por uma boa xícara de chocolate bem quente ou mesmo uma de café feito na hora. Meu fraco é chocolate e café forte, fico logo animadinho 🙂
Nesta semana, como eu já avisei, teremos um drops sortido com sabores variados a cada bala. Já andei separando algumas coisas para ir postando ao longo dos dias e para variar, agradando à gregos, troianos, mineiros e baianos. Você que é de outro estado, país ou região também pode se manifestar. Aqui tem para bregas, chics, sofisticados, eruditos, cultos e ocultos.
Desta vez nós iremos com o Roberto Carlos em um disco que só está aqui pela curiosidade. Trata-se de um dos muitos álbuns que ele gravou para o mercado internacional. Este, em especial, me chamou a atenção. Gravado em inglês para o mercado latino americano, mais especificamente o argentino (impressionante como os argentinos gostam de falar inglês!). O álbum vem recheado de ‘pérolas’ ultra-românticas, retiradas ou transpostas para ‘el inglés’, que fazem a alegria deste público poliglota, afinado com músicas do tipo Morris Albert (lembram dele?). Aliás, nesse sentido o Morris Albert foi mais original, compôs diretamente em inglês e com certeza vendeu mais lá fora que o nosso Bob. O certo é que este álbum foi produzido para levar a música de Roberto Carlos para além do horizonte e fazer um milhão de amigos, coisa que sem dúvida ele conseguiu. Por outro lado ele deixou orfãos, muitos daqueles que o seguiam na década anterior. Eu por exemplo, fui parar na Febem e acabei me tornando um revoltado. Estão vendo só no que dá um abandono? hehehe… :)))

honestly (falando sério)
at peace in your smile (na paz do seu sorriso)
loneliness
sail away
niagara
buttons on your blouse (os seus botões)
breakfast (café da manhã)
come to me tonight
you will remember me (detalhes)
it’s me again

Miltinho – Miltiño – Dulce Veneno (1964)

Buenos dias! Estamos de volta à salada mista, numa semana bem variada para agradar à gregos e troianos. A semana passada foi ‘o fino’, com uma pequena amostra da erudição brasileira. Para aqueles que gostaram (e para os que não gostaram também), em breve teremos mais. Talvez ainda nesta semana de ‘drops sortidos’ entre mais algumas dessas raridades.
E por falar em raridade, coisa que pouco se vê aqui no Toque Musical (he, he he…), hoje teremos o tão prometido Miltinho cantando em espanhol. “Dulce Veneno” foi um álbum lançado na Venezuela em sua fase latino-americana. Ele gravou chegou a gravar uns dez discos de músicas brasileiras em espanhol, sendo lançados em vários países da América Latina. Até hoje ele ainda é muito lembrado e querido por esse público. Recentemente me enviaram um cd onde estão reunidos alguns de seus melhores momentos em ‘castellano’. Se “Dulce Veneno” for do agrado, postarei o cd também, é só pedir. Pessoalmente, eu prefiro o Miltinho no samba, mas esses já foram bem explorados, tanto aqui como em outros blogs. Vamos a escuchar? 🙂

dulce veneno
lastima me das
por qu no te quedas
delirio
estoy solo
del mismo barrio
el divorcio
otra copa
por que no te vas
quien yo quiero no me quiere
confidencia
todo de mi

Zequinha De Abreu – Evocação I – Interpretado Por Jacques Klein & Ezequiel Moreira (1979)

Sinalizando para outros gêneros, vou agora trazendo este álbum muito interessante, que com certeza irá agradar aos meus amigos cultos e os ocultos também. Vamos hoje conhecer um pouco a obra de Zequinha de Abreu, um dos grandes compositores brasileiros do início do século vinte.
José Gomes de Abreu foi um dos maiores compositores de valsinhas e choros. É o autor do famoso choro “Tico-Tico no Fubá”, que foi muito divulgado no exterior, nos anos 40 por Carmen Miranda, sendo uma das músicas brasileiras mais conhecidas.
O disco que hoje eu apresento é uma homenagem ao compositor, feito por dois renomados instrumentistas, os pianistas clássicos Jacques Klein e Ezequiel Moreira. Segundo o texto que acompanha o álbum, “trata-se de uma experiência descontraída, um lírico intervalo na carreira de dois músicos eruditos” E mais, e em síntese, “são quatro mãos ágeis que passeiam pela obra de Zequinha de Abreu tão a vontade como se fossem tico-ticos no fubá”. Os arranjos para piano de todas as composições são de Francisco Mignone. Belíssimos! Pode conferir… 😉

os pintinhos no terreiro
rosa desfolhada
longe dos olhos
não me toques
último beijo
branca
levanta poeira
amando sobre o mar
tardes em lindóia
tico-tico no fubá

Hekel Tavares – 2 Concertos Em Formas Brasileiras (195…)

Olá! Eu finalmente consegui um tempinho para a postagem do dia. Foi sorte, pois eu não pensava que conseguiria fazê-la hoje. Viajando e longe meu computador, ficou difícil manter a rotina. Felizmente eu já havia preparado este disco, levando-o comigo na gaveta, para uma eventual possibilidade, como está sendo agora.
Tenho para vocês um dos grandes (e esquecidos) nomes da nossa música, o maestro e compositor Hekel Tavares, músico que sempre transitou, como Radamés Gnatalli, no popular e no erudito. Autor de mais de uma centena de músicas entre canções, toadas sertanejas, maracatus, coco, fox-trot e também obras sinfônicas e peças eruditas como este “Concerto Para Piano E Orquestra Em Formas Brasileiras”, uma obra reconhecida mundialmente, de 1941.
A música Hekel Tavares é considerada neo-romântica e essencialmente ligada à cultura brasileira. Seus temas, refletem o contato direto com as manifestações nordestinas em reizados, congadas, maracatus, bumba-meu-boi, nau catarineta e toda sorte de ritmos, cores e sons. Muitas de suas composições, hoje em dia, são cantandas e consideradas erradamente como peças folclóricas ou de domínio público. Foi numa dessas que o cantor Fagner se deu mal, respondendo a um processo, ao gravar sem os devidos créditos a música de Hekel, a famosa “Penas do Tiê”, que na verdade se chama “Você”. Curiosamente, este caso só foi descoberto 26 anos depois e ninguém até então havia se tocado da ‘apropriação’ do cantor. Taí uma prova incontestável da falta de memória do nosso povo. (Ou seria uma falta de cultura musical?)
Segue aqui este disco raro, gravado possivelmente no final dos anos 50, com a obra maior de Hekel, o “Concerto Para Piano E Orquestra Em Formas Brasileiras – opus 105 n. 2” e também 0 “Concerto Para Violino E Orquestra Em Formas Brasileiras – opus 107 n. 4. Neste, temos o próprio autor regendo a Orquestra Sinfônica Nacional e a seu lado os solistas Oscar Borgerth para violino e Souza Lima para piano. Toque aí, que eu recomendo…

concerto p/ violino e orquestra em formas brasileiras – ops 107 n. 4
modinha – 1º mov. – andante com moto allegro
louvação – 2º mov. – lento
ponteio – 3º mov. allegro risoluto – sostenuto – allegro vivace
.
concerto p/ piano e orquestra em formas brasileiras – ops 105 n. 2
modinha – 1º mov. – tempo di batuque – lento con simplicitá
ponteiro – 2º mov. – largo – molto contabile ed expressivo
maracatú – 3º mov. – lento, ma vigoroso

Arthur Moreira Lima – De Repente (1984)

De repente, eis que chegamos ao Dia do Independente (até rimou). Como estamos na semana dedicada à música erudita, o certo é que sejamos coerente, trazendo um disco do gênero e numa produção paralela. Temos então este álbum independente do pianista Arthur Moreira Lima, gravado nos Estados Unidos e lançado no Brasil pela L’Art Produções Artísticas, com capa e texto de Millor Fernandes. Este não é exatamente um disco de música erudita. A erudição está apenas no modo de tocar e na formação desse grande instrumentista, reconhecido mundialmente. As faixas trazidas no lp, como se pode ver logo a baixo, são em sua maioria de músicas populares e bem conhecidas do público. O álbum, também chamado “Retratos 3×4 de alguns amigos 6×9”, numa analogia fotográfica, refere-se ao seu singelo trabalho solo interpretando grandes compositores como Villa Lobos, Chico Buarque, Noel e Vadico, Radamés, Pixinguinha e outros mais… Disquinho bacana, confira…

tico-tico no fubá
vaidosa n.1
conversa de botequim
teclas e dedos
feitiço da vila
batuque
valsinha
canhoto
a condessa
therezinha de jesus
ave maria
carinhoso

Bidu Saião – Bachianas Brasileiras N. 5 (1973)

Dentro da semana dos eruditos, tenho para hoje a soprano brasileira mais famosa de todos os tempos, Bidú Sayão. Ela foi a primeira cantora brasileira a se apresentar no Metropolitan de Nova York, local onde trabalhou, entre 1937 e 52. Iniciou sua carreira na adolescência, indo estudar na França com Jean Reszke. Seguiu depois para Roma, onde teve contato e novas lições com La Corelli, Gemma Bellincioni, Marcel Journet, Titta Ruffo, entre outros nomes da ópera italiana. Nos anos trinta foi a passeio para os Estados Unidos e por lá acabou ficando, seguindo uma brilhante carreira. No Metropolitan ela participou de 155 apresentações, sendo que 31 delas interpretando Mimi, personagem de “La Bohème”, de Puccini, sendo seu papel mais frequente. Viveu na América por mais de meio século. Retirou-se do palco ainda jovem e sua última apresentação foi a mesma de estréia no Opera House, como Manon (de Massenet). Era a cantora favorita de Villa Lobos e foi por ele que ela cantou pela última vez em 1958, no Carnegie Hall, quando foi apresentada a suíte “A Floresta do Amazonas”, uma das últimas obras do compositor. Bidú voltou ao Brasil em 1995, já bem velhinha, quando participou do desfile da Escola de Samba Beija-Flor, que a homenageou em seu enredo. Disse ela na ocasião: “Fui a rainha da ópera. Agora, além de carioca, sou a rainha do samba.” Curioso lembrar que essa grande soprando, em seu país de origem, chegou a ser vaiada (trama criada pelos fãs da meio soprano gabriela Besanzoni) em uma de suas poucas apresentações por aqui. Só se apresentou num último instante de vida e em um desfile de carnaval. Só podia mesmo ser Brasil 🙂
O disco que aqui apresento nos traz como peça principal “As Bachianas N. 5” de Villa Lobos, regida pelo próprio autor. Seguem também outros trechos importantes de óperas que fizeram de Bidú Sayão a maior cantora lírica brasileira de todos os tempos.

mozart – porgi amor (as bodas de fígaro)
mozart – deh vieni non tardar (as bodas de fígaro)
mozart – batti, batti (don giovanni)
bellini – ah, non credea mirarti (a sonâmbula)
verdi – ah, fors’ è lui-sempre libera (la traviata)
villa lobos – bachianas brasileiras n. 5
massenet – je suis encore (manon)
massenet – voyons manon (manon)
massenet – adieu, notre petite table (manon)
massenet – gavotte, obeissons quand leur voix appelle (manon)

Radamés Gnatalli – Meditação (196…)

Bom dia a todos! Dando sequência às nossas postagens eruditas, tenho para hoje e com grande prazer a presença de Radamés Gnatalli, um nome bastante conhecido e divulgado na ‘blogosfera’ musical. Radamés foi um dos maiores arranjadores da música popular brasileira. Grande parte da produção musical dos anos 50, 60, 70 e 80 tem o dedo dele. Foi um dos responsáveis pelo renascimento do choro nos anos 70. Mestre e incentivador de novos talentos como Raphael Rabello, Joel Nascimento, Maurício Carrilho e a turma do Camerata Carioca. Revolucionou na música ao inserir instrumentos de orquestra de forma percussiva, criando sons até então inéditos para o formato orquestral. Compositor e instrumentista refinado, possuía um estilo pessoal mas com fortes influências de Debussy e do jazz americano. Um músico que sempre transitou com naturalidade entre o popular e o erudito.
Neste álbum, gravado pela Continental, possivelmente no início dos anos 60, temos o mestre ao piano e com sua orquestra, interpretando peças de diversos compositores clássicos como Grieg, Gluck, Tchaikowsky, Schuman, Chopin, entre outros… Um álbum como diz o título, para meditação, música repousante para ouvir e relaxar…

apenas um coração solitário
porque
noturno em mi bemol
berceuse
largo
ave maria
au printemps
romance
serenata
greensleeves
melodia da ópera de orfeu
canção solveig

Guiomar Novaes (1974)

Quando se ouve falar hoje em dia de Guiomar Novaes, normalmente estão se referindo a alguma sala de espetáculo ou um auditório. Poucos saberão dizer realmente quem foi Guiomar Novaes e provavelmente desses só alguns já tiveram o privilégio de ouví-la. E olha que não falta por aí informações sobre ela!
Guiomar Novaes foi uma importantíssima e lendária pianista brasileira. Considerada uma das maiores instrumentistas que já tivemos, ela começou a tocar piano aos 4 anos. Menina prodigiosa, aos 8 anos já tocava profissionalmente, se apresentando nas salas de concertos de São Paulo. Estudou na Europa, como bolsista do governo de São Paulo e conquistou o primeiro lugar no concurso de admissão ao Conservatório de Paris, examinada, entre outros, por Claude Debussy e Gabriel Fauré, nomes que dispensam maiores comentários. Prêmios e aplausos seguiram seu caminho. Tornou-se mais ainda uma notável instrumentista. Tocou e gravou dezenas de álbuns em diversos países, sendo sempre aclamada pelo público e a crítica especializada. Contam que numa de suas ’tournées’ pelos Estados Unidos, um crítico americano escreveu: “Se ela tivesse nascido alguns séculos atrás, certamente teria sido queimada viva como feiticeira. Ela é jovem, bonita e toca como o diabo”. Mesmo sendo reconhecida internacionalmente, ela nunca esqueceu o Brasil e nem abandonou sua nacionalidade (como tem feito diversos artistas brasileiros que ganham o mundo). Seu estilo de tocar piano é nitidamente brasileiro. Prova disso é este álbum, seu único lp gravado no país, em 1974 pelo selo Fermata.
Este álbum é uma jóia rara. Rara mesmo e em todos os sentidos. Começando pelo fato de ser seu único disco gravado em terras tupiniquins. O disco nunca foi lançado em cd e com certeza as fitas masters desta gravação já estão em arquivos internacionais (ou vocês acham que a gravadora sabe ainda de sua existência?). O repertório maravilhoso traz peças de grandes nomes da música erudita brasileira, como Villa Lobos, Camargo Guarnieri, Marlos Nobre, Francisco Mignone, Otávio Pinto, entre outros… É, sem dúvida, uma obra preciosa que ultrapassa os limites da erudição, sendo acessível à mais bronca sensibilidade. Por falar em sensibilidade, gostaria de destacar a faixa “A Grande Fantasia Triunfal Sobre o Hino Nacional Brasileiro” de Gottschalk. Uma das coisas mais lindas que eu já ouvi, principalmente na interpretação desta grande pianista que foi Guiomar Novaes. Vou dizer apenas mais uma coisa: imperdível!

velho tema
cenas infantis
samba matuto
pregão
improvisação n.1
ponteio n.30
prole de bebê
o ginete do pierrozinho
guia prático villa lobos
a grande fantasia triunfal sobre o hino nacional brasileiro