Noel Rosa – Uma Rosa Para Noel – 50 Anos Depois (1987)

Bom dia Cultos e Ocultos, gente de todo o mundo! Sei que vocês não tem nada com isso, mas apenas para justificar. Meu tempo anda curtíssimo e com isso acabo sem ter como preparar devidamente as minhas postagens. Estou tendo que recorrer aos meus arquivos de gaveta e em alguns casos, percebo que os mesmos precisavam de uma revisão. Infelizmente e de imediato não poderei fazer muita coisa. Vida de blogueiro não é só ficar direto na frente de um computador. Peço a todos paciência. O mingau de vez enquanto é de araruta.

Para hoje então, temos este disquinho curioso, lançado pela gravadora Continental em 1987, celebrando o Poeta da Vila, no cinquentenário de sua morte. A curiosidade vai por conta do trabalho de mixagem que fundiu suas antigas gravações, realizadas entre 1931 e 33, com outra recente, seguinda a risco pelo maestro Edson José Alves, responsável pelos arranjos e reconstituição instrumental. O resultado desta fusão é bem interessante, muito embora, a diferença de som tenha gerado algumas distorções. Há momentos que o som do antigo distorce. Pensei que fosse um problema na minha digitalização, mas percebo que ela está no próprio disco. Como estou meio corrido, não terei tempo para os ajustes. Gostaria que vocês conferissem e me dessem um retorno. Tentarei mais tarde ripá-lo novamente, caso necessário.
positivismo
mentiras de mulher
coisas nossas
devo esquecer
vejo amanhecer
mulher indigesta
felicidade
gago apaixonado

Luiz Wanderley – Baiano Burro Nasce Morto (1959)

Bom dia gente do Brasil e do mundo! Começamos a semana muito bem, ainda impregnado com a cultura nordestina, estou trazendo hoje um disco que tem tudo a ver. Alguém aqui se lembra do Luiz Wanderley? Provavelmente poucos. Eu também já nem me lembrava desse ‘peça rara’, um cabra que fez sucesso nos anos 50 e 60. Cantor e compositor, Luiz Wanderley iniciou sua carreira nos aos 50 quando foi para o Rio de Janeiro. Ele era alfaiate. Começou como cantor de orquestra no bairro da Lapa. Depois foi para o rádio e daí então passou a fazer sucesso com seu gênero bem popular. Gravou diversos discos em 78 rotações. Seu maior sucesso como cantor foi “Baiano burro nasce morto”, composição do sambista baiano Gordurinha. Outro grande sucesso foi “Matuto transviado”, também conhecida como “Coronel Antonio Bento”, música feita em parceria com João do Vale e que veio a se tornar conhecida nacionalmente através de Tim Maia.

Neste álbum, que foi o seu primeiro lp, temos reunidas essas e outras gravações que ele fez durante os anos 50 em bolachas de 78 rpm. O lp, embora sem data e sem registro em sua discografia, foi lançado entre 59 e 60. Acredito também que ele chegou a ser relançado tempos depois, ainda em vinil. Trata-se de uma raridade que vale ser conferida.
baiano burro nasce morto
moça velha
que vontade de cumê goiaba
por onde deus passa
moisés da prestação
bode cheiroso
trabalhadores do brasil
matuto transviado
boi na cajarana
chora menino
rosário de amargura
cadeia da vila

Jackson Do Pandeiro – Nossas Raízes (1974)

Olá meus prezados amigos, cultos e ocultos. Mais uma vez, na tentativa de espantar a friagem, vamos forrozar. Começamos a semana com alguns discos para quadrilha e festas juninas, que por sinal continuam tendo uma boa saída, principalmente para aqueles que entendem que mesmo numa produção popular e comercial, também se extrai coisas boas. Acho que o texto das últimas postagens, comentando sobre os artifícios da CID, tiraram um pouco o tesão daqueles que olham a coisa só na superfície. Assim, sem fazermos uma mudança radical nos estilos e postagens, resolvi incluir um disco da Marinês e hoje um do Jackson do Pandeiro. Agora, alguns, já não vão mais torcer o nariz. Espero…

Taí então, para o nosso domingo especial, um disco do genial Jackson do Pandeiro. Este é mais um exclusivo que agora, num toque musical, resurge para a felicidade de todos. “Nossas Raízes” foi um lp lançado em 1974, pelo selo Alvorada. Nele temos o Rei do Ritmo acompanhado pelo Conjunto Borborema. Acredito que este disco nunca chegou a ser relançado. Apenas algumas músicas vieram mais tarde a fazer parte de coletâneas. Salvo o engano. Ficou apenas uma curiosidade que diz respeito à música “O bem amado” de Antonio Barros e José Gomes Filho. Esta foi feita de encomenda para o Odorico Paragussú, personagem principal da novela da Globo com o mesmo nome. Acontece que ela não faz parte da trilha original, que é de Toquinho e Vinicius. Fiquei sem entender… Seria mesmo uma encomenda que acabou não vngando? Alguém saberia me dizer? Quem quiser, pode comentar, não vai ficar mais caro 😉
sou invocado
vou de tutano
mundo de paz e amor
o que vai com a maré
coração bateu
forrobodó
o rei pelé
quero aprender
eu vim de longe
o samba e o pandeiro
minha zabelê
o bem amado

Marinês – Meu Carirí (1976)

Olás! Já que a festança está boa, vamos até o fim da semana neste ritmo. Ninguém reclamou, sigamos em frente que a fogueira está queimando…

Nos últimos dias tivemos aqui dois personagens, o Coroné Pereira e o Zeferino, inspirados num misto de caipira e nordestino, figuras comuns às tradições de festejos joaninos. As festas juninas estão presente em todo o Brasil, mas se concentram mais no sudeste e nordeste, onde as tradições são ainda mais fortes. E nessa de “fulando de tal e sua gente’, acabei me lembrando da Marinês e Sua Gente. Êta forró arretado de bão! Daí não de outra… Marinês na cabeça! Ou melhor, na postagem do dia. Ainda mais num sabadão como este. Tá na festa! 🙂
Marinês foi a primeira mulher a formar um grupo de forró. Recebeu merecidamente o título de “A Rainha do Xaxado”. Ao lado de Luiz Gonzaga ela hoje se tornou um mito da música nordestina. Era inclusive chamada de “Luiz Gonzaga de Saia”. Sua fase de maior sucesso foi nos anos 50 e 60, mas nas décadas seguintes ela continuou sempre muito ativa, principalmente no norte do país.
“Meu Carirí” foi um álbum lançado (supostamente) em 1976 pela CBS, através do selo Veleiro. Nele encontramos uma espécie de coletânea, reunindo entre novas gravações outras lançadas em discos anteriores pela mesma gravadora. Um disco bem no clima e no espírito das festas de São João, mas serve para qualquer outro momento. Vai um quentão aí?
meu carirí
nordeste valente
só pra machucar
matando na unha
explosão
desse jeito não dá pé
sou o estopim
nosso amor foi uma aposta
cerca velha
casa de marimbondo
e a sêca continua
vivendo e aprendendo
sem vergonheira
amor sem fim

Zeferino & Sua Gente – Isto É Que É São João (1976)

Bom dia! Para darmos por completa nossa missão junina/joanina, finalizo com mais um disquinho da CID/Itamaraty, na mesma linha do anterior. Aliás, verificando agora neste instante, percebo que quase a metade das músicas deste lp estão contidas no que foi postado ontem. Daí a prova inquestionável dos tais artifícios da CID para lançar seus álbuns datados e criar artistas fictícios. O nosso Zeferino (e Sua Gente) é mais uma invenção da lavra de Harry Zuckermann. E pela capa”Isto é que é São João” podemos ver que ele já é o oitavo volume. Mas conforme às ‘peripécias’ desta gravadora, este pequeno detalhe pode também ser desconsiderado. De verdadeiro e autêntico aqui só mesmo a música, a redentora de todos os males, inclusive das produções ‘capengas’ que visam apenas um bom negócio. Eu digo isso, mas no fundo até entendo a posição comercial da gravadora. Álbuns como este são criados com esta intenção, apenas para marcarem presença numa determinada data de celebração. Em geral, o público consumidor não está interessado na ficha técnica do trabalho e a própria gravadora não os classifica como lançamentos autorais por serem registros de acervo, cujos intérpretes são músicos/artistas contratados apenas para a execução, sem maiores ‘status’.

Segue assim o “Isto é que é São João”, reforçando, complementando e finalizando nossa trilha musical para quadrilha de 2009. Putz! Depois dessa, me deu uma vontade de tomar uma Coca-Cola, não sei porquê… 🙂
lá vem são joão
forró de carretel
quadrilha brasileira
olha pro céu
noites de junho
capelinha de melão
cai, cai balão
noites brasileiras
chegou a hora da fogueira
a roça é nossa
o sanfoneiro só tocava isso
anarié no arraiá
antonio, pedro e joão
pula fogueira
prece a santo antonio

Coroné Pereira E Sua Gente – Pula Fogueira – Quadrilha Marcada (1978)

Olás! Ainda no espírito das festas joaninas, tenho aqui mais um bom disquinho para animar a festança. Desta vez vamos com este lp do possível Coroné Pereira e Sua Gente. Digo possível porque nos discos da CID/Itamaraty as vezes se usava de artifícios como a criação de um nome artístico para compor trabalhos meramente comerciais. Discos temáticos, de celebração e populares eram um dos pontos fortes da gravadora de Harry Zuckermann. Suponho que o tal Coroné Pereira seja apenas um nome fictício, para dar uma certa identidade e intencionalidade à este trabalho. Embora fique claro o intuito comercial e oportunista deste disco, ele não deixa de ter seus encantos e dotes de qualidade através dos anônimos artistas/músicos e das músicas que nele aparecem.

Vai fazer uma festinha particular? Não deixe o Coroné Pereira faltar. É animação garantida!
quadrilha brasileira
capelinha de melão
cai, cai balão
noites brasileiras
o sanfoneiro só tocava isso
antonio, pedro e joão
pula a fogueira
chgou a hora da fogueira
a roça é nossa
é proibido cochilar
o xamego é da mulata
calango longo
sebastiana capim novo

Luiz Gonzaga – Quadrilhas E Marchinhas Juninas (1973)

Bom, já que entramos na quadrilha, vamos dançar! Desta vez trazendo uma autoridade no assunto e assuntos, o grande Lua. Temos para hoje este álbum do Luiz Gonzaga lançado pela RCA, originalmente em 1965 e que em 73 foi relançado com esta capinha. Um disco dedicado às tradições joaninas, aos festejos de São João e às noites estreladas.

Neste exato instante percebo que nosso disco está que nem bolacha (em qualquer blog se acha). Mas como sempre, no Toque Musical há um diferencial. Aqui vem completo e com direito a pé de moleque, quentão e milho cozido. Tá bom ou querem também dançar com a Rosinha? 😉

fim de festa
polca fogueteira
lascando cano
pagode russo
fogueira de são joão
olha pro céu
são joão na roça
fogo sem fuzil
quero chá
matuto de opinião
boi bumbá
o mair tocador
piriri

Alberto Calçada – Vamos Dançar A Quadrilha (1969)

Nesta semana, um de nossos visitantes me chamou a atenção para o fato de que estamos em junho e que faltava aqui uma postagem dedicada às festas juninas, que acontecem pelo Brasil a fora. A verdade é que eu realmente havia me esquecido, embora eu veja tantas festas e quadrilhas pipocando aqui para os meus lados. Até o meu filhote vai dançar quadrilha na escola e eu nem me toquei. Mas nunca é tarde para um forró. Aliás, cheguei mesmo numa boa hora e vou garantir nos próximos dias uma boa trilha para esta festa.

Inicio com este típico disco para dançar quadrilha. Um álbum perfeito, sem pausa, como manda o figurinho… Feito para dançar! Alberto Calçada, seu acordeon e conjunto dão o tom da festa. Acompanha aqui e no disco o esquema das danças para quem quer seguir a risco as tradições.
Como no texto da contracapa deste disco, eu também comungo da idéia de que não devemos dizer “Festas Juninas” e sim “Festas Joaninas”, pelo fato de que as celebrações existem em função do ciclo de São João, que embora seja no mês de junho, também se extende por julho. Além do mais, a expressão “Festa Joanina” é que é a tradicional. Vamos então manter as tradições, não é mesmo? 🙂

Deus Lhe Pague – TSO (1976)

Bom dia, meus prezados amigos cultos e ocultos! Vamos nós começando a semana, trazendo sempre uma rara novidade ou uma grata lembrança, para alegar nossas vidas.

Começo a semana com um disco que pouca gente conhece e só recentemente veio a ser relançado em cd na coleção que reuniu toda a discografica de Vinícius de Moraes, intitulada “Como dizia o poeta”. “Deus lhe pague” foi uma super produção cênica-musical produzida por Mário Prioli, sob a direção de Bibi Ferreira e tendo Walmor Chagas e Marília Pera na frente do elenco. O texto é uma adaptação da peça de Joracy Camargo e as músicas de Edú Lobo e Vinicius de Moraes. Este, sem dúvida, foi um musical ao qual a imprensa na época parece não ter dado muita bola. E o espetáculo acabou não merecendo a devida repercussão. Podemos dizer que chegou mesmo a ser um fracasso. Obviamente, não foi pela qualidade da obra e dos artistas envolvidos. “Deus lhe pague” é um clássico do nosso teatro e já foi levada ao público por diversos grupos cênicos. O certo é que esta versão ficou um pouco apagada e talvez por isso mesmo o álbum nunca antes tenha sido relançado. Com tudo, ou apesar de tudo, o disco é muito bacana e vale mesmo uma conferida 😉 Quem ainda não conhece, tá na mão…
eu agradeço
o que é que tem sentido nesta vida
samblues do dinheiro
lamento do joão
labirinto
tá difícil
um novo dia
além do tempo
decididamente
pobre de mim
joão não tem de quê
cara de pau

Grande Baile N.1 (196?)

Olás! Hoje estou entrando um pouco já no fim do dia, mas antes tarde do que faltar ao nosso encontro diário. Os domingos são imprevisíveis…

Seguindo o clima, resolvi de última hora postar este obscuro lp, intitulado “Grande Baile Nº1”. Comecei a ouvi-lo, daí achei que seria mesmo uma boa para fechar a semana. Temos então um disco ‘da hora’, com pouquíssimas informações, mas que desperta a curiosidade. Trata-se de uma coletânea de conjuntos e orquestras de bailes. Um disco extremamente interessante, instrumental e variado. Nele podemos encontrar alguns dos mais atuantes grupos de bailes dos anos 60 numa oportunidade que talvez tenha sido a única para muitos que nele tocaram e para nós, por termos um registro desta música. Fica claro que se trata de uma série. Este foi o volume número 1. Pelo que eu pude verificar na rede, não passaram de três volumes. A gravadora Discastro é um mistério. Existem outros títulos deste selo que parece ter sido criado para venda direta à domicílio, como era o caso da Imperial, Paladium entre outras…
Discos como estes são oportunidades raras que precisam ser ouvidos e relembrados. Confiram aí o toque final 😉
fascination – orquestra de paolo mezzaroma
love me forever – conjunto de fred e richard
os pobre de paris – rúben e conjunto
mocinho bonito – c. maffasoli e conjunto
carioquinha – robledo e conjunto
saudades da bahia – casé e conjunto
estúpido cupido – willy king e conjunto
yes sir, that’s my baby – rúben e conjunto
petite fleur – willy king e conjunto
per um bacio d’amore – william fray e conjunto
sabras que te quiero – conjunto de fred e richard
esperame nel cielo – conjunto de fred e richard

Walter Wanderley – Organ-ized (1966)

Olás! As vezes eu fico querendo postar aqui alguns discos que me são enviados por amigos e colaboradores. Hoje em dia, posso dizer que estou muito bem servido por pessoas interessadas em colaborar, enviando seus discos digitalizados e tudo mais. Contudo eu sempre, ao agradecer, aviso que a postagem não tem data marcada. Tudo depende do momento. Há casos em que eu prefiro não postar, pois vejo que o disco já foi mais do que apresentado. Porém, há outros que mesmo nessas condições, ainda assim eu faço questão de apresentar. Este é o caso do Walter Wanderley, um instrumentista singular, copiado por muitos, mas poucos conseguiram tirar um som tão gostoso de um orgão eletrônico como ele fez. A Bossa Nova foi seu grande diferencial e com ela ele ultrapassou limites, se tornando conhecido mundialmente. Esta é uma das grandes vantagens de ser um artista brasileiro talentoso e morar nos ‘States’. Além do reconhecimento merecido ele adquire uma maior visibilidade. A América ainda é a vitrine do mundo.

“Organ-ized” foi um dos muito álbuns lançados por Walter Wanderley lá fora. Aqui no Brasil nem todos chegaram às nossas lojas e consequentemente alguns ficaram restrito à um público reduzido. Este lp é um bom exemplo, que embora hoje em dia esteja em todas as ‘bocas’, continua sempre sendo um bom petisco. Se você ainda não o viu ou ouviu por aí, tem aqui a sua chance. Não preciso nem entrar em detalhes quanto ao repertório. Falou que é o Walter do teclado, estamos na escuta 😉 Esta é uma colaboração do amigo Tales. Confira aí…
samba de verão
batucada surgiu
vivo sonhando
mar, amar
você
reza
garota moderna
menina flor
opinião
deus brasileiro

Nelson Gonçalves – A Pedidos (1966)

Bom dia, meus caros amigos cultos, ocultos e correlatos (correlatos é ótimo). Aqui estamos nesta bela e fria manhã de sexta-feira trazendo um pouco mais de alegria e resgatando lembranças. Hoje eu estou atendendo a pedidos. Eu e o Nelson Gonçalves. Ao amigo Paulo Athaydes e a todos os boêmios e amantes da música do Nelson ‘Metralha’. Este disco, me parece, não foi um álbum de carreira e sim uma coletânea lançada pela RCA em 66. As músicas apresentadas nele fazem parte de outros álbuns já lançados pelo artista. Algumas faixas são coisas raras, difíceis de achar. Confiram o toque porque eu já estou indo… meu tempo é sempre curto 😉

camisola do dia
último desejo
dolores sierra
amigo
redoma de vidro
palpite infeliz
ne coberta de ouro
feitiço da vila
lençol de linho
apogeu
você é que pensa
silêncio de um minuto

Mark Morawski (1961)

Olás! Estou fazendo desta quinta-feira o Dia do Independente, trazendo para vocês uma curiosidade. Embora eu tenha usado inicialmente as sextas-feiras para postagem de trabalhos de artistas independentes, não ficamos condicionados ao dia certo e nem todas as semanas poderemos ter um artista assim. Tenho listado pelo menos uns dez, que pretendo ir agendando de acordo com o clima da semana. Peço aos artistas que tenha paciência, todos serão atendidos 🙂

Desta vez eu quero mostrar para vocês este mais que obscuro disquinho, o qual eu acredito ser o primeiro independente lançado no Brasil. É claro que eu não me refiro aos discos com tiragem comercial. Desses, até onde eu sei, o primeiro foi o do Antonio Adolfo, salvo o engano. Todavia, aqui temos esta bolacha de 78 rpm, sem data e sem maiores informações além do que vem impresso no selo. Temos o artista, um ilustre desconhecido chamado Mark Morawski em suas duas composições e acompanhado de orquestra. No selo podemos ler que se trata de uma gravação particular. O retrato recortado nos ilustra a tal figura, coisa típica dos antigos discos de 78 rpm, igual aos da gravadora Toda América, lembram? Como outros discos de 78 rpm, este também não tem data impressa. Nós poderíamos até considerá-lo como sendo um disco das décadas de 40 ou 50. Tem todas as características, inclusive musical. Mas o que me levou a datá-lo com um disco de 1961 foi o seu estado de conservação quase novo, o fato de ser uma gravação particular e principalmente pela anotação feita a caneta onde se consegue decifrar “agosto 1961” (ou seria 65?). Por via de dúvidas e até que me provem o contrário, fica como está.
Falando um pouco mais sobre o cantor, percebe-se logo pelo nome (que não deve ser o artístico) que ele é estrangeiro. Isso fica claro ao ouvirmos sua voz. Eu diria que se trata de um judeu. Fazendo um ‘pente fino’ na rede, eu não achei absolutamente nada sobre este nome. Nosso Mark Morawski é um verdadeiro mistério. Mas a curiosidade não fica só aqui. É preciso ouvir a bolacha para ver (não é atoa que o lema do Toque Musical é o de ouvir a música com outros olhos). De um lado temos “Amor de mãe”, um tango enaltecendo o amor verdadeiro com sendo apenas o de mãe. O mundo nessa época, para o autor, já estava perdido. A salvação é só o amor da mamãe. Este tango, para mim, é ‘sui generis’, nunca ouvi nada igual. Do outro lado temos “Zuleika”, um fox mais condizente com o tema romântico apresentado. Nem por isso menos curioso que o primeiro. Depois de ouví-lo umas duas ou três vezes não há como esquecer as melodias e mesmo sem querer balbuciar alguns de seus versinhos. Divertido… 🙂 Gostaria dos comentários de vocês.
amor de mãe
zuleika

Wilson Miranda – Relevo (1978)

Eis aqui um bom disco para a quarta feira. Wilson Miranda, vocês se lembram dele? Taí um nome que sumiu da praça. Quando se ouve falar neste artista, muitos irão pensar nos tempos da Jovem Guarda e mesmo antes quando ele era cantor de rock. Wilson começou a carreira como cantor de baladas, calipsos e versões de rock (twist). Naqueles tempos (início dos anos 60) só dava ele e o Carlos Gonzaga, outra figurinha marcante no cenário pré-jovem guarda. Wilson fez um relativo sucesso com versões como “Bata Baby”, “Twilight Time” e outras. Nos anos 60 foi também produtor musical e trabalhou em discos de muitos artistas, principalmente os da Jovem Guarda. A carreira de cantor romântico acabou ficando em segundo plano. Por outro lado, a medida em que o tempo passou ele foi refinando seu repertório. Até onde sei, “Relevo” foi seu último disco e com certeza o mais bem produzido. Lançado em 1978, este álbum parece ter sido feito com todo o cuidado. Um disco pensado, com autores e músicas muito bem selecionadas, como se pode conferir na relação a baixo. No álbum há as participações especiais de Ivan Lins, Adoniran Barbosa, Paulo Cesa Pinheiro, Maurício Tapajós e Eduardo Gudin. Por aí já dá para se ter uma ideia do que temos na bolacha. Confiram já este toque…

calçadas
bom dia tristeza
tomara
derradeiro porto
morro velho
por que será?
beijo partido
correnteza
aparecida
a velha casa
momentos de amor
você vai me seguir

100 Anos De Música Popular Brasileira – Projeto Minerva Vol. 2 (1975)

Em dezembro do ano passado eu havia postado aqui alguns discos da coleção “100 Anos de Música Popular Brasileira” do saudoso Projeto Minerva. Esta série é composta (me parece) de oito volumes. Eu já havia apresentado quatro, como se pode verificar por aqui Ó. Há pouco mais de um mês, atendendo aos meus pedidos e aos de muitos frequentadores do blog, uma alma bondosa enviou para nós mais um exemplar, o número 2. Demorei um pouquinho em postá-lo, pois esperava encontrar os outros restantes. Como não aconteceu ainda e para não perder o fio da meada, vou hoje postando o que tenho. Obrigado amigão, valeu demais!

O volume 2 contempla as composições dos anos 30 de nomes como João da Bahiana, Ary Barroso, Ismael Silva, Joubert de Carvalho, Noel, Sinhô, Donga e Caninha. Para este registro ao vivo estão presentes como intépretes Altamiro Carrilho e Seu Conjunto, Odete Amaral, Paulo Marques e Paulo Tapajós. Esta gravação foi feita no estúdio da Rádio MEC entre dezembro de 1974 à janeiro de 75. Taí então mais um volume. Agora só faltam três. Quem tiver os outros e quiser nos enviar, será um grande favor 🙂
cabide de molambo – paulo tapajós
essa nega quer me dá/me leva seu rafael – paulo tapajós
pelo telefone – paulo tapajós
gosto que me enrosco – paulo tapajós
se você jurar – paulo marques
faceira – paulo marques
aquarela do brasil – altamiro carrilho e seu conjunto
taí – odete amaral
maringá – paulo marques
com que roupa – paulo marques
conversa de botequim – paulo marques
feitiço da vila – odete amaral
último desejo – odete amaral

Marcus Vinicius – Trem Dos Condenados (1976)

Bom dia! Começando a ‘segundona brava’, cheio de coisa para fazer, vamos logo apressando as postagens para não perdermos o diário. Hoje eu estou trazendo um disco prometido a algum tempo atrás e que só agora encontrou sua vez. Antes tarde do que nunca, não é mesmo? 🙂

Temos então o Marcus Vinicius e seu excelente álbum “Trem dos Condenados”, lançado nos anos 70 pelo selo Marcus Pereira. O artista em questão surgiu no cenário musical a partir dos anos 60. Marcus Vinicius é um compositor, violonista, maestro e escritor, vindo de Pernambuco. Ao longo de sua carreira tem produzido muita coisa. Já tocou com os mais diversos artistas, entre eles, Belchior, Geraldo Azevedo e Naná Vasconcelos. Artista muito atuante não apenas no palco, mas também nos bastidores. Foi durante um bom tempo o defensor dos direitos autorais, estando à frente do ASSIM (Associação dos Intérpretes e Músicos), SOMBRÁS (Sociedade Musical Brasileira) e SICAM (Sociedade Independente de Cantores e Autores Musicais) . A partir do lançamento deste disco ele se tornaria um produtor musical da gravadora, sendo responsável por discos de diversos artistas que gravaram pelo selo Marcus Pereira. Segundo as fontes, ele continua muito ativo, sendo o diretor artístico do selo/gravadora CPC-UMES, dedicado a lançar artistas independentes e consagrados que estão fora do circuito da grande mídia.
O álbum “Trem dos Condenados” foi seu segundo disco. Um lp onde o artista teve total liberdade em sua produção. Todas as composições são de sua própria autoria, sendo apenas a faixa “Lygia Fingers”, um poema de Augusto de Campos, musicado por ele.
Como muitos dos discos do selo Marcus Pereira, este é mais um raro exemplar que eu nunca vi reeditado. Um trabalho super bacana que merece a nossa atenção. Confira já o nosso toque musical do dia 😉
trem dos condenados
quarto minguante
grrr…
cravos
precipício
dez a zero
lygia fingers
fábula do capibaribe
esse choro
brinquedo
pingo
centavos de gloria
aldebarã
etc. e coisa e tal

Neusa Maria – Canta Para Os Que Amam (1956)

Olás! As vezes eu fico meio perdido com tantos discos que já foram apresentados aqui no Toque Musical. Eu tinha por certo que este lp da Neusa Maria já havia sido postado. Mas agora percebo que não. Assim sendo, vamos a ele!

Neusa Maria foi uma das grandes divas do rádio, hoje em dia pouco lembrada. Iniciou sua carreira no início dos anos 40 em São Paulo. Gravou seu primeiro disco em 1945, com as músicas “Mamboleado” de Luiz Gonzaga e Miguel Lima e “Rádio mensagem” de Sereno. De lá para adiante ela veio a gravar mais umas dezenas de discos. Sempre em destaque, ela foi premiada várias vezes pela sua voz e interpretação. Nos anos de 56 e 57 ela foi considerada a melhor cantora do rádio. Além da música popular ela também foi uma requisitada cantora de jingles.
Neste álbum de 10 polegadas lançado em 1956, em sua fase na Sinter, temos reunidos alguns de seus primeiros sucessos. Confiram a baixo as pérolas que fazem parte desta jóia.
canção de amor
alguém como tu
caixa postal zero zero
nova ilusão
canção da volta
nunca
arrivederci roma
molambo

Espirito Do Tempo (2008))

Hoje, excepcionalmente, teremos o Dia do Independente. Sei que tenho sido crititicado por isso e também porque sempre estou comentando da minha falta de tempo, mas realmente me faltam horas a mais. Daí recorro ao que já está pronto, seja os de gaveta ou os independentes que aguardam a vez de serem publicados semanalmente.

Temos desta vez o “Espírito do Tempo”, o grupo do Renato Cardoso, que vem lá de São Paulo. Eu ainda não os ouvi o suficiente para dar uma opinião, mas posso afirmar antecipadamente que se trata de um som acústico, simpático e com influências das mais diversas. Em sua página no My Space vocês poderão obter informações detalhadas do grupo. Vai aqui uma prévia do texto de apresentação do Espírito do Tempo, escrito por Mariana Lizardo:
O grupo Espírito do Tempo reuniu-se em julho de 2008, para gravar um disco com algumas músicas do compositor Renato Cardoso. A idéia de fazer essa gravação foi do produtor Bruno Zibordi, que então proporcionou a infra-estrutura necessária e encarregou-se de produzir o disco. Então, músicos foram se juntando ao projeto e o resultado saiu no disco homônimo. Podemos considerá-lo como um retrato dos interesses musicais mais recentes do seu compositor, enriquecido por influências dos interesses dos demais integrantes. Sustentado sempre por aspectos da música popular brasileira, a idéia principal é explorar as diferentes sonoridades da música tradicional de outros povos e da música erudita contemporânea. Leia mais no site

na primavera
sem benção
ela não é a única
hin-hin
meu mito
depois do fim

Balona E Seu Conjunto – Música 18 Kilates (196…)

Aqui estamos novamente nesta sexta-feira, Dia dos Namorados. Para celebrar a data (ou não), temos um conjunto de baile que fez sucesso na Belo Horizonte dos anos 60, Célio Balona e seu grupo. Quantos casais de namorados já dançaram ao som do Balona no Minas ou no Automóvel Clube. Tempos bons aqueles, heim?

Temos então esta jóia rara, que eu acredito, nem mesmo seus autores se lembrarão de sua existência. Um disco raríssimo da MGL (Minas Gravações Ltda), a primeira gravadora das alterosas. Este está sendo um terceiro exemplar apresentado no Toque Musical dos trabalhos produzidos pelo pioneiro estúdio, criado por Dirceu Cheib no início dos anos 60. “Música 18 Kilates com Balona e seu Conjunto” é um lp que reúne doze gemas das Minas Gerais. Um seleção exclusivamente com compositores mineiros. Entre os mais conhecidos se destacam Ary Barroso, Ataulfo Alves e Pacífico Mascarenhas. Célio Balona vem acompanhado por músicos de primeira e conta com a supervisão do maestro Peruzzi.
Taí, mais um disco que só mesmo através de um blog vocês poderiam conhecer ou ter acesso.
paz, amor
menina triste
sonata sem luar
inquietação
menina da blusa vermelha
se houver você
mulata assanhada
despreocupadamente
jingle cha-cha-cha
cantando baixinho
quantos anos
a canção é você

Chico Hernandez – Bongo Fiesta! (1964)

Muito bem, depois de tantos e-mails eu não poderia deixar de trazer mais um álbum da “Percussonic Series”. Vocês gostaram, né? Pois é, bem interessante e com algumas curiosidades… Vejamos agora este “Bongo Fiesta!”. Pela capa, logo a baixo lemos: Orquestra dirigida por Chico Hernandez. Seria uma atração internacional? Não exatamente. Uma das boas jogadas da Imperial ao lançar esta série com ritmos latinos, foi criar nomes como Chico Hernandez, Ray Lawrence, Skip Martin ou ainda Cristobal Chaves – pseudônimos para os maestros Carioca, Cipó e Lírio Panicalli. Segundo o raciocínio dos produtores, nomes internacionais legitimavam o produto e na época, para as horas dançantes, era o que há…

Neste álbum encontramos doze sucessos internacionais orquestrados, com arranjos e regência do Maestro Lírio Panicalli e ao ritmo compassado do bolero e cha-cha-cha.
Fica aqui uma dúvida minha: qual a diferença entre bolero e cha-cha-cha? Alguém saberia me dizer?
piel canela
historia de un amor
maria
noturnal
caminhando, caminhando
the very thought of you
amor, amor
dos almas
you go to my head
hipocrita
la barca
mi ultimo fracasso