Taiguara – Canções De Amor E Liberdade (1983)

Olá a todos os amigos cultos, ocultos, tensos e pretensos! (tenho cada amigo…)

Ontem eu alarmado, havia anunciado o fim do blog A Música Que Vem De Minas. Na verdade, o seu próprio administrador foi quem me avisou de que o blog havia sido retirado. Isto realmente me deixou preocupado, pois uma nova onda de caça às bruxas está de volta. Vimos aí o caso recente do blog Um Que Tenha, fechado a pedido das gravadoras e de alguns artistas (mas parece que ele já está de volta em novo endereço). Para piorar alguns artistas que antes carregavam a bandeira do liberalismo total, agora estão dando para trás (leiam aqui). Esse ‘mundo’ é muito doido mesmo, enquanto for vantajoso, “coloca aí o meu disco, mas não fala que fui eu quem liberou”. É por essas e por outras que eu só viajo no’ túnel do tempo’. Novidade aqui só se for independente, por solicitação, simpatia ou intimidade.

Agora, vamos ao disco… Depois de ter passado mais de década sem gravar, Taiguara retorna ao Brasil e lança em 1983 o álbum “Canções de amor e liberdade”. A concepção deste álbum nasceu quando ele ainda estava na Tanzânia. Como sempre, muitas das faixas foram cortadas pela censura e logo em seguida liberadas, apenas para não perderem o costume. Não se trata de um trabalho de protesto, embora sua obra seja pautada nas questões sociais. O disco traz músicas lindas. São canções inspiradas em ritmos sulistas e uruguaios como a zamba portenha, o rasqueado… tem também um bolero, “Anita”, uma composição dedicada à Anita Leocádia, filha de Olga e Luis Carlos Prestes. “Estrela vermelha”, composição antiga feita por seu avô. Taiguara regravou também “Índia” em sua forma original, com a partitura para piano de José Assunción Flores. “Voz do leste” é uma toada com participação da dupla sertaneja Cacique e Pagé. A orquestração, em muitas faixas, é do maestro Gaya. O disco realmente busca uma nova retomada para o cantor. Contudo, não chegou a ser uma sensação, talvez porque Taiguara, como ele mesmo disse, se sentia um tanto estagnado, necessitando reaprender, reciclar seu momento como músico numa era dominada pela tecnologia. Percebe-se que o artista ainda naquele momento se sentia deslocado e desencantado com situações semelhantes as que o levou ao auto exílio nos anos 70. Depois deste álbum ele ainda chegou a gravar mais um disco, o cd “Brasil Afri” pela Movieplay em 1994. Faleceu dois anos depois, vitíma de um tumor na bexiga. Uma pena… uma grande perda 🙁
Nesta postagem eu resolvi incluir também uma entrevista dele dada à reporter do programa de rádio Notícias do Brasil, logo depois de lançar seu último trabalho. Confira aí…

anita
índia
voz do leste
mais valia
che tajira
moina me sorriu
o amor da justiça
estrela vermelha
guarânia, guarani
marília das ilhas
américa del índio
avanzada

Eles Fizeram O Sucesso (1970)

Olá amigos cultos e ocultos, do Brasil e do mundo, bom dia! Como diz o outro, o bambú racha mas não quebra. O condor tá com dor, mas ainda voa 😉

Ontem tive a desagradável surpresa de ver que o blog A Música Que Vem De Minas foi fechado. Conversei com o dono do blog e este me informou não saber o motivo. Ele não recebeu nenhuma notificação, apenas o tiraram arbitrariamente. O cara já estava a oito meses postando, só música mineira ou de artista deste estado. Já tinha um público fiel e não era do tipo que faz alarde. Suas postagens eram como a do Toque Musical, apenas discos fora de catálogo, exclusivamente retirados de vinil. Uma pena… Espero que ele não desista e retome o trabalho em outro endereço. Pelo jeito que vai a caravana, os cães estão mais ousados. Sem coleira, já começam a atacar. O melhor é ficar vacinado…
Bom, aqui vai o disco do dia… Hoje estou trazendo esta coletânea da Odeon, através de seu selo Imperial, especializado em vendas diretas a domicílio. O álbum, lançado em 1970, traz seis nomes importantes da ‘velha canção’, como pode ser conferido na capa logo acima. São gravações ainda do período das bolachas de 10 polegadas em 78 rpm. Acredito que temos neste lp coisas raras. Fonogramas que se perderam no tempo (quiçá, até mesmo nos arquivos da gravadora). Confiram aí antes que o Totó apareça… 😉
até quando – silvio caldas
no apartamento discreto – carlos galhardo
um pedaço de mim – gilberto alves
assunto velho – déo
há sempre alguém – orlando silva
canta maria – candido botelho
boneca – silvio caldas
morena faceira – carlos galhardo
meu amor – gilberto alves
tu és esta canção – déo
não terminei tua canção – orlando silva
cena de senzala – candido botelho

Dick Farney – Ao Vivo (1986)

Bom dia! Começamos a semana super bem acompanhado pelo nosso ‘jazzman’ Dick Farney. Um artista que já não carece de tantas apresentações aqui no Toque Musical. Seu talento e sua história são notórios. Excelente instrumentista, cantor e compositor. Talvez nos dias atuais (e após a sua morte) ainda mais conhecido e reconhecido do grande público como um dos precursores da Bossa Nova. Seus discos passaram a ter um interesse ainda maior. Até os seus primeiros álbuns, raridade total, voltaram a pipocar em todos os lugares e principalmente nos blogs musicais. Tenho para mim a certeza (e sem pretensões) de que nós blogueiros contribuímos muito para que isso acontecesse. A onda da Bossa Nova é eterna e se constitui na modernidade como a base de criação para muitos artistas, não apenas no Brasil. Daí, tudo ligado a ela é de interesse. Dick jamais ficaria fora dessa, mas seu valor não se limita a um único gênero. Dick Farney foi demais…

O álbum que apresento foi seu último trabalho fonográfico. Gravado ao vivo, em agosto de 1986, no restaurante Inverno & Verão de Romualdo Zanoni. Naquela década o empresário da noite trazia para a sua casa grandes nomes da MPB como Cauby Peixoto, Zimbo Trio, Raul de Souza, Tito Madi e muitos outros. As apresentações eram todas gravadas para a produção em discos com tiragens exclusivas, os quais eram distribuídos aos seus clientes. Entre os diversos artistas e títulos lançados, Dick Farney também foi um deles. Neste álbum não há nada inédito, seu repertório é formado de ‘standards’, músicas que marcaram a sua carreira. O que não deixa de ser ótimo, ainda mais sendo ao vivo. Dick vem acompanhado por músicos que já o seguiam de outras jornadas, como o baterista Antonio Pinheiro Filho, o Toninho, que faz com ele a parceria vocal em “Tereza da praia”. Exatamente um ano depois Dick Farney viria a falecer. Se Zanoni tivesse uma bola de cristal, talvez tivesse gravado um álbum triplo.
Este álbum, embora tenha sido lançado pela Band Discos, pode ser considerado como independente. Daí, a ‘segundona’ fica valendo como tal… Confiram o toque…
perdido
copacabana
este seu olhar
nick bar
a saudade mata gente
aeromoça
tereza da praia
uma loura
pouporri cassino da urca
(i only have eyes for you)
(embraceable you)
(tea for two)
(night and day)

Dalva de Oliveira – Homenagem À Francisco Alves (1952)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Aqui estou eu ainda na reserva, parecendo um ‘junk’, cheio de furos de agulha nos braços. Falando assim, parece até que eu estive hospitalizado por semanas, mas não foi nada disso. Apenas tive uma indisposição alimentar, daí fui ao pronto-socorro, tomei na agulha Buscopan, Omeprazol e soro. Seriam no máximo três picadas se não fosse a inexperiência do enfermeiro que me atendeu. Para completar a peneira, no dia seguinte tirei sangue e ainda me aplicaram um contraste para uma tomografia no estômago. Vejam só vocês o que passa um ‘condor’ (realmente, com dor).

E falando em dor, hoje, dia 27 de setembro fazem 57 anos que morreu o Chico Viola. Como é sabido, Francisco Alves morreu tragicamente em um acidente de automóvel na Via Dutra, em 1952. Sua morte causou comoção nacional e até hoje temos ecos daquele momento. Uma grande perda de um dos artistas mais populares e queridos do Brasil.
Em homenagem póstuma, Dalva de Oliveira gravou naquele mesmo ano a marcha rancho “Meu rouxinol”, composição feita por Pereira Mattos e Mário Rossi. Até onde eu sei, esta gravação foi lançada apenas em uma bolacha de 78 rpm. Uma raridade que merece ser revista. O curioso deste disco fica por conta do seu conceito simbólico, temos de um lado a canção interpretada por Dalva e do outro o silêncio. A agulha corre por uma trilha silenciosa da borda ao centro do disco. O Rei da Voz se cala.

João Nogueira – O Homem Dos Quarenta (1981)

Meus amigos, atrasei com a postagem de ontem porque não estou podendo digitar textos devido às inúmeras picadas de agulha que recebi no braço para tirar sangue, tomar sôro e outros exames que andei fazendo. Comecei a escrever e meu braço inchou. Por isso irei devagar…

Segue aqui um João Nogueira ‘de gaveta’, num disco já bem conhecido por todos, mas que é sempre bom relembrar. Paro por aqui… meu braço está doendo, desculpem…
homem dos quarenta
meu dengo
besouro da bahia
pimpolho moderno
transformação
minha missão
dinheiro nenhum
juramento falso
coisa ruim demais
temores

Adler São Luiz – Tambô De Criola

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje está sendo um dia de recuperação para mim. Estou ainda um pouco baqueado e ao contrário das outras sextas-feiras eu pretendo ficar ‘pianinho’ em casa, quieto para sair logo desse desconforto.

Como durante a semana eu ainda não postei um artista independente, vamos fazê-lo hoje. Aliás, a sexta-feira tem sido mesmo para isso. Mas eu não quero instituir o dia para esta única finalidade. Os discos independentes virão sem hora marcada, mas procurarei mantê-los semanalmente.
Hoje temos aqui um artista maranhense, pouco conhecido (ou divulgado?) aqui pelas bandas do sul – Adler São Luiz – que trocou corretamente o Z pelo S (provavelmente depois da ‘chamada’ do nosso amigo professor Pasquale). Ele agora atende por Adler São Luis 🙂 e continua mandando ver (e ouvir). Adler é um cantor e compositor com músicas gravadas por artistas importantes. Zezé Motta, por exemplo, gravou dele “Merengue” no disco Quarteto Negro.
Neste álbum que, me parece, foi seu primeiro e único, temos o artista apresentando dez composições próprias ao lado de convidados especiais como Luiz Melodia, Marcos Suzano, Paulo Moura e outros mais… Pessoalmente, gostei do disco que até então eu não conhecia. Vale o toque musical. Confiram…
louco feliz
nó-destino
sanfoneiros do brasil
choro chinez
bateu tambô
vida cigana
a metamorfose
aquele merengue
eu sinto seu sentimento
yrarapurana

Saudades Da Minha Terra (1988)

Olá! Bom dia para todos nós! Nessa saudação eu também me incluo. Estou precisando que meu dia seja ainda mais feliz. Não quero estar sentindo o mesmo mal estar de ontem. Até agora vai tudo bem… É interessante como o poder da música nos é curativo. Realmente, ela cura o corpo e alma. O que seria de mim se não fosse a música. Isso me fez lembrar agora de uma composição do genial Péricles Cavalcanti, chamada “Eu odeio música”, a qual define exatamente o que eu sinto pela música. Mas vou deixar o Péricles (completo) para um outro momento. Vamos de volta aos antigos…

Hoje eu estou postando um trabalho dos mais interessantes e importantes para o resgate da nossa música. Mais um álbum criado por Paulo Iabutti e seu selo Evocação. Não tive tempo de me aprofundar na pesquisa sobre quem ele é, mas do pouco que tenho de informação sei que foi o responsável por trazer de volta nomes esquecidos e dos primórdios da música popular brasileira. A produção, seleção musical e até a arte da capa são de Paulo. Bacana! Isso é que é paixão pela música! Neste álbum, como se pode ver pela capa, estão incluídos doze fonogramas raros que certamente só voltaram a ser ouvidos uns 5o anos depois. Acredito que antes deste disco, nenhuma das gravações chegaram a ser relançadas. São obras que correspondem ao período que vai de 1929 a 45. Na contracapa do lp temos um texto de apresentação onde o autor, Estevam de Andréa, nos fala sobre cada uma das músicas, um dado fundamental e que valoriza ainda mais o álbum. Há também um encarte interno onde são apresentados os artistas. Perfeito! Todo disco deveria ser assim. Fica aí o meu toque musical do dia. Espero que apreciem…
nancy – moacyr bueno rocha e orq. de concertos columbia (1932)
nem que chova canivete – patrício teixeira e orq. columbia (1933)
amarga serenata – jorge amaral e orq. de salão (1936)
japonezinha – dalva de oliveira, dupla preto & branco c/ benedito lacerda (1939)
allô john – jurandyr santos e orq. columbia (1933)
nossa senhora do amparo – arnaldo pescuma e conjunto serenata (1937)
saudades da minha terra – januário de oliveira e conjunto serenata (1937)
é batucada – antonio moreira da silva e gente do morro (1933)
perdão emília – paraguassu com rago e seu conjunto (1945)
saudades – jayme redondo e trio ghiraldini (1929)
eu sou celibatário – deo com nicolini e sua orquestra (1937)
amando sobre o mar – ubirajara e orq. colbaz (1932)

Sucessos RGE (1961)

Olá, bom dia a todos! Tenho dado umas vaciladas tanto na escrita quanto nos arquivos, mas é que eu ando com a cabeça cheia, com outras tarefas e problemas que foram surgindo no fim de semana. Estou meio mal do estômago (acho que tenho abusado demais dos chocolates e frituras). Ficar assim, deixa a gente fora do prumo. Preciso me cuidar!

Para o dia de hoje eu estou trazendo uma oferta especial. Por apenas 199,00 cruzeiros você vai levar agora uma coletânea orquestral da RGE com alguns dos maiores sucessos do início dos anos 60. Estão reunidos neste álbum alguns exemplares do ‘cast’ da gravadora. Um típico lp promocional. Tudo bem, você não tem essa grana, eu entendo. Ninguém precisa ser um adepto à numismática. Eu também não sou colecionador de moedas e por isso mesmo vou lhe dar a segunda e já costumeira opção, vá ao Comentários! Lá se pode pagar com a moeda da satisfação ou do complemento informativo a respeito da postagem. Fiquem a vontade 😉
boneca cobiçada – pocho e orquestra rge
banana boat – erlon chaves e orquetra rge
a situação do escurinho – erlon chaves e orquetra rge
esperame nel cielo – pocho e orquestra rge
sonhando contigo – erlon chaves e orquetra rge
porque sofrer – alfredo grossi e sua típica
ricordate marcelino – pocho e orquestra rge
balalaika – georges moran e orquestra rge
chella lla – lauro molinari
enrolando o rock – pocho e orquestra rge
trapézio – alfredo grossi e sua típica
kátia – georges moran e orquestra rge

José Rastelli – Meu Amigo Violão Vol. 2 (1963)

Meus prezados, o Chico Zé já está de volta, completo em suas 14 faixas. Voltem lá e refaçam seus arquivos. E ponha a boca no trombone, caso encontre alguma postagem vencida.

Temos uma semana diversificada, bem variada, para ser mais exato. Ontem foi samba, hoje vai ser solos de violão. Geralmente quando publico álbuns de violonistas o ‘ibope’ é muito bom. Tenho certeza que o disco de hoje também vai fazer sucesso. Vamos hoje com o violão paulista do grande instrumentista José Rastelli. Um nome pouco conhecido além do universo das cordas. Um violonista virtuoso listado entre os mais escutados e estudados pelos amantes do violão. Rastelli estreou em disco pela Chantecler, no início dos anos 60. Da série “Meu amigo violão”, que eu sei, ele gravou uns quatro. Minha intenção era a de postar o primeiro, mas este não estava em boas condições, principalmente se tratando de solos de violão. Fica parecendo trilha para fritar ovo. Os estalos e chiados comprometem a audição. Daí optei pelo segundo, que de uma certa forma é até mais bonito e mais solto. O repertório é típico, variando do erudito ao popular. Para aquele que não conheciam José Rastelli ou querem mais informações sobre o músico, sugiro visitarem o seu espaço.
olhos negros
brejeiro
o despertar da montanha
canção de dalila
valsa venezuelana
prelúdio nº 1
hi-lili-hi-lo
oh, doce mistério da vida
el cubanchero
noche de ronda
sonho de amor
cinquantaine
cinzas do coração

Super Sambas Vol.1 (1973)

Bom dia a todos! Esse negócio de blog com postagens diárias não é fácil não. Principalmente para uma pessoa sozinha. Vocês não fazem ideia do trabalho que dá. Calma! Não estou reclamando, apenas justificando algumas falhas. Eu até que conto com alguns colaboradores, mas o processo todo depende de mim. Como o blog a cada dia cresce mais, aumenta também o serviço de gerência. Dependo exclusivamente de vocês para me informarem ‘onde o bicho tá pegando’. Links vencidos, faixas trocadas ou faltando, erros de linguagem ou ortográficos… tudo isso e até as críticas eu dependo de vocês. Blogs como este só sobrevivem se houver um ‘feed back’. Esta introdução toda foi também para dizer que eu não esqueci as solicitações para novos links que até o momento eu não repus. Estou tendo alguns problemas para localizar os arquivos das postagens das semanas temáticas latino americanas e portuguesas. Peço aos visitantes que não deixem de me lembrar…

Seguindo, vamos com o álbum do dia. Vamos com uma coletânea de sambas do selo Okeh da CBS, especializado em discos do gênero. “Super Sambas Vol.1” reúne os seis primeiros grupos e sambistas gravados para o selo: Samba 4, 5 Só, Os Geniais, Os Bambas, Baianinho e Zuzuca. Este último, Zuzuca, é também um dos responsáveis pela produção artística ao lado de Rossini Pinto e Helcio Milito. Uma seleção de sambas bem populares, alguns inclusive já postados aqui. Vale uma conferida, pois ‘quem não gosta de samba, bom sujeito não é’.
tarde de verão – samba quatro
assim que é a lua – zuzuca
história de um preto velho – baianinho
o serrote – os geniais
deboches os bambas
o pinto piou
tira meu nome da boca do sapo – os geniais
mágoa – baianinho
foi assim – samba quatro
reza forte – zuzuca
batida de côco não é de limão – cinco só

Francisco José – O Melhor De Francisco José (1984)

Depois daquela bacalhoada, não deu outra… Vai aqui o tão esperado Francisco José. Algumas pessoas haviam me pedido mais coisas desse cantor português. Demorou um pouco mas chegou. Para atender a todos, escolhi uma coletânea das melhores. Temos aqui ‘seus 14 maiores sucessos românticos’, reunidos em um álbum do selo Elenco e lançado nos anos 80. As músicas do disco foram recolhidas dos lps que o ‘Chico Zé’ gravou pela Philips. Sem dúvida, em seus melhores e mais marcantes momentos. Aqui estão reunidas músicas imortais do repertório português (e também brasileiro, ora pois) que o imortalizaram como um dos grandes fadistas e intérpretes.

O que mais me impressionou neste disco é a qualidade da gravação. Perfeita! Isso valorizou ainda mais o instrumental, mostrando a riqueza dos arranjos, somados a bela voz do cantor.
Uma dúvida que ficou e que eu gostaria de contar com a colaboração de quem sabe. Nos anos 80 o selo Elenco ainda tinha a supervisão do Aloysio de Oliveira? Sei que foram produzidos alguns álbuns nessa década, mas numa procurada rápida não vi nada a respeito. Diz aí você que sabe, não amarra a informação :)))
coimbra
doido sim, mas não louco
sinal da cruz
que me importa
que deus me perdoe
saudade, vai-te embora
nem as paredes confesso
fado hilário
só nós dois
foi deus
lisboa antiga

Dalva de Oliveira – Em Tudo… Você (1960)

Olá a todos! Comecei esta postagem logo cedo, mas só agora me lembrei de publicá-la. Tinha essa tarefa como já realizada. Ia passar batido, pois hoje eu não pretendia nem ligar o computador. Mas foi bom e providencial, assim pude além da postagem do dia, corrigir o erro de ontem. Valeu Pasquale!

Segue aqui, então, o nosso disquinho de sábado. O presente álbum é também aproveitando o ensejo… Fui buscá-lo lá no fundo do baú à pedido de um de nossos visitantes que necessitou dele para um trabalho de acadêmico. Já que estava pronto e lá no Rapidshare, achei que seria um bom toque para hoje. Vamos assim, com Dalva de Oliveira, marcando presença mais uma vez em nosso Toque Musical. Este lp, lançado em 1960 pela Odeon, traz a cantora em mais um bom momento, com um repertório romântico e variado de sambas e boleros. Eu destacaria a faixa “Não, nunca mais” de Newton Ramalho e Almeida Rêgo, um samba canção numa pegada que é pura Bossa Nova. Outra que destaco é o bolero “Enquanto eu souber” de Ribamar e Esdra Silva. Nada como a rima para fazer a gente decorar uma canção… gosto desta também 🙂
triste oração
preciso de alguém
dorme
quando ele passa
meu rio
não, nunca mais
enquanto eu souber
meu céu com você
segredo dos lábios
beijos proibidos
você
não te esquecerei

Grupo Rumo – Rumo Aos Antigos (1981)

Oooba! Finalmente chegou a sexta-feira, dia nacional da cerveja. Tenho aqui um barril de Heineken já no ponto, esperando para depois do trabalho. Vamos nessa? Não deixem de levar um tiragosto, o violão, o pandeiro e algumas músicas do Noel na ponta da língua. Vai ser bom demais!

Aproveitando o ensejo, vou postando hoje, como nosso disco do ‘Dia do Independente’, um álbum do Grupo Rumo que tem tudo a ver (e a ouvir também) com o espírito da ‘festa’. “Rumo aos Antigos” foi um dos primeiros (ou o primeiro?) álbuns deste grupo paulista criado por Luiz Tatit, Gal Oppido, Helio Ziskind, Ná Ozzetti e outros, nos anos 70. Um trabalho maravilhoso de releitura de alguns dos nossos maiores compositores, do que poderíamos chamar de ‘a velha guarda da mpb’. São nomes como Noel Rosa e Vadico, Lamartine Babo, Sinhô e Heitor dos Prazeres. Músicas que se tornaram clássicos populares, algumas até esquecidas, mas aqui muito bem lembradas. Nesta interpretação, Luiz Tatit e sua turma deram uma nova cara as essas músicas, reabilitando-as sem com isso fugir da essência, simplicidade e beleza que elas trazem. Eu sempre digo que este disco é uma ótima entrada para aqueles que se aventuram em conhecer os primórdios da música popular brasileira. Um disco que ensina a gente a gostar dos antigos. Maravilha total! Há também incluída uma música de Tatit, “Pro bem da cidade”, prenunciando seu talento como um grande compositor. Taí um álbum nota 10! Não deixem de conferir…
quantos beijos
que bom, felicidade que vai ser
eu também
você só… mente
não quero saber mais dela
ótima ocasião
provei
canjiquinha quente
seja breve
deus nos livre do castigo das mulheres
marchinha nupicial
aí, hein?
pierrô apaixonado
bobalhão
pro bem da cidade

Brasil: A Century Of Song – Bossa Nova Era (1995)

Bom dia! No passo ligeiro, aqui vai o disco de hoje. Estou numa correria que só vendo… Tenho para hoje uma coletânea de gaveta, daquelas que ficam prontas para qualquer emergência. Um coletânea feita por gringos e a qual é chamada de bossa nova. Como se a música brasileira se resumisse a nisso. Mas a gente entende porque sabemos que a nossa música tem mesmo muita bossa. Uma música de personalidade mais que expressiva. O disquinho que apresento já é da geração cd, mas seu conteúdo oscila entre o antigo e o moderno, entre o Samba e Bossa Nova. Contudo, vale a pena ouví-lo, pois nele encontraremos coisas muito interessantes e até raras, que não se encontram fácil por aí. Esta é uma copilação feita por americanos (ou canadenses?) em parceria com uma produtora brasileira. Um autêntico disco feito pelo e para o mercado norteamericano. É bem possível que haja algum engano nos créditos das músicas, mas se tiver, eu vou deixar à cargo de vocês, especialistas. Podem comentar… Vejam (e ouçam) o que temos no disquinho:

a felicidade – joão gilberto
o orvalho vem caindo – j. t. meirelles e conjunto
só quero ver – beth carvalho
dindi – sylvia telles e rosinha de valença
desacato – antonio carlos & jocafi
ela desatinou – chico buarque
canto de ossanha – toquinho & vinícius
quando eu penso na bahia – elizeth cardoso e cyro monteiro
pedro pedreiro – quarteto em cy
aqui ó – toninho horta
oh what a sight – oscar castro neves & império serrano
berimbau/cuíca/cavaquinho/tristeza – edu lobo, sylvia telles, rosinha de valença, meirelles e +
pescador – baden powell
rapaz de bem – leila pinheiro
vrap – grupo beijo & coral da usp
rio – leny andrade

O Bando Da Lua (1989)

Olá! Correndo para não perder o trem, aqui vai a postagem do dia. Escolhi algo que não carece de muitas apresentações mas que com toda certeza irá agradar. Tenho aqui uma seleção musical do famoso Bando da Lua, grupo liderado por Aloysio de Oliveira e que acompanhou Carmen Miranda aqui e nos Estados Unidos. Este disco é uma prova de amor à música brasileira, produzido mais no sentido de resgatar a memória musical brasileira do que propriamente o de vender discos. Um trabalho minucioso de recuperação de fonogramas raros que foram cedidos na época pela BMG Ariola para esta produção quase independente feita pelo selo Evocação, através de Paulo Iabuti, responsável pela seleção. Como podemos ver, este disco foi feito por e para colecionadores. Aqui estão registros raros do Bando da Lua, inclusive de gravações feitas na Argentina. Um trabalho dos mais importantes que o Toque Musical procura manter ativo. Confiram aí…

lalá
não quero não
adivinhação
uma voz de longe me chamou
cirandinha
salve mangueira
foi maria
cansado de sambar
a hora é boa
olha a lua
segure a mão
três estrelas
negócio de família
foi pouco
só conheço uma
maria boa
menina da lojas

Morte E Vida Severina – Trilha Sonora Do Filme (1977)

Bom dia! Ontem pela, primeira vez, tive tempo e paciência para conhecer melhor os meus contadores de visita e estatísticas. Tenho três contadores no blog, sendo um deles oculto, o da Google. E justamente este, o mais completo, eu nunca havia investido, nem sabia como funciona. Mas quem tem amigo não morre pagão. Com uma pequena ajuda dos amigos, eu vou aos poucos ampliando meus conhecimentos sobre as ferramentas que disponho no blog. Que maravilha! Agora consigo localizar de onde vem os acessos e até já consigo ver os amigos ocultos. Mas o melhor foi saber de onde vem as pedras. Agora ficou mais claro… quem diria… Fico aqui pensando apenas numa coisa, como é estranha a natureza humana. Só isso…

Vamos agora falar do disco do dia. Hoje temos aqui a trilha sonora original do filme de Zelito Viana, “Morte e Vida Severino”, de 1977, baseado no livro de João Cabral de Melo Neto. Este texto/poema se tornaria um clássico a partir dos anos 60 quando foi levado para o palco. Chico Buarque de Holanda musicou alguns dos poemas do livro. Na versão cinematográfica, veio nos anos 70 este filme do diretor Zelito Viana. A trilha sonora é de Airton Barbosa, um dos integrantes do Quinteto Villa-Lobos. A música de Chico também está presente. Participam do álbum os mesmos intérpretes do filme, as cantoras-atrizes Elba Ramalho e Tânia Alves, os atores Jofre Soares, Stenio Garcia, José Dumont e o próprio diretor. Também estão presentes músicos como Geraldo Azevedo e Kátia de França, entre outros… O resultado em disco não podia melhor tendo ainda a direção artística de Marcus Vinicius e a produção de Marcus Pereira. Muito bom! Confiram aí…
de sua formosura
severino – o rio – notícias do sertão
mulher na janela
homens de pedra
todo o céu e a terra
encontro com o canavial
funeral de um lavrador
chegada ao recife
as ciganas
despedida do agreste
o outro recife
fala do mestre carpina

Eles Começaram Assim… (1978)

Bom dia a todos os visitantes cultos e ocultos. Inicialmente eu quero agradecer aos amigos pelo carinho e atenção na passagem do meu aniversário. Sei que falar de aniversário não acrescenta nada de objetivo ao Toque Musical e para a maioria isso é irrelevante ou até sem sentido. Não deveria caber à um blog musical questões como essa, não fosse ele antes de tudo um espaço pessoal (ao qual se permite o acesso público). Como autor do blog, me dou ao direito de fazer dele o que eu quiser, desde que isso não vá contra a moral, a dignidade e o respeito pelo outros. O que eu expresso aqui é apenas a minha visão pessoal. Por fazê-lo público, me exponho e inevitavelmente vou de encontro a todo tipo de sorte. Há os que participam, colaborando de uma forma ou de outra. Há os que criticam e os que crititicam. Há amigos cultos & ocultos e os inimigos também. Mas independente das minhas ‘babaquices textuais’, estou aqui diariamente levando a vocês alguma coisa boa, que são os discos e a música. Compartilho com todos o que tenho de bom, porque o ruim ou mal é fácil de fazer. Destruir é mais fácil que ajudar a construir, imagina construir sozinho… Acho que nem preciso explicar melhor os motivos desta introdução. Quem frequenta o Toque Musical diariamente sabe do que eu estou falando.

Para não render muito assunto, vamos ao que interessa… O disco de hoje é uma coletânea que merece a nossa atenção. Faz parte de uma série criada pela Continental, nos anos 70, chamada “Eles começaram assim…” Segundo o texto da contracapa, a série foi criada com a intenção de ser mais que uma simples coletânea para atrair público. A ideia seria a de apresentar alguns de seus artistas logo em inicio de carreira ou seus primeiros trabalhos por esse selo. O presente álbum seria o de número 22. Confesso que não me lembro de outros volumes e nunca os vi. Imagino que deve ter sido uma bela e rica coleção, considerando o vasto mundo de artistas da gravadora e também por essa numeração. Se alguém aí tiver outros volumes, pode mandar… Pela capa do que temos já dá para saber quem está neste disco, mesmo assim, confiram o que eles cantam:
olha a baiana – orlando silva
agora pode chorar – adoniran barbosa
pode ser? – isaura garcia
seu libório – vassourinha
treme-treme – jacob do bandolin
tambor índio – índios tabajara
não diga não – tito madi
dúvida – luiz bonfá e tom jobim
dá sorte – elis regina
mas, que nada – zé maria e seu conjunto com jorge ben
final- benito di paula
nhem, nhem, nhem – martinho da vila

Nelson Souto – Interpreta Eduardo Souto (1958)

Bom dia, meus prezados visitantes! Hoje estou celebrando 48 primaveras, graças a Deus, sempre cheia de flores, perfumes e sabores. Por incrível que possa parecer, me sinto cada dia mais jovem. Não tenho o que reclamar da vida e com certeza ela também não reclama de mim. Sempre fizemos uma ótima parceria, mesmo nos meus momentos de maior depressão, ela sempre soube me perdoar. A maturidade já chegou, mas a velhice ainda não. Sem querer remar contra a correnteza, deixo meu barco ir, mas viso sempre as margens do rio. É lá que faço minhas pausas, meu descanso… É lá que estão meus discos e livros, meus sonhos e planos. Meu rio quase sempre foi calmo. Ele sabe que eu não sei nadar, por isso não me assusta. Minha bóia salva-vidas é a música, por isso vivo rodeado de muitos discos.

E falando em discos, aqui vai o do dia. Um álbum dos mais interessantes, lançado pelo selo Festa em 1958. Na verdade, o primeiro disco de música popular lançado pelo selo de Irineu Garcia, especializado em registrar os poetas e suas poesias. Nesta época Irineu começava abrir o leque fonográfico, dando inicio não apenas à música erudita, mas também a popular. Este álbum já sinalizava as mudanças. Logo em seguida viria Elizete Cardoso com Tom e Vinícius no marco inicial da Bossa Nova, o transformador “Canção do Amor Demais“. No presente ‘Long Play’ temos o pianista Nelson Souto interpretando obras de seu pai, o grande compositor e maestro, Eduardo Souto. As composições contidas neste lp contemplam um repertório popular, onde Nelson interpreta o pai com a fidedignidade de quem passou toda sua vida ao lado do grande maestro, ouvindo e aprendendo. Temos dois momentos distintos neste álbum. De um lado, mais intimista, Nelson Souto toca em seis faixas solo, abrindo o disco com a famosa “Despertar da montanha”. Do outro lado, mais descontraido, Nelson se apresenta ao lado de seu conjunto, tocando, entre outras as famosas “Tatú subiu no pau” e “Batucada”, uma parceria com Braguinha, o “João de Barro” do Bando de Tangarás. Confiram aí a preciosa raridade e se possível comentem. Eu, daqui ficarei comendo o meu bolinho e tomando guaraná. Quer uma fatia?
despertar da montanha
inverno
saudade
do sorriso da mulher nasceram as flôres
evocação
viver… morrer… por um amor…
parati dançante
não sei dizer
só teu amor
gegê
tatú subiu no pau
batucada

Camerata Cantione Antiqua & Angaatãnàmú – Amazônica (1997)

Olá amigos cultos, ocultos e demais associados… Aqui vamos nós com mais uma postagem. Desta vez estou trazendo um disco relativamente novo (para mim tudo em cd é novo), lançado nos anos 90 e voltado para o público e mercado internacional. Trata-se de “Amazônica”, um trabalho muito bem elaborado envolvendo as raízes da cultura norte brasileira em suas diversas manifestações musicais. Concebida pelo maestro e compositor Miguel Kertsman, esta obra, como explica o texto de contracapa, é uma jornada através dos séculos por lugares e culturas no coração do Brasil. Um caleidoscópio das diferentes influencias musicais e misturas europeias, africanas e indígenas. “Amazônica” é executada por dois grupos de pesquisas musicais, o Camerata Cantione Antiqua e o Angaatãnamú sob a regência e direção de Miguel Kertsman.

Na minha visão, percebo que de uns vinte anos para cá, a música brasileira tem se reencontrado com os valores tradicionais, resgatando sons e ritmos antes esquecidos ou vistos apenas como regionais, curiosos ou até mesmo exóticos e isolados. Este álbum, embora não tenha sido direcionado para o nosso público, foi lançado também por aqui e hoje já se tornou peça rara, difícil de achar. Vale muito conferir este trabalho…
Chegança –
louvação
tempestade
barcarola do ânimo
toada de maracatu (loa): o povo
modinha: pernambuco
Caboclinhos –
guerra
perré
baião
lavadeira
embolada: o brasil é meu lar
senzala
incelença de roupa
maracatu toada de martelo
repente: o brasil colonial
caramuru
aboio
aboio grande

José Miguel Wisnik (1992)

Bom dia, meus queridos amigos cultos e ocultos. Hoje eu acordei num ótimo astral, mesmo apesar da manhã está assim meio nublada, parecendo Sampa. Mas como na capital dos paulistas, ao longo do dia, o sol aparece e o dia fica mais vibrante. Afinal, hoje é sexta-feira! E por falar em Sampa, eu hoje resolvi postar um disco que eu comprei nesta cidade há mais de 10 anos atrás e que pela sua beleza, vem me acompanhando como trilha desde então. Posso dizer que venho escutado este disquinho continuamente ou mesmo cantarolando suas inspiradas faixas que a muito eu sei de cor. Obviamente, estou me referindo ao músico e compositor José Miguel Wisnik, também ensaísta e professor de literatura na USP. O cara é genial, de uma sensibilidade ímpar, um grande poeta. O presente disco, se não me engano, foi seu primeiro trabalho e no pouco ou muito que ouvi dos outros discos dele, acho este o melhor. Destacar uma ou outra música do disco seria uma injustiça, sendo que todas são maravilhosas. Mas é de comover, em alguns casos, a perfeita união da poesia com a música. Sensibilidade pura! Deixo aqui para os que ainda não conhecem essa pérola musical. Um dos melhores trabalhos fonográficos produzidos nos anos 90, pode acreditar!

se meu mundo cair
mundo cruel
laser
vírus
mais simples
estranho jardim
a olhos nus
polonaise
a primeira vez, mamãe, que eu fui ao cinema
vôo cego
subir mais
pesar do mundo
som e fúria
soneto do olho-do-cu
mestres cantores