Carmen Miranda E O Bando Da Lua – Ao Vivo (1975)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Como disse uma amiga, meus textos são quase locuções radiofônicas. Eu faria apenas uma correção: ‘locuções blogofônicas’. Sem dúvida, tem tudo a ver… O monólogo e chamadas que se repetem, o assunto e a presença diária. Tudo leva e dá esse sentido. Como tantos outro blogs, vou acabar transformando o Toque Musical numa ‘webrádio’.

Hoje o nosso foco é mais uma vez a Carmen Miranda e o Bando da Lua. O disco que temos aqui é uma peça rara criada por Aloysio de Oliveira e sua série Evento, para a Odeon. Lançados a partir de 1974, os discos pelo selo Evento/Odeon, foram uma tentativa de Aloysio de retomada na produção fonográfica semelhante à Elenco, criada por ele na década anterior. O selo Evento buscava produzir discos do mais alto nível, com artistas e compositores, que segundo Aloysio, constituíam um ‘Evento’ em termos fonográficos e musicais. Foram lançados discos com a cantora Maysa, Billy Blanco, Ary Barroso & Dorival Caymmi, Sylvia Telles, Sérgio Ricardo e outros. Esses álbuns traziam relançamentos e também coisas inéditas, entre eles este de Carmen Miranda e o Bando da Lua. Um registro ao vivo até então nunca publicado, trazendo de um lado Carmen em um dos diversos shows que ela fazia nos Estados Unidos. Do outro lado vem o Bando da Lua, também registrado ao vivo num programa de rádio, feito mais ou menos na mesma época da gravação do show de Carmen, em 1950. Este disco é para ser entendido como um evento, documento e uma curiosidade. No disco não temos nem a separação por faixas. A qualidade do som, mesmo retrabalhada, demonstra que se trata de uma gravação que serviu apenas e naquela época como um registro, hoje histórico! Confiram o toque…
Lado Carmen Miranda
south american way
when i love, i love
cuanto le custa
i make my money with bananas
cooking with glass
ai, ai, ai, i like you very much
Lado Bando da Lua
aquarela do brasil
na baixa do sapateiro
tico tico no fubá
quizas, quizas, quizas
the old piano roll blues
chiquita bacana
aquarela do brasil

Ed Lincoln – Orgão Maravilhoso (1982)

Bom dia! Enquanto tomo o meu café, vamos rapidinho à postagem de hoje. É domingo, mas eu terei que ir trabalhar 🙁 Vida de peão não é mole não (mas rima!)

Vamos nessa com uma coletânea bacana do Ed Lincoln, lançada em 1982 pela série Gala Super da Soma/Som Livre. Neste álbum temos reunidas doze faixas selecionadas de diversos discos do tecladista na década de 60. Algumas até inéditas na ‘blogosfera’. Em breve postarei mais alguns discos do Ed, que sei, fazem sempre muito sucesso. Hoje é só um ‘tiragosto’ dominical. Aproveite o domingo!
aquarela do brasil
ai que saudade dessa nêga
a rosa
arrasta a sandália – não poe a mão
são salvador
o ganso
voltei
miss balanço
teleco teco nº2
na onda do berimbau
mulher de trinta
vou andar por aí
o mar e a rosa
é o cid

Os Populares (1967)

Olá amigos cultos e ocultos! Não fosse o compromisso diário de postagem, eu hoje iria deixar vocês na mão. Estou numa preguiça de fazer inveja a baiano. Por mim, hoje eu ficaria só ouvindo música e no chocolate. Quero aproveitar o sábado, pois o domingo vai ser osso, vou trabalhar 🙁

Eu estava aqui ouvindo este disco dOs Populares. Eu estava crente que já o havia postado, daí percebi meu engano. Como hoje eu ainda não havia preparado nada, achei uma boa oportunidade. Este álbum dOs Populares é ótimo, talvez o melhor. Foi o segundo disco do grupo lançado no mesmo ano do primeiro, 1967. O repertório é só alegria e o grupo não deixa a peteca cair. Julio Cezar, o guitarrista e lider da banda é mesmo um fera, toca muito!
Vou deixar vocês aí ouvindo e me jogar no balanço de outra rede. Deixa eu descansar…
meu limão meu limoeiro – lara’s themes
balanço de vera
sous le ciel de paris
esploration in terror
meu sonho
acorda maria bonita – se eu soubesse
balança a cabeça
lejania
zero zero cezar
theme for lovers
deixe de esnobar
valsa da despedida – está chegando a hora

Morgana – Esta É Morgana (1959)

Olá! Finalmente é sexta-feira! Vamos hoje no embalo da fada loira, Morgana Cintra. Eu já havia apresentado a vocês um disco desta cantora, o seu segundo álbum. Agora voltamos, para a alegria de muitos que havia pedido, com o seu primeiro lançamento. Morgana estreou em disco pela Copacabana em 1959 com este lp, que na época fez muito sucesso. Pelo menos duas faixas colaboraram muito para o reconhecimento dela perante ao público, “Serenata do adeus” de Vinicius de Moraes e “Era uma vez” de Lina Pesce. Outro fato curioso neste lp é a presença de Ormar Milani e sua orquestra em quatro faixas exclusivas. Pelo que eu pude entender, o disco de Morgana Cintra era para ser um lp de dez polegadas, tradicionalmente com oito faixas. A gravadora Copacabana resolveu lançar o disco no formato, então recente, de doze polegadas e com doze faixas. Na falta de mais quatro canções com a cantora, decidiram incluir o Osmar Milani, responsável pela orquestração, em outros quatro temas instrumentais. Podemos assim dizer que o disco é meio da Morgana Cintra e meio do Osmar Milani e Sua Orquestra. Um bom disco, pode acreditar!

serenata do adeus
era uma vez
andré de sapato novo
sombras entre nós
dois orgulhosos
volta ao mundo
conselho
mais brilho nas estrelas
solidão
porque tu me feres
amar ou não amar
mocinho bonito

Pepe Castro Neves – Coração Vulgar (1979)

Bom dia, amigos cultos e ocultos. Estou chegando a conclusão de que todos os discos que tenho disponível e que penso em postar, de uma forma ou de outra já foram postados por algum outro blog. Não sei se o número de blogs aumentou ou se os discos mais comuns estão chegando ao fim. O fato é que as coisas se repetem. Se por um lado isso dá ao disco mais visibilidade, por outro se torna desanimador para quem posta. Estou vendo que preciso sair do senso e do gosto comum, voltar às origens. Por enquanto, vamos cozinhando o tradicional já que o estoque ainda guarda muita digitalização e horas trabalhadas.

Hoje o dia é do independente e trago para vocês o álbum “Coração Vulgar” de Pedro Paulo Castro Neves, o Pepe, da musical família Castro Neves. Pepe é um cantor talentoso, o caçula da família que aprendeu tudo ouvindo os imãos mais velhos e seus ilustres amigos visitantes. Segundo o texto do encarte, aos 20 anos estudava música e tentava uma oportunidade como programador da Rádio Jornal do Brasil. Trabalhou com Egberto Gismonti fazendo parte do coro em alguns dos seus discos e em vários concertos entre os anos de 72 e 74. Através de Gismonti, Pepe conheceu o francês Michel Legrand com quem chegou a gravar um disco. Foi morar na França onde cantou e estudou com Bruno Wyzui. Lançou este disco, seu primeiro álbum individual, em 1976 por um selo independente. Montou um repertório dos mais interessantes com músicas de Ivan Lins, Egberto Gismonti, Toninho Horta, Sá & Guarabyra, Nelson Cavaquinho e outros. Não bastasse o ‘menu’, contou com a participação de gente tarimbada, músicos como Wagner Tiso, Robertinho Silva, Luiz Alves, Mauro Senise e outros. O resultado não podia ser outro, um belo disco! Tá duvidando? Confira então…
coração vulgar (você vai pagar)
bailarinha
luto
pedar da lua
segredo quebrado
calma
se
passarinho
músicos da noite

Grupo Manifesto – Nº 2 (1968)

Bom dia! Um caso que tem deixado muita gente com ‘a pulga atrás da orelha’ é o sumiço do nosso amigo Zeca, do Loronix. Estão todos por lá sem saber do paradeiro do loro. Há exatos dois meses ele fez sua última postagem e desde então nunca mais apareceu. Não postou mais nada e nem responde aos inúmeros e-mails e mensagens deixadas no Comentários. No quadrinho de bate-papo todas as hipóteses já foram levantadas, alguns inclusive já estão rezando missa de sétimo dia (xô, coisa ruim!). Ninguém sabe, ninguém viu… Até os que se dizem ‘mais chegados’ estão sem saber. Um mistério… Mistério é bom, levanta poeira… Mas vou baixar ela um pouco e já avisando: ele em breve vai voltar. Problemas todo mundo tem, mas o tempo faz tudo se resolver. Aguardem!

Bom, meu primeiro manifesto já foi feito. Agora vamos ao segundo… vamos com o Grupo Manifesto. Uma turma de jovens artistas, que se juntou a partir de 1966 para formarem um conjunto vocal/instrumental dos mais interessantes. Faziam parte do Manifesto nomes que hoje se tornaram artistas e produtores musicais consagrados. Era formado por Gutemberg Guarabyra (da dupla Sá & Guarabyra), Guto Graça Melo (compositor e produtor), Mariozinho Rocha (produtor e diretor musical da Rede Globo), Fernando Leporace (compositor e arranjador, fez também parte do grupo Vox Populi), os cantores Augusto César Pinheiro, José Renato Filho e Junaldo, além da cantoras Gracinha Leporace e Lucinha (da dupla Luli & Lucina). O grupo teve uma breve existência de apenas três anos. Gravaram somente dois ‘long plays’ e pelo selo Elenco. Dizem que os dois discos foram relançados na versão cd pela PolyGram, mas pelo jeito, em edição limitadíssima. Eu mesmo nunca vi. O primeiro disco é realmente muito bom, mas o número dois não fica atrás. As composições são quase todas de músicas próprias. Nenhum grande sucesso, mas todas da melhor qualidade. Um disco que merece também o nosso toque musical.
Esta postagem vai em especial para o meu amigo Chris, empolgado ao ter em mãos o vinil que eu agora estou postando. Taí, brother, agora é só conferir 😉
maria redentora
diferença
pra que brigar
hoje é domingo
quem vem
bloco da vida
garoto paissandu
sem dor
minha decisão
marianinha

Angela Maria – Angela A Maior Maria (1964)

Mais uma vez, marcando presença em nosso Toque Musical, temos a Angela Maria, uma de nossas mais queridas cantoras, dona de uma voz única e de um repertório que agrada gregos e troianos. A “Sapoti” como ficou também conhecida, apelido dado a ela por Getúlio Vargas, foi durante os anos 50 a maior cantora do rádio. De caloura profissional passou a ser a cantora excepcional. Gravou seu primeiro disco em 1951, pela RCA Victor, com as músicas “Sou feliz” de Augusto Mesquita e Ari Monteiro e “Quando alguém vai embora” de Ciro Monteiro e Dias Cruz. Com apenas essas duas músicas gravadas já se tornou um grande sucesso nacional. Durante a década de 50 ela então gravaria dezenas de discos. De ‘princesa do rádio’ passou a ser a rainha. Paralelo ao rádio, ela também atuou no cinema, o que de uma certa forma colaborou em muito para com a sua popularidade. Participou de diversos filmes durante três décadas. Nos anos 60, mesmo com tantas mudanças no cenário musical brasileiro, Angela continuou firme, se destacando como uma cantora essencialmente romântica. Apesar de muitas vezes trazer em seu repertório um certo ‘ar brega’ (talvez pelo romantismo popular), sua arte e qualidades são inegáveis. Entre seus diversos álbuns, um dos que eu mais aprecio é este disco lançado em 1964. O lp é num todo uma beleza, a começar pela capa, pela foto da cantora que aqui nunca esteve antes ou depois tão bonita. Gosto mesmo dessa capa! Mas o disco não fica só na estampa e o meu gosto também. Temos nele diversas músicas bacanas, entre as quais eu destacaria “Estereofonia”, uma das muitas versões de Hélio Justo para este disco. Temos também Ary Barroso em “Canção em tom maior”, “Felicidade virá” de Orlann Divo e “Samba novo” de Newton Chaves e Durval Ferreira. Taí um disco clássico da Sapoti. Vamos ouvir?

a saudade bateu… valeu
esta noite não
estereofonia
poeira do caminho
o amor mais belo
samba novo
canção de tom maior
felicidade virá
loucura
não há mais tempo
as noites de inverno chegam mais cedo
clarinada

Márcio Montarroys & Orquestra – Piston Internacional (1981)

Bom dia, amigos cultos e ocultos!. Algumas pessoas andam reclamando de links que não estão (aparentemente) funcionando. Eu procuro verificar imediatamente e meus famosos colaboradores vão logo oferecendo o link novo. Acontece que na maioria das vezes o problema não é o link vencido. O que temos são erros geralmente por falta de atenção ao copiar o link e agora, mais comuns, provocados pelo próprio Rapidshare, forçando a barra para que a gente adquira uma conta Premium. A sugestão que dou nesses casos é desligar e ligar novamente o seu computador. Dessa forma ele estárá gerando um novo número IP e assim possibilitando o download imediato. Isso vale também para quando a gente não quer ficar esperando os 15 minutos para fazer um novo download. Em alguns casos não é preciso nem desligar o computador, basta desligar e ligar novamente o ‘molden’. Isso é o que podemos chamar de um ‘clean’ básico 😉

Iniciando a semana, tenho para hoje este maravilhoso disco do pistonista/trompetista Marcio Montarroyos, um dos grandes instrumentistas brasileiros, falecido no final de 2007, vítima de um tumor no pulmão. Márcio iniciou a carreira nos anos 60. Compositor, arranjador e instrumentista de mão cheia, fez parte do grupo A Turma da Pilantragem. Estudou na ‘Berklee School Of Music’ no início dos anos 70, voltando logo em seguida ao Brasil onde se apresentou em diversas casas de shows. Tornou-se um dos mais requisitados músicos, trabalhando ao lado de outros grandes nomes da música, não só nacionais, como os internacionais Stevie Wonder, Sérgio Mendes, Sara Vaughan, Nancy Wilson, Carlos Santana, Ella Fitzgerald e por aí a fora… Entre seus diversos discos gravados eu escolhi este, “Piston Internacional”, exclusivamente por causa de duas músicas, as quais eu considero como das suas mais belas interpretações. Me refiro a “Stormy Weather” e “Carinhoso”. Esta última então, nem se fala… se já era naturalmente linda, ficou ainda mais maravilhosa. Me lembro de ter ouvido essa interpretação a primeira vez na trilha de abertura de uma novela da Globo. Perfeita! Taí então um belo disco para começarmos bem a semana. Confiram o toque…
stormy weather
maria
stardust
carinhoso
as time goes by
no rancho fundo
da cor do pecado
how about you
chão de estrelas
misty
mulher
i’ve got you under my skin

Carolina Cardoso De Menezes – Boite Carolina (1957)

Correndo contra o tempo aqui estamos. Ontem, nesse ritmo, acabei não publicando a postagem do dia. Ainda bem que ninguém notou. Somente hoje pela manhã foi que percebi. Vacilão 😛

E por falar em capas de discos, eis uma das mais bonitas, “Boite Carolina”. Como na postagem anterior, um disco com qualidades visuais e principalmente musicais. Temos aqui a grande pianista Carolina Cardoso de Menezes em mais um de seus memoráveis momentos. Um disco com um repertório bem dosado feito para se ouvir neste domingo. Muito samba, fox e baião. Vai aí que eu vou indo aqui… correndo…
despedida de mangueira
boa noite amor
puladinho
mulher de malandro
nancy
dono dos teus olhos
maria maria
dôr de recordar
batuquente
vai haver barulho no chateau
preludiando
boa sorte

Ed Lincoln – Seu Piano E Seu Orgao Espetacular (1961)

Olá amigos cultos e ocultos! Meu sábado está prá lá de corrido, por isso farei rapidinho a postagem do dia. Trabalhar no fim de semana é coisa que ninguém merece, mas quando se precisa de grana, o jeito é correr atrás, né não?

Hoje vamos com o tecladista Ed Lincoln. Este é um artista que até então eu ainda não havia postado nada. Embora não seja uma raridade/novidade na blogosfera, irei aqui trazendo a minha versão 🙂 Taí um álbum bacana. A começar pela capa que é pura Op Art. No disco é só balanço, muito samba e bossa puxado pelo ‘orgão espetacular’ desse grande instrumentista. Sua música, principalmente nos dias de hoje, toma um novo sabor, agradando inclusive aos ouvidos mais novos. Um álbum perfeito para este sábado, mono, mas em Hi Fi. Agora só falta a cuba libre 😉
miss balanço
só danço samba
vou rir de você
influência do jazz
um samba gostoso
vamos balançar
o samba é bom assim
pra que
é um estouro
balansamba nº 1
tristeza
olhou pra mim

Anísio Mello – A Amazônia Canta (1976)

Na última feira de vinil, entre tantos discos eu encontrei este foi um dos que me chamou a atenção. Normalmente em feiras de discos usados e sebos eu procuro sempre curiosidades, raridades e coisas que muitas vezes as pessoas desprezam ou não dão a devida atenção. Este disco me despertou inicialmente pela estampa. Um álbum de capa dupla com uma bela vitória-régia em flor. Fiquei curioso, estava bem conservado e pela bagatela de 1 real eu não tive dúvidas de comprá-lo. Trata-se de um disco independente, com todos os requisitos para ser postado aqui no Toque Musical, principalmente hoje que é sexta-feira. Pelo que eu li no texto interno da capa e também através de algumas informações recolhidas da rede, Anísio Mello é uma ilustre figura do cenário cultural amazonense. Artista plástico, escritor, jornalista e poeta. Foi um dos fundadores do movimento artístico e literário Clube da Madrugada que surgiu no Amazonas nos anos 5o. Em 1976 ele lançou este despretensioso disco onde nos revela sua faceta de compositor. Sua música e poesia falam da terra onde nasceu, da sua paixão pelo Amazonas. No disco podemos encontrar samba, xote, baião e marchas. Um estilo amador, mas de excelentes qualidades. Faltou talvez um outro intérprete e uma produção que não se limitasse à capa, mas isso em nada tira a beleza de suas criações. Anísio pode até não ser um bom cantor, mas é um excelente compositor e nos mostra como poucos a riqueza de sua região. Este é um trabalho essencialmente autoral. Infelizmente, aqui para as bandas do sul, pouca coisa chega dos artistas do norte. Ainda falta descobrirmos muito do Brasil.

convite
uma casa de caboclo
tarumã
definições
saudade do rio mar
canção do juruá
hino do seringueiro
baião do norte
dança de nêgo
súplica de amor
saudade outra vez
vida de amor

Os Velhinhos Transviados – Dance Com Os Velhinhos Transviados Vol. 2 (1970)

Bom dia! Ontem alguns de vocês ficaram na dúvida quanto ao arquivo postado do Victor Assis Brasil, isso devido ao tamanho (162 megas), sendo apenas quatro músicas. A razão é que eu sem querer acabei incluindo o arquivo de trabalho, o bruto, sem separação de faixas. Daí ficou com se fosse uma repetição. Tanto melhor para aqueles que costumam dar uma ‘tratada’ no som, podem usar o original, caso não gostem do resultado nas faixas separadas.

No vai e vem, hoje vamos com o conjunto “Os Velhinhos Transviados”. Falar desse grupo instrumental que surgiu nos anos 60 é obrigatoriamente falar do seu criador, o multi instrumentista e compositor Zé Menezes, o homem das muitas cordas. Ele foi o espírito oculto em muitos corpos. Um artista que iniciou ainda criança seu trabalho com a música. Nasceu no Ceará e por volta dos 10 anos já se apresentava profissionalmente. Sua ficha é extensa e falar dele exigiria um tempo que eu não tenho. Na década de 40 ele veio para o Rio de Janeiro, trabalhou no rádio, foi parceiro de outros grandes nomes como Luiz Bittencourt e o genial Garoto. É autor de inúmeras composições, muitas que fizeram sucesso através de outros artistas. Participou dos conjuntos Os Milionários do Ritmo e do Quarteto Continental, que viria depois a se tornar o Sexteto Radamés. Nos início dos anos 60, com muitas mudanças no meio musical brasileiro, ele galhofeiro, criou Os Velhinhos Transviados. Este grupo bem humorado, a começar pelo nome, fez muito sucesso durante os anos 60 e início dos 70. ‘Transviado’ era um termo que equivalia à ‘moderninho’, embora muita gente o aplicasse para designar ‘boiolice’. A turma da Jovem Guarda era o que se pode chamar de ‘transviados’. Não sei bem a origem, mas tem a ver com a modernidade juvenil daqueles tempos. Os Velhinhos Transviados era um grupo que se propunha a seguir uma linha e sonoridade jovem, embora seus integrantes já estivessem acima dessa faixa etária. Tratavam com humor e jovialidade a interpretação de temas, as vezes até antigos. Gravaram um dezena de discos e entre eles este que estou trazendo para vocês. “Dance com os Velhinhos Transviados, Vol. 2” é mais um álbum que não foge a regra, nele podemos encontrar do rock ao samba. Músicas nacionais e internacionais bem conhecidas, feitas aqui para dançar.
Um fato interessante é saber que Zé Menezes, embora tenha gravado centenas de discos, apenas no final de carreira, aos 83, foi que gravou seu primeiro e único álbum autoral.
dang dang
limbo rock
baby elephant (o passo do elefantinho)
the mexican shuffle
road hoag (o calhambeque)
my boy lollipop
ya ya
na cadência do samba
mafuá
gostar de alguém
samba de balanço
garota solitária
alá lá ô
tem bobo pra tudo

Victor Assis Brasil – Ao Vivo (1974)

Eu e minha cabeça ‘avoada’… Bem que eu percebi que ninguém (aparentemente) se interessou pelas duas músicas de bônus dos Trigêmeos Vocalistas. Não houve nenhum download, estranhei… É que eu esqueci de pedir ao Bob Nelson para publicar o link nos comentários, hehehe… Que cabeça a minha! Desculpem, é a pressa…

Hoje, nossa quarta-feira vai ser de jazz. Tenho para este dia o saudoso saxofonista Victor Assis Brasil, considerado um dos maiores nomes do jazz brasileiro. Figura que partiu prematuramente aos 35 anos em consequência de uma rara e grave doença que o vitimou, nos privando de ver e ouvir seu talento, sempre crescente. Victor iniciou-se na música com os olhos e ouvidos no jazz, na primeira metade dos anos 60. Foi discípulo de Paulo Moura. Começou tocando em ‘jam sessions’ em bares no Beco das Garrafas, em Copacabana, reduto e nascente de jazzistas e bossanovistas. Gravou seu primeiro lp, “Desenhos”, pelo selo Forma, tendo ao lado outras feras dessa geração: Tenório Jr, Edson Lobo e Chico Batera. Esteve fora do Brasil por algum tempo estudando e aperfeiçoando sua técnica. Tocou com diversos e dos mais consagrados músicos de jazz americanos. Ganhou vários prêmios como instrumentista e compositor. Infelizmente, sua música instrumental, o jazz, nunca teve o devido reconhecimento em seu país, o que o levava, como a tantos outros excelentes músicos, buscar em outros lugares do mundo um público para ouvi-lo. Em sua curta existência ele gravou por volta de uns oito discos, porém deixou um legado e uma obra inédita que tempos depois viria a ser explorada pelo seu irmão (gêmeo), o pianista João Carlos Assis Brasil.
O álbum que aqui apresento foi originado de uma gravação ao vivo feita em 1974, no Teatro da Galeria, no Rio de Janeiro, logo após voltar da ‘Berklee School of Music’. Tocam com ele nesta apresentação um time de primeira, incluindo outra fera também já falecida, o trumpetista Marcio Montarroyos. A produção foi de Durval Ferreira para a CID e sob o selo Magic Music. Este disco viria a ser relançado posteriormente e com outras capas. São apenas quatro músicas, mas que valem mais que um simples e modesto álbum. Um registro importante de um grande músico brasileiro. Se você ainda não ouviu, sinta agora o toque musical 😉
pro zeca
somewhere
puzzle
waving

Os Trigemeos Vocalistas – A Volta Dos Trigemeos Vocalistas (1973)

Manhã de calor, dia de chuva, noite mal dormida. Acordei ainda no escuro, embora já fosse 5 horas da manhã. Um momento bom para sentar na frente do computador e fazer logo a postagem do dia. Observo porém que pelo horário do blog ainda estamos na segunda feira. Ao invés de ir fuçar nas configurações de horário, o melhor mesmo é deixar rolar o tempo e também algum disco. Outra hora eu acerto a hora. Prefiro mesmo escolher um disquinho para o nosso dia nascer feliz. Entre tantos já digitalizados, escolhi um que sempre esteve na porta de entrada, mas nunca postei, Os Trigêmeos Vocalistas. Eis aí um disquinho dos mais interessantes, lançado pela Beverly através do selo Ancora, reunindo alguns dos maiores sucessos regravados desse trio que começou no final dos anos 30. Formado pelos irmãos Armando Carezzato e os gêmeos Raul e Humberto Carezzato, paulistas do bairro do Bráz. A música deste divertido grupo embalou algumas boas gerações. Músicas como “Don Pedrito”, “Eu vou sapatear”, “Cachimbão” e outras mais, fizeram a alegria principalmente da criançada. Quem é da minha geração ou anteriores devem lembrar. Acredito que este disco tenha sido o último gravado por eles e foi talvez o primeiro e único que eu ouvi. Segundo consta em sua discografica, eles gravaram mais de 400 bolachas de 78 rpm. Curiosamente, lidando com discos todos os dias, nunca vi mais que meia dúzia deles. Por certo, são coisas raras e mais ainda esquecidos, deixados no limbo da nossa memória musical. Vamos relembrar?

PS.: segue como bônus extra mais duas músicas do trio, “Quem não dança” e “Vaqueiros de Marajó”, lançadas pela Odeon em 1950.
don pedrito
cachimbão
muriqui
eu vou sapatear
adios corazon
voltei sarita
la parranda
ogum dilê
é de có có có
vovó cambinda
dona cici
quatro paredes

Egberto Gismonti (1973)

Bom dia amigos cultos e ocultos! Vamos iniciando mais uma nova semana musical, sempre em busca de coisas raras, curiosas e necessárias para o nosso universo fonográfico e cultural. Numa apresentação rapidinha, porque eu também não posso parar, aqui vai o disco de hoje.

Vamos com o Egberto Gismonti, compositor, multi instrumentista e arranjador dos mais renomados, figura que dispensa maiores apresentações. Temos dele este raro álbum gravado em 1973, já relançado em cd, mas sempre difícil de encontrar. O disco da árvore, como é mais conhecido, nos mostra uma fase onde o artista se divide. Começa a romper com algumas estruturas, criando composições ainda mais complexas, demonstrando uma forte tendência para a criação instrumental. Sua música, se antes já apresentava um estilo pouco comercial, passa nos anos 70 a se afastar ainda mais. Num país como o Brasil, onde a qualidade do popular é muitas vezes duvidosa, para um artista como Egberto a melhor saída é o aeroporto, em direção aos lugares onde sua música tem reconhecimento. Mas nem por isso ele abandona de vez suas origens e sua terra. O cara é um artista genuinamente brasileiro e sua arte mesmo que internacional e as vezes até erudita, nunca perde a referência verde e amarela. Egberto é talvez um dos mais completos artistas da música brasileira. Neste álbum ele conta com a parceria de Geraldo Carneiro como letrista em todas as faixas. A produção é de Milton Miranda e a direção musical do maestro Gaya. Um álbum, sem dúvida, dos seus melhores.
O arquivo apresenta duas versões, a do vinil e outra digital para comparação. Confiram o toque…
luzes da ribalta
memória de fado
academia de dança
tango
encontro no bar
adagio
variações sobre um tema de brouwer
salvador

Carmen Miranda – A Pequena Notável (1974)

Olá amigos cultos e ocultos! É… realmente a pressa é inimiga da perfeição, as vezes é irmã da falha. Ontem, meio que na correria para chegar cedo a feira, acabei confundindo os links. Quem esperava a Sylvia Telles, acabou ficando com a Astrud Gilberto, hehehe… Foi mal, desculpem, mas como viram, mais tarde tudo se resolveu 🙂

Já que falamos de nossas cantoras ‘americanas’, achei que seria bom termos neste domingo de sol a pioneira e inigualável Carmen Miranda. Este disquinho foi um dos que comprei na Feira de Vinil do Maletta. Vocês terão também a oportunidade de ouvir essa preciosidade que me saiu por apenas por 2 reais! Parece mentira, mas ele estava lá me esperando, assim como outros que em breve postarei. Como dizem, ‘o que é do homem o bicho não come!’
Segue então “A pequena notável”, álbum lançado em 1974 pelo selo MCA, reunindo treze faixas selecionadas das gravações feitas por Carmen, ao lado do Bando da Lua, nos Estados Unidos. Esses fonogramas correspondem ao período que vai de 1939 a 42, todos cantados em português. Muitas das músicas contém sucessos criados por outros artistas, mas que ganharam mais destaque na interpretação de Carmen. Outras são regravações feitas por ela ainda no Brasil ou números inéditos (na época) do repertório da artista. Segue na contracapa um texto com maiores informações sobre Carmen Miranda e essas gravações. Taí um bom disco para se ouvir no domingo.
o que é que a baiana tem?
o passo do canguru
caí, caí…
mamãe eu quero
touradas de madri
có có có có ró có
diz que tem
não te dou a chupeta
rebola a bola
bambo de bambú
arca de noé
chica, chica boom, chick
chattanooga choo choo

Sylvia Telles – USA (1961)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Acontece hoje em Belo Horizonte mais um feira do vinil. Desta vez será no Edifício Malleta, no centro da cidade. Eu irei também, afinal quem chega cedo escolhe o melhor. Quem estiver na cidade, não deve perder. Antes de sair, vou deixando pronta a postagem do dia. Para um dia especial, uma postagem especial 😉

Vamos com este disco de Sylvia Telles gravado nos Estados Unidos, cantando ao lado de grandes instrumentistas da música americana. Pela capa já podemos ver tudo, Barney Kessel, Bill Hitchcock e Calvin Jackson, correm na linha de frente. Mas temos ainda a participação de Joe Mondragon, Al McKibbon e a Orquestra de Bill dando o reforço. A produção e direção artística é de Aloysio de Oliveira, o mentor musical e futuro esposo da cantora. O álbum USA, como afirmou Aloysio, foi um encontro informal, reunindo a cantora e os músicos americanos. Ele procurou manter a linha melódica da música brasileira num casamento perfeito com o jazz (hehehe…). É mesmo um disco suave, que agrada aos ouvidos americanos e brasileiros. Tanto assim que o lp foi lançado aqui e nos “States”. Contudo, fica clara a intenção do produtor que de manter a música brasileira ecoando internacionalmente. Conquistando ainda mais o público americano. O repertório é praticamente todo de compositores brasileiros, como Tom Jobim, Dorival Caymmi, Carlos Lyra, Dolores Duran e outros. A exceção são duas faixas: “Trá-lá-lá-lá-lá” (The happy one) de Aloysio, Tom Hormel e Bill Hitchcock e “Imaginação”, uma versão de Aloysio para “Among my souvenirs” de Edgar Leslie, Horatio e Nicholis. Confiram aí, pois este toque é coisa fina! Eu vou nessa…
sábado em copacabana
meu mundo é você
estrada do sol
trá lá lá lá lá (the happy one)
meu amanhã
canção que morre no ar
manhã de carnaval
amor sem adeus
imaginação (among my souvenirs)

Iº Festival Brasileiro De Seresta (1969)

Chegamos enfim na sexta-feira. Ontem eu acabei deixando alguns de vocês na fossa, ansiosos para ouvirem a Waleska. Confesso que não sei bem o que andou acontecendo por aqui, mas realmente a ‘Maysa’ nos brindou com um link e só no fim do dia percebi que o mesmo não entrou no comentários. Porém, o ‘Esquecido’, imediatamente salvou a pátria. Outra coisa estranha, o fuso horário no blog ficou mais maluco do que eu. A postagem entrou como se tivesse sido feita no dia anterior. Fiz a correção, republicando a postagem, mas infelizmente perdi os primeiros comentários. Durante a semana acabei, meio sem querer, criando uma alternância entre cantoras e festivais. Para não perdermos o ritmo, irei seguindo nessa onda. Ao invés de um disco/artista independente, teremos outro de festival.

Desta vez vamos com este disco intitulado “Iº Festival Brasileiro de Seresta”. Curiosamente irônico este nome. Até onde eu sei, a seresta é um motivo genuinamente nacional. Vai entender o que passou na cabeça dos produtores do evento? Não importa, vale mesmo é que este festival existiu. Não encontrei referências a ele na rede, mas tudo leva a crer ter sido realizado em 1969. A gravação é ao vivo e como podemos ver pela capa, participaram como intérpretes grandes nomes da nossa música popular. Os compositores, vocês verão, também são figuras de destaque no cenário seresteiro. Segue assim e conforme o texto, as doze jóias musicais classificadas. Confiram aí a raridade… 😉
deusa da seresta – mauro mendes
noite de seresta – onéssimo gomes
nós dois e uma canção – gilberto alves
sol na estrada – antonio joão
largo do boticário – gilberto milfont
súplica de um trovador – armando nunes
a seresta do amor – carlos galhardo
essa mulher não te serve – josé orlando
canção de nada – mauro guimarães
brigas e pazes – newton teixeira
um dia encontrarei – alcides gerardi
saudade do velho rio – paulo miguel

Waleska (1975)

Bom dia amigos cultos e ocultos! Não sei se vocês perceberam, mas o Toque Musical, as vezes, demora um pouco para abrir completamente. Isso se deve em parte ao excesso de imagens e outras coisinhas acessórias que tenho nele. Para facilitar e melhorar o seu rendimento, pretendo dar uma enxugada. Comecei por igualar todos os links dos sites e blogs, evitando também assim parecer que privilegio alguns poucos. Imagens, mesmo que pequenas, ocupam espaço.

Hoje estou trazendo um disco da cantora mineira Waleska, o qual com toda certeza irá agradar em especial ao ‘brother’ Milan Filipovic do blog Parallel Realities Studio. O cara é um fã incondicional da cantora, coisa rara de se ver, principalmente se tratando de alguém que mora em Belgrado, na Sérvia, e ainda mantém dois outros blogs exclusivos dedicados à ela. Isso é que é curtir uma fossa…
Segue então este álbum de Waleska, considerada a Rainha da Fossa. Uma cantora romântica que começou sua carreira no início dos anos 60 em Belo Horizonte, cantando na tradicional Rádio Inconfidência e se apresentando na extinta TV Itacolomi. Seguiu depois para o Rio de Janeiro, cantando em boates, sendo também a proprietária de algumas. Amiga pessoal de Maysa, Sergio Bittencourt e Vinicius de Moraes. Este último chegou certa vez a dizer que Waleska tem para os românticos incuráveis a canção certa para a dor exata.
Neste disco de 1975 ela não faz por menos, traz um repertório recheado com clássicos da canção romântica, composições de diversos e grandes nomes da nossa música. O lp se divide em dois momentos, sendo o lado B mais interessante, com arranjos de Ribamar, e tem para cada faixa duas músicas intercaladas.
*olha aí Edú, se toca nesse toque…

cor da fossa
pretexto
mormaço
eu sou assim
amor prá um só dono
por deus
fim de noite
foi a noite
a noite de nós dois
o nosso olhar
se alguém telefonar
não tem solução
canção da volta
nossos momentos
eu não existo sem você
valsinha
se eu tiver
não me culpe

Anthony Guima – Novos Ecos Internacionais Vol. II (1967)

Putz! Hoje eu estou travado. Não fosse o compromisso diário de postagem, eu ficaria apenas no chocolate. Estou sem tempo e sem inspiração. Mas a dose do dia não pode faltar, né não?
Nesta semana eu iniciei as postagens com um disco do Festival Internacional da Canção, o qual tem feito muito sucesso. Uma prova de que os festivais de música sempre foram eventos bastante atrativos. Infelizmente, hoje, para muitos empreendedores, os tradicionais concursos musicais não são vistos da mesma forma. Num período de crise para a indústria fonográfica, uma boa saída seria a volta desses grandes festivais. Quando bem articulados eles esquentam o mercado, agitam e fazem renascer um espírito musical competitivo que só se viu em décadas passadas, principalmente na de 60. Um exemplo interessante de como a indústria fonográfica soube extrair o sumo, o suco e ainda aproveitar a casca e o bagaço é este disco lançado pela Philips em 1967. Um desdobramento do que foi o I Festival Internacional da Canção Popular em sua fase internacional no Rio, no ano anterior. Estratégicamente a gravadora criou este que se chama “Novos Ecos Internacionais”, aproveitando a onda de sucesso do FIC. O disco pretende através de uma interpretação apenas instrumental, ou seja da melodia, salientar as qualidades das dez músicas classificadas. Segundo o texto de contracapa do lp, algumas delas não foram bem aceitas, chegando mesmo a serem vaiadas. No presente álbum temos a interpretação por conta de Anthony Guima ao piano, acompanhado por bateria e contrabaixo. Confesso que não sei quem é (ou foi) o tal pianista. Senhores universitários, especialistas e estudiosos da música, fiquem a vontade para comentar e tirar nossas dúvidas. No álbum estão reunidas, além das dez músicas internacionais, outras duas faixas que correspondem à abertura e encerramento do disco. Em cada música e seu respectivo país de origem, segue abrindo um trecho de outra célebre canção. Tudo no instrumental, não é legal? Confiram aí

abertura: cidade maravilhosa – trecho de o guarani
alemanha – liechtensteiner polka – frag’ den wind
brasil – aquarela do brasil – saveiros
frança – douce france – l’amour toujours l’amour
russia – noites de moscou – os homens se fazem ao mar
japão – motivo japonês watashi dakeno anata
inglaterra – yesterday – gina
espanha – el beso – un dia llegará
austria – danúbio azul – geh vorbel
estados unidos – oh suzana – song of nostalgia
portugal – uma casa portuguesa – começar de novo
encerramento: aquarela do brasil – a banda – cidade maravilhosa

Cida Moreyra – Interpretanda Brecht (1988)

Nada como poder caminhar por todas as trilhas musicais. Desta vez vamos com a dupla Bertolt Brecht e Kurt Weill, interpretados aqui pela excelente Cida Moreyra. Brecht é um dos maiores nomes do teatro internacional. Poeta e dramaturgo, nascido na Alemanha e radicado nos Estados Unidos, autor de celebrados textos e peças que o colocam ao lado de outros imortais com Shakespeare. Kurt Weill, compositor também alemão, foi parceiro de Brecht em muitos de seus trabalhos. Como este, fugiu dos horrores do nazismo indo morar em Paris e depois na América. Suas composições sempre estiveram voltadas para o teatro musical. Trabalhou com outros nomes importantes como Moss Hart, Ira Gershwin, Langston Hughes e Maxwell Anderson, mas sua fama nasceu ao lado de Brecht. Neste disco a cantora e atriz Cida Moreyra interpreta de maneira magistral algumas das mais famosas músicas da dupla, como se pode ver logo a baixo. As versões para o português são de Cacá Rosset. O disco, quando lançado foi muito bem aceito pela crítica e é considerado um de seus melhores trabalhos fonográficos. Confiram o toque…

moritat (die moritat von mackie messer)
alabama song
jenny dos piratas ou sonhos de uma camareira (die seerauber – jenny)
moritat (die moritat von mackie messer)
balada do soldado morto (legende vom toten soldaten)
moritat (die moritat von mackie messer)
canção do vendedor de vinho (das lied von branntweinhandler)
surabaya johnny (das lied vom surabaya – johnny)
moritat (die moritat von mackie messer)
benares song
havana lied
moritat (die moritat von mackie messer)
canção de salomão (salomo song)
bilbao song (das lied von bilbao song)
balada dos piratas (ballade von den seeraubern)
moritat (die moritat von mackie messer)
em um berço tão dourado
moritat (die moritat von mackie messer)

V Festival Internacional Da Canção Popular-Rio (1970)

Bom dia! Como sempre por aqui, uma coisa leva a outra. Sábado eu havia postado aquele disco de samba rock, o Rock Bamba e nele havia a faixa “Eu também quero mocotó” com o S.A.M. (Sociedade dos Amigos do Mocotó) e a Banda Veneno do Erlon Chaves. Me lembrei que esta música também esteve presente no V Festival Internacional da Canção Popular de 1970. Daí resolvi resgatar o álbum para podermos relembrar de mais algumas. Neste, temos as músicas vencedoras e uma seleção das favoritas da parte internacional do concurso. Do Brasil entrou com a já citada “Eu quero mocotó” com Erlon Chaves no comando da sua Banda Veneno e mais de 40 pessoas que fizeram parte do côro (a Sociedade Amigos do Mocotó). A outra música é BR-3, de Antonio Adolfo e Tiberio Gaspar, aqui apresentada por Gerson Combo e a Orquestra Som Bateau. Não entendi bem o motivo desta gravação, mas acho que BR-3 foi defendida pelo Toni Tornado. Nas outras doze faixas temos os representantes internacionais. Confiram aí o toque…

argentina – pedro nadie – pero
brasil – br-3 – gerson combo & orquestra som bateau
suécia – det ljuva livet – sylvie schneider
grécia – georges is sly – marinella
bélgica – who can tell me my name – music machine
inglaterra – out of the darkness – vincent deal
the best man – rocky shahan
brasil – eu também quero mocotó – s.a.m. & banda veneno de erlon chaves
frança – et pourtant c’est vrai – michelle olivier
canadá – put it off till september – les amis
mônaco – rire ou pleurer – michele torr
itália – tu non sei piu innamorato di me – diva paoli
espanha – elizabeth – nino bravo
holanda – just be you – rita heyes

Ronnie Von (1969)

Olá amigos cultos e ocultos! Ontem tivemos mais uma Feira do Vinil. Ao contrário das outras, desta vez o público foi fraco, mas por incrível que pareça, foi ótimo. Tornou-se um encontro de amigos, uma festa que não se limitou apenas às vendas. Aqueles que lá estiveram passaram a tarde num ambiente descontraido, um sábado cheio de sol, cerveja, discos e muita música. Tivemos inclusive a presença do nosso amigo Chris Rousseau dando uma canja para o presentes. Ganhamos pouco, mas foi muito divertido. Sábado que vem tem outra feira, desta vez lá no Edificio Malleta. Quem estiver em BH, não deve perder.

Hoje, domingo, acordei com este disco do Ronnie Von na cabeça. Me lembrei daquela música “Silvia 20 horas domingo”. Achei que tem tudo a ver. Além do mais, como estamos ainda ecoando o rock, “Ronnie Von 69′ vem bem a calhar. Taí um disco dos mais interessantes desse artista, numa fase boa, jovem e tropicalista. Este disco é produzido por Damiano Cozzella, parceiro de Rogério Duprat e um dos mais importantes nomes da vanguarda musical e poética daqueles anos. Metade do disco trazem músicas de Arnaldo Saccomani, aquele jurado ‘linha dura’ do programa de calouros “Ídolos”. É sem dúvida um trabalho acima da média do que viria o nosso príncipe da Jovem Guarda a fazer posteriormente. É isso aí, nada como estar bem acompanhado. Pena que o Ronnie, numa certa altura, soltou da mão que o levava para seguir sozinho pela estrada. Fazer o quê…?
meu novo canto
chega de tudo
espelhos quebrados
menina de trança
silvia 20 horas domingo
nada de novo
lábios que beijei
esperança de cantar
anarquia
mil novecentos e além
tristeza num dia alegre
contudo todavia
canto de despedida

Rock Bamba (1985)

Prenunciando um novo momento, vamos gradualmente saindo do rock em busca de outros ritmos e gêneros, que fazem da música popular brasileira um leque dos mais variados. Hoje eu estou trazendo uma coletânea chamada Rock Bamba. Uma copilação de músicas e artistas tão insólita quando o desenho da capa. Rock Bamba estaria mais para rock samba ou samba rock, mas vai entender o que passa na cabeça de quem produziu este disco? Isso sem falar no desenho amador representando mais um estilo ‘break-street-dance’ (será que existe?) do que rock ou mesmo o samba rock. É preciso ser muito bamba para entender isso. Contudo e apesar dos pesares, eles conseguiram reunir alguns artista/fonogramas muito interessantes. Este disco, pelo que tudo indica, não foi feito para ser comercializado. Me parece que foi criado como brinde. Daí a razão pela qual ele não segue um padrão. Temos aqui quatorze faixas com músicas que foram sucesso no período de dez anos, de 1968 a 78. Algumas inclusive, gravações raras. Vejam só o que temos para ouvir com outros olhos…

como vovó já dizia – raul seixas
beira d’água (a festa) – erasmo carlos e marku ribas
magnólia – jorge ben
colcha de retalhos – marku ribas
a minha menina – mutantes
domingas – jorge ben
cuidado com o buldog – wilson simonal
haroldo o robot doméstico – erasmo carlos
a noite vai chegar – lady zu
a lenda de bob nelson – erasmo carlos
eu também quero mocotó – banda veneno de erlon chaves
sofre – tim maia
coqueiro verde – trio mocotó
a princesa e o plebeu – jorge ben

Grito Suburbano (1982)

Olá! Hoje o dia vai ser literalmente ‘punk’. Por isso estou trazendo para a postagem de hoje quatro bandas de punk rock. Peguei pesado? Pesado e sujo. De vez em quando a gente precisa radicalizar. Aliás esta semana foi um pouco assim. Quando penso no variado leque musical ou fonográfico publicado neste blog, imagino o que vocês devem pensar de mim. É, eu sou meio camaleão… uns dias chovem, outros fazem sol, outros fazem lua… O importante é que toda a emoção sobreviva!

Para fecharmos a semana do rock, temos uma sexta-feira agitada com as bandas punk Olho Seco, Inocentes, Cólera e de bônus a ilustre e desconhecida Cancro. As três primeiras fazem parte da coletânea “Grito Suburbano”, lançada em 1982, o auge do movimento no Brasil. São bandas paulistas, autenticas referências do punk rock nacional. Referencia inclusive para o Cancro, banda de Belo Horizonte, surgida em 1986. Temos aqui um raríssimo registro de uma fita demo desta também uma autêntica banda punk mineira. O som é tosqueira total, mas após resistir bravamente por três rodadas, você se torna fâ. Se duvida, basta conferir 😉
desespero – olho seco
sinto – olho seco
garotos do suburbio – inocentes
medo de morrer – inocentes
joão – cólera
gritar – cólera
lutar matar – olho seco
eu não sei – olho seco
pânico em sp – inocentes
morte nuclear – inocentes
subúrbio geral – cólera
hhei – cólera
bônus
anarkbusca – cancro
cotidiano – cancro
defenda os bichos – cancro
defenda os bichos (instrumental) – cancro
ministérios – cancro
cancro também é cultura – cancro

Academia do Medo (1992)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e visitantes em geral! E aí, já escovaram os dentes agora pela manhã? Com esta capa não há como esquecer. Curiosa, não? Curioso também fiquei eu querendo ouvir o que vinha por trás dessa dentadura. A Academia do Medo foi uma banda de Pernambuco que até bem pouco tempo atrás eu só conhecia de nome. Surgiu na cena rock recifence no início dos anos 90, tendo uma breve e modesta existência. A banda chegou a participar do “Abril Pro Rock” de 93, o que lhe garantiu ser lembrada juntamente com tantas outras que surgiram naquela época. Mas faltou fôlego ao ‘quarteto acadêmico’ e até onde eu sei, não duraram mais que três anos. Gravaram apenas este disco, um álbum independente, pretensioso como cabe à todos dessa geração, mas também como os outros, deficiente em alguns aspectos de produção. Contudo, não deixam de fazer parte de um marco histórico musical, a cena ‘mangue’ do Recife. Mesmo não estando totalmente atrelados ao movimento, fizeram parte daquele momento.

O disco, também conhecido como A Vila das Vozes, tem uma sonoridade agradável, oscilando entre o rock e o pop, mas o forte mesmo está nas letras. Sorria, meu bem…
a vila das vozes
o pêndulo
pintura do avesso do mundo
sombras de morfeu
dora e os lírios
olhos negros
os dentes de berenice
violinos
visões de izabel
força
poe’s hangover

Gash – A Mellow Project By Pin Ups (1992)

Bom dia moçada! Antes que eu me esqueça, sábado tem festa do vinil em Belo Horizonte. A Discoteca Pública do Edú Pampani está completando quatro anos de atividades e para comemorar, vai ter uma festa/feira com vendas de vinil e cd. Vários lojistas, colecionadores e amantes da música vão estar por lá. Vai ter mini-shows com a presença do nosso amigo Christophe Rousseau e a dupla do momento, Alexandre & Gabi, que não é sertanejo não. Essa festa nem eu vou querer perder. Nos próximos dias vou dando o toque e detalhes sobre a festa. Hoje foi só para esquentar os motores.

Seguindo nossa faceta ‘roquerrou’ (errou para alguns, acertou para outros), temos na sequência um disco bacana do pessoal do Pin Ups. “Gash A Mellow Project by Pin Ups” foi o segundo álbum da banda. Um belo disco de rock que, para mim, é melhor que o primeiro e até os sucessores. Neste álbum ele souberam dosar bem as influências, fazendo um rock que supera em muito seus contemporâneos nacionais e internacionais. Não deixam nada a desejar além do fato de cantarem sempre em inglês. Mas isso é compreensível, principalmente em se tratando de um grupo com ambições pra lá de nossas fronteiras. Quando disseram certa vez que eram a melhor banda do Brasil, não foi por pretensão. Sem dúvida, naquele momento ainda não havia no país uma banda ‘indie’ tão boa quanto eles. Foram mal interpretados, chamados de arrogantes, mas nesse mundo de ‘show business’, quem não clama, reclama e cai da cama. Pin Ups é banda para tocar aqui dentro e lá fora. Observem que mesmo passados quase vinte anos, a música dos caras continuam soando super atual. Quem escuta à primeira vez há de pensar que se trata de uma banda nova. Gash é um belo álbum que me faz lembrar o Velvet Underground, Lou Reed e seus seguidores. Fica ainda melhor com “A day in the life” dos Beatles fechando com chave de ouro.
Apenas para efeito de comparação, temos aqui as duas versões de Gash, em vinil original e em cd, relançado posteriormente. Confira e escolha o que vai ao ouvido 😉
candle
set your heart free
still can kiss
hard to fall
life’s gonna hit
most of the time
open wide
got that fire
can’t pretend
never learn
ganesha
a day in the life

Off The Wall – Hawaiian Dream (1992)

Confesso que hoje eu fiquei na dúvida sobre o que postar. Tudo que eu tinha em mãos, pronto para consumo, eram figurinhas já bem manjadas ou que fugiam totalmente da proposta inicial, o rock. Para não ficar repetitivo ou copioso, o jeito foi buscar outros caminhos. Ontem eu postei uma banda gaúcha e para não perder viagem até o sul, vamos com outra, Off The All, uma banda supostamente de ‘surf music’. Eu até então nunca havia ouvido este disco, portanto sou ainda suspeito para falar. Mas à primeira vista pensei que fosse algo parecido com Link Wray, The Ventures, The Shadows ou mesmo o nosso velho Jet Blacks. Pela capa tudo indicava algo assim. Me enganei redendamente. O som do Off The All está mais para um passeio calmo pelas areias da praia do que para uma onda quebradeira. Poderia chamar o som dos caras de ‘surf pop’ com algumas pitadas de rock. Não é exatamente um disco com músicas de ação. Por outro lado, a chamada ‘surf music’ atual virou balada, o que o pessoal das pranchas escuta hoje é o reggae, o pop rock, o Jack Johnson… nada contra, eu até gosto. Mesmo não sendo o que eu esperava, “Hawaiian Dream” do Off The Fall, não deixa de ter um sabor agradável. A autenticidade da banda está pelo menos em seu lider, Manglio Bertoluci, ex-surfista profissional dos pampas. O destaque vai para “Valentina” de Jack Green e “Hawaiian Dream”. Confira aí essa onda…

hawaiian dream
last blast
sky to hell
evidence
destiny
valentina
thinking tonight
moscow girl
ecologic soul
nobody else
la jolla

DeFalla (1988)

Olá amigos cultos e ocultos! Esticando por mais uma semana, vamos de rock e suas vertentes, trazendo à memória alguns momentos de uns vinte anos atrás. Tem coisa aqui que parece que foi ontem, mas o tempo insiste em passar e quando a gente olha para trás, lá se foram vinte ou trinta anos. A gente fica velho sem perceber.

Hoje vamos com a irreverência do DeFalla, banda gaúcha surgida nos anos 80. O DeFalla foi criado pelo inquieto Edu K, um artista antenado com tudo que tá rolando . O nome do grupo vem do compositor erutido da primeira metade do século XX, o espanhol Manuel DeFalla. Mas também está associado ao trocadilho com a banda inglesa The Fall, coisa típica de uma mente bem humorada de Edu K. Ao longo de mais de vinte anos, a banda conquistou o seu lugar ao sol (dos trópicos), no rock tupiniquim e até internacional. Gravou diversos álbuns e passou por outras tantas formações e estilos, mas sempre tendo como guia o seu criador, Edu K. A banda serviu de influência e referência para muitas que vieram depois, porém a busca constante por inovações, mudanças no estilo, o deboche e tantas facetas, os coloca numa posição de desagrado frente aos fans. Mesmo assim, o DeFalla não deixa a peteca cair. Depois de uma pausa, retornaram em 1996 sob a batuta do lider. Fizeram coisas na linha de bandas com Nine Inch Nails, Ministry, Prodigy e Marilyn Manson. Uma verdadeira salada, misturando o rock industrial, hardcore, eletrônico, pop, funk, punk e tudo que se pode chamar de estilo moderno. Uma banda verdadeiramente mutante, não apenas em suas diversas formações. Um verdadeiro leque de variedades. Temos aqui foi o primeiro disco e é talvez o que mais me agrada. Nele já dá para sentir toda a sua irreverência, esse ecletismo pop que faz de cada faixa uma nova onda. As letras, em sua maioria, são em inglês, mas cabe também um Raul Seixas numa releitura funk-beat-pop-industrial (ich!). Como destaque temos ainda o sucesso “It’s fuckin borin to death”, música tocada por mais de uma década nas rádios de todo o país. Disquinho bacana… 😀
como vovó ja dizia
revolution
repelente
(gotta hold) my five years old
i have to sing a song
china town
metallica
it’s fuckin borin to death
satã (é coisa do diabo)
kiss the chain saw
thirty six donald dicks
the woke of jo
i was trying to shoot
hey, girl!

Mercenárias – Trash Land (1988)

Bom, por certo que não vamos parar por aqui. A postagem do dia tem um toque de feminino, mas não fica em lantejoulas, brocados e rebolados. Nesta, a pegada é mais dura, é mais punk, é mais rock e é mais nova. Vamos agora para os anos 80, trazendo uma das melhores banda femininas da época, as Mercenárias. Já tivemos o prazer de ver e ouvir seu primeiro disco de 86, “Cadê as armas?”, publicado aqui no Toque Musical. Agora temos o segundo disco, lançado pela EMI. Um trabalho super produzido obviamente, mas que a meu ver não se compara ao primeiro, bem mais vigoroso e irado. Mesmo assim, “Trash Land” não fica atrás, tem lá o seu sabor e sua poesia. A capa é muito bonita com estampas florais projetadas sobre as moças da banda, um sinal claro de novos tempos. A banda, me parece, ainda continuam na ativa, tendo até um endereço no Myspace. Confiram aí o toque…

lembranças
há dez anos passados
somos milhões
tempo sem história
ação na cidade
matinê
mesmas leis
cadê as armas?
provérbios do inferno
kyrie
angelus
trashland