Show Lô Borges Convida Milton Nascimento (2009)

Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Está aberta a festa de aniversário do nosso blog Toque Musical. Fechem os olhos e procurem imaginar a celebração. Se quiserem, podem também fazer o contrario, abrindo um vinho ou qualquer outra bebida para brindarmos juntos esse terceiro ano. Vamos fazer uma festa virtual, cada um em seu canto, mas juntos no mesmo encanto.
Mais uma vez, quero agradecer a todos, principalmente àqueles que ao longo dos três anos vem acompanhando de perto nossas postagens. Obrigado a você amigo, seja culto ou oculto, anônimo ou não. O Toque Musical vem a cada dia se tornando um blog de verdade, sendo respeitado inclusive pelos artistas que aos poucos estão descobrindo nele um bom canal para divulgação de seus trabalhos. Fico muito feliz com tudo isso e é por essas e outras que vamos nos tornando tradição. Quando se faz um trabalho com amor e sem segundas intenções, não há porque dar errado. O conhecimento musical, as boas amizades e a aproximação com nossos ídolos, não há dinheiro que pague. Por isso, não faço do meu blog um caça níqueis. Não faço propaganda, não vendo e nem cobro nada. Só aceito doações de discos ou colaborações para postagens.
E aproveitando mais uma das boas contribuições de um dos nossos anônimos visitantes é que eu estou trazendo, como uma postagem de aniversário, este ‘bootleg’, editado e encapado especialmente e exclusivamente para o TM. Trata-se do show de encerramento do Festival No Ar Coquetel Molotov, edição 2009, que aconteceu em Recife – PE.
O encontro de Lô Borges com Milton Nascimento se deu na comemoração dos 35 anos de Clube da Esquina. Os dois artistas mineiros fizeram inicialmente este show em São Paulo e em virtude do sucesso, acabaram levando-o para um dos festivais de música jovem mais importante do país. Embora o Coquetel Molotov seja um evento voltado mais para o rock, pop e música eletrônica – o chamado som ‘indie’ – a presença da MPB deu ao festival um caráter mais maduro. O show da dupla começa nas dez primeiras músicas por conta de Lô Borges. Milton Nascimento só entra a partir da daí, como convém a um convidado. No repertório estão alguns dos clássicos da turma e também músicas dos últimos discos de Lô.
Este registro de show foi bem divulgado na rede e pode ainda ser encontrado em diferentes sites e blogs, porém e até então, só era possível baixá-lo como um arquivo bruto. O que fizemos foi apenas dar um trato na mixagem, separando as músicas e criando as capinhas para dar um charme a mais. Espero que tenha ficado no agrado de todos. Confiram no presente…

feira moderna
tudo em cores pra você
clube da esquina II
a força do vento
tudo que você podia ser
segundas mornas intenções
qualquer lugar
dois rios
trem azul
paisagem da janela
cais
clube da esquina I
resposta
quem sabe isso quer dizer amor
nuvem cigana
nada será como antes
um girassol da cor do seu cabelo
para lennon e mccartney
um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco

Orlando Silva – Uma Lágrima, Uma Dor, Uma Saudade (1989)

Olá amigos cultos e ocultos! Eu ainda não tive tempo de arrumar toda a casa, algumas postagens continuam com seus respectivos ‘toques’ desatualizados. Por isso, peço aos interessados que tenham um pouco de paciência, faremos tudo gradativamente, ok?
Hoje, sexta feira, é dia de disco/artista independente e também véspera do aniversário do nosso blog Toque Musical. Pode até parecer uma chatice essa de ficar o tempo todo lembrando o aniversário do blog, mas aqui o negócio foi sempre assim, eu naturalmente sou assim. Adoro anunciar a felicidade, a vitória e o sucesso. Até aqui temos ido muito bem. Alguns tropeços, algumas falhas, alguns desencantos… mas vamos resistindo. O Toque Musical cresce a olhos vistos e diariamente. E se ele chegou até aqui, foi graças à participação e incentivo de vocês. São nos comentários, nos e-mails e mensagens, são também pelos amigos seguidores registrados, que este encontro diário continua acontecendo. Se não houvesse o tal ‘feed back’ eu já não estaria mais aqui. Obrigado a todos pela participação 🙂
Mas voltando à sexta independente, hoje e especialmente, estou trazendo um disco muito raro do “Cantor das Multidões”, Orlando Silva. Este álbum me foi enviado como uma colaboração, por um de nossos amigos cultos, o Sr. José Carlos Martins. Ele foi o produtor e um dos responsáveis pelo lançamento do lp em 1989. Segundo ele, o disco teve uma tiragem muito pequena e foi distribuído entre os fãs do cantor. Em seu texto, na contracapa, ele nos fala do repertório selecionado, onde constam oito músicas da fase áurea do artista na RCA Victor, até então inéditas em lp. A canção “Despacho”, samba inacabado de Ary Barroso, foi gravado particularmente para o Laboratório Fandorine que a utilizava nos programas em que patrocinava apresentações do cantor. As palavras omitidas na música pelo Orlando Silva se constituíam em um desafio para que os ouvintes as adivinhassem. Esta música nunca chegou a ser gravada e ouvida novamente. Outra música de destaque é a famosa marcha de carnaval “A jardineira”, gravada por Orlando em 1938. Na ocasião, ele gravou a música por três vezes. Todas foram editadas, porém somente duas foram usadas. A gravação que temos aqui é justamente a que não foi publicada. O nosso colaborador teve também a generosidade de incluir no arquivo a letra original e completa do samba “Despacho”, de Ary Barroso. Isso é que é um presentão de aniversário, né não? E eu o compartilho com vocês 🙂

uma dor e uma saudade
quero dizer-te adeus
terra boa
meu coração aos teus pés
tá difícil de encontrar
amigo infiel
aliança partida
a jardineira
lágrimas
eu te amo
eu sei
despacho

Copinha – Jubileu De Ouro (1975)

Muito bem, estamos próximos de completar 3 anos de existência. Sinceramente, eu não esperava chegar até aqui. Mas é interessante notar como, ao longo desse tempo, o blog foi se transformando e eu, como protagonista fui também aprendendo e me transformando. Só mesmo o meu cabelo eu ainda não mudei, ainda prezo muito o meu estilo ‘black power’ (e esse sorriso maroto que encanta as mulheres). Continuo com o mesmo visual, hehehe…
Bom, mas vamos ao que interessa… Hoje tem Nicolino Cópia, mais conhecido como Copinha. Eis aqui um artista merecedor da nossa atenção. Flautista, saxofonista e clarinetista. Acompanhou Francisco Alves, Gastão Formenti, Moreira da Silva, Orlando Silva, Elizeth, Lúcio Alves, Nora Ney, passando em seguida pelas outras gerações como Gil, Caetano, Milton Nascimento, Beth Carvalho e outros. Quer dizer, o cara tocou com e para os mais diversos artistas da MPB e em diversos períodos.
“Jubileu de Ouro”, conforme nos explica na contracapa Juarez Barroso, é um disco que busca mostrar a extensão do trabalho musical de Copinha, dentro de vários períodos de sua carreira. Outro grande barato do disco é a participação de diversos músicos instrumentistas, todos devidamente listados também na contracapa. Há porém de destacarmos a presença de Nora Ney e Luiz Bandeira, Radamés Gnattali no piano e também como arranjador. Os arranjos também correm por conta de Waltel Branco, K-ximbinho e o próprio Copinha. O repertório procura abranger todos os perídos da música popular brasileira até os anos 70. Temos assim músicas que vão de Pattápio Silva, Pixinguinha, Noel Rosa, passando por Tom Jobim, Carlos Lyra, até chegar em Paulinho da Viola. Não esquecendo de duas composições próprias, “Reconciliação” e “Lambada”. Para resumir, temos aqui um excelente trabalho que vale mesmo a pena conferir 😉

urubatan
primavera
chega de saudade
samba de uma nota só
saia do meu caminho
cadência
reconciliação
lambada
por um beijo
derramaro o gai
trepa no coqueiro
chegando mais
agora é cinza
o orvalho vem caindo
apito no samba
naquele tempo
primeiro amor
notícia
mariana

Waldir Calmon – Feito Para Dançar (1954)

Olá! Hoje e mais uma vez eu estou trazendo para um toque musical o aqui sempre festejado Waldir Calmon. Temos nesta postagem o álbum que deu origem à série “Feito para dançar”. Foi o primeiro ‘long play’ feito para se dançar, cujo o conceito não se limitava apenas ao estilo de música dançante, mas também à sua duração. Era a primeira vez que um álbum trazia em uma de suas faces uma única faixa longa, sem pausa, pensada exatamente para que se pudesse dançar mais. São quinze minutos num ‘pot pourri’ dançante que fazia a alegria do casal. A ideia pegou e logo todos os discos do gênero eram lançados dessa forma.
Este é mais um daqueles discos do Calmon que eu aprendi a gostar. Tem aqui duas músicas, as quais eu gostaria de destacar. A primeira, que faz parte da seleção de ‘pot pourri’ e abre o disco é a impagável “Sistema Nervoso”, de Wilson Batista, Roberto Roberti e Arlindo Marques Jr.. Este samba foi gravado originalmente por Orlando Correia, em 1953, tendo se tornado um sucesso radiofônico da época e é uma das músicas mais curiosas que conheço. A letra fala de um homem que teve o seu sistema nervoso abalado pelo fantasma de uma mulher. Me lembro de, ainda bem pequeno, ouvir ouvir essa música e a associá-la à Familia Adams, me parecia a coisa mais assombrosa do mundo. Na versão instrumental de Waldir Calmon ela deixa de ter um aspecto estranho e agrada bem aos ouvidos e pés. “Sistema Nervoso” foi também gravada por Wilson Simonal, numa versão de tirar o chapéu. Outros que gravaram a música foram a cantora Simone e Paulinho Boca de Cantor, dos Novos Baianos. Esta música foi também alvo de inspiração para o curta metragem (e ainda inédito) de mesmo nome, do um cineasta mineiro C. Falieri. A outra música que eu gostaria de destacar é o mambo “Luar”. Observem a introdução desta música, não parece coisa feita em 1954. Calmon conseguiu o que outros viram a fazer só dez anos depois. Acho isso surpreendente…

sistema nervoso
a saudade mata a gente
cada noche un amor
cancion del mar
limelight
dancing in the dark
in the still of the night
fui longe
luar
barriquinha
esquecendo o tempo
sincopado

Os Catedraticos – Tremendão (1964)

Olá amigos cultos e ocultos! Aqui estou eu de volta, depois de uma semana longe das postagens. Foi bom para descansar um pouco dessa agitação. Fui correr montanhas, respirar ar puro e tentar por em ordem algumas coisas na minha cabeça. Pena que a semana, nessas horas seja tão curta e como num sonho, acaba quando a gente menos espera. Descansei, mas vendo pelo número de e-mails que terei pela frente para responder, já começo a ficar cansado de novo 🙂 Peço a todos um pouco de paciência, responderei aos e-mails, mensagens e comentários ao longo dos dias. Ainda bem que eu tenho até a próxima semana para por ordem na casa 🙂

Vamos reiniciando nossas postagens trazendo um disco nota dez. Vamos com Os Catedráticos, de Eumir Deodato. O segundo disco do grupo, lançado pelo selo Equipe em 1964. Sem dúvida, após ouvirmos este disco, fica claro o porquê Eumir Deodato é um dos músicos ‘brazileiros’ mais competentes e importantes no mundo. Nessa época, com apenas 21 anos, ele já mandava muito bem, comandando o grupo e criando todos os arranjos. O cara é muito fera, podem acreditar. Além dos seus discos, ele também esteve por trás de outras dezenas de gravações, criando arranjos para uma infinidade de artistas e discos. De 1963 a 67 ele era um dos músicos mais requisitados, exercendo as funções de instrumentista e arranjador. Segundo Ruy Castro, em seu livro “Chega de Saudades”, até os discos da Elenco, “A Bossa Nova de Roberto Menescal” ou “A Nova Bossa Nova de Roberto Menescal” eram na verdade obra de Deodato. Menescal apenas servia prazerosamente como ‘front man’.
No álbum “Tremendão” temos um repertório de versões que chegam a dar inveja em seus originais. Eumir Deodato e seus Catedráticos ultrapassam os limites do senso comum e ordinário das produções do selo Equipe e mesmo de outros grupos semelhantes da época.
Eis aí um disco daqueles que não dá para perder, tem que ouvir…
.
tremendão
começou de brincadeira
gente
amélia
menina flor
champagne e codorniz
my manne shelly
imenso do amor
fora do tempo
dá-me um martelo
de presente
labareda

Oswaldinho da Cuica – Preto No Branco (1985)

Na sequência do samba, aqui vai mais um, desta vez de São Paulo. Osvaldinho da Cuíca é um sambista de respeito da terra da garoa. Entre 1967 e 1999 ele fez parte do conjunto Demônios da Garoa. Paralelo a isso atuou também ao lado de artistas como Nelson Gonçalves, Ismael Silva, Nelson Cavaquinho, Cartola e muitos outros. Não tenho bem certo, mas acho que “Preto no branco” foi seu primeiro disco solo. Participam do álbum, entre outros artista e sambistas, o percussionista Papeti e também Cido Bianchi. Os arranjos são de Edson José Alves. Lançado originalmente em 1985 pelo selo independente Somda, saiu em 2005 em formato cd. Quem gostar pode adquirir o cd que (dizem) ainda está a venda.

sai do pagode, mané
contrasenso
alegria geral
na arca de noel roda
orun-ayê, eterno amanhecer
canto em yorubá
show fantástico
não aguento mais
seus olhinhos
oagode da bicharada
cavaco malandro
cuíca manhosa

Partido Em 5 – Volume 1 (1975)

A partir do próximo sábado eu estarei entrando de férias. Neste dia farei uma última postagem e retornarei no fim do mês, ainda a tempo de comemorarmos os três anos de existência do Toque Musical. Enquanto isso, vamos levando a semana na base do pandeiro e no samba.
Hoje, para não variar, temos aqui um disco que fez muito sucesso na época de seu lançamento. “Partido em 5” foi o nome escolhido para denominar a reunião de um grupo de sambistas de respeito. Uma turma comandada por Candeia. Temos aqui mais do que um ‘partido em 5’, mas talvez oito ou mais. Além de Candeia, temos outros bambas que são: Velha, Casquinha, Wilson Moreira, Anézio, Joãozinho da Pecadora e ainda figuras como Marçal e Mestre Luna. Li num desses sites sobre samba que o Wilson Moreira era na época carcereiro e depois do sucesso deste disco ele decidiu largar a profissão, assumindo de vez a carreira paralela de sambista. O álbum, lançado pela Tapecar em 1975, não traz nenhuma informação sobre esses artistas. Nem ao menos eles são citados. O disco não tinha a pretensão de ser álbum de carreira. Foi criado apenas para atender a um mercado onde o que menos importa são informações detalhadas. “Partido em 5” foi um álbum que vendeu bem e deu origem aos volumes 2 e 3. Candeia só participou dos dois primeiros. Neste álbum temos apenas três faixas, mas o pagode corre solto numa espécie de ‘pot pourri’ de sambas. Essa série foi relançada pela Sigla nos anos 80 e novamente em formato cd na década seguinte. Confiram o toque…

lá vai viola
defeito de mulher
preta aloirada
minha preta
linha de candomblé
a volta
festa de rato não sobra queijo
dendeca de brisa
roda de partideiro
conversa fiada
maria tereza

Paulo Moura Hepteto – Mensagem (1968)

Que desagradável surpresa saber que hoje faleceu um dos maiores instrumentistas brasileiros, o grande Paulo Moura. Não tive nem tempo de preparar uma homenagem com um disco inédito. Aliás eu nem tenho nada que já não esteja postado neste e em diversos outros blogs. Paulo Moura sempre mereceu a atenção dos blogueiros de música, porque ele foi um músico presente em várias frentes e também nos bastidores. Sua atuação foi sempre pautada na qualidade, o que fez dele um artista especial e acima da média.
Segue aqui esta postagem especial, trazendo um disco também especial. Música instrumental, jazz, talento brasileiro. “Mensagem” é um álbum que tem a cara do artista. Aqui ele vem acompanhado por um time de músicos também de primeira: Wagner Tiso, Oberdan Magalhães, Darcy da Cruz, Cesário Constâncio, Pascoal Meirelles e Luiz Carlos. O repertório privilegia Milton Nascimento, com metade das músicas sendo de sua autoria ou parcerias.
Valeu Paulo Moura!

bonita
travessia
das tardes mais sos
homem do meu mundo
bitucada
nem precisou mais um sol
no brilho da faca
wave
três pontas
outono

Moreira Da Silva – Manchete Do Dia (1970)

Na sequência do blá, blá, blá, aqui vou eu com mais uma raridade que não se encontra fácil por aí. Mais uma vez marcando presença em nosso toque musical, temos o grande Moreira da Silva em seu disco “Manchete do dia”. Este álbum consta em algumas referências como sendo de 1970, eu cá tenho as minhas dúvidas. Se não me falha a memória, este disco já rolava lá em casa antes dessa época. Foi mesmo uma grata surpresa reencontrá-lo depois de tanto tempo. “Manchete do dia”, embora não seja um dos discos mais comentados do velho malandro, não deixa de ser tão excelente quantos outros. Quase todas as músicas são de sua autoria ou em parceria. Um disco de samba, sim senhor. Confiram aí…
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o urubu está voando baixo
chorei de dor
em boa companhia
telefonista
vou voltar pra lapa
viagem espacial
plantel de bois e cavalos
manchete do dia
a rosa do meu amor
escurinha legal
homenagem a paulistinha
está vendo doutor
moreninha poliglota
amanhã é domingo

Sergio Mendes And The New Brasil ’77 (1977)

Bom dia a todos! Enfim a Copa do Mundo acabou. O Brasil precisou sair antes da hora para garantir de vez o direito de sediar o próximo evento em 2014. Dizem que a CBF vem pagando isso desde a Copa de 2006. Se é verdade ou não, eu não posso afirmar, mas vou no boato. Seja como for, fica aqui os meus parabéns à Seleção da Espanha, que literalmente suou a camisa para chegar onde chegou. Quanto ao Brasil, vamos continuar sonhando…
Este disco do Sérgio Mendes já estava separado, exatamente para o dia em que o Brasil se ferrou nos pés dos holandeses. Como todos, fiquei super chateado e acabei me esquecendo de postá-lo. O presente álbum pode ser entendido como uma analogia à situação da nossa seleção. Começando pela capa, temos um ‘escrete de ouro’, cheio de feras, mas todos ‘estrangeiros’. Nosso goleiro, Sérgio Mendes, resolve bater de juíz e passa a camisa para o convidado especial, Stevie Wonder. Este por sua vez não viu a bola e tomou de cara dois gols. A arte dessas feras já não convence os brasileiros, eles não falam a nossa língua. A contracapa é talvez a melhor representação, o Brasil se ferrou! Há também o encarte, que não coloquei aqui, mas nele há uma foto do Pelé como um médico, levando o Sérgio Mendes numa cadeira de rodas. Só mesmo o Rei para salvar a situação. Definitivamente, este não é um disco brasileiro. Mas dentro dessa comparação, fica bem claro que a bola já não está mais em nossas mãos e nem nos pés. Diziam que o Sérgio Mendes era um vendido, mas vendidos mesmo foram os nossos jogadores. Vendidos e comprados…

love me tomorrow
love city
mozambique
if you leave me now
peninsula
why
the real thing
p-ka-boo
life

Deo Rian – Inéditos De Jacob Do Bandolim (1980)

Olá amigos! Hoje eu vou ser mais breve que de costume. Estou numa preguiça de dar inveja. Por mim, ficaria apenas deitado ouvindo uma boa música, de papo pro ar 🙂 Mas o dever me chama, tenho compromissos… Mas antes, vou deixar aqui a minha postagem do dia, que há muito já se transformou em compromisso.
Segue aqui um excelente álbum de Déo Rian, instrumentista considerado o sucessor de Jacob do Bandolim. Neste álbum de 1980, lançado pelo selo Estúdio Eldorado, Déo nos apresenta uma série de então inéditos trabalhos de Jacob. Ele vem acompanhado pelo grupo Noites Cariocas.
Particularmente acho o disco excelente. Eu seria talvez apedrejado por dizer isso, mas em alguns momentos o pupilo ultrapassa o mestre. Talvez por ter sido o único a quem Jacob permitia assistir seus ensaios. Um belíssimo disco, confiram o toque…

chorinho na praia
chuva
baboseira
pateck cebola
horas vagas
boas vindas
ao som dos violões
feitiço
orgulhoso
saracoteando
quebrando galho
heróica

Velhos Sambas, Velhos Bambas (1985)

Olá amigos cultos e ocultos! Vocês não podem imaginar, recuperei o meu carro! Após haver passado quase 70 horas, recebi um telefonema da Polícia Militar avisando que o haviam encontrado. Corri imediatamente para o local. O carro foi abandonado em um bairro afastado de classe média alta, longe de favelas ou oficinas de desmanche, o que nos levou a acreditar que o ladrão o pegou apenas para dar umas voltas. Só sei que nessas voltas, me levou tudo que havia dentro do carro. Levaram o meu Ray Ban original, uma blusa daquelas que a gente adora, meu IPod com a coleção completa da série História da Música Popular Brasileira e uma pasta com alguns cheques e documentos. Fora isso, levaram também os quatro pneus, o estepe e ferramentas. Bacana…, me deixaram o carro todo depenado. Mesmo assim, fiquei mais feliz ao reencontrá-lo do que quando eu o comprei. Passei o dia de ontem e hoje recuperando um pouco os estragos. Pelo menos agora não fico a pé. Vou aproveitar meus dias de férias e dar uma boa recuperada nesse carro, que cada vez me convenço mais ter nascido para ser meu 🙂 Quero mais uma vez agradecer a todos o apoio e o carinho. Tenho certeza que meu carro apareceu graças à soma de todos esses pensamentos positivos. Muito obrigado! Os outros problemas permanecem e até se agravam, mas há momentos em que quando não se é possível remediar, remediado está. Portanto, apenas rezo e observo. Viver é sofrer. A felicidade é um estado imaginário.
Como eu fiquei ontem sem postar o disco do dia e este deveria ser um álbum/artista independente, farei hoje uma postagem especial. Temos aqui um álbum triplo independente, lançado pela FENAB – Federação Nacional de Associações Atléticas Banco do Brasil. A FENAB vinha desde 1979 produzindo discos como este, os quais eram oferecidos aos seus parceiros e associados. O grande barato desses discos é a edição de material inédito e raro, coisa que não se encontra facilmente por aí. No caso de “Velhos sambas, velhos bambas”, encontramos em seus três lps dois momentos distintos. Fonogramas raros e inéditos datados a partir de 1919 e regravações feitas em 1985, reunindo um destacado grupo de artistas e músicos. Como intérpretes temos Violeta Cavalcante, Roberto Paiva, Ademilde Fonseca, Roberto Silva, Zezé Gonzaga e Gilberto Milfont. Para acompanhar essa turma temos o Conjunto Época de Ouro, o Quarteto de Cordas da UFRJ, Altamiro Carrilho, Déo Rian, Orlando Silveira, Zé Bodega, Wilson das Neves e mais uma dezena de outros músicos talentosos, que poderão ser conferidos no encarte que vem anexo. É sem dúvida, um álbum especial e imperdível. Não deixem de conferir…

confessa meu bem – eduardo das neves
tatú subiu no pau – bahiano
quando a mulher não quer – francisco alves
o destino deus é quem dá – mário reis
nego bamba – otília amorim
meiga flor – francisco alves
quem espera sempre alcança – mário reis
patrão prenda seu gado – grupo da velha guarda
sonhei que era feliz – carmen miranda e zaira de oliveira
apanhando papel -francisco alves
meu consolo – mário reis
mentirosa – orlando silva
não dou liberdade a mulher – joão petra de barros
cansei – roberto silva
novo amor – filberto milfont
não diga minha residência – gilberto milfont
me deixa viver – roberto silva
agora é cinza – ademilde fonseca
comigo não – violeta cavalcante
quem há de dizer – roberto paiva
saia do caminho – zezé gonzaga
camisa amarela – ary barroso
mulher de malandro – vileta cavalcante
favela – roberto paiva
adeus batuca -ademilde fonseca
vai cavar a nota – roberto silva
meu barração – zezé gonzaga
segredo – zezé gonzaga
cansei de pedir – violeta cavalcante
disse me disse – gilberto milfont
camisa listrada – ademilde fonseca
já passava das onze – roberto silva
resiguinação – zezé gonzaga
falsa baiana – roberto silva
se você sair chorando – roberto paiva
as mariposas – adoniran barbosa
depoimento de klécius caldas
cinema mudo – ademilde fonseca
notícia – gilberto milfont
não quero mais amar ninguém – roberto paiva
castigo – gilberto milfont
ó seu oscar – roberto paiva
emília – roberto silva
rosalina – gilberto milfont