Edu Lobo – A Música De Edu Lobo Por Edu Lobo (1967)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje nós vamos de Edu Lobo, acompanhado pelo Tamba Trio. Este álbum, por certo, não é novidade ou raridade que mereça mais explicações. Foi o primeiro lp do compositor que até então só havia gravado um compacto duplo pela Copacabana, 1963, como apoio do papai Fernando Lobo. Por volta de 65, impressionado com as qualidades do jovem Edu, Aloysio de Oliveira convidou-o a gravar seu primeiro disco para o então recente selo Elenco. Para não ficar no mesmo clima intimista do trabalho anterior e mesmo porque sua música tem essa tendência, Aloysio incluiu o Tamba Trio, que casou direitinho com as intenções musicais do jovem artista compositor. Se não me engano, este disco teve seu lançamento adiado por conta de uma das músicas que estava participando de festival. O álbum teve seu lançamento oficial marcado em 1967. Neste disco Edu interpreta ao lado de Luiz Eça, Rubens O’Hanna e Bebeto Castilho, suas composições e parcerias com Lula Freire, Ruy Guerra, Vianinha e Vinicius de Moraes. Sem dúvida, um trabalho antológico da maior importância, que mesmo sendo já bem ‘manjado’ através de outros blogs, não deixa de ter um encanto e ser, para mim, uma honra tê-lo listado no Toque Musical. Se você ainda não o viu e nem ouviu, taí uma boa hora! Este é básico!

borandá
resolução
as mesmas histórias
aleluia
canção da terra
zambi
reza
arrastão
réquim para um amor
chegança
canção do amanhecer
em tempo de adeus

Guarabyra (1973)

Depois daquele Sá, Rodrix e Guarabyra e da Coca com castanha de cajú, me lembrei deste compacto solo do Guarabyra, onde temos o famoso ‘jingle’ da Pepsi Cola e a primeira versão de “Pássaro”. Me lembrei agora também que já havia incluido este compacto como bonus na postagem do álbum do Guarabyra de 1969. Mas fica valendo para aqueles que não viram…

só tem amor quem tem amor pra dar
pássaro

The Jet Black’s – Twist (1962)

Olás! Hoje eu não estou passando muito bem. Tive um mal estar durante a noite e o dia foi por conta dos desdobramentos, sono e indisposição. Acho que foi aquela bendita Coca Cola com castanha de cajú. Não sei onde eu estava com a cabeça na hora que fiz essa mistureba. Eu as vezes me esqueço que o meu ponto fraco é o estômago. Passei a madrugada acordado e para me destrair, fui visitar alguns blogs, ler e-mails atrasados e por em dia algumas pendências. Acabei também indo parar no site da Jovem Guarda, mais especificamente na página dedicada ao The Jet Black’s. Lá eu li um nota de repúdio, escrito pelo filho do Jurandy, um dos integrantes e fundadores do grupo, que me chamou a atenção. No texto ele fala da cara de pau de um sujeito que se apropriou do nome da banda, aproveitando-se de um momento conturbado com a morte do pai, onde os remanescentes tentavam ainda manter acesa a história do grupo. Segundo ele, dois antigos integrantes do grupo “The Spark’s”, registraram novamente o nome, passando a usá-los como se eles tivessem sido do grupo original. Pelo que parece, a turma do “The Spark’s” (Delamonica e Emílio Russo) resolveram se tornar Jet Black’s. Seria uma atitude louvável se já não houvessem remanescentes do grupo e eles quizessem com isso, realmente, resgatar a memória de um dos maiores conjuntos de rock twist brasileiro. Mas pelo que tudo indica foi apenas oportunismo. Diante do fato, resolvi postar aqui mais um disco do original e reforçar a lembrança dos verdadeiros Jet Black’s. Infelizmente o texto do site da Jovem Guarda não apresenta datas, assim, eu não sei dizer se essa ‘estória’ ainda continua. Mesmo assim, deixo aqui o meu recado…
O álbum “Twist” foi um disco de estréia e de muito sucesso, lançado no início dos anos 60, abriu ainda mais as portas para o grupo instrumental paulista, que interpreta aqui alguns dos maiores sucessos (internacionais) do gênero na época. Confiram…

the jet
boudha
hava naguila
texas twist
twist in usa
wailin
stick shift
lest’s twist again
the twist
ginchy
king’s neptune’s guitar

Augusto Calheiros – Caboclo De Raça (1959)

Bom dia, amigos cultos e ocultos. Estou trazendo hoje mais um disco do meu xará, o Augusto Calheiros. Eis aí um artista dos quais eu muito aprecio. Gosto do seu estilo cabolclo, da sua música de raiz. E pelo que vemos em sua história musical, Augusto Calheiros quando veio do Recife como cantor no grupo de Luperce Miranda, Os Turunas da Mauricéa, conquistou logo o público se destacando ao ponto de seguir em carreira solo. Augusto tem um certo encantamento na voz, no jeito de cantar. Seu repertório é sempre rico de canções brasileiras autênticas, valsas, côcos, emboladas, serestas e canções populares. Tanto os dois lps anteriores, quanto este que estou trazendo agora, são álbuns póstumos. Augusto Calheiros não chegou a gravar para um ‘long play’. Como já havia dito também, sua obra foi toda resgatada, mas por quem e para onde, isso é que é difícil saber, não está tão acessível assim. Vocês, certamente não irão encontrar essas gravações rodando fácil por aí. Volto a repetir, se não fossem os blogs de música, coisas como esta estariam a cinco palmos de poeira, esquecidas em algum sítio arqueológico, de acesso restrito à pesquisadores.
“Caboclo de raça” foi lançado em 1959 pela Odeon, selo o qual Augusto Calheiros gravou a maioria de seus discos. Este álbum chegou a ser relançado em 1968 novamente pela Odeon, através de seu selo Imperial. Nele encontramos alguns de seus sucessos. Algumas músicas, inclusive, também se repetem, estão no lp “Patativa do Norte”. Confiram…

grande é o teu amor
como és linda sorrindo
quero te cada vez mais
olhos de helena
cantadô misterioso
seresta do norte
casa desmoronada
belezas do sertão
e me deixou saudade
caboclo de raça
falando ao teu retrato
trinta minutos

Walter Wanderley – WW Set: When It Was Done (1968)

Para começarmos bem a semana, aqui vai mais um disco bacana do Walter Wanderley, em sua fase internacional. Temos aqui “When It Was Done”, álbum lançado em 1968 pelo produtor Creed Taylor. Realmente um discaço onde WW conta com o apoio de uma turma de primeiríssima. Começando pelos vocais de Anamaria Valle, Milton Nascimento e as americanas Marilyn Jackson e Linda November. O grupo de músicos que acompanham o Walter é João Palma na bateria, José Marina no contrabaixo, Lulu Ferreira na percussão e o americano Marvin Stamm no ‘fluglhorn’. Contam que Marcos Valle também participou das gravações, mas no disco não consta os créditos. Os arranjos são de Eumir Deodato e Don Sebesky. O repertório é uma bem dosada mistura de música brasileira e americana, como vocês mesmos podem verificar na listagem a baixo. Taí um disco recomendadíssimo…

andança (open your arms)
surfboard
baião da garôa
reach out for me
olê olá
ponteio
when it was done
on my mind
just my love and i
capoeira
verdade em paz (truth in peace)

Jards Macalé – Disco Mix Promocional (1987)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! E depois do Melodia e do Sampaio, outro artista que cai bem no clima é o Jards Macalé. É ou não é? Segue aqui então este disco promocional, com duas faixas exclusivas, onde Macalé nos apresenta a sua divertida versão para “Blues Suede Shoes” de Carl Perkins (samba rock, unplugged!) e “Rio sem Tom”, um momento de desilusão com o Rio, um ‘fonocomentário maxixento brasileiro’ (segundo o próprio autor). Esse tal disco ‘Mix’ foi o substituto do compacto nos anos 80. Várias gravadoras chegaram a usar esse tipo de disco que antecedia ao lançamento do álbum oficial. No caso do Macalé eu não sei dizer…
Putz! Tá vindo muita chuva aí. Acho que vou parar por aqui. Pensei em postar hoje ainda uns compactos, mas acho que vou deixar isso para amanhã. Lá vem chuva…

blues suede shoes
rio sem tom

Sérgio Sampaio – Ao Vivo No Cabaré Mineiro (2010)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje é sexta feira, dia de independência musical. Antes porém, de falarmos sobre ‘o disco’ da postagem, eu gostaria de mandar um alô ao amigo Zeca Louro, que muito bem lembrado por um de nossos visitantes, está há um ano sem atividade em seu maravilhoso Loronix. Com certeza, ele tem deixado muitos de nós ansiosos pela sua volta. O mistério envolvendo o seu desaparecimento é que nos deixa mais agoniados. Seja lá onde ele estiver, desejo-lhe tudo de bom. Em sua homenagem eu dedico esta postagem. Sei que o Zeca era um fã incondicional do Sérgio Sampaio.

Há pouco mais de uma semana tive o prazer de receber, do amigo Trix, um registro digitalizado de partes de um show do poeta maldito Sérgio Sampaio, realizado em Belo Horizonte, em 1986, na extinta e saudosa casa de espetáculo, o Cabaré Mineiro. Me lembro de ter visto por lá shows maravilhosos, de artistas nacionais e internacionais. Taí uma das coisas boas dos anos 80, não posso negar. Este show aconteceu na noite do dia 21 de abril de 1986. Sérgio veio a Beagá acompanhado do violonista (hoje ainda mais destacado) Moacyr Luz. Para este registro, eu fiz questão de produzir a arte (completa) e ainda dei um trato no áudio e uma nova editada. Pelo que me informou o Trix, este registro ele conseguiu de um colecionador. A gravação foi feita em fita cassete, talvez extraída diretamente da mesa de som, quase não se escuta a platéia. As vezes, até se tem a impressão de que o local devia estar meio vazio, mas não estava não. Tenho um amigo que assistiu ao show, comentei com ele sobre esta gravação. Ele disse que a Casa estava sempre cheia, inclusive nesse dia do show do Sérgio. O grande barato da gravação é conter ali algumas músicas, até então, inéditas. Coisas que só viriam a aparecer no álbum póstumo, “Cruel”, produzido por Zeca Baleiro. Há também duas outras músicas ainda hoje inéditas, as quais não sabemos o nome. Eu tomei a liberdade de nomeá-las como “Eu não minto quanto faço” e “O que eu sinto agora”. São títulos que me pareceram mais adequados para essas canções, frases chaves contidas nas letras. Agradeço mais uma vez ao amigo Trix, que nos brindou com essa pedra bruta. Salve Sérgio Sampaio! Um artista prá lá de genial 🙂 Confiram… 😉

viajei de trem
pobre meu pai
cala a boca zebedeu
quatro paredes
eu quero é botar meu bloco na rua
que loucura
eu não minto quando faço
meu pobre blues
roda morta (reflexões de um executivo)
cabras pastando
ninguém vive por mim
o que eu sinto agora

Waldir Calmon – E O Espetáculo Continua… (1963)

E nessa de bater na mesma tecla, só de pirraça, eu vou insistir… Vou postando aqui mais um disco do Waldir Calmon. Depois que eu passei a conhecer melhor o trabalho deste artista tive naturalmente que rever os meus conceitos. Já falei isso outras vez e repito. O Waldir era mesmo ótimo, quanto mais eu escuto, mais eu aprecio.
Aqui temos um álbum gravado em 1963 e relançado em 1982. Um disco que celebra a era da música mecânica, ou seja, aquela que é tocada através de um ‘disc jockey”. No início dos anos 60 começaram a pipocar as casas noturnas, onde a música não era ao vivo. Os músicos foram substituídos pelas aparelhagens de som e uma pilha de discos, com um profissional exclusivo para atender aos pedidos musicais. Estávamos entrando numa nova fase dos discos de longa duração. Surgiam os primeiros equipamentos de alta fidelidade, alguns até estéro e com uma qualidade de som bem superior ao que existiam antes. Estávamos entrando na modernidade, procurando nos espelhar (caricaturalmente) no “american way”. Tivemos até as belas ‘jukebox”, onde a música e artista podiam ser escolhidos no cardápio da máquina, pessoalmente, bastava uma ficha. Para a casa noturna isso era ótimo, baixo custo, sem precisar pagar aos músicos. Ao contrário, tinham lucro vendendo as fichas. A situação começa a mudar quando entra em cena os orgãos normativos e fiscalizadores. Uma considerável porcentagem era reservada aos ‘ecads da vida’, que por sua vez distribuia o lucro entre seus associados. Eu sei de muito artista bom que nunca viu nem o cheiro desses rendimentos. Para muitos, o disco nunca foi uma fonte de renda, servia apenas para dar um certo destaque ou oficializar suas obras. Mas essa é uma outra história. Melhor mesmo é voltarmos ao som dançante do Waldir Calmon, afinal o espetáculo continua… Neste trabalho ele vem acompanhado de conjunto, orquestra, côro e os vocais de Yanes e Dina. Disco bacana, podem conferir 😉

é só querer
eu nasci no morro
bom pra mim
o trvador
samba em prelúdio
stella by starlight
saudade e melancolia
completamente a sós
babalú
eu voltei
amar e ciúme

Luiz Vieira (1974)

Olá amigos cultos e ocultos! Sempre batendo nas mesmas teclas, repetindo frases e situções, assim é o Augusto TM em seu blog. Amado por muitos, odiado por porcos, quer dizer…, por poucos, o Toque Musical continua em seu propósito, aprendendo com as boas críticas e se lixando para as titicas. Falem mal, mas falem sempre do Toque Musical 😉
Hoje eu tenho aqui um disco que gosto muito, Luiz Vieira, de 1974. Tive a felicidade de reencontrá-lo na última feira de discos em Belo Horizonte. Há tempos eu não ouvia o lp e por acaso, também nunca pensei em procurá-lo em outros blogs. Deve até ter…
Luiz Vieira, para os que não conhecem, é um poeta cantador, compositor de mão cheio e de alma nordestina. Ele iniciou sua carreira artística na década de 40, se apresentando em programas de calouros, boates e no rádio. Embora seja um ótimo cantor, nunca gostou do título, preferindo ser chamado de ‘cantador’. Luiz Vieira também atuava como radialista, sempre focando a música nordestina. Não foi atoa que ele recebeu o título de “O Príncipe do Baião”. Até pouco tempo atrás eu sei que ele apresentava um programa de muito sucesso na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, chamado “Minha terra, nossa gente”. Faz tanto tempo que eu não vou ao Rio que já nem sei se ainda existe. O Luiz Vieira também já deve estar lá por volta dos 80 anos. Não sei se ele ainda continua em atividade. O certo é que o cara é um artista dos melhores. Gravou poucos discos, mas compôs centenas de músicas, interpretadas pelos mais diversos cantores. Neste álbum de 1974, temos alguns de seus grandes sucessos como “Menino do Braçanã”, “Prelúdio para ninar gente grande” e “Prelúdio Nº2 (Paz do meu amor)”. Tem mais uma música dele que eu gosto muito que é “Menino passarinho”, maravilhosa, mas esta é de outro disco. A gente ainda chega lá…

guarânia da saudade
os olhinhhos do menino
nossa vez
ave maria dos retirantes
menino do braçanã
prelúdio par aninar gente grande
rato, rato…
prelúdio nº 2 (paz do meu amor)
resto de quem parte
cortejo
estrela de veludo
zé valente

Jamelão – Ela Disse-me Assim (1968)

Bom dia a todos! A semana promete, mas meus outros compromissos e a falta de tempo comprometem. Mesmo assim, vou tentar não deixar a peteca cair. Hoje terei que lançar mão de mais uma reserva, notícia pronta para cobrir jornal, os meus ‘discos de gaveta’. Ainda bem que o sorteado foi o Jamelão. Vai combinar com o ritmo das últimas postagens.
Temos aqui um álbum do cantor, lançado no final dos anos 60, cuja a música que dá nome ao disco, de Lupicínio Rodrigues, foi um dos seus grandes sucessos. Aliás, este lp, no geral, foi um grande sucesso. Recheado de excelentes e variados estilos de sambas. Destaco também entre esses, “Folha Morta”, de Ary Barroso e “Timbó”, de Ramon Russo, um afrosamba que foi regravado pelo grupo Farofa Carioca. Confiram aí o Jamelão, que eu já estou de saída…

ela disse-me assim
confiança
pense em mim
como ela é boa
folha morta
esquina da saudade
ela está presente
três amores
há sempre uma que fica
frases de um coração
timbó

Clementina De Jesus – Clementina, Cadê Você?

Olás! Começamos bem a segunda feira… Apesar da minha pressa e outros compromissos. Vamos abrindo a roda para a grande Clementina de Jesus. Salve Hermínio Bello de Carvalho! Se não fosse por ele essa pérola negra ainda estaria no fundo do mar.
Temos aqui mais um excelente álbum de Clementina, gravado em 1970, nos estúdios do Museu da Imagem e do Som. Produção (claro!) do Hermínio e com direção musical do Maestro Nelsinho. No disco vamos encontrar não apenas sambas, mas também outras batucadas, modas, corimas e jongo. Um pouco da herança negra de Quelé. Um disco muito bom, e raro! Vão conferindo aí, porque eu já estou de saída… Bom dia a todos!

vai saudade
deus vos salve a casa santa
três corimas:
ogum megé
bendito louvado, ó ganga
lá no mato tem ganga
a maria começa a beber
tomé
sei lá, mangueira
beira mar
duas modas:
trancelin
a velha do acarajé
sereia
cercar paca
a coruja comeu o meu curió
a mangueira é lá no céu

Os 3 Do Brasil – Coisas Proibidas (S/D)

Olá amigos cultos e ocultos! Esta semana promete! Mas eu só não vou jurar para não haver frustrações. Fiquem ligados, pois a fonte está cada vez mais cheia, para matar a sede e lavar a alma 🙂

Hoje eu estou trazendo um disco que me foi apresentado há alguns dias atrás. Trata-se (obviamente pela capa) de música nordestina, forró ‘in natura’. Os 3 do Brasil foi um grupo formado em São Paulo, na década de 70, por três artistas nordestinos: Benício Guimarães, Edson e Durval Vieira. Pesquisando daqui e dalí, eu só encontrei alguma informação sobre trio no blog Forró em Vinil. Por lá foi postado o primeiro álbum do grupo, gravado, segundo suas informações, em 1977. Na minha investigação, descobri que o trio gravou apenas dois disco, sendo este, “Coisas Proibidas” o segundo, lançado possivelmente também no final dos 70, mas sem a data certa. Talvez vocês estranhem um pouco o fato de eu estar dando tanta importância a um grupo musical desconhecido, para uma grande maioria. E seria mesmo de estranhar toda a minha atenção para com esta postagem, não fosse um fato curioso, que é o motivo principal do disco estar aqui. Temos um álbum lançado pelo obscuro (ou independente) selo EAE, com doze músicas, sendo todas de autoria de Durval Vieira, exceto a última, “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. O fato curioso está justamente nesta música. Vocês precisam ouvir. Talvez a mais tradicional música nordestina, em “Coisas Proibidas” ela aparece como um autêntico jazz (e ainda por cima progressivo!). Levei um tapa na hora em que ouvi isso. A faixa destoa quase que totalmente do resto do disco. Não há nada em comum além do fato de ser “Asa Branca”. Eu primeiro fiquei sem entender nada. Depois, aos poucos, a ficha foi caindo. Deduzi que nesta faixa não há nada dOs 3 do Brasil. A gente percebe que em algumas músicas, o trio contou com a participação de outros músicos. Em alguns arranjos há a presença de instrumentos de sopro (sax e flauta). Haviam, com certeza, um apoio instrumental para aquelas músicas. Eu suponho que na falta de uma última música para completar o disco, eles resolveram deixar que os instrumentistas gravassem “Asa Branca” nesta versão curiosíssima (curiosa em relação ao disco). Vale a pena ouvir este álbum, mesmo fritando mais que água no óleo quente. Confiram…
.
anda depressa
caminho de santos
riacho da pedreira
entortou a boca da égua
mulher ciumenta
chora
quero um beijinho
não sei se vou…
estória do largato e o sabiá
sai de perto dele
você diz…
asa branca

Trio Esperança – Nós Somos O Sucesso (1963)

Olá, amigos cultos e ocultos! Passada a febre pop rock dos anos 80 e 90, é hora de mergulharmos de volta ao velho baú. Hoje a escolha foi meio que aleatória, eu simplesmente puxei do fundo o primeiro disco que peguei. Olha só o que veio: Trio Esperança. Legal demais, né não? É isso aí… quem espera sempre alcança.
Temos aqui o primeiro disco deste grupo nascido no Rio de Janeiro no final dos anos 50. O Trio Esperança era formado pelos irmãos Mário, Regina e Eva Correia, essa última, em 1969 partiu para carreira solo, se tornando Evinha. Em seu lugar entrou a Marisa, a irmã caçula. O trio gravou inicialmente um compacto com as músicas “Filme triste” e “O sapo”, o qual fez muito sucesso, alavancando este primeiro álbum que trazia também outras versões de sucessos internacionais. Embora seja um lançamento de quase 50 anos atrás, ainda hoje podemos encontrar relançamentos e coletânea do grupo. Os irmãos Correia são mesmo de uma família talentosa, de lá veio também os Golden Boys, formados na mesma época e também como mesmo sucesso. Confiram o toque…

o sapo
bolinha de sabão
pobre barquinho
ensinando a bossa nova
nada a nos separar
filme triste
olhando para o céu
o passo do elefantinho
um pequeno nada
pombinha triste
tua

Finis Africae (1986)

Olha aí, mais uma banda interessante dos anos 80. O Finis Africae nasceu em Brasília em 1984 e teve um relativo sucesso, chegando a emplacar algumas músicas ‘na parada’. Antes porém, eles tiveram um EP que antecipava o álbum completo. Acho que não chegaram a gravar outro disco além de um cd ao vivo, que eu não escutei, mas acredito que não tenha novidades. Me parece também que eles tentaram um volta seguindo na mesma trilha de outras bandas da época. Estou vendo aqui agora que eles continuam ativos, pelo menos no MySapce. Taí, uma banda que ouvindo hoje me soa bem mais agradável.

deus ateu
vícios
chiclete
mentiras
a última do lado a
ask the dust
desertos
armadilhas
máquinas
círculos

Pelvs – Peter Greenaway’s Surf (1993)

Pronto, chegamos ao final da semana dedicada ao rock e afins. Eu já estava cansado de ficar na mesma onda. Meu negócio é variedades. Não consigo ficar muito tempo ouvindo um mesmo tipo (ou gênero) de música. Para encerrar, hoje eu vou tentar fazer diferente. Tenho três discos que já estavam na lista e só não entraram porque eu não dei conta de fazer as tais ‘dobradinhas’, com duas postagens no dia, com eu imaginava. Vamos ver se hoje eu consigo…
Segue aqui a primeira, “Pelvs – Peter Greenaway’s Surf”. Pelo nome já deu para imaginar que se trata de uma banda de ‘surf music’? Mais ou menos. O Pelvs na verdade é bem mais que isso. O grupo surgiu no início dos anos 90 no Rio de Janeiro. Gravaram este que foi o primeiro álbum e na sequência vieram mais três. O Pelvs é uma da banda independente das mais antigas e em atividade até hoje. Chegam a ser quase uma comunidade, com tantos participantes. Atualmente eles são um sexteto. O som da banda é uma mistura de tudo o que há no rock. Neste álbum eu gosto muito é da guitarra. Embora não tenha nada diretamente a ver, me faz lembrar um artista que eu idolatro, Neil Young (quando nervoso e roqueiro). O Pelvs, assim como diversos outros grupos independentes estão fazendo parte da comunidade musical Trama Virtual, que tem uma proposta de download remunerado. Acho até interessante a ideia, você paga uma taxa para baixar as músicas e o montante de ‘downloads’ no fim do mês é rateado entre os artistas que participam (juntamente com o UOL que banca o serviço). Pelo que eu soube, através dos próprios artistas envolvidos na Trama, o que se ganha não paga nem o taxi até o banco. Mesmo assim não deixa de ser uma boa iniciativa, principalmente de apoio e divulgação do artista. Aqui no Toque Musical eu estou postando discos que possivelmente vocês encontrarão por lá. Mas não é minha intenção embaçar o trabalho da Trama Virtual. O que estou postando aqui é apenas uma cópia da versão em vinil, a qual serve apenas para uma avaliação e nem se compara ao produto a venda. Inclusive, a respeito do meu “Peter Greenaway’s Surf”, acredito que as faixas não segue a ‘desordem’ da lista contida na contracapa. Vocês irão notar que está tudo um pouco confuso, mas o disco está completo, exceto por duas músicas que só entraram na versão cd. Pois é, música, de uma certa forma, é uma coisa etéria e felizmente de graça para quem escuta (e tem bons ouvidos). Já o suporte que carrega a música, este sim deve ser remunerado. Por tanto, comprem discos, esses sim são audíveis, palpáveis e um fetiche sem igual.

loveles
ior
bacon’s babe
don’t want… so she tried
we’ve
ferry boat, ferry boat
white a. l.
putercent overdrive
menstruation and masturbation
white bathroom
left speaker – margarine / right speaker: sugar
sundried and mellowed
a. l. fucked
with sand and rough salt
black trunk
the black coconut sweet
jazz
morangotango
surferena

Os Intocáveis (1985)

Olás! Eu hoje bem que tentei fazer a postagem matinal, mas para variar, tive alguns probleminhas de ordem técnica e só agora estou de volta, já quase no fim de um dia, morrendo de fome e de sono. Mas antes disso, vou deixando o toque do dia.
Tenho aqui uma coletânea de grupos de pop rock lançada nos anos 80 pela CBS, através de seu selo Epic. O disco foi produzido como uma forma de divulgação de doze bandas até então recentes, contratadas da gravadora. O título “Intocáveis” vem do fato de serem artistas recentes e que até então não eram tocados em rádios. Mas foi só a gravadora botar o disco para rodar e todos passaram da noite para o dia a serem conhecidos. De todas as estreantes, apenas o Capital Inicial vingou, as demais, em sua maioria, não passaram deste registro. Vale como uma curiosidade, mas sei que muitos outros irão amar. Desculpem, mas choveu no meu chip… Zzzz…

vazio de amor – c-47
descendo o rio nilo – capital inicial
abominável homem das neves – omar e os cianos
ao viov e a cores – upi
choveu no meu chip – eletrodomésticos
metropolis – neon
menina do metrô – tan tan club
ecos da caverna – os mesmos
heróis – zero
rollar pra você – thc
dodói – front
papo sério – banda 69

Maria Angélica – Outsider (1988)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Nossa semana segue em frente ao sabor do vento dos anos 80 e 90. Acabou que eu não postei nada dos anos 60 e 70, mas não faltarão oportunidades, ainda temos muitos sulcos a percorrer.
Para hoje eu estou trazendo um disco que na década de 80 era um dos meus prediletos nacionais (estou falando de rock, tá?). Lançado no auge do fervor das bandas alternativas, que faziam o contraponto com as pop e mais comerciais, o “Maria Angélica – Outsider” foi o primeiro disco de uma banda, cujo o nome era “Maria Angélica Não Mora Mais Aqui”. Naquela época era o máximo esses nomes fraseados, seguindo as tendências de bandas internacionais. Talvez por uma questão de ordem prática, quando do seu lançamento, ficou reduzido apenas ao nome próprio, Maria Angélica. O grupo foi criado uns quatro ou cinco anos antes de lançarem “Outsider”. Era uma banda cultuada inicialmente por poucos, os mais descolados e os antenados. Os shows, segundo contam, eram ótimos. Era mesmo uma banda ‘cult’, liderada pelo poeta e jornalista Fernando Naporano e o guitarista Carlos Nishimiya. Faziam parte também, Victor Bock (segunda guitarra), Victor Leite (bateria) e Lu Stopa (vocal). O som do Maria Angélica é uma mistura de diversas influências do rock, mas principalmente do punk. As letras são praticamente todas em inglês. A performance vocal de Fernando nos remete à uma mistura de John Lydon, do Sex Pistols e Damo Suzuki, do Can. Gosto bem disso…

hotel hearts
purple thing
another life
i don’t mind
shyness
dog’s life
shame of love
absinto me só