A Música De Fogaça (1982)

Bom dia! É curioso como algumas coisas passam despercebidas por nós. Até ontem eu não fazia ideia de que o político, Sr. José Fogaça, ex prefeito de Porto Alegre em dois mandatos e candidato derrotado na última eleição para o governo de seu Estado, fosse o mesmo Fogaça, compositor de mão cheia, que um dia eu conheci através dos discos da dupla gaúcha Kleiton & Kledir. Vejam só vocês… Nunca liguei uma coisa com outra, mas considerando e comparando os dois extremos, acho que ele teria tido menos dissabores se tivesse levado adiante sua carreira de compositor. Tô falando assim, mas confesso, não conheço muito o político e sua atuação. Aliás, eu de política sou um zero (que colocado do lado certo posso valer alguma coisa). Mas, pelo pouco que eu li, Fogaça sempre gostou de política, desde os tempos em que era líder estudantil. Teve também sua cota de participação na época das ‘Diretas Já’ ao lado de Ulisses Guimarães e Tancredo Neves. Sendo um dos articuladores no sul.
Temos aqui, o que eu acredito ser seu único disco. Ou melhor dizendo, um disco com as suas composições. Este álbum foi produzido por Kleiton Ramil e lançado em 1982 pela Deck Produções através do selo Polyfar (Polygram). Nele temos reunidas doze músicas gravadas por diferentes e consagrados artistas nacionais, como vocês mesmo poderão constatar logo abaixo…

ei de voltar para o sul – nara leão
piquete do caveira – almôndegas
sexto sentido – fafá de belém
novas marés – fernando ribeiro
lagoa dos patos – kleiton & kedir e mpb-4
vento negro – almôndegas
uni duni tê – kleiton & kledir e mpb-4
filha mulher – olivia hime
viração 0 mpb-4
há um pouco do meu coração em portugal – almôndegas
vinho amargo – quarteto em cy
semeadura – kleiton & kledir e fogaça

O Terço – Casa Encantada (1976)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Ontem eu cheguei tão cansado em casa que mal dei conta de fazer a postagem. Só agora percebo que não cheguei a publicá-la, apenas havia salvado. Menos mal, pois hoje eu também tô corrido. Estou inclusive lançando mão de mais um ‘disco de gaveta’, aqueles prontos para momentos como o de agora.
Vamos hoje com mais um dois bons discos do Terço. Temos aqui “Casa Encantada”, álbum orinalmente lançado em 1976, relançado em 91 pelo selo Beverly e também em cd. Neste álbum o Terço ainda mantem o melhor de sua fase progressiva, eu diria até que este é o segundo melhor disco da banda, atrás apenas de “Criaturas da Noite“, lançado anteriormente. Acredito que todos por aqui conhecem bem a história da banda e suas diversas formações. Quem ainda não teve a curiosidade de ouvir este disco, faça-me o favor… Bão demais 😉

flor de la noche
luz de vela
guitarras
foi quando eu vi aquela lua passar
sentinela do abismo
flor de la noche II
casa encantada
cabala
solaris
o vôo da fenix
pássaro

O Melhor Da MPB (1976)

Olá amigos cultos e ocultos. O domingo foi meio tumultuado, mas ainda assim cheguei a tempo de ‘bater o ponto’. Para compensar o atraso, estou trazendo aqui um álbum dúplo da gravadora Continental, lançado em 1976, com o melhor da MPB. Quer dizer, o melhor da música brasileira na gravadora. São vinte e oito músicas extraídas de seus diversos lps, numa seleção que procura reunir diferentes fases e artistas que passaram pelo selo. O interessante deste álbum na época de seu lançamento foi que ele trazia faixas de discos raros, já desde esse tempo fora de catálogo. Há inclusive faixas que não foram lançadas comercialmente, creio eu.
Desculpem, mas estou morrendo de sono. Fico por aqui e vocês com O Melhor da MPB, ok?

serenata – silvio caldas
canção da volta – elizeth cardoso
chove lá fora – tito madi
da cor do pecado – franco
mensagem – isaura garcia
não tem solução – carlos josé
molambo – silvia maria
nhem nhem nhem – martinho da vila
pedro pedreiro – elizabeth
nada de novo – cyro monteiro
marcha da quarta feira de cinzas – os 3 morais
simplesmente (o bem verdadeiro) – paulinho nogueira
ladeira da praça – novos baianos
e bateu-se… a chapa – silvia maria
matriz ou filial – jamelão
camisa amarela – celia
na subida do morro – moreira da silva
asa branca – geraldo vandré
dor de cotovelo – elis regina
estrada do sol – agostinho dos santos
por causa de você menina – zé maria e seu orgão (jorge ben)
se o caso é chorar – tom zé
adeus batucada – celia
mais que nada – zé maria e seu orgão (jorge ben)
castigo – jamelão
sonho de um carnaval – geraldo vandré
o amor está no ar – agostinho dos santos
paraquedista – carlinhos vergueiro

Som Ambiente (1972)

Deixa eu aproveitar a onda boa para fazer logo a minha postagem do dia. Hoje nós iremos com um disquinho dos mais interessantes. Embora já bem rodado em outras fontes, a daqui, podem acreditar, é mineral pura!
Som Ambiente foi um disco de destaque no catálogo da CID de Harry Zuckermann. Uma produção com a direção de Durval Ferreira e contando com os músicos do grupo Azymuth. O disco, lançado em 1972 e sem grandes pretenções, teve, após mais de vinte anos seu relançamento em formato cd, lá fora, claro! O álbum foi reeditado pelo selo inglês Whatmusic e faz muito sucesso. Um ‘lounge’ de primeira que só mesmo os gringos conseguem perceber e principalmente valorizar. Depois que recebe o aval estrangeiro, todo mundo por aqui passa então a tecer mil elogios, se torna um espécie de disco ‘cult’, todos querem ter. Mas só que dessa vez vão ter que pagar em dólar ou se contentar com nossas versões em mp3. O Som Ambiente é um disco com um repertório instrumental variado, contemplando em sua maioria temas internacionais bem conhecidos. É sem dúvida um disco ótimo de se ouvir. Apenas para tirar a dúvida, será que os loirinhos galãs das fotos na capa são mesmo Marcos e o Paulo Sérgio Valle? Pois bem que parecem…

o bofe
here’s that rainy day
bossa nova in broadway
close to you – people – mr. lucky
love themes from ‘godfather’
where is the love
águas de março – bala com bala
theme from ‘summer 42’
by the time i get to phoenix – the shadow of your smile
days of wine and roses – satin doll – april in paris – little darling
live for life – someday my prince will come

Arthur Moreira Lima, Abel Ferreira E Conjunto Época De Ouro – Chorando Baixinho – Ao Vivo (1978)

Olá! Estou me sentido como uma onda, oscilando entre momentos bons e ruins. Alguns diriam que é natural, a vida é assim mesmo. Eu concordo, mas acho que as vezes essas ondas seguem uma sequência muito próxima e de uma certa forma elas se confundem ou nos dão uma sensação híbrida, a gente não sabe nem definir a hora de estar alegre ou triste. É mais ou menos assim que eu estou me sentindo.
Aproveitando os meus momentos de choro, deixa eu ver aqui se consigo mudar o sentido da expressão e transformar todo mal estar em um pouco de acalento. Vou chorar baixinho, mas desta vez com o Conjunto Época de Ouro, Arthur Moreira Lima e Abel Ferreira. Este disco foi gravado ao vivo no Teatro do Hotel Nacional em outubro de 1978. Na época, ele foi produzido no intuito de ser um disco brinde comemorativo de aniversário da empresa de engenharia Servenco. Mas o disco ficou tão bom que a extinta Kuarup resolveu lançá-lo comercialmente no ano seguinte. Este disco também, pode-se dizer, foi um sonho realizado do pianista Arthur Moreira Lima. Ele havia voltado recentemente da Europa, sedento de Brasil e da música brasileira. Manifestou o desejo de gravar música popular, tocar com um grupo de choro. Chegou até a dar nomes aos bois. Pouco mais de uma semana seu sonho se realizou, lá estava ele se apresentando ao vivo com os ‘medalhões’ do choro. Este álbum foi depois relançado pela própria gravadora/selo em formato cd com algumas faixas extras. Como a Kuarup fechou as portas, imagino que encontrar este disco só mesmo em sebos ou nos blogs. Confiram aqui se ainda não o encontrou por aí… 🙂
fon fon
turbilhão de beijos
alvorada
batuque
sai da frente
carinhoso
impressões
choro de mãe
chorando baixinho
quebradinha
apanhei-te cavaquinho
bônus incluído:
sonoroso
duvidoso

Travessia – O Canto Dos Mineiros (1981)

Bom dia, amigos cultos e ocultos. A escolha do disco de hoje, além do fato de ser um álbum independente, tem muito a ver com o seu título, o nome do disco, “Travessia”. Pensei nele não por qualquer ligação com Milton Nascimento, Clube da Esquina ou outra ‘mineiridade’. “Travessia” veio em seu sentido literal, quer dizer, naquilo que a expressão realmente significa: transposição de um ponto ao outro. Nesse sentido, eu me refiro também à passagem. E hoje a “passagem” ou “travessia” poderá estar acontecendo. Talvez o dia amanhã seja mais triste. Se eu não aparecer por aqui, podem ter certeza que estarei nessa hora chorando, num misto de tristeza e de alívio por ter presenciado por tantos anos o sofrimento de uma pessoa querida. A dor do outro que também dói na gente chama-se sentimento. Desculpem por essa introdução, mas há momentos em que eu não consigo separar o Augusto TM, do autor do blog. As vezes aflora mais um lado do que o outro e eu acabo confundindo a cabeça dos meus leitores. O fato é que esta postagem eu dedico à minha tia-mãe querida, que já bem idosa e muito debilitada, hoje passará por um processo cirúrgico bastante complicado. Rezo para que Deus interceda e acompanhe a sua travessia.
Bom, deixa eu enxugar as lágrimas e buscar um alento. Falando um pouco do disco “Travessia – O canto dos mineiros”, este álbum nasceu de um projeto realizado no final dos anos 70, uma espécie de festival estadual de música, ou melhor, 430 músicas de várias regiões de Minas inscritas no projeto, das quais foram selecionadas 25 e dessas, 12 finalistas que vieram a ser apresentadas em show no Palácio das Artes e incluídas no presente lp. Ao que tudo indica, acabou acontecendo uma parceria da Fundação Clóvis Salgado (que foi quem promoveu a ação) com a Fiat Automóveis de Betim. O disco só saiu graças ao apoio promocional da Fiat e um ano depois quando a fábrica já completava cinco anos no Brasil. O álbum “Travessia” teve a direção artística de Célio Balona e a produção musical por conta do Nivaldo Ornelas. Participam do disco alguns dos nomes mais importantes da música mineira, tendo na cozinha o grupo de cordas da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, gente como Marcus Viana, Marco Antonio Araújo, Yuri Popoff e outros não menos importantes. Este álbum, importantíssimo na história da música popular em Minas, até hoje não teve seu relançamento em versão digital. Trata-se por tanto de um disco raro. E também muito bonito, podem acreditar!

sagrado coração – sagrado coração da terra
gaiola – ladston nascimento
lua virada – alexandre sales
travessura – melão
forró possível – lery faria jr
violão não é solução – aldo junior
coração bendito – haroldo anunciação
quem dera – junia horta
canto mineiro – flávio do carmo
primavera – grupo mambembe
estrada a fora – grupo raízes
mineirinha – selma marçal

Conjunto Época De Ouro – Clube Do Choro (1976)

Olá amiguinhos cultos e ocultos! Estão gostando das postagens da semana? A de hoje não foge à regra, podem acreditar…
Há pouco mais de uma semana, recebi um e-mail da filha do percussionista Pedro (Sorongo) Santos comentando sobre a postagem de “Krisnanda”, que fiz em abril de 2008 e também me informando de que ela, havia criado um blog dedicado ao seu pai. Achei a ideia ótima, o formato de blog é legal porque dá mais visibilidade, aproximação e interação com o público. E mais ainda, teremos acesso às informações numa perspectiva de um familiar, que conhece bem o artista (pelo menos um lado dele, claro). Coincidentemente, há alguns dias atrás vendi o álbum que eu tinha. Estava quebrado, mas ainda assim aguentava uma ‘meia sola’ e a capa estava muito boa. No blog do Pedro Sorongo, a filha Lys reuniu a discografia do artista. Pelo que tudo indica ele só teve um álbum solo e um compacto, mas participou em disco de vários artistas ou como integrante de algum grupo. Entre as diversas participações, há este magnífico álbum do antológico conjunto Época de Ouro, de Jacob do Bandolim. O conjunto havia parado após a morte de Jacob, mas voltaram à pedido de Paulinho da Viola para fazerem um show e daí resolveram retomar. Pelo grupo, desde então, passaram diversos nomes. No álbum Clube do Choro, lançado em 1976, temos a seguinte formação: Dinho no violão de 7 cordas; Damásio no violão de 6 cordas; Deo Rian no bandolim; Jonas Silva no cavaquinho; Jorginho no pandeiro; Luna e Pedro Sorongo na percussão. A produção do disco é de Reginaldo Bessa. Taí outro disco que faltava na blogosfera. Confiram o toque 😉

o boemio
lembranças de recife
choroso
de limoeiro a mossoró
evocação a jacob
tupinambá
visitando recife
paulista
dengoso
abelardo
dança do urso
relaxando

Mário De Azevedo – Marcello Tupynambá Na Interpretação Do Pianista (1956)

Olá amigos cultos e ocultos! Vamos batendo com mais um raro disquinho, meio que atendendo a um pedido feito tempos atrás. Demorou, mas chegou…
Um dos maiores interpretes das obras de Ernesto Nazareth e Eduardo Souto, o pianista capixaba Mario de Azevedo, gravou pela Sinter em 1956 este lp de 10 polegadas com músicas de outro grande compositor, Marcello Tupynambá. Mário de Azevedo iniciou sua carreira na década de 20. Foi um pinaista de grande popularidade. Gravou mais de vinte discos em 78 rpm pelas gravadoras Continental, Columbia e Odeon e vários LPs pela gravadora Sinter. Neste álbum, Mário toca oito temas dos mais famosos de Tupynambá. Marcello Tupynambá foi um dos nossos primeiros compositores populares, seu estilo ajudou a consolidar a canção na música brasileira. Sua obra, conforme afirmou Mário de Andrade, tinha “um balanço pouco comum”. Ele recolhia temas populares e rurais, recriando versões mais elaboradas e estilizadas para serem cantadas ao piano. Ele não era moderninho, mas nessa fase agradava aos modernistas, que viam em sua música uma valorização do que era realmente brasileiro. Um de seus grandes feitos e pioneirismo foi criar o que ele chamou de “Canção Brasileira”, que eram adaptações musicais para versos dos poetas, principalmente os modernistas. Podemos dizer que Marcello Tupynambá ajudou a formatar o que hoje conhecemos como ‘canção popular brasileira’. Confiram o toque…

maricota sai da chuva
fandango
viola cantadera
ai ai
balaio
tristeza de caboclo
pierrot
bambuhi

Sexteto Prestige – Música E Festa Nº2 (1958)

Bom dia a todos! Há alguns meses atrás eu postei aqui o primeiro disco do selo Prestige (Prestige nacional, é bom lembrar. Nada a ver com o americano de jazz). Fiquei de postar os outros que eu tinha disponível, mas acabei me esquecendo. Este selo surgiu tendo como seu ‘carro chefe’ um sexteto com o mesmo nome. Vasculhei toda a rede à procura de informações sobre o selo e o grupo, mas continuei na mesma, apenas na suposição. Muitos acham que figuras como Britinho, Waldir Calmon, Moacyr Silva e tantos outros músicos instrumentistas da época passaram pelo sexteto. Seus nomes talvez não apareçam devido aos contratos com outras gravadoras, Sexteto Prestige talvez fosse melhor que pseudônimos. A série “Música e Festa” teve vários volumes, tentarei postá-los em sua ordem, embora não necessariamente nesta semana. “São tantas as emoções”.
O álbum Nº 2 segue na mesma linha do primeiro. Dividido em quatro faixas longas, em cada uma delas há uma espécie de ‘pot pourri’ dançante, mesclando temas de sucesso da época, tanto nacionais quanto internacionais. Confiram…

covarde
cachito
se eu pudesse esquecer
na noite em que te vi
patrícia
i’m in the moon for love
nova ilusão
please
nel blu dipinto di blu
recado de olinda
confiança
o paito no samba
choro na gafieira
viva meu samba
aperta-me em teus braços
se alguém telefonar
accarezzane

Aurora Miranda – Sucessos De Aurora Miranda (1956)

Olá amiguinhos cultos e ocultos, boa noite! Como eu já havia comentado outras vezes, meu tempo para o blog tem ficado cada dia mais curto. Não posso negar que adoro essa coisa de postar um disco todos os dias, mas está mesmo difícil conciliar a dedicação com a obrigação. Ser autor de blog não é mole não, principalmente quando ele é diário e possui um público cativo tão numeroso. A gente acaba saindo do pessoal e caindo no profissional. Sinceramente, não era bem isso que eu queria, mas o blog toma uma dimensão que as vezes me assusta. Há cobranças de todos os tipos e a exigência de uma postura mais equilibrada. Eu que sou doido varrido, fico ainda mais pirado. Pensei na possibilidade de ter uma pessoa que ficasse por conta do blog nos momentos em que eu estivesse ausente. É claro que isso muda um pouco nossa rotina, mas pelo menos teríamos garantida a postagem diária. Acredito que todos sabem como é difícil manter um blog, principalmente como o Toque Musical. É daí que andei pensando em rever alguns dos meus conceitos e condutas. Vou passar a aceitar doações, como muitos já me ofereceram. Sinceramente eu não acho muito certo isso, mas para manter um secretário e os serviços, só mesmo se for pagando. Acho chato fazer isso e muito mais falar sobre o assunto, mas não vejo outra solução.
Mas, vamos deixar esse assunto para quando rolar. Vamos falar de outro, da preciosidade que é este disquinho, que o Toque Musical tem o prazer de apresentar. Reservei para hoje este ‘long play’ de dez polegadas da cantora Aurora Miranda. Vejam vocês que bela capa, um cenário obviamente hollywoodiano, dos estúdios Disney. É, a moça não era apenas irmã da Carmen Miranda, ela era Aurora Miranda! Eu acredito que ela só não foi além devido ao fato de ser irmã de Carmem e também de ter se casado logo cedo. Isso a ofuscou e freou um pouco, sem falar na timidez. Para se ter uma ideia, Aurora foi a cantora que mais vendeu discos na década de 30, atrás apenas da irmã. Quando numa temporada morou com Carmem nos Estados Unidos, gravou discos e trabalhou em clássicos filmes de Walt Disney. Neste álbum, lançado pela Sinter em 1956, Aurora Miranda regrava alguns de seus maiores sucessos. Entre eles temos a marchinha “Cidade Maravilhosa”, que se tornou o hino oficial do Rio de Janeiro. Esta música ficou conhecida inicialmente na voz de Aurora, em dueto com o autor, André Filho, no concurso de carnaval de 1935. Há também outros sucessos gravados por ela em dueto com Francisco Alves como, “Você só… mente”, de Noel Rosa e “Cai, cai balão, de Assis Valente. Todas as demais foram gravadas anteriormente em discos de 78 rpm. “Sucessos de Aurora Miranda” é exatamente isso, um disco reunindo antigos sucessos, regavados aqui com os arranjos e orquestração de Lyrio Panicali. Diquinho nota 10! Confiram o toque…

cidade maravilhosa
boa noite, passe bem
se a lua contasse
petisco do baile
fiz castelos de amor
você, só… mente
cai, cai, balão
sem você

Doris Monteiro – Confidências de Doris Monteiro (1956)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! De volta ao lar, tenho novamente um número infinito de títulos a publicar. De uma certa forma isso é até ruim porque aumenta a minha indecisão, fico sem saber o que postar.
Escolhi para hoje a Doris Monteiro em um raro álbum de 1956. Este foi o seu segundo lp de dez polegadas, um álbum onde ela canta exclusivamente músicas do compositor Fernando Cesar, na época, uma grande revelação. Algumas faixas foram extraídas de bolachas de 78 rpm gravadas anteriormente pela cantora. Entre os destaques, temos “Vento soprando”, “Cigarro sem baton” e “Dó, ré mi”. Não tenho certeza, mas acredito que essas músicas contaram com a orquestração e os arranjos de Antonio Carlos Jobim.
Se eu hoje ainda tiver um tempinho, volto para fechar com mais um compacto, ok? Divirtam-se aí…

quando as folhas caírem
vento soprando
graças a deus
cigarro sem baton
o amor é isso
joga a rede no mar
dó, ré, mi
melancolia

Zé Beto Corrêa – Cine Metropole (1992)

Belo Horizonte… êta saudade… tô voltando… E para tanto, nada melhor que sintonizar as minhas ondas com as boas lembranças da cidade. Como hoje é dia de artista/disco independente, não encontrei melhor escolha para nossa postagem que este belo trabalho do cantor, compositor e instrumentista mineiro, Zé Beto Corrêa, ou Zebeto Corrêa, como ele assina hoje. Começou a carreira musical como integrante da banda Fogo no Circo, quando gravou o primeiro disco. Pouco tempo depois partiu para a carreira solo, lançando um primeiro álbum em 1986. Pela qualidade de seu trabalho, sempre teve boas críticas, mas como bom (ou mal?) (do) mineiro, prefere trabalhar em silêncio, ou por outra, buscando outros caminhos. Zebeto, pelo que li em seu site, já tem uma dezena de álbuns lançados ao longo da carreira. Ele produz e apresenta um programa na Radio Nacional do Rio, chamado “Sotaque Brasileiro”, que vai ao ar duas vezes por semana.
“Cine Metrópole” foi seu segundo álbum e é o que podemos chamar de um autêntico disco de mineiro, a começar pelas evidências que temos logo na capa, com a fotografia do extinto e saudoso cinema da cidade. Zebeto usa esta referência para falar de uma Belo Horizonte que a cada dia vai ficando apenas na fotografia e na lembrança daqueles que a viveram. Mas mesmo com tanto regionalismo, o disco não perde sua dimensão musical e agrada com facilidade. As composições de Zebeto não são apenas para ouvir, mas também para cantar e em qualquer lugar.

branca de lua
florecência
cine metrópole
casa vazia
serenidade
brincadeira
devaneio fatal
baião atravessado
entre nós

Djalma Dias – Compacto Duplo (1971)

Como no dia de ontem, as coisas se repetem… Faltou tempo e uma Internet de verdade no hotel, isso aqui só serve mesmo para ler e-mail e olhe lá…
Para hoje, ainda do pacote, temos este raro compacto duplo do Djalma Dias. Vocês se lembram dele? Porque se procurarem na rede, não irão encontrar muita coisa. Aliás ao digitar o seu nome encontraremos apenas referências ao grande jogador de futebol dos anos 60 (Galooo!!!). Mas foi também nesta década que surgiu o cantor. Djalma foi cantor de boate, intérprete vitorioso em festivais e de trilhas de novelas da Rede Globo. Gravou diversos sucessos, entre os mais famosos temos “Capitão de Indústria”, de Marcos e Paulo Sérgio Valle para a novela “Selva de Pedra”. Aliás, é bom dizer, Djalma gravou diversas músicas dos irmãos Valle. Isso muito se deve ao fato de que Marcos Valle tinha contrato com a Som Livre, era um dos principais compositores para os programas da Globo e Djalma Dias era também contratado, principalmente como cantor e atuando em coros de trilhas e especiais da emissora. Ele gravou vários discos, os quais ainda hoje são difíceis de ver (e ouvir) na blogosfera. Aqui no Toque Musical vocês poderão encontrar a participação do cantor no raríssimo disco “Uma noite no Beco” e neste compacto duplo, da Som Livre. Reparem que o disquinho traz duas músicas dos Valle, “Rosto barbado e Burguês fino trato”, essa última em parceria com João Donato. Tem também o samba “Ninguém tasca”, que se tornou um grande sucesso popular e outro, “Maria José”. De quebra, incluí como bônus, mais uma extra… “Nada sei de preconceito”, de Leci Brandão. Confiram…

ninguém tasca
buguês fino trato
rosto barbado
maria josé
nada sei de preconceito

Tamba Trio – Tempo (1964)

Bom dia! Ontem eu cheguei cansado e babando de sono. Tentei postar o compacto prometido, usando o computador do hotel, mas a conexão estava tão lenta que acabei desistindo. Só consegui um contato mediúnico para o toque hoje cedo.
Vamos desta vez com Tamba Trio em seu delicioso álbum “Tempo”. Taí um disco que eu sempre quis postar aqui no blog, mas ele acabou se perdendo entre tantos outros também na mesma situação. Acabou vindo para no gavetão, virou uma postagem de gaveta, esperando a hora exata para entrar.
“Tempo” foi o terceiro álbum do grupo e também o último formado por Luiz Eça, Bebeto Castilho e Hélcio Milito. No lugar de Hélcio entraria em seguida o Rubens Ohana. Milito só voltaria nos anos 70. Pessoalmente, eu gosto mais dessa primeira fase e dos discos onde a uma forte presença vocal. “Tempo” é assim, um lp com um repertório belíssimo para tocar e cantar. Quem ainda não o ouviu por aí, tem agora a chance de ouví-lo aqui. Confiram…

borandá
nuvens
se eu pudesse voltar
barumba
pregão
danielle
berimbau
o amor em paz
a morte de um deus de sal
yansã
consolação
moto contínuo

Antonio Adolfo & Brazuca – Compacto Duplo (1970)

Na sequência da nossa rodada dupla, vamos agora com o Antonio Adolfo e a sua Brazuca, conjunto formado originalmente por Luiz Claudio Ramos (guitarra), Luizão Maia (baixo), Victor Manga (bateria), Julie (voz) e Bimba (voz). Outro disquinho que o colecionador não levou. Lançado em 1970, este compacto traz quatro músicas que só vieram a ser incluídas como bônus, na versão cd do primeiro disco do Brazuca. Não chega a ser uma super raridade, mas já tem colecionador de olho no meu pacote 🙂

gloria, glorinha
o baile do clube
ao redor
mg 8-80-88

Orquestra Som Bateau – Som Bateau Ataca Novamente (1971)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Enquanto tomo o café, tomo emprestado o computador do meu colega aqui. Coisa rapidinha, só para fazer esta postagem. Lanço mão hoje dos meus ‘arquivos de gaveta’, pois o tempo é curto. Vamos com o Som Bateau, vocês se lembram desses discos? Fizeram muito sucesso nos anos 70. O Som Bateau foi uma armação criada pela Phonogram para faturar um dinheirinho a mais. O nome surgiu inspirado numa famosa boate que havia no Rio nos anos 60. Uma orquestra que a cada novo disco trazia músicos, arranjos e ideias diferentes. Voltados, obviamente para o gosto popular, com repertórios que vão do rock ao brega, do samba ao pop. Uma verdadeira salada mista que muito agradava a quem estava mais interessado na música do que na originalidade de interpretação. Discos ótimos para se colocar em festas de reveillon de empresas, naquela altura em que o camarada já tomou seu Activa e umas boas doses de Johnny Walker, estando literalmente cagando e andando para o que está tocando. É por aí… 🙂 Som ambiente para festa sem anfitrião. Apesar dos pesares, não há como negar a qualidade, principalmente se comparado ao que seria o Som Bateau nos dias de hoje. Taí um disco para realmente se ouvir com outros olhos. Em cada faixa, duas músicas para atingir ao máximo as suas expectativas. Confiram…

deixe estar como está – chocolate
ovo de codorna – 16 toneladas
mar de rosas – copacabana meu amor
minha senhora – boêmio demodê
você mudou demais – carta de amor
você não entende nada – você abusou
vamos lá pra ver – só vou criar galinha
amada amante – eu só tenho um caminho
bye bye – sim baby
que diabo você tinha – já faz tempo não lhe vejo
só quero – ana
menina da ladeira – mudei de ideia
balada nº 7 – não devo ficar

Golden Boys – Compacto Duplo (1970)

Olha aí mais um compacto do pacote. Ainda bem mesmo que eles não foram embora. Pelo menos não antes que eu pudesse ouví-los novamente e também trazê-los até vocês. Segue aqui um Golden Boys em sua melhor fase. Espero que apreciem… porque eu vou é dormir. Chapei no fumacê 😉

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se você quiser mas sem bronquear
fumacê