João Bosco Quintet – Live In Nefertiti Jazz Club (2009)

Bom último dia do ano para todos! Aqui estou eu para a postagem final de 2010. Não adianta insistir, eu agora só vou voltar no ano que vem! hehehe… Fiquei ontem pensando com que chave de ouro eu fecharia o ano no nosso Toque Musical. Por certo, discos interessantes é o que não falta. Contudo, eu queria algo que fosse diferente e especial. Parece que o meu amigo Chris Rousseau leu os meus pensamentos e me enviou, entre outras, uma gravação de um show do João Bosco, no famoso “Nefertiti Jazz Club”, em Goteborg, na Suécia. Esta apresentação aconteceu em 2009, bem recente. Neste show ele é apresentado como um quinteto, ao lado de Nelson Faria na guitarra, Ney Conceição no contrabaixo, Kiko Freitas na bateria e Marçal na percussão. A qualidade da gravação é muito boa. Eu acredito, depois de editar todas as músicas, que o registro foi feito ou transmitido por uma rádio local. Na edição eu acabei eliminando algumas falas e anúncios do locutor. Sei que ele comentava de Bossa Nova, Jazz e do próprio João Bosco, mas como era tudo em sueco e em nada acrescentaria para o nosso deleite musical, achei melhor não incluir. Como embalagem para este ‘bootleg’ de primeira linha, criei meio as pressas as capinhas para apresentação. Fiz uma primeira inspirada em capas de jazz europeu e uma segunda, um pouco mais alegre (mais Brasil) com o João portando, numa alegoria, a coroa de Nefertiti. Como fiquei na dúvida na hora da escolha, decidi publicar as duas e deixar que vocês comentem qual está mais agradável.
Hoje parece que tudo está se encaixando, até o fato de ser esta uma gravação alternativa e independente, de acordo com as postagens das sextas feiras. Taí, fechamos o ano com uma bela chave de ouro, que também servirá para abrir a porta de 2011.
Desejo a todos os amigos, cultos e ocultos, brasileiros e estrangeiros e também aos nossos artistas, um FELIZ ANO NOVO! Que a alegria, a amizade e a fraternidade esteja ainda mais presente entre nós. Desejo, de coração, a todos os que me acompanharam, muita felicidade, paz, amor, saúde e sorte. Muita música para espantar a tristeza ou pelo menos acompanhá-la diluindo a dor. Que este toque musical continue batendo em todos os corações. Valeu demais! 🙂

terreiro de jesus
desfinado
a rã
april child
varadero
mulher do amazonas
desenho de giz
coisa feita
linha de passe
trem azul
papel machê
vatapá
vou te contar
nação
prêt-a-porter de tafetá
incompatibilidade de gênios
bala com bala
odilê, odilá – ronco da cuíca
tiro de misericórdia – escadas da penha
águas de março

Sylvia Telles – Amor De Gente Moça (1959-74)

Olá, amigos cultos e ocultos. A postagem de hoje tem um sentimento especial e eu a dedico à minha tia. Algumas músicas aqui, eu me lembro, fizeram parte da vida dela e sei também que ela gostava da Sylvia Telles. Como eu também gosto, e em especial deste disco, resolvi postá-lo.
“Amor de gente moça”, vem aqui em sua segunda edição. Para tanto e me poupando a resenha, reproduzo as palavras de Aloysio de Oliveira na apresentação do álbum, relançado 15 anos depois, em 1974:
“Este disco lançou 9 músicas inéditas de Antonio Carlos Jobim e várias delas se tornaram sucesso no mundo inteiro. Este disco definiu Sylvia Telles como uma grande intérprete da década de 50. Este disco tornou-se antológico para admiradores da música de Tom e das interpretações de Silvinha. Este disco é dedicado à nova geração que não conheceu Silvia Telles, tendo a certeza que ouvirão seu canto com o mesmo encanto que nós ouvíamos. Este disco foi produzido com o amor que ele merecia, de Gaya com seus arranjos, de Oswaldo Borba regendo a orquestra, e de todos que cooperaram na sua realização. Este disco tinha que ser ‘postado’. E aí está.”
Logo depois de ter passado a bola da Elenco para a Philips, já na década de 70, Aloysio de Oliveira retorna à Odeon e cria a série especial chamada Evento, pela qual ele publicou seis álbuns, sendo a metade deles relançamentos. Entre esses, o de Sylvia Telles. Merecido, diga-se de passagem.
Acredito que os amigos já devem ter bebido deste álbum em outras fontes, mesmo assim, não custa nada conferir…

dindi
de você, eu gosto
discussão
sem você
fotografia
janelas abertas
demais
o que tinha de ser
a felicidade
canta, canta mais
só em teus braços
esquecendo você

Jorge Henrique, Hugo Lander E Alan Gordon – Cheek To Cheek Nº 2 (1958)

Hoje cedo levei o meu carro para um alinhamento e bem em frente da oficina passou um catador de papel com seu carrinho cheio de coisas. Por curiosidade me aproximei dele e percebi que em seu carrinho ele levava uma caixa cheia de discos. De cara eu vi que ali tinha coisa boa. Não deu outra, pedi a ele para ver os discos e realmente encontrei um montão de coisa rara. Não resisti, comprei tudo. Sei que além de vocês há uma outra pessoa que vai adorar essa minha aquisição (não é mesmo, Edu?). Vamos então começando a por as bolachas para rodar…
Segue aqui um álbum raro e interessantíssimo, “Cheek to cheek”, com o trio formado pelo brasileiro Jorge Henrique e os americanos Hugo Lander e Alan Gordon. Na década de 50 eles fizeram muito sucesso em casas noturnas do Rio e São Paulo. Gravaram o primeiro “Cheek to cheek”, o qual eu não conheço. e ainda no mesmo ano de 58 saiu este de número 2. Do pouco que sei sobre eles, é o que temos de disponível na rede, através (principalmente) de blogs como o Toque Musical. Era mesmo um trio curioso, com Gordon no piano, Jorge Henrique no orgão e Lander na bateria. O resultado me faz lembrar um solitário tecladista fazendo fundo musical numa churrascaria. Por favor, não me interpretem mal. Claro que estamos falando aqui de instrumentistas de primeira, os quais nem se comparam com esses animadores de salão. Além do mais, o repertório, os arranjos e a técnica dos músicos dá a este lp uma qualidade inquestionável. Eu me refiro mesmo ao som produzido nessa fusão de piano, orgão e bateria. Se tivesse uma guitarra, um contrabaixo eu já diria que parece o Waldir Calmon. “Cheek to cheek Nº 2” foi concebido para se dançar juntinho, de rosto colado e suavemente. Fica também muito bom para se ouvir como música ambiente na festa de reveilon. Quem sabe a gente começa o ano assim, dançando de verdade, não é mesmo?

tea for two
i’m in the mood for love
it had to be you
good night sweetheart
drean
summertime
tudo acabado
nova ilusão contigo
remorso
caixa postal 00
c’est fini

Rio Show Festival – A Noite Da Bossa Nova e Os Melhores Momentos (1991)

Boas…! Hoje vai ter que ser bem corridinho pois meu tempo é curto. Fim de ano, vocês já viram… não é mole não. Tô tentando por a minha cabeça em ordem e outras coisas também. Segue aqui (e para compensar) dois discos que vão também cair bem na festa de fim de ano. Temos em dose dupla dois discos lançados pela Som Livre, um registro de um show no Rio Centro, em 1991. Foram lançados separadamente, como álbuns distintos, um, dedicado à noite da Bossa Nova e outro com alguns dos melhores momentos. Por incrível que pareça estou ouvindo esses dois discos pela primeira vez. Acho que nunca tive muito tesão em ouví-los, mesmo sabendo que iria encontrar coisa boa. Mas tudo tem a sua hora e muito por causa de vocês e do Toque Musical, eu agora posso dizer, confiram aí esta beleza!

A Noite da Bossa Nova:
triste – brigas nunca mais – vivo sonhando – leila pinheiro
ilusão à-toa – johnny alf
ela é carioca – os cariocas
berimbau – os cariocas
você e eu – verônica sabino
rio – leila pinheiro
samba do avião – os cariocas e leny andrade
ah! se eu pudesse – o barquinho – você – nós e o mar – leila pinheiro
só em teus braços – este seu olhar – verônica sabino
nós – johnny alf e leny andrade
minha namorada – carlos lyra
você e eu – carlos lyra
Os Melhores Momentos:
morena de angola – elba ramalho
alguém me disse – gal costa
brasil – margareth menezes
um dia um adeus – guilherme arantes
sem ela eu não vou – paulinho da viola
triste – brigas nunca mais – vivo sonhado – leila pinheiro
te amo espanhola – flavio venturini
quem é você – sandra de sá
banho de espuma – chega mais – rita lee
filho maravilha – jorge ben jor
anunciação – alceu valença

Beagá Band’s – Parada De Sucessos (1967)

Olás! Depois que o Blogger criou mais uma de suas ferramentas, um filtro para ‘spam’ no Comentários, eu achei que daí em diante não precisaria mais me preocupar com mensagem intrusas, principalmente as propagandas. Pois olha, que de nada resolveu. Pelo filtro passa tudo, menos os toques mediúnicos enviados pela ‘turma celestial’ (não confundir com a torcida do Cruzeiro, essa também tá morta, mas não toca nada, hehehe…) Preciso ficar mais atento, senão vocês vão chegar no Comentários primeiro que o link.
Hoje eu vou trazendo mais um disco da lendária Paladium. Mais um daqueles álbuns sem referências. Mas que de tanto eu comentar, já sabemos por alto o que vamos encontrar. Temos desta vez o lp “Parada de Sucessos” com o fictício grupo Beagá Band’s. Fictício no sentido de ser um nome usado para dar uma certa identidade ao disco. O Beagá Band’s só existiu em estúdio e durante o reinado da Paladium.
No álbum “Parada de Sucessos” temos um repertório eclético e tão variado que eu chego a desconfiar que tenha sido feito por um mesmo grupo ou músicos. Se não fosse pelo naipe de metais, que dá uma certa unidade ao disco, eu diria que é quase uma coletânea de fonogramas da Paladium e Coledisc. Contudo e no todo, temos um lp bem interessante, com arranjos até originais. Um bom exemplo é a faixa “Na baixa do sapateiro”, de Ary Barroso. Confiram aí, mais um mineirinho 😉

negro gato
pãozinho do leblon
a praça
call me
there’s kind of rusk
bater dos sinos
gina
profundo del elba
nossa canção
na baixa do sapateiro
here there and everywhere
telegrama

Severino Araújo & Orquestra Tabajara – Vol. 3 (1989)

Olá amigos cultos e ocultos! Quero agradecer a vocês todo o apoio e carinho recebido num momento em que eu me encontro fragilizado e melancólico. Estou me sentido como uma praia deserta que a cada instante recebe uma onda diferente, as vezes boas, as vezes ruins. Mas sei que logo o sol vai aparecer, aquecendo as areias e transformando tudo em alegria. Obrigado a todos!
Para hoje temos a incrível Orquestra Tabajara, sob o comando de seu grande maestro, Severino Araújo. Para aqueles que não sabem, esta é a orquestra mais antiga, em atividade no Brasil e provavelmente no mundo. Severino Araújo também entra nos recordes, sendo o maestro de orquestra que esteve por mais tempo a frente desta ‘big band’. Foram mais de 60 anos sem pausas! Atualmente a Orquestra continua, agora sob o comando do irmão de Severino, o saxofonista Jaime Araújo.
Nos anos 80, a Orquestra se apresentava com enorme sucesso na “Domingueira voadora”, série de bailes dominicais realizados na casa de espetáculos Circo Voador no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro. Este álbum é um dos volumes desta época, lançado pelo selo Fama. Eu até cheguei a pensar que fossem gravações ao vivo, mas pela qualidade do som, acredito que tenha sido feitas em estúdio. São, por certo, músicas que fizeram parte do repertório nas tardes de domingo no Circo Voador, temas nacionais e internacionais. Se você não teve a chance de estar lá para o baile, aproveite agora e faça o seu na passagem de ano. Este álbum cai muito bem numa festa de reveillon.

um chorinho no circo voador
reticências
garota de ipanema
samba do avião
take the a train
samba de uma nota só
bolero
reflexos
sonata ao luar
um chorinho para trombone baixo
concerto nº 1
also sprach zarathustra

Nosso Natal (1957)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje talvez não seja um bom dia para uma postagem, como também não foi ontem, para mim. Como vocês já sabem, estou vivendo um momento de luto. Hoje, às 15 horas será o sepultamento da minha tia. Estou aqui aguardando este encerramento. Logo estarei indo ao velório e a minha noite de Natal vai ser ainda mais melancólica. A cada ano percebo e agora mais ainda, que o Natal realmente não é uma data alegre. Também não a chamaria de triste. É um momento de reflexão, concentração e emoção. É aquela hora em que deixamos de pensar somente em nós, quando nos deparamos com o outro e quando vemos nele o nosso próprio reflexo. Neste momento eu sinto que o todo é um só e que eu sou parte desse todo. É por isso que me sinto tão bem quando faço algo que alegra as outras pessoas. Sinto que estou fazendo também por mim. Trazer a alegria, mesmo que num momento de tristeza, vai me fazer bem. Estar aqui preparando este disco para vocês, me afasta de pensamentos ruins, me dá esperanças e resignação. Preciso ocupar a minha cabeça com outros pensamentos. O duro disso tudo é a história que vem por trás. Mas isso eu vou poupar aos amigos, pois mesmo na passionalidade, este assunto não é nada musical.
Bom, para celebrarmos o nosso Natal, estou trazendo um disco bem bacana, um típico exemplar do Toque Musical. Temos aqui um disco de Natal, do ano de 1957, onde a gravadora Columbia reuniu alguns de seus melhores artistas, cantando doze temas originais. São músicas natalinas nacionais, criadas por compositores brasileiros. Este álbum é raro em todos os sentidos, mas principalmente pelo time de artistas, em gravações que só foram ouvidas neste lp. São onze nomes de peso: Doris Monteiro, Alcides Gerardi, Luiz Claudio, Lana Bittencourt, Zezé Gonzaga, Silvio Caldas, Zilá Fonseca, Paulo Marquez, Dircinha Costa, Ellen de Lima e Gilvan Chaves. Apenas a última faixa, “Papai Noel”, foi gravada em côro e ‘a cappela’ pelo Coral da Columbia. Segundo me contaram, o coral foi formado pelo próprio elenco (será?).
Taí o meu toque musical de Natal. Desejo a todos uma boa noite. Muitas felicidades, paz e amor.

canção de natal – silvio caldas
a caminho de belém – zezé gonzaga
é natal – paulo marques
quando chega o natal – ellen de lima
blom blem blão – luiz claudio
jerusalem – zilah fonseca
boas festas – doris monteiro
natal da saudade – alcides gerardi
feliz natal – lana bitencourt
cantiga de natal – gilvan chaves
canção de natal do brasil – dircinha costa
papai noel – coral columbia

Tonico & Tinoco – A Saudade Vai…(1961)

A saudade vai… vai ficar no meu coração. Justo no momento em que eu me preparava para fazer esta postagem, recebi a notícia do falecimento da minha tia-mãe. Sinceramente não sei dizer o que eu estou sentido neste momento. Há, sem dúvida um bocado de tristeza e aquele sentimento da perda de alguém que não volta mais. Porém, depois de ter presenciado os seus últimos oito anos presos numa cama, após um AVC, e mais ainda, seu martírio final neste último ano, sinto agora um alívio, uma paz… Sinto que Deus atendeu às minhas preces. Nunca pensei que um dia eu iria desejar a morte de uma pessoa, mais ainda de alguém que eu amo tanto. Mas tem sido este o meu pedido ao Papai do Céu. Foi este o meu presente de Papai Noel.
A escolha deste disco não tem nada a ver com a situação. Nem sei se minha tia gostava da dupla sertaneja Tonico e Tinoco. Mesmo assim resolvi manter o álbum programado, pois vejo nele muita coisa em comum com este meu sentimento, um misto de alegria e tristeza.
“A saudade vai…” foi um álbum de muito sucesso lançado pela dupla em 1961. Em 1964 ele foi novamente reeditado pelo selo Chantecler, dedicado à música caipira. A versão cd saiu em 2005 numa edição muito limitada, a qual já se encontra esgotada.

a saudade vai…
brasil sertanejo
gaucho alegre
zé da carolina
tempo bão
quere bem
joão boiadeiro
tarde janera
sonho de caboclo
pião arrespeitado
véio carreiro
carta de caboclo

Os Violinos Mágicos Nº 2 (1960)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Ao contrário dos outros anos, neste eu não vou ficar postando discos de natal. Farei isso apenas no dia 24, para alegrar ao Papai Noel 🙂
Tenho para hoje este disco que não precisa de texto ou título para atrair a nossa atenção, basta apenas este desenho lindo do pintor cearense Ademir Martins. Se na pior das hipóteses a música não salvasse, pelo menos a capa poderia ser emoldurada, daria um belo quadro. Mas a verdade é que tanto por dentro como por fora “Os Violinos Mágicos Nº 2” é um disco exemplar, bem produzido em todos os aspectos. Gravado no melhor sistema de som da época, em ‘high fidelity’, pela Musidisc, de Nilo Sérgio. Como podemos ver logo a baixo, temos um repertório misto com temas nacionais e internacionais famosos, apresentados em ritmos de bolero ou de baladas. Músicas que mereceram toda a atenção do produtor Nilo Sergio, tanto no aspecto técnico de gravação, como na escolha dos músicos, regente e arranjador. Para isso ele contou com os arranjos do Maestro Leo Peracchi e a regência de outro, Henrique Nirenberg.
Eis aí um disco muito bacana que merece ser conferido. Eu ainda não achei o disco de número 1, mas assim que aparecer ele entra também, ok?

besame mucho
don’t you know
a noite do meu bem
that old black magic
petite fleur
unforgettable
love is a many splendored thing
bahia (na baixa do sapateiro)
i could have danced all night
small world
mack the knife (moritat)
god bless america

Wilson Miranda – Compacto Simples (1965)

Olha aí, mais um compacto bacana, outro disquinho com o cantor Wilson Miranda. Este compacto saiu como um preanúncio do álbum “Tempo Novo”, sétimo lp gravado pelo cantor e o primeiro pela RCA Victor. Aqui encontramos duas músicas marcantes, interpretadas com ‘swing’ a la Simonal. Os arranjos e regência são Erlon Chaves, tá explicado…

aí que saudades da amélia
grilhões

O Marginal – TSO (1974)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje eu vou tomar o dia para postar compactos. Começo com este, um compacto simples lançado em 1974, trazendo a música tema do filme “O marginal”, dirigido por Carlos Manga, também lançado naquele ano. Esta música é de autoria de Roberto e Erasmo Carlos. Aqui ela é interpretada em duas versões, com o cantor Wilson Miranda e instrumental com a Orquestra de Chico Moraes.
O filme eu assisti uma vez, mas não me lembro mais da história. Sei que se trata de um policial, tendo o ator Tarcísio Meira como o protagonista, fazendo o papel de um criminoso. O roteiro, segundo contam, foi escrito por Manga, Dias Gomes e Lauro Cesar Muniz. Este último se inspirou na trama para criar a história da novela “Escalada”, da Globo no ano seguinte.
Confiram aí… mais tarde tem mais…

o marginal – wilson miranda
o marginal – orquestra de chico moraes

Radames Gnattali – Joias Brasileiras (1954)

Olá amigos cultos e ocultos! Estou de volta depois de uma semana de trabalho, necessariamente longe de computador, internet e outras tecnologias. Voltei meio preguiçoso, principalmente depois de ver o estado da minha caixa de e-mails. Mas hoje ainda farei uma triagem, as respostas virão pela semana, ok?
Para nossa retomada, escolhi um disquinho super bacana, um lp de 10 polegadas, lançado em 1954 pela Continental. Radamés Gnattali e Orquestra, interpretando oito verdadeiras ‘jóias musicais brasileiras’. Logo na primeira faixa, “Rancho fundo”, de Ary Barroso e Lamartine Babo, Radamés nos prende pelo ouvido com um arranjo prá lá de genial. Quem escuta esta gravação pela primeira vez não diria que ela foi produzida no início dos anos 50, no Brasil. Aliás, ao ouvirmos o disco num todo percebemos como Radamés Gnattali estava bem a frente da maioria dos maestros arranjadores de sua época. O cara era mesmo incrível. Escutem também “Casinha pequenina”, “Linda flor” e “Carinhoso”. Hummm, muito bom! Eu acredito que essas gravações não foram feitas exclusivamente para este disco. Pela época, suponho que seja uma coletânea, músicas recolhidas de bolachas de 78 rpm. O nome de Radamés aparece apenas na contracapa, o que reforça essa minha ideia.
Vamos fazer o seguinte: vocês confirmem isso e depois comentem, ok? Enquanto eu vou desfazer a minha mala e acabar de chegar em casa. Amanhã tem mais…

rancho fundo
despertar da montanha
casinha pequenina
luar de paquetá
nuvens
carinhoso
guacira
linda flor

Brazilian Music Now (1977)

Boa noite, amigos cultos e ocultos. Mais uma vez eu estou chegando no fim do dia, aproveitando a brecha, ou talvez os poucos minutos livres que antecedem ao sono. Escolhi este disco para ser a estampa da próxima semana. Quero dizer, VOU DAR UMA PAUSA por alguns dias. Preciso descansar minha cabeça e me afastar de alguns problemas. Portanto, já fiquem os amigos avisados da minha ausência na próxima semana, ok? Espero voltar antes do Natal, vamos ver…
Segue assim mais um exemplar da série, promocional criada pela Funart para o então Departamento de Cooperação Cultural, Científica e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores, a partir de 1978. A ideia era a de propagar a diversidade musical brasileira pelos cinco continentes, em vários países, dando a esses a oportunidade de conhecer melhor o variado leque musical produzido originalmente em nosso país. Ao que tudo indica, esse trabalho teve bons resultados, o que acabou gerando uma segunda versão, a qual passou-se a chamar “Projeto Ary Barroso” e sendo coordenado por Hermínio Bello de Carvalho.
Neste álbum, o número 3, iremos encontrar uma excente e variada coletânea com alguns de nossos melhores artistas, contratados da EMI – Odeon desde a década de 50. As músicas interpretadadas por eles foram sucesso que é muito bom relembrar. Confiram…

marinheiro só – clementina de jesus
foi um rio que passou em minha vida – paulinho da viola
canto de areia – clara nunes
mineira – noão nogueira
estrela madureira – roberto ribeiro
ponto de caboclo desengano – joão de aquino
quadras de roda – ivan lins
gota d’agua – simone
moleque – luiz gonzaga jr
dentro de mim mora um anjo – sueli costa
das rosas – dorival caymmi
1×0 – pixinguinha

Chico Bezerra – Pati (1990)

Opa! Ainda cheguei a tempo de fazer a postagem da sexta independente. O dia hoje foi ‘punk’, não deu tempo nem para ler os e-mails. Só agora estou tentando por em dia as coisas por aqui. Mas estou tão sonolento que vou apenas completar esta postagem.
Tenho aqui um disco que caiu em minhas mãos esses dias e despertou a minha curiosidade. Fiquei curioso porque ele não trazia a capa, estava sim, apenas no envelope de papelão, um encarte interno com as letras e algumas informações. Até então eu ainda não sabia quem era Chico Bezerra. Pelo elenco e até pelo estranhamento da foto aos pés da Torrel Eiffel, eu resolvi arriscar, coloquei o disco no prato e mandei ver… e ouvir, claro! Caramba! Me surpreendeu… Há algo de Zen nesse artista. Sua música é simples, sua voz também, mesmo assim produz um efeito que desperta a atenção. Em busca da capa e de maiores informações, corri páginas do Google e não achei nada! Taí um artista misterioso. Dele eu só sei que tem mais alguns discos independentes gravados, os quais eu também não conheço. Outro fato curioso, o disco é dedicado à cantora Patricia Marques de Azevedo, mais conhecida como Patricia Marx. Não entendi nada… Vou deixar essa para vocês comentarem e complementarem.
Mesmo com sono, ainda me dei ao trabalho de criar uma capinha para apresentar o nosso artista independente da semana. Acho que vale a pena 😉

patricia, uma canção amiga
vida de artista
metafísica ausente
pensando em você
paty
paris / toda luz
o amor e a chuva
pretty baby
rio de janeiro
beija flor
devota

Pierre Kolmann – Para Dançar Vol. 3 (1958)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Gostaria inicialmente de informar que, dentro do possível, estou atendendo aos pedidos e mensagens enviados por e-mail ou via Comentários. Infelizmente, como já deve ser do conhecimento de vocês, estou passando uma fase meio complicada, com problemas de saúde na família e alguns outros para pesar a minha cruz. Sentar aqui por alguns dez minutos e me distrair nas postagens é coisa que eu adoro. Por mim, ficaria até mais tempo, porém a realidade não é assim tão musical e divertida. Mesmo assim, não percam a paciência comigo. Eu tardo, mas não faltou. Eu falho, mas procuro corrigir 🙂
Vamos hoje com mais um disco daquele que foi sem nunca ter sido, ou seja Pierre Kolmann, um pseudônimo artista, encarnado pelo pianista gaúcho Britinho e provavelmente Waldir Calmon e outros, na série de discos dançantes lançados pela Musidisc, de 1957 a 63. Com este álbum completamos a trilogia para dançar de Pierre Kolmann, que era o concorrente direto dos discos do selo Rádio com Waldir Calmon. Esta é uma história polêmica que demonstra bem como eram os bastidores e recursos comerciais da indústria fonográfica brasileira. Pierre Kolmann foi, por certo, em toda a discografia encarnado por pelo menos três famosos pianista.
Neste terceiro volume, temos também um repertório misto, interpretando temas nacionais e internacionais que eram sucesso da época. Nisso tudo, o que eu mais gostei foi a capa. Ótima, não? Confiram o álbum…

saudades da bahia
anáguas de portugal
vício
mi ultimo fracaso
love me tender
tudo foi ilusão
tra-lá-lá
prece de amor
noite chuvosa
corde dela mia chitarra
confiança

Vamos Cirandar (1977)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Como ontem nós fomos de carimbó, que tal hoje partirmos para um ciranda? Vamos sair do Pará e ir agora para Pernambuco. É de lá que vem o álbum do dia, “Vamos Cirandar”. Este é um disco raro, lançado em 1977 pela Rozenblit através do selo Passarela, numa edição regional e limitada. Ao contrário do disco dos Bambucas, este foi concebido sem as mesmas pretensões comerciais. O produtor, Nelson Ferreira, procura aqui nos mostrar três autênticos e importantes grupos de ciranda de Pernambuco. Como podemos ver pela capa, temos 19 autênticas cirandas executadas pelos tradicionais grupos, a “Cobiçada” de Dona Duda; a do “Baracho” e a “Imperial”. Confiram…

ciranda “a cobiçada”:
vou falar de pernambuco
roberto carlos
sereia
lia, vem pra ciranda dançar
recife tem praias para se escolher
fui conhecer a paraíba
vida de pescador
ciranda “imperial”:
não vá pro mar
o meu navio
castelo de areia
lavadeira
ciranda do baracho:
esta ciranda quem me deu foi lia
morena, vem ver…
ciranda “a cobiçada”:
tomando umas e outras
baralho de ouro
uma moça me perguntou
ciranda “imperial”:
ô cirandeira
cirandeiro, eu vou-me embora

Os Bambucas – No Calor Do Carimbó (1975)

Olás! Hoje eu vou cutucar os amigos nortistas. Sei que muitas vezes eu não tenho dado a eles a devida atenção. Mas, aqueles que já me conhecem, sabem o que eu estou passando. A minha rapadura é doce, mas não é mole não. O bicho por aqui também tá pegando!

Foi pensando no norte que eu acabei indo de encontro ao Carimbó. Este ritmo, de origem amazônica e indígena é considerado por muitos pesquisadores como a base da música paraense. Como tudo e principalmente na música, o ritmo do carimbó, ao longo de sua existência sofreu diversas transformações e influências. Como o samba, o carimbó se adapta a diferentes estilos de música. Daí, muita coisa que a gente ouve pensando ser regional, na verdade não tem nada de original. Ou por outra, muito do que parece carimbó, tem apenas seu sotaque. O carimbó, nesse sentido, foi bastante explorado comercialmente por artistas que muitas vezes nem sabiam de onde veio aquilo. O cantor Waldick Soriano, por exemplo, teve a cara de pau de dizer certa vez em um programa de televisão que foi ele o inventor do carimbó. Mesmo apesar de ter sido ‘deturpado’ nacionalmente e de forma tão comercial, houve um aspecto positivo, que foi o de levar a música nortista para outros cantos do Brasil. Um dos nomes que mais ajudou a divulgar o carimbó foi o músico paraense Pinduca, considerado um dos precursores do carimbó elétrico, ou carimbó moderno, onde entram instrumentos como guitarras e teclados. É nessa linha e com quase nada de verdadeiro carimbó que o grupo “Os Bambucas” monta seu repertório. Temos aqui um lp lançado pelo selo Imperial em 1975, onde estrategicamente eles prepararam uma seleção musical variada, em sua maioria com temas de sucesso popular da época, que nada tinham a ver com o carimbó. Foram músicas adaptadas ao ritmo do batido do carimbó. Conforme frisou o pesquisador José Ramos Tinhorão, a única coisa boa nisso tudo foi “comprovar que o carimbó é uma batida aberta, uma forma livre de tocar qualquer outro ritmo popular”. Além do quê, não deixou de ser uma “boa tentativa de massificar um ritmo brasileiro”.
Falando apenas como um ouvinte festivo e curioso, acho este lp muito interessante. Vai cair muito bem em festas de despedidas de fim de ano. Eu mesmo já selecionei algumas daqui para alegrar e contrabalancear a euforia etílica da turma que trabalha comigo, em nossa festa que está para acontecer (glup!). Confiram o som…

severina xique xique – é proibido cochilar
acorda maria bonita – marinheiro só
sinhá pureza – carimbó no mato
forró de carimbó
no calor do carimbó
um a um – sebastiana
você zombou de mim – procurando tu
sapo cururu – morena eu caio
lobisomem no quintal – capim gordura
vô batê pá tu – eu só quero um xodó
vou me enforcar
ovo de codorna – o vira

Carlos Poyares E Seu Conjunto – Revendo Com A Flauta Os Bons Tempos Do Chorinho (1977)

Bom dia, amigos cultos e ocultos. De uns tempos para cá tenho percebido que os ‘toques mediúnicos’ nos Comentários, para os discos, estavam misteriosamente desaparecendo. Cheguei a pensar que os ilustres espíritos musicais estivessem zangados comigo. Mas acabei descobrindo o que estava acontecendo. O Blogger acionou automaticamente mais um recurso, o de bloquear ‘spam’ e eu nem notei que era isso. Haviam lá uma dezena de ‘toques’ filtrados e bloqueados. Era por isso que muitos de vocês estavam reclamando e eu sem entender. Agora tudo está resolvido 🙂
Bom, para começarmos bem a semana, aqui vai mais um disco do flautista Carlos Poyares. Este álbum tem a peculiariedade de ser o primeiro disco musical gravado pelo Estúdio Eldorado. Criado em 1972, este estúdio em seus primeiros anos, foi um dos mais modernos do Brasil, mas era usado exclusivamente para gravações de ‘jingles’ ou outras especiais. Em 1977, seus diretores resolveram iniciar a produção de discos. Escolheram para o toque inicial um artista e um tipo de música condizente como suas modernas mesas de 16 canais e mais ainda, que fosse um produto genuinamente nacional. Foi daí que surgiu “Revendo com a flauta os bons tempos do chorinho”, o primeiro disco da Eldorado.
Temos aqui um Carlos Poyares bem a vontade com seu conjunto, apresentando um repertório com dozes choros com gostinho de antigamente. Músicas que foram o sucesso popular antes mesmo da chegada dos discos e gravações. Há também espaço para duas faixas de autoria de Sivuca, “Choro Serenata”, música até então inédita e “Entardecendo”. Poyares é aqui o solista, arranjador e lider de um grupo de chorões da melhor qualidade. A gravação está perfeita!
Este álbum, assim como diversos outros do selo Eldorado, tiveram seus lançamentos ou novas tiragens/edições relacionados ou condicionados à brindes de fim de ano, oferecidos por grandes empresas. A Estúdio Eldorado, por ter essa viés na propaganda, vivia também de vender seus produtos dessa maneira. O presente álbum, por exemplo, foi também usado como brinde para a Terex GM.

choro serenata
variações sobre o urubu malandro
fala baixinho
gingando
cinco companheiros
encabulado
ingênuo
flor amorosa
entardecendo
brejeiro
um chorinho diferente
três estrelinhas

Dorival Caymmi – Caymmi E O Mar (1957)

Depois do disco de ontem, eu não resisti a tentação de ouvir do próprio autor suas canções. Me lembrei deste lp do Dorival que eu gosto muito. É difícil de acreditar, mas este disco (o que eu tenho aqui) com seus 53 anos de idade, foi tocado apenas 4 vezes, contando com a que gerou o nosso arquivo. Juro! Ganhei ele de um senhor amigo meu, que durante muitos anos foi vendedor de discos na saudosa Lojas Gomes, em Belo Horizonte. Acho que devo ter sido o último frequentador assíduo daquela loja na av. Afonso Pena. Eu ia lá quase todos os dias, principalmente porque era uma época em que as Lojas Gomes já estava encerrando as atividades. Haviam lá muitas promoções e eu fazia a festa comprando aqueles discos quase de graça. Passados mais de vinte anos, um dia encontro novamente esse moço e comento com ele sobre a minha paixão com os discos. Foi quando ele ofereceu, para a minha coleção, alguns discos que ainda guardava em casa. No dia seguinte lá estava eu batendo em sua porta. Posso dizer que dei muita sorte. Peguei com ele uns 40 discos, entre esses havia o do Dorival Caymmi, o qual ele até comentou só ter tocado uma única vez. De lá pra cá eu também não ouvi ele mais que duas vezes. Daí, pode-se dizer que ainda possui aquele ‘arzinho virginal’. A capa ficou um pouco amarelada, mas continua com todas as qualidades de um exemplar para exposição.
Este álbum, lançado pela Odeon em 1957, foi um dos primeiros 12 polegadas da gravadora. Na época, ainda reinavam os bolachões de 78 e mais ainda, os lps de 10 polegadas em 33rpm. Com a chegada dos disco de 12 polegadas, tornou-se possível álbuns extensos como este de Dorival Caymmi.
No caso de “Caymmi e o mar”, temos mais que apenas um disco de canções. Temos um álbum de histórias. Histórias do mar, de pescadores e de vidas praieiras que ninguém melhor que ele soube cantar. “Caymmi é um pescador que conta histórias do mar”. Na extensa faixa de abertura, Dorival nos apresenta a “História dos pescadores”, dividida em três partes, as quais são apresentadas e interpretadas por ele e também pelas cantoras Silvia Telles, Lenita Bruno, Odaléa Sodré Fernandes e Consuelo Sierra. As demais faixas, não precisa nem dizer, são músicas que fazem parte do nosso cancioneiro popular, clássicas e imortais. Canções que todo brasileiro deveria conhecer de cor. Simplesmente nota 10! Não deixem de conferir…

história de pescadores:
um velho pescador
a noiva
as esposas
promessa de pescador
dois de fevereiro
o vento
saudades de itapoan
noite de temporal
festa de rua
o mar