Tomaz Lima – Homem De Bem – Mantras Indianos (1989)

Que venha 2012!
Com último toque do ano, fica aqui a minha mensagem para todos os amigos cultos e ocultos. Que seja um ano mais iluminado e que esta luz possa clarear os caminhos de trevas os quais muitas vezes somos obrigados a percorrer. Que ilumine nossas ideias, nossos sentimentos de amor e fraternidade. O homem só vai ser de todo feliz quando souber compartilhar a sua felicidade.
Desejo a todos um ótimo ano, como muita saúde, paz e amor. O de resto virá como consequência!
Para fechar de vez nossas postagens, estou trazendo aqui algo para se ouvir com outros olhos, ouvidos e mente – mantras indianos para tocar logo que o ano novo nascer. Isso fará muito bem, podem acreditar!
Este disco foi lançado no final dos anos 80 pelo cantor, compositor, musicoterapeuta Tomaz Lima, também conhecido pelo nome artístico de “Homem de Bem”. Neste seu primeiro trabalho fonográfico, apoiado por uma grande gravadora, a RCA, ele conseguiu se projetar na mídia, levando à um público mais amplo o conceito musical dos mantras indianos. Acredito que tenha sido a primeira vez no Brasil que este tipo de música ganhou mais destaque e evidência. Mantra é uma espécie oração cantada, com sons repetitivos, que segundo os indianos, ajuda o homem a se energizar, trazendo-lhe a calma e o conforto, do corpo e do espírito. É algo bem mais complexo para se dizer em poucas palavras (embora sejam com poucas palavras que os mantras surtem efeitos). A mensagem do Homem de Bem é essa, a busca espiritual humana.
Tomaz Lima é também editor da Lótus do Saber e TTL Gravadora, uma das mais interessantes editoras brasileira dedicada a promover os milenares ensinamentos da filosofia indiana e seus correlatos orientais. No site da editora vocês irão encontrar muita coisa legal en termos de livros e discos lançados por eles.
Para fechar, vai aqui uma frase muito interessante do Tomaz Lima, que cai como uma luva num ambiente como este nosso: “Todos nós sabemos da importância do que comemos. Precisamos agora despertar para a importância do que ouvimos.”

madana morhana murari
baja shri krishna
hari om tat sat
bolo hare
maha mantra
shiva shankara
govinda jaya jaya
hare krishna hare rama
gopala
shri rama
om assatomá


Jacob Do Bandolim – Primas E Bordões (1962)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Eu ando mesmo perdendo a noção do tempo. Eu estava certo de que hoje era o último dia do ano, nem me toquei que ainda era dia 30. Já ia eu me preparando para levar a turma aqui de casa para ver os fogos na rua. Não fosse eles me avisarem, eu agora já estaria vestindo minha paramenta branca, tradicional de reveillon. Não sei se foi culpa do chocolate ou dos remédios que tenho tomado para dor. Depois que se passa dos 40, o bicho pega. Quando chega nos 50 é que então a gente percebe que o bicho tá na cola. Se não ficar esperto, ele come… A merda da coisa é quando a mente tá num pique dos vinte e poucos e o corpo acompanhado a realidade. Mas deve ser pior quando a mente também sucumbiu ao tempo. Sem essa, tô fora! Tô me sentindo agora muito melhor, sabendo que ainda tenho mais um dia no ano. Quer dizer, fiquei um dia mais novo, hehehe…

Eu havia planejado postar este disco do Jacob do Bandolim no primeiro dia do ano. E hoje, tivesse permanecido no engano, estaria aqui postando os meus votos de ‘feliz ano novo’. Vamos então passar o Jacob para o penúltimo dia do ano. Com certeza só irá abrilhantar nosso encerramento.
Eis aqui um belíssimo álbum, lançado em 1962, pela RCA Victor. Por certo, um lp bem conhecido de todos, divulgado em diversos blogs e sempre comentado quando o assunto é Jacob do Bandolim. Foi também relançado em 2006, no formato cd, pelo Instituto Jacob do Bandolim, dentro do livro “Tocando com Jacob”, onde foram publicadas as partituras, com transcrições para outros instrumentos e ainda os ‘play back’, de “Primas e Bordões” e “Chorinhos e Chorões”, para que se possa tocar, na base do ‘karaokê’ instrumental.
“Primas e Bordões” traz um belíssimo repertório de chôros e duas valsinhas, que hoje já se tornaram clássicos. Nem vou comentar. Mas vale destacar a presença dos músicos Benedicto César, Carlos Leite e Dino 7 Cordas, nos violões; Jonas Pereira da Silva, no cavaquinho; Luiz Marinho, no contrabaixo; o percussionista Pedro Santos (Sorongo) e os ritmistas Gilberto D’Avila, Plínio e Jaime, que fazem o som do Jacob ficar ainda mais rico. Uma beleza de disco que não poderia faltar aqui no Toque Musical. Confira aqui e corra depois atrás do livro/cd, que é ótimo!
teu beijo
falta-me você
araponga
minha gente
meu chorinho
glória
um bandolim na escola
naquele tempo
a gingra do mané
gorgulho
negrinha
o vôo da mosca

Billy Eckstine – Momento Brasileiro (1979)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Acabei por não postar mais um disco do Anisio Silva. Eu havia (quase) prometido mais um para hoje, com capa do César Villela, mas não rolou porque o disco que eu queria postar, embora tivesse todo o jeitão do ‘lay-out’ do César, não era da fase Odeon e como não havia créditos para esse disco, achei melhor deixá-lo para o ano que vem (tá logo ali…). Por consequência, decidi mudar o foco. Teremos hoje um artista internacional, Billy Eckstine.
Para os que não conhecem, Billy Eckstine foi um cantor, trompetista e ‘bandleader’ americano. Seu auge foi na época das ‘big bands’. Tocou com as mais diversas feras do jazz. Por sua orquestra passaram grandes nomes como Miles Davis, Dizzy Gillespie, Charlie Parker e Art Blakey. Passada a fase das ‘big bands’, Billy se dedicou exclusivamente à carreira de cantor. Tornou-se um cantor romântico, um tanto comercial, diga-se de passagem, mas sempre encantando com sua voz de assombração (no bom sentido, claro!) Uma assombração afinadíssima! hehehe…
Em 1979, Aloysio de Oliveira, convida Billy, seu velho conhecido, para gravar alguns temas famosos da música brasileira. Claro que a coisa aqui rola em torno da Bossa Nova, principalmente porque além do produtor, o arranjador e regente era Oscar Castro Neves. Este disco foi gravado na California (EUA), em janeiro de 1979 e contou com uma equipe muito boa de músicos, quase todos americanos. Como já foi observado por tantos, os arranjos de Oscar Castro Neves deram o tempero certo para a interpretação de magistral Billy. “Cidade maravilhosa” ficou ainda mais maravilhosa e quase irreconhecível, vestida de jazz. Em abril do mesmo ano, Aloysio trouxe os ‘masters’ para o Brasil, finalizando as mixagens com a inclusão de uma orquestra de cordas, gravando no Studio Sigla, Rio de Janeiro. Ficou, realmente, um trabalho exemplar. Um disco super gostoso de ouvir, principalmente numa festa de fim de ano 😉
Uma curiosidade… as capas sempre me chamam muito a atenção. Esta então nem se fala… Se tamparem com o dedo a área do bigode do ‘homi’, fica parecendo uma senhora, principalmente tendo ainda o colarzinho de pérolas, quase gargantilha, que ele leva no pescoço. Ah, esses americanos e suas bizarrices… Só para finalizar, observem que há também um outro colar, certamente de ouro, trazendo como pingente uma lâmina de fazer barba, tipo Gillette. Hum…, sei não… Esses americanos… hehehe…
cidade maravilhosa
i apologize
quiet nights (corcovado)
where or when
dindi
dora
dreamer (vivo sonhando)
you and i (voce e eu)
how insensitive (insensatez)

Anisio Silva – Canta Para Você (1959)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Felizmente, nesta última semana do ano, eu estou de folga, graças à Deus! Quero aproveitar o momento para colocar a ‘casa’ em dia, atender às pendências e preparar tudo para 2012. Continuaremos firme, enquanto pudermos resistir!

Hoje e mais uma vez eu quero trazer aqui outro disco do Anisio Silva, com capa assinada pelo César Villela. Taí um disco que venderia só pela capa, um estilo inconfundível que fez do Villela o melhor artista de capas do Brasil (pelo menos, eu acho).
Uma curiosidade que me chamou a atenção foi perceber o quanto o Anisio Silva, nessa época e neste disco se parece com o guitarrista e compositor mineiro Affonsinho (tocou no Hanoi Hanoi). Reparem bem, tirando o bigodinho é uma a cara do outro, hehehe…
Agora, falando do disco, temos aqui o baiano em um dos seus melhores trabalhos pela Odeon. desta vez acompanhado pelas orquestras dos maestros Astor, Gaya e Arcy Barbosa. Disco lançado em 1959, traz as tradicionais doze faixas, onde predominam os boleros, alguns inclusive, de sua própria autoria, como o sucesso “Onde estás agora”. Não deixem de conferir!
Se mais tarde eu ainda estiver animado, darei outro toque com Anísio Silva (e César Villela, claro!).
pressentimento
desilusão
onde estás agora
destino
desencanto
incompreendida
quero beijar-te as mãos
vai
palavras cruéis
devolva-me
tu, somente tu
não digo o nome

Anisio Silva – Com Oswaldo Borba E Sua Orquestra (1960)

Boa tarde/noite, amigos cultos e ocultos! Com este horário de verão a gente as vezes fica meio perdido… E por falar nisso, em estar perdido, eu hoje estou meio assim. Resolvi então fazer uma graça e atender aos pedidos de uma meia dúzia, que já a algum tempo vem me pedindo os discos do Anisio Silva. Sinceramente, devo confessar, o Anisio Silva é um daqueles artistas que eu nunca dei muita bola. Do pouco que conheço, sempre achei meio brega e mais ainda, a voz dele, sempre me pareceu brejeira e oscilante. Posso estar aqui falando bobagem, mas é o que eu penso. Por outro lado, uma coisa que sempre me chamou a atenção, foram as capas dos seus discos, mais exatamente as da fase na Odeon. Tem cada uma ótima, tanto em beleza quanto em curiosidades. Vejamos, por exemplo esta do disco gravado por ele e acompanhamento da orquestra do maestro Oswaldo Borba. Vejam que bela composição fotográfica, que resultado final bacana no ‘lay-out’. Pois é, só podia ser mesmo coisa do César Villela. E a fotografia, que com certeza foi feita numa 6×6, é de um tal Pierre (seria o Verger?). Vemos aqui um trabalho de arte gráfica de primeira linha. Para um estrangeiro, ao deparar com essa capa e à primeira vista, há de pensar que se trata de um músico de jazz. A arte tem todas essas características e consequentemente, tudo a ver com o grande Villela.

Bom, mas falando também do recheio, o disco em si, temos aqui uma seleção musical onde predominam os boleros. O Anisio Silva era um mestre nesse assunto e como poucos, talvez o único cantor romântico popular a vender milhares de discos, numa época em que a música brasileira estava sendo reformulada pela Bossa Nova. Anisio foi sempre um artista de sucesso, mas na minha opinião, acho que como cantor ele era um ótimo compositor. Porém, contudo e todavia, não deixo de reconhecer o seu talento e muito do seu repertório. Olhando e ouvindo a coisa com outros olhos, percebo que meu ranço está mesmo em sua interpretação, que certamente agrada a unanimidade. Por isso, quem sou eu frente a todos, prefiro não provocar… Melhor ainda, vamos ouvir… escutem daí que eu vejo de cá, estamos combinados? hehehe…
tu has de voltar
o mal da gente
meu amanhã
porque voltei
abra a porta por favor
há na saudade um segredo
tente sorrir
amar
noite e dia
nasci para te adorar
ausência
quero estar contigo

Januário De Oliveira, Quinteto Instrumental Columbia, Sirlene Brandão Nery – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 5 (2011)

Em sua quinta edição, o Grand Record Brazil nos leva ao início das atividades da gravadora Columbia. Na verdade, a Columbia, firma de origem americana, era representada, nessa época, pela empresa Byington & Cia., e tal concessão só foi possível graças ao empenho do também americano Wallace Downey, mais tarde produtor de filmes musicais para a Cinédia. Desta fase, oGRB nos apresenta seis raríssimas gravações. A primeira é do disco 5108, matriz 380338 (repare que nessa época, o número de catálogo dos discos Columbia era seguido da letra B, em ambos os lados, e este na verdade é o lado A), lançado em outubro de 1929, apresentando a valsa “Piraporinha”, de Alberto Candelízio, executada pelo Quinteto Instrumental Columbia. Esse disco seria relançado mais tarde, em 1939, com o número 55053. No verso, matriz 380339, temos a “Valsinha sertaneja”, de autor desconhecido. Em seguida, um disco de Januário de Oliveira (Rio de Janeiro, 1902-São Paulo, 1963). Sua discografia é quase toda na Columbia, com passagens pela Victor e Arte-Fone, num total de 59 discos com 103 músicas, entre elas a marchinhacarnavalesca “Quebra, quebra, gabiroba” , o motivo folclórico “Engenho novo” e a valsa “Cauã”, esta última de Sinhô. Januário aqui comparece com o disco 5208, e dois sambas. De um lado, matriz 380659, “Falsa jura”, de Pedro de Sá Pereira, também autor da clássica modinha “Chuá,chuá”. No verso, matriz 380660, “Macumbeiro”, composição de Mílton Amaral, autor também da célebre valsa “Folhas ao vento”. No acompanhamento, a Jazz-Band Columbia, liderada pelo maestro e pianista Gaó (Odmar Amaral Gurgel, 1909-1994), paulista de Salto. Foi lançado emjunho de 1930. Para encerrar, temos um raríssimo disco gravado por Silene Brandão Nery, filha da pianista Amélia Brandão Nery, mais conhecida por Tia Amélia. Ela só gravou dois 78 rpm para o carnaval de 1932, lançados bem em cima da folia, em fevereiro: um pela Victor e este pelaColumbia, todos interpretando composições da “mãezona” Tia Amélia. Aqui ela interpreta de um lado, matriz 381155, a marchinha “Não vá”, e no verso, matriz 381156, o samba “Reticências…”. Em ambos os lados, ela é acompanhada pela orquestra do maestro palestino Simon Bountman, que gravava na Odeon como Grupo Cassino Copacabana, Orquestra Pan American e OrquestraCopacabana. Na Parlophon, subsidiária da Odeon, gravava com o nome de Orquestra Parlophon(é claro), e na Columbia como “Simão e sua Orquestra Columbia”. Quer dizer, todas eram a mesmíssima orquestra… Enfim, mais três preciosidades para colecionadores que o GRB nos apresenta. Os irmãos Byington continuaram representando a Columbia americana até 1943, quando perderam a concessão da mesma para a Odeon, e isso levou o então diretor artístico da gravadora, João “Braguinha” de Barro, a criar um novo selo: Continental. E a matriz americana voltou ao Brasil, desta vez por conta própria, em 1953, transformando-se depois na CBS e convertendo-se na atual Sony Music.


macumbeiro – januário de oliveira e jazz band columbia
falsa jura – januário de oliveira e jazz band columbia
valsinha sertaneja – quinteto instrumental columbia
piraporinha – quinteto instrumental columbia
não vá – silene brandão nery
reticências – silene brandão nery

*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

Januário De Oliveira, Quinteto Instrumental Columbia, Sirlene Brandão Nery – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 5 (2011)

Em sua quinta edição, o Grand Record Brazil nos leva ao início das atividades da gravadora Columbia. Na verdade, a Columbia, firma de origem americana, era representada, nessa época, pela empresa Byington & Cia., e tal concessão só foi possível graças ao empenho do também americano Wallace Downey, mais tarde produtor de filmes musicais para a Cinédia. Desta fase, oGRB nos apresenta seis raríssimas gravações. A primeira é do disco 5108, matriz 380338 (repare que nessa época, o número de catálogo dos discos Columbia era seguido da letra B, em ambos os lados, e este na verdade é o lado A), lançado em outubro de 1929, apresentando a valsa “Piraporinha”, de Alberto Candelízio, executada pelo Quinteto Instrumental Columbia. Esse disco seria relançado mais tarde, em 1939, com o número 55053. No verso, matriz 380339, temos a “Valsinha sertaneja”, de autor desconhecido. Em seguida, um disco de Januário de Oliveira (Rio de Janeiro, 1902-São Paulo, 1963). Sua discografia é quase toda na Columbia, com passagens pela Victor e Arte-Fone, num total de 59 discos com 103 músicas, entre elas a marchinhacarnavalesca “Quebra, quebra, gabiroba” , o motivo folclórico “Engenho novo” e a valsa “Cauã”, esta última de Sinhô. Januário aqui comparece com o disco 5208, e dois sambas. De um lado, matriz 380659, “Falsa jura”, de Pedro de Sá Pereira, também autor da clássica modinha “Chuá,chuá”. No verso, matriz 380660, “Macumbeiro”, composição de Mílton Amaral, autor também da célebre valsa “Folhas ao vento”. No acompanhamento, a Jazz-Band Columbia, liderada pelo maestro e pianista Gaó (Odmar Amaral Gurgel, 1909-1994), paulista de Salto. Foi lançado emjunho de 1930. Para encerrar, temos um raríssimo disco gravado por Silene Brandão Nery, filha da pianista Amélia Brandão Nery, mais conhecida por Tia Amélia. Ela só gravou dois 78 rpm para o carnaval de 1932, lançados bem em cima da folia, em fevereiro: um pela Victor e este pelaColumbia, todos interpretando composições da “mãezona” Tia Amélia. Aqui ela interpreta de um lado, matriz 381155, a marchinha “Não vá”, e no verso, matriz 381156, o samba “Reticências…”. Em ambos os lados, ela é acompanhada pela orquestra do maestro palestino Simon Bountman, que gravava na Odeon como Grupo Cassino Copacabana, Orquestra Pan American e OrquestraCopacabana. Na Parlophon, subsidiária da Odeon, gravava com o nome de Orquestra Parlophon(é claro), e na Columbia como “Simão e sua Orquestra Columbia”. Quer dizer, todas eram a mesmíssima orquestra… Enfim, mais três preciosidades para colecionadores que o GRB nos apresenta. Os irmãos Byington continuaram representando a Columbia americana até 1943, quando perderam a concessão da mesma para a Odeon, e isso levou o então diretor artístico da gravadora, João “Braguinha” de Barro, a criar um novo selo: Continental. E a matriz americana voltou ao Brasil, desta vez por conta própria, em 1953, transformando-se depois na CBS e convertendo-se na atual Sony Music.

 
macumbeiro – januário de oliveira e jazz band columbia
falsa jura – januário de oliveira e jazz band columbia
valsinha sertaneja – quinteto instrumental columbia
piraporinha – quinteto instrumental columbia
não vá – silene brandão nery
reticências – silene brandão nery
* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO
 

Robledo – No Claridge (1957)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Espero que vocês tenham tido uma ótima noite de natal. Espero também que o Papai Noel tenha sido mais generoso para vocês do que tem sido comigo nos últimos anos. Se bem que eu neste ano não estou podendo reclamar muito não. Apesar dos pesares que me cercam, este Natal não foi melancólico ou triste. Está passando tranquilo, sem alto ou baixo astral. Para melhorar, estamos tendo por aqui um belo dia de sol, coisa rara, normalmente, o 25 de dezembro é só chuva. Diante ao céu azul que está lá fora, me fazendo esquecer qualquer tristeza, eu vou deixando de lado os cânticos natalinos para voltar às raridades que fazem da ‘casa’ um dos melhores pontos para quem escuta música com outros olhos. Vamos logo com essa postagem, pois a tarde está me chamando para umas voltas de bicicleta 😉

Tenho para esse domingo de natal um disco que vai bem como trilha. Um fundo musical da melhor qualidade para se passar o resto do dia, por exemplo, curtindo aquela garrafa de vinho que sobrou da ceia de ontem (acho que farei o mesmo após voltar das minhas pedaladas).
Vamos com este álbum raríssimo, o segundo LP lançado pela RGE, em 1957! Encontramos aqui o pianista argentino Robledo e seu conjunto, um dos mais requisitados e conhecidos da noite paulista nos anos 50. Curiosamente, hoje em dia, quase nada se fala dele, pelo menos aqui na rede. Foi difícil encontrar informações. Mas juntando daqui e dalí, fui descobrir que Robledo (Antonio Rogelio Robledo) veio de Córdoba para o Brasil na década de 40. Tocou em diversas casas noturnas, principalmente em boates de grande hotéis da época, como o Claridge. Fizeram parte de seu conjunto nomes como Caco Velho, Toninho Pinheiro, Sabá, Bolão, Ed Maciel e outras feras, que hoje, também, são pouco lembradas. Neste álbum, de 1957, que eu acredito ter sido o seu segundo lp, vamos encontrar um repertório aos moldes do que ele apresentava no Hotel Claridge. Ou seja, samba e jazz, dois elementos que irão de imediato nos remeter à Bossa Nova, que ainda estava por vir, em 59. Taí, um excelente disco, mais um presente de Natal 😉
robledeando
tédio
yes sir, that’s my baby
conceição
lullaby of birdland
molambo
carioquinha
these are thing – want to share with you
maracangalha
ave maria
coração triste
favela

Côro Infantil do Club dos Garotos G9 – O Natal Já Vem…

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Guardei para hoje, noite de natal, este raríssimo álbum natalino, em 78 rpm. Eis um disco dos mais interessantes, que só podia mesmo aparecer aqui no nosso Toque Musical. Este disco, o qual eu não consegui localizar a data de lançamento, traz duas peculiaridades que fazem dele um disco singular e até mesmo histórico. Começamos pela capa, que na verdade, na época dos 78 rpm não tinha outra função a não ser a de proteger, ou, embalar a bolacha. Aqui ela também é feita para isso, mas foi talvez uma das primeiras a apresentar uma arte ilustrativa, com um conceito gráfico agregado. Eu suponho que este disco seja do final dos anos 50, muito embora a ilustração nos remeta aos anos 30 ou início dos 40. Outro diferencial neste disco é a quantidade de faixas. Normalmente, os discos de 78 rpm mais comuns, apresentavam apenas duas músicas, uma de um lado, outra do outro. Neste, ao contrário, temos oito, como passou a ser nos primeiros microsulcos de 33 rpm e dez polegadas. Pode talvez parecer impossível em 78 rotações e em um disco de 10 polegadas, conseguirem colocar mais que duas músicas. Acontece que isso é apenas uma questão de divisão do espaço e tempo. Ou seja, num espaço onde cabe uma música de até 4 minutos, pode-se por 4 de um minuto. Foi o que sucedeu… Pela numeração do selo, SE 001, fica claro que este foi o primeiro disco de uma Série Especial. Foi, talvez, um disco experimental e para tanto, nada melhor que uma produção especial, um disco de natal.

Temos assim, oito temas natalinos adaptados em cantigas de roda, com versos de Luiza Margarida e interpretação do Côro Infantil do Club dos Garotos G-9, sob a regência de Zita Martins. Esses nomes entram no texto mais por definição de créditos. Infelizmente eu não encontrei nenhuma informação sobre eles ou mesmo sobre o disco. Fica o assunto em aberto para complementos e comentários.
Finalizando, quero mais uma vez desejar a todos uma noite feliz de natal. Que seja hoje o nosso momento de maior reflexão sobre o verdadeiro sentido dessa natividade. É o momento onde podemos perceber melhor a nossa condição individual de fragmento… Do fragmento divino! Somos parte Dele 🙂 Quando nos unimos, nos encontramos e estamos juntos, podemos sentir melhor a Sua presença. Nesta noite de natal, procure não ficar sozinho, mesmo não tendo, fisicamente ao seu lado qualquer outro ser vivo. Quem tem consciência dessa condição, de fragmento, mesmo afastado consegue pela força do coração se agrupar e dar forma ao “Corpo Divino”. Putz, comecei a divagar… deve ser o chocolate… bolo de chocolate (uauuuu…)
FELIZ NATAL A TODOS!
o natal já vem…
o cravo
vamos maninha
o pastorzinho
nesta rua
lá no cimo
ciranda cirandinha
mal ninguém me quer

Feliz Natal – Vários (1978)

Na sequência, aqui vai mais um para encher o saco do bom velhinho, hehehe… Desta vez temos um álbum lançado em 1978 pelo selo Phonodisc. Uma coletânea de fonogramas natalinos com diferentes artistas da Continental. São, naturalmente, os sempre mesmos temas clássicos de Natal. Porém, vale a pena ouvir diferentes versões e interpretações, não é mesmo?

Confiram aí, porque eu aqui já vou dormir 🙂
feliz natal – waldomiro lemcke e walter forster
jingle bells – poly
o velhinho – papi galan
noites silenciosas – poly
boas festas – poly
natal das crianças – papi galan
sonho de natal – josé leão
natal de minha terra – francisco petronio
pinheirinho agreste – poly
adeste fidelis – papi galan
trenéo de papai noel – poly
jingle bells – os incríveis
sinos de amor – the bells
fim de ano – papi galan

Orquestra Esquena De Natal – Noite Feliz De Natal (196?)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Ontem eu acabei furando com vocês. Foi uma das poucas vezes em que eu fiquei sem ‘bater o ponto’. Realmente, ontem não deu, nem para marcar o dia. Não pensei que eu fosse ficar assim tão atarefado nesses dias, embora estejamos próximos de natal e ano novo. De qualquer forma, acho que está tudo bem. Pelo visto, ninguém notou a minha ausência e por certo minha presença nessa hora é mesmo irrelevante. Mas tenho certeza que em breve isso muda.

Hoje vou postando o disco que seria de ontem e se ainda me sobrar tempo, teremos outro. Uma overdose de temas natalinos para ninguém botar defeito. Temos assim, este álbum, o qual eu não consegui localizar a data de lançamento, mas tudo indica ter sido no início dos anos 60. Trata-se de um lançamento pelo obscuro selo Esquema. Na contracapa podemos ler que os temas musicais são interpretados pela Orquestra Esquema de Natal. Pelo nome, deve ser uma orquestra formada por músicos da gravadora, que eu também não faço a menor ideia de quem sejam. Ao contrário do que aparenta – mais um disquinho bobo de natal – este traz um repertório da melhor qualidade, com temas autênticos e muito bem apresentados, sendo duas músicas para cada faixa. A Orquestra Esquema de Natal me surpreendeu e vai agradar a vocês também. Confiram esta “Noite Feliz de Natal” 🙂
noite feliz – anjos da terra
boas festas – alegria dos sinos
o velhinho – natal, paz e amor
natal das crianças – voltam os sinos a repicar
é natal – menino operário
white christmas – é noite de natal
jingle bells – flores de noel
natal de jesus – meu presente
mensagem de natal – papai noel há de vir
natal sem você – minha canção
silver bells – noites de dezembro
o tannembaum – estrela guia

Orquestra Ribeiro Bastos – Matinais Do Natal – Padre José Maria Xavier (1979)

Boa noite, amigos! Como ontem, hoje estou repetindo a mesma façanha, inicio a postagem do dia já no fim da noite. Inclusive, o disco de hoje deveria ter sido postado logo pela manhã, afinal, são as “Matinais do Natal do Padre José Maria Xavier. Mas não houve mesmo jeito, melhor guardar para a amanhã, bem cedinho vocês poderão ouvir 🙂

As Matinais do Natal do Padre José Maria Xavier são executadas a cada ano, em são João Del Rei, Minas Gerais, pelas duas antigas corporações musicais da cidade. Não se realizando mais o ofício de Matinais, os responsórios são tocados em diferentes momentos das missas, durante todo o período natalino.
Quem executa as obras musicais é a tradicional Orquestra Ribeiro Bastos, formada por músicos amadores de São João Del Rei. Este foi o segundo disco gravado por eles. É uma importante contribuição, como um documento musicológico, registrando rigorasamente a maneira como essas Matinais do Natal são executadas agora, dentro da linha interpretativa do passado, em São João Del Rei.
invitatorio
responsório I
responsório II
responsório III
responsório IV
responsório V
responsório VI
responsório VII
responsório VIII

Francis Chapelet – Natal Em Mariana (1986)

Boa noite, amigos cultos e ocutos! Tenho apenas dez minutos para salvar o dia. Hoje, tudo foi muito corrido, só agora estou tendo aquela brecha. E antes que ela se feche, aqui vai o disco de hoje. No clima de natal, para ninguém reclamar 🙂

O nosso álbum traz um registro do som do raríssimo orgão Arp Schnitger, da Catedral da Sé Mariana, cidade história mineira, bem próxima de Belo Horizonte. O lp nos apresenta um momento especial, quando este antigo orgão volta à cena, restaurado e pronto para cumprir sua missão, levar música àquela cidade e ao mundo (que for lá ver, claro). Pois bem, temos aqui o Concerto de Natal de Mariana. O Orgão Arp Schnitger é tocado por um mestre organista, o francês Francis Chapelet. Em 1984 o orgão foi totalmente recuperado, voltando a ser uma das grandes atrações de Mariana. O orgão esteve ativo na igreja desde a sua aquisição, em 1752, sendo tocado ininteruptamente até 1937. Só voltou a ser ouvido em 1984 e em 86 fizeram esta gravação, bem próxima do Natal. Os temas aqui apresentados são obras musicais do século XV a XVII. Este álbum foi uma produção independente, produzido pela Fundação Cultural da Arquidiocese de Mariana.
Eu acredito que no álbum havia um encarte dando informações mais completas, infelizmente, este eu não tenho. Não bem por conta disso, mas pela minha total ignorância musical, no que diz respeito à música clássica e erudita. Vergonhosamente, eu assumo que não soube separar as faixas deste disco. Assim, vai por inteiro, lado A e lado B.
louis claude d’aquin (1694-1772) – noel em sol
anônimo séc. XVI – villancico “jesu cristo, hombre y dios”
anônimo séc. XVI – villancico “de la virgen que parió”
johann sebastian bach – “do alto do céu venho eu”
johann sebastian bach – “este dia tão cheio de alegria”
samuel scheidt (1587-1654) – “ah, tu,belo cavaleiro
anônimos europeus dos séculos XV a XVII
jan pieterszoon sweelinck – variações sobre a canção “minha jovem vida terá um fim”
jan pieterszoon sweelinck – variações sobre a canção “sob as verdes tílias

Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Especial De Natal (2011)

É Natal, e a quarta edição do Grand Record Brazil, como não poderia deixar de ser, entra nesse clima de festa e fraternidade, apresentando mais uma seleção de raríssimas gravações.

Para começar, temos o “cantor que dispensa adjetivos”, Carlos Galhardo. Ele apresenta aqui justamente a música que inaugurou o gênero “musica natalina” entre nós: “Boas festas”, composta pelo baiano Assis Valente. Só que aqui, trata-se da segunda gravação da música, feita na Victor em 21 de novembro de 1941, matriz S-052428, sob número de disco 34865-A. O registro original data de 1933, com acompanhamento dos Diabos do Céu de Pixinguinha (aqui é com a orquestra do maestro Passos) e foi justamente com esta música que Galhardo se projetou nacionalmente. Foram vendidas tantas cópias do disco original que a matriz de cera ficou gasta de tanta prensagem, e isso fez com que Galhardo registrasse a música novamente em 1941, o que faria em outras oportunidades. No lado B, matriz S-052429, uma música então inédita: “Sonho de Natal”, outra marchinha, de autoria de Sanches de Andrade. Detalhe intrigante: registra-se como mês de lançamento desse disco o de janeiro de 1942, já perto do carnaval! Dá pra entender? Enfim… Galhardo encerra sua participação nesta edição natalina do GRB com a singela canção “Feliz Natal”, escrita por Peterpan (José Fernandes de Paula, Maceió, AL, 1911-Rio de Janeiro, 1983) e pelo jornalista e poeta Giuseppe Artidoro Ghiaroni (Paraíba do Sul, RJ, 1919-Rio de Janeiro, 2008), que trabalhou na Rádio Nacional (onde escreveu “Mãe”, uma das novelas de maior sucesso da emissora da Praça Mauá, que foi até levada ao cinema) e também assessorou Chico Anysio na TV Globo, quando este fazia a clássica “Escolinha do Professor Raimundo”. Galhardo gravou a música na RCA Victor de sempre em 4 de agosto de 1950, matriz S-092728, com lançamento em outubro (por aí se vê que antecedência nesses casos sempre foi fundamental), com o número 80-0697-A. Há também um registro posterior de Emilinha Borba, cantora da qual Peterpan era cunhado, feito um ano depois deste original de Galhardo, e a “favorita da Marinha” cantava a música todo santo Natal em suas apresentações na Nacional. Outra autêntica raridade é o disco da Continental com o número 15947, gravado em 20 de agosto de 1948 e lançado entre outubro e dezembro do mesmo ano. No lado A, matriz 10936-2, o coro Continental, dirigido por Alberto W. Ream, interpreta “Ó pinheirinho de Natal”, versão de Nice do Val para a canção “Tannenbaum”, de origem alemã, cuja versão mais conhecida foi escrita em 1824 pelo organista, professor e compositor Ernst Anschutz. A melodia é de origem folclórica, e sua primeira letra conhecida data de 1550. No lado B, matriz 10937-2, o próprio Alberto W. Ream interpreta a canção “Ó noite santa”, do compositor e crítico musical francês Adolphe Charles Adam (1803-1856), sem indicação do autor da versão. Alberto W. Ream foi missionário metodista, fundador da Escola de Música Sacra do Colégio Bennett e também ministro de música da Union Church (RJ), professor, compositor e escritor, autor de várias obras sobre música sacra.
Em seguida, “o rouxinol do Brasil”, Dalva de Oliveira, comparece com um disco gravado em 1952, nos estúdios londrinos da EMI, durante sua vitoriosa temporada pela Europa, com acompanhamento orquestral, regência e piano de Roberto Inglez, que apesar do nome era escocês de Elgin (seu nome era Robert Inglis, e o sobrenome mais próximo em português e espanhol é Inglês). Lançado pelas Odeon em seu selo azul internacional com o nr. X-3372, o disco traz duas músicas natalinas tradicionais: no lado A, matriz CE-14164, ela interpreta “Noite de Natal”, que nada mais é que a famosa “Noite feliz”, com uma letra de Mário Rossi diferente da que se costuma cantar. Seu título original é “Stille Nacht, heilige Nacht”, e a música surgiu em 1818, vejam vocês, por um capricho de ratos que entraram no órgão da igreja de Arnsdorf, Áustria, e roeram os foles! Aí, o padre Joseph Mohr saiu atrás de um instrumento que pudesse substituir o órgão (perigava de o Natal daquele ano não ter música) e começou a imaginar como teria sido a noite em que nasceu em Jesus, em Belém. Fez anotações, e procurou o maestro Franz Gruber para musicá-las. Deu no que deu: um clássico imortal! No lado B, matriz CE-14165, outra versão de Mário Rossi, “Lindo presente”, para “Adeste fideles”, um dos mais conhecidos hinos natalinos, com melodia atribuída ao britânico John Francis Wade, e cuja letra inglesa mais conhecida é do padre católico Frederic Oakeley, com o título “Oh come all ye faithful”.
Em seguida um bolachão inquebrável da Philips, nr. P61058H, de 1960 (lançado em dezembro, claro), trazendo um cantor português que teve imensa popularidade entre nós: Francisco José (1924-1988), aquele da música “Teus olhos castanhos”. Aqui, acompanhado pelos Pequenos Cantores da Guanabara, ele interpreta duas canções tradicionais do gênero natalino: outra vez “Noite feliz”, agora em versão do cantor e compositor Paulo Tapajós (que integrou o Trio Melodia com Albertinho Fortuna e Nuno Roland), e “É Natal”, outra versão de Tapajós, agora para “Jingle bells”, composta em 1850 pelo americano James Lord Pierpont, e publicada sete anos mais tarde com o título “One horse open sleigh”. A versão brasileira mais conhecida é a de Evaldo Ruy (“Sinos de Belém”), gravada em 1951 por João Dias.
Prosseguindo, duas notáveis cantoras brasileiras. A primeira é Lana Bittencourt, que se faz presente com o disco Columbia CB-10388-B, matriz CBO-1206, lançado ao apagar das luzes de 1957, trazendo o fox “Feliz Natal”, da dupla Klécius Caldas-Armando Cavalcanti, responsável por inúmeros hits de meio-de-ano e carnaval. “Feliz Natal” foi lançada originalmente por Dick Farney, em 1949, e o registro de Lana também saiu no LP-coletânea “Nosso Natal”, igualmente postado no Toque Musical. Zezé Gonzaga (Manhuaçu, MG, 1926-Rio de Janeiro, 2008), por sua vez, interpreta “Um sonho que sonhei (Marcha dos anõezinhos)”, de autoria de dois expressivos compositores: Alcyr Pires Vermelho e José de Sá Roris, este último parceiro de Nássara no clássico carnavalesco “Periquitinho verde”, de 1938. Zezé lançou esta simpática marchinha ao apagar das luzes (mais um!)de 1951, pela Sinter, com orquestração e regência do sempre eficiente Lírio Panicalli, e o número 10.00.114-B, matriz S-245. O último trabalho de Zezé em disco foi o CD “Sou apenas uma senhora que ainda canta”, lançado em 2002 pela Biscoito Fino.
E, para encerrar com chave de ouro, o Rei da Voz, o eterno Francisco Alves, em disco gravado na sua Odeon de sempre em 5 de dezembro de 1950, mas só lançado um ano depois, ou seja, em dezembro de 51. De qualquer forma a espera valeu a pena. No lado A, a “Canção de Natal do Brasil”, matriz 8876, parceria dele com David Nasser (jornalista que inclusive fez uma série de reportagens sobre Chico na revista “O Cruzeiro”, mais tarde publicadas no livro “Chico Viola”) mais Felisberto Martins, então diretor artístico da “marca do templo”, e a matriz 8877, o lado B, tem “Sinos de Natal”, de Victor Simon e Wilson Roberto. Lembrando que Victor Simon fez também a clássica “Bom dia, café”, sucesso de 1958 na voz de Roberto Luna.
Estas são as relíquias natalinas que o GRB, em sua quarta edição, nos oferece. A todos os amigos cultos e ocultos do Toque Musical, os meus mais sinceros votos de um Natal maravilhoso, e um ano novo repleto de alegrias, realizações e conquistas!
*SAMUEL MACHADO FILHO

boas festas – carlos galhardo
canção de natal do brasil – francisco alves
é natal – francisco josé e os pequenos cantores da guanabara
feliz natal – carlos galhardo
feliz natal – lana bittencourt
lindo presente – dalva de oliveira
noite de natal – dalva de oliveira
noite feliz – francisco josé e os pequenos cantores da guanabara
ó noite santa – alberto w. ream e côro continental
ó pinheirinho de natal – côro continental e alberto w ream
sinos de natal – francisco alves
sonho de natal – carlos galhardo
um sonho que eu sonhei – zezé gonzaga


The Pop’s – Feliz Natal (1969)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Entramos de vez no espírito natalino. E como não poderia deixar de ser, um momento para se ouvir aquilo que um dia tocou no nosso Natal. Cada ano é um pouco diferente, as vezes triste, as vezes melancólico, mas sempre, em seu brilho e cores, faz nascer uma alegria e uma esperança, que acaba transformando o Natal em uma grande confraternização. Eu não sei explicar o sentimento que há em mim, quando vejo essas bolas de vidro coloridas de Natal. Hoje elas já nem são mais de vidro como as de antigamente. Elas eram lindas, encantadoras em seus reflexos, cores e tamanhos variados. Ah, que saudade daquele tempo em que a gente sentava na sala para ir montando aquela árvore, o pinheirinho cheio de bolinhas coloridas, luzes, algodão e isopor para ficar parecendo neve… Putz, que tempo bom! Me lembro que sempre deixávamos quebrar (sem querer, claro) algumas daquelas bolinhas e depois aproveitávamos os cacos para fazer cerol para passar nas linhas dos nossos papagaios (pipa). Ah, como era bom aqueles tempos! Ver essas bolas de Natal sempre me remetem à essas lembranças.

Este disco do The Pop’s é a personificação do meu saudosismo natalino. Como outros, este álbum também fez parte de muitos dos meus ‘natais’. Tinhamos esse disco em casa, depois, nunca mais vi. Fui reencontrá-lo certa vez no Loronix. Hoje, organizando minha ‘discoteca virtual’, coincidentemente achei o arquivo. Como ando sem condições para comprar de imediato um novo amplificador e tenho que lançar mão do que tenho já digitalizado, vou um pouco mais além, pego emprestado este The Pop’s, do Zecaloro, para começar o nosso Natal. Já pedi ao Papai Noel um novo amplificador, mas ele até agora não se manifestou. Quem sabe, através dos amigos cultos e ocultos, alguns entre vocês tenham um melhor relacionamento com o bom velhinho do que eu. Como o grande dia ainda está por vir, vou esperar ansioso, como quando eu era criança, rezando para o Papai Noel trazer atender ao meu pedido. Quem sabe ele ainda tenha atenção para essa criança aqui de 50 anos? Vou emocionar… 🙂
noite feliz
o tannenbaum
valsa da despedida
sleigh ride
o bom velhinho
e nasceu jesus
jingle bells
natal das crianças
boas festas
aleluia
adeste fidelis
white christmas

FM Stéreo – Disco 6 (1983)

Boa noite dia, amigos cultos e ocultos. Finalmente, a maioria de vocês agora terão uma fonte de água pura, onde todos poderão beber e matar a sede sem se preocupar com a chegada do lobo mau. Obviamente, eu estou me referindo à chegada ao Brasil do ITunes. Como no Brasil se reza a mesma cartilha dos americanos (embora não se coma, não beba e não se viva como eles), teremos em breve toda a música ‘relevante’ brasileira nas mãos dos gringos. Se antes eles já mantinham alguns direitos sobre muitas obras brasileiras, agora então é que eles vão nadar de braçada e, claro, cercar de todas as formas possíveis seus investimentos. Isso, em outras palavras quer dizer, “bye bye blogs de música!”, “saí fora Toque Musical!” Isso para mim, é evidente. É só uma questão de tempo, ou alguém aí ainda duvida? Prejudicada pela ação dos blogs, essa turma vai entrar de sola, calando a boca e os ouvidos de quem vai contra ela. Por certo que num primeiro momento o Toque Musical ainda resistirá, ou será pouco molestado, afinal, por aqui a gente ainda não postou a Ivete Sangalo, a irmã loira dela, Claudia Leite e toda essa turma que hoje representa a produção artística (?) brasileira. Outros ‘medalhões’ como Roberto Carlos, Caetano Veloso, Milton, Chico, Gil e por aí a fora, isso sem falar na ‘velha guarda’, aos poucos nos serão também tirados. Por essas e por outras, vamos aproveitar o último momento, enquanto podemos compartilhar nossas afinidades.

Aqui vai o último disco da caixa “FM Stéreo”, finalizando assim esta postagem estendida, ministrada em doses homeopáticas 🙂 Temos reunidos medalhinhas e medalhões, artistas e sucessos garantidos e que todos já conhecem e esperavam. Músicas extraídas dos discos Polygram, selo Fontana, ao longo de três décadas. Aproveitem a ocasião 😉
tudo transformou – caetano veloso
o bem do mar – marília medalha
agora – ivan lins
não quero ver você triste – claudette soares
serenata para dois – wilson simonal
menino bonito – rita lee
retiros espirituais – gilberto gil
canto triste – elis regina
preciso aprender a ser só – os cariocas
sua estupidez – gal costa
a hora do trem passar – raul seixas
resposta – maysa
a sombra de uma árvore – hyldon
chão de estrelas – jair rodrigues

Eletro Fluminas (2001)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Os comentários andam escassos, será por falta de tempo ou de ter o que falar? Suponho que seja pelos dois e mais motivos… Talvez os títulos não venham correspondendo ao público certo, ultimamente eu tenho me dedicado mais aos velhos álbuns e seus artistas e entre esses, muitos já foram também postados em outros blogs. Bom, infelizmente eu não tenho tempo e nem paciência para sair pesquisando para saber se o disco que eu quero apresentar foi ou não já postado em outro lugar. O álbum de hoje, por certo, poderá ser encontrado em outros blogs, mas para que o Toque Musical continue mantendo a sua máxima de ‘ouvir com outros olhos’, é preciso sacudir o baú, misturar bem esses discos e ter a sorte de escolher algo diferente do que foi o dia anterior. Geralmente, nas sextas, dia de disco/artista independente, sempre tem algo diferente. É o caso do Eletro Fluminas. Um projeto musical concebido entre os anos de 1998 e 2000 pelos músicos Márcio Lomiranda, Paulo Rafael e Taryn Kern Szpilman. Durante esses dois anos o trio esteve reunido, criando um trabalho que mescla a experiência musical e individual de a cada um dos seus integrantes, além de suas influências. Trata-se de um disco com diferentes abordagens, passando pelo rock, pop, world… com pitadas doces salgadas e apimentadas, sempre apoiado no som eletrônico. Sem dúvida, na união desse trio encontraremos uma música composta, uma soma de elementos diferenciados que resulta em algo inclassificável, mas de extremo bom gosto. Para aqueles que ainda não se situaram na parada, Márcio Lomiranda é um músico, compositor, arranjador e produtor mineiro, que há anos vive no Rio de Janeiro. Fundou a Musimagem Brasil, uma associação de compositores de música para audiovisual. Já trabalhou com grande nomes da música nacional e internacional. Paulo Rafael já se tornou uma lenda, um dos maiores guitaristas brasileiros. Foi integrande do grupo pernambucano Ave Sangria, depois passou a tocar na banda do Alceu Valença (acho que toca até hoje). Me parece que atualmente ele mora no Rio e continua mandando bala 🙂 Finalmente, temos a Taryn Szpilman, uma cantora carioca super versátil, que eu acho ótima. Grande revelação musical nesta década, pena que para se encaixar nesse mundo ‘midiático’ ela acabe absorvendo trejeitos a la Amy Winehouse (o que não é ruim, pero…) Mas, longe de qualquer comparação, Taryn é uma excelente cantora e acima de tudo, uma gata (muito mais que a Amy). Ainda vamos ouvir muito falar dessa moça, podem acreditar.

baloô
stay together
espuma dos dias
bewere of darkness
ela e eu
black dog – sol e chuva
loopiano naná e jurim
a gente tá viajando por alguns dias
love love lovemapa de viagem
cavalo do cão
nightie night
zappa from heaven
what the world needs now is love

Tito Madi – Romance (1960)


Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Eu já devia ter me acostumado com as chuvas que caem por aqui no fim do ano, mas a de hoje pela manhã valeu pela temporada. Putz, como chove nessa cidade! Acabei ficando preso em casa (eu é que não sou bobo de sair num transito desses) e enquanto isso, adianto o que ficou no atraso e aproveito para fazer também nossa postagem.
Não é por acaso que eu hoje estou postando outro disco do Tito Madi. Quando chove, logo automaticamente me vem a cabeça o “Chove lá fora” do Tito Madi. Foi por conta desta canção que eu então decidi quem viria hoje nos embalar. “Romance” é um álbum de 1960, lançado pelo selo Columbia. Não tem o “Chove lá fora”, mas traz outras belas canções que caem como uma luva para se ouvir num dia chuvoso assim. Tito Madi vem acompanhado pela orquestra de Lyrio Panicali, que cuidou dos arranjos e regência. Destaco (sem bairrísmo) a gostosa bossa, “Pouca duração”, de Pacífico Mascarenhas. Adoro essa música 🙂
a menina sonha azul
a canção da esperança
ternura antiga
malagueña
cansaço
pedrinhas de cor
aí de mim
amor em pedaços
nunca me esqueça
mi ducha lejana
a voz dos sinos
pouca duração

Morgana – A Romântica (1963)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Temos aqui, mais uma vez, a cantora Morgana em um álbum de 1963. Neste lp ela nos traz um repertório bem condizente com esse romantismo intitulado. Músicas de autores bem variados, o que dá ao álbum um carácter mais abrangente, agradando gregos e troianos. Encontraremos aqui músicas de João Roberto Kelly, Alcyr Pires Vermelho, Dalton Vogeler, Vera Brasil, Rildo Hora, Ed Lincoln e por aí a fora… Este leque de variedades se dá também nos arranjos e acompanhamentos. Temos em diferentes faixas a presença das orquestras regidas por Pachequinho, Guerra Peixe, Sylvio Tancredi, Ted Moreno e Moacyr Santos. Vamos conferir? 🙂

nem deus
espero por ti, meu amor
confessa agora
meu grande amor
adeus à solidão
quatro letras
vê… lembra e pensa
tema do amor triste
tu
canção do amor perdido
mágoa
tristeza triste

Orquestra De Lyrio Panicali – Nova Dimensão (1964)

Boa tarde cultos e ocultos! Como eu havia dito, estou terminando o ano às custas do acervo já digitalizado e daqueles chamados ‘de gaveta’. Tudo isso por conta do meu amplifcador que pifou. Até segunda ordem, vamos por lenha no estoque.
Eis um disco que eu sempre pensei em postar aqui no Toque Musical, mas diante a tantas outras fontes fornecendo o mesmo conteúdo, a coisa acabou perdendo a graça. ‘Coisa’ não, alto lá! “Nova Dimensão” é na verdade um senhor disco, talvez o que eu mais gosto entre os trabalhos de Panicali. Neste lp, lançado pela Odeon em 1964, ele realmente toma uma nova dimensão, orquestrando com categoria a música moderna, então em voga, a Bossa Nova. O resultado é primoroso, moderno também para orquestra. Lyrio Panicali nos apresenta doze temas de autêntica bossa, em arranjos de tirar o chapéu. E isso também se deve muito ao fato de ser um dos raros discos gravados em estéreo naquela primeira metade dos anos 60 aqui no Brasil. Quem ainda não topou com este lp em outros blogs, aproveita aqui a ocasião 😉

lágrima flor
caranval triste
consolação
vou andar por aí
deus brasileiro
desafinado
lobo bobo
nanã
balanço zona sul
labareda
batida diferente
garota de ipanema

Belo Horizonte 114 Anos!

E Belo Horizonte completa hoje 114 anos de fundação. Parabéns Belô! Só quem conhece seus encantos sabe lhe dar valor. No mundo há muitas cidades para se conhecer, mas para morar, prefiro a minha Beagá 😉
Como eu nunca manifestei aqui diretamente sobre a cidade onde escolhi viver, achei nesta data comemorativa o melhor momento. E para saudá-la estou deixando aqui uma valsa de Anacleto Rosa Jr. e Arlindo Pinto, gravada pelo cantor Solon Salles (ou Sólon Sales) em 1948, pela Continental. Este fonograma faz parte da série que venho digitalizando a partir das bolachas de 78 rpm para o nosso selo virtual “Grand Record Brazil”. Em breve teremos mais Solon Salles, com resenhas do nosso amigo Samuel.
Fica aqui o meu abraço à Belo Horizonte. Parabéns BH!

Tito Madi, Juca Chaves, Jonas Silva E Baden Powell – Seleção 78 RPM Do Toque Musical (2011)

O Gran Record Brazil chega à sua terceira edição, e apresenta relíquias do final da década de 1950, começo da de 60, que certamente se constituem em autênticos presentes de Papai Noel para colecionadores.

Para começar, um nome que dispensa qualquer tipo de apresentação: Chaiki Madi, aliás Tito Madi, paulista de Pirajuí. E ele abrilhanta a terceira edição do GRB com seu 78 rpm de estreia na gravadora Colúmbia, futura Sony Music, lançado ao apagar das luzes de 1959 (certamente em dezembro) com o número 3101, já emplacando dois sucessos estrondosos, com orquestração e regência de Lírio Panicalli (Queluz, SP, 1906-Niterói, RJ, 1984), autêntica fera do setor. Abrindo o disco, matriz CBO-2172, uma joia inspiradíssima de Luiz Antônio: “Menina-moça”, que fez parte da trilha sonora do filme “Matemática, zero… amor dez”, comédia dirigida por Carlos Hugo Christensen, filmada em cores (Agfacolor) e estrelada por Alberto Ruschel e Suzana Freire, tendo também no elenco Jayme Costa, Agildo Ribeiro, Heloísa Helena (não confundir com a política fundadora do PSOL), entre outros. E “Menina-moça” era o tema principal da película, cuja trilha sonora também saiu em LP pela Colúmbia (apenas o lado A foi disponibilizado em blogs). Teve inúmeras gravações, mas a melhor continua sendo a de Tito Madi. O lado B, gravado oito matrizes depois (CBO-2180) é outro carro-chefe do autor de “Chove lá fora”, mais um produto de sua inspiração: o belo samba “Carinho e amor”, outra pérola imperdível do cancioneiro romântico, e também regravada inúmeras vezes, inclusive pelo próprio Tito. “Carinho e amor” também fez do parte do LP de mesmo nome, que Tito dividiu com o pianista José Ribamar, e foi o primeiro álbum brasileiro da Colúmbia gravado em estéreo (esse sim esta inteiro nos blogs!). Em seguida, iremos nos encontrar com o “menestrel do Brasil”, Juca Chaves. Ele estreou em disco na Chantecler, em outubro de 1959, com dois sambas de sua autoria: “Nós, os gatos…” e “Chapéu de palha com peninha preta”. Apenas três meses depois, em janeiro de 1960, e já por outra gravadora, a RGE de José Scatena, foi para as lojas o segundo 78 do humorista, estampando no selo o número 10206, e com arranjo e regência do italiano Enrico Simonetti, então um dos maestros de plantão na gravadora. A matriz RGO-1440, no lado A, apresenta uma divertida gozação do “Juquinha” com o então chefe da nação Juscelino Kubitschek de Oliveira, a hoje clássica “Presidente bossa nova”, não faltando referências a seu característico sorriso, a suas viagens aéreas constantes, à nova capital que seria inaugurada em abril daquele ano (Brasília) e às aulas de violão que JK tinha com Dilermando Reis. Com a mesma mordacidade, o lado B, matriz RGO-1441, é o choro “Tô duro”, crítica clara à situação de miséria que vivia (e ainda vive) boa parte de nossa população. Aliás, era uma época de inflação galopante, que estava perto de 40% ao ano (diante disso, inflação de 6% ou 7% ao ano como a atual não é nada…). Ambas as músicas também constaram do primeiro LP do humorista, “As duas faces de Juca Chaves”. Outra preciosidade é o segundo e último 78 rpm do cantor Jonas Silva, sobre o qual não há informações disponíveis. Ele estreou em 1955 na Mocambo, com os sambas “Andorinha” e “Eu gosto de você”, e – um mistério! – só fez o segundo 78 seis anos mais tarde. Ele saiu pela Philips em julho de 1960, com o número P61068H e a vantagem de ser inquebrável, prensado em vinil! No lado A, uma das mais conhecidas composições de Tito Madi, o samba “Saudade querida”, hit absoluto naquele ano, gravado por inúmeros intérpretes e, claro, pelo próprio Tito. No lado B, outro samba, “Complicação”, dos mesmos Chico Feitosa e Ronaldo Bôscoli que nos deram, nesse mesmo ano, o samba-canção “Fim de noite”, na voz de Alaíde Costa. É a única gravação desta preciosidade, ao menos em 78 rpm, e o acompanhamento no selo diz apenas que é por conjunto. Para finalizar, temos o genial violonista Baden Powell de Aquino (Varre-Sai, RJ, 1937-Rio de Janeiro, 2000) em mais um bolachão inquebrável da Philips, com o número P61103H, lançado em julho de 1961. Abrindo o disco, uma “Lição de Baião” assinada por Jadir de Castro e Daniel Marechal. E o curioso é que o baião na época andava meio esquecido, com a bossa nova no apogeu, mas ainda com um público fiel ao gênero, particularmente a colônia nordestina, que sempre existiu nos grandes centros urbanos, São Paulo em especial. A letra é cantada por coral masculino, e começa até em francès! O lado B nos traz o belo samba instrumental “Do jeito que a vida quer”, assinado por nada mais nada menos do que o cearense de Fortaleza Eduardo Lincoln Barbosa Sabóia, mais conhecido como Ed Lincoln. Ambas as músicas do 78 que encerra este volume do GRB saíram depois no segundo LP de Baden Powell, intitulado “Um violão na madrugada”. Enfim, oito joias imperdíveis para colecionadores. Não percam!
menina moça – tito madi
carinho e amor – tito madi
presidente bossa nova – juca chaves
tô duro – juca chaves
complicação – jonas silva
saudade querida – jonas silva
lição de baião – baden powell
do jeito que a gente quer – baden powell
*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

Dick Farney E Seu Quarteto De Jazz – Jazz After Midnight (1956)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Êta dominguinho para me deixar irritado! Hoje foi o dia…

Se por um lado a minha gripe passou (agradeço a atenção dos amigos), por outro quem agora ficou doente foi o meu amplificador. Não sei o que deu nele, pifou! Tentei instalar um outro, mas esse por estar fora de uso à décadas, está cheio de ruídos e estourando as minhas caixas Lando. Sem chance! Vou ter que comprar outro 🙁 Nesse meio tempo terei que cair de sola nos meus ‘discos de gaveta’. Ainda bem que o ‘baú’ tá cheio, embora nem sempre tenha aquilo que eu penso em postar. Para que a noite também não fique um bode, vou bater de Jazz, de Dick Farney e Seu Quarteto. Eis aqui um discão raro, em todos os sentidos. Quem tem um desses pode se considerar um felizardo, pois além de musicalmente ser muito bom, já nasceu raridade, visto ter sido o primeiro LP de 12 polegadas lançado pela Columbia, em 1956! Na época, este disco foi lançado, talvez como um ‘piloto’ pela gravadora, embora a justificativa maior, no texto de Roberto Corte-Real, fosse a de que seria uma homenagem ao compositor americano, George Gershwin. Um bom pretexto para uma ‘jam session’ com Dick Farney ao piano; Casé no sax alto; Rubinho na bateria e Shoo Viana no contrabaixo. Reunidos no Teatro de Cultura Artística, de São Paulo, Dick e seu quarteto estão a vontade, tocando de improviso alguns dos mais belos temas de Gershwin. Como comentário final, eu não poderia esquecer de outra beleza, a fotografia da capa. Putz, lindona, não?

strike up the band
embraceable you
oh! lady be good
but not for me
i got rhythm
a foggy day
the man i love


FM Stéreo – Discos 4 e 5 (1983)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Dando continuidade às postagens da caixa do selo Fontana, “FM Stéreo”, aqui vão mais dois discos desta gostosa seleção. Fica faltando agora o número 6 para fecharmos tudo. Embora dezembro seja um mês imprevisível, vou procurar postá-lo no próximo sábado, ok? Nestes dois lps vamos continuar um encontro com os ‘medalhões’, artistas e músicas bem conhecidas por todos, o que para mim, é ótimo, pois me poupa o longo sacrifício de estar aqui de frente ao computador, quando eu poderia estar deitado, debaixo do cobertor, tentando acalmar esse meu resfriado. Putz, vocês não fazem ideia do bagaço em que eu estou.

Vão daí, que eu de cá já vou novamente me deitar…
Disco 4
gente humilde – chico buarque
hoje – claudette soares
dengo da bahia – dominguinhos
olhe o tempo passando – maria bethania
mucuripe – fagner
canção da volta – fafá de belém
as praias desertas – mpb-4
asa branca – quinteto violado
da cor do pecado – elis regina
só chor quando estou alegre – carlos lyra
luto – marília medalha
canção do amanhecer – edu lobo
pra machucar meu coração – márcia
lua cheia – quarteto em cy
Disco 5
ligia – chico buarque
com açucar e com afeto – nara leão
tetê – lúcio alves
dindi – sylvia telles
e daí – jards macalé
imagem – tamba trio
domingas – jorge ben
coração ateu – maria bethania
meu mar – erasmo carlos
você – dick farney e norma benguell
folha seca – sergio ricardo
segredo – quarteto em cy
a lua e eu / juventude transviada – emilio santiago
onde anda você – toquinho e vinícius

Clube Do Camelo – Poetas Que Cantam (1997)

Boa noite a todos! Este horário de verão realmente engana a gente. Passei a tarde deitado, num resfriado que não desejo para ninguém. O corpo mole e um desânimo total. Acordei com a impressão de que fosse uma manhã, perdi toda a noção do tempo e já ia eu começando com um bom dia. Mas pelo horário, já não cabe nem um boa tarde. Desculpem, mas gripe é uma merda! Felizmente eu já tinha aqui pronto o disco do dia, o que me poupa maiores esforços.

Estou trazendo, mais uma vez, a turma do Clube do Camelo, em seu segundo disco, lançado em 1997. Há pouco mais de duas semanas eu postei o primeiro disco, volto agora com essa turma, que tem sido muito bem apreciada, agora com “Poetas que cantam”. Embora eu reconheça que este segundo disco esteja mais bem trabalhado, ainda dou preferência ao primeiro. Talvez me falte ainda ouvir melhor este disco, mas para todos os amigos para quem eu mostrei, o segundo estaria melhor. Por via de dúvidas, aconselho aos amigos cultos e ocultos checar os dois, se ainda não o fizeram. Acho muito bancana o pique dessa turma, sem pretensões, eles primam pela qualidade e bom gosto musical e fazem um trabalho super profissional. Música boa, boas letras, bons arranjos… 😉
nem deu
decepção
de volta a dança do boi
tão triste
deixa um sorriso
boi no céu
sem ressentimentos
poetas que cantam
remanso
moreninha do acará
bangalô
danthiana
amoratória
pranto divino

Booker Pittman – The Fabulous (1959)

Olá amigos cultos e ocultos! Acho que peguei uma gripe. Estou num desanimo total, até para a postagem do dia. Mesmo assim, com o resto de energia que tenho e para honrar a firma, vou aos trancos e barrancos publicando o nosso disco do dia.

Hoje eu trago o saxofonista americano Booker Pittman, um músico que passou boa parte de sua vida aqui no Brasil. Veio ao país nos anos 30, contratado para tocar no Cassino Atlântico, no Rio de Janeiro. Mudou para a Argentina nos anos 40. Retornou ao Brasil na década seguinte, indo morar no Paraná. Por um tempo ele esteve afastado da música, mas retomou as atividades, formando um grupo de jazz em São Paulo. Mudou-se finalmente para o Rio de Janeiro, onde passa a tocar em boates. Em 1959 grava então este lp para a Masterpiece/Musidisc, através de um selo especial, o Hi-Fi Jazz. No álbum vamos encontrar alguns clássicos do jazz e cancioneiro americano, numa interpretação das mais autênticas. Estou aqui agora, ouvindo pela terceira vez o álbum, não sei se mais pela preguiça de trocar o disco ou pelo encanto de ouvir este que foi um dos melhores sax sopranos americanos. Para aqueles que não sabem, Booker foi o pai (adotivo) da cantora Eliana Pittman (ele foi casado com a mãe da cantora). Temos, inclusive aqui no Toque Musical, um disco dela junto com o pai, gravado pelo selo Mocambo em 1962. Durante algum tempo eles atuaram juntos. Booker morreu em 1969, no Rio de Janeiro.
petite fleur
stereo blues
when the saints go marching in
honeysuckle rose
what is thing called love
lonesome road
aint misbehavin’
nobody know the troubles i’ve seen

Radamés Gnattali – Suíte Popular Brasileira (1986)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Nessa onda de trazer de volta velhas bolachas, otimizando suas músicas em novos álbuns de coletânea, com capinhas e coisa e tal, achei de postar hoje autêntico álbum feito nessas condições. Quer dizer, um álbum montado a partir de antigas gravações. Este, no caso, uma produção oficial, da própria Continental.

Temos aqui Radamés Gnattali em um álbum lançado pela gravadora, reunindo dois momentos deste grande músico. No lado A encontramos gravações de Radamés realizadas em 1956. Um trabalho pioneiro de gravação em ‘playback’. São fonogramas muito interessantes onde ele toca ‘ao lado’ do violonista Laurindo de Almeida. Segundo o texto da contracapa as gravações foram feitas em duas etapas. Radamés gravou aqui no Brasil a parte do piano e a fita foi enviada em seguida ao Laurindo, que nessa ocasião já morada nos ‘States’. Coube ao segundo montar sua participação através do registro tocado em fita. Antes mesmo de ler o texto da contracapa eu já estava ouvindo o disco e a gente percebe claramente que os dois músicos não estão tocando no mesmo ambiente. Mesmo assim, o resultado é excepcional. Vale cada uma das faixas.
invocação a xangô
toada
choro
samba canção
baião
marcha
papo de anjo
puxa puxa
bolacha queimada
pé de moleque
amargura
vou andar por aí
cheio de malícia
escrevendo pra você

Marina Guimarães Com Orquestra MGL (1964)

Olá amigos cultos e ocultos! Estou trazendo hoje para vocês um raro disco do selo MGL (Minas Gravações Limitada), aquele do qual já falamos várias vezes por aqui. A MGL foi a primeira gravadora feita em Minas, dona também do selo Paladium e hoje conhecida como Estúdio Bemol. O presente álbum faz parte da meia dúzia de discos que foram lançados inicialmente pela gravadora do Sr. Dirceu Cheib, nos primeiros anos da década de 60. Me lembro que no encontro que tive com o Sr. Dirceu, ele comentou a respeito desses primeiros discos, com selo MGL, mas em nenhum momento citou este, o que me levou a entender que a Minas Gravações tinha lançado apenas uns 4 discos. “Canções de Marina”, talvez tenha sido (naturalmente) esquecido em razão de ser uma espécie de “trabalho beneficente”. Não foi um disco nos moldes convencionais, ou melhor dizendo, comercial. Foi um álbum especial, que teve sua renda revertida em doação para a Sociedade Pestalozzi, em favor da criança excepcional.

Eu não encontrei informações sobre quem foi a cantora, Marina (Matos) Guimarães. Pelo texto da contracapa, imagino que tenha sido uma senhora de sociedade, esposa talvez de algum político mineiro, ou algo assim. Os arranjos e orquestração são do Maestro Moacir Portes, que nos anos 50 esteve a frente com a principal orquestra da rádio mineira.
O repertório do álbum traz composições do próprio Maestro Moacir Portes e de outros compositores, como Heckel Tavares. Um disco bonito de se ouvir. Vão ouvindo aí, porque eu aqui já vou dormir. Morfeu me pegou de jeito. Zzzz…
sempre só
chorei por você
pensando em você
ponto final
todada da saudade
velho rio
sabiá
folhas ao vento
canção de fazer chorar
canção de amor

João Gilberto E Antonio Carlos Jobim – Seleção De 78 RPM Do Toque Musical (2011)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Como todos já devem saber, conforme informei em postagens anteriores, nossa segunda feira será exclusiva, com as postagens do ‘selo virtual’ adotado pelo Toque Musical. Para abrilhantar ainda mais nossas postagens, eu convidei um grande comentarista musical, nosso amigo culto, Samuel Machado Filho. Caberá a ele todas as resenhas referente às postagens da segundona. E começa agora 😉

*O Gran Record Brazil nos apresenta doze preciosas gravações, todas com obras e/ou arranjos deste gênio tijucano criado em Ipanema que foi Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (Rio de Janeiro, 1927-Nova York, EUA, 1994) cuja obra ainda hoje é reconhecida internacionalmente. Para começar, o 78 Odeon de número 14662,com João Gilberto, lançado em abril de 1961. De um lado, o clássico de Caymmi “Saudade da Bahia”, gravação de 10 de março daquele ano, matriz 14663. O outro lado foi gravado um dia antes, 9 de março, matriz 14662, e nele João revive “Bolinha de papel”, outro clássico do samba, este de Geraldo Pereira, original de 1945 na voz dos Anjos do Inferno (você pode ouvir as duas gravações originais dessas obras na coletânea “Os sambas que João Gilberto adora”, também no Toque Musical). O disco serviu de “aperitivo” para o terceiro e último LP que João Gilberto fez no Brasil, que no entanto, só terminou de ser gravado em setembro de 61, dada a ex trema mania de perfeccionismo do gênio baiano. Em seguida, recuaremos dez anos no tempo e conheceremos o primeiro disco de João: ele saiu em agosto de 1952 pela Copacabana com o número 099, e tem dois sambas-canções bem ao gosto da época: “Meia-luz”, de Hianto de Almeida e João Luiz, e “Quando ela sai”, de Hianto de Almeida e João Luiz. Prestem atenção da interpretação do futuro papa da bossa nova, muitos jamais irão notar que é João Gilberto mesmo! Em seguida temos “Manhã de carnaval”, inesquecível clássico de Luiz Bonfá e Antônio Maria incluído no filme “Orfeu negro” (nos cinemas, “Orfeu do carnaval”), produção ítalo-francesa rodada em cores no Brasil e falada em português, vencedora da Palma de Ouro em Cannes e do Oscar de filme estrangeiro. João Gilberto fez seu registro em 2 de julho de 1959, matriz 13623, com lançamento logo em seguida com o número 14495-A. A sexta faixa é a deliciosa “O pato”, de Jayme Silva e Neusa Teixceira, gravação d e 4 de abril de 1960, matriz 14147, lançada em agosto seguinte com o número 14653-A, que na verdade foi feita por João Gilberto para seu segundo LP, “O amor, o sorriso e a flor”. Na sétima faixa, um autêntico “atrevimento” do mestre Jobim ao acompanhar Agostinho dos Santos ao piano em outra música de “Orfeu negro”, “A felicidade”, sua e do poetinha Vinícius de Moraes. A RGE chegou a pôr a gravação nas lojas, em julho de 1959, com o número 10168-B, matriz RGO-1239, mas logo providenciou outro registro com Agostinho, com orquestração de Enrico Simonetti, este o que ficou mais conhecido. Temos depois “Estrada do sol”, que completa a trilogia de composições de Tom Jobim com Dolores Duran, iniciada com “Se é por falta de adeus” e continuada com “Por causa de você”. Este raríssimo registro de Maria Helena Raposo (Mocambo 15211-A, matriz R-939) parece ter sido o primeiro (talvez em março ou abril de 1958, não há indicação exata de mês), e foi incluído também no único LP da cantora, “Encantamento… na voz de Maria Helena Raposo”. A gravação mais conhecida, a de Agostinho dos Santos, é de 23 de maio do mesmo ano, na Polydor. “Frevo de Orfeu”, também do filme “Orfeu negro”, aparece em duas versões distintas, a primeira lançada pela RGE em novembro de 1960 com o nr. 10269-B, matriz RGO-1458, com a orquestra da gravadora (estranhamente não se ouve coro nenhum, apesar da indicação no selo!). A segunda é a original, a cargo de orquestra e coro dirigidos pelo próprio Tom Jobim, registrada na Odeon em 2 de julho de 1959 com lançamento a toque de caixa com o número 14495-B, matriz 13624, e também em compacto duplo intitulado “João Gilberto canta músicas de “Orfeu do Carnaval”, que também tem “Manhã de carnaval”, aqui incluída, além de outras duas não presentes aqui na voz de João, “A felicidade” e “O nosso amor”. Em seguida, uma bela demonstração de como Jobim “pintava e bordava” em termos de orquestração e regência: o samba-canção “Há um deus”, de Lupicínio Rodrigues, interpretado por Dalva de Oliveira, o eterno “rouxinol do Brasil”. Registro imortalizado na Odeon em 6 de maio de 1957, mas que só saiu em outubro seguinte com o número 14259-A, matriz 14737. Para encerrar, temos outro clássico da parceria de Jobim com o poetinha Vinícius: “Se todos fossem iguais a você”, na interpretação de nada mais nada menos que Vicente Celestino, “a voz orgulho do Brasil”, registrada na sua RCA Victor de sempre em 30 de janeiro de 1959 com lançamento em abril seguinte sob número 80-2050-A, matriz 13-K2PB-0581. Notem como Celestino está contido, interpretando a composição de forma correta. A música é do texto da peça “Orfeu da Conceição”, texto de Vinícius e música de Jobim, e saiu pela primeira vez em 1956, na voz de Roberto Paiva, em LP de dez polegadas da Odeon. Desde então, tem sido uma das mais conhecidas e regravadas composições do repertório jobiniano. Ouça , colecione e deleite-se com estes raríssimos registros!

saudades da bahia – joão gilberto
bolinha de papel – joão gilberto
meia luz – joão gilberto
quando ela sai – joão gilberto
o pato – joão gilberto**
a felicidade – agostinho dos santos e tom jobim
estrada do sol – maria helena raposo
frevo – côro e orquestra rge
frevo – tom jobim, orquestra e côro odeon
há um deus – dalva de oliveira e tom jobim
se todos fosse iguais a você – vicente celestino
* TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO
** ÚNICA MÚSICA QUE NÃO FOI EXTRAÍDA DE UM DISCO DE 78 RPM (JG- REGISTROS NA CASA DE CHICO PEREIRA)