Pequena História do Samba – MIS (1968)


Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje eu vou ser ainda mais breve. Cheguei tarde e logo já estou de saída (para a balada). Portanto, jogo rápido, para cumprir tabela…

Segue aqui o disco do sábado, uma coletânea lançada pelo Museu da Imagem e do Som, no final dos anos 60. Aqui nós encontraremos alguns clássicos do samba. Músicas que realmente contam um pouco a história deste estilo nato brasileiro. Estão reunidos aqui diversos fonogramas da gravadora Odeon, representados por alguns dos mais importantes e expressivos artistas do samba, da música popular brasileira.
Este é mais um daqueles discos que todo blog que se preze deve postá-lo. Como eu prezo muito o Toque Musical, estou numa pressa danada e tinha o dito cujo pronto na gaveta, vamos à ele! Quem ainda não o conferiu, a hora é agora. Manda vê…

pelo telefone – bainao
ai yoyô – aracy côrtes
si você jurar – francisco alves e mário reis
feitiço da vila – joão petra de barros
camisa listada – carmen miranda
aquarela do brasil – francisco alves
acertei no milhar – moreira da silva
ai! que saudades da amélia – ataulfo alves
copacabana – dick farney
tiradentes – zezinho
desafinado – joão gilberto

Bahia De Todos Os Sambas (197…)

Olá amigos! De volta ao samba, aqui vai nesta sexta feira independente um disquinho raro e dos bons. Produção baiana para divulgar a prata da casa, com a força dos irmãos cariocas. Temos aqui um álbum de samba baiano, lançado, provavelmente, no início da década de 70. Aqui encontramos alguns dos grandes nomes do samba feito na Bahia, em especial, Nelson Rufino e Waldir Lima. São deles a maior parte das músicas, assim como são os próprios que as interpretam. Quando comento a respeito dos ‘irmãos cariocas’, me refiro à participação do Wilson das Neves, Waldir de Paula, As Gatas e até o Raul de Barros. Não sei se essa patota toda é carioca, mas tudo bem… tem ainda o texto na contracapa do Sérgio Cabral avalizando a batucada baiana.

o malho já tilintou – nelson rufino
moro pandeiro de ouro – waldir lima
presente a mão dagua – os dependentes
a vida tem dessas coisas – waldir lima
eu não tenho ninguém – nelson rufino
carnaval especial – waldir lima
veneno – nelson rufino e waldir lima
naná – os dependentes
aruandê – nelson rufino
jorge amado em 4 tempos – os dependentes
deus do sono – waldir lima
azul e branco – luis carlos

Ademilde Fonseca – A Rainha Do Chorinho (1977)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Ontem fomos pegos de surpresa com as tristes notícias de falecimentos. Primeiro o Millor Fernandes, figura genial que vai deixar saudades. Não menos que esse, outra grande perda foi na música. Lá se foi também “a rainha do chorinho”, Ademilde Fonseca. Embora a nossa semana esteja voltada para o samba, não pude deixar de prestar aqui a minha homenagem à essa excelente cantora. Aliás, o choro não deixa de ser um irmão do samba. Vou poupar palavras porque o meu tempo é curto. Além do mais, no próximo número da nossa série exclusiva, “Grand Record Brazil”, teremos um momento totalmente dedicado à Ademilde (Samuel, vá se preparando!).

Por hora, fica aqui essa homenagem. Estou postando para vocês este álbum super bancana, onde a nossa cantora vem bem à vontade, ao lado de outros grandes artistas e chorões. Este lp é verdadeiramente ótimo, com um repertório digno de um time musical de primeiríssima qualidade. Só tem clássicos! Confiram o toque…

choro chorão
brasileirinho
coração trapaceiro
doce melodia
amor sem preconceito
choro do adeus
títulos de nobreza
o que vier eu traço
meu sonho
pedacinho do céu
tico tico no fubá
dinorah
lamento

Noite Ilustrada (1976)

Boa tarde, amigos cultos, ocultos e associados! Hoje o dia está ‘punk’, muita coisa para fazer e pouco tempo para o blog. Ainda bem que eu tenho uma boa reserva de sambas na minha gaveta, o que alivia em muito o meu trabalho e tempo de postagem.
Segue aqui mais um álbum do Noite Ilustrada, este gravado originalmente nos anos 70 (75 ou 76), relançado nos anos 80 pela Sigla. Neste álbum vamos encontrar sambas de Ary Barroso, Adauto Santos, Agepê, Herivelto Martins, Noel, Geraldo Filme e outros. Um disco bem setentão mesclado com muita coisa boa e sucessos do passado. Este eu ainda não vi em outras fontes. Vamos conferir? Vão daí que eu de cá vou voltando para a labuta (só no sapatinho…) 😉
velho companheiro
nasci no morro
o carioca
prefiro ficar com maria
chora viola
moça criança
laurindo
não deixa o samba morrer
me esqueça
assombrações do recife antigo
pra esquecer
cravo vermelho
encontro

Totonho – Dia A Dia (1978)

Boa noite, meus prezados! Eu havia preparado a postagem de hoje, mas quando já estava para publicá-la percebi que não gravei o lado B (hehehe…). Só agora consegui uma brecha e felizemente achei um disco de gaveta feito sob medida. Já que a semana vai ser de samba, “Dia a dia” é um álbum que vai cair matando.

Totonho (Antonio de Oliveira) é um sambista, cantor e compositor. Mineirnho, de Além Paraíba, saiu das Gerais para se tornar um sambista respeitável no Rio de Janeiro. Fazia dupla com Paulinho Resende. Gravaram um compacto e tiveram suas músicas gravadas por grandes artistas, como Alcione que fez sucesso com o samba “O Surdo”. Devido ao sucesso que suas músicas alcançaram, acabou gravando pela Top Tape este lp, que de estréia contou com um texto de apresentação de Sérgio Cabral e participação de artistas de peso como Neco e Hélio Delmiro nos violões, Mestre Marçal e nada menos que o Azymuth (Alex Malheiros, Zé Roberto Bertrami e Mamão). Paulinho Resende cuidou da produção ao lado do Bertrami que também fez os arranjos e cuidou da regência. O repertório é todo autoral em parcerias, quase todas com Paulinho Resende. Disquinho bacana, podem conferir 😉
tempestade de amor
dia a dia
seu rio, meu mar
no quilombo da nega cafuza
laranjas e dedos
o surdo
sejas mar ou beija flor
que ingratidão
armadilha
trilaza
pode ser que amanhã amanheça chovendo
cruz credo mangalô três vezes

Os Bambas – O Melhor Em Samba Com Os Bambas (1969)

Boa noite meus prezados! Dia puxado, quase sem tempo para as nossas postagens. Como falei, nesta semana o ritmo aqui vai ser o samba. Nosso toque do dia (ou da noite) é este álbum lançado em 1969 pela CBS, através de seu selo Okeh. “Os Bambas”, grupo ao qual são creditados diversos discos de samba, lançados no final dos anos 60 e durante os 70 pela ‘subsidiária’ da gravadora. Eu, sinceramente não faço a menor ideia de quem está por trás desses ‘Bambas’. Tenho para mim, que o nome foi apenas uma fachada. Quem já teve oportunidade de ouvir outros discos, talvez perceba, como eu, que o conjunto teve muitos bambas. E em nenhum dos discos temos uma ficha técnica. Fica claro, portanto, que Os Bambas é uma produção essencialmente comercial, feita de encomenda. Uma maneira de juntar num único disco sucessos de diferentes gravadoras. Uma fórmula que deu muito certo. Bem porque, mesmo com um sentido comercial, a escolha de repertórios e os próprios intérpretes se faziam respeitando algumas qualidades.

Em “O melhor em samba com Os Bambas” iremos encontrar uma seleção musical das mais interessantes

Vários – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 15 (2012)

Luzes, câmera, ação… e música! Sim, esta décima-quinta edição do Gran Record Brazil é dedicada à música de cinema, apresentando temas de filmes nacionais e também de produções hollywoodianas, estas em versões para o idioma tupiniquim.

Começamos com dois temas do filme “Rua sem sol”, dirigido por Alex Viany para a Brasil Vita Filmes, e estrelado por Glauce Rocha, Carlos Cotrim, Dóris Monteiro (ainda de tranças, no papel de uma deficiente visual) e Modesto de Souza. Ambos os sambas-canções são cantados por Ângela Maria, que também participou do filme, claro, interpretando-os, no disco Copacabana 5170, lançado em dezembro de 1953. Abrindo o disco, a faixa-título do filme, “Rua sem sol”, matriz M-641, assinada por Mário Lago e Henrique Gandelmann, e no verso, matriz M-642, o clássico “Vida de bailarina”, de Chocolate (também humorista de rádio e TV) e Américo Seixas. Música muitíssimo gravada (Elis Regina, Zizi Possi, Quarteto em Cy, Agnaldo Timóteo, etc.).

Já que falamos em Adelina Dóris Monteiro (sim, é esse o nome completo dela), ela aqui comparece com o disco Todamérica TA-5220, gravado em 8 de setembro de 1952 e lançado em outubro seguinte, no qual interpreta duas músicas de outro filme de Alex Viany no qual ela também atuou, “Agulha no palheiro”, co-produzido por Moacyr Fenelon (um dos fundadores da lendária Atlântida) e pela Flama Filmes, da família Berardo (em cujos estúdios, situados no bairro carioca das Laranjeiras, instalou-se mais tarde a TV Continental, Canal 9). Primeiro, a música-título do filme, “Agulha no palheiro”, matriz TA-366, de César Cruz e Vargas Jr., e no verso, matriz TA-365, “Perdão”, também de César Cruz, mas sem parceiro.

O eterno Rei da Voz Francisco Alves era um cantor eclético, versátil, e interpretava de tudo que fazia sucesso em sua época em matéria de música. E nesta cinematográfica edição do GRB, ele comparece com três gravações bastante apreciadas: do disco Columbia 55248-A, gravado em 7 de novembro de 1940 e lançado em dezembro seguinte, matriz 339, o samba-exaltação de Braguinha, Alberto Ribeiro e Alcyr Pires Vermelho, “Onde o céu azul é mais azul”, que Chico também cantou no filme “Céu azul”, da Sonofilms, dirigido pelo lusitano Ruy Costa (que como compositor assinava J. Ruy) e tendo no elenco Jaime Costa, Déa Selva, Heloísa Helena (homônima da famosa política), Oscarito e Grande Otelo. Completando a participação do grande intérprete, duas versões gravadas na Odeon, ambas de Haroldo Barbosa, compositor, produtor e redator de programas de rádio (entre eles o de Francisco Alves aos domingos) e TV, jornalista, etc. Do disco 125o5-A, gravado em 8 de agosto de 1944, matriz 7628, o fox “Para sempre adeus (It can’t be wrong)”, de Max Steiner e Kim Gannon, do filme americano “A estranha passageira (Now voyager)”, produzido pela Warner em 1942 sob a direção de Irving Rapper e estrelado por Bette Davis, Paul Henreid, Gladys Cooper e Claude Rains. A película venceu, inclusive, o Oscar de melhor escore de filme não-musical. Do filme francês “Inquietação (Fièvres)”, Chico Viola interpreta o fox-canção “Maria”, de Luchesi e Feline, gravação de 21 de setembro de 1946, porém só lançada em maio de 47 com o número 12773-A, matriz 8098. No selo original, a versão é erroneamente creditada a Haroldo Lobo, mas o Haroldo que a fez é mesmo o Barbosa!

Nesta edição também comparece o grande Jorge Goulart, recentemente falecido, com um disco de seu período áureo na Continental, o de número 16816, lançado em julho-agosto de 1953, no qual igualmente interpreta versões de filmes famosos internacionalmente. No lado A, matriz C-3164, a célebre canção “Luzes da ribalta (Limelight)”, composta por Charles Chaplin para o filme de mesmo nome (só lançado nos EUA em 1972, uma vez que Chaplin estava exilado na Suíça por pressão do Comitê de Atividades Anti-Americanas) e vertido por João “Braguinha” de Barro e Antônio Almeida. Versão muito gravada, inclusive por sua mulher, Nora Ney. No verso, matriz C-3165, a “Canção do Moulin Rouge”, de uma produção britânica de 1952 dirigida por John Huston e distribuída pela United Artists (portanto nada a ver com o “Moulin Rouge” de Baz Luhrman). É um a valsa de Georges Aurick e William Engoick, com letra brasileira de Carlos Alberto.

Neyde Fraga (São Paulo, 1924-Rio de Janeiro, 1987), hoje esquecida mas que tinha uma bela voz de veludo, comparece aqui com uma faixa do disco Odeon 13562-A, matriz 9920,gravado em 16 de outubro de 1953 e lançado em dezembro seguinte. É o clássico “Lili (Hi´lili, hi´lo)”, de Bronislau Kaper e Helen Deutsch, com letra brasileira do sempre eficiente Haroldo Barbosa. É do clássico musical americano “Lili”, da MGM, protagonizado por uma das mais famosas atrizes do estúdio do leão, a francesa Leslie Caron. Foi regravada até mesmo em versão “disco music”, por Nalva Aguiar, em 1977!

Sílvio Caldas, o eterno “caboclinho querido”, bate ponto com duas músicas do filme “Maria Bonita”, da Sonoarte Filmes, dirigido por Julian Mandel e baseado no romance homônimo de Afrânio Peixoto, por ele gravadas na Odeon em primeiro de junho de 1937, com acompanhamento da Orquestra Copacabana do palestino Simon Bountman, e lançadas em julho seguinte com o número 11487. No lado A, matriz 5587, o conhecido tema folclórico “Meu limão, meu limoeiro”, adaptado para “samba sertanejo” por José Carlos Burle, também cineasta, e com a participação vocal de Gidinho. No final dos anos 1960, este seria um dos carros-chefes de Wilson Simonal, que só aproveitou o estribilho, mas mesmo assim muita gente cantou isso junto com ele. No verso, matriz 5588, também de José Carlos Burle em parceria com o escritor J. G. De Araújo Jorge (tão discutido quanto lido), esta joia de canção, “Confessando que te adoro”.

Para encerrar, músicas do filme “O cangaceiro”, produção da Vera Cruz dirigida por Lima Barreto e vencedora da Palma de Prata no Festival de Cannes, na França, como melhor filme de aventuras (naquele tempo ainda não tinha a Palma de Ouro e sim o Grande Prêmio da Crítica, vencido na ocasião por “O salário do medo”, de Henri Georges-Clouzot). Vanja Orico, que também esteve no elenco do filme, interpreta a lírica toada “Sodade, meu bem sodade”, feita por Zé do Norte (Alfredo Ricardo do Nascimento, Cajazeiras, PB-1908-idem, 1979) ainda na adolescência. No acompanhamento, o violonista Aymoré e orquestra dirigida por Gabriel Migliori, também responsável pela direção musical do filme, em gravação RCA Victor de 29 de janeiro de 1953, lançada em abril seguinte com o número 80-1101-B, matriz SB-093597. O Trio Marabá, cujos integrantes eram provavelmente mexicanos (afinal chamavam-se Pancho, Panchito e Cármen Durán) vem com sua versão de “Muié rendera”, o tema principal de “O cangaceiro”, lançada pela Copacabana em março-abril de 1953 com o número 5044-A, matriz M-332. No acompanhamento, a curiosa presença do conjunto de Alberto Borges de Barros, o Betinho, filho de Josué de Barros, descobridor de Cármen Miranda, e intérprete do conhecido fox “Neurastênico” (seu e de Nazareno de Brito) e do rock “Enrolando o rock”(dele e de Heitor Carillo), entre outras. Apesar do sucesso, Betinho deixou a carreira para cumprir missão evangelizadora. O próprio Zé do Norte vem com o lado A de “Sodade, meu bem sodade”, com Vanja Orico, matriz SB-093598, interpretando o coco “Meu pinhão”, ou “Meu pião”, de sua autoria, também cantado por ele próprio em “O cangaceiro”. Apesar do êxito internacional do filme, a maior parte dos lucros ficou com a distribuidora, a multinacional americana Columbia Pictures (mais tarde vendida à Coca-Cola e repassada à nipônica Sony), e a Vera Cruz, que tencionava ser uma Hollywood tupiniquim em São Bernardo do Campo (SP), acabou fechando suas portas em 1954, retomando suas atividades em ocasiões esporádicas. Enfim, esta cinematográfica edição do GRB vai enriquecer as coleções de muitos amigos cultos e ocultos com um pouco do melhor que a música produziu para a chamada sétima arte. É ouvir e colecionar!

 
*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO
 
 
 

Nerino Silva (1974)

Olá meus prezados amigos cultos, ocultos e associados! Hoje eu acordei querendo ouvir samba, aliás, acordei pensando em fazer desta próxima semana um festival de sambas. Tá na hora de botar a cuíca e o pandeiro nesse pagode.

Tenho aqui para vocês o Nerino Silva, cantor e compositor carioca, que ficou conhecido principalmente pela interpretação de “Súplica Cearense”, de Gordurinha e Nelinho. Neste lp, lançado em 1974 pelo selo AMC / Beverly, da Copacabana, ele regrava a música e traz também composições suas em parcerias, com o ótimo samba, “Tio Pedro”, que abre o disco. Há outras, entre as quais é bom destacar, “Ela me beijou”, de Herivelto Martins e Arthur Costa, “Alô Bahia”, de Wando e “Retrato de uma cidade”, de J. Costa e Bráulio de Castro. As regências e os arranjos são do maestro Waldemiro Lemke, que dão ao trabalho uma moldada, sem tirar, é claro, a essência de samba. Lamentavelmente a gravação não está muito boa, por conta da qualidade do disco. Literalmente, bem sambado 🙁 Mesmo assim, vale dar uma conferida 😉
tio pedro
pranto é sempre pranto
retrato de uma cidade
súplica cearence
não sambei nada
alô bahia
cada um na sua
até logo meu amor
no balanço da peneira
ela me beijou
surra de amor
hoi – ti

Aécio Flávio – Coletânea Toque Musical (2012)

Muito bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Como sempre, em reformulações, estou pensando aqui em deixar o sábado não apenas para as coletâneas, mas também para os compactos. Nem sempre eu estou bem disposto para ficar criando seleções e muito menos postar coletâneas prontas. Por outro lado, tem os disquinhos de sete polegadas que são mais fáceis de postar e fazem um baita sucesso por aqui. Acho que vou adotar esse esquema já na próxima semana. Hoje vai mais uma seleção exclusiva, uma coletânea de músicas do compositor e arranjador mineiro Aécio Flávio. Já postei dele alguns trabalhos, os primeiros de sua carreira, ainda na época da Bemol. Aécio é um músico consagrado, um arranjador dos mais requisitados nas décadas de 70 e 80, isso sem falar nos primórdios, nos tempos dos bailes, da Bemol e Paladium. Foi ele quem, de uma certa forma, iniciou Toninho Horta. Aproximou muita gente do que seria a turma do “Clube da Esquina”. Há um depoimento de Aécio no site do “Museu Clube da Esquina” que vale a pena dar uma linda.

Mas falando da nossa coletânea, esta nasceu de uma série de arquivos/gravações do Aécio Flávio que me chegou às mãos há algum tempo atrás, enviados pelo amigo Paulinho, de Santa Tereza, ‘testemunha molecular’, como diz ele, daqueles tempos na rua Divinópolis. Não sei bem de onde ele tirou essas gravações, mas ele me garantiu serem todos trabalhos do Aécio Flávio. Eu até tentei entrar em contato com o músico, mas mesmo estando na mesma cidade, não tive sucesso. Ele não me respondeu. Quem sabe agora, vendo aqui essa homenagem, ele, numa hora dessas, nos dê o prazer de uma visita e maiores esclarecimentos. Temos aqui 20 composições, as quais eu acredito, nunca tenham sido lançadas em discos. Vamos conhecer?
doce doce (primeira versão)
verão flash back
chico hipocondria
homenagem a elis regina
objeto da paixão
veneno
violetas imperiais
fui
por enquanto
cool
fui
tantas mulheres
confissão
chore
rubi
rita lee(nda)
irressistível
o girassol e a flor azul
quer dançar comigo
raspberry blues

Antônio Guimarães – Abrigo (1991)

Olá amigos cultos, ocultos e associados! Já há algum tempo atrás apareceu aqui no meu prato este disco, muito interessante, produção independente, feita nas Gerais. Gostei do disco logo a primeira vez que ouvi. E não era para menos, afinal trata-se de um álbum cujo os integrantes são artistas de primeiríssima linha, músicos super conceituados que atuam principalmente no cenário da música mineira. Logo na capa, contracapa ou encarte (digo isso porque não sei ao certo se esta é realmente a capa ou o encarte interno do álbum), temos a ficha técnica da turma. Arranjos, direção musical, piano, guitarra, flauta e violão por conta do mestre Mauro Rodrigues; bateria, Lincoln Cheib; saxofone, Chico Amaral; baixo, Ivan Corrêa e percussão, Bill Lucas. A gravação deste álbum independente foi feita por Dirceu Cheib, em seu tradicional Estúdio Bemol. Também não sei bem ao certo, mas creio que este disco foi gravado no início da década de 90. Mauro, Lincoln e Ivan faziam parte de um dos mais importantes grupos instrumentais daquela época, o “Edição Brasileira”. Por aí já dá para se ter uma ideia do que iremos encontrar neste “Abrigo”. Ficou, porém, a grande dúvida: quem é Antônio Guimarães? Taí uma coisa que vergonhosamente eu não saberei responder. Pensei até em ligar para o Mauro Rodrigues, pedindo a ele essas informações. Mas vou deixar em aberto, cutucando e aguçando a curiosidade de quem ler. Logo logo aparece alguém aqui esclarecendo o principal.

O certo é que “Abrigo” é um disco bonito de se ouvir. Já não digo aqui da parte instrumental, mas das composições e da poesia de Antônio Guimarães. Suponho que quem canta seja o próprio autor. Alguém aí tem uma lanterna?

anis
presa
abrigo
mal de amor
corações desatentos
balão
volta
coração urbano

Vital Farias (1978)


Boa tarde, amigos cultos, ocultos e associados! É, pelo jeito as pessoas continuam entrando no blog sem ler antes as informações e orientações. Ficam pedindo renovação de links, mas nem sabem da existência do GTM. Assim fica difícil… Infelizmente eu não vou poder ficar aqui todos os dias explicando a situação e nem irei enviar links para e-mails pessoais. A coisa toda rola no grupo, no GTM, ok?
Segue hoje na postagem um disco que eu gosto demais e que por muitas vezes pensei em trazê-lo para o Toque Musical. Só não o fiz porque muitos outros blogs já o publicaram, não só este, mas toda a discografia do Vital Farias. Hoje, porém, fui obrigado a lançar mão do álbum, que já estava na gaveta há um bom tempo. Vamos juntos curtir esse belo lp de Vital que é, sem dúvida, um de seus melhores trabalhos, com participações especiais como Tânia Alves, Djalma Corrêa, Ivinho, além dos arranjos de Sivuca e Ronaldo Corrêa, que também é o produtor.
Desculpem, mas a minha pausa do lanche da tarde acabou, deixa eu voltar para a ‘ralação’. Vão conferindo aí… 🙂

canção em dois tempos (era casa era jardim)
o sobreassalto
bate com o pé xaxado
bandeira desfraldada
via crucis da mulher brasileira
alice no curral das maravilhas
deixe de afobação
expediente interno
poema verdade
caso você case
ê mãe
estudo nº 22

Sexteto Prestige – Música E Festa Nº 5 (1960)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Depois de muitas solicitações, consegui mais um disco da série “Música e Festa”, do Sexteto Prestige. Este foi um dos que eu trouxe do Rio, havia até me esquecido dele. Pensei também que havia fechado a coleção, mas percebo que ainda falta o número 6. Vamos aguardar, ele ainda aparece… Observando a contracapa deste lp, vejo que da Prestígio, todos aqui já foram ou serão logo postados. É só uma questão de tempo 😉

No quinto volume de “Música e Festa”, temos o conjunto de José Menezes em quatro momentos, ou quatro extensas faixas, feitas para dançar, numa espécie de ‘pot-pourri’ de rock balada, boleros, sambas e mais boleros. Não deixem de conferir!
johnny guitar
boulevard of broken dreams
sua magestade o nenen
alguém me disse
espera cruel
sou eu
estou pensando em ti
menina moça
carinho e amor
meditação
não me culpem
violino cigano
olhos castanhos
tu és meu castigo
las muchachas de la plaza españa

Agostinho Dos Santos – A Presença De Agostinho (1961)

Boa tarde, amigos cultos, ocultos e associados! Por falar em associados, nosso GTM tem crescido assustadoramente. Já temos quase uns 700 filiados ao grupo. E por incrível que pareça, com essas mudanças, o blog ficou ainda melhor. Tá do jeito que eu gosto… 😉
E por falar também naquilo que eu gosto, eu hoje trago para vocês este álbum do Agostinho dos Santos, lançado em 1961 pela RGE. Neste lp, que mais parece uma coletânea, iremos encontrar o cantor desfilando um repertório cheio de sucessos, com a direção e os arranjos de dois mestres, Erlon Chaves e Waldemiro Lemke.

uma vez mais
escreva-me
nossos momentos
ajudai o próximo
lúcia
doente
lourdes
eu e tu
na casa do antonio job
mãos caladas
canção para acordar você
distância é saudade

Trio De Ouro, Trio Melodia, Trio Madrigal, Trio Marabá, Trio Nagô – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 14 (2012)

Encontros a três… vozes! É o que apresenta esta décima-quarta edição do Gran Record Brazil, apresentando trios vocais que marcaram época na história da música popular brasileira. Logo de saída, temos o Trio de Ouro. E em sua primeira fase, com o “rouxinol do Brasil” Dalva de Oliveira (Rio Claro, SP-1917-Rio de Janeiro, 1972), Herivelto Martins, seu fundador (Engenheiro Paulo de Frontin, RJ, 1912-Rio de Janeiro, 1992), e Nilo Chagas (Barra do Piraí, RJ-1917-Rio de Janeiro, 1973). O disco escolhido foi o Odeon 12185, gravado em 5 de junho de 1942 e lançado em agosto do mesmo ano, com acompanhamento da orquestra do maestro Fon-Fon (Otaviano Romero Monteiro, Santa Luzia do Norte, AL, 1908-Atenas, Grécia, 1951). O lado A, matriz 6964, é simplesmente um clássico: o samba-canção “Ave Maria no morro”, uma das mais famosas obras-primas de Herivelto. Foi muitas vezes gravada, até mesmo em… esperanto! Uma joia apresentada em seu registro original, daqueles indispensáveis para quem não conhece. No verso, matriz 6965, o curioso “lamento negro” “Festa de preto”, de autoria de Humberto Porto (Salvador, BA, 1908-Rio de Janeiro, 1943), parceiro de outros dois grandes compositores, Assis Valente e Benedito Lacerda. A composição é característica da obra de Porto, que trata muito da religiosidade baiana e da história de escravidão dos negros. Porto morreu uma semana depois de seu pai… se suicidando! E o primeiro Trio de Ouro acabaria em 1949, com a ruidosa separação de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, que organizaria mais duas formações do grupo vocal: a segunda ainda com Nilo Chagas mais Noemi Cavalcanti, e a terceira com Raul Sampaio e Lurdinha Bittencourt.

Em seguida temos o Trio Madrigal, formado na Rádio Mayrink Veiga do Rio de Janeiro, em 1946, pelo maestro Alceu Bocchino. Sua primeira formação tinha Edda Cardoso, Magda Marialba e Margarida de Oliveira (irmã de Dalva), que seis meses depois abandonou o trio para se casar, sendo substituída por Lolita Koch Freire. É esta a formação que aparece nos discos Continental aqui incluídos, com acompanhamento instrumental dirigido pelo maestro gaúcho Radamés Gnatalli, sob o pseudônimo de Vero. No primeiro, de número 16554, gravado em 10 de abril de 1952 e lançado em maio-junho do mesmo ano, elas estão junto com o Trio Melodia (integrado por Albertinho Fortuna, Nuno Roland e Paulo Tapajós e formado na lendária Rádio Nacional para apoio do programa “Um milhão de melodias”) acompanhando vocalmente o cantor Jorge Goulart, que por uma triste coincidência acaba de falecer, aos 86 anos, em sua cidade natal, Rio de Janeiro. São regravações de dois hits de João de Barro, o Braguinha, então diretor artístico da gravadora dos irmãos Byington, intimamente ligados às festas juninas. No lado A, matriz C-2836, a marchinha “Noites de junho”, parceria com Alberto Ribeiro e criação de Dalva de Oliveira em 1939, e, no verso, matriz C-2835, uma obra-prima de Braguinha sem parceiro: o samba-canção ‘Mané Fogueteiro”, originalmente lançado em 1934 por Augusto Calheiros. O segundo disco do Trio Madrigal aqui incluído, também de 1952, com lançamento em julho, leva o número 16586. No lado A, matriz C-2903, uma versão do especialista Lourival Faissal para o fox “Bom dia, mister Eco” (“Good morning, mister Echo), de Bill e Belinda Putman. Aqui, nota-se a criatividade do técnico de gravação Norival Reis, o Vavá, que até idealizou uma câmara de eco, fato que ajudou este registro, inclusive, a receber prêmio da Associação Brasileira de Discos naquele ano. No verso, matriz C-2809, a valsa “Convite ao amor”, na verdade uma versão com letra para “Sobre as ondas” (“Sobre las olas”), do uruguaio Juventino Rosas, versos de Lourival Faissal e Luiz de França. Valsa bastante gravada instrumentalmente no Brasil, e seu primeiro registro entre nós surgiu em 1910, com o rancho Ameno Resedá, sob o selo (olha só a coincidência)… Gran Record Brazil!!!

Em seguida temos os Trios Madrigal e Melodia novamente juntos no Continental 20106, lançado para os festejos natalinos de 1951, matrizes 2720 e 2721-R. Evidentemente, como diz o próprio título, é um popurri das mais expressivas”Cantigas de Natal”, de vários autores e/ou de origem folclórica, em arranjo de Paulo Tapajós e Radamés Gnatalli, com o sempre eficiente acompanhamento orquestral deste último, igualmente como Vero.

O Trio Marabá era formado por Pancho, Panchito e Cármen Duran (seriam mexicanos?). Aqui comparece com seu oitavo disco, o Copacabana 5044, lançado em março-abril de 1953, com regravações de dois hits da época: no lado A, matriz M-332, o baião “Mulher rendeira”, de origem folclórica, internacionalmente conhecido graças ao filme “O cangaceiro”, e nele interpretado pelos Demônios da Garoa. A película ganhou a Palma de Prata no festival de Cannes, França, como melhor filme de aventuras, mas quem mais se beneficiou de seu sucesso foi a distribuidora Columbia Pictures, sendo que a produtora, a lendária Vera Cruz, com estúdios em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, acabou falindo um ano depois. No verso, matriz M-333, o clássico samba-canção “Ninguém me ama”, de exclusiva autoria de Antônio Maria, mas com parceria de Fernando Lobo, por acordo que havia entre ambos. Originalmente saiu na voz de Nora Ney, em 1952.

Encerrando, vamos encontrar o Trio Nagô, integrado por Mário Alves de Almeida, Epaminondas de Souza e Evaldo Gouveia. Mário e Epaminondas cantavam na Rádio Clube do Ceará, quando conheceram o então estreante Evaldo Gouveia. Os três logo se tornaram amigos e passaram a cantar juntos na noite de Fortaleza. O grupo se chamava, a princípio, Trio Cearense, nome depois mudado para Trio Iracema e, finalmente, para Trio Nagô. Seu primeiro disco saiu em janeiro de 1953, pela Sinter, com o rasqueado “Moça bonita” e o maracatu “Paisagem sertaneja”. Eles estão aqui com o disco RCA Victor 80-1951, gravado em 24 de março de 1958 e lançado em junho do mesmo ano, com duas composições de Paulo Borges. No lado A, matriz 13-J2PB-0387, o conhecido e clássico rasqueado “Cabecinha no ombro”, lançado em fins do ano anterior por Alcides Gerardi e regravado inúmeras vezes, sendo conhecido até os dias de hoje (quem nunca ouviu?). No verso, matriz 13-J2PB-0388, o belo samba-canção “Cartão postal”. Enfim, uma edição do GRB que irá enriquecer o acervo de muitos amigos cultos e ocultos com algumas das melhores interpretações a três vozes. Divirtam-se!

* TEXTO SAMUEL MACHADO FILHO


Altamiro Carrilho – Revive Patápio E Interpreta Clássicos (1977)

Olá amigos cultos e ocultos! Aqui estou eu de volta. Juro que tentei manter nossas postagens, mas infelizmente a internet dos lugares por onde passei não serviam nem para e-mail. Por essa razão, nem os ‘REPOSTs’ tiveram vez. Estou vendo aqui que temos algumas dezenas de e-mails, os quais eu irei abrindo e lendo na medida do possível e por ordem de entrada. Logo, todos estarão atendidos. Por hora, vamos apenas manter a postagem do dia.

Aproveitando esse finalzinho de domingo, aqui vai um toque musical, Altamiro Carrilho interpretando algumas pérolas do genial Pattápio Silva e também peças clássicas para flauta, inclusive “Galope”, do próprio Altamiro. Essas gravações foram feitas e lançadas originalmente em 1957. Foram relançadas pela Discos Marcus Pereira em 1977. Confiram aí essa beleza. Eu, de cá já vou dormir, pois a viagem foi longa. Zzzz…
primeiro amor (patápio silva)
margarida (patápio silva)
zinha (patápio silva)
sonho (patápio silva)
serata d’amore (patápio silva)
serebata oriental (e. koller)
despertar da montanha (eduardo souto)
canção triste (tchaikovsky)
hora staccato (dinicu)
canção da primavera (mendelssohn)
galope (altamiro carrilho)

Dalva Andrade (1963)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Aqui vai mais um disquinho para esta semana. Creio que nos próximos dias eu não terei como fazer postagens. A internet de hotel é uma tristeza, não dá nem para acessar comodamente os e-mails, o que direi de download e upload de 10o megas… é de amargar! Assim sendo, ficaremos até segunda feira ouvindo a Dalva Andrade.

Desculpem, mas o tempo é curto. Vou indo porque tem muita estrada pela frente. Prometo repor os dias parados, ok? 😉
sabe deus
mensagem
além da imaginação
sempre no meu coração
ilusão atoa
seu amor, você
que será de ti
castigo
tema do amor triste
rotina
reclamo
incerteza

Morgana – Fuga (1962)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje, quase que iríamos passar batido, sem postagem. Mas, felizmente, achei uma brecha entre o sono e a vontade de dormir e nela é que vai o álbum da Morgana. Escolhi este disco porque sei que esta cantora faz muito sucesso por aqui e além do mais era o que eu tinha à mão no momento. Espero que os amigos apreciem. Temos assim, “Fuga”, álbum lançado em 1962 pela Copacabana, por sinal, com uma belíssima capa. Produzido por Nazareno de Brito e com arranjos de Pachequinho, Severino Araújo, Ted Moreno, Ary Silva, Hector Lagna Fietta e Britinho. Por aí já dá para ver o quanto sortido é esse lp, cheio de sambas e outras coisitas mas. Vão daí que eu de cá já estou dormindo. (isso sim é que é uma fuga) Zzzz…
fuga
areia branca
cravo vermelho
a volta
primeira estrela que vejo
caminho perdido
maldito
maldade
ninguém no mundo
quero paz
que tristeza é essa
para que me enganar

Francisco Carlos – O Internacional (1963)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Como eu já havia informado, esta vai ser uma semana imprevisível para mim e consequentemente para as postagens no blog. Estarei em viagens e não sei se terei tempo para nosso toque diário. Vamos ver…

Segue aqui uma solicitação de um grande amigo. Vamos mais uma vez com o ‘cantor galã’, ‘El Broto’, Francisco Carlos. Eis aqui um disco gravado por ele em 1963, álbum de estréia na Gravadora Chantecler. Não sei bem ao certo, mas creio que este tenha sido seu último disco, quando então abandonou a carreira de cantor para se dedicar às artes plásticas, no caso, a pintura. A capa deste disco nos mostra o cantor naquela foto típica, prova incontestável de uma ida à Europa. Ele, em 1962, participou da 5ª Caravana da UBC, se apresentado em algumas cidades européias. Com um repertório variado, trazendo principalmente versões de algumas músicas internacionais, veio a seguir este álbum, “O internacional Francisco Carlos”. Notem que neste lp temos 13 músicas. Seria esse um número de azar, que levou o cantor ao seu fim? Bom, se foi eu não sei. Só sei que aqui ele está de volta. Álbum raro, difícil de se ver e ouvir por aí. Vamos conferir? 😉
foge deste amor
as folhas verdes de verão (the green leaves of summer)
recife lindo
a barca (la barca)
e você não dizia nada
glória ao amor
samba na madrugada
suave é a noite (tender is the night)
esperança (esperanza)
reflete
geremoabo
ao nascer do sol (cuando caliente el sol)
e agora (et maintenant)

Pedro Raimundo – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 13 (2012)

Pois é, amigos cultos e ocultos! Esta décima-terceira edição do Gran Record Brazil vem regada a churrasco e chimarrão! É com muita satisfação que trazemos de volta o inesquecível Pedro Raimundo, “o gaúcho alegre do rádio”. Apesar de ter esse slogan, Pedro Raimundo era catarinense de Imaruí, nascido em 29 de junho de 1906, e falecido no Rio de Janeiro em 9 de julho de 1973. Era filho de um pescador e sanfoneiro, e aos oito anos começou a “afufar o fole”. Mais tarde, lá mesmo em Imaruí, fez parte da banda Amor à Ordem, além de se apresentar em festinhas. Aos 17 anos, Pedro largou o anzol e foi trabalhar na construção da Estrada de Ferro Esplanada-Rio Deserto. Casou-se em 1926, e morou nas cidades catarinenses de Lauro Muller, Blumenau e Laguna, fixando-se, em 1929, na capital gaúcha, Porto Alegre, onde foi condutor de bonde e inspetor de tráfego, e em seus momentos de folga se apresentava nos cafés do Mercado. Em 1939, ingressou na Rádio Farroupilha, onde fundou o Quarteto dos Taúras, atuando em quase todas as rádios portoalegrenses, e sendo muito solicitado para excursões, uma delas, em 1942, pelo interior riograndense. Um ano mais tarde, mudou-se para o Rio de Janeiro, a convite de Almirante, que o levou para a lendária Rádio Nacional. Ainda em 1943, gravou o primeiro disco, na Columbia, mais tarde Continental, com o choro “Tico-tico no terreiro” e o xote “Adeus, Mariana”, hits imediatos. Em suas apresentações, Pedro Raimundo alternava músicas alegres com outras sentimentais, e foi o primeiro artista típico gaúcho a alcançar fama nacional, inclusive com vestimentas típicas (bombachas, lenço no pescoço, botas, esporas, chapéu e guaiaca). Nesta edição do GRB, alguns dos melhores momentos da vitoriosa carreira de Pedro Raimundo, a maior parte em gravações Continental, e mais um disco de sua fase na Todamérica. Em ordem cronológica de lançamento, as músicas são as seguintes, quase todas de sua autoria com ou sem parceiros: do Continental 15127, lançado em abril de 1944, a toada “O carreteiro” (dele com Pirajá), matriz 734, e a valsa “Contigo no pensamento”, matriz 735. Em seguida, o disco 15404, lançado em agosto de 1946, com a toada “Gauchada”, matriz 1176, e o tango “Mágoas de amor”, matriz 1175. No 78 de número 15599, gravado em 12 de setembro de 1945 com acompanhamento do regional de Nélson Miranda e lançado apenas em março de 46, apareceram o xote “Gaúcha malvada” (dele com Mutt), matriz 1278, e a valsa “Sofrer sorrindo”, matriz 1279. Em seguida, o disco 15790, gravado em 30 de maio de 1947 e lançado em junho-julho do mesmo ano, com o chorinho “Chico da Ronda”, matriz 1673, e a polca “Na casa do Zebedeu”, matriz 1672. Ainda na Continental, vem em seguida o disco 16190, lançado em março-abril de 1950, trazendo a polca “Festa na fazenda”, de Pedro Sertanejo, ocupando os dois lados do 78 (matrizes 2265-2266) e com acompanhamento de conjunto. Por fim, do tempo em que Pedro Raimundo estava na Todamérica, o disco TA-5054, gravado em 16 de fevereiro de 1951 e lançado em abril do mesmo ano, com acompanhamento do conjunto do violonista Pereira Filho, trazendo a valsa “Pingo Mulato”, matriz TA-88, e o baião “Oriental”, matriz TA-87. Esta edição do GRB é a prova de que as canções, a sanfona e a alegria de Pedro Raimundo ficarão para sempre em nossa memória. Aproveita, tchê!


*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO


Raul De Barros E Dilermando Pinheiro – Trombone Zangado (1955)

Upa! Finalmente liberado (nos próximos 15 minutos) para a postagem do nosso domingão! Como todos têm sido muito bonzinhos comigo eu, vou continuar retribuindo nas raridades fonográficas. Hoje eu tive mais tempo para preparar com calma um raro toque musical, que agora eu apresento a vocês. Eis aqui um disco bacana, coisa rara de se ver e ouvir por aí; “Trombone Zangado”. Chega a tal ponto, que tem um camarada vendendo um exemplar no Mercado Livre por nada menos que 900 reais. Ou ele perdeu o cabeção, ou eu estou com uma preciosidade aqui e não sabia. Sem dúvida, o disco é ótimo, mas pagar essa grana só se for colecionador apaixonado ou rico metido a besta. O meu está na mão, quem quiser me fazer uma proposta… hehehe…

Bom, o que temos aqui é um lp, segundo o Dicionário Cravo Albim, gravado em 1955 pelo trombonista Raul de Barros ao lado do sambista Dilermando Pinheiro. Eu, sinceramente, nunca vi este disco, pois o que eu tenho, acredito, foi um relançamento de 1969, pelo mesmo selo Rádio. O encarte do álbum é bem simples, sem nenhuma informação além de título e artistas, chega a ser quase conceitual com a frase: “O bom está no disco, a capa é proteção”. A impressão que me passa é de um disco parte de uma caixa ou coleção. Mesmo assim, no selo vamos encontrar as informações básicas. “Trombone Zangado é na verdade, um disco dividido, com faixas alternadas entre Raul de Barros com Escola de Samba e Dilermando Pinheiro com conjunto. Fica claro, porém, que Raul de Barros está presente também no conjunto que acompanha Dilermando. Ouvindo hoje, com mais atenção, percebi uma coisa interessante nas músicas com Dilermando Pinheiro que até então eu não havia notado, o som do batuque do artista no chapéu de palha. Cheguei a pensar que fosse problema na digitalização e tratamento do som, era um barulho seco, mas ritmado. Era o chapéu de palha, no qual ele batucou por mais de 20 anos.
O repertório, como podemos ver logo abaixo é formado por sambas, choros e maxixes, muitos deles, autênticos e expressivos clássicos. Viva a música brasileira!
ginga do candango – raul de barros com escola de samba
consolo de otário – dilermando pinheiro com conjunto
arrasta a sandália – raul de barros com escola de samba
não era por interesse – dilermando pinheiro com conjunto
sarambá – raul de barros com escola de samba
história antiga – dilermando pinheiro com conjunto
soprando ligeiro – dilermando pinheiro com conjunto
cigana do catumbi – raul de barros com escola de samba
coração de pedra – dilermando pinheiro com conjunto
se você soubesse – raul de barros com escola de samba
um bocadinho só – dilermando pinheiro com conjuto
implorar – raul de barros com escola de samba

1º Semana Nacional Dos Transportes – Música Popular Em Ritmo De Transportes (1969)

Olá amigos cultos, ocultos e associados! Sabadozinho puxado esse meu! Não tive tempo hoje nem para ler e-mails. Só agora, no final do dia é que vou tentar dar o toque de hoje. Digo tentar porque, mal cheguei em casa, tomei um banho e agora já vou para outro compromisso. Estou só esperando o meu filhote acabar de se ajeitar. Vamos sair para jantar e não sei a que horas eu volto aqui. Diante a pressa, melhor é recorrer aos meus infalíveis discos de gaveta.

Hoje é dia de coletâneas e como eu não tive tempo de preparar uma exclusiva, vamos com uma oficial, de gravadora. Escolhi para tal um disco diferente, ou melhor, uma coletânea singular. Temos aqui um álbum promocional, lançado pela RCA em 1969. Este lp foi criado, em edição especial, para o então Ministério dos Transpostes, na 1ª Semana Nacional Dos Transportes (23 a 31 de julho), data essa que nunca mais vi sendo comemorada em anos posteriores. O disco nos apresenta nove músicas cujos os temas se relacionam com transportes. O curioso é que embora o disco tenha sido lançado pela RCA, nem todos os fonogramas são da mesma gravadora. Na verdade há aqui também gravações da Odeon e da Columbia. Um caso interessante de se ver, pois dificilmente iremos encontrar coletâneas oficiais que não sejam fonogramas de um mesmo selo. Por outro lado, já que o Governo conseguiu essa façanha, podia ter incluído outras músicas que também tratam do mesmo tema. No cancioneiro popular o que não falta é referência. Mas está valendo… 😉
peguei um ita no norte – dorival caymmi
chofer de praça – luiz gonzaga
jangada – silvio caldas
o trem atrazou – roberto paiva
upa upa (meu trolinho) – dircinha baptista
trem azul – almirante
carango – erasmo carlos
bonde de são januário – cyro monteiro
fon fon – carmem miranda e silvio caldas

Deo Lopes – Noite Cheia De Estrelas (1993)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Chegamos enfim a mais uma sexta-feira (cerveja, cerveja, cerveja…) . Acredito que na próxima semana as postagens ficarão comprometidas diante ao fato de que estarei em viagem. Vou para Sampa, de lá para o Rio e do Rio para a cidade de Tiradentes, aqui em Minas. Levarei o notebook, mas não sei se terei tempo para manter diária as nossas postagens. Foi também por conta dessas viagens que eu me lembrei de postar hoje um disco do cantor e compositor Deo Lopes. Este álbum, assim como alguns outros, me foram emprestados pelo amigo Carlos Moraes, paulista que trocou a agitada São Paulo pela pacada Tiradentes (fora de temporada). Como irei no próximo final de semana para lá, vou levar de volta esses discos. Já faz mais de um ano que estão comigo. Assim, antes devolver, deixa eu passar logo tudo aqui para o computador.

O presente lp foi mais um belíssimo trabalho lançado pelo Deo, que pelo jeito de compor e também pelo seu repertório, me fazia crer ser uma artista mineiro. Suas produções sempre foram independentes, numa época em que fazer um disco nessas condições, não era para qualquer um. Seus álbuns são criativos e bem elaborados, em todos os sentidos. Uma prova de que o artista independente pode fazer mais e melhor, sem necessariamente contar com o ‘apoio’ de uma grande gravadora. Aliás, essas, diga-se de passagem, continuam pensando ‘monetariamente’. Cultura é apenas um item agregado. Neste belo lp, de capa dupla e tudo mais, vamos encontrar doze canções variadas, entre composições próprias, parcerias e de autores diversos. Destaca-se, obviamente, inclusive por dar nome ao disco, “Noite cheia de estrêlas”, um clássico da seresta, música de Cândido das Neves. Mas há outras, as quais eu, pessoalmente, gosto muito. “Praça Ramos”, do Wandy ‘Premê’ é ótima, notadamente inspirada em “Praça Clóvis”, de Paulo Vanzolini; “Incelença para o amor retirante”, de Elomar, super bacanda. Outra que gosto muito é “Açude encantado”, de Waldir da Fonseca e Charles, gravado originalmente pelo Grupo Raízes. Eu ouvia essa música direto nos anos 80. Bom, mas tem mais… o disco é todo reluzente e isso, muito graças à uma legião de músicos, cantores e técnicos da melhor qualidade. Não vou nem mencionar ou estender assunto, porque já estou atrasado. Confiem em mim e na bela capa, vale a pena ouvir de novo 😉
noite cheia de estrelas
praça ramos
relação natural
a resposta
toadinha cabocla
o sorriso da neguinha
conquistei a lua / linda garota
incelença para o amor retirante
as três estrêlas
coisas da minha terra
açude encantado
bola de prata

Sérgio Ricardo – Eu Não Gosto Mais De Mim (1960)


Bom dia a todos! Acho que estou precisando ir logo postando alguns discos que sempre ficam na boca de espera. Por um motivo ou outro, acabo deixando eles para trás e assim vão ficando esquecidos e vão parar na gaveta. Como voltei a rotina, ao corre corre da vida real, o tempo fica curto. Daí é hora de mandar ver nos que já estão prontos e os arquivos de gaveta.
Temos aqui um artista que eu gosto muito, Sergio Ricardo, embora poucas vezes eu tenha postados discos dele. A verdade é que os seus discos já foram todos apresentados em outros blogs. Este, por exemplo, já vi no Loronix e também no Abracadabra. Mesmo assim, vou novamente trazê-lo a tona, bem porque, este é um disco que caí muito bem aqui no Toque Musical, vocês não acham? Lançado no auge da Era Bossa Nova, este foi mais um álbum que hoje se tornou um clássico. Embora “Eu não gosto mais de mim” tenha aqui todos os requisitos de disco de bossa, a gente percebe nele algo que foge à cartilha da turma do banquinho e violão. Na verdade, o incômodo é do próprio artista, que a gente sabe, aos poucos foi pulando fora do rótulo. Músicas como “Pernas”, “Ausência de você”, “O nosso olhar”, “Puladinho” e outras, são bons exemplos da febre bossanovista, mas “Zelão” é mais, é samba e é também uma das músicas mais expressivas do artista. Mas, independente de qualquer observação, o disco é num todo ótimo. Quem ainda não teve o prazer de ouví-lo, pode agora conferir. Porém, tem que estar associado ao GTM. Quem ainda não o fez, leia com atenção o cabeçalho do blog, tá tudo explicadinho 😉

pernas
não gosto mais de mim
máxima culpa
poema azul
puladinho
ausência de você
o nosso olhar
zelão
bouquet de isabel
relógio da saudade
além do mais
amor ruim

Waldir Azevedo – Ao Vivo (1979)


Bom dia, amigos cultos, ocultos, associados e ‘mais perdidos que cego em tiroteio’! Aqui vamos nós como mais uma postagem. Pelo jeito, muita gente ainda está de fora por pura falta de interesse em ler o cabeçalho do blog. O nêgo entra aqui e vai direto na torneirinha, daí percebe que não há mais link. Ao invés de ler as informações do blog, prefere escrever pedindo link. Eu dou o toque, mas tem que ser no GTM. Em pouco mais de duas semanas já temos mais de 500 inscritos (olha aí, meu prezado, como eu disse, tá bombando!). Há uma certa dificuldade no início para entender o funcionamento das novas normas de utilização do blog, mas logo que se pega o jeito, percebe-se que ficou ainda melhor e mais fácil interagir com o Toque Musical. Não demora muito para que outros blogs sigam o mesmo caminho. Agora está perfeito 😉
Hoje temos para a nossa postagem um disco super legal, Waldir Azevedo, gravado ao vivo. Eu, geralmente, gosto de discos gravados ao vivo. Muitos ficam ainda melhor, sem falar no lado emoção, no momento em si… muito bom. Este álbum foi gravado em 1979, quando então o nosso grande compositor e instrumentista completava 30 anos de estrada. Foi um super show com a participação de alguns de seus amigos e admiradores. “Uma roda de choro, onde o calor humano, o sentimento e a emoção nasceram puros e simples, sem estrelismos nem truque. Uma festa por tudo que Waldir Azevedo fez pela música brasileira”. Como se pode ver, pela capa, temos participando do encontro as ilustres figuras de Ademilde Fonseca; Paulinho da Viola; Osmar (do Trio Elétrico); Paulo Moura; Rafael Rabelo, César Faria; Celso Machado; Copinha; Carlos Poyares, Isaias e Seus Chorões e Arthur Moreira Lima. Que timão, heim? Não dá para ficar sem ouvir esse disco. A música “Pedacinhos de céu” tem aqui uma interpretação improvisada e emocionante, no piano de Arthur Moreira Lima, o sax de Paulo Moura e o violão de Celso Machado. Esta música ocupa todo o lado B do disco. Vamos conferir?

mágoas de um cavaquinho
minhas mãos, meu cavaquinho
camundongo
acerte o passo
choro negro
carinhoso
viagem
vassourinhas
pedacinho de céu

O Grupo (1968)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Hoje eu estou trazendo aqui um disco que está sempre na boca de espera para entrar no blog. Temos aqui “O Grupo”, um quarteto vocal surgido nos anos 60, formado por quatro rapazes, um dos quais eu jurava ser o Antonio Adolfo. Não sei bem de onde eu tirei essa ideia, talvez porque um deles, o de óculos se pareça com o maestro compositor, ou ainda porque temos no discos diversas faixas que são de sua autoria e também, Antonio Adolfo assina a maior parte das regências e orquestrações. “O Grupo” era um quarteto moderno e este foi o seu primeiro disco. O quarteto vocal gravou mais dois discos, eu inclusive tenho as cópias, mas esses nem se comparam ao primeiro, tanto nos arranjos quanto na escolha do repertório. Temos aqui, por exemplo, a primeira gravação de “Sá Marina”, de Antonio Adolfo e Tibério Gaspar. “Travessia”, de Milton Nascimento e Fernando Brant é outra. Me parece que foi a primeira gravação depois do Bituca, salvo o engano. Tá me faltando aqui falar um pouco sobre os quatro elementos que formam “O Grupo”. No disco e em outros lugares que procurei só vejo os rapazes sendo chamados pelo primeiro nome: Roberval (Taylor?); Raymundo (Nonato?); Jaime (Alem?) e Maurício (Tapajós, Duboc?). Entre parênteses são apenas suposições e ironia, nada sério. Deixo aqui a questão em aberto. Quem foram realmente os componentes dO Grupo? Alguém aí se arrisca? Fiquem a vontade para comentar. 😉

alegria de carnaval
januária
passa por mim
pelas ruas do recife
rosa branca
o bonde
sá marina
eu e a brisa
morrer de amor
travessia
diane
maria, carnaval e cinzas

Vários Sertanejos – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 12 (2012)

Ê trem bão! A décima-segunda edição do Gran Record Brasil chega em clima bem caipira e sertanejo! Em dezesseis fonogramas raros e históricos, teremos uma amostra de como era o gênero sertanejo de antanho. Aqui comparecem duplas bastante conhecidas e lembradas, além de outras que o implacável passar do tempo foi esquecendo. É nesse último caso que se enquadram as Irmãs Cavalcanti, Noemi e Odemi. Elas deixaram uma discografia escassa: apenas seis discos 78 com doze músicas, todos pela Columbia. Eis aqui o primeiro deles, lançado no comecinho de 1954, janeiro, com o número CB-10029. De um lado, matriz CBO-170, o baião “Lumiô lumiô”, delas próprias, e no verso, matriz CBO-171, a guarânia “Ponta Porã”, de Jamir da Silva Araújo e Pereirinha. Em seguida iremos nos encontrar com uma dupla muito querida e lembrada: Nenete (Waldemar de Franchesi, 1919-1989), natural de Pirassununga, e Dorinho (Isidoro Cunha, Bernardino de Campos, SP, 1933-Campinas, SP, 2011), apelido que ele carregava desde a infância. Gravaram seu primeiro disco em 1955, na RCA Victor, com a toada “O milagre das rosas” e o cururu “Toca sino”. Em 78 rpm, na mesma marca, foram mais de trinta discos, além de 13 Lps de carreira, nos selos RCA Victor, RCA Camden, Caboclo/Continental e Beverly, onde gravaram o último, em 1976. Depois disso, Nenete afastou-se do meio musical por motivo de saúde, e faleceu em uma tentativa de assalto! Nenete e Dorinho aqui comparecem com um disco gravado em 19 de junho de 1962, o RCA Victor 80-2485. No lado A, matriz N2CAB-1748, uma regravação do tango “Ouvindo-te”, lançado em 1935 por seu autor, Vicente Celestino. No verso, matriz N2CAB-1749, a moda campeira “Goiano valente”, de Nenete com Piraci (de famosa dupla com Diogo Mulero, o Palmeira). Ambas as composições também fizeram parte do LP “Pescadores de sucesso”, do mesmo ano. Por falar em Palmeira (Agudos, SP, 1918-São Paulo, 1967), eis que ele ressurge aqui em sua memorável dupla com Luizinho (Luiz Raimundo, São Paulo, 1916-idem, 1983) com dois discos RCA Victor, gravados em 12 de fevereiro de 1951 e lançados em maio do mesmo ano. O de número 80-0763 apresenta duas composições da própria dupla: a moda campeira “Chão de Minas”, matriz S-092841, e a valsa “São Judas Tadeu”, matriz S-092842. Já o disco 80-0764 apresenta a moda campeira “Santa Fé do Paraná”, de Palmeira e Ado Benatti, matriz S-092843, e o motivo folclórico mineiro “Peixe vivo”, adaptado por Palmeira e Mário Zan, por sinal a música predileta do ex-presidente Juscelino Kubitschek, que era mineiro de Diamantina. Em seguida, uma dupla que ainda hoje está em atividade e muito querida: Pedro Bento (José Antunes Leme, n.1934), nascido em Porto Feliz, e Zé da Estrada (Waldomiro de Oliveira, n.1929), que é de Botucatu. Acrescentando elementos da música regional mexicana, sem no entanto abandonar as raízes sertanejas, eles ficaram conhecidos como “os amantes da rancheira”, o que fica claro no disco aqui presente, de 1964, o Caboclo/Continental CS-652. De um lado, matriz 55-035-A, o huapango “Tens que beber”, de Zé da Estrada e Caçula, da dupla com Marinheiro, e no verso, matriz 55-035-B, a rancheira “Bebendo e chorando”, de Milano e Serafim, ainda hoje uma das mais aplaudidas criações da dupla. De longa carreira na música brasileira, Raul Torres (Botucatu, SP, 1906-São Paulo, 1970) aqui comparece em dupla com seu inseparável parceiro Florêncio (José Batista Pinto, 1909-1972), natural de Barretos, a atual capital brasileira do rodeio. No disco Todamérica TA-5617, de 1956, foram regravados dois hits de Raul como compositor e intérprete: no lado A, matriz TA-1318, em ritmo de baião, a pungente moda de viola “Boi amarelinho”, originalmente gravada pelo próprio Raul Torres em dupla com Ascendino Lisboa, em 1933. No lado B,matriz TA-1319, o valseado “Meu cavalo zaino”, originalmente gravado por Raul em dupla com Serrinha, em 1939. Em seguida, dois discos RCA Victor: o primeiro de número 80-0516, gravado em dezembro de 1946 mas só lançado em maio de 47. No lado A, matriz S-078685, a moda de viola “Égua branca”, em que Raul tem como parceiros Nhô Pai (autor de “Beijinho doce”) e Godoy, e no verso, matriz S-078686, o curiosíssimo “samba baiano” “Nêga, sai do sereno”, de Raul Torres sem parceiro. Em seguida o disco 80-0285, gravado em 13 de junho de 1944 e só lançado em maio de 45,. No lado A, matriz S-052992, um superclássico, “Moda da mula preta”, inúmeras vezes regravado, inclusive por Luiz Gonzaga (na voz dele por sinal a música fez ainda mais sucesso!). No verso, matriz S-052993, o corrido “No recanto onde eu moro”, de Raul Torres e Júlio Lopes. Encerrando esta edição sertaneja do GRB, a dupla Sucupira e Rosa Amélia, de discografia escassa: apenas cinco discos 78 rpm com nove músicas, gravados entre 1960 e 1963. Aqui está o último deles, do selo Orion, da Odeon, número R-138, do início de 63. No lado 1, matriz 51292, a canção rancheira “Passado feliz”, de Sotero Silveira e Ulisses Nascimento, e no verso, matriz 51291 , o bolero “Esqueça, meu amor”, de Álvaro Alvim e Joel Honorato. Existe também um LP de 1983, “Garça branca”. Enfim, uma boa oportunidade para as novas gerações conhecerem o estilo sertanejo de outros tempos, bem diferente do atual, que, com raríssimas exceções, é mais para público urbano. Ouçam, recordem e divirtam-se com esta edição bem sertaneja do GRB!


*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

The Five – Jovem Embalo (1967)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! Eu hoje estou numa preguiça de valer o domingo. Se pudesse, ficaria apenas deitado no sofá, cochilando em frente da televisão. Mas, já que eu levantei para beber água e o computador está bem aqui ao lado, vou logo salvar o dia com mais uma postagem. Escolhi para tanto, um disco que não me desse trabalho. Mas estou vendo que me enganei. Discos sem informações ou ficha técnica, ou a gente posta e não fala nada, ou perde um bom tempo do dia procurando possíveis peças para montar o quebra cabeça. “Jovem Embalo” é mais uma daquelas produções, tipo “sem lenço e sem documento”, criadas naqueles anos 60. “The Five” é o nome do grupo que o obscuro selo da “Gravações Tropicana Ltda” adota para esta produção. Não duvido nada que os mesmos fonogramas tenham também sido usados para dar nome a um outro grupo ou disco. Os mestres nessa prática eram os selos Paladium e Coledisc. Inclusive a capa do”Embalo Jovem” segue a mesma linha dos discos da mineira Paladium. A música então, nem se fala. É tudo farinha do mesmo saco. Mas farinha boa, claro, com suas qualidades… Temos aqui 14 temas instrumentais, muitos dos quais, sucessos internacionais daquele período. Puro ‘ei ei ei’ para embalar a tarde de domingo.

casino royale
i had to be you
call me
i’m comin’ home, cindy
cabelos longos ideias curtas
aonde você for eu não irei
trini’s tune
não vai passar
love letters
i will wait for you
solidão
desculpas
o barão vermelho
keep searchin

A Música De Makely Ka (2012)

Boa tarde, amigos cultos, ocultos e associados! Lá vamos nós para mais uma produção especial, uma coletânea bem bacana, reunida pelo meu amigo Edu Pampani, da Discoteca Pública e com a devida permissão do artista. Estamos falando aqui de Makely Ka, compositor, poeta e editor, um dos mais brilhantes e inquietos artistas mineiros dos últimos tempos. Suas canções já atravessaram as montanhas e tem sido gravadas por diversos intérpretes, no Brasil e exterior. O trabalho musical de Makely, como vocês verão (e ouvirão, claro), está bem acima da média do que é produzido hoje em termos música popular. É música honesta, para um público honesto. Estão reunidas aqui diferentes gravações e interpretes, inclusive o próprio Makely, em produções recentes da nova safra independente mineira.

Eu penso que para se fazer uma coletânea de um determinado artista, só vale se for uma homenagem póstuma, ou se o cabra for mesmo bom de serviço, merecendo assim a atenção e o toque musical. Podem ter certeza, Makely Ka merece e vocês irão confirmar. Vamos ouvir?
andante – marina machado e regina spósito
xote polaco – kristoff silca
o chamador – titane
atemporal – pablo castro, kristoff silva e makely ka
costura – leopoldina
samba sim – julia ribas
a luz é como a água – mariana nunes
monotonia gris – maísa moura
mar deserto – kristoff silva
solstício de inverno – maísa moura
o dragão da maldade contra o santo guerreiro – malely ka e aline calixto
impagável – leonora weissmann
eu não – titante
o amor – regina spósito
uma confábula – makely ka
camara escura – sergio pererê
santuário – mestre jonas
fio descapado – juliana perdigão
queixumes – alda rezende
samba solto – alda rezende

Chemako (1991)

Pronto, taí, para fechar o ciclo, mais uma super banda mineira, Chemako. Esta, infelizmente durou pouco tempo, mas o suficiente para nos deixar um dos melhores discos de rock já feito em Minas Gerais. Um trabalho lançado pelo também extinto selo Cogumelo, responsável por lançamento de outras históricas bandas do metal mineiro. O Chemako era formado por Magoo e Rogério nas guitarras, Ricardo no baixo e Mom na bateria. O Chemako já nasceu com um propósito de ser uma banda diferente no cenário do rock mineiro, com pretensões para vôos mais altos. Suas músicas são todas em inglês. Magoo, o principal fundador do grupo já tinha antes passado pela ‘trash metaleira’ Mutilator, uma das mais representativas bandas do movimento ‘Heavy Metal Brasileiro’ nas décadas de 80 e 90. Magoo também chegou a ser convidado para ingressar no Sepultura, mas se recusou, vindo assim a criar o seu próprio grupo, o Chemako, com um som cada vez mais distante do metal de origem. Magoo morreu em 2001 em Londres, segundo contam, vítima de uma overdose…

whiskey signs
alert
a spotight
howling wind
walking on the ashes
the cry of the banshees
hank song
blinds guiding blinds
find horn’s gardens
hoka hey
red cloud