Pequena História do Samba – MIS (1968)


Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje eu vou ser ainda mais breve. Cheguei tarde e logo já estou de saída (para a balada). Portanto, jogo rápido, para cumprir tabela…

Segue aqui o disco do sábado, uma coletânea lançada pelo Museu da Imagem e do Som, no final dos anos 60. Aqui nós encontraremos alguns clássicos do samba. Músicas que realmente contam um pouco a história deste estilo nato brasileiro. Estão reunidos aqui diversos fonogramas da gravadora Odeon, representados por alguns dos mais importantes e expressivos artistas do samba, da música popular brasileira.
Este é mais um daqueles discos que todo blog que se preze deve postá-lo. Como eu prezo muito o Toque Musical, estou numa pressa danada e tinha o dito cujo pronto na gaveta, vamos à ele! Quem ainda não o conferiu, a hora é agora. Manda vê…

pelo telefone – bainao
ai yoyô – aracy côrtes
si você jurar – francisco alves e mário reis
feitiço da vila – joão petra de barros
camisa listada – carmen miranda
aquarela do brasil – francisco alves
acertei no milhar – moreira da silva
ai! que saudades da amélia – ataulfo alves
copacabana – dick farney
tiradentes – zezinho
desafinado – joão gilberto

Bahia De Todos Os Sambas (197…)

Olá amigos! De volta ao samba, aqui vai nesta sexta feira independente um disquinho raro e dos bons. Produção baiana para divulgar a prata da casa, com a força dos irmãos cariocas. Temos aqui um álbum de samba baiano, lançado, provavelmente, no início da década de 70. Aqui encontramos alguns dos grandes nomes do samba feito na Bahia, em especial, Nelson Rufino e Waldir Lima. São deles a maior parte das músicas, assim como são os próprios que as interpretam. Quando comento a respeito dos ‘irmãos cariocas’, me refiro à participação do Wilson das Neves, Waldir de Paula, As Gatas e até o Raul de Barros. Não sei se essa patota toda é carioca, mas tudo bem… tem ainda o texto na contracapa do Sérgio Cabral avalizando a batucada baiana.

o malho já tilintou – nelson rufino
moro pandeiro de ouro – waldir lima
presente a mão dagua – os dependentes
a vida tem dessas coisas – waldir lima
eu não tenho ninguém – nelson rufino
carnaval especial – waldir lima
veneno – nelson rufino e waldir lima
naná – os dependentes
aruandê – nelson rufino
jorge amado em 4 tempos – os dependentes
deus do sono – waldir lima
azul e branco – luis carlos

Ademilde Fonseca – A Rainha Do Chorinho (1977)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Ontem fomos pegos de surpresa com as tristes notícias de falecimentos. Primeiro o Millor Fernandes, figura genial que vai deixar saudades. Não menos que esse, outra grande perda foi na música. Lá se foi também “a rainha do chorinho”, Ademilde Fonseca. Embora a nossa semana esteja voltada para o samba, não pude deixar de prestar aqui a minha homenagem à essa excelente cantora. Aliás, o choro não deixa de ser um irmão do samba. Vou poupar palavras porque o meu tempo é curto. Além do mais, no próximo número da nossa série exclusiva, “Grand Record Brazil”, teremos um momento totalmente dedicado à Ademilde (Samuel, vá se preparando!).

Por hora, fica aqui essa homenagem. Estou postando para vocês este álbum super bancana, onde a nossa cantora vem bem à vontade, ao lado de outros grandes artistas e chorões. Este lp é verdadeiramente ótimo, com um repertório digno de um time musical de primeiríssima qualidade. Só tem clássicos! Confiram o toque…

choro chorão
brasileirinho
coração trapaceiro
doce melodia
amor sem preconceito
choro do adeus
títulos de nobreza
o que vier eu traço
meu sonho
pedacinho do céu
tico tico no fubá
dinorah
lamento

Noite Ilustrada (1976)

Boa tarde, amigos cultos, ocultos e associados! Hoje o dia está ‘punk’, muita coisa para fazer e pouco tempo para o blog. Ainda bem que eu tenho uma boa reserva de sambas na minha gaveta, o que alivia em muito o meu trabalho e tempo de postagem.
Segue aqui mais um álbum do Noite Ilustrada, este gravado originalmente nos anos 70 (75 ou 76), relançado nos anos 80 pela Sigla. Neste álbum vamos encontrar sambas de Ary Barroso, Adauto Santos, Agepê, Herivelto Martins, Noel, Geraldo Filme e outros. Um disco bem setentão mesclado com muita coisa boa e sucessos do passado. Este eu ainda não vi em outras fontes. Vamos conferir? Vão daí que eu de cá vou voltando para a labuta (só no sapatinho…) 😉
velho companheiro
nasci no morro
o carioca
prefiro ficar com maria
chora viola
moça criança
laurindo
não deixa o samba morrer
me esqueça
assombrações do recife antigo
pra esquecer
cravo vermelho
encontro

Totonho – Dia A Dia (1978)

Boa noite, meus prezados! Eu havia preparado a postagem de hoje, mas quando já estava para publicá-la percebi que não gravei o lado B (hehehe…). Só agora consegui uma brecha e felizemente achei um disco de gaveta feito sob medida. Já que a semana vai ser de samba, “Dia a dia” é um álbum que vai cair matando.

Totonho (Antonio de Oliveira) é um sambista, cantor e compositor. Mineirnho, de Além Paraíba, saiu das Gerais para se tornar um sambista respeitável no Rio de Janeiro. Fazia dupla com Paulinho Resende. Gravaram um compacto e tiveram suas músicas gravadas por grandes artistas, como Alcione que fez sucesso com o samba “O Surdo”. Devido ao sucesso que suas músicas alcançaram, acabou gravando pela Top Tape este lp, que de estréia contou com um texto de apresentação de Sérgio Cabral e participação de artistas de peso como Neco e Hélio Delmiro nos violões, Mestre Marçal e nada menos que o Azymuth (Alex Malheiros, Zé Roberto Bertrami e Mamão). Paulinho Resende cuidou da produção ao lado do Bertrami que também fez os arranjos e cuidou da regência. O repertório é todo autoral em parcerias, quase todas com Paulinho Resende. Disquinho bacana, podem conferir 😉
tempestade de amor
dia a dia
seu rio, meu mar
no quilombo da nega cafuza
laranjas e dedos
o surdo
sejas mar ou beija flor
que ingratidão
armadilha
trilaza
pode ser que amanhã amanheça chovendo
cruz credo mangalô três vezes

Os Bambas – O Melhor Em Samba Com Os Bambas (1969)

Boa noite meus prezados! Dia puxado, quase sem tempo para as nossas postagens. Como falei, nesta semana o ritmo aqui vai ser o samba. Nosso toque do dia (ou da noite) é este álbum lançado em 1969 pela CBS, através de seu selo Okeh. “Os Bambas”, grupo ao qual são creditados diversos discos de samba, lançados no final dos anos 60 e durante os 70 pela ‘subsidiária’ da gravadora. Eu, sinceramente não faço a menor ideia de quem está por trás desses ‘Bambas’. Tenho para mim, que o nome foi apenas uma fachada. Quem já teve oportunidade de ouvir outros discos, talvez perceba, como eu, que o conjunto teve muitos bambas. E em nenhum dos discos temos uma ficha técnica. Fica claro, portanto, que Os Bambas é uma produção essencialmente comercial, feita de encomenda. Uma maneira de juntar num único disco sucessos de diferentes gravadoras. Uma fórmula que deu muito certo. Bem porque, mesmo com um sentido comercial, a escolha de repertórios e os próprios intérpretes se faziam respeitando algumas qualidades.

Em “O melhor em samba com Os Bambas” iremos encontrar uma seleção musical das mais interessantes

Vários – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 15 (2012)

Luzes, câmera, ação… e música! Sim, esta décima-quinta edição do Gran Record Brazil é dedicada à música de cinema, apresentando temas de filmes nacionais e também de produções hollywoodianas, estas em versões para o idioma tupiniquim.

Começamos com dois temas do filme “Rua sem sol”, dirigido por Alex Viany para a Brasil Vita Filmes, e estrelado por Glauce Rocha, Carlos Cotrim, Dóris Monteiro (ainda de tranças, no papel de uma deficiente visual) e Modesto de Souza. Ambos os sambas-canções são cantados por Ângela Maria, que também participou do filme, claro, interpretando-os, no disco Copacabana 5170, lançado em dezembro de 1953. Abrindo o disco, a faixa-título do filme, “Rua sem sol”, matriz M-641, assinada por Mário Lago e Henrique Gandelmann, e no verso, matriz M-642, o clássico “Vida de bailarina”, de Chocolate (também humorista de rádio e TV) e Américo Seixas. Música muitíssimo gravada (Elis Regina, Zizi Possi, Quarteto em Cy, Agnaldo Timóteo, etc.).

Já que falamos em Adelina Dóris Monteiro (sim, é esse o nome completo dela), ela aqui comparece com o disco Todamérica TA-5220, gravado em 8 de setembro de 1952 e lançado em outubro seguinte, no qual interpreta duas músicas de outro filme de Alex Viany no qual ela também atuou, “Agulha no palheiro”, co-produzido por Moacyr Fenelon (um dos fundadores da lendária Atlântida) e pela Flama Filmes, da família Berardo (em cujos estúdios, situados no bairro carioca das Laranjeiras, instalou-se mais tarde a TV Continental, Canal 9). Primeiro, a música-título do filme, “Agulha no palheiro”, matriz TA-366, de César Cruz e Vargas Jr., e no verso, matriz TA-365, “Perdão”, também de César Cruz, mas sem parceiro.

O eterno Rei da Voz Francisco Alves era um cantor eclético, versátil, e interpretava de tudo que fazia sucesso em sua época em matéria de música. E nesta cinematográfica edição do GRB, ele comparece com três gravações bastante apreciadas: do disco Columbia 55248-A, gravado em 7 de novembro de 1940 e lançado em dezembro seguinte, matriz 339, o samba-exaltação de Braguinha, Alberto Ribeiro e Alcyr Pires Vermelho, “Onde o céu azul é mais azul”, que Chico também cantou no filme “Céu azul”, da Sonofilms, dirigido pelo lusitano Ruy Costa (que como compositor assinava J. Ruy) e tendo no elenco Jaime Costa, Déa Selva, Heloísa Helena (homônima da famosa política), Oscarito e Grande Otelo. Completando a participação do grande intérprete, duas versões gravadas na Odeon, ambas de Haroldo Barbosa, compositor, produtor e redator de programas de rádio (entre eles o de Francisco Alves aos domingos) e TV, jornalista, etc. Do disco 125o5-A, gravado em 8 de agosto de 1944, matriz 7628, o fox “Para sempre adeus (It can’t be wrong)”, de Max Steiner e Kim Gannon, do filme americano “A estranha passageira (Now voyager)”, produzido pela Warner em 1942 sob a direção de Irving Rapper e estrelado por Bette Davis, Paul Henreid, Gladys Cooper e Claude Rains. A película venceu, inclusive, o Oscar de melhor escore de filme não-musical. Do filme francês “Inquietação (Fièvres)”, Chico Viola interpreta o fox-canção “Maria”, de Luchesi e Feline, gravação de 21 de setembro de 1946, porém só lançada em maio de 47 com o número 12773-A, matriz 8098. No selo original, a versão é erroneamente creditada a Haroldo Lobo, mas o Haroldo que a fez é mesmo o Barbosa!

Nesta edição também comparece o grande Jorge Goulart, recentemente falecido, com um disco de seu período áureo na Continental, o de número 16816, lançado em julho-agosto de 1953, no qual igualmente interpreta versões de filmes famosos internacionalmente. No lado A, matriz C-3164, a célebre canção “Luzes da ribalta (Limelight)”, composta por Charles Chaplin para o filme de mesmo nome (só lançado nos EUA em 1972, uma vez que Chaplin estava exilado na Suíça por pressão do Comitê de Atividades Anti-Americanas) e vertido por João “Braguinha” de Barro e Antônio Almeida. Versão muito gravada, inclusive por sua mulher, Nora Ney. No verso, matriz C-3165, a “Canção do Moulin Rouge”, de uma produção britânica de 1952 dirigida por John Huston e distribuída pela United Artists (portanto nada a ver com o “Moulin Rouge” de Baz Luhrman). É um a valsa de Georges Aurick e William Engoick, com letra brasileira de Carlos Alberto.

Neyde Fraga (São Paulo, 1924-Rio de Janeiro, 1987), hoje esquecida mas que tinha uma bela voz de veludo, comparece aqui com uma faixa do disco Odeon 13562-A, matriz 9920,gravado em 16 de outubro de 1953 e lançado em dezembro seguinte. É o clássico “Lili (Hi´lili, hi´lo)”, de Bronislau Kaper e Helen Deutsch, com letra brasileira do sempre eficiente Haroldo Barbosa. É do clássico musical americano “Lili”, da MGM, protagonizado por uma das mais famosas atrizes do estúdio do leão, a francesa Leslie Caron. Foi regravada até mesmo em versão “disco music”, por Nalva Aguiar, em 1977!

Sílvio Caldas, o eterno “caboclinho querido”, bate ponto com duas músicas do filme “Maria Bonita”, da Sonoarte Filmes, dirigido por Julian Mandel e baseado no romance homônimo de Afrânio Peixoto, por ele gravadas na Odeon em primeiro de junho de 1937, com acompanhamento da Orquestra Copacabana do palestino Simon Bountman, e lançadas em julho seguinte com o número 11487. No lado A, matriz 5587, o conhecido tema folclórico “Meu limão, meu limoeiro”, adaptado para “samba sertanejo” por José Carlos Burle, também cineasta, e com a participação vocal de Gidinho. No final dos anos 1960, este seria um dos carros-chefes de Wilson Simonal, que só aproveitou o estribilho, mas mesmo assim muita gente cantou isso junto com ele. No verso, matriz 5588, também de José Carlos Burle em parceria com o escritor J. G. De Araújo Jorge (tão discutido quanto lido), esta joia de canção, “Confessando que te adoro”.

Para encerrar, músicas do filme “O cangaceiro”, produção da Vera Cruz dirigida por Lima Barreto e vencedora da Palma de Prata no Festival de Cannes, na França, como melhor filme de aventuras (naquele tempo ainda não tinha a Palma de Ouro e sim o Grande Prêmio da Crítica, vencido na ocasião por “O salário do medo”, de Henri Georges-Clouzot). Vanja Orico, que também esteve no elenco do filme, interpreta a lírica toada “Sodade, meu bem sodade”, feita por Zé do Norte (Alfredo Ricardo do Nascimento, Cajazeiras, PB-1908-idem, 1979) ainda na adolescência. No acompanhamento, o violonista Aymoré e orquestra dirigida por Gabriel Migliori, também responsável pela direção musical do filme, em gravação RCA Victor de 29 de janeiro de 1953, lançada em abril seguinte com o número 80-1101-B, matriz SB-093597. O Trio Marabá, cujos integrantes eram provavelmente mexicanos (afinal chamavam-se Pancho, Panchito e Cármen Durán) vem com sua versão de “Muié rendera”, o tema principal de “O cangaceiro”, lançada pela Copacabana em março-abril de 1953 com o número 5044-A, matriz M-332. No acompanhamento, a curiosa presença do conjunto de Alberto Borges de Barros, o Betinho, filho de Josué de Barros, descobridor de Cármen Miranda, e intérprete do conhecido fox “Neurastênico” (seu e de Nazareno de Brito) e do rock “Enrolando o rock”(dele e de Heitor Carillo), entre outras. Apesar do sucesso, Betinho deixou a carreira para cumprir missão evangelizadora. O próprio Zé do Norte vem com o lado A de “Sodade, meu bem sodade”, com Vanja Orico, matriz SB-093598, interpretando o coco “Meu pinhão”, ou “Meu pião”, de sua autoria, também cantado por ele próprio em “O cangaceiro”. Apesar do êxito internacional do filme, a maior parte dos lucros ficou com a distribuidora, a multinacional americana Columbia Pictures (mais tarde vendida à Coca-Cola e repassada à nipônica Sony), e a Vera Cruz, que tencionava ser uma Hollywood tupiniquim em São Bernardo do Campo (SP), acabou fechando suas portas em 1954, retomando suas atividades em ocasiões esporádicas. Enfim, esta cinematográfica edição do GRB vai enriquecer as coleções de muitos amigos cultos e ocultos com um pouco do melhor que a música produziu para a chamada sétima arte. É ouvir e colecionar!

 
*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO
 
 
 

Nerino Silva (1974)

Olá meus prezados amigos cultos, ocultos e associados! Hoje eu acordei querendo ouvir samba, aliás, acordei pensando em fazer desta próxima semana um festival de sambas. Tá na hora de botar a cuíca e o pandeiro nesse pagode.

Tenho aqui para vocês o Nerino Silva, cantor e compositor carioca, que ficou conhecido principalmente pela interpretação de “Súplica Cearense”, de Gordurinha e Nelinho. Neste lp, lançado em 1974 pelo selo AMC / Beverly, da Copacabana, ele regrava a música e traz também composições suas em parcerias, com o ótimo samba, “Tio Pedro”, que abre o disco. Há outras, entre as quais é bom destacar, “Ela me beijou”, de Herivelto Martins e Arthur Costa, “Alô Bahia”, de Wando e “Retrato de uma cidade”, de J. Costa e Bráulio de Castro. As regências e os arranjos são do maestro Waldemiro Lemke, que dão ao trabalho uma moldada, sem tirar, é claro, a essência de samba. Lamentavelmente a gravação não está muito boa, por conta da qualidade do disco. Literalmente, bem sambado 🙁 Mesmo assim, vale dar uma conferida 😉
tio pedro
pranto é sempre pranto
retrato de uma cidade
súplica cearence
não sambei nada
alô bahia
cada um na sua
até logo meu amor
no balanço da peneira
ela me beijou
surra de amor
hoi – ti

Aécio Flávio – Coletânea Toque Musical (2012)

Muito bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Como sempre, em reformulações, estou pensando aqui em deixar o sábado não apenas para as coletâneas, mas também para os compactos. Nem sempre eu estou bem disposto para ficar criando seleções e muito menos postar coletâneas prontas. Por outro lado, tem os disquinhos de sete polegadas que são mais fáceis de postar e fazem um baita sucesso por aqui. Acho que vou adotar esse esquema já na próxima semana. Hoje vai mais uma seleção exclusiva, uma coletânea de músicas do compositor e arranjador mineiro Aécio Flávio. Já postei dele alguns trabalhos, os primeiros de sua carreira, ainda na época da Bemol. Aécio é um músico consagrado, um arranjador dos mais requisitados nas décadas de 70 e 80, isso sem falar nos primórdios, nos tempos dos bailes, da Bemol e Paladium. Foi ele quem, de uma certa forma, iniciou Toninho Horta. Aproximou muita gente do que seria a turma do “Clube da Esquina”. Há um depoimento de Aécio no site do “Museu Clube da Esquina” que vale a pena dar uma linda.

Mas falando da nossa coletânea, esta nasceu de uma série de arquivos/gravações do Aécio Flávio que me chegou às mãos há algum tempo atrás, enviados pelo amigo Paulinho, de Santa Tereza, ‘testemunha molecular’, como diz ele, daqueles tempos na rua Divinópolis. Não sei bem de onde ele tirou essas gravações, mas ele me garantiu serem todos trabalhos do Aécio Flávio. Eu até tentei entrar em contato com o músico, mas mesmo estando na mesma cidade, não tive sucesso. Ele não me respondeu. Quem sabe agora, vendo aqui essa homenagem, ele, numa hora dessas, nos dê o prazer de uma visita e maiores esclarecimentos. Temos aqui 20 composições, as quais eu acredito, nunca tenham sido lançadas em discos. Vamos conhecer?
doce doce (primeira versão)
verão flash back
chico hipocondria
homenagem a elis regina
objeto da paixão
veneno
violetas imperiais
fui
por enquanto
cool
fui
tantas mulheres
confissão
chore
rubi
rita lee(nda)
irressistível
o girassol e a flor azul
quer dançar comigo
raspberry blues

Antônio Guimarães – Abrigo (1991)

Olá amigos cultos, ocultos e associados! Já há algum tempo atrás apareceu aqui no meu prato este disco, muito interessante, produção independente, feita nas Gerais. Gostei do disco logo a primeira vez que ouvi. E não era para menos, afinal trata-se de um álbum cujo os integrantes são artistas de primeiríssima linha, músicos super conceituados que atuam principalmente no cenário da música mineira. Logo na capa, contracapa ou encarte (digo isso porque não sei ao certo se esta é realmente a capa ou o encarte interno do álbum), temos a ficha técnica da turma. Arranjos, direção musical, piano, guitarra, flauta e violão por conta do mestre Mauro Rodrigues; bateria, Lincoln Cheib; saxofone, Chico Amaral; baixo, Ivan Corrêa e percussão, Bill Lucas. A gravação deste álbum independente foi feita por Dirceu Cheib, em seu tradicional Estúdio Bemol. Também não sei bem ao certo, mas creio que este disco foi gravado no início da década de 90. Mauro, Lincoln e Ivan faziam parte de um dos mais importantes grupos instrumentais daquela época, o “Edição Brasileira”. Por aí já dá para se ter uma ideia do que iremos encontrar neste “Abrigo”. Ficou, porém, a grande dúvida: quem é Antônio Guimarães? Taí uma coisa que vergonhosamente eu não saberei responder. Pensei até em ligar para o Mauro Rodrigues, pedindo a ele essas informações. Mas vou deixar em aberto, cutucando e aguçando a curiosidade de quem ler. Logo logo aparece alguém aqui esclarecendo o principal.

O certo é que “Abrigo” é um disco bonito de se ouvir. Já não digo aqui da parte instrumental, mas das composições e da poesia de Antônio Guimarães. Suponho que quem canta seja o próprio autor. Alguém aí tem uma lanterna?

anis
presa
abrigo
mal de amor
corações desatentos
balão
volta
coração urbano

Vital Farias (1978)


Boa tarde, amigos cultos, ocultos e associados! É, pelo jeito as pessoas continuam entrando no blog sem ler antes as informações e orientações. Ficam pedindo renovação de links, mas nem sabem da existência do GTM. Assim fica difícil… Infelizmente eu não vou poder ficar aqui todos os dias explicando a situação e nem irei enviar links para e-mails pessoais. A coisa toda rola no grupo, no GTM, ok?
Segue hoje na postagem um disco que eu gosto demais e que por muitas vezes pensei em trazê-lo para o Toque Musical. Só não o fiz porque muitos outros blogs já o publicaram, não só este, mas toda a discografia do Vital Farias. Hoje, porém, fui obrigado a lançar mão do álbum, que já estava na gaveta há um bom tempo. Vamos juntos curtir esse belo lp de Vital que é, sem dúvida, um de seus melhores trabalhos, com participações especiais como Tânia Alves, Djalma Corrêa, Ivinho, além dos arranjos de Sivuca e Ronaldo Corrêa, que também é o produtor.
Desculpem, mas a minha pausa do lanche da tarde acabou, deixa eu voltar para a ‘ralação’. Vão conferindo aí… 🙂

canção em dois tempos (era casa era jardim)
o sobreassalto
bate com o pé xaxado
bandeira desfraldada
via crucis da mulher brasileira
alice no curral das maravilhas
deixe de afobação
expediente interno
poema verdade
caso você case
ê mãe
estudo nº 22

Sexteto Prestige – Música E Festa Nº 5 (1960)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Depois de muitas solicitações, consegui mais um disco da série “Música e Festa”, do Sexteto Prestige. Este foi um dos que eu trouxe do Rio, havia até me esquecido dele. Pensei também que havia fechado a coleção, mas percebo que ainda falta o número 6. Vamos aguardar, ele ainda aparece… Observando a contracapa deste lp, vejo que da Prestígio, todos aqui já foram ou serão logo postados. É só uma questão de tempo 😉

No quinto volume de “Música e Festa”, temos o conjunto de José Menezes em quatro momentos, ou quatro extensas faixas, feitas para dançar, numa espécie de ‘pot-pourri’ de rock balada, boleros, sambas e mais boleros. Não deixem de conferir!
johnny guitar
boulevard of broken dreams
sua magestade o nenen
alguém me disse
espera cruel
sou eu
estou pensando em ti
menina moça
carinho e amor
meditação
não me culpem
violino cigano
olhos castanhos
tu és meu castigo
las muchachas de la plaza españa

Agostinho Dos Santos – A Presença De Agostinho (1961)

Boa tarde, amigos cultos, ocultos e associados! Por falar em associados, nosso GTM tem crescido assustadoramente. Já temos quase uns 700 filiados ao grupo. E por incrível que pareça, com essas mudanças, o blog ficou ainda melhor. Tá do jeito que eu gosto… 😉
E por falar também naquilo que eu gosto, eu hoje trago para vocês este álbum do Agostinho dos Santos, lançado em 1961 pela RGE. Neste lp, que mais parece uma coletânea, iremos encontrar o cantor desfilando um repertório cheio de sucessos, com a direção e os arranjos de dois mestres, Erlon Chaves e Waldemiro Lemke.

uma vez mais
escreva-me
nossos momentos
ajudai o próximo
lúcia
doente
lourdes
eu e tu
na casa do antonio job
mãos caladas
canção para acordar você
distância é saudade

Trio De Ouro, Trio Melodia, Trio Madrigal, Trio Marabá, Trio Nagô – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 14 (2012)

Encontros a três… vozes! É o que apresenta esta décima-quarta edição do Gran Record Brazil, apresentando trios vocais que marcaram época na história da música popular brasileira. Logo de saída, temos o Trio de Ouro. E em sua primeira fase, com o “rouxinol do Brasil” Dalva de Oliveira (Rio Claro, SP-1917-Rio de Janeiro, 1972), Herivelto Martins, seu fundador (Engenheiro Paulo de Frontin, RJ, 1912-Rio de Janeiro, 1992), e Nilo Chagas (Barra do Piraí, RJ-1917-Rio de Janeiro, 1973). O disco escolhido foi o Odeon 12185, gravado em 5 de junho de 1942 e lançado em agosto do mesmo ano, com acompanhamento da orquestra do maestro Fon-Fon (Otaviano Romero Monteiro, Santa Luzia do Norte, AL, 1908-Atenas, Grécia, 1951). O lado A, matriz 6964, é simplesmente um clássico: o samba-canção “Ave Maria no morro”, uma das mais famosas obras-primas de Herivelto. Foi muitas vezes gravada, até mesmo em… esperanto! Uma joia apresentada em seu registro original, daqueles indispensáveis para quem não conhece. No verso, matriz 6965, o curioso “lamento negro” “Festa de preto”, de autoria de Humberto Porto (Salvador, BA, 1908-Rio de Janeiro, 1943), parceiro de outros dois grandes compositores, Assis Valente e Benedito Lacerda. A composição é característica da obra de Porto, que trata muito da religiosidade baiana e da história de escravidão dos negros. Porto morreu uma semana depois de seu pai… se suicidando! E o primeiro Trio de Ouro acabaria em 1949, com a ruidosa separação de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, que organizaria mais duas formações do grupo vocal: a segunda ainda com Nilo Chagas mais Noemi Cavalcanti, e a terceira com Raul Sampaio e Lurdinha Bittencourt.

Em seguida temos o Trio Madrigal, formado na Rádio Mayrink Veiga do Rio de Janeiro, em 1946, pelo maestro Alceu Bocchino. Sua primeira formação tinha Edda Cardoso, Magda Marialba e Margarida de Oliveira (irmã de Dalva), que seis meses depois abandonou o trio para se casar, sendo substituída por Lolita Koch Freire. É esta a formação que aparece nos discos Continental aqui incluídos, com acompanhamento instrumental dirigido pelo maestro gaúcho Radamés Gnatalli, sob o pseudônimo de Vero. No primeiro, de número 16554, gravado em 10 de abril de 1952 e lançado em maio-junho do mesmo ano, elas estão junto com o Trio Melodia (integrado por Albertinho Fortuna, Nuno Roland e Paulo Tapajós e formado na lendária Rádio Nacional para apoio do programa “Um milhão de melodias”) acompanhando vocalmente o cantor Jorge Goulart, que por uma triste coincidência acaba de falecer, aos 86 anos, em sua cidade natal, Rio de Janeiro. São regravações de dois hits de João de Barro, o Braguinha, então diretor artístico da gravadora dos irmãos Byington, intimamente ligados às festas juninas. No lado A, matriz C-2836, a marchinha “Noites de junho”, parceria com Alberto Ribeiro e criação de Dalva de Oliveira em 1939, e, no verso, matriz C-2835, uma obra-prima de Braguinha sem parceiro: o samba-canção ‘Mané Fogueteiro”, originalmente lançado em 1934 por Augusto Calheiros. O segundo disco do Trio Madrigal aqui incluído, também de 1952, com lançamento em julho, leva o número 16586. No lado A, matriz C-2903, uma versão do especialista Lourival Faissal para o fox “Bom dia, mister Eco” (“Good morning, mister Echo), de Bill e Belinda Putman. Aqui, nota-se a criatividade do técnico de gravação Norival Reis, o Vavá, que até idealizou uma câmara de eco, fato que ajudou este registro, inclusive, a receber prêmio da Associação Brasileira de Discos naquele ano. No verso, matriz C-2809, a valsa “Convite ao amor”, na verdade uma versão com letra para “Sobre as ondas” (“Sobre las olas”), do uruguaio Juventino Rosas, versos de Lourival Faissal e Luiz de França. Valsa bastante gravada instrumentalmente no Brasil, e seu primeiro registro entre nós surgiu em 1910, com o rancho Ameno Resedá, sob o selo (olha só a coincidência)… Gran Record Brazil!!!

Em seguida temos os Trios Madrigal e Melodia novamente juntos no Continental 20106, lançado para os festejos natalinos de 1951, matrizes 2720 e 2721-R. Evidentemente, como diz o próprio título, é um popurri das mais expressivas”Cantigas de Natal”, de vários autores e/ou de origem folclórica, em arranjo de Paulo Tapajós e Radamés Gnatalli, com o sempre eficiente acompanhamento orquestral deste último, igualmente como Vero.

O Trio Marabá era formado por Pancho, Panchito e Cármen Duran (seriam mexicanos?). Aqui comparece com seu oitavo disco, o Copacabana 5044, lançado em março-abril de 1953, com regravações de dois hits da época: no lado A, matriz M-332, o baião “Mulher rendeira”, de origem folclórica, internacionalmente conhecido graças ao filme “O cangaceiro”, e nele interpretado pelos Demônios da Garoa. A película ganhou a Palma de Prata no festival de Cannes, França, como melhor filme de aventuras, mas quem mais se beneficiou de seu sucesso foi a distribuidora Columbia Pictures, sendo que a produtora, a lendária Vera Cruz, com estúdios em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, acabou falindo um ano depois. No verso, matriz M-333, o clássico samba-canção “Ninguém me ama”, de exclusiva autoria de Antônio Maria, mas com parceria de Fernando Lobo, por acordo que havia entre ambos. Originalmente saiu na voz de Nora Ney, em 1952.

Encerrando, vamos encontrar o Trio Nagô, integrado por Mário Alves de Almeida, Epaminondas de Souza e Evaldo Gouveia. Mário e Epaminondas cantavam na Rádio Clube do Ceará, quando conheceram o então estreante Evaldo Gouveia. Os três logo se tornaram amigos e passaram a cantar juntos na noite de Fortaleza. O grupo se chamava, a princípio, Trio Cearense, nome depois mudado para Trio Iracema e, finalmente, para Trio Nagô. Seu primeiro disco saiu em janeiro de 1953, pela Sinter, com o rasqueado “Moça bonita” e o maracatu “Paisagem sertaneja”. Eles estão aqui com o disco RCA Victor 80-1951, gravado em 24 de março de 1958 e lançado em junho do mesmo ano, com duas composições de Paulo Borges. No lado A, matriz 13-J2PB-0387, o conhecido e clássico rasqueado “Cabecinha no ombro”, lançado em fins do ano anterior por Alcides Gerardi e regravado inúmeras vezes, sendo conhecido até os dias de hoje (quem nunca ouviu?). No verso, matriz 13-J2PB-0388, o belo samba-canção “Cartão postal”. Enfim, uma edição do GRB que irá enriquecer o acervo de muitos amigos cultos e ocultos com algumas das melhores interpretações a três vozes. Divirtam-se!

* TEXTO SAMUEL MACHADO FILHO


Altamiro Carrilho – Revive Patápio E Interpreta Clássicos (1977)

Olá amigos cultos e ocultos! Aqui estou eu de volta. Juro que tentei manter nossas postagens, mas infelizmente a internet dos lugares por onde passei não serviam nem para e-mail. Por essa razão, nem os ‘REPOSTs’ tiveram vez. Estou vendo aqui que temos algumas dezenas de e-mails, os quais eu irei abrindo e lendo na medida do possível e por ordem de entrada. Logo, todos estarão atendidos. Por hora, vamos apenas manter a postagem do dia.

Aproveitando esse finalzinho de domingo, aqui vai um toque musical, Altamiro Carrilho interpretando algumas pérolas do genial Pattápio Silva e também peças clássicas para flauta, inclusive “Galope”, do próprio Altamiro. Essas gravações foram feitas e lançadas originalmente em 1957. Foram relançadas pela Discos Marcus Pereira em 1977. Confiram aí essa beleza. Eu, de cá já vou dormir, pois a viagem foi longa. Zzzz…
primeiro amor (patápio silva)
margarida (patápio silva)
zinha (patápio silva)
sonho (patápio silva)
serata d’amore (patápio silva)
serebata oriental (e. koller)
despertar da montanha (eduardo souto)
canção triste (tchaikovsky)
hora staccato (dinicu)
canção da primavera (mendelssohn)
galope (altamiro carrilho)

Dalva Andrade (1963)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Aqui vai mais um disquinho para esta semana. Creio que nos próximos dias eu não terei como fazer postagens. A internet de hotel é uma tristeza, não dá nem para acessar comodamente os e-mails, o que direi de download e upload de 10o megas… é de amargar! Assim sendo, ficaremos até segunda feira ouvindo a Dalva Andrade.

Desculpem, mas o tempo é curto. Vou indo porque tem muita estrada pela frente. Prometo repor os dias parados, ok? 😉
sabe deus
mensagem
além da imaginação
sempre no meu coração
ilusão atoa
seu amor, você
que será de ti
castigo
tema do amor triste
rotina
reclamo
incerteza

Morgana – Fuga (1962)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje, quase que iríamos passar batido, sem postagem. Mas, felizmente, achei uma brecha entre o sono e a vontade de dormir e nela é que vai o álbum da Morgana. Escolhi este disco porque sei que esta cantora faz muito sucesso por aqui e além do mais era o que eu tinha à mão no momento. Espero que os amigos apreciem. Temos assim, “Fuga”, álbum lançado em 1962 pela Copacabana, por sinal, com uma belíssima capa. Produzido por Nazareno de Brito e com arranjos de Pachequinho, Severino Araújo, Ted Moreno, Ary Silva, Hector Lagna Fietta e Britinho. Por aí já dá para ver o quanto sortido é esse lp, cheio de sambas e outras coisitas mas. Vão daí que eu de cá já estou dormindo. (isso sim é que é uma fuga) Zzzz…
fuga
areia branca
cravo vermelho
a volta
primeira estrela que vejo
caminho perdido
maldito
maldade
ninguém no mundo
quero paz
que tristeza é essa
para que me enganar

Francisco Carlos – O Internacional (1963)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Como eu já havia informado, esta vai ser uma semana imprevisível para mim e consequentemente para as postagens no blog. Estarei em viagens e não sei se terei tempo para nosso toque diário. Vamos ver…

Segue aqui uma solicitação de um grande amigo. Vamos mais uma vez com o ‘cantor galã’, ‘El Broto’, Francisco Carlos. Eis aqui um disco gravado por ele em 1963, álbum de estréia na Gravadora Chantecler. Não sei bem ao certo, mas creio que este tenha sido seu último disco, quando então abandonou a carreira de cantor para se dedicar às artes plásticas, no caso, a pintura. A capa deste disco nos mostra o cantor naquela foto típica, prova incontestável de uma ida à Europa. Ele, em 1962, participou da 5ª Caravana da UBC, se apresentado em algumas cidades européias. Com um repertório variado, trazendo principalmente versões de algumas músicas internacionais, veio a seguir este álbum, “O internacional Francisco Carlos”. Notem que neste lp temos 13 músicas. Seria esse um número de azar, que levou o cantor ao seu fim? Bom, se foi eu não sei. Só sei que aqui ele está de volta. Álbum raro, difícil de se ver e ouvir por aí. Vamos conferir? 😉
foge deste amor
as folhas verdes de verão (the green leaves of summer)
recife lindo
a barca (la barca)
e você não dizia nada
glória ao amor
samba na madrugada
suave é a noite (tender is the night)
esperança (esperanza)
reflete
geremoabo
ao nascer do sol (cuando caliente el sol)
e agora (et maintenant)

Pedro Raimundo – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 13 (2012)

Pois é, amigos cultos e ocultos! Esta décima-terceira edição do Gran Record Brazil vem regada a churrasco e chimarrão! É com muita satisfação que trazemos de volta o inesquecível Pedro Raimundo, “o gaúcho alegre do rádio”. Apesar de ter esse slogan, Pedro Raimundo era catarinense de Imaruí, nascido em 29 de junho de 1906, e falecido no Rio de Janeiro em 9 de julho de 1973. Era filho de um pescador e sanfoneiro, e aos oito anos começou a “afufar o fole”. Mais tarde, lá mesmo em Imaruí, fez parte da banda Amor à Ordem, além de se apresentar em festinhas. Aos 17 anos, Pedro largou o anzol e foi trabalhar na construção da Estrada de Ferro Esplanada-Rio Deserto. Casou-se em 1926, e morou nas cidades catarinenses de Lauro Muller, Blumenau e Laguna, fixando-se, em 1929, na capital gaúcha, Porto Alegre, onde foi condutor de bonde e inspetor de tráfego, e em seus momentos de folga se apresentava nos cafés do Mercado. Em 1939, ingressou na Rádio Farroupilha, onde fundou o Quarteto dos Taúras, atuando em quase todas as rádios portoalegrenses, e sendo muito solicitado para excursões, uma delas, em 1942, pelo interior riograndense. Um ano mais tarde, mudou-se para o Rio de Janeiro, a convite de Almirante, que o levou para a lendária Rádio Nacional. Ainda em 1943, gravou o primeiro disco, na Columbia, mais tarde Continental, com o choro “Tico-tico no terreiro” e o xote “Adeus, Mariana”, hits imediatos. Em suas apresentações, Pedro Raimundo alternava músicas alegres com outras sentimentais, e foi o primeiro artista típico gaúcho a alcançar fama nacional, inclusive com vestimentas típicas (bombachas, lenço no pescoço, botas, esporas, chapéu e guaiaca). Nesta edição do GRB, alguns dos melhores momentos da vitoriosa carreira de Pedro Raimundo, a maior parte em gravações Continental, e mais um disco de sua fase na Todamérica. Em ordem cronológica de lançamento, as músicas são as seguintes, quase todas de sua autoria com ou sem parceiros: do Continental 15127, lançado em abril de 1944, a toada “O carreteiro” (dele com Pirajá), matriz 734, e a valsa “Contigo no pensamento”, matriz 735. Em seguida, o disco 15404, lançado em agosto de 1946, com a toada “Gauchada”, matriz 1176, e o tango “Mágoas de amor”, matriz 1175. No 78 de número 15599, gravado em 12 de setembro de 1945 com acompanhamento do regional de Nélson Miranda e lançado apenas em março de 46, apareceram o xote “Gaúcha malvada” (dele com Mutt), matriz 1278, e a valsa “Sofrer sorrindo”, matriz 1279. Em seguida, o disco 15790, gravado em 30 de maio de 1947 e lançado em junho-julho do mesmo ano, com o chorinho “Chico da Ronda”, matriz 1673, e a polca “Na casa do Zebedeu”, matriz 1672. Ainda na Continental, vem em seguida o disco 16190, lançado em março-abril de 1950, trazendo a polca “Festa na fazenda”, de Pedro Sertanejo, ocupando os dois lados do 78 (matrizes 2265-2266) e com acompanhamento de conjunto. Por fim, do tempo em que Pedro Raimundo estava na Todamérica, o disco TA-5054, gravado em 16 de fevereiro de 1951 e lançado em abril do mesmo ano, com acompanhamento do conjunto do violonista Pereira Filho, trazendo a valsa “Pingo Mulato”, matriz TA-88, e o baião “Oriental”, matriz TA-87. Esta edição do GRB é a prova de que as canções, a sanfona e a alegria de Pedro Raimundo ficarão para sempre em nossa memória. Aproveita, tchê!


*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO