Beijos – Coletânea 24 Beijos Do Toque Musical (2014)

Olá amigos cultos e ocultos! Há tempos eu não apresento aqui uma produção exclusiva do Toque Musical, além da já tradicional série Grand Record Brazil. Como ‘bola da vez’, o assunto do momento é o beijo. O beijo de um casal gay na novela da Globo. Polêmicas a parte e em partes, achei bem oportuno criar aqui uma coletânea dedicada ao ‘beijo’. Selecionei 24 músicas cujos os títulos e a temática é o tal ‘toque labial’, o beijo, sempre celebrado nas mais diferentes épocas e músicas do cancioneiro popular. Por certo existem milhares de músicas que falam de beijos e devo admitr que não foi fácil escolher essas 24 músicas. Só com títulos onde aparece a palavra ‘beijo’ (e no singular) eu achei mais 200! Mas, selecionei aqui aquelas que me pareceram mais evidentes e também num sentido de ser o mais variável possível. Coincidentemente e por acaso, separei 24 músicas. Um número mais do que expressivo, considerando também o fato de que o beijo celebrado nessa história foi um ato gay. Calma, não estou com isso querendo tirar sarro preconceituoso de ninguém, muito pelo contrário… Pensei mais foi na ideia de um álbum duplo, fosse esse um lançamento fonográfico. E mais ainda, dedico esta coletânea ao Amor, na sua forma mais pura, sem conceito ou preconceito. Beijar e ser beijado é muito bom. É um sinal de carinho. Beijo na boca então é mais… Só love
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me dê um beijo, meu bem – eduardo araújo
a dança do beijo – moacyr franco e the jordans
história de um beijo – vera regina
um beijo e nada mais – zezé gonzaga
beijo exagerado – os mutantes
beijo quente – cleide alves
um beijo é um tiro – erasmo carlos
beijo molhado – belchior
beijo bombom – claymara borges e heuríco fidelis
beijo na boca – cyro monteiro
beijo de amor – moreira da silva
tudo cabe num beijo – seu jorge e almaz
beijo na boca – itamar assumpção e banda isca de polícia
beijo baiano (boca de caqui) – cravo e canela
eu beijo sim – carlos careqa
por um beijo – maria martha
beijo frio – isaura garcia
me dá um beijo – alceu valença e geraldo azevedo
beijo clandestino – lucina
o primeiro beijo – alda perdigão
preso por um beijo – cyro aguiar
aquele beijo que te dei – roberto carlos
beijo roubado – zenildo
último beijo – os cariocas
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Vito Mancini – Dê-me Um Sorriso (198…)

Boa noite, amigos cultos e ocultos. Hoje é sexta feira e só para não esquecer, este foi o dia que por muito tempo eu adotei aqui como sendo o ‘dia do artista/disco independente’. Por essas, por outras e mais outras, vou mandando aqui um compacto independente, gravado na Bemol nos anos 80. A Bemol, embora seja uma gravadora tradicional, nunca assumiu uma postura de editora. Muitos dos discos lançados com seu selo foram na verdade produção independente. E como em Belo Horizonte, na época, só tinha mesmo a Bemol, todo mundo que podia, gravava lá.
Bom, temos aqui o disco de um cara o qual eu vivia encontrando pelas ruas de Belô. Depois sumiu, como quase tudo e todos produzidos naquela década de 80. Seu nome é Vito Mancini. Me lembro de tê-lo visto tocando em algum barzinho, naquela época. Fui procurar por ele no Google e também no Facebook, mas não achei nada. Será que este cara ainda está na ativa? Foi o que eu me perguntei, pois quando a gente não encontra uma pista do ‘caboclo’, pode saber, abandonou o barco… Mas, enfim, falando do disco, temos aqui este compacto duplo no qual Vito Mancini nos apresenta quatro composições próprias. O disquinho é bem interessante e tem, sem dúvida, as suas qualidades. Começando pela própria gravação, trabalho de primeira do veterano Dirceu Cheib. Vito vem acompanhado por um time de músicos de primeira: Célio Balona, Toninho do Carmo, Ezequiel Lima, Zé Eustáquio e Maluf. Quem conhece a música mineira sabe bem o ‘naipe’ dessa turma. E a música de Vito tem bem a cara de Minas, das coisas feitas na Geraes 🙂 Não sei bem ao certo, mas creio que o Vito Mancini chegou a gravar também um lp, com arranjos do Marilton Borges. Vou ver se acho esse disco para postar aqui. Até lá, quem sabe, a gente consegue mais informações sobre esse artista.

aluanda
dias de carnaval
dê-me um sorriso
tipo simples
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Albertinho Fortuna – Teu Nome É Amor (1959)

Olá amigos, sempre cultos e ocultos! Entre os discos que eu pouco ou nada ouvir tem este aqui do cantor Albertinho Fortuna, “Teu nome é amor”, álbum lançado pela Continental em 1959. Embora seja este um álbum que há muito me acompanha, ou por outra, que várias vezes passou pelas minhas mãos, eu nunca tive a curiosidade de ouvir. Como já disse outras vezes, existem alguns gêneros musicais que não me agradam muito. Tango, marcha, dobrado, valsa… isso para não falarmos de óperas… e não é por falta não, já ouvi muito tudo isso para ver se mudava de opinião, mas não tem jeito. É gosto mesmo… No caso do Albertinho Fortuna, creio que deixei ele de lado meio que por conta disso, dos tangos… Desculpem, creio que estou sendo muito reticente. E na verdade nem tantos tangos há assim e mesmo esses, me fazem agora pagar língua. Ouvindo com carinho, vejo que estou engando. Nunca é tarde para ser feliz 🙂  Vamos juntos ouvir

aliança
tango do ciúme
poema do adeus
solidão
prece
sacrifício de amor
as verdes folhas do verão
flor do meu bairro
teu nome é amor
no deserto da rua
guarânia da lua nova
vendaval
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Ed Maciel E Sua Orquestra – Na Onda (1966)

Bom tarde, amigos cultos e ocultos! Nesta semana eu entrei numa de ouvir uma série de discos os quais eu nunca havia ouvido, ou quase nada. Vou aqui fazendo uma triagem, separando aquilo que pode vir a fazer parte do nosso ‘toque musical’ da semana.
Para hoje, vamos com o trombonista Edmundo Maciel Palmeira, mineirinho de Belo Horizonte, grande instrumentista! Foi para o Rio de Janeiro nos anos 50 onde se tornaria Ed Maciel, um dos músicos mais requisitados, tocando em orquestras, nas rádios, televisão e em gravações de muitos dos melhores discos produzidos no país. Foi arranjador e regente para os grupos de Ary Barroso e orquestra de Carlos Machado. Com seu conjunto, “Carioca Serenardes”, gravou em 57 o lp de 10 polegadas – “Na cadência do samba” – um grupo que tinha entre seus membros Moacir Marques, Paulo Moura, Chaim Lewak, Paulinho Magalhães, Júlio Barbosa e Aderbal Moreira. Ainda, no final dos anos 50, participou de dois discos antológicos, “Canção do amor demais”, de Elizeth Cardoso e o “Chega de saudade”, de João Gilberto. Nos anos 60 não seria diferente. Ed Maciel continuaria participando gravando o que de melhor foi produzido no Brasil, naquela década. Ao lado de Moacyr Silva e Waltel Branco formou o trio “Os Cobras”, com o qual lançou um álbum em 1960. Foi também um dos membros de grupos como o “Conjunto 7 de Ouros” e “Os Gatos”. Participou, em 64, da gravação do cultuado lp “Coisas”, do maestro Moacir Santos. A partir daí passou a liderar sua própria orquestra. Em 1966 gravou pelo selo London (Odeon) este álbum, “Na Onda”, cujo o repertório era todo voltado para um público jovem, uma série de músicas de sucesso da época. Creio eu que este tenha sido um dos primeiros discos de orquestra e instrumental brasileiro pautado na música jovem e internacional daquele momento. O álbum fez muito sucesso e mereceu uma continuidade e por aí vieram vários volumes. Ed Maciel gravou desde então uma dezena de discos com sua orquestra, produzindo discos até o final dos anos 70. Como músico de estúdio, esteve presente nos melhores discos e ao lado de outros grandes nomes como Chico Buarque, Edu Lobo, Maria Bethânia, Marcos Valle, Miúcha, Luiz Gonzaga, Milton Nascimento e muitos outros por aí a fora

day tripper
ça serait beau
la bamba
a taste of honey
i feel fine
yesterday
michelle
les cornichons
i knew right away
a volta
lollipops and roses
la tartaruga
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Vilma – Minha Decisão (1977)

Olá amigos cultos e ocultos! Estava eu procurando “É preciso dizer adeus”, de Jobim e Vinícius, quando me deparei com este disco, o qual eu nunca tinha visto. Fiquei curioso para ouví-la, pois só conheço a música na vozes de Miúcha e Gal Costa. Difícil superar as duas cantoras, mas a minha ilustre desconhecida Vilma, não faz por menos. Interpreta muito bem e o arranjo dá aquele toque que faltava. Procurei no Google por alguma informação sobre essa cantora, mas com os poucos dados fica difícil. Nem mesmo o disco a gente vê na pesquisa. Não está à venda nem pelo Mercado Livre. Mesmo sem as devidas informações de apresentação, acho legal postar esse lp. É um trabalho de qualidade, com boas músicas, bons arranjos e uma boa interpretação. Vamos postá-lo mesmo assim.  Vai que uma hora dessas aparece alguém que sabe alguma coisa. Todo complemento é válido. Comentários está aí é para isso 😉

minha decisão
campo aberto
você não vai dizer adeus
rascunho
quero ser sua
não me diga adeus
a fonte secou
mora na filosofia
noutros dias, quem sabe
proposta
lenço aberto
janela do mundo
é preciso dizer adeus
carnaval sem beleza
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A Música de Ismael Silva Na Voz De… – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 86 (2014)

Chegamos à edição de número 86 do Grand Record Brazil, apresentando a terceira parte de nossa retrospectiva da obra do compositor Ismael Silva (1905-1978). São mais dezessete composições deste notável mestre do samba, cantadas por intérpretes diversos, inclusive ele mesmo. Para começar, temos um dos mais expressivos intérpretes da obra de Ismael, Mário Reis.  Ele interpreta aqui, como solista, as quatro primeiras faixas deste volume do GRB,  todas elas sambas e em gravações Odeon, a saber: “Novo amor”, de Ismael sem parceiro, gravação de 27 de fevereiro de 1929, lançada em abril do mesmo ano com o n.o 10357-A, matriz 2400; “Sofrer é da vida”, parceria de Ismael com Francisco Alves e Nílton Bastos, gravado em 28 de novembro de 1931 com vistas ao carnaval, mas só lançado em julho de 32 (deveria, pela lógica, ter saído em janeiro) com o n.o 10872-A, matriz 4375; “Ao romper da aurora”, parceria de Ismael e Francisco Alves com outro mestre, Lamartine Babo,  também do carnaval de 1932, disco 10881-A, matriz 4398; e “Uma jura que fiz”, da parceria de Ismael Silva com Noel Rosa e Francisco Alves, que Mário gravou em 12 de julho de 1932, disco 10928-A, matriz 4482. Na faixa seguinte, volta a dupla Francisco Alves-Mário Reis, de quem apresentamos alguns registros  na edição anterior, agora interpretando uma obra-prima do samba, “Arrependido”, da santíssima trindade Ismael Silva-Chico Viola-Nílton Bastos, gravação Odeon de 28 de fevereiro de 1931, lançada em abril do mesmo ano sob n.o 10780-A, matriz 4163 (em nosso volume anterior apareceu o outro lado, “O que será de mim?”).  Sílvio Caldas, o eterno “caboclinho querido”, aqui comparece com duas faixas assinadas exclusivamente por Ismael Silva, que gravou na Odeon em  14 de dezembro de 1934 com lançamento em fevereiro de 35 (claro que para o carnaval) sob n.o 11194, o samba ‘Agradeças a mim” (lado B, matriz 4974) e a marchinha “Cara feia é fome” (lado A, matriz 4972). Jonjoca (João de Freitas Ferreira) vem em seguida com outro samba só de Ismael, ‘Não te dou perdão”, lançado pela Odeon em fevereiro de 1930 para o carnaval, disco 10579-A, matriz 3366. J. B. de Carvalho,  que se converteu à umbanda e gravou por toda a carreira a música de sua religião (teve até terreiro e programa de rádio do gênero), aqui comparece com outro samba de Ismael Silva sem parceiro, “Com a vida que pediste a Deus”, gravação Odeon de 26 de outubro de 1939, lançada em janeiro de 40 para o carnaval, “of course”, sob n.o 11803-B, matriz 6237. “Fã”, outro samba de Ismael sem parceria, foi gravado na mesmíssima Odeon por Gilberto Alves em  14 de julho de 1942, com lançamento em setembro do mesmo ano sob n.o 12189-B, matriz 7015. Compositor e humorista de rádio, Silvino Neto, pai do comediante Paulo Silvino, aqui interpreta uma marchinha de Ismael Silva sem parceiro, “Boa boca”, gravada na Victor em 18 de fevereiro de 1941 e lançada bem em cima do carnaval de 42, em fevereiro, disco  34873-B, matriz S-052447. Nélson Gonçalves, o eterno “metralha do gogó de ouro”, vem com o samba “Não tenho queixa”, parceria de Ismael Silva com David Raw, gravação também da Victor, datada de  15 de dezembro de 1942 com lançamento bem cima do carnaval de 43, em fevereiro, disco  80-0050-A, matriz S-052678. Orlando Silva, o sempre lembrado “cantor das multidões”, comparece com um samba que Ismael fez com Roberto Roberti e Arlindo Marques Jr.,  “Se eu tiver que escolher”, gravação Odeon de 12 de dezembro de 1945, editada bem em cima do carnaval de 46, em fevereiro, sob n.o 12672-B, matriz 7958. A faixa seguinte é “Antonico”, samba com o qual Ismael Silva retornou às paradas de sucesso, depois de anos no ostracismo. Foi imortalizado na Odeon por Alcides Gerardi em 19 de janeiro de 1950, com lançamento em  abril do mesmo ano sob n.o 12993-B, matriz 8625. É um samba pungente que foge à linha tradicional do autor, pelo andamento um pouco mais lento (o personagem Nestor, de que fala a letra, é o próprio Ismael Silva, na época enfrentando problemas financeiros). Clássico inúmeras vezes regravado. Cyro “Formigão” Monteiro, “o cantor das mil e uma fãs”, comparece aqui com a marchinha “Eu sou um”, também de Ismael sem parceiro, do carnaval de 1940. Gravação Victor de 11 de outubro de 39, lançada ainda em dezembro sob n.o 34529-A, matriz 33184. O Ismael Silva intérprete dá as caras nesta seleção com seu samba “Me diga o teu nome”, lançado pela Odeon em dezembro de 31 (lógico, para o carnaval de 32) sob n.o 10858-A, matriz 4280. No selo original, Francisco Alves e Nílton Bastos aparecem como co-autores, mas, em regravações posteriores, só Ismael  aparece como autor deste samba. Conhecido como “a voz de dezoito quilates”, João Petra de Barros aqui interpreta outro samba só de Ismael, “Não é tanto assim”, gravação Odeon de 18 de dezembro de 1933, lançada em janeiro de 34 para o carnaval, disco 11089-B, matriz 4771, finalizando a terceira parte de nossa retrospectiva.   Enfim, mais uma contribuição do GRB à preservação de nossa memória musical. Até a semana que vem!

* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

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Orquestra Som-Bateau – Top Hits N. 2 (1966)

Olá amigos cultos e ocultos! Este disco era para ter sido postado hoje, pela manhã. Acontece que eu sai de casa tão cedo quenem tive tempo. Como o sábado já foi perdido, vamos pelo menos salvar o resto do domingo. Vai aqui a Orquestra Som-Bateau em seu segundo lançamento. Naquele ano de 1966 a Polydor lançou os dois primeiros números, que fizeram muito sucesso junto ao público jovem da época. Um jogada interessante quando não se pode ter os artistas originais, pelo menos naquela época se podia usar as músicas sem muitas retrições. E quando se em mãos uma boa produção, com músicos de primeira linha, o resultado é isso, um disco de qualidade. O repertório certo é a música pop do momento, uma escolha direcionada, apresentando os ‘top hits’ internacionais e alguns nacionais, claro. O que mais me agrada nesse disco é mesmo a sua qualidade de produção e gravação. Ouvindo o lp, de 180 gramas, na minha Shure é que sinto essa diferença.

california dreaming
o bom
esqueça
monday monday
i will wait for you
hanky panky
trini´s tune
black is black
josephine, please no lean on the bell
the more i sse you
cheveux longs et idees courtes
mamãe passou açucar em mim
day tripper
fly meto the moon
..

Jacob Do Bandolim – Valsas Brasileiras (1981)

Olá, amigos cultos e ocultos! Eu ontem comentava com um amigo que existem alguns gêneros musicais os quais eu não sou muito fã, me dá uma certa preguiça, sei lá… Entre eles está a valsa. Me dá sono… Mas quando se trata de valsas brasileiras e mais ainda, Jacob do Bandolim, a coisa muda de figura. E foi para tirar a cisma que eu achei postar hoje este lp, um relançamento de 1981, onde encontraremos 14 interpretações impecáveis de alguns clássicos da chamada ‘valsa brasileira’. Jacob, como solista, vem acompanhado pela excelente Orquestra da RCA.

rapaziada do braz
revendo o passado
clélia
aurora
expansiva
subindo ao céu
feia
branca
salões imperiais
alma brasileira
evocação
caindo das nuvens
só tú não sentes
jovina
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Trio Abaeté – Compacto (1973)

Olá, amigos cultos e ocultos! Dando sequência ao nosso ‘toque fono musical’. Aqui vai mais um disquinho, literalmente. Um compacto duplo de 1973, lançado pela Copacabana, do Trio Abaeté, grupo vocal baiano, que estreou bem, com quatro sambas na medida (do jeito e num tempo em que baiano sabia fazer samba). Creio que são todos autorais, de Bonfim, Belizário e Diferraz, que suponho ser o sobrenome dos três artistas. Não há na rede nenhuma informação sobre eles além de seus próprios trabalhos e ao que parece, foram apenas dois, este compacto e um lp de 1977, hoje muito cultuado, o homônimo “Abaete”. Muito legal, todos os dois trabalhos. Qualquer dia desse e publico o álbum aqui, só de capricho, pois o mesmo já virou ‘figurinha fácil’ de achar.

a barata
a maré está boa
pisa no taboado
menina da capital
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Cesar Camargo Mariano & Hélio Delmiro – Samambaia (1981)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Estou com vocês há quase 7 anos, um bom tempo, que já deu para provar as minhas reais intenções. Já deu prá ver que o Toque Musical, mesmo na sua formatação descompromissada e relativamente pessoal, segue sempre em seu propósito de levar a todos um de nossos maiores tesouros, a arte musical brasileira e consequentemente resgatar um pouco de histórias e coisas relacionadas ao universo musical e fonográfico. O Toque Musical não é um espaço sério, muito pelo contrário, chega às raias da descontração. Mas é respeitado e adorado por muitos, pois é acima de tudo uma fonte fonomusical inesgotável… Tô falando tudo isso meio que por nada. Talvez, apenas justificando o que as vezes me causa essa sensação, quando me deparo com outros blogs semelhantes ao TM buscando sua legitimidade através do esforço alheio. Me causa estranheza… Foi  por essas e por outras que resolvi mudar nossa política, criando um grupo mais fechado e limitando os prazos para compartilhamento. Penso que, como naturalmente tudo tem um prazo de existência, nossos links e postagens também tem. Desde outubro do ano passado eu adotei esse esquema de não mais repor links. Acho bastante justo, afinal os links ficam válidos por 6 meses! Tempo suficiente para se baixar todo o acervo ativo. Com dizem, a fila anda… E tendo aqui no Toque Musical quase dois mil títulos, fica mesmo muito difícil para mim ficar repondo diariamente o que é solicitado. Muita gente vem mandando mensagens pedindo reposição de links, mas como já informei, só serão repostos os links para as postagens exclusivas, ou seja, aquelas criadas originalmente para o Toque Musical. As demais podem até ser pedidas, mas nesses casos o atendimento é pessoal (via e-mail), direto (via correios) e cobrado uma pequena taxa (via depósito bancário). Creio que estou sendo justo dessa forma e espero que os amigos me compreendam, ok?
Segue hoje o belíssimo álbum “Samambaia”, do tecladista (no melhor sentido do termo) César Camargo Mariano e o violonista e guitarrista Hélio Delmiro. Um disco, obviamente,  instrumental e com apenas os dois músicos. Quando se coloca juntos dois ou três músicos talentosos como no caso, César e Hélio, pode ter certeza, é coisa muito boa! Não bastasse essas qualidades, ainda tem o tal do repertório: impecável! Uma escolha acertada, entre as composições autorais há também músicas de Milton Nascimento e seus parceiros, Ary Barroso com Lamartine Babo e Pixinguinha e João de Barro. Eu talvez seja suspeito para falar deste disco, porque é um dos meus instrumentais favoritos. Um belo trabalho, sensível como cabe a esse dois grandes músicos. Toca aí

samambaia
carinhoso
emotiva n. 4
curumim
das cordas
milagre dos peixes – cais – san vicente
choratta
no rancho fundo
ninhos
maria rita
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Valdênio – Esquinas E Bares (1992)

Boa noite, meus prezados amigos cultos e ocultos! O calor por aqui está bravo e a lombeira também. Não vejo a hora de cair na cama, mesmo sem um ar condicionado. Mas antes, porém, eu vou deixando um toque musical extraído aqui das Minas Geraes. Apresento, para os que não conhecem, o Valdênio, um dos grandes artistas mineiros, músico do grupo Zé da Guiomar em seu primeiro disco, lançado em produção independente no início dos anos 90. Valdênio estudou violão clássico com Cláudio Beato e violão popular com Juarez Moreira. No início de sua carreira participou de diversos festivais e formou o grupo “Queluz de Minas”, nos anos 80 (disco este, um compacto também já postado aqui no Toque Musical). Esteve envolvido em diversos projetos até lançar “Bares e Esquinas”. Um álbum, realmente, que merece a nossa atenção. Composições de qualidade, todas de Valdênio. Um time de músicos de primeiríssima (Juarez Moreira, Chico Amaral, Ezequiel Lima, Nenem, Ricardo Fiuza, Bauxita, André Dequech, Kiko Mitre, Carla Villar, Bill Lucas, Sérgio Moreira, Telo Borges, Eduardo Delgado…). A direção musical e os arranjos são de Juarez Moreira. Pô, sinceramente, este disco não tem o que se falar. Tem é que se ouvir!

esquinas e bares
alegre
hecatombe
santo oficio
saudades do dia que não fui a madrid
tez
jazzmim
69 blues
pé de moleque
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Carequinha – Os Grandes Sucessos Do Carequinha (1961)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Começamos logo cedo, porque a fila não pára e o tanto de coisa que eu tenho para fazer, talvez não me permita a postagem mais tarde. Trago para hoje o nosso tradicional palhaço Carequinha. Ele já fazia sucesso antes de eu nascer e na minha infância foi figura muito importante e querida. Eu sabia quase todas as músicas que ele cantava. Aliás, quem dessa geração não curtiu o Carequinha, não é mesmo? Segue aqui então este lp, lançado originalmente em 1961 pela Copacabana, reeditado em 1975. Nele, como se pode ver pela capa, encontraremos os seus maiores sucessos fonográficos, as 10 mais do Carequinha :), que vem sempre acompanhado por Altamiro Carrilho e o Coral Infantil de Irany de Oliveira. Sobe a lona, o espetáculo vai começar!

rock do ratinho
história de gago
parabéns, parabéns
menino legal
valsa da mãe preta
o bom menino
escolinha do carequinha
canção da primeira comunhão
canção da criança
alma de palhaço
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A Música De Ismael Silva Na Voz De… – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 85 (2014)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados do TM!  Esta semana, o Grand Record Brazil apresenta a segunda parte da retrospectiva que está dedicando à obra musical de Ismael Silva (1905-1978), um grande expoente do samba e da música popular brasileira. Na semana passada, apresentamos composições de Ismael na voz de Francisco Alves (1898-1952), o eterno Rei da Voz. A seleção desta semana tem 14 faixas com intérpretes diversos, e nela Francisco Alves também está presente em duetos. Para começar, e muito bem, apresentamos duetos de Chico Alves com Mário Reis. Eles formaram uma dupla que gravou um total de 12 discos com 24 músicas, todos pela Odeon, legado esse imprescindível para quem estuda a história do samba e da MPB.  Desse legado, ouviremos seis peças simplesmente antológicas, autênticas joias do samba, com acompanhamento da Orquestra Copacabana, dirigida pelo palestino Simon Bountman:  na faixa 1,  “Não há”, da santíssima trindade Ismael Silva-Francisco Alves-Nílton Bastos, gravado em 5 de dezembro de 1930 e lançado em janeiro de 31 para o carnaval, disco 10747-A, matriz 4079. O lado B, na faixa seguinte, matriz 4080, é um autêntico clássico assinado pela mesma trinca de autores: o inesquecível “Se você jurar”, que atravessou os anos e até hoje é muito lembrado, e com justiça. Teve regravação inclusive pelo próprio Ismael Silva, em 1955. “O que será de mim?”, logo em seguida, e dos mesmos autores, é gravação de 28 de fevereiro de 1931, lançada em abril do mesmo ano pela “marca do templo” sob n.o 10780-B, matriz 4162, outra demonstração de bossa da dupla Chico Alves-Mário Reis (que, durante a gravação, chama o Rei da Voz para cantar com ele, no que, claro, é prontamente atendido).  “Ri pra não chorar” é da parceria Ismael Silva-Francisco Alves, que na edição homenageiam Nílton Bastos, que falecera. Gravação da notável dupla Chico Viola-Mário Reis, de 20 de agosto de 1931, lançada pela Odeon em dezembro do mesmo ano sob n.o 10850-B, matriz 4292. De Chico e Ismael é também “Liberdade”, gravação de 20 de novembro de 1931 lançada em janeiro de 32, evidentemente para o carnaval, disco 10871-B, matriz 4363, citando inclusive o “Hino da Proclamação da República, de Leopoldo Miguez-Medeiros e Albuquerque. O samba saiu na segunda tiragem desse disco, que trouxe no lado A, também cantada em dueto por Chico e Mário, a “Marchinha do amor”, de Lamartine Babo (na primeira, saiu um outro samba, “Oh! Dora”, de Orlando Vieira, com Chico Viola sozinho).  Terminando esse verdadeiro show de interpretação sambística da dupla Francisco Alves-Mário Reis, temos “A razão dá-se a quem tem”, já com Noel Rosa como parceiro de Ismael Silva e Chico Viola, gravação feita na “marca do templo” em 2 de julho de 1932 e lançada em dezembro seguinte com o n.o 10939-A, matriz 4472. A faixa 7 é um outro dueto de Francisco Alves, agora com Sílvio Caldas: “Tristezas não pagam dívidas”, gravado na Odeon em 23 de junho de 1932, e lançado com o n.o 10922-A, matriz 4463. Temos aqui duas curiosidades: no selo original, aparece como autor um certo Manoel Silva (havia na época um compositor com esse nome, cujo nome completo era Manoel dos Santos Silva). Mas, segundo depoimento de Sílvio Caldas ao pesquisador Abel Cardoso Júnior, o samba é mesmo de Ismael Silva. Sílvio não teve crédito no selo como intérprete por ser na época contratado da Victor, mas achou a omissão natural, “apenas uma colaboração”.  O samba também foi apresentado por Chico Alves no segundo espetáculo da série “Broadway Cocktail”, um espetáculo palco-tela apresentado no Cine Broadway. Aracy Cortes, grande estrela dos tempos áureos do teatro de revista, aqui comparece com o samba “Quero sossego”, da parceria Ismael Silva-Nílton Bastos (na edição Francisco Alves também aparece como co-autor), Lançado pela Brunswick por volta de março de 1931, sob n.o 10158-A, matriz 602, foi um dos derradeiros discos lançados no Brasil por essa gravadora, de origem norte-americana, que logo cerraria as portas da filial brazuca, levando para a sede, nos EUA, todas as matrizes de cera que gravou entre nós em pouco mais de um ano de atividades. Da parceria de Ismael Silva com Noel Rosa e Francisco Alves é a marchinha “Assim sim”, gravada na Victor por Cármen Miranda em 31 de maio de 1932 e lançada em dezembro desse ano sob n.o 33581-A, matriz 65502, claro que para o carnaval de 33. No acompanhamento, Harry Kosarin e seus Almirantes (o maestro, então vindo anos antes dos EUA, é considerado o introdutor do jazz no Brasil). Em 1930, a “pequena notável” vira e ouvira Noel com o Bando de Tangarás, no Cinema Eldorado, e, dois anos mais tarde, teria ocasião de trabalhar com o Poeta da Vila, Francisco Alves e Almirante no “Broadway Cocktail”. Cármen não teve oportunidade de solicitar um número especial para gravar. Porém, não ia passar muito tempo para isso acontecer, nascendo daí  este “Assim, sim”. Dando um ligeiro salto no tempo, apresentamos outra marchinha, “Ninguém faz fé”, de Ismael e Paulo Medeiros, com Linda Batista, então no auge da carreira, para o carnaval de 1953, em gravação RCA Victor de 19 de setembro de 52, lançada ainda em dezembro sob n.o 80-1039-A, matriz SB-093478. Aurora Miranda, irmã de Cármen, apresenta mais outras duas marchinhas, ambas de Ismael Silva sem parceiro: “Não vejo jeito”, gravação Victor de 3 de outubro de 1939, lançada em novembro do mesmo ano, por certo para o carnaval de 40, sob n.o 34519-B, matriz 33170, e “Não apoiado”, gravação Odeon  de 7 de janeiro de 1936 lançada bem em cima do carnaval desse ano, em fevereiro, disco 11327-B, matriz 5240. Ainda no campo da marchinha carnavalesca, e também só de Ismael, temos “Macaco me lamba”, da folia de 1951, lançada pela Sinter ainda em dezembro de 50 sob n.o  00-00.026-A, matriz S-50. A última faixa desta seleção, o samba “Fama sem proveito”, parceria de Ismael Silva com Heitor Catumbi, é um mistério. Quem o canta é a carioca Odaléa Sodré (1924-?), acompanhada por Netinho, Antônio Souza e regional, e que teve curtíssima carreira no disco. São conhecidos dois discos comerciaisda cantora, gravados na Columbia em 1936-37, e esta é uma gravação RCA Victor sem data, registrada no acervo do Instituto Moreira Salles com o número 196, o que leva a crer que se trate de disco particular, não comercializado (será que foi para as lojas?). Enfim, uma incógnita. Mas, de qualquer forma, aí vai mais uma contribuição do GRB para a preservação de nossa memória musical. Até a próxima!
* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

Escola De Samba Da Cidade E Paulinho E Sua Bateria – Batucada (1982)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje eu estou trazendo aqui um disco que há muito eu venho querendo postar, porém, ao longo do tempo, percebi que o álbum já estava sendo compartilhado. Daí, achei melhor deixá-lo guardado para uma próxima ocasião. Agora, acho que já é hora de botá-lo novamente para rodar.
“Batucada” é um álbum clássico, lançado originalmente na década de 60, teve uma nova edição em 1982, na série “Reprise” do selo Fontana. É sem dúvida um disco excepcional, tão bom quanto o “Batucada Fantástica” do Luciano Perrone, disco esse já postado aqui. “Batucada” é apresentado pela Escola de Samba da Cidade e por Paulinho e Sua Bateria. Entre os diferentes tipos de batucada, temos aqui também o ‘sorongo’, ritmo criado pelo percurssionista Pedro Santos, também presente no disco. Vale a pena conferir este toque, eu recomendo 😉
estilo clássico
sorongo
bossa nova
cruzado e bossa nova
marcha e frevo
samba do morro
partido alto
baião rojão e maracatú
samba de rua
samba de carnaval
teleco teco
batuque em três andamentos
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Roberto Faissal – Canção Da Mulher Amada (1961)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje eu estou trazendo um disquinho aqui que tem a minha idade e somente hoje é que eu vim a conhecê-lo, ou melhor dizendo, ouví-lo. Eu sempre achei que fosse este um disco de poesia, pois pelo pouco que sei, Roberto Faissal era um rádio-ator da Rádio Nacional. Nunca tive a curiosidade nem de ler a contracapa, embora o álbum já tivesse passado pelas minhas mãos várias vezes. Pois é, mas tudo tem seu tempo e sua hora. Eis que chegou a vez…
Este lp foi lançado em 1961 pela Columbia. Um disco diferente até então. Mal recebido pela crítica, que não pôs muita fé no ator como cantor. Segundo uma nota do jornal carioca A Noite, Roberto Faissal forçava muito a voz nos tons graves ‘sem ter o necessário preparo técnico para tanto’. Mas, distante há mais de meio século, ouvindo hoje eu não tenho essa impressão. Acho mesmo diferente, principalmente porque se trata de uma gravação fora dos padrões da época. Um disco gravado apenas por voz e violão. Coisa que só se ouvia e à maneira da turma da Bossa Nova. Eis aí a ‘canção’ como um estilo. “Canção da mulher amada” é um disco bacana, romântico e sensível. Traz em seu repertório composições muito boas de Roberto Faissal, que surpreende como compositor. Há também canções de autoria de Luiz Antonio, Antonio Maria, da dupla Jair Amorim e Evaldo Gouveia. Este último também é figura importante no disco. É Evaldo Gouveia quem acompanha, ao violão, o cantor.

canção da mulher amada
canção pra saudade ir embora
cantiga de quem está só
canção de onde vem a saudade
canção de eu e tu
canção do amor que volta
canção do amor que lhe dou
canção pra ninar gente grande
canção da rosa que te dou
canção do amor que não vai
canção da procura de mim
canção do que não pode esquecer
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Jorginho Do Império Serrano – Pedra 90 (1974)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Antes que esta quinta feira se transforme em sexta, deixa eu dar um toque musical aqui. Vou trazendo para vocês um disco de samba. Temos aqui o cantor e sambista Jorginho do Império em seu ‘debut’ fonográfico. “Pedra 90” é o nome do disco lançado por ele em 1974, através do selo Equipe. Um disco muito interessante, mas o sucesso só viria mesmo no segundo lp, com a música “Na beira do mar”. “Pedra 90” foi relançado pela Editora Discobertas, do Marcelo Fróes. Jorginho do Império é filho de Mano Décio da Viola, um dos fundadores da Escola de Samba Império Serrano. Hoje, mais que nunca, um artista consagrado, um sambista e passista respeitado, com muitos discos gravados!

pedra 90
olêlê ola lá
volta pro morro
malandro é malandro mesmo
deixe-me viver com ela
quem tem medo de perder nao ganha
dendeca de briga
mais uma casa de bamba
a timidez me devora
minha história
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Raimundo Sodré – Coisa De Nêgo (1981)

Olá amigos cultos e ocultos! Na ligereza do dia aqui vou eu… Variando o variado, aqui vai mais um disco ‘da massa’, do cantor e compositor baiano Raimundo Sodré. Este foi o segundo disco gravado por ele, lançado também pela Polydor, no ano de 1981. Poxa, como o tempo passa de pressa. Esse som ainda está bem presente no meu passado, me lembro como se fosse ontem. Para não estragar o meu prazer, nem vou procurar saber por onde anda o Raimundo Sodré. Espero que ele não tenha entrado como ingrediente na ‘massa’ do bolo baiano que só mesmo na Bahia se consegue consumir. Ele tá sumido, né? Bom, mas o importante é que este é mais um dos seus bons discos, segue mais ou menos a mesma linha do primeiro. Músicas boas, tipicamente baianas sem contaminação e sem serem ordinárias. Muito legal, vale a pena ouvir de novo!

coisa de nêgo
não deixe de sorrir
canto da ‘vorta’ sêca
povo a vista
canto de aprendiz
temperamento latino
realismo fantastico
regaça a manga
desaforo desafio
bebericando
odara odesce
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Raul Caruso – Eu Serei Teu Cantor (1968)

Olá amigos cultos e ocultos! Em meio a pressa, na minha sempre falta de tempo, vou aproveitando o ensejo para apresentar aqui mais um raro e curioso lp, daqueles que só aparecem mesmo aqui, no Toque Musical. Estou me referindo, claro, a este lp, lançado em 1968 pelo selo Hot. Nosso artista em questão chama-se Raul Caruso. Procurei rapidamente alguma informação sobre ele no Google, mas infelizmente não achei nada. Daí, vou me pautando nos dados contidos no próprio álbum. O texto da contracapa é do inesquecível Chacrinha. Nele, o “Velho Guerreiro” nos apresenta sua descoberta, um cantor que imitava a voz do grande Vicente Celestino. Deram a ele o nome de “Raul Caruso” e deve ter sido batizado pelo próprio Chacrinha, que era o seu ‘padrinho’. Foi Abelardo Barbosa quem introduziu o cantor em seu programa e deu a ele a chance de brilhar ainda mais ao conseguir um contrato para gravar o seu primeiro disco. Bem propício para o momento, naquele ano de 68, muitos ainda estavam em choque com a morte de Vicente Celestino. Raul Caruso foi apresentado no programa “Hora da Buzina” e causou sensação, emocionando o público ao cantar as músicas de e ao estilo de Vicente Celestino. De imediato, conseguiu naquela mesma noite um contrato com a Rio-Som (Riversong) para lançar dois lps. Este, como eu já disse, foi o primeiro. Na verdade eu nem sei se ele chegou a gravar o segundo (nunca vi). No presente disco temos, evidentemente, uma série de músicas do repertório daquele que foi chamado ‘a voz orgulho do Brasil’. Pela curiosidade, acho que já vale a pena conhecer Raul Caruso. Vamos lá?

eu serei teu cantor
modinha
noite cheia de estrelas
coração materno
porta aberta
jura-me
helena, helena
o ébrio
a mulher que ficou na taça
castelos de areia
pra que mentir
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A Música De Ismael Silva Na Voz De Francisco Alves – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 84 (2014)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados do Toque Musical! É com muita alegria que apresentamos nesta semana a primeira edição do Grand Record Brazil de 2014, a de número 84. Nela, apresentamos a primeira parte de uma série dedicada à obra musical de um dos maiores expoentes do samba, Ismael Silva.
Batizado como Mílton de Oliveira Ismael Silva, o compositor nasceu em Niterói, na praia de Jurujuba, em 14 de setembro de 1905, filho do cozinheiro Benjamin de Oliveira Chaves e da lavadeira  Emília Corrêa Chaves, e era o caçula de um grupo de cinco irmãos. Aos três anos de idade, em decorrência de complicações financeiras enfrentadas após a morte do pai, mudou-se com a mãe para o Rio de Janeiro, estabelecendo-se no bairro do Estácio de Sá. Ismael frequentou a escola primária e concluiu o ginásio aos 18 anos, após residir em outros bairros cariocas, tais como  o Rio Comprido e o Catumbi. Sua primeira composição, feita quando tinha 15 anos de idade, foi um samba chamado “Já desisti”, nunca levado ao disco. E foi em 1928 que teve seu primeiro samba gravado, “Me faz carinhos”, na voz de Francisco Alves (nesta seleção, juntamente com outras 14 faixas também gravadas por ele). Ambos formaram, ao lado de Nílton Bastos, um trio conhecido como Bambas do Estácio. Em 1928, constituiu-se em um dos fundadores do bloco precursor da primeira escola de samba de que se tem notícia: a Deixa Falar, que desfilou entre 1929 e 1931, e acabou por causa da mudança de Ismael para o centro do Rio, após as mortes de Nílton Bastos e Edgar Marcelino dos Passos, o Mano Edgar. Com a morte de Nílton, passou a compor com Noel Rosa, parceria esta que resultou em 18 músicas, fazendo de Ismael o mais constante parceiro do Poeta da Vila. Mais tarde, porém, acontece uma virada radical na vida de Ismael Silva. Envolvendo-se numa briga do bar, por razões controversas (ou por ciúme ou para defender sua irmã Orestina), atira em Edu Motorneiro, cidadão conhecido nas rodas boêmias cariocas, sem no entanto matá-lo.  Condenado a cinco anos de prisão, cumpriu apenas dois, por bom comportamento. Depois, tornou-se recluso, passando por dificuldades financeiras, só voltando à cena artística em 1950 com o samba “Antonico”, sucesso na voz de Alcides Gerardi. Como intérprete, Ismael Silva gravou três discos de 78 rpm com seis músicas, e mais quatro LPs reunindo  suas composições, um pela Sinter, outro pela Mocambo e outros dois pela RCA. Em 1960, por iniciativa do jornalista Sérgio Cabral, recebeu o título de Cidadão Samba e, da Câmara Municipal do Rio, o de Carioca Honorário, provas de reconhecimento  de sua arte como verdadeiro sambista. Participou dos shows “O samba nasce do coração”, na boate Casablanca (1954) e “O samba pede passagem” (1965), este ao lado de Aracy de Almeida, no Teatro Opinião, além de se apresentar no restaurante Zicartola. Em 1970, recebeu homenagem da boate Jogral, de São Paulo. Um de seus últimos shows foi “Se você jurar”, em 1973, ao lado de Cármen Costa, com produção de Ricardo Cravo Albim. Este também é o título de um de seus sambas mais conhecidos, lista que  inclui “Novo amor”, “Me diga o teu nome”, a já citada “Antonico”, “Ao romper da aurora” (este feito com o grande Lamartine Babo), “Tristezas não pagam dívidas”, “Uma jura que eu fiz”, “Sofrer é da vida”, “Nem é bom falar” (nesta seleção), “O que será de mim?”, “Contrastes” etc. Ismael Silva faleceu no Rio de Janeiro, em 14 de março de 1978, de um infarto causado por complicações surgidas após uma cirurgia para tratar de uma úlcera varicosa que tinha em uma das pernas.

A presente seleção nos traz quinze composições de Ismael Silva interpretadas pelo Rei da Voz Francisco Alves (1898-1952), várias delas em que o cantor figura como parceiro, e a maior parte sambas.  A primeira faixa, porém, é de Ismael sem parceiro: “Choro, sim”, gravação Victor de 21 de novembro de 1934, e, apesar de constar na edição ter sido feita para o carnaval de 35, só lançada em julho desse ano  sob n.o 33946-B, matriz 79784. “Ando cismado” é uma parceria de Ismael com Noel Rosa, gravação Odeon de 27 de outubro de 1932, lançada em dezembro seguinte com o n.o 10936-A, matriz 4532. Um pouco antes, a 29 de junho de 32, e também pela “marca do templo”, Chico gravara uma autêntica obra-prima dos mesmos parceiros, “Para me livrar do mal”, disco 10922-B, matriz 4467. Da parceria Ismael-Chico Viola é “Gandaia”, lado B do disco Odeon 10906, gravado em 23 de março de 1932 e lançado em maio seguinte, matriz 4420. Ambos também fizeram a marchinha ‘Você gosta de mim”, lançada pela Parlophon em dezembro de 1931, visando, claro, o carnaval de 32, sob n.o 13377-B, matriz 131307. Logo em seguida você encontrará o lado A, o samba “Sonhei”, de Chico, Ismael e Nílton Bastos (não creditado na edição), matriz 131306. Também da folia de 1932 são as faixas do Parlophon 13375, lançado junto com o anterior, em dezembro de 31, e que temos logo em seguida: o samba “Amar”, também da santíssima trindade Chico Alves-Ismael Silva-Nílton Bastos, no lado B, matriz  131308, e, no lado A, matriz 131302, a divertida marchinha “Gosto mas não é muito”, inspirada num fato real acontecido após a subida de Getúlio Vargas ao poder: muitos de seus adeptos, antigos e de última hora, almejavam cargos públicos, em tempo de crise braba, e para amenizar a coisa, passou-se a exigir, dos postulantes a tais cargos, requerimento estampilhado, com foto e selo (“Traz o retrato e a estampilha”). Obviamente, aqueles mais chegados ao círculo do poder, os “adeptos do Gegê”, passavam longe de tais exigências, sendo nomeados militares.  Aqui, Ismael e Chico são parceiros de Noel Rosa, que fez a segunda parte mas não foi creditado no selo do disco e na partitura impressa. Em seguida, outro produto da santíssima trindade Ismael Silva-Francisco Alves-Nílton Bastos, o samba “É bom evitar”, lançado pela Odeon por volta de outubro de 1931 sob n.o 10837-A, matriz 4271. Eles assinam ainda as faixas seguintes: “Ironia”, lançada pela “marca do templo” em março de 1931, disco 10767-B, matriz 4136, com provável participação ao bandolim de Luperce Miranda, “Meu batalhão”, em que Chico Alves é acompanhado de seu “Esquadrão”, lançada pela Odeon em janeiro de 1931, claro que para o carnaval, com o n.o 10748-B, matriz 4091, “Olê-leô”, para a mesma folia, gravação de 27 de novembro de 1930 também saída em janeiro de 31 pela “marca do templo” (10745-B, matriz 4068) e o lado A desse disco, o conhecidíssimo “Nem é bom falar”, matriz 4067. Comenta-se que Roquette Pinto, criador do radiodifusão brasileira, ao ouvir o verso “Eu quero uma mulher bem nua”, declarou:  “Todos nós queremos, mas não é preciso dizer”…  “Não é isso que eu procuro”, parceria de Chico Alves e Ismael Silva, gravado na mesma Odeon em 10 de agosto de 1928 e lançado em setembro do mesmo ano com o n.o 10251-B, matriz 1876, foi interpretado pelo Rei da Voz, em dupla com Célia Zenatti, na revista “Eu quero é nota”, encenada no Teatro Carlos Gomes do Rio, e depois incluída em outra revista ali encenada, também com o nome de “Não é isso que eu procuro”.  E, para encerrar, justamente o primeiro samba que Ismael Silva teve gravado: “Me faz carinhos”, que a Odeon de sempre lançou em janeiro de 1928 com o n.o 10100-B, matriz 1480 (diz-se que teria sido antes gravado instrumentalmente pelo pianista Cebola, mas esse disco nunca foi localizado). A autoria de “Me faz carinhos”, no selo e na edição, é atribuída apenas a Francisco Alves, que o comprou de Ismael mais por necessidade imediata de dinheiro por parte do compositor, sem esperar o resultado das vendas dos discos e das partituras. Entretanto, por mais que Chico Viola comprasse parcerias, contribuía, e muito, para o aprimoramento das composições de Ismael quando as gravava e, sem o Rei da Voz, é pouco provável que o sambista niteroiense surgisse na MPB de maneira tão decisiva. Chico Viola também cantou ”Me faz carinhos” numa revista muito adequadamente chamada “Você quer é carinho”, igualmente encenada no Teatro Carlos Gomes. Enfim, uma amostra da genialidade de Ismael Silva, a primeira que o GRB  oferece para deleite de tantos quanto apreciem o melhor do samba e da MPB. Semana que vem teremos mais Ismael Silva. Encontro marcado!

* Texto de Samuel Machado Filho

Djalma Dias – Destaque (1973)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Nunca tive muito interesse no YouTube, que fosse além do de espectador, para ver vídeos e ouvir música. Foi justamente pensando no ouvir que de uns tempos pra cá eu passei a flertar com essa telinha digital. Ainda estou nos primeiros passos, mas acho que logo vou incrementar minha conta por lá com alguns vídeozinhos de música. Quem sabe até eu crie alguns clips mais elaborados. Acho que mais essa dobradinha pode dar pé 😉 Precisamos divulgar mais esse Toque Musical, afinal, de ocultos aqui já bastam vocês, não é mesmo?
Hoje eu estou trazendo o álbum “Destaque”, do cantor Djalma Dias. Eu já havia postado aqui, anteriormente, outros dois discos onde o cantor e sambista é também destaque. Aproveito até para replicar o que já havia escrito. Djalma foi cantor de boate, intérprete vitorioso em festivais e de trilhas de novelas da Rede Globo. Gravou diversos sucessos, entre os mais famosos temos “Capitão de Indústria”, de Marcos e Paulo Sérgio Valle para a novela “Selva de Pedra”. Aliás, é bom dizer, Djalma gravou diversas músicas dos irmãos Valle. Isso muito se deve ao fato de que Marcos Valle tinha contrato com a Som Livre, era um dos principais compositores para os programas da Globo e Djalma Dias era também contratado, principalmente como cantor e atuando em coros de trilhas e especiais da emissora. Ele gravou vários discos, os quais ainda hoje são difíceis de ver (e ouvir) na blogosfera.
Em “Destaque”, vamos encontrar um repertório muito bom, amarrado por músicas de qualidade de compositores como Adoniran Barbosa, Antonio Adolfo, Djavan, Johnny Alf, Antonio Carlos & Jocafi, Marcos e Paulo Sergio Valle e outros mais… Este disco foi produzido por Estáquio Sena, com arranjos de Waltel Blanco.

saudades de lá
menino levado
dono de casa, boa noite
as moças
só lágrimas
num arredo pé
tocar na banda
o galo cantou
marina, marina
de ontem pra hoje
desgruda
minha serenata
.