The Modern Tropical Quintet (1966)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Sei que poucos são aqueles que se dão ao trabalho de ler os textos e resenhas do blog, mas é através desses que eu informo o que precisa ser informado. Vocês não fazem ideia, mas ficar repetindo orientações sobre o Toque Musical todos os dias, enche o saco! Daí, passei agora a nem responder perguntas cujas as respostas estão nos textos laterais. Quem não me dá atenção, não merece atenção.
E por falar em atenção, eu hoje estou trazendo aqui um disco que muitas vezes passou pelas minhas mãos, mas eu nunca havia lhe dado ouvidos. Recentemente apareceu um por aqui e eu agora ouvindo achei ótimo. Ideal para uma postagem de domingo, para espantar aquele mal estar típico que vem nessa hora. Domingo só é bom quando a segunda feira é feriado 😉
Pois bem, temos aqui o “The Modern Tropical Quintet”, um interessantíssimo conjunto surgindo no início dos anos 60. Peculiar pela sua  origem, trajetória e qualidades musicais. Segundo nos conta o texto da contracapa e também outras fontes que eu consultei pelo Google, o grupo nasceu na Europa, mais exatamente em Copenhage. formado por quatro músicos brasileiros: os irmãos Wilson Ribeiro (guitarra) e Waldemar Ribeiro (contrabaixo); Plínio Metropoulos (piano) e Edgar Teixeira (bateria). O quinto elemento do grupo era uma cantora holandesa, Sara Chérien (esposa do baterista). The Modern Tropical Quintet fez muito sucesso na Europa, onde tudo começou. Tocaram em vários países participando de festivais e clubes de jazz. Seu repertório era eclético e de qualidade, indo do jazz a bossa nova, passando por diferentes da ‘standards’ da música internacional. Em 1965 eles vieram para o Brasil ‘de mala e cuia’ e se tornaram um dos mais queridos e requisitados conjuntos de baile de São Paulo. Ao que consta, gravaram apenas este lp e um compacto (Gamboa). Sua sonoridade e arranjos, fazem deste um conjunto diferenciado. Conforme nos conta o texto de apresentação na contracapa, o MTQ possuía seu próprio equipamento de som, não usando nunca aparelhagem dos clubes e boates onde se apresentavam. Neste disco, as gravações foram feitas com equipamento próprio do quinteto. Eles usaram apenas o espaço acústico do estúdio para sua realização. Por aí já dá para sentir o ‘naipe’ da turma. Coisa fina! Muito gostoso de ouvir. E certamente, um disco raro que merece o nosso toque musical, não é mesmo? 😉

midnight in moscow
sabor a mi
daar big die moolen
don’t dream of anybody but me
suavecito
fascinating rhythm
samba colorido
luna caprese
all my loving
bauble, bangles and beads
i love paris
hello dolly
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Ely Arcoverde – O Orgão Que Canta Sambas (1967)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Enquanto ainda me sobra um tempo, vou mandando ver nas postagens, que de uns tempos para cá passaram a não ser tão diárias como antes. No receio de não conseguir segurar a peteca, escalei o amigo Samuca para cuidar das reservas. Logo ele também estará aqui e certamente apresentando nossos discos de uma forma mais completa e envolvente. Aguardem!
Eu hoje estou trazendo um disco que comprei recentemente. Não fosse o amarelado, a oxidação do papel da capa, eu diria que  este é um disco novo. Aliás, o vinil realmente é novo e ao tirá-lo da capa a impressão que me deu foi a de que nunca foi tocado por mãos ou agulha. Ficou guardado por 47 anos e só agora está entrando na trilha. Adoro isso. Adoro escutar discos antigos e novos assim. Melhor ainda quando o artista é de primeira linha e traz no álbum um repertório no mesmo nível. Claro, estou falando do Ely Arcoverde que neste lp, produzido pela Fermata através de seu selo Premier, dá um verdadeiro show nos teclados. Peraí… teclados não, orgão elétrico! E o que ele faz no instrumento é mesmo genial, o título do álbum já diz tudo, “o orgão que canta sambas”. E canta mesmo. O cara consegue tirar sons em seu orgão que parece mesmo canto. Muito bacana! E como vocês mesmos podem ver, o repertório é ótimo!

helena, helena
eu não tenho onde morar
marina
rosa morena
não tem solução
favela
nunca mais
o nosso amor
copacabana
ta-hi (taí)
carinhoso
fechei a porta
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Brazil By Music – Brazil By Cruzeiro (1972)

Olá amigos cultos e ocultos! Aproveitando o intervalo do jogo dos dois centenários, Atlético X Palmeiras pela Copa do Brasil, vou logo fazendo a postagem do dia antes que esta acabe ficando para amanhã. Na verdade, bem que podia, pois ainda não ‘mapeei’ bem este álbum. Ou seja, ainda não encontrei as informações corretas sobre ele. O que posso dizer é que se trata de um álbum promocional da Linhas Aéreas Cruzeiro do Sul. Um disco cujo o ‘carro chefe’ é o seu famoso jingle, que pelo que sei foi criado pela turma do Azymuth, ainda em sua fase embrionária. Ao que consta em outras fontes, o disco é uma parceria do Azymuth como o Marcos Valle. No álbum não há se quer uma informação a esse respeito. Não há ficha técnica ou qualquer outro sinal além das músicas e arranjos, que para um bom conhecedor apontam para este que (ainda) é um dos melhores grupos instrumental brasileiro. O álbum, de capa dupla, traz um repertório bem elaborado com vários clássicos da MPB em arranjos brilhantes. Por conta de tudo isso e também do número limitado de cópias lançadas, este disco se tornou um objeto de desejo para muitos colecionadores. Se alguém tiver interesse, creio que o disco ainda está disponível para venda. Basta dar um toque, ok?

jingle cruzeiro
está fazendo um ano – aquarela do brasil
zazueira – mas que nada
tristeza
país do futebol
até pensei
zanzibar
nào tem solução – marina – rosas
samba de verão
prenda minha
asa branca
wave
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Conjunto Sambacana Vol. 3 (1969)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Conforme eu já informei aqui, o nosso amigo Samuca estará participando mais ativamente nas postagens do Toque Musical. Ele agora também participa com suas resenhas em outras publicaçoes, cobrindo assim os espaços que tenho deixado na semana. Nesse sentido, ele será como os ‘discos de gaveta’, um reserva pronta para entrar em ação sempre que a coisa por aqui complicar.
Hoje eu trago para vocês um disco literalmente bacana, o volume 3 do Conjunto Sambacana, criado por Pacífico Mascarenhas, o pioneiro da Bossa Nova em Minas Gerais ainda na primeira metade da década de 60. Eu já havia postado aqui os outros dois primeiros volumes e também o quarto, já dos anos 70. Faltava então o terceiro volume, que é tão bom quanto os demais e da mesma forma um disco raro, peça de colecionador. Neste álbum, lançado pela Odeon em 1969 vamos encontrar um repertório delicioso, com músicas de Pacífico e também outros autores, entre os mais conhecidos, a dupla Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, Tito Madi e, inclusive, o Bob Tostes, que só agora eu me dei conta de que é aquele que aparece na capa, em primeiro plano, cantando ao lado de duas outras cantoras. Confiram longo, porque como eu disse, este é um conjunto bacana 😉

tarde azul
moça
canto puro amor
saudade nos olhos
a bela da feira
perdido no espaço
giro
além do horizonte
tudo azul
por que
em canto antigo
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Carlos Galhardo (parte 2) – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 114 (2014)

E estamos de volta com o Grand Record  Brazil, em sua edição de número 114, apresentando a segunda parte da retrospectiva dedicada a Carlos Galhardo (1913-1985), “o Cantor que dispensa adjetivos”. São mais doze faixas preciosas e imprescindíveis para todos os que apreciam a arte de cantar no que ela tem de mais belo e expressivo.  Abrindo nossa seleção desta semana, Galhardo apresenta “Ai, amor”, samba de dois Robertos, Martins e Roberti, gravado na Victor em 25 de agosto de 1939 e lançado em novembro do mesmo ano sob n.o 34508-B, matriz 33153. Roberto Martins também assina, agora com Ari Monteiro, a faixa seguinte, “Vinte e três de abril”, data consagrada a São Jorge, e inspiradora deste samba que Galhardo imortalizou na já então RCA Victor em 27 de fevereiro de 1948, com lançamento em abril seguinte com o n.o 80-0579-A, matriz S-078829. Do carnaval de 1960 é a marchinha “Cachopa”, de Augusta de Oliveira e Madalena Correia, gravada em 14 de setembro de 59 e lançada ainda em dezembro sob n.o 80-2148-B, matriz 13-K2PB-0759, e no LP coletivo “Carnaval RCA Victor”, isso já numa época, sempre é bom frisar, de transição do 78 rpm para o vinil. Recuando no tempo, temos em seguida o samba “Cantar pra não chorar”, de autoria do lendário Paulo da Portela em parceria com um dos pioneiros do gênero,  Heitor dos Prazeres, que Galhardo grava na então Victor em 15 de dezembro de 1937, com lançamento bem em cima do carnaval de 38, em fevereiro, sob n.o 34278-B,matriz 80634. Mostrando que foi talvez o cantor do Sul do Brasil mais fiel ao frevo,gênero com o qual estreou em disco, Galhardo apresenta “O frevo é assim”. De autoria de Nélson Ferreira, um craque do gênero, em parceria com o também  pernambucano Nestor de Holanda, este frevo-canção do carnaval recifense de 1946 foi gravado na marca do cachorrinho Nipper em 23 de outubro de 45, sendo lançado ainda em dezembro com o número 80-0353-A,matriz S-078302, com acompanhamento da orquestra do maestro paulista Aristides Zaccarias, que também animava os bailes de carnaval pernambucanos.  A faixa seguinte, aliás, é do primeiríssimo disco de Carlos Galhardo, o Victor 33625.  É a “marcha pernambucana” (como então era chamado o frevo-canção) “Que é que há?”, de Nélson Ferreira sem parceiro., lado B desse histórico 78 do cantor, gravado em  26 de janeiro de 1933 e lançado em março seguinte, matriz 65659. Da primeira safra de Galhardo na Odeon (onde gravaria seus derradeiros discos, nos anos 1970) é a marchinha “Serpente do amor”, do carnaval de 1937. De autoria de Benedito Lacerda e Aldo Cabral, foi gravada na “marca do templo” em 31 de outubro de 36, com lançamento ainda em dezembro sob n.o 11421-A, matriz 5433. Retornando à Victor, temos a valsa “Mares da China”, da profícua parceria João de Barro (Braguinha)-Alberto Ribeiro, que Galhardo imortaliza em 20 de junho de 1938, com lançamento em outubro do mesmo não,sob número 34365-A, matriz 80831. “Deus no céu, ela na terra”, samba de Wilson Batista e Marino Pinto, é uma daquelas manifestações à chamada mulher ideal, então comuns. Galhardoo imortalizou na marca do cachorrinho Nipper em 14 de junho de 1940, devidamente acompanhado de regional, com destaque para a expressiva clarineta do mestre Luiz Americano, indo para as lojas em agosto seguinte, sob n.o 34643-B,matriz 33443. “Flor do céu”, de autoria creditada a Rômulo Paes e Henrique de Almeida, é na verdade adaptação, em ritmo de fox, de uma modinha de cunho tradicional, “É a ti, flor do céu”, regravada até mesmo pelo ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira.  Esta versão foi gravada por Galhardo na já então RCA Victor em 8 de junho de 1956, sendo lançada em agosto seguinte com o número 80-1654-A, matriz BE6VB-1182. “Cármen”, valsa de Paulo Barbosa e Cristóvão de Alencar, o “amigo velho”, é o lado B do disco de “Cerejeira do Japão” (apresentada em nosso volume anterior), o Victor 34659, gravado em 16 de julho de1940 e lançado em outubro do mesmo ano, matriz 33473. Também de Paulo Barbosa, agora em parceria com Francisco Célio, é a valsa que encerra nossa seleção desta semana, “Quero a teus pés te adorar”, outra preciosidade da rica safra de Galhardo na Victor, gravada em 27 de janeiro de 1940 e lançada em março do mesmo ano, disco 34585-B, matriz 33320. Na próxima semana, encerraremos esta retrospectiva dedicada a Carlos Galhardo, um cantor que, de fato, dispensava qualquer adjetivo. Até lá!

Texto de Samuel Machado Filho

Le Bateau – Ao Vivo (1970)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Em nossa última postagem eu trouxe para vocês a discotecagem do “Baile da Pesada”, do Big Boy e Ademir. Para completar a onda, aqui vai mais um lançamento da Top Tape. Uma seleção musical pop internacional do DJ Ademir Lemos. Como já foi dito anteriormente, Ademir era o cara que botava fogo nas pistas de dança e na mais famosa da época, a boate Le Bateau. Este disco pretende criar a mesma atmosfera, numa sequência de hits feitas pelo Ademir, dando ao ouvinte uma ideia do que rolava de novidade naquela boate. O interessante é que muitos dos hits internacionais viravam sucesso por aqui através de coletâneas como esta, criadas e ‘aplicadas’ por figuras como o DJ Ademir Lemos e o Big Boy. As músicas chegavam antes mesmo dos discos. Inclusive, muitos desses artistas e conjuntos estrangeiros não foram lançados em lp no Brasil. Quem ditava o sucesso pop da época eram esses caras!
No álbum “Le Bateau” temos uma seleção programada na qual os produtores dividiram em Viagem 1 (lado A) e Viagem 2. Como a relação das músicas não consta na capa e contracapa, estou listando logo a baixo, porém, decidi manter o clima, sem separá-las, mantendo assim o clima, ou a linearidade da ‘onda’, ok?

come on my baby – joey levine
sweet magic – rock candy my
my baby loves lovin – joe jeffrey
what’s your game – ronnie milsap
grovin with mr. bloe – wind
tell the truth – paul flagg
slip around – charles hodges
wan-tu-wan-zuree – george tindley
movin – don young
no second thoughts – top shelf
be my baby – fragile rock valley
kool and the gang – kool and the gang
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Big Boy & Ademir – Baile Da Pesada (1971)

Hello crazy people, cultos e ocultos! Pintou uma brecha, eu corri para cá só para trazer um disco que muita gente vai querer ouvir. Trago hoje para vocês um vinil diferente cujo o conteúdo musical nada tem a ver com a nossa proposta nacionalista. Como todos devem saber, o Toque Musical só publica a produção musical e fonográfica nacional, ou em raríssimas exceções algo internacional, desde que este tenha alguma relação, ou esteja inserido num contexto que o permita. No caso aqui, o que realmente importa não é a música em si, mas a produção e os personagens envolvidos nela. Me refiro às figuras de Big Boy e Ademir Lemos, dois lendários ‘disc-jockey’, que foram os pioneiros e precursores dos bailes funk no Rio de Janeiro. Big Boy era ainda mais conhecido devido ao fato de também ser um radialista, um verdadeiro ‘crazy boy’ do rádio, apresentando as novidades da música pop internacional. Foi muito, através dele que diferentes grupos e artistas estrangeiros passaram a ser conhecidos no Brasil. Ademir, por sua vez, era o papa das ‘pick-ups’ e fazia sucesso na boate Le Bateau. Este disco apresenta uma sequência variada de música pop, na época, lançamentos internacionais, selecionados pelos dois dj’s. Discos como este acabavam se tornando a programação musical de muitas rádios, prontos para o consumo. A produção da Top Tape é primorosa, um álbum de capa dupla, com desenhos do artista Albery. Sem dúvida, um disco interessante de ter nas mãos. Um fetiche que já não está ficando barato no Mercado Livre. Um disquinho deste em bom estado tá valendo mais de 100 pratas! Confiram no nosso GTM os ‘grilos’ 1 e 2, nomes das sequências dessa seleção pop internacional. Tá pela hora… 😉
Para esta postagem eu não irei listar as músicas e seus interpretes. Quem tiver interesse em saber, basta consultar as informações internas do álbum.

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Sérgio Reis – Saudade Da Minha Terra (1975)

Olá amigos cultos e ocultos! Repetindo sempre a mesma ladainha, meu tempo para o Toque Musical anda curtíssimo. Agora então, mais ainda. Estou cheio de outros trabalhos para fazer. Porém, eu não gostaria de deixar as postagens por contas do acaso, quebrando o ritmo e afastando as pessoas. Já basta o fato de sermos obrigados a criar um grupo (o GTM) para acesso aos links, que acaba sendo mais um obstáculo. Diante a situação, estou agora contado ainda mais com a colaboração do amigo Samuel Machado Filho, o Samuca, que passa a atuar também com suas resenhas, não apenas para a coleção Grand Record Brazil. Ele estará aqui com mais frequência, enriquecendo com informações detalhadas nossas postagens.
Para a postagem de hoje eu estou trazendo o Sérgio Reis em um de seus melhores trabalhos. Disco lançado na década de 70 pela RCA Victor. “Saudade de Minha Terra” foi o seu terceiro lp. Um álbum de qualidade com um repertório fino do melhor da música (verdadeiramente) sertaneja. Sergio Reis é assistido por arranjos e regências de Daniel Salinas, Pepe Ávila, Peruzzi e Elcio Alvarez. Neste disco iremos encontrar clássicos como…

saudade de minha terra
chico mineiro
rio de lágrimas
coração de luto
pé de cedro
folia de rei
poeira
divino espirito santo
mágoa de boiadeiro
chalana
pingo d’agua
cavalo preto
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Carlos Galhardo (parte1) – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 113 (2014)

Esta semana,o Grand Record Brazil apresenta a primeira de três partes de uma retrospectiva que homenageia um dos mais queridos cantores da música popular brasileira, considerado um dos “quatro grandes” da década de 1930, ao lado de Francisco Alves, Sílvio Caldas e Orlando Silva, e de carreira lôngeva e expressiva. Falamos, evidentemente, de Carlos Galhardo. Na pia batismal, nosso biografado recebeu o nome de Catello Carlos Guagliardi, e era filho de italianos,Pedro Guagliardi e Savéria Novello. Segundo Norma Hauer em seu livro “Uma voz que é um poema”, sua mãe engravidou no Rio de Janeiro, mas ele veio ao mundo na capital argentina, Buenos Aires, para onde toda a sua família se deslocou em busca de melhor sorte, em 24 de abril de 1913. Quando Galhardo tinha apenas dois meses de nascido, ele e seus familiares (também tinha dois irmãos, nascidos na Itália, e uma irmã, nascida no Rio) mudaram-se para São Paulo, onde permaneceriam apenas  outros dois meses, transferindo-se definitivamente para o Rio,  e fixando-se no Estácio de Sá, bairro da primeira escola de samba, a Deixa Falar.  Enquanto fazia o grupo escolar, o pequeno Catello foi encaminhado para a batalha da vida, como aprendiz de alfaiate. Por algum tempo, trabalhou como balconista de charutaria, ali cultivando uma amizade que seria útil para a primeira oportunidade de sua carreira, como veremos a seguir. Voltando à tesoura e à agulha, em seguida, chega a ser oficial de paletó, a ponto de confeccionar um jaquetão para Getúlio Vargas,quando chefe do governo provisório,  logo que assumiu o poder pela primeira vez, em 1930. Aos oito anos, Galhardo perde a mãe, e o pai, que trabalhava no ramo lotérico, casa-se de novo, tendo mais cinco filhos! Galhardo não conheceu dificuldade alguma na carreira artística. Já vinha cantando para os amigos, principalmente músicas italianas, fiel às origens. Numa festa familiar, a que compareceu Francisco Alves, canta exatamente uma página do repertório do Rei da Voz, a canção “Deusa”, de Freire Júnior. Foi devidamente aprovado por Chico Viola, mas precisava de uma oportunidade mais concreta. Aí é que entra em cena Maria Rita de Carvalho, a Mariazinha, manicure que conhecera em um salão de beleza, que funcionava em conjunto com a charutaria em que ele havia trabalhado. Mariazinha, por sua vez, conhecia uma pessoa relacionada com o compositor e violonista Bororó, que então trabalhava na Rádio Educadora do Brasil. Por esse intermédio, Galhardo foi ouvido por Bororó num ambiente inusitado e o mais sossegado naquele momento:  o banheiro da rádio! E foi logo escalado para cantar ao microfone da emissora.  Nessa apresentação, para sua sorte, estava Leslie Robert Evans, o Mister Evans da Victor, então diretor e engenheiro de gravações no selo do cachorrinho Nipper, que logo manda seu assistente, João Martins, em busca do futuro astro. E Galhardo, com apenas 19 anos de idade, é designado pela Victor para cantar no coro das gravações e ganhar alguma experiência. Finalmente, em janeiro de 1933, grava seu primeiro disco-solo, interpretando dois frevos para o carnaval recifense desse ano: “Você não gosta de mim” e “Que é que há?”.  No final desse ano, Galhardo obtém seu primeiro grande hit nacional: a marcha natalina “Boas festas”, de Assis Valente. Grava também na Columbia (futura Continental), e na Odeon, retornando à RCA Victor. Com voz emotiva e bem timbrada, revestida de uma maciez incomum, Galhardo brilhou por décadas em nosso cenário musical, atuando em emissoras de rádio, cassinos, cinema e televisão, percorrendo todo o Brasil, e, em 1952, fez uma vitoriosa excursão a Portugal.  Sem contar os LPs, foram cerca de 580 gravações em 78 rpm, e numerosos sucessos. Como “Rei da Valsa” e “O Cantor que Dispensa Adjetivos”, foi grande em todos os gêneros, na canção romântica, nos sambas e nas marchinhas, tanto no meio-de-ano como no carnaval, além de ter gravado as chamadas datas festivas (Natal, aniversários de nascimento e casamento, Dia dos Pais e das Mães, festas juninas…) mais do que qualquer outro intérprete de seu tempo. Residindo no Estácio, Galhardo era evidentemente torcedor do América Futebol Clube. Também teve cavalos no Jockey Club e um sítio, onde descansava da agitação do meio artístico. Casou-se com Eulália, em 1955, na maturidade dos seus 42 anos, dessa união nascendo três filhos: Carla Maria, Sandra Maria e Eduardo César. Era responsável  e tranquilo, como ser humano, o que só fazia aumentar a simpatia e a admiração de seus milhões de fãs, que até hoje cultuam carinhosamente sua memória.  Foi um dos fundadores, em 1962,  e presidente da Socinpro  (Sociedade Brasileira de Administração e Proteção dos Direitos Intelectuais). Seu último trabalho em disco foi o LP “Parabéns a mim por ter você”, lançado pela EMI-Odeon em 1978. Em 1983, Galhardo faz sua última apresentação artística, no espetáculo “Alá-lá-ô”, de Ricardo Cravo Albim, dedicado ao compositor Nássara (parceiro de Haroldo Lobo na marchinha homônima,  um dos inúmeros sucessos carnavalescos do intérprete, em 1941), realizado na Sala Funarte-Sidney Miller. Carlos Galhardo faleceu em 25 de julho de 1985, no Rio de Janeiro, aos 72 anos. De seu imenso legado na cera, o Grand Record Brazil oferece, para começar, 12 expressivas páginas, a maior parte gravadas na Victor, mais tarde RCA Victor. Abrindo esta seleção, “Linda butterfly”, fox-canção de Georges Moran (russo radicado no Brasil) e Oswaldo Santiago, registro de 26 de janeiro de 1939, que imediatamente vai para as lojas, em fevereiro, sob n.o 34415-A, matriz 80994. Revelando uma postura crítica em relação ao saudosismo de que as épocas sempre padeceram, a valsa ”Antigamente era assim”, de Custódio Mesquita e Ari Monteiro,é levada a disco por Galhardo em 11 de fevereiro de 1943, e a Victor a lança em maio do mesmo ano, disco 80-0076-A, matriz S-052718. Galhardo depois interpreta o fox “Sombras ao luar”, de José Maria de Abreu e Francisco Matoso, em gravação de 9 de abril de 1941, editada em  junho do mesmo ano com o n.o 34752-A, matriz 52174. Um dos maiores violonistas brasileiros, Dilermando Reis assina, em parceria com Jair Amorim, a valsa “Se ela perguntar”, imortalizada por Galhardo na já então RCA Victor em 18 de janeiro de 1952, e lançada em abril do mesmo ano com o número 80-0865-B, matriz S-093172. O disco vendeu cerca de duzentas mil cópias, principalmente porque do lado A estava “Mãezinha querida”, outro clássico do repertório de Galhardo, o que por certo ajudou “Se ela perguntar” a ser igualmente sucesso.  Na quinta faixa, outro fox, “Perfil”, da festejada parceria Roberto Martins-Mário Rossi (responsável também por outra famosa composição do gênero, “Adeus”, na voz de Gilberto Alves), que Galhardo grava em 16 de abril de 1943 e a Victor lança em junho com o número 80-0089-A, matriz S-052756. “Que importa?” é uma valsa do mesmo Mário Lago que deu a Galhardo os hits “Devolve”,  “Não quero saber” e “Será?”, gravação Victor de 13 de julho de 1942, lançada em setembro do mesmo ano, disco 34961-A, matriz S-052580. “Cerejeira do Japão”, fox-canção de Paulo Barbosa e Jorge Ronaldo, é uma nostálgica lembrança da terra do sol nascente bem antes das bombas atômicas que cairiam sobre Hiroshima e Nagasaki, pondo fim (embora trágico) à Segunda Guerra Mundial. Galhardo o imortalizou na Victor em 16 de julho de 1940, com lançamento em outubro do mesmo ano, disco 34659-A,matriz 33472. “Beija-flor”, de Roberto Martins e Torres Homem, é outra das inúmeras valsas que Galhardo tornou clássicas, em gravação Victor de 25 de março de 1940, lançada em maio do mesmo ano, disco 34606-A, matriz 33360. Provando que era também o “Cantor das Efemérides”, Galhardo apresenta a seguir “Bodas de prata”, valsa até hoje lembrada e conhecida, de Roberto Martins e Mário Rossi, gravação de 23 de março de 1945 que a Victor lança em julho do mesmo ano, disco 80-0291-A,matriz S-078140. Tem inúmeras regravações, inclusive do próprio Carlos Galhardo.  “Indiferença” é outra valsa, esta de Georges Moran e J. G. de Araújo Jorge (escritor discutido mas muito lido), imortalizada por Galhardo na marca do cachorrinho Nipper em  4 de maio de 1944 e lançada em julho do mesmo ano, disco 80-0191-A, matriz S-052956. “Linda borboleta”, de João “Braguinha” de Barro e Alberto Ribeiro,é outra bela e graciosa valsa que Galhardo tornou célebre, em gravação Victor de 9 de agosto de 1938, lançada em outubro do mesmo ano com o n.o 34365-B, matriz 80859. Tão famosa a ponto de certa vez, quando Galhardo estava se apresentando em seu programa de rádio, alguém lembrar a ele:”Se você não cantar ‘Linda borboleta’, os ouvintes vão telefonar aqui pra emissora reclamando!” Por fim, o primeiro grande êxito romântico de Galhardo, a valsa-canção “Cortina de veludo”, de Paulo Barbosa e Oswaldo Santiago, gravada na Columbia em 15 de maio de 1935, sendo lançada com o número 8156-A, matriz 1092, e ganhando mais tarde reedições com os números 55118 (ainda pela Columbia) e 15013 (já pela Continental). Em sua primeira fase na Victor, Carlos Galhardo só podia gravar sambas e marchinhas, e por isso transferiu-se para a Columbia, onde gravaria 20 discos com 19 músicas.  Foi quando teve a oportunidade, negada na marca do cachorrinho Nipper, de se lançar como cantor romântico, lançando justamente “Cortina de veludo”. Galhardo, um ano mais tarde, retornaria à Victor, agora registrando também hits românticos, sem se descuidar do samba e da marchinha. Nas próximas duas semanas, teremos mais páginas do repertório do inesquecível Carlos Galhardo. Aguardem!

* Texto de Samuel Machado Filho

 

Juarez Araújo – Sax Maravilha Samba (1976)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Temos para hoje um disco de samba, com o fabuloso saxofonista Juarez Araújo. Lançado originalmente em 1976 pelo selo CID, o álbum se chamou “Sax Maravilha Samba”. Na década seguinte ele voltou a ser relançado pela mesma gravadora, só que desta vez com um outro nome e uma nova capa, “Sax Sambando”. Coisas de gravadoras. E é isso aí… Um disco cujo o repertório, como todos podem ver é de sambas, cantados em côro e tendo os solos de Juarez como ‘o grande poder transformador’. O repertório é bom (com algumas ressalvas). A produção artística é de Durval Ferreira. Mas quem salva mesmo o disco é o Juarez 🙂
argumento
leonel leonor
mestre sala dos mares
moro onde não mora ninguém
tô chegando, já cheguei
quantas lágrimas
o ouro e a madeira
aquarela brasileira
na beira do mar
o mar serenou
moça
se não for por amor
brasil pandeiro
.

Samba Soul – Do It Samba Soul (1978)

Olá amiguíssimos, cultos e ocultos! Aqui vamos nós… E por que hoje é sábado, vamos que vamos… Vamos dançar, seja aos moldes anos 50, 60, 70 e tal… Nos embalos de sábado a noite eu trago para vocês este curioso álbum de ‘dancing music’ dos anos 70, mais exatamente conhecida como ‘discoteque’, produção brazuca, lançada nos ‘States’ em 1978 pela RCA americana. O conteúdo musical, a febre do momento, a música dançante. Embalos mixados de hits nacionais e internacionais da época, gravações feitas no Brasil e em Nova Iorque. Uma bela capa, uma bela garota latina, bem brasileira e tipo exportação. Tudo como manda o figurino. Perfeito! Temos assim um disco para americanos com ‘tempero’ brasileiro, feito nos Estados Unidos por músicos e outros profissionais brasileiros. Interessante

i’m in you
her we go again
sometimes whem we touch
keep your eyes on the sparrow
black coco
dancing days
biorritmical
loco man
.

Osmar Milito – Ligia (1978)

Olá, caríssimos amigos cultos e ocultos! Segue aqui uma boa contribuição do amigo Bruno, colecionador de raridades e curiosidades. Andei pegando com ele alguns discos diferente. As vezes eu fico meio cansado dos discos que tenho e daí, só mesmo algo diferente para animar.
Temos aqui um disco do Osmar Milito que eu não conhecia. Fiquei curioso para ver a sua performance em músicas de Tom Jobim, que aqui tem umas quatro, inclusive a que dá nome ao disco. Há também músicas do Chico Buarque, João Donato, João Gilberto e outras também bacanas. Achei interessante os arranjos, que são de Ugo Morotta. Milito vem acompanhado de um time de primeiríssima, só nêgo fera, como bem se pode ver na imagem da contracapa. Vale uma conferida 😉

ligia
atrás da porta
estrada branca
o morro
morning
dauphine
andorinha
mentiras
o que será (a flor da terra)
jodel
little tracy
oh balalá
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The Blue Star Gang – Superstar (1970)

Vejam vocês como são as coisas nesse mundo de quem gosta de discos, músicas e coisa e tal… Curiosidades… Há pouco mais de duas semanas descobri este lp que apresento hoje a vocês. Encontrei o disco entre outras preciosidades, nas bancas da loja de um amigo. Ele tem muita coisa interessante e rara. Uma das raridades é este lp, que eu ao longo da minha jornada ‘fonomusical’, nunca tinha ouvido falar. Me deparei com um disco realmente interessante, para não dizer curioso e mais ainda, um mistério que aguça o espírito investigador da turma aqui do Toque Musical. Será que alguém pode nos esclarecer algo além do que nos informa a própria capa? O que temos aqui, trata-se da ‘Gang da Estrela Azul’, ou ‘The Blue Star Gang’, um nome bem criativo para um grupo que me parece coisa inventada. Porém, a contracapa afirma  que é um grupo formando por gente da Bossa Nova. Vai ver que eram os músicos de estúdio dando aquela relaxada, tocando sem compromisso o que ficou tão bom quanto os originais.
Como disse, fiquei conhecendo este disco há pouco tempo. Logo na sequencia, coincidentemente e por outras fontes já me apareceram aqui mais duas cópias do mesmo disco. Agora sou eu quem tem dois. Alguém quer comprar um? 🙂

cool and the gang
superstar
i’ll never fall in love again
sambaloô
arizona
pout pourri jorge ben
que maravilha
se você quiser mas sem bronquear
cadê tereza
let the sunshine in – aquarius
tank you
love letters
tio macro
venus
coqueiro verde
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Luiz Americano – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 112 (2014)

E prossegue a brilhante trajetória do Grand Record Brazil, agora em sua edição de número 112. Nela, apresentamos significativa parcela do legado de um clarinetista e saxofonista cuja história se confunde com o desenvolvimento de nossa música popular: Luiz Americano Rego. Nascido em 27 de fevereiro de 1900,em Itabaiana, Sergipe (e não na capital do Estado, Aracaju, como divulgado em sua biografia conhecida), Luiz Americano teve toda a sua cultura musical criada no seio de uma geração de grandes músicos de sopro. A começar por seu pai, professor e incentivador, o mestre de banda Jorge Americano (1860-1926), e seu primo, o maestro Antônio Melo (1902-2002, membro da renomada Filarmônica de Nossa Senhora da Conceição, hoje também conhecida como Orquestra Sinfônica de Itabaiana. Iniciou seus estudos de clarinete com o pai, aos 13 anos.  Em 1920, o Sr. Jorge traz a família (esposa e quatro filhos) para o Rio de Janeiro, em busca de um futuro melhor para todos, face à arte musical que ele e o filho Luiz (então já casado com Dulcineia Costa Rego) dominavam, além de fugir das péssimas condições de saneamento de Itabaiana.  Por essa época, Luiz Americano já estava no Exército,como músico instrumentista, largando a farda os 22 anos.Luiz  faz suas cinco primeiras gravações em 1925, ainda no processo mecânico, todas elas maxixes:  três de sua autoria (“Gozando a vida”, “Me deixa, Donzela” e ‘Tico-tico”), um de Freire Júnior (“Coração que bate, bate”) e outro do baterista Júlio Casado (“Nacionalista”).  Foi um pioneiro na utilização da clarineta no choro, angariando prestígio como solista durante as décadas de 1920, 30 e 40. Tornou-se o músico mais requisitado da época, inclusive para participar em inúmeras gravações, atuando, em discos e shows, com as mais importantes orquestras do período (Simon Bountman, Justo Nieto, Romeu Silva, Raul Lipoff etc.) e inúmeros grupos regionais. Após uma temporada de trabalho na Argentina, de volta ao Rio, Luiz Americano funda um dos primeiros conjuntos brasileiros de jazz. Não gostava de viajar, e por isso não acompanhou Cármen Miranda nos EUA. Ainda assim, ganhou elogios de Benny Goodman, outro mestre da clarineta. Afinal, o prazer de Luiz Americano era mesmo tocar, e a clarineta nunca foi um instrumento desafiador para ele, que impressionava com sua excepcional habilidade de improvisação e respiração. Também dominava o sax-alto, seu leal companheiro durante anos,  com virtuosismo, soprando-o com vigor e elegância, e produzindo um som claro e distinto, tendo deixado inúmeras obras inesquecíveis como compositor. Verdadeiro fenômeno!  Além de vasta discografia em 78 rpm, gravou dois LPs: “Chora, saxofone” (1958) e “Luiz Americano e seu Conjunto” (1959), ambos pela RCA Victor. Teve três filhas, todas do primeiro casamento, com Dulcineia:  Leda, Lysses e Iolanda. Após enviuvar, contraiu segundas núpcias  com Érika Romminger  (que assim passou a ser Érika Rego),  para quem compôs um belo choro, “Linda Érika”, já executado por músicos diversos, mas nunca se encontrou a gravação do autor. Por outro lado, ele e seu pai já vieram de Itabaiana contaminados pelo vírus da hepatite. E foi a evolução da hepatite (guloso, devorava os banquetes das festas em que tocava, mas nunca ingeria bebida alcoólica) que causou sua morte prematura (60 anos), no Rio de Janeiro,  em 29 de março de 1960, de cirrose, causando uma perda irreparável para a MPB.
Nesta edição do GRB, um pouco da magia e da arte de Luiz Americano, em 15 preciosas gravações. Abrindo-a, temos seu choro “Alma do Norte”, gravação Odeon de 3 de outubro de 1936, só lançada em abril de 37, disco 11459-A, matriz 5389. Depois, a bela valsa ‘Teu olhar”, de Getúlio “Amor” Marinho e João Bastos Filho, lado B da faixa anterior, matriz 5390. Um dos choros mais conhecidos de Luiz Americano, “É do que há” é apresentado nas duas gravações que ele fez do mesmo em 78 rpm: a primeira no lançamento, pela Odeon (faixa 3), de 5 de março de 1931, disco 10797-A, matriz 4169, e a segunda encerrando esta seleção, feita na Todamérica em 7 de abril de 1953 e lançada em junho do mesmo ano, disco TA-5298-B, matriz TA-442.  A quarta faixa é a conhecida valsa “Lágrimas de virgem”, gravação Odeon do mesmo disco original de “É do que há”, de 1931,sendo seu lado B, matriz 4168. Foi igualmente regravada por Luiz na Todamérica, na mesma sessão de 7 de abril de 53 em que reviveu “É do que há”, e este registro está na faixa 12, disco TA-5297-B, matriz TA-440, indo para as lojas igualmente em junho daquele ano.  Foi com o dinheiro resultante dos direitos de “Lágrimas de virgem”, inclusive, que Luiz Americano pôde comprar a casa em que morou, no bairro carioca de Brás de Pina.  O choro “Lysses” (faixa 5) homenageia a segunda filha do compositor-instrumentista, e saiu pela Odeon em abril de 1929, sob n.o 10362-B, matriz 2313. Na sexta faixa, um choro literalmente “das Arábias”: “Luiz Americano de passagem pela Arábia”, que ele gravou na mesma Odeon em 5 de setembro de 1933, mas só saiu em março de34, disco 11075-A,matriz 4721. Radamés Gnattali, pianista e maestro de renome, assina a faixa 7, o primoroso choro “Serenata no Joá”, executado por Americano em gravação Odeon de 24 de agosto de 1934, editada em novembro seguinte com o n.o 11171-A, matriz 4900. Depois temos outro choro do próprio executante, ‘Luiz Americano no Lido”, também registro Odeon, este de 8 de dezembro de 1934,que foi para as lojas em abril de 35 sob n.o 11212-A, matriz 4966. Violonista consagrado nos EUA,onde desenvolveu carreira de muito prestígio e prêmios, Laurindo de Almeida assina a faixa 9,o choro “Última lágrima”, da safra de Luiz Americano na Victor, gravação de 25 de julho de 1939, lançada em outubro do mesmo ano, disco 34499-B, matriz 33130. De outro músico renomado, o bandolinista Luperce Miranda, é o choro ‘Caboclo brasileiro”, que Americano, ao sax-alto,  grava na marca do cachorrinho Nipper em 11 de julho de 1940, com lançamento em setembro do mesmo ano, disco 34649-A, matriz 33468. ‘Sossega, Juca” , choro do próprio Americano, é gravação Odeon de 19 de abril de 1940, disco 12133-B, matriz 6348, ao que parece, lançada apenas em 1942. “Sorriso de cristal” (faixa 13) é um choro de autoria da segunda mulher de Luiz Americano, Érika Rego, e ele o grava na Todamérica em  11 de maio de 1954, com lançamento em agosto seguinte sob n.o TA-5455-B, matriz TA-649. Por fim, na penúltima faixa (a última é a regravação de “É do que há”), Luiz Americano presta homenagem a outro grande compositor e saxofonista, Severino Rangel, o Ratinho (da dupla humorística com Jararaca), revivendo seu choro “Saxofone,por que choras?”, originalmente registrado pelo autor em 1930. A regravação de Americano é da Todamérica, datada de 7 de abril de 1953 e lançada em junho do mesmo ano, disco TA-5297-A, matriz TA-441. Enfim, uma amostra expressiva da arte, do talento e da versatilidade de Luiz Americano, clarinetista e saxofonista como poucos, merecendo por isso um lugar de destaque entre os grandes mestres da música instrumental do Brasil.
* Texto de Samuel Machado Filho

Vários – É Sempre O Papai (1960)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Eu estava mesmo esperando o dia de hoje chegar para postar este lp. Não fosse meu filhote vir logo cedo com um baita sorriso e um presente na mão, eu talvez nem me lembraria que hoje é o Dia dos Pais. Aliás, o que eu não lembraria é deste disco, pois o mesmo ficou na gaveta esperando a sua hora. E comigo, tudo que fica no aguardo, corre sempre o risco de passar batido, passar do tempo… Mas felizmente eu me lembrei 🙂
Segue então o lp “É sempre o papai”, álbum lançado pela gravadora Copacabana em 1960, seguindo a mesma onda da RCA Victor, que no ano anterior havia lançado uma coletânea assim com alguns dos artistas da casa. A Copacabana fez o mesmo e lançou em 1960 este álbum, explorando o tema do Dia dos Pais. Reuniu alguns de seus melhores e mais populares artistas para conceber esta coletânea com onze faixas, todas com referência ao Papai. Como podemos ver logo a baixo, na relação, temos um grupo de artistas dos mais queridos do público e um repertório pontual, do Papai!
Sendo o Toque Musical um espaço onde também se escuta música com outros olhos, eu não poderia deixar de comentar esta curiosa capa. Vejam vocês, isso lá é jeito de segurar uma criança? Ou melhor dizendo, não podiam ter feito uma fotografia um pouquinho diferente? A impressão que passa é a de um homem espremendo a criança. Com aquelas duas mãozonas na frente, parece até que ele está agredindo, ao invés de brincando. Será que ninguém percebeu isso na época? Ou será que naquela época ninguém se ligava nisso? Ah… vai entender… Feliz Dia dos Pais!

apresentação – floriana faissal
o sorriso do papai – carequinha, altamiro carrilho e côro infantil
meu pai – adelaide chiozzo e côro do club do guri
papai resolve – carequinha, altamiro carrilho e côro infantil
papai, mamãe e eu – angela maria
alô papai – jorge veiga
é sempre o papai – carequinha e jorge veiga
deus te abençoe papai – angela maria e joão dias
o presente do papai – sonia delfino e côro do club do guri
papai é o maior – carequinha, altamiro carrilho e côro infantil
dia do papai – zilda martins
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Muraro – O Incrível Muraro (1958)

Boa noite, meus caríssimos amigos cultos e ocultos! Estou aqui cheio de discos interessantes para ‘aplicar’ vocês, mas como sempre me falta o essencial, o tempo. No momento em que estou escrevendo este ‘post’, também estou digitalizando o disco de hoje. Não dá nem para ouvir antes e depois deixar as minhas impressões 🙂 Estou postando aqui este álbum lançado pelo selo SBA, certamente uma coletânea de fonogramas, com o pianista argentino Heriberto Leandro Muraro, figura de destaque no cenário da música nacional nos anos 40 e 50. E conforme nosso resenhista de plantão, Samuel Machado Filho, já o havia nos apresentado na série Grand Record Brazil: Este ilustre “hermano” aportou em terras brasileiras em 1932, logo se apaixonando pela nossa terra. Por décadas a fio percorreu todo o país exercendo sua arte de exímio pianista, excursionando em seguida por Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Itália com repertório de música brasileira. No rádio, atuou nas emissoras cariocas Mayrink Veiga, Nacional e Globo, na Record de São Paulo e na Farroupilha de Porto Alegre. Dirigiu a lendária Nacional por 18 anos, impulsionando a carreira de nomes como Dircinha Batista, Nélson Gonçalves, Joel e Gaúcho, e as irmãs Cármen e Aurora Miranda. Gravou seu primeiro disco na Victor, em 1939, solando ao piano, em ritmo de fox, os sambas “O homem sem mulher não vale nada” e “Meu consolo é você”, hits do carnaval daquele ano na voz de Orlando Silva. Foram mais de trinta discos gravados, entre 78 rpm e Lps.
Neste obscuro lançamento deste também pouco conhecido selo, o SBA, vamos encontrar Muraro, acompanhado de orquestra, interpretando obras de Ernesto Nazareth e de Catulo da Paixão Cearense. Sem dúvida, um disco muito interessante que os amigos precisam conferir

cabôca di caxangá
aruê! aruá!
beija flor
ontem ao luar
guerreiro
vesper
luar do sertão
cruz.. prerigo
sagaz
nasci para te amar
pierrot
apollonia pinto
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Nilo Sérgio E Sua Orquestra – Dançando Suavemente (1960)

Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Depois de muitos pedidos, eu hoje resolvi postar o tão esperado “Dançando Suavemente”, de Nilo Sérgio. Tão esperado, eu digo por conta daqueles que possivelmente até hoje estariam aguardando a postagem. Acontece que me faltava aparecer um álbinho assim, inteiro, quase novo, não fosse o amarelado do papel em seus mais de 50 anos. Dá até gosto de ouvir, gosto de colocar o disco na ‘pick up’ e de ter a capa nas mãos. O conteúdo musical? Impecável, assim como toda a produção. E não poderia ser de menos, afinal o artista aqui é também o dono da gravadora, idealizador da fantástica Musidisc. Álbum perfeito, cuidadosamente trabalhado entre Nilo Sérgio e seu arranjador, o maestro Carioca. Uma seleção musical fina apresentando um repertório de ‘standart’, alguns dos melhores clássicos da música americana. Há, contudo, duas faixas nacionais, “Devaneio” (de Djalma Ferreira e Luiz Antonio) e “Bongô para dois”, do próprio Nilo Sérgio. Feito para ouvir e para dançar. Aproveitem porque aqui vocês já sabem, é tudo por tempo limitado. Corre logo no GTM 😉

prefixo ‘blue star’ (the medic theme)
you do something to me
speak low
linger awhile
blue star (the medic theme)
fascination
devaneio
love letters
over the rainbow
bongô para dois
blue moon
sufixo ‘blue star’ (the medic theme)
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Castro Barbosa – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 111 (2014)

Já estamos na centésima-primeira edição do Grand Record Brazil, o “braço de cera” do Toque Musical, dedicado à era das 78 rotações por minuto. E nela oferecemos uma significativa amostra do trabalho de um expressivo cantor, compositor e também humorista da era de ouro do rádio: Castro Barbosa. Ele veio ao mundo na cidade de Sabará, interior de Minas Gerais, a 7 de maio de 1905 (ou 1909, não há certeza), batizado com o nome completo de Joaquim Silvério de Castro Barbosa. Era irmão do cantor Luiz Barbosa e do humorista e igualmente cantor Barbosa Júnior, sendo que  os três eram filhos de um engenheiro que participara da construção da antiga estrada de ferro Rio-São Paulo. Ainda durante a infância de nosso Joaquim Silvério, a família se transfere para a então Capital da República, o Rio de Janeiro. Em 1924, ele passa a cursar uma escola comercial, formando-se em Contabilidade. Entre 1926 e 1928, trabalha na livraria Braga & Cia., mas em virtude de um acidente ferroviário que sofreu em Teresópolis, fica inativo por alguns meses.  Restabelecido, foi trabalhar na Companhia de Navegação Lóide Brasileiro, e nessa ocasião nem pensava em seguir carreira artística. Em 1930, porém, o cantor João Athos, que Castro Barbosa conhecera no Lóide, escutou-o cantarolar e viu que ele levava jeito. Athos o indica para um teste na Rádio Educadora (PRB-7), onde é apresentado a Almirante (“a maior patente do rádio”) , que o leva a seu programa. Castro também participa do ‘Programa Casé”, apresentado por Ademar Casé, avô paterno da atriz e apresentadora de TV Regina Casé.  Na emissora, Castro Barbosa trava conhecimento com os maiores cartazes da época, entre eles, Noel Rosa, Custódio Mesquita, Nonô e Francisco Alves.  No início de 1931, a convite do compositor André Filho (autor dos clássicos ‘Cidade maravilhosa” e “Alô,alô”), grava seu primeiro disco, na Parlophon, lançado em março desse ano, com o samba-canção “Tu hás de sentir”, de Heitor dos Prazeres, e a marcha “Uvinha”, de André. Nessa ocasião, grava com o Bando da Lua, na Brunswick, o samba “Tá de mona”, de Maércio e Mazinho. No carnaval de 1932, obtém seu primeiro grande sucesso, em gravação Victor (devidamente aprovado em teste pelo então diretor artístico da gravadora,o violonista Rogério Guimarães): a marchinha “Teu cabelo não nega”, de Lamartine Babo e dos irmãos Raul & João Victor Valença, hoje um clássico, vendendo quinze mil cópias (cifra considerável  para a época, na qual os grandes cantores vendiam, em média, até mil discos).  Mais tarde, conhece João de Freitas Ferreira, o Jonjoca, e em uma festa na casa do cantor Jorge Fernandes, ambos fizeram um dueto de brincadeira, com Barbosa imitando Francisco Alves, o eterno Rei da Voz. Nascia a dupla Jonjoca e Castro Barbosa, que a Victor lança para competir com Chico Alves e Mário Reis, da Odeon, e grava inúmeros hits.  Barbosa gravaria, até 1954, 83 discos de 78 rpm com 150 músicas, várias delas de sucesso, mas,  em 1937, foi convidado por Renato Murce para substituir o ator Artur de Oliveira no “Programa Palmolive”, da lendária Rádio Nacional, atuando como cantor e humorista ao lado de Jorge Murad e Dircinha Batista. A partir daí, sua atuação como locutor e humorista passa a sobrepujar a carreira de cantor. Em 1939, é convidado por Lauro Borges para atuar no humorístico “PRV-8 Rádio X” (com o pseudônimo de Vasco Ferreira), embrião do que, em poucos anos, viria a ser a notória “PRK-30”, estreada em 1944 na Rádio Mayrink Veiga. Nos primeiros programas, porém, foi Pinto Filho quem atuou ao lado de Lauro Borges, e Castro Barbosa (ex-Vasco Ferreira) só entraria em cena a partir do programa de número 25 da série, interpretando o locutor português Megatério Nababo d’Alicerce, com Lauro no papel de Otelo Trigueiro, o “porigrota da voz lantijolada”.  Em 1946, a “PRK-30” transfere-se para a Rádio Nacional, tornando-se  uma das maiores audiências da emissora estatal da Praça Mauá,indo depois para a Tupi, sendo, a partir de 1951, apresentado também em São Paulo. Foram muitos anos de absoluto sucesso, e o programa iria inevitavelmente para a televisão, transmitido pelas TVs Rio e Paulista, repetindo o êxito no rádio. Em 1967, com a trágica morte do parceiro Lauro Borges (ele foi encontrado morto, com um tiro na cabeça, na garagem do edifício em que morava,no bairro paulistano da Vila Mariana), Castro Barbosa (mais tarde nome de rua no bairro carioca da Vila Isabel) decide deixar a vida artística, vindo a falecer no dia 30 de abril de 1975, no Rio de Janeiro, de aneurisma no estômago, deixando a viúva, Guilhermina Mendes, três filhos e cinco netos, entre estes últimos a hoje também atriz Renata Castro Barbosa, contratada da Rede Globo de Televisão.
Nesta edição do GRB, apresentamos 19 exemplos notáveis e expressivos da arte musical de Castro Barbosa, solo ou em dupla com outros. Abrindo a seleção, a clássica rumba “Aqueles olhos verdes (Aquellos ojos verdes)”, de Nilo Menéndez (cubano radicado nos EUA) e Adolfo Utrera, em versão de João de Barro,  o Braguinha. Gravação Parlophon de 30 de julho de 1932, matriz 131430, inicialmente lançada com o número 13431-A e, em março de 33, reeditada pela Odeon sob número 11005-A. Braguinha também é responsável pela faixa seguinte, a marchinha “Escravos de Jó”, adaptando famosa cantiga de roda, que Barbosa lança na Columbia em janeiro de 1942, para o carnaval desse ano, disco 55323-B, matriz 502. O fox “Julieta” é uma das raras exceções na obra essencialmente sambística de Noel Rosa, em parceria com Eratóstenes Frazão. Castro Barbosa o gravou na Odeon em 3 de agosto de 1933, com lançamento em outubro seguinte sob número 11063-B, matriz 4703. A marcha “Paris sorrirá outra vez” é de Paulo Barbosa e Oswaldo Santiago,  e a Columbia o lança em novembro de 1942 (época em que a capital francesa era impiedosamente bombardeada, durante a Segunda Guerra Mundial), sob n.o 55382-A,matriz 565. Castro Barbosa demonstra em seguida seu talento de compositor no samba-canção ‘Tudo que a boca não disse”, que gravou na Victor em 13 de abril de 1937, com lançamento em julho do mesmo ano, disco 34182-B, matriz 80361, que apresentava do outro lado ‘Tua partida”, com Francisco Alves, então retornando à Odeon.  A marcha “Asas do Brasil”, da fértil parceria Braguinha-Alberto Ribeiro,é o lado B do disco Columbia de “Paris sorrirá outra vez”, de 1942, matriz 564, e aproveita a melodia de outra composição da dupla, a marcha-rancho “A flor e o vento”, que Francisco Alves lançara na mesma marca dois anos antes. Em seguida, a bela valsa “Dona Felicidade”, do flautista Benedito Lacerda em parceria com Nélson Tangerine, que Barbosa grava na Victor em 19 de abril de 1937, e é lançada em junho do mesmo ano com o n.o 34170-B, matriz 80371. O samba “Vou pegá Lampião”, de J. Thomaz (aquele maestro que regia de luvas brancas sem saber música, e teve de largar a bateria por se queimar com fogos de artifício), faz referência ao famoso e então temido cangaceiro, e Castro Barbosa o grava na mesma Victor em 3 de julho de 1931, com lançamento em agosto do mesmo ano, disco 33451-A, matriz 65183. Em dueto com Almirante, Castro Barbosa interpreta em seguida “A maior descoberta”, rara incursão carnavalesca de Cãndido “Índio” das Neves, compositor essencialmente romântico (“Noite cheia de estrelas”, “A última estrofe”, “Lágrimas”, “Dileta” etc.. Exaltando a mulata, “que venceu mais uma vez”, e é tida como a maior descoberta depois da do Brasil, é lançada pela Victor em fevereiro de 1934, em pleno carnaval, tendo a gravação sido feita a 12 de janeiro, disco 33758-A, matriz 65934. Em seguida, Barbosa interpreta, ao lado de Francisco Alves e Murilo Caldas (irmão de Sílvio), o samba “Desacato”, parceria de Murilo com Wilson Batista e Paulo Vieira, gravado na Odeon em 18 de julho de 1933, e lançado em agosto seguinte sob n.o 11042-B,matriz 4699, obtendo sucesso “desacatador”, segundo a edição impressa.  Em seguida vem o lado A, matriz 4693, gravado ainda em 7 de julho, dueto de Castro Barbosa com Francisco Alves: o clássico samba “Feitio de oração”, primeira música da parceria Noel Rosa-Vadico, que tornou antológicas os versos“Ninguém aprende samba no colégio” e “Quem suportar uma paixão/sentirá que o samba então/ nasce no coração”. Note-se o andamento mais rápido que o adotado em gravações posteriores. Depois, Barbosa, agora em dueto com Déo, “o ditador de sucessos”, interpreta o “Frevo n.o 1”, que na verdade, é o famoso “Vassourinhas”, de autoria de Matias da Rocha e Joana Batista Ramos, em adaptação de Almirante. Foi lançado pela Continental em pleno carnaval de 1945, em fevereiro,com o número 15279-B, matriz 1032. O clássico frevo, porém, ficaria mais conhecido a partir de 1950, numa gravação instrumental da Orquestra Tabajara de Severino Araújo. Da dupla de Castro Barbosa com Jonjoca vêm três sambas notáveis. O primeiro é o clássico “Adeus”, de Ismael  Silva, Noel Rosa e Francisco Alves, gravação Victor de 12 de abril de 1932, lançada em maio seguinte sob n.o 33548-B,matriz 65451. Da mesma santíssima trindade é “Dona do lugar”, gravação Odeon de 23 de dezembro de 1932, lançada um mês antes do carnaval de 33, janeiro, com o n.o 10966-B, matriz 4562. Em seguida, “Sinto falta de você”, de Jonjoca sem parceiro, gravado na Victor em 12 de junho de 1931 e lançado em julho do mesmo ano, disco 33447-A, matriz 65162. Vêm logo em seguida dois sambas de Raul Marques e Ernâni Silva, gravados por Castro Barbosa em dueto com Aracy de Almeida na Victor em 21 de dezembro de 1936, com lançamento em janeiro de 37, claro que para o carnaval: ‘Eu e você”, matriz 80303, e ‘Helena”, matriz 80304. Em dueto com Sônia Barreto, também radialista e atriz, Castro Barbosa interpreta  o fox “Você me enlouquece (You drive me crazy/What did I do?)”, de Walter Donaldson e Franz Skinner, em versão de Lamartine Babo (editada como “Estou ficando maluco por ti”), gravação Victor de 13 de janeiro de 1932, lançada em fevereiro seguinte sob n.o 33526-A,matriz 65360, e também gravado na Odeon por Francisco Alves dias depois. Para terminar, no maior alto astral, a divertida marchinha “Vou espalhando por aí”, de Assis Valente, um dueto de Castro Barbosa com Cármen Miranda, também gravação Victor, esta de 23 de abril de 1934,porém só lançada em junho de 35, quando Cármen já se transferira para a Odeon, sob n.o 33936-A, matriz 79612. Não poderia haver melhor final para esta expressiva retrospectiva que o GRB faz do trabalho musical de Castro Barbosa. Divirtam-se!
*Texto de Samuel Machado Filho

Sivuca – Pau Doido (1992)

Olá amigos cultos e ocultos, boa noite! Hoje eu troquei o dia com o amigo Samuca. Atrasei na programação e consequentemente o post do Grand Record Brazil ficou para amanhã. Dessa forma, assumo a postagem de hoje trazendo um artista que eu gosto muito, o grande Sivuca.
Temos aqui um álbum lançado pelo selo Kuarup, em 1992, do grande Sivuca. Disco este gravado em apenas uma semana e que segundo o produtor, Mário de Aratanha, Sivuca admitiu ser este seu melhor trabalho de sua vida. Não sei se o Sivuca se referia a este trabalho especificamente ou ao trabalho de tocar e gravar. O certo é que este é mais um dos seus excelentes discos e conta com a participação especial do violonista e compositor alagoano João Lyra.

pau doido
fuga para o nordeste
riacho seco
seu tenório
deixe o breque pra mim
um tom pra jobim
forró na penha
mergulho
forró em timbaúba
canção piazzollada
jazz tupiniquim
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Mancini E Os Dez De Ouro – Baile Jovem N. 2 (1968)

Bom dia, prezados amigos cultos e ocultos! Trago para vocês neste domingo ensolarado um lp que eu encontrei recentemente num pacote que me foi enviado, ou melhor dizendo, deixado em minha porta! Ainda não consegui descobri que foi o doador, pois não havia nem um bilhete. Como estava em minha porta, deduzi que fosse mesmo um presente dos meus amigos ocultos. Obrigado, seja lá quem for! A turma aqui também agradece, não é mesmo? 🙂 E podem continuar fazendo as doações, são muito bem vindas!
Bom, mas entre os oito discos que ganhei, escolhi este aqui: Mancini e Os Dez de Ouro. Gostei da capa e também do repertório. E por se tratar de um disco da produção Rozenblit, fiquei ainda mais curioso e interessado em mostrá-lo aqui para vocês. Numa pesquisa rápida descobri que Mancini e os seus Dez de Ouro foi um grupo de baile muito atuante no Nordeste na década de 60. Gravaram apenas dois lps, todos os dois pela Rozenblit. As informações sobre eles são escassas. O que tenho é apenas este texto que achei num post do Youtube e aqui eu o reproduzo:  
Mancini e os dez de ouro foi formada por Zezinho Mancini na década de 1960 com músicos da Alta Mogiana. Ele e o irmão Vanderley, de Pedregulho, Maestro Bonutti de São Joaquim da Barra e o quarteto da Usina Junqueira: Altayr Ribeiro, Artur Ribeiro, Dó Menor e Zezito Lucas (the best of trumpet).
Pelo que pude observar, no primeiro disco, de 67, há na contracapa um longo texto, o qual não tive como ler, mas suponho que seja uma apresentação mais detalhada do conjunto. Vou ver se consigo também esse primeiro volume e numa próxima oportunidade e publico aqui para vocês, ok? Com relação ao conteúdo musical e a performance do grupo podemos dizer que eles cumprem bem o papel de um conjunto de baile instrumental dos anos 60. Os músicos são bem competentes e os arranjos de qualidade. O repertório também é legal e sortido, com músicas nacionais e internacionais, sucessos da época.

the last dance
aranjuez mon amour
tributo a martin luther king
pra nunca mais chorar
uno como e noi
l’ultima cosa
carolina
roda viva
the world we knew
when summer is gone
israel
suck un up
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