Rui Motta – Mundos Paralelos (1992)

Olá, meus caríssimos amigos cultos e ocultos! Aqui estamos novamente. Depois de uma pausa forçada, encontro uma brecha para continuar o nosso toque musical. Fiquei alguns dias sem postar, mas em compensação, andei repondo alguns links vencidos, para a alegria dos retardatários.
Voltando em ritmo instrumental, tenho para vocês este lançamento independente, de 1992, do grande batera Rui Motta. Um disco totalmente autoral, com apenas seis músicas, provando que qualidade não é quantidade. A capa é bem instigante, lembrando algum disco de rock progressivo. Mas, o que temos é música instrumental, no sentido mais característico do termo. Mundos Paralelos foi indicado para o Prêmio Sharp, de 1992. Acompanham o nosso artista neste lp outros grandes nomes como Sérgio Dias, Luciano Alves, Leo Gandelman, Pedro Baldanza e outros músicos do mesmo naipe.
Apenas para esclarecer um pouco mais… Rui Motta é um baterista que já tocou com os mais diferentes artistas, nacionais e internacionais. Integrou a fase progressiva dos Mutantes (sem Rita Lee e Arnaldo), onde gravou três discos. Ingressou outras bandas nos anos 80, mas seu grande mérito está no trabalho de ensino e técnica de bateria. Ele criou métodos exclusivos e publicou já diversos livros sobre bateria. Possui, no Rio, uma escola de bateria, pela qual já passaram outros tantos grandes talentos. Vamos conferir este trabalho?

mundos paralelos
almas ao vento
bye bye baião
fandango
o azul da lua
cinema
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Blindagem (1981)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Na semana que antecedeu ao Carnaval eu andei postando aqui alguns discos de rock, porém havia na lista muitos outros que eu gostaria de postar. Um dos que ficou de fora foi este lp da banda paranaense Blindagem, que eu já nem me lembrava mais. Redescobri o disco no saldão do Acervos LP, lojinha bacana dos amigos Célio e Márcio, aqui em BH. Como já estávamos encima da folia carnavalesca, preferi deixá-lo para agora.
Segue então a banda Blindagem em seu primeiro e mais célebre vôo. A banda foi formada no final dos anos 70 e viria a ser a grande expressão do rock paranaense. Em 1981 eles lançaram pela Continental este disco, com direito a compacto, apresentando as duas músicas de destaque do lp: “Oraçao de um suicida” e “Marinheiro”. O tal disquinho de 7 polegadas era mesmo eficiente, pois foi muito graças a ele que a música do Blindagem ganhou divulgação em rádios, do sul e sudeste do Brasil, dando a banda, logo de início, um certo destaque. O grupo já atuava em festivais e shows nos anos 70, mas passa a ganhar força com a entrada do cantor e compositor Ivo Rodrigues, que tinha como parceiro o poeta Paulo Leminski. Neste lp, boa parte das músicas são assinadas por Ivo Rodrigues e Paulo Leminski. Um trabalho interessante e bem produzido, mas que não se repetiria em outros lançamentos posteriores da banda. O Blindagem seguiu seu caminho apostando mais na cena local. Ao longo dos anos começou a investir em outros estilos, indo do rock ao samba, passando por baladas românticas e sertanejo. Evidentemente, isso acabou levando a banda a uma descaracterização da proposta inicial, gerando uma discografia irregular e talvez por conta disso acabou não alcançando um merecido reconhecimento. Ao que consta, o Blindagem continua na ativa, mas sem seu principal capitão, Ivo Rodrigues que faleceu em 2010. Confiram este que foi o melhor e talvez o único nos primórdios do rock setentista do Paraná.

oração de um suicida
sou legal eu sei
não posso ver
palavras
hoje
berço de deus
marinheiro
gaivota
quanto tempo mais
cheiro de mato
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I Festival Internacional De Jazz – São Paulo-Montreux (1978)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Eu hoje estou trazendo um disco que em outros momentos, talvez não entrasse em nossa lista. Produção com mais de 20 anos, fora de catálogo, mas ainda assim um pouco fora do nosso contexto, não fosse o fato de ser um festival de jazz realizado em São Paulo e tendo entre os artistas presentes dois brasileiros, Airto Moreira e Hermeto Pascoal.
O I Festival Internacional de Jazz foi um evento, sem precedentes,  que aconteceu simultaneamente nas cidades de São Paulo e Montreux, na Suiça. Um festival que reuniu músicos de vários países, apresentando diferentes estilos de jazz. Em São Paulo os shows foram vistos por quase 4 mil pessoas no Palácio de Convenções do Anhembi. Este álbum foi lançado no mesmo ano do festival. Um álbum duplo, que bem merecia triplo ou mais, trazendo além dos brasileiros já citados, grandes nomes como Bill Evans, George Benson, George Duke, Larry Coryell & Philip Catharine, Etta James e Al Jarreau.. Muito bom!

take five – al jarreau
we got by – al jarreau
sugar on the floor – etta james
juicy – george duke band
twin house – larry coryell & philipe catharine
aquela valsa – hermeto pascoal
tacho – hermeto pascoal
windsong – george benson
the greates love of all – george benson
everything must change – ben e. king
i’m fine howare you? – airto moreira
la tumbadora – airto moreira
do what cha wanna – george duke band
maxine – bill evans
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A Música De Getúlio Marinho (parte 2) – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 145 (2016)

O Grand Record Brazil oferece hoje, mui prazeirosamente, aos amigos cultos, ocultos e associados do TM, a segunda parte da retrospectiva dedicada a Getúlio “Amor” Marinho, compositor carioca intimamente ligado ao carnaval e ás escolas de samba, oferecendo mais dez preciosas gravações de obras suas. Para começar, a marcha-rancho “Gegê”, parceria de “Amor” com Eduardo Souto (compositor de belas páginas desse gênero), do carnaval de 1932. A gravação ficou por conta de Jayme Vogeler, na Odeon, acompanhado pela Orquestra Copacabana de Simon Bountman, em 24 de novembro de 31, disco 10876-A, matriz 4369. É a crônica musical de um episódio segundo o qual o então presidente Getúlio Vargas, assim que tomou posse, em 1930, começou a receber inúmeros pedidos de empregos públicos, e, para protelar e desacelerar essa avalanche (era um período de crise financeira, como agora), passou a exigir requerimento estampilhado, com foto e selos.  Só que “Gegê”, aqui, não é o apelido de Getúlio, e sim um nome qualquer,  ou seja, apenas uma coincidência. A música, por sinal, até venceu um concurso promovido pelo “Correio da Manhã”, através de votos impressos no próprio jornal, apontando a melhor música da folia momesca de 1932, deixando em segundo lugar o clássico “Teu cabelo não nega”, dos irmãos Valença e Lamartine Babo. Logo depois, o partido-alto “Tentação do samba”, que “Amor” fez com seu mais constante parceiro, João Bastos Filho. Foi gravado por Patrício Teixeira na Victor em 2 de fevereiro de 1933, com lançamento em março do mesmo ano, disco 33633-A, matriz 65660. Luiz Barbosa, sambista prematuramente desaparecido, mas cujo estilo deixou inúmeros seguidores , aqui comparece com a batucada “Bumba no caneco”, parceria de Getúlio  “Amor” Marinho com Orlando Vieira. Destinada ao carnaval de 1933, foi gravada na Odeon em 24 de janeiro desse ano, com lançamento a toque de caixa sob número de disco 10974-A, matriz 4594. Patrício Teixeira retorna em seguida para interpretar “Quando me vejo num samba”, de “Amor” sem parceiro, gravação Victor de 17 de maio de 1933, somente lançada em setembro de 34 (!), disco 33818-B, matriz 65735. Castro Barbosa vem depois com “De que será?”, marchinha do carnaval de 1935, da parceria “Amor”-João Bastos Filho. Acompanhado pelos Diabos do Céu, de Pixinguinha, Barbosa gravou a música na Victor em 4 de dezembro de 34, com lançamento bem em cima da folia, em fevereiro, disco 33899-A, matriz 79795. Aurora Miranda, irmã de Cármen, comparece aqui com o samba “Molha o pano”, de “Amor” e Vasconcelos, do carnava de 1936. Gravação Odeon de 16 de dezembro de 35, lançada um mês antes da folia, em janeiro, disco 11320-A, matriz 5213. Ainda de “Amor” e João Bastos Filho é a valsa “Teu olhar”, executada por Luiz Americano à clarineta com a maestria habitual, em gravação Odeon de 3 de outubro de 1936, lançada em abril de 37, disco 11459-B, matriz 5390. Ídolo popular inesquecível, Orlando Silva aqui apresenta o samba “Vai cumprir o teu fado”, da parceria Getúlio “Amor” Marinho-João Bastos Filho, sucesso do carnaval de 1940. Gravação Victor de 26 de setembro de 39, lançada ainda em novembro, disco 34517-B, matriz 33165. Dessa parceria é também a marchinha “Oh! Mariana”, da mesma folia momesca, interpretada pelo irmão de Sílvio Caldas, Murilo. Gravação Victor de 22 de novembro de 1939, lançada em janeiro de 40, disco 34561-B, matriz 33286. Por fim, o grande Nélson Gonçalves, interpretando, também de “Amor” e João Bastos Filho, a valsa “Nadir”, gravação Victor de 30 de maio de 1944, lançada em agosto do memso ano, disco 80-0198-A, matriz S-052968. Um belo fecho para esta seleção que o GRB dedica a Getúlio “Amor” Marinho, com toda a certeza. Até a próxima!

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.

Manfredo Fest Trio (1965)

Boa noite, meus caríssimos amigos cultos e ocultos! Para fugir um pouco do programado, eu, as vezes, gosto de ter a mão alguma alternativa que venha do inesperado. Em outras palavras, embora eu já tenha uma seleção de discos predeterminados para a semana, as vezes é bom quando surge um outro, fora do contexto, fora do esperado, que dá uma bagunçada na lógica, na minha lógica de postar. Hoje eu trago algo assim. Uma colaboração dos amigos Célio e Márcio, da loja Acervos Lps, que vem conquistando espaço em Belo Horizonte para os amantes do vinil. Lojinha bacana na Savassi, com muitas variedades e preços imbatíveis (eis o segredo dos caras).
Temos aqui o excelente Manfredo Fest em trio, também formado por Heitor Gay de Faria Maris, na bateria e Mathias Mattos, no contrabaixo. O Manfredo Fest Trio foi lançado pelo selo RGE. Disco este que não consta em discografias do músico. Uma pérola da bossa jazz brasileiro, que passou meio batido, afinal era 1965, um ano sem grandes manifestações fonográficas. Não por falta de material, mas pela própria contingência da situação política no Brasil. A tomada do Poder pelos militares em 64 gerou uma espécie de paralisação cultural no ano seguinte. 1965 foi mesmo um ano inexpressivo em termos de publicações musicais. Basta ver que ao longo de todo esse tempo de Toque Musical, poucos foram os discos do ano de 65. Aliás, eu ainda não tinha visto este disco em outras fontes. Creio que aqui ele está fazendo a sua estréia 🙂
reza
quem é homem não chora
samba de verão
“m.e.” vestida de amarelo
estamos aí
você
consolação
impulso
só você
enquanto a tristeza não vem
samba de negro
o menino das laranjeiras
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Sivuca E Seu Conjunto – Motivo Para Dançar N.2 (1957)

Olá, olás… meus prezados amigos cultos e ocultos! Espero que todos tenham aproveitado bem o carnaval. O meu foi muito bom. Passei os dias pedalando e vendo a folia do povo. Neste ano eu preferi não postar aquela overdose de discos carnavalescos. Apenas o suficiente para alegrar os foliões. Ano que vem tem mais…
Retomando os toques, tenho para hoje o grande Sivuca, em seu segundo momento em lp, “Motivo para dançar n.2”, lançado pela Copacabana, em 1957. O disco é uma continuação do sucesso do primeiro, lançado no ano anterior, álbum o qual já apresentamos aqui há tempos atrás. Neste segundo volume Sivuca nos apresenta um repertório também misto, com sucessos nacionais e internacionais. Conforme o próprio título indica, trata-se de um lp feito para se dançar. Naquela época esse tipo de disco era muito comum. A música em fonogramas tinha funções bem distintas e definidas além da própria audição. Servia não apenas para se ouvir, mas para se ouvir fazendo alguma coisa e entre essas a mais evidente era a dança. Uma particularidade desses discos era a que geralmente não traziam separação de faixas, quase em ‘pot popurri’, de maneira a não quebrar o andamento dos dançantes, permitindo-lhes uma dança mais demorada. E isso realmente faz sentido, principalmente se consideramos que a dança era a dois. Um prazer conjugado 🙂 Dançar coladinho é bom demais 😉
caravan
feitiçaria
mistura fina
canção do mar
viva meu samba
rancho fundo
nem eu
doce melodia
feitiço da vila
covarde
sonhando contigo
poiciana
frenesi
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Orquestra E Coro Odeon – Carnaval Odeon (1955)

Uma autêntica preciosidade! É como se pode definir o álbum carnavalesco que o TM possui a grata satisfação de oferecer hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados. Ele foi lançado pela Odeon, no primitivo formato de dez polegadas,  apresentando músicas para a folia de 1955, na interpretação de seu cast na época. Evidentemente, as músicas também saíram em 78 rpm, uma vez que o LP estava ainda em processo de implantação e poucos tinham o toca-discos adequado para reproduzi-lo. Sempre lembrando que o primeiro LP brasileiro, editado pela Sinter em 1951, era também com músicas de carnaval, para aquele ano, que igualmente saíram em 78 rpm. O diferencial aqui fica por conta da abertura e do encerramento, a cargo da orquestra da “marca do templo”, fazendo o disco ser ouvido como se estivéssemos em um baile de carnaval. Logo no início, ouvimos a introdução do clássico “O teu cabelo não nega”, de Lamartine Babo, mais os irmãos Raul e João Vítor Valença.  Em seguida, desfilam as oito faixas então inéditas para a folia de 55. No lado A, só marchinhas. De cara, temos um grande sucesso: “Ressaca”, feita e interpretada pela “dupla da harmonia”, Zé e Zilda, novamente voltando ao tema da bebida, por eles abordado um ano antes em outro hit, “Sacarrolha”, com direito até a advertência contra o abuso da mesma: “Ela não é amiga, desce pra barriga e depois sobe pra cabeça”. Zé da Zilda, entretanto, não conheceu o sucesso de “Ressaca”, pois faleceria menos de um mês antes da gravação, em 10 de outubro de 1954, vitimado por um AVC. As outras sete faixas também apareceram, ainda que em menor proporção, constituindo-se em verdadeiras relíquias para os colecionadores. Francisco Ferraz Neto, o Risadinha, responsável por inúmeros hits na folia de Momo, brinda-nos com “Zum zum ba ê”,dele próprio em parceria com Sebastião Gomes. Roberto Paiva, outro grande intérprete, apresenta “O casamento da Rosa”, de Oldemar Teixeira Magalhães e Luiz Costa. Alcides Gerardi vem em seguida com “Água não!”, de Erasmo Silva e Américo Seixas, outra música tendo a bebida em foco, no caso o chope, que sempre desfrutou da preferência dos foliões nos bailes carnavalescos, tornando-se neles imprescindível. E bem geladinho, é claro… No lado B, é o samba que pede passagem. A eterna “rainha da voz”, Dalva de Oliveira, nos oferece “Chama do nosso amor”, de Oswaldo Martins e Dias da Cruz. Roberto Luna, então despontando para a fama, interpreta  “Deus me ajude”, assinado por Vicente Longo e Oswaldo Morigge.  A eterna “rainha da televisão brasileira”, Hebe Camargo, brinda-nos com “Madalena”, de Blecaute (intérprete festejado de carnavais, aqui como compositor) e Oswaldo França. João Dias, “o príncipe da voz”, eleito pelo próprio Francisco Alves para sucedê-lo, por ter voz idêntica à dele, vem com “Meu último reinado”, de Herivelto Martins e Raul Sampaio, este último integrante da terceira formação do Trio de Ouro, junto com Herivelto e Lourdinha Bittencourt. E o disco termina com a Orquestra Odeon executando a introdução da clássica marchinha “Cidade maravilhosa”, de André Filho. Enfim, é um álbum que surpreende pelas verdadeiras raridades nele contidas, que se constituem em agradáveis e surpreendentes descobertas para os colecionadores. E enriquece brilhantemente a discoteca da memória músico-carnavalesca do Brasil. Divirtam-se!
o teu cabelo não nega
ressaca
zum zum ba ba e
o casamento da rosa
agua não
chama do nosso amor
deus me ajude
madalena
meu último reinado
cidade maravilhosa

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* Texto de Samuel Machado Filho

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Vários – Carnaval 1972 (1972)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados. Depois de oferecer a vocês o álbum que a Continental lançou com músicas para o carnaval de 1968, o TM apresenta mais um LP carnavalesco da mesma gravadora, editado com o selo Musicolor (braço dito “econômico” da empresa), agora dedicado à folia momesca de 1972. Na verdade, foram dois LPs, e este é o primeiro deles. Alguns dos intérpretes deste disco são conhecidos:  Wilma Bentivegna (cantora de hits românticos, aqui presente com “Carnavais do passado”, marcha-rancho na linha saudosista), Leila Silva (“Falando comigo”, que tem co-autoria do músico Adilson Godoy), Miguel Ângelo, ex-integrante da Dupla Ouro e Prata (aqui com “A marcha do bebum”, explorando temática comum em músicas carnavalescas) e Durval de Souza, comediante e apresentador de TV, então integrante do cast da Record, interpretando aqui “A tonga da mironga”, marchinha que, de certa forma, repercutia o grande sucesso obtido por Toquinho e Vinícius de Moraes com “A tonga da mironga do kabuletê”. Entre os compositores, a curiosidade fica por conta de Nascim Filho, notório apresentador de programas sertanejos no rádio paulistano, parceiro em “É hoje”, faixa de encerramento  deste disco, interpretada pelo Coro Musicolor. Temos ainda a presença de Nélson Silva, com “Dá de pinote” e “Vara verde”.  Completam o programa, os obscuros Arthur Miranda, Dalva Pedrezani e os grupos Imperiais do Ritmo e As Damas. Se você que viveu nesse tempo não conseguir se lembrar de nenhuma das músicas deste disco, não se preocupe. Creio que muitos remanescentes dessa época não se lembram, uma vez que a canção carnavalesca já atravessava um período de grave crise, principalmente pela falta de divulgação, a tempo e hora, das composições então novas. Muitos estudiosos afirmam, inclusive, que o último grande sucesso do carnaval brasileiro foi “Bandeira branca”, lançado por Dalva de Oliveira em 1970. Portanto, dois anos antes deste nosso álbum.  Como já registramos anteriormente, o carnaval de salão passou a ser dominado por sucessos antigos de outros tempos (tipo “Mamãe eu quero”, “Jardineira”, “Cabeleira do Zezé” etc.), e, nas ruas, os sambas-enredo das escolas passaram a dar as cartas. De maneira que este álbum da Continental para a folia de 1972 acaba se tornando um verdadeiro documento, de uma época em que a canção carnavalesca ainda respirava, ou tentava respirar. E esta é mais uma oportunidade que o TM nos dá, de ouvir músicas que  possivelmente não foram bem-sucedidas na folia momesca, com toda a atenção da qual não desfrutaram quando de seu lançamento. Afinal, todo mundo merece uma segunda chance, não é mesmo?

carnavais do passado – wilma bentivegna

dá pinote – nelson silva

marcha do bebum – miguel angelo

a onda da cafonagem – as damas

doido varrido – arthur miranda

a marcha do corujão – dalva pedrezani

amor – as damas

a tonga da mironga – durval de souza

esquecendo o mal – imperiais do ritmo

falando comigo – leila silva

vara verde – nelson silva

é hoje – côro musicolor

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  • Texto de Samuel Machado Filho

Carnaval 68 (1968)

Está chegando mais um carnaval. É hora de esquecer as tristezas e as frustrações da vida e brincar, sambar, fazer tudo a que se tem direito. Mas sem cometer excessos, principalmente na bebida.  Entrando nesse clima, o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum lançado pela Continental, com músicas para o carnaval de 1968. Com o advento dos LPs no Brasil, na década de 1950, as gravadoras passaram a lançar, anualmente, álbuns com os contratados de seu cast interpretando músicas feitas para a folia de Momo. Era um tempo em que os artistas se engajavam de corpo e alma na gravação e divulgação de tais músicas, pois, como se dizia, eram também “da fuzarca”.  Nunca é demais lembrar que o primeiro LP editado no Brasil, de 1951, foi o dez polegadas “Carnaval em long playing” (selo Capitol/Sinter).  À medida em que o LP foi se popularizando, e as vendas dos antigos discos de 78 rpm despencando, todas as gravadoras passaram a seguir o exemplo da Sinter, botando praticamente todos os seus contratados para gravar músicas destinadas à grande festa do povo.  E foi justamente o caso da Continental, com o álbum oferecido hoje a vocês pelo TM, com músicas destinadas à folia momesca de 1968. Nessa época, a música de carnaval já estava em acentuado declínio, agravado pela precária e escassa divulgação, e muito poucos tomavam conhecimento das novidades para a folia momesca. Nos salões, repetiam-se hits do passado, e, nas ruas, os sambas-enredo das escolas, sobretudo do Rio de Janeiro, tomaram o poder. Foi nesse ano, por sinal, que aconteceu o primeiro desfile oficial de escolas de samba de São Paulo, na Avenida São João, com a Nenê de Vila Matilde sagrando-se campeã. Mas os compositores e intérpretes não se apertavam, mostravam que ainda permaneciam vivos na folia. Das dezesseis faixas deste álbum da Continental, pelo menos uma foi êxito espetacular no carnaval de 68: a marcha-rancho “Até quarta-feira”, de Paulo Sette e Umberto Silva, aqui em ritmo mais acelerado, de marchinha, na interpretação do sempre excelente Noite Ilustrada (foi também gravada por Marcos Moran, na Caravelle). Praticamente dominou aquela folia, sendo até hoje relembrada. Os oito intérpretes escalados para este disco, em sua maioria, eram cadeira cativa nos carnavais: Jorge Veiga (”Não tira a máscara”, “Amar não é pecado”), Francisco Egydio (“Vou deixar cair”, “Quem bate”), Risadinha (“Barqueiro de folga”, “Nem Pierrô nem Colombina”), Mário Augusto (“Garota do plá”, que aproveita um termo de gíria então usado para designar bate-papo ou conversa, “”A maior invenção”), a vedete Angelita Martinez, aqui interpretando “A bela Otero” e “Um instante maestro, pare”, esta última uma clara referência a Flávio Cavalcanti, polêmico apresentador de TV que chegava até a quebrar os discos musicais que considerava ruins, diante das câmeras. Francisco Petrônio, “o rei do baile da saudade”, mesmo não tendo lá muita tradição no setor carnavalesco, aqui comparece com “Palhaço” e “Drama de Pierrô”. Entre os compositores, há também nomes de destaque assinando algumas faixas: a dupla Dênis Brean-Oswaldo Guilherme, Newton Teixeira (autor de clássicos como “Malmequer” e “Deusa da minha rua”), o próprio Risadinha (como Francisco Neto), Elzo Augusto, Arnô Provenzano. São detalhes, que por si só, credenciam este álbum da Continental, apesar da crise que, já em 1968, atingia a canção carnavalesca. É a oportunidade de se redescobrir, inclusive, músicas que possivelmente não obtiveram sucesso, e que agora, graças a esta oportunidade proporcionada pelo TM, poderão ser ouvidas com a atenção da qual não desfrutaram quando lançadas. Divirtam-se!

palhaço – francisco petrônio
até quarta feira – noite ilustrada
não tire a máscara – jorge veiga
um instante maestro, pare – angelita martinez
vou deixar cair – francisco egydio
barqueiro de folga – risadinha
amor e falsidade – wilson roberto
garota do plá – mario augusto
vai trabalhar – noite ilustrada
drama de pierrot – francisco petrônio
amar não é pecado – jorge veiga
a bela otero – angelita martinez
quem bate – francisco egydio
nem pierrot, nem colombina – risadinha
vem quente – wilson roberto
a maior invenção – mário augusto

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* Texto de Samule Machado Filho

Banda Do Canecão – 100 Anos De Samba (1973)

Olá amigos cultos e ocultos! Entramos, enfim, na semana do Carnaval. E logo de saída eu trago este box, uma autêntica festa de carnaval. São três discos, com 131 músicas que ilustram uma boa parte do repertório do samba carnavalesco de todos os tempos. Um trabalho dos mais interessantes lançado pela Phonogram, através de seu selo Polydor, em 1973, ano fértil para a música brasileira. Temos aqui a tradicional Banda do Canecão, que como o próprio nome diz, era a banda da casa de shows Canecão, no Rio de Janeiro, surgida nos anos 60. A banda fez tanto sucesso que acabou sendo contratada do Phonogram. Segundo consta, eles gravaram mais de 20 discos, sempre na ‘atmosfera’ da apresentação ao vivo, numa sequencia de músicas tal qual um pot-pourri. Nesta coletânea homenageando os 100 anos de samba. Uma caixa essencial para quem coleciona discos e mais, para quem quer conhecer um pouco esse vasto repertório. Desta vez, eu nem vou listar as músicas dos discos, são tantas… Confiram esta postagem no GTM. Como sempre, completa, inclusive com imagens do encarte em forma de libreto, que vem acompanhando os discos. E viva o Carnaval!

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