Manduka Y Los Jaivas – Los Sueños De America (1974)

Buenas tardes, amigos cultos e ocultos! Eu já havia selecionado os discos que entrariam nesta série de postagens dedicada a música latina, os países de língua hispânica, das Américas. Boa parte foi doação do meu amigo Fáres e alguns outros eram arquivos digitais que também me foram enviados, mas nem lembro mais que o fez. Contudo, percebi que ainda tinha uma leva de inéditos e agora fico nessa indecisão, não sei se publico todos ainda neste mês, ou se deixo para uma nova temporada. Ainda quero fechar os 10 anos com coisas nacionais. Vamos ver…
E aqui vai então um dos que recebi e até hoje nunca postei. Acho que fiquei esperando o vinil de verdade aparecer. Mas, por se tratar de um disco de 1974, importado e raro, acho difícil aparecer assim. No Mercado Livre há um compacto, trazendo a música ‘La Centinela’ e o maluco lá está cobrando 190 reais! Pior ainda é um outro que acha que vai conseguir vender a versão cd por 795 reais!!! Esses caras perderam o senso. A exploração corre solta para colecionadores, que são outros malucos. Só mesmo um colecionador endinheirado ou muito idiota seria capaz de pagar esses preços. Enfim, cada um vende e compra pelo preço que quer…
Temos então,”Los sueños de America”, disco gravado na Argentina, pelo músico brasileiro, Manduka, ao lado do grupo chileno Los Jaivas. Este disco nunca chegou a ser lançado no Brasil, porém, através de outros blogs, da internet e outras fontes, o disco circulou bastante, tempos atrás. Em 1995 ele foi relançado no Chile pela Alerce Producciones Fongráficas, em versão cd.
“Los sueños impresos en este álbum son el único resultado aparente de un simbólico Primer Encuentro Latinoamericano de la Soledad que los músicos concertaron en un rincón amado del litoral argentino, intentando conjugar la sabiduría de la montaña, la embriaguez del mar y el hermetismo de la selva”.

don juan de la suerte
la centinela
date unavuelta en el aire
tá bom, tá que tá
traguito de ron
los sueños de america
primer encuentro latinoamericano de la soledad

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Mercedes Sosa – Gente Humilde (1982)

Dentro do ciclo temático sobre a música popular e folclórica latino-americana, comemorativo de seu décimo aniversário, o TM tem a satisfação de oferecer hoje, a seus amigos cultos, ocultos e associados, mais um álbum desta notável intérprete do gênero que foi a argentina Mercedes Sosa (1935-2009), a querida e sempre lembrada “La Negra”, cognominada “a voz da América Latina”. Desta vez, apresentamos “Gente humilde”, trabalho lançado em 1982 pela Philips/Polygram, hoje Universal Music, e produzido especialmente para o mercado brasileiro. Esse ano também marcou o retorno definitivo de Mercedes à sua Argentina natal, após alguns anos de exílio na Europa (ela fora acusada de subversão, dada sua proximidade com os movimentos comunistas e seu apoio a partidos de esquerda). Tanto é assim que este “Gente humilde” foi gravado, em sua maior parte, em Paris, onde então ela ainda morava. A faixa-título, vocês sabem, é um clássico da MPB, e ganhou versão em espanhol de Júlio César Isella, não por acaso o produtor deste álbum, e conterrâneo de Mercedes (ele também assina a faixa “Fuego em Anymana”). Há de se destacar ainda a participação especial do brasileiro Fagner (apenas um dos muitos artistas tupiniquins que tiveram o privilégio de gravar com a grande Mercedes), na faixa “Años”, do cubano Pablo Milanez (na verdade, faixa extraída do álbum “Traduzir-se”, que Fagner lançou em 1981 pela CBS).  E o Brasil ainda está presente com “Guitarra enlunarada”, versão em espanhol para outro clássico de nossa música popular, “Viola enluarada”, dos irmãos Marcos & Paulo Sérgio Valle. Mercedes ainda revive o clássico “El dia que me quieras”, de Carlos Gardel, e apresenta, de seu conterrâneo Enrique Cadícamo, “Los mareados”. Outro cubano, Sílvio Rodriguez, aqui comparece com “Sueño com serpientes”. Tudo isso e muito mais compõem este que é outro imperdível trabalho da incomparável Mercedes Sosa, mais uma joia que o TM apresenta em seu ciclo latino-americano. Não dá pra pedir mais, não é mesmo?

a quien doy

zamba del  laurel

gente humilde

el dia que me queiras

la flor azul

fuerza

guitarra enluarada

sueño con serpientes

cuando me acuerdo de mi pais

los mareados

fuego en anymana

años

*Texto de Samuel Machado Filho

Atahualpa Yupanqui (1967)

Dando prosseguimento ao seu ciclo latino-americano, o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum daquele que é considerado um dos mais importantes divulgadores de música folclórica da nossa vizinha Argentina. Estamos falando de Atahualpa Yupanqui.  Compositor, cantor, violonista e escritor, ele veio ao mundo com o nome de Héctor Roberto Chavero, na cidade de Pergamino, província de Buenos Aires, no dia 31 de janeiro de 1908, filho de pai quéchua e mãe basca. Ainda criança, mudou-se como a família para Agustín Roca, em cuja ferrovia seu pai trabalhava. Aos seis anos, começou a ter aulas de violino e, pouco tempo depois, de violão, com o concertista Bautista Almirón, viajando diariamente os 15 quilômetros que o separavam da casa do mestre. Em 1917, sua família mudou-se para Tucumán e, aos treze anos, ele teve suas primeiras obras literárias publicadas no jornal da escola. É quando começa a utilizar o nome Atahualpa, em homenagem ao último soberano inca. Alguns anos depois, em homenagem a Tupac Yupanqui, penúltimo governante inca, agregou “Yupanqui” a seu pseudônimo. Aos 19 anos, compôs a canção “Caminito del índio”, que se tornou um hino da identidade indígena na Argentina. Este seria, em 1936, o lado A de seu primeiro disco, em 78 rpm, pela Odeon, tendo no verso “Mangruyando”. Fez inúmeras viagens, percorrendo províncias argentinas, a Bolívia, os Vales Calchaquies e até mesmo o Sul do Brasil, muitas vezes montado em lombos de mulas, a fim de melhor conhecer antigas culturas sul-americanas. Em 1939, publicou seu primeiro livro de poemas, “Piedra sola”. Depois vieram mais onze, dois dos quais publicados postumamente. Em 1945, filiou-se ao Partido Comunista da Argentina, junto com um grupo de intelectuais, o que, inevitavelmente, provocou represálias:  foi proibido de se apresentar em rádios, teatros, bibliotecas e escolas, além de ter sido preso várias vezes. Seu romance “Cerro bayo”, de 1947, serviu de base para o roteiro do filme “Horizontes de piedra”, com música e atuação do próprio Atahualpa Yupanqui, lançado em 1956 e premiado no Festival de Karlovy Vary, cidade da antiga Tchecoslováquia e agora da Republica Checa (Yupanqui apareceria em mais seis filmes,  entre 1959 e 1981). Em 1949, viajou pela Europa, apresentando-se na Hungria, Tchecoslováquia, Romênia, Bulgária e França, Foi em Paris que conheceu Edith Piaf e Paul Eluard, apresentou-se no Teatro Aleneo e gravou o álbum “Minero soy” (cuja faixa-título está também no presente álbum), premiado em concurso internacional de folclore da Academia Charles Gross  como melhor disco estrangeiro. Voltando à Argentina, em 1953, tornou público seu desligamento do Partido Comunista, na verdade acontecido dois anos antes. Entre suas músicas mais conhecidas (deixou um total de 325 composições), estão: “El arriero”, “Trabajo, quiero trabajo”, “Los ejes de mi carreta”, “Los Hermanos” (que Elis Regina tornou conhecida no Brasil, em registro memorável),”Milonga del solitario”,  “Zamba del grillo”, “Luna tucumana” e “Nada mas”. Trabalhos estes interpretados por gente do porte de Mercedes Sosa, Alfredo Zitarrosa, Víctor Jara, Dércio Marques, Ángel Parra e Marie Laforet, e que continuam a fazer parte do repertório de vários artistas na Argentina e em outras partes do mundo. Em 1963-64, Atahualpa Yupanqui apresentou-se no Japão, Colômbia, Marrocos, Egito,  Israel e Itália. Em 1967-68 fez temporada artística na Espanha e na França, voltando a residir em Paris. Em 1986, foi condecorado como Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras na França, e, um ano depois, homenageado pela Universidade de Tucumán. Em janeiro de 1990, já com a saúde abalada por problemas cardíacos, apresentou-se pela última vez em sua Argentina natal, participando do festival de Cosquín, e  depois retornou a Paris a fim de cumprir contrato artístico. Foi casado duas vezes, a primeira com sua prima, Maria Alícia Martinez, entre 1931 e 1937, com quem teve os filhos Alma Alicia, Atahualpa Roberto e Lila Amancay,  e a segunda com a pianista e compositora franco-canadense Paula “Nenette” Pepin, entre 1942 e 1990 (ano em que ela faleceu), com quem  teve seu último filho, Roberto Chavero. Atahualpa Yupanqui faleceu em 23 de maio de 1992, em Nîmes, na França, aos 85 anos, e, por desejo expresso em testamento, foi sepultado em Cerro Colorado, na província argentina de Córdoba.  Aqui, oferecemos a nossos amigos cultos, ocultos e associados um álbum que a Odeon argentina lançou em 1967, dentro de uma série chamada “Galeria”, e, como quase toda a discografia de Yupanqui, nunca editado em território brasileiro. São catorze faixas imperdíveis, algumas cantadas, outras instrumentais, nas quais desfilam ritmos tipicamente argentinos, como a zamba, a canción, a chacarera, a baguala e a canción norteña. Enfim, é uma preciosa amostra do legado de Atahualpa Yupanqui, de quem brevemente estaremos postando mais um álbum. Aguardem!

canción del cañaveral

quiero ser luz

minero soy

la alabanza

zambita del alto verde

el vendedor de yuyos

payo sola

indiecito dormido

la finaldita

mi caballo perdido

zamba de vargas

viejo tambor vidalero

el coyita

no quiero que te vayas

 

 

*Texto de Samuel Machado Filho

Mercedes Sosa – Cantata Sudamericana (1980)

Prosseguindo o ciclo temático que o TM dedica à música popular e folclórica latino-americana, em comemoração a seu décimo aniversário, oferecemos hoje a nossos amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum dessa notável intérprete que foi a argentina Mercedes Sosa (1935-2009). Trata-se de “Cantata Sudamericana”, gravado na Philips portenha em 1972 e lançado no Brasil apenas em 1980. É uma verdadeira obra-prima, com todas as suas oito faixas assinadas pela dupla Ariel Ramirez-Félix Luna (também autores da “Misa criolla”), abrangendo ritmos, temas e motivos originários de várias regiões sul-americanas, ao mesmo tempo em que procura ressaltar valores étnicos e estéticos do continente . As músicas têm um ponto em comum e se relacionam, embora algumas já tenham sido gravadas anteriormente pela própria Mercedes, como “Canta tu canción” (esta, dedicada ao Brasil, com direito até a compassos de bossa nova) e “Antigos dueños de las flechas”. Destaque ainda para as duas últimas faixas, “Sudamericano em Nueva York” (com nítida influência do jazz) e “Alcen las banderas”, com muito de caribenho em sua concepção. Aqui, “La Negra” está em sua melhor forma, e há quem considere este “Cantata Sudamericana” seu melhor trabalho em disco. Com sua permanente atualidade, é um álbum que merece, com toda justiça, a postagem do nosso TM. Imperdível! E vem mais Mercedes Sosa por aí, aguardem…

es sudamerica mi voz
canta tu cancion
antiguos duenos de las flechas
pampas del sur
acercate cholito
oracion al sol
sudamericano en nueva york
alcen las banderas

* Texto de Samuel Machado Filho

Iván Pérez Rossi – Canciones De la Eterna Natividad (1990)

Prosseguindo o ciclo dedicado à música popular folclórica e latino-americana, o TM oferece hoje a seus amigos cultos e associados uma verdadeira raridade. Trata-se de um álbum originário da Venezuela, nunca lançado no Brasil. É “Canciones de la eterna natividad”, reunindo músicas compostas e interpretadas por Ivan Perez Rossi. Nascido em Ciudad Bolivar, no dia 3 de agosto de 1943, Rossi  é fundador e integrante do grupo Serenata Guayanesa, quarteto vocal e instrumental  executante de música típica venezuelana (abrangendo ritmos como o calipso, o bolero, o aguinaldo, o vals e o merengue caraqueño), surgido em 1971, e reconhecido como patrimônio cultural daquele país. Ivan gravou mais de 50 álbuns com o Serenata e outros cinco como intérprete-solo. Engenheiro de profissão, formado pela UCV (Universidad Central de Venezuela), é  também escritor, e já publicou alguns livros para crianças. Como cantor, tem privilegiada voz de barítono, o que lhe permite entoar notas graves com grande sonoridade, e cantar notas altas, quase de tenor, com muito brilhantismo e afinação. Embora praticamente desconhecido no Brasil, é um autêntico ídolo na Venezuela (país que, no momento em que escrevo esta resenha, enfrenta uma grave crise política). Sendo assim, o TM oferece hoje uma rara oportunidade de conhecer a fundo o trabalho de Ivan Perez Rossi. Este “Canciones de la eterna natividad” é seu primeiro trabalho como solista, e foi lançado em 1990, em esquema de produção independente. Em doze faixas, todas de composição própria, iremos encontrar um pouco da melhor música típica venezuelana, alternando músicas românticas com outras dançantes. Um trabalho de qualidade que vale a pena conhecer, mostrando por que Ivan Perez Rossi é tão querido e apreciado pelos venezuelanos. Confiram…

cidade bolivar
el chirriquitico
sonrie mi niño
quiero parrandear
catalina yánez
dónde esta san nicolas
el niño bendito
el merideño
yo no bebo mas
la muñeca
la virgen maria
cuando yo me muera

*Texto de Samuel Machado Filho

Angel Parra – De Chile (1976)

Dando prosseguimento ao ciclo dedicado á música popular e folclórica latino-americana, o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados um dos mais expressivos títulos da discografia do chileno Ángel Parra, filho da imortal Violeta Parra (de quem já apresentamos aqui o disco “Canciones inéditas”).  Lançado em 1976 pela Intermusique, de Luxemburgo, o disco se intitula “Ángel Parra de Chile”, e teve também os nomes de “La libertad” e “Yo tuve una pátria” (no Brasil, a extinta Copacabana manteve o título original). Com o nome completo de Ángel Cereceda Parra, este que, além de cantor e compositor, foi também escritor, veio ao mundo na cidade chilena de Valparaíso, no dia 27 de junho de 1943, fruto da união de Violeta Parra com o ferroviário Juan Cereceda Arenas. Teve início de carreira precoce, aos cinco anos, cantando em circos.  Seu primeiro LP-solo viria em 1965, “Ángel Parra y su guitarra”, pontapé inicial para uma constante e prolífica produção musical. Participou do movimento denominado “Nueva Canción Chilena” e, durante um certo período, sua música situava-se entre a canção de protesto e o folclore do Chile, cantando ocasionalmente ao lado de sua irmã Isabel Parra. Ángel foi também um dos compositores chilenos a se abrir para outros gêneros musicais, como o rock, colaborando com o grupo Los Blops. Por suas ideias políticas e sua vinculação à Unidade Popular de Salvador Allende, em 1973, logo após o golpe de estado do general Augusto Pinochet, Ángel ficou detido no Estádio Nacional e no campo de concentração de Chacabuco. Na ocasião, escreveu “La pasión según San Juan, oratório de Navidad”, que gravou e lançou na Europa logo após ser libertado. No exílio, morou no México e na França, dedicando-se a denunciar ao mundo a triste situação de seu país. Nesse período, produziu um álbum de guitarra popular chilena (“La prochaine fois”) e, em 1981, gravou seu último disco em dupla com a irmã Isabel.  A partir de 1989, estaria várias vezes em seu Chile natal para se apresentar artisticamente, mas continuou residindo na França. Nos anos 1990, gravou, entre outros discos, o que comemorou os 500 anos do descobrimento da América (com letras do escritor galego Ramón Chao, pai do músico Mano Chao), o que lembrou os 50 anos do falecimento da poetisa Gabriela Mistral, e outro em homenagem à mãe, Violeta Parra. Em fins de 2004, ao lado da irmã Isabel , recebeu a distinção de “Figura fundamental da música chilena”. Em 2006, publicou um livro sobre a vida de sua mãe, “Violeta se fue a los cielos”. Ángel Parra faleceu em 11 de março deste ano de 2017, aos 73 anos, em Paris, em consequência de um câncer pulmonar, deixando uma discografia que abrange quase 40 álbuns-solo, além dos seis gravados junto com a irmã Isabel. Este “Ángel Parra de Chile” mostra o cantor-compositor em sua melhor forma, apresentando onze faixas bastante expressivas, todas de autoria dele próprio. Isso comprova  que Ángel Parra foi um digno continuador do trabalho de sua mãe, Violeta Parra, e mostra por que ele também é referência obrigatória quando se fala em música popular e folclórica latino-americana.

la liberdad

yo tuve una patria

tango en colombes

auto retrato

que sera de mis hermanos

porque manna se abriran las alamedas

el poeta frente al mar

el dia que vuelva a encontar

compañero presidente

america del sur

levantese compañero

*Texto de Samuel Machado Filho

Mercedes Sosa – Grandes Artistas (1972)

E eis que o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados, dentro de seu ciclo dedicado à música folclórica e popular latino-americana, uma compilação daquela que, sem dúvida, foi um dos maiores ícones do gênero, “a voz dos sem voz”, e uma das expoentes do movimento “Nueva canción”. Estamos falando de Haydée Mercedes Sosa, que recebeu de seus fãs o apelido de “La Negra”, por sua ascendência ameríndia, e não por causa dos longos cabelos negros, como se erroneamente acreditava). Mercedes veio ao mundo na cidade de San Miguel de Tucuman, no noroeste da Argentina, em 9 de julho de 1935 (nessa data, curiosamente, em 1816, e na mesma cidade, foi assinada a declaração de Independência da Argentina). Sempre foi patriota, e também árdua defensora do Pan-americanismo e da integração dos povos latino-americanos. Criada durante o governo de Juan Domingo Peron, Mercedes cresceu embalada pela ideologia peronista, recebendo, como quase todos de sua geração, uma influência muito grande da mitológica Evita. Sua ascendência era mestiça (mistura de europeus com americanos e índios): francesa e dos indígenas do grupo diaguita. Sua carreira artística iniciou-se em 1950, quando venceu, na plenitude de seus quinze anos, um concurso de canto promovido pela rádio de sua cidade natal, ganhando um contrato de dois meses com a emissora. Em 1962 é lançado seu primeiro álbum, “La voz de la zafra”, gravado no ano anterior. Em seguida, ficou conhecida entre os povos indígenas argentinos  ao fazer uma performance no Festival Folclórico Nacional. Sua preocupação sócio-política refletia-se no repertório que interpretava, tendo sido uma das maiores expoentes do movimento “Nueva canción”, movimento musical com raízes africanas, cubanas, andinas e espanholas, marcado por uma ideologia de rechaço ao imperialismo norte-americano, ao consumismo e às desigualdades sociais. Além do sucesso na Argentina, apresentou-se também em países da América e da Europa. A temática social e ligação com a esquerda também lhe renderam dissabores. Em 1979, em La Plata, durante a ditadura argentina, por exemplo, um show da artista foi invadido pelos militares, e tanto ela quanto o público presente foi parar na prisão! Banida no próprio país, Mercedes decidiu se exilar, primeiro em Paris, depois em Madri. Voltou à Argentina em 1982, vários meses antes do colapso da ditadura militar argentina, resultado da fracassada Guerra das Malvinas, e deu uma série de shows no Teatro Cólon, em Buenos Aires, onde convidou muitos colegas jovens para cantar com ela (um LP duplo com gravações dessas performances logo fez sucesso). E continuou a se apresentar nos anos seguintes, não só na Argentina, como também no exterior, cantando em lugares como o Lincoln Center, o Carnegie Hall e o Teatro  Mogador. Entre os artistas que gravaram com ela estão Fito Páez, Mílton Nascimento, Léon Gieco, Daniela Mercury, Beth Carvalho, Chico Buarque, Fagner, Sting, Andrea Bocelli e até mesmo a colombiana Shakira. Tem mais de 50 álbuns em sua discografia, e foi considerada a melhor intérprete das composições  do argentino Atahualpa Yupanqui e da chilena Violeta Parra. Ganhou quatro vezes o Grammy Latino de melhor álbum de música folclórica (em 2000, por “Misa Criolla”, em 2003 por “Acústico”, em 2006 por “Corazón libre” e já postumamente, em 2009, por “Cantora  1”). E continuaria em atividade até falecer, em 4 de outubro de 2009, aos 74 anos, de problemas renais. Hoje, o TM oferece a vocês uma coletânea com algumas das melhores gravações da notável e imortal Mercedes Sosa, lançada pela Philips argentina dentro de uma série denominada “Grandes artistas”, e reunindo gravações feitas entre 1966 e 1972 (talvez o disco seja de 1975). São treze faixas em que ela nos apresenta um repertório de primeira linha, de renomados compositores populares latinos, como Atahualpa Yupanqui (“Duerme mi negrito”, tema folclórico recolhido por ele), Armando Tejada Gomez (“Canción com todos”), H. Rufo Herrera (“Zamba del chaguanco’), Ariel Ramirez (que também a acompanha ao piano em “Alfonsina y el mar”), Figueredo Iramain (‘Cancion del derrume índio”) e Violeta Parra (“Gracias a la vida”, clássico que mereceu interpretação inesquecível de Mercedes). Tudo isso mostrando a força e o talento desta inesquecível intérprete, com todos os atributos que a fizeram, com justiça, uma gigante da música latino-americana contemporânea. E atenção: brevemente, estaremos postando mais álbuns de Mercedes Sosa. Aguardem!

al jardin de la republica
duerme negrito
chayita del vidalero
tristeza
alfonsina y el mar
zamba del chaguanco
cancion con todos
si se calla el cantor
cancion para un niño en la calle
la oncena
cancion del derrumbe indio
zamba para no morir
gracias a la vida

*Texto de Samuel Machado Filho

Óscar Chávez – Mariguana (1969)

1818

Buenas, amigos cultos e ocultos! Não sei mais nem porque ainda ficamos nessa de perguntar se estão gostando ou não da nossa mostra temática, dedicada aos nossos hermanos latinos. Digo isso porque já nem sei se ainda temos um grande público e também porque a nossa seção de comentários está desativada. Comunicação com a gente, só via e-mail e isso pouco também tem chegado para nós. Uma prova cabal de que essa onda de blog já era. Poucos são aqueles que ainda se aventuram em ‘download’. Aliás, poucos são ainda os blogs e sites que oferecem de mão beijada seus tesouros. E por outra, tudo que um dia já postamos aqui, hoje já está pronto para consumo no site do Youtube. Mas ainda assim blogs como o Toque Musical tem muito a mostrar e na pior das hipóteses não deixa de ser um catálogo, uma referência para aqueles que pesquisam sobre música e discos.
Bom, tenho para hoje este disco sensacional e raro do cantor, compositor e também ator, o mexicano Óscar Chávez. Um artista conhecido principalmente pela sua música de cunho político, crítico e de protesto. Foi um dos expoentes do movimento musical mexicano nos anos 60, conhecido como ‘Canto Nuevo’. Com suas canções apoiou também o Exército Zapatista de Libertação Nacional. Sua discografia inclui dezenas de discos e aqui no Brasil pouco se sabe sobre esse artista. Certamente, por se tratar de um cantor de protesto, deve ter sido censurado nos anos de chumbo aqui no nossa país. Nunca vi nada dele lançado aqui.
“Mariguana” é um álbum lançado em 1969, pela Polydor. Um trabalho de sua melhor fase cujo o repertório traz músicas das mais interessantes e curiosas, tais como a que dá título ao disco, Mariguana, que em espanhol que dizer maconha, uma planta que faz parte da cultura xamânica mexicana (pena que por aqui ninguém conheça). A letra dessa música é ótima. Na verdade o disco todo. Confiram… 😉

la marguana
elisa
san lunes
si estas domida
la milpa
de ranchero a diputado
mariana
la mina vieja
mi juana
el ferrocarril
amigo, amigo

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Los Fortineros – Canção da América (1981)

Prosseguindo o ciclo que o TM dedica à música popular e folclórica latino-americana, aqui está, para deleite de nossos amigos cultos, ocultos e associados, um álbum dedicado à musica do Uruguai, que partilha suas origens gaúchas com a Argentina, de forma que o tango tem uma importância relevante no país. É “Canção da América”, gravado no Brasil em 1981 pelo grupo Los Fortineros. É mais um álbum cuja produção foi coordenada por Lucas Robles, que, como vocês já sabem, é argentino radicado em território brazuca. O álbum foi lançado pela gravadora Cristal Discos, ex-Bandeirantes, que já não tinha mais vínculo com a rede de televisão homônima. Na verdade, o Grupo Bandeirantes era sócio do músico Cláudio Petraglia na gravadora, e decidiu vender sua parte. Detalhes à parte, o disco é um apanhado interessante, reunindo expressivos trabalhos de compositores uruguaios, tipo Alfredo Zitarrosa (“Doña Soledad”, “El retobao”, “Milonga para uma niña’, “P’al que se va”), Edoardo Mateo (“Tamboriles”), Geronimo Yorio , Carmelo Imperio e Romeo Gavioli (os três assinando o clássico “Baile de los morenos”), Daniel Vigilieti (“Canción para mi América”) e Aníbal Sampayo (“Ki chororo”), com direito até uma obra-prima do venezuelano Eloy Blanco, “Angelitos negros”. Os cinco membros do grupo, apoiados pelo bandoneonista  Hugo Abelo, pelo pianista Roberto Abitante e pelo baixista Ricardo Sorondo, mostram extrema competência, fazendo deste trabalho uma peça de colecionador digna de integrar o ciclo latino de nosso TM. A conferir, sem falta…

doña soledad
ki chororo
siga el baile
el retobao
angelitos negros
baile de los morenos
cancion para mi america
milonga para una niña
candela
p’al que se va
chiquillada
tamboriles

*Texto de Samuel Machado Filho

Violeta Parra – Canciones Ineditas (1980)

Dando prosseguimento a seu ciclo latino-americano, o TM hoje nos oferece um álbum daquela que é considerada a mais importante folclorista e fundadora da música popular chilena. Estamos falando de Violeta Parra. Compositora, cantora, artista plástica e ceramista, Violeta del Cármen Parra Sandoval nasceu na cidade de San Carlos, comuna da província de Ñuble, em 4 de outubro de 1917, filha de um professor de música (Nicanor Parra) e de uma camponesa (Clarisa Sandoval), ambos admiradores da música folclórica. Tinha oito irmãos e dois meio irmãos (filhos de um relacionamento anterior da mãe). Passou grande parte de sua infância em Lautaro, aos três anos teve varíola, e morou ainda em distintas localidades da zona de Chillán, onde teve suas primeiras experiências artísticas, compondo suas primeiras canções para violão em 1929. Estudou até o segundo ano do secundário, e abandonou os bancos escolares em 1934,para trabalhar e cantar com seus irmãos em bares e circos. Autodidata, cantora e violonista desde os nove anos, ingressou de vez na carreira musical aos quinze, após a morte do pai, deixando a casa da mãe, no interior chileno, e indo morar em Santiago com o irmão Nicanor, que estudava na capital. Na época, formou com sua irmã Hilda o duo Las Hermanas Parra, que cantava músicas folclóricas na noite. É quando conhece o ferroviário Luís Cereceda, com quem se casou em 1938 e teve dois filhos que também seguiriam carreira musical, Isabel e Ángel, separando-se em 1948. A desilusão desse relacionamento marcaria a vida e a obra de Violeta. Ela gravou seu primeiro disco em 1949, em parceria com a irmã Hilda, e contraiu segundas núpcias com Luís Arce, tendo com ele duas filhas, Luísa Cármen e Rosita Clara, que faleceu de pneumonia, antes de completar um ano de idade. Em 1952, começou a pesquisar as raízes folclóricas chilenas e compôs os primeiras temas musicais que a celebrizaram, ocasião em que também teve programa de rádio. Chegou a catalogar mais de 3 mil canções tradicionais! “Gracias a la vida”, “Míren como soríen”, “La carta”  e “Volver a los 17” estão entre seus mais conhecidos trabalhos. Em 1955, visitou a União Soviética, Londres e Paris, cidade onde residiu por dois anos, e realizou gravações para a BBC, e para os selos Odeon e Chant du Monde. Em 1957 radicou-se em Concepción e voltou a Santiago para iniciar uma nova carreira, a de artista plástica. Em 1961, mudou-se para a Argentina, onde fez grande sucesso em apresentações públicas. Voltou a Paris e lá ficou por mais três anos, percorrendo várias cidades da Europa, inclusive Genebra, na Suíça. Violeta regressou ao Chile em 1965, apresentou-se na Bolívia e, de volta ao país natal, instalou uma grande tenda na comuna de La Reina, objetivando convertê-la em um grande centro de referência para a cultura folclórica chilena, junto com os filhos Ángel e Isabel, e os folcloristas Patrício Manns, Rolando Alarcon e Victor Jara. Entretanto, Violeta Parra não teve sucesso nesse empreendimento, o que coincidiu com o fim do relacionamento amoroso com seu terceiro marido, o músico suíço, Gilbert Favré, e, abatida emocionalmente, suicidou-se no dia 5 de fevereiro de 1967, na tenda de La Reina. Três anos depois, é publicado seu primeiro livro de poemas, por iniciativa do irmão Nicanor. De sua extensa discografia, o TM traz hoje para seus amigos cultos, ocultos e associados “Canciones ineditas”, originalmente lançado em 1975 pela Intermusique, de Luxemburgo, e que aportou no Brasil em 1980, pela extinta Copacabana. Em onze faixas, encontraremos tudo que caracteriza a obra de Violeta: algumas músicas de extremo lirismo, associadas a outras de versos  demolidores contra toda injustiça social, enfim, características que fizeram suas canções serem entoadas por gerações de revolucionários latino-americanos em ocupações e barricadas. Um álbum que merece ser baixado, ouvido e guardado, apresentando trabalhos então inéditos desta que é considerada a mãe da canção comprometida com a luta dos oprimidos e explorados. Ou seja: nada mais atual!

violeta ausente
me voy me voy
miren como corre el agua
la jardinera
dicen que el aji maduro
donde estas prenda querida
ojos negros matadores
aqui acaba esta cueca
el gavilan
mariana
paimiti

*Texto de Samuel Machado Filho

Vários – América Latina Canta Vol. 3 (1981)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! Prosseguindo o ciclo latino-americano do TM, em comemoração ao décimo aniversário deste nosso blog, oferecemos mais uma expressiva compilação de música popular e folclórica dos países de língua hispânica, localizados sobretudo na América do Sul. É “América Latina canta 3”, lançada em 1981 pela mesma Bandeirantes Discos que produziu “Viva Argentina”, álbum já oferecido a vocês pelo nosso TM, e que faz parte de uma longa e vasta série do gênero, prova de que, mesmo vinculada a uma grande rede de televisão, a empresa ofereceu muito mais do que coletâneas ditas comerciais (ou seja, trilhas de novelas, hits do passado e do presente etc.), e procurava também atingir um nicho de mercado até então pouquíssimo ou nada explorado pelas “majors” do setor fonográfico. Aqui, saliente-se a presença de José Angel Robles Ramalho, argentino de Córdoba que se radicou no Brasil e adotou o pseudônimo de Lucas Robles. Ele fez  versões de músicas do espanhol para o português, e vice-versa, para artistas como Vanessa da Mata, Zezé di Camargo e Luciano, Wando, Julio Iglésias, Trio Los Angeles (que aliás descobriu), etc., e passou por várias outras gravadoras como produtor de discos (hoje é dono de sua própria gravadora, a LR Music). Além de coordenar os trabalhos de gravação deste disco, Lucas também canta dois clássicos indiscutíveis da canção popular latina: “Gracias a la vida”, obra-prima da chilena Violeta Parra, e “Guantanamera”, originária de Cuba (o título refere-se à mulher nascida e/ou residente na cidade cubana de  Guantánamo), com direito a poema declamado pelo próprio Robles. No repertório constam ainda, entre outras,  “El humahuaqueño” (que ficou conhecida no Brasil graças a um registro do “rei” Roberto Carlos), com o grupo Ñancahuasu, que também executa “Alma  llanera” (música originária da Venezuela, feita em 1914 e hoje considerada o segundo hino nacional daquele país), o clássico brasileiro “Asa branca”, de Gonzagão e Humberto Teixeira, aqui em ótima execução do grupo Los Inkamaru, e três faixas gravadas no México, devidamente cedidas por uma gravadora local: “Tierra humeda” (Amparo Ochoa), “Canto por la raza” (de e com Gabino Palomares) e “La maldición di Malinche” (Los Folkloristas). O lendário compositor Atahualpa Yupanqui aqui comparece com duas faixas autorais: “Los ejes de mi carreta”, com Buenos Aires 2, e  o clássico “Los hermanos”, na interpretação de Tono Baz. Este ainda nos oferece “Si  vas para Chile” e o Buenos Aires 2 ainda interpreta “Canción con todos”. Tudo isso compõe o programa de mais este álbum que nos oferece expressivas páginas da música popular latino-americana, e por certo irá agradar em cheio os que apreciam o gênero, além de surpreender agradavelmente quem ainda não conhece as páginas aqui incluídas. É ir para o GTM, baixar e conferir…

gracias a la vida – lucas robles
tierra humeda – amparo ochoa
los hermanos – tono baz
el humahuaqueño – ñancahuasu
canto por la raza – gabino palomares
cancion con todos – buenos aires 2
asa  brnaca – los inkamaru
guantaamera – lucas robles
la maldicion de maliche – los folkloristas
los ejes de mi carreta – buenos aires 2
si vas para chile – tono baz
alma lanera – ñancahuasu

*Texto de Samuel Machado Filho

Vários – Viva Argentina (1979)

Prosseguindo o “ciclo latino-americano” do TM, oferecemos hoje a nossos amigos cultos, ocultos e associados uma compilação reunindo o melhor do melhor em matéria de música argentina. Quando se fala na música produzida pelos nossos “hermanos”, a primeira coisa que vem à cabeça de muitos é o tango. É claro que nem só de tango vivem os argentinos, pois trata-se de música urbana, nascida em Buenos Aires e restrita à capital portenha. Quem se der ao trabalho de percorrer o interior do país, por certo ficará surpreso ao deparar com manifestações musicais populares das mais diversas, singelas, contundentes e repletas de garra,  sempre marcadas pelo amor à terra e ao homem argentino. Pois foi justamente com o objetivo de traçar um painel da música popular e folclórica da Argentina, que a Bandeirantes Discos, selo fonográfico de curta existência, ligado à rede de televisão de mesmo nome, lançou, em 1979, esta primorosa coletânea, com masters cedidos por três gravadoras portenhas e duas “majors”, a Polygram e a EMI, que hoje, ironicamente, são uma só, a Universal Music. Com o título de “Viva Argentina”, este disco reúne compositores e intérpretes consagrados, como Atahualpa Yupanqui (que canta sua “El alazán” e assina “Camino del índio”), Ariel Ramirez (“Alfonsina y el mar”) e Mercedes Sosa (“Cuando tienga la tierra”), além de apresentar outros nomes expressivos da música portenha, até então inéditos no Brasil. É o caso do Cuarteto Zupay (que interpreta “Camino del índio”, de Yupanqui), do quenista Uña Ramos (que interpreta “Mi linda humahuaqueña”, Jaime Torres (“Ireme pues’) e Jorge Cumbo, pesquisador e recriador do folclore argentino (aqui interpretando “Felices dias”).  São músicas de vários gêneros populares argentinos:  o zamba, a canción, a cueca, o ballecito, a cacharpaya etc. As letras dessas canções, sejam elas de cunho amoroso ou social,  possuem algo em comum:  a sensibilidade, seja índia ou “criolla”, abrangendo a paixão pelo pampa, suas colinas e cavalos (‘Mi alazán”, “La tropilla”), o culto à tradição e aos ancestrais (“Camino del índio”) e o clamor por liberdade e justiça social (“Cuando tienga la tierra”, “Chacarera al aire”, “No sé porque piensas tu”). Ou  seja, este “Viva Argentina”, como informa a contracapa, “é um vigoroso testemunho da cultura popular, da essência e do caráter do povo argentino”, autêntica joia que o TM nos oferece hoje. É ir ao GTM e baixar, sem falta!

mi linda humahuaquena – uña ramos
cuando tenga la tierra – mercedes sosa
chacarera al aire – quinteto clave
la tropilla – carlos vega pereda
afonsina y el mar – ariel ramirez
caminho del indio – cuarteto zupay
al alazan – atahualpa yupanqui
romace en taragui – huayra puka
ireme pues – jaime torres
no se porque piensas tu – daniel toro
cacharpaya – maria escudero
felices dias – jorge cumbo

*Texto de Samuel Machado Filho

Silvio Rodríguez & Pablo Milanés – Cuba Nueva Trova (1978)

Buenos dias, hermanos cultos e ocultos! Pelo visto, completaremos o ciclo de uma década saudando não apenas a música brasileira, mas também a música feita pelos nosso irmãos latinos. Quando me propus criar este blog, pensei também em guardar um espaço para a música latinoamericana e também as de língua portuguesa, afinal essa é a produção musical que ainda merece ser revistada, visto que nos dias atuais são apenas subprodutos o que encontramos facilmente por aí. Assim, seguiremos pelos próximos dias, trazendo esse leque de variedades musicais latino americanas.
Hoje temos a presença de Pablo Milanés e Silvio Rodrigues, dois grandes nomes da música cubana, ou ainda, da ‘nueva trova cubana’. Artistas de destaque internacional surgidos após a revolução cubana. Se tornaram conhecidos internacionalmente graças ao movimento musical surgido nos anos 70, conhecido como Nueva Trova Cubana, assim como foi no Chile com o movimento Nueva Canción, que se espalhou por toda America Latina, com ecos também na Espanha. Para a nossa surpresa, Silvio e Pablo se desentenderam a partir dos anos 80 por questões políticas e ao que contam passaram a trocar farpas a ponto de não se falarem mais. Pablo vive em Miami e Silvio em Havana.
Neste lp, que só agora percebo que está com a capa trocada, temos ao invés de 12, 17 músicas, sendo que essas, em sua maioria não tem nada a ver com o outro. O que temos aqui é então uma coletânea, para a qual usaram a mesma capa original de 1978. Por conta disso, exclui a contracapa, que já é da versão 85, lançada no Uruguai. Por enquanto, deixo as coisas como estão. Logo que eu tiver o disco nas mãos prometo repor um novo link, ok?

la nueva escuela
los caminos
cuando digo futuro
tú eres la musica que tengo que cantar
te doy una cancion
pobre del cantor
el rey de las flores
como el largo de tus rios que te riegan
fusil contra fusil
si el poeta eres tu
si tengo un hermano
yolanda
madre
su nombre puede ponerse en verso
el mayor
el papalote se fue a la bolina
la masa

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Elvira Rios – Noche De Ronda (1957)

Confesso que tive uma certa dúvida, ao receber este disco para resenhar, se poderia ou não fazê-lo (antes de saber que teríamos uma semana temática, dedicada a música latinoamericana). A maioria esmagadora dos álbuns postados pelo nosso TM é de produção exclusivamente brasileira, e este aqui foi gravado no México. Mas, como diz o ditado, “toda regra tem sua exceção”. Portanto, aqui vai hoje, para nossos amigos cultos, ocultos e associados, um álbum de Elvira Rios, primeira cantora mexicana a obter sucesso internacional na era de ouro dos boleros românticos, lançado em 1957 pela RCA Victor. Foi lá mesmo na cidade do México, a capital do país, que  María Elvira Gallegos Rios veio ao mundo, no dia 16 de novembro de 1913. Desde muito cedo, ela manifestou o vivo desejo de ser  cantora. Assim, bem jovem, e sem receio algum, apresentou-se para um teste perante o poderoso Emílio Azcarraga, diretor da Rádio XEW (um dos embriões do poderoso conglomerado Televisa).  Devidamente aprovada e contratada, ali apresentou-se durante um ano e meio em três programas diários de 15 minutos cada. Em 1937, apareceu pela primeira vez no cinema, cantando no filme mexicano “Esos hombres!”. Manuel Riachi, então assistente de Arthur Hornlow Jr., dos estúdios Paramount, de Hollywood, gostou da voz de Elvira e a indicou a ele, o que possibilitou a Elvira sua primeira aparição como atriz, no filme “Feitiço do trópico (Tropic holiday)”, de 1938, estrelado por Ray Milland e Dorothy Lamour. Em seguida, Elvira apresentou-se na casa noturna La Martinique, de Nova York, conquistando o público com sua voz grave, quente, sincera e dramática, e sua figura misteriosa e desesperadamente romântica, ressaltada por seu tipo de índia. No início de 1939, apresentou-se no luxuoso Miami-Biltimiros, e, ao voltar para Nova York, fez suas primeiras gravações, para a Decca, que marcaram época e ainda hoje são bastante apreciadas, com arranjos de José Morand e Nuno Morales. Em Hollywood, participou ainda dos filmes “No tempo das diligências (Stagecoach)”,  “Cupid rides the range” e “A verdadeira glória (The real glory”), os três de 1939. Ao voltar para o seu México, em gozo de merecidas férias, Elvira teve a satisfação de ser precedida pelos ecos de seus sucessos alcançados nos EUA, um mercado artístico sempre difícil, em especial para os latinos. E sua carreira de grande estrela da canção latino-americana prosseguiu por vários países. Na Argentina, filmou “Vem! Meu coração te chama” (1942) e “Tango vuelve a Paris” (1948). Em seu México de origem, atuou ainda no filme “Murallas de pasión” (1942). É claro que Elvira também ficou bastante conhecida aqui no Brasil, onde foi atração no Cassino da Urca e, na década de 1950, chegou a gravar um LP de dez polegadas na Musidisc, uma das pioneiras do vinil em território tupiniquim. Elvira Rios faleceu em seu México natal no dia 13 de janeiro de 1987, aos 73 anos de idade. Entretanto, sempre terá o carinho daqueles que não entendem a vida sem o romantismo, mesmo que para sofrer as consequências do amor feito de desencontros. Sendo assim, é digna merecedora  da postagem de hoje do TM, com este “Noche de ronda”. A faixa-título e de abertura  tem sido creditada a Maria Tereza Lara, irmã de Agustin Lara, mas na verdade é dele próprio, que a registrou em nome da “hermana”. Ao longo das catorze faixas, acompanhada pela orquestra de Chucho Zarzosa, Elvira nos traz um repertório com belas páginas da música popular latino-americana, compostas por nomes do quilate de Maria Grever (“Ya no me quieres”), Gonzalo Curiel (“Me aguerdo de ti”, “Calla tristeza”, “Noche de luna”), Mário Clavel (“Mi carta”, “Desencuentro”)  e Consuelo Velasquez (“Franqueza”).  E, de Agustin Lara, ela ainda interpreta “Santa” e “Janitzio”. Em suma, este disco é um prato cheio para os fãs da melhor música romântica latino-americana, oferecida pela inesquecível Elvira Rios em brilhantes interpretações. Para ouvir e sonhar…

noche de ronda
una mujer
santa
franqueza
ya no me quieres
canciones de guly cardenas
me acuerdo de ti
mi carta
janitzio
calla tristeza
desencuentro
noches de luna

*Texto de Samuel Machado Filho

Astor Piazzola – Mundial 78 (1978)

Como por certo já sabem nossos amigos, cultos e associados, o Toque Musical completa, em 30 de julho próximo, dez anos de existência. Uma longa e expressiva trajetória na qual, inúmeros tesouros raros da era do vinil, principalmente de música brasileira, foram resgatados, para alegria e satisfação de muitos colecionadores. E decidimos comemorar apresentando vários álbuns de música popular latino-americana, principalmente de países da América do Sul, o continente em que está o nosso Brasil. Para começar, apresentamos um disco gravado pelo notável bandoneonista Astor Piazzolla, também considerado o mais importante compositor de tangos da segunda metade do século XX. Foi no balneário argentino de Mar del Plata que Astor Pantaleón Piazzolla veio ao mundo, no dia 11 de março de 1921, filho dos italianos Vicente Piazzolla e Assunta Manetti. Aos quatro anos, mudou-se com a família para Nova York, EUA, em busca de melhores condições de vida. Em seu período norte-americano, tornou-se fluente em espanhol, inglês, italiano e francês, e começou a se interessar pela música. Em 1929, ganhou de seu pai o primeiro bandoneón, e, em 1933, começou a estudar piano com o húngaro Bela Wilde, discípulo de Sergei Rachmaninoff.  Foi em Nova York que o jovem Astor conheceu nada mais nada menos que Carlos Gardel, quando esteve na cidade para filmar “El dia que me quieras”, e atuou nessa película como um garoto entregador de jornais. Quando jovem, Astor tocou e fez orquestrações para o bandoneonista, compositor e maestro Aníbal Troillo, além de estudar teoria harmônica e contraponto tradicional com a compositora, educadora e maestrina Nadia Boulanger.  Ao regressar de Nova York, Piazzolla já mostrava forte influência do jazz em sua música, estabelecendo então uma nova linguagem, seguida até hoje.  Ironicamente, quando começou a fazer inovações no ritmo, no timbre e na harmonia do tango, foi muito criticado por antigos tocadores do gênero, mais ortodoxos, que bradavam que sua música não era tango de fato. A eles, Piazzolla respondia que era música contemporânea de Buenos Aires, que seus seguidores e apreciadores  consideravam de fato a cara da metrópole argentina.  Deixou uma vasta e prolífica discografia, tendo gravado com nomes do porte de Gary Burton, Gerry Mulligan, o violinista Fernando Suarez Paz e o nosso mestre Tom Jobim. Entre seus mais destacados parceiros na Argentina, estão a cantora Amelita Baltar, o poeta Horacio Ferrer e o escritor Jorge Luís Borges.  “Balada para um loco”, “Adiós, Nonino” (que fez quando seu pai faleceu, em 1959, e tem mais de 170 gravações) e “Libertango”, esta última constantemente executada por diversas orquestras em todo o mundo.  Em 1973, algumas de suas composições foram aproveitadas no filme “Toda nudez será castigada”, de Arnaldo Jabor, o que valeu a Piazzolla uma menção especial do júri, como melhor trilha, no Festival de Gramado daquele ano. Seu currículo, aliás, registra também apresentações públicas no Brasil, EUA, Itália, França e, claro, na Argentina. Astor Piazzolla faleceu em sua Argentina natal, mais precisamente em Buenos Aires, em 4 de julho de 1992, aos 71 anos. Seus restos mortais estão sepultados no cemitério Jardin de Paz, em Pilar, ao norte da província de Buenos Aires, e, desde 2008, o Aeroporto Internacional de Mar del Plata, sua cidade natal, possui o nome de Astor Piazzolla. De sua vastíssima discografia, o TM foi buscar “Mundial 78”, gravado na marca italiana Carosello em 1978, por ocasião da Copa do Mundo de Futebol realizada na Argentina, e editado no Brasil pela RGE-Fermata, com o selo Pick. Por sinal vencida pela representação da casa, depois de uma polêmica semifinal em que goleou o Peru por seis a zero (os jogadores peruanos teriam recebido suborno para perder a partida e, assim, tirar do jogo final o Brasil, que acabou com o mesmo numero de pontos da Argentina mas ficou inferiorizado no saldo de gols, tendo de se contentar com o terceiro lugar, obtido em partida contra a Itália). Polêmicas à parte, o fato é que este disco (que trazia de brinde até mesmo a tabela da Copa 78)  é muito bem produzido, confirmando a genialidade de mestre Piazzolla. São oito faixas, mostrando diferentes situações do futebol, como a faixa-título e de abertura, “Golazo” “Marcación”, “Córner” (o mesmo que escanteio) e, finalmente, “Campeón”. Um grande álbum que seguramente é um dos pontos altos da discografia de Astor Piazzolla, para sempre um ícone do tango e da música popular mundial. É só conferir…

mundial 78
marcacion
penal
gambeta
golazo
wing
corner
campeon

*Texto de Samuel Machado Filho

Bravo – Trilha Sonora Original (1975)

Muito bom dia a todos os amigos cultos e ocultos! Ao longo de todo este mês, sempre que possível, estarei aqui lembrando que estamos completando 10 anos de atividades. Acredito que o Toque Musical seja talvez o blog musical mais antigo ainda em atividade. e histórias são o que não faltam… muita água rolou e continua rolando. Não teremos nenhuma festa, nem faremos atividades extras comemorativas, mas dentro do possível vamos presenteando os amigos. Nos próximos dias estaremos apresentando aqui alguns discos que não são de brasileiros, mas sim, como já fizemos antes, uma semana dedicada à música latino-americana. Tenho aqui uma série de discos, presentes que ganhei do meu amigo Fáres e penso que o momento é esse… Deixo as resenhas para o amigo Samuca, que sempre nos brilha com muita informação.
Hoje, vamos com a trilha sonora da novela Bravo, realizada em 1975. Tempo bom para a música brasileira, tempo bom para as trilhas da Globo. Nessa época, música e artistas eram coisas de primeira, bem se vê pela seleção escalada para musicar a novela. Só artistas de primeira. Música boa para um tempo bom. Não deixem de conferir

esse tal de roque enrow – rita lee
sempre cantando – moraes moreira
o amor contra o tempo – denise emmer
balada – luigi paolo
um resto de sol – gerson conrad e zezé motta
bravo (abertura) – orquestra som livre
inteira – luli e lucinha
agora só falta você – rita lee
nosotros – joyce
montanhês – denise emmer
dentro de mim mora um anjo – sueli costa
valsa branca – orquestra som livre
piccadilly rock  – duardo dusek

The Fevers – A Juventude Manda Vol. II (1967)

Boa tarde, amiguíssimos cultos e ocultos! Estamos entrando no mês de aniversário do Toque Musical. No penúltimo dia de julho, dia 30, completamos 10 anos de atividades. Ao que parece, o TM é hoje o mais antigo blog musical em atividade. Confesso que já estou um pouco cansado de tudo isso, mas com a pequena grande ajuda dos meus amigos, em especial o Samuca, vamos tocando o barco…
Hoje eu trago um lp dos Fevers (The Fevers),”A Juventude Manda”, volume 2, lançado pela Odeon, através do selo London, em 1967. Este foi o segundo lp gravado pelo grupo, que até então se limitava ao som instrumental. Uma sequência do disco gravado em 66 com todas aquelas músicas que eram sucessos da Jovem Guarda, muitas até executadas pelos próprios músicos do conjunto, em gravações e principalmente por conta de serem os músicos de base de Roberto, Erasmo, Wanderléia e todos no programa da Jovem Guarda.

só vou gostar de quem gosta de mim
só eu e você
meia volta volver
felizes de novo
você fala demais
hi-lili hi-lo
music to watch girls by
o telegrama
last train to clarckville
aquela garota linda
gatinha manhosa
minha adoração

 

Deo Lopes – Voar (1981)

Com o prazer e a satisfação de sempre, o TM traz de volta, em repost, para seus amigos cultos, ocultos e associados, o primeiro álbum do sempre notável Déo Lopes, “Voar”, de 1981. Anteriormente, oferecemos este disco junto com outro expressivo trabalho dele, “Certos caminhos”, que gravou três anos depois, e que já havia sido apresentado pelo TM em separado, exatamente o que fazemos agora com “Voar”. Déo Lopes nasceu em 1952, na cidade de Santo Antônio da Alegria, cidade paulista da região de Ribeirão Preto, na divisa com Minas Gerais, e desde 1994 reside no Vale do Paraíba, também no estado de São Paulo. Profissionalmente, iniciou-se em 1980, na capital bandeirante, apresentando-se em teatros como o Lira Paulistana, o Sesc Pompeia  e o Tuquinha. Percorreu (e percorre até hoje) quase todo o Brasil (Minas, interior e litoral de São Paulo, Bahia, Maranhão, etc.) divulgando seu trabalho, suas composições, e aprendendo com muitos bons músicos de todas essas regiões. Como bem conceituou o amigo Augusto, Déo Lopes  “é um músico com muitas paradas, assimilando um pouco de cada lugar por onde passa”. Tem uma discografia que abrange seis álbuns, entre LPs e CDs, inclusive três que também já foram oferecidos pelo nosso TM: “Canticorda” (com o violonista argentino Juan Falú, 1982), “Relação natural” (1988) e “Noite cheia de estrelas” (1993). Fundou, em 1998, um grupo de música regional, o Trem da Viração, com quem possui outros dois álbuns lançados, produziu concertos e discos de outros artistas, e tem participado da criação e desenvolvimento de inúmeros projetos culturais, tanto na música (em especial o fomento da música regional) quanto em outras artes.  Em suas composições, Déo Lopes busca o que sempre acreditou: seus anseios, suas crenças, seu pensamento sobre a ecologia e o meio-ambiente, sobre o sentimento do amor, no sentido  do entendimento, do encontro e do desencontro. Com todo este respeitável currículo de artista e incentivador cultural, Déo Lopes bem merece a nossa repostagem de hoje. “Voar”, seu primeiro álbum, lançado em meio ao “boom” de discos independentes produzidos nessa época (1981), é o começo de tudo, o pontapé inicial de uma carreira promissora, sempre apresentado um trabalho musical de assimilação bem natural e extremamente agradável. O curioso é que a capa teve duas versões, uma em preto e branco, conforme o desenho original, e a outra em azul e branco, mudança esta que foi solicitada pelo próprio Déo Lopes. São doze faixas, nove delas feitas por ele mesmo com parceiros, e apenas como letrista. É um dos melhores álbuns independentes surgidos nessa época, e dele participam, entre outros, os irmãos Dante e Ná Ozzetti, no coro e na percussão. Portanto, é digno merecedor de um “vale a pena postar de novo”!  Agora, é ir direto para o GTM e desfrutar dessa autêntica preciosidade!

canto de agora
voar
a química e o drama
pés no chão
a lua é de luzia
larissa
dia de festa
herança
nos olhos da serra
um bom partido
tassiana e rafael
retratos

*Texto de Samuel Machado Filho