Almondegas (1979)

O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos uma compilação dos Almôndegas, uma das bandas pioneiras em criar uma linguagem particular para a música popular gaúcha. Oriundos da cidade de Pelotas, os Almôndegas misturavam velhas canções do folclore gaúcho, MPB e rock, e seu trabalho virou referência para artistas posteriores do pop-rock gaúcho. Tudo começou em 1971, quando os irmãos Kleiton e Kledir Ramil, o primo Pery Souza e os amigos Gilnei Silveira e Quico Castro Neves lideravam uma gurizada que se reunia num apartamento no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, para cantar. Músicos de formação eclética, eles só pensavam em se divertir quando venceram o I Festival Universitário da Canção Catarinense com a música “Vento negro”. Em 1974, fizeram sua primeira gravação: a música “Testamento”, com letra de José Fogaça, música que virou trilha sonora do programa “Opinião jovem”, apresentado pelo próprio Fogaça na Rádio Continental AM. Um ano mais tarde, vem o primeiro LP, sem título, e ainda em 1975, o segundo, “Aqui”. Em 1977, mais dois álbuns: “Gaudêncio Sete Luas” e “Alhos com bugalhos”. Em 1978, vem o quinto e último trabalho do grupo, “Circo de marionetes”. Nesta coletânea lançada pela K-Tel (selo Music Master) em 1979, ano da dissolução dos Almôndegas, estão dez faixas extraídas dos três primeiros LPs do grupo, feitos na Continental. Entre as músicas, estão “Sombra fresca e rock no quintal”, “Canção da meia-noite” (incluída na novela “Saramandaia”, da TV Globo),“Vento negro” e “Haragana”, as duas últimas regravadas mais tarde por Fafá de Belém. Enfim, uma amostra preciosa do trabalho dos Almôndegas, com a mescla de regionalismo e musica pop que se constituiu numa espécie de marca registrada do grupo. É o que o TM tem a grata satisfação de nos oferecer hoje.

sombra fresca e rock no quintal
vento negro
amargo
canção da meia noite
elevador
haragana
gaudêncio sete luas
teia de aranha
velha gaita
clô


*Texto de Samuel Machado Filho 

Mestre Pastinha E Sua Academia – Capoeira De Angola (1969)

O Toque Musical põe hoje em foco um dos principais mestres de capoeira da história: Vicente Ferreira Pastinha, o Mestre Pastinha, através de seu único LP, lançado pela Philips em 1969. Mestre Pastinha nasceu em 5 de abril de 1889 na Rua do Tijolo, em Salvador, Bahia, filho do comerciante espanhol José Señor Pastinha e da ex-escrava baiana Eugênia Maria de Carvalho. Foi apresentado à capoeira, segundo ele próprio, por pura sorte. Quando tinha em torno de dez anos, em consequência de uma arenga de garotos, da qual sempre saía perdendo, conheceu Benedito, preto africano que se tornaria seu mestre. Tornou-se discípulo de Benedito e passou a frequentar sua casa todos os dias. Além das técnicas de capoeira, aprendeu também a mandinga. Benedito lhe ensinou tudo que sabia. E foi no ensino da capoeira que Mestre Pastinha se distinguiu durante décadas. Foi o maior propagador da Capoeira Angola, modalidade “tradicional” do esporte no Brasil. Em 1902, Pastinha entrou para a escola de aprendizes marinheiros, onde passou oito anos de sua vida. Na Marinha, praticou esgrima e aprendeu a tocar violão. Ao mesmo tempo, ensinava capoeira a seus companheiros. Em 1910, Mestre Pastinha começou a ministrar aulas de capoeira às escondidas na sua própria casa, pois a prática havia sido proibida e quem contrariasse as regras poderia ir para a cadeia. Trabalhou ainda como pintor, pedreiro e entregador de jornais, entre muitas outras ocupações. Em 1941, fundou a segunda escola de capoeira legalizada pelo governo baiano, o Centro Esportivo de Capoeira Angola (CECA), no Largo do Pelourinho, em Salvador, onde hoje é um restaurante do Senac. Entre seus alunos estão mestres como João Grande, João Pequeno, Boca Rica, Curió e Bola Sete, entre muitos outros que ainda estão em plena atividade. Sua escola ganhou notoriedade com o tempo, frequentada por personalidades como Jorge Amado, Mário Cravo e Carybé, e cantada por Caetano Veloso em seu disco “Transa”, de 1972. Em 1966, integrou a comitiva brasileira do primeiro Festival de Arte Negra, no Senegal, onde foi um dos destaques do evento, tendo também recebido a Ordem do Mérito Cultural. Contra a violência, o Mestre Pastinha transformou a capoeira em arte. Apesar da fama, ele terminou seus dias esquecido. Expulso do Pelourinho pela prefeitura, em 1971, sofreu dois AVCs seguidos, que o deixaram cego e indefeso. Embora cego, não deixava de acompanhar seus alunos. O Mestre Pastinha faleceu em 13 de novembro de 1981, aos 92 anos, em sua Salvador natal, mas continua vivo nas cantigas, nas rodas e no jogo de capoeira. É o que comprova o disco que o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos.

maior é deus
bahia, nossa bahia
ei, dona alice, não me pegue não
a manteiga derramou
a canoa virou, marinheiro
adeus… adeus
canarinho da alemanha
eu já vivo enjoado
quebra jereba
dona maria o que vem aí?
lapinha
b-a-bá do berimbau
ai, ai aidê
xô xô meu canarinho
la-lain-lai-lai
eu vou ler meu abc
vou me embora pra são paulo
valha-me deus, senhor são bento



*Texto de Samuel Machado Filho 

O Outro Bando Da Lua – Um Palco É Preciso (1981)

Olá, amigos cultos e ocultos! O Toque Musical vem trazer para vocês hoje o único álbum do Outro Bando da Lua, uma edição independente de 1981. Quase nada se sabe a respeito deste grupo, mas, ao ouvir o disco, podemos constatar que é um bom trabalho de MPB, com onze faixas. A curiosidade aqui fica por conta da presença, na flauta, de Chiquinho Brandão, também ator de teatro, cinema e televisão, morto prematuramente em acidente automobilístico, aos 39 anos, em 4 de junho de 1991. No mais, um álbum interessante e raro, merecedor de mais esta postagem de nosso TM.

virgem
gare du nord
sentimental
mar do norte
vôo
desarvorado
reguizinho mixuruca
carioquice
um blu sem razão
medida do coração
reticências



*Texto de Samuel Machado Filho 

Banda Paulistana – Luzes Da Noite (1981)

Olá, amigos cultos e ocultos! O Toque Musical está trazendo hoje para vocês mais um álbum de música instrumental brasileira da melhor qualidade. Desta vez, apresentamos a Banda Paulistana, com “Luzes da noite”, lançado pela Eldorado em 1984, fruto da união de dois amigos músicos: o guitarrista e compositor Cândido Serra (que assina todas as oito faixas do disco) e o baixista Nico Assumpção. Cândido começou a tocar em 1975, na noite paulistana. Entre 1976 e 1981, foi professor do CLAM, escola de música do Zimbo Trio. Alguns de seus alunos: André Christovam, Ulisses Rocha, Nuno Mindelis e Rui Saleme. Tocou ao lado de nomes importantes como Eliane Elias, Lô Borges, Cláudio Celso, Duda Neves e Michel Freidenson. No final da década de 1970 fundou, juntamente com André Gereissati e Rui Saleme, o lendário Grupo D’Alma, com quem grava seu primeiro álbum, “A quem interessar possa”, apontado pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) como o melhor disco instrumental de 1981. Durante sua trajetória musical, participou de importantes eventos, como os Festivais de Jazz de Montreux, São Paulo e Águas Claras. Passou uma temporada em Nova York, onde trabalhou com vários músicos, entre eles o pianista Robert Damper, e depois formou a Banda Paulistana, com quem gravou o presente álbum, do qual participam, além de Nico Assumpção, o baterista Carlos Bala, os saxofonistas Roberto Sion e Mané Silveira, e os tecladistas Paulo Calazans e Mário Bofa. Gente de primeiro time, como poderemos constatar ouvindo este trabalho que o TM nos oferece.

campo belo 
luzes da cidade
insinuante
olhos fechados
aguas claras
coração aberto
nonita
tempero bravo 



*Texto de Samuel Machado Filho

Jorge Amado – Guia Das Ruas E Dos Mistérios Da Cidade Do Salvador Da Bahia (1980)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje temos uma postagem com toque literário, oferecendo a vocês um LP duplo do escritor Jorge Amado (Itabuna, BA, 10/8/1912-Salvador, BA, 6/8/2001), lançado em 1980 pela Som Livre e intitulado “Guia das ruas e dos mistérios da cidade do Salvador da Bahia”. É um verdadeiro documento histórico, no qual o autor de “Gabriela, cravo e canela”, “Mar morto”, “Tocaia grande”, “Tenda dos milagres”        e “Tieta do Agreste”, entre tantas obras, descreve aspectos diversos da cidade de Salvador, capital da sua querida e amada Bahia. Tudo embalado pelo fundo musical de Egberto Gismonti. Sem dúvida, um trabalho imperdível, no qual transparece o gênio daquele que foi, indiscutivelmente, um dos maiores escritores que o Brasil já teve. É só conferir. 

título, biografia, dedicatória
convite
quem guarda os caminhos da cidade
mãe menininha do gantois
a força do povo
a bahia se leva na cabeça
poeta e cantor das graças da bahia
festa da conceição da praia
capoeira – joão gilberto em nova iorque
para o samba de roda um prato basta
olga do alaketu e stela de oxossi
o forte do mar
dois neto do boca do inferno
pelourinho
os alagados
fil no afoxé – avenidas
ex-voto – caetano veloso – igreja de são francisco
iemanjá
batidas e lambretas – coisinha baiana
dadá viúva de corisco – barba e poesia
carybé e a memória da bahia
camafeu de oxossi
dom carlos bastos, príncipe da bahia

*Texto de Samuel Machado Filho

Mario Bruno E Os Carbonos – As 12 Mais Italianas (1967)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Devido as dificuldades, em todos os aspectos, de manutenção do Toque Musical, estou passando a tarefa para outras pessoas além do amigo Samuca que muito tem nos ajudado com suas resenhas. De agora em diante, conto com mais dois colaboradores que ficarão por conta das publicações. Eu, continuo na produção, mas em especial nas escolhas do que será postado. Encerramos de vez o atendimento para reposição de links. Esses serão repostos a critério dos administradores. Caso, alguém tenha interesse em arquivos/discos que não estão no GTM poderão solicitar, dessa vez, um pacote com até 10 títulos. o envio será exclusivo, sendo enviado diretamente ao e-mail do solicitante. Para tanto, estamos solicitando um pequena ajuda de custos. Creio que assim podemos manter a continuidade de nossos trabalhos. Contamos com a compreensão e colaboração de todos. O Toque Musical não pode parar.
Hoje, temos, mais uma vez, o grupo Os Carbonos. Aqui já postamos outros discos da banda e hoje trazemos o que seria o seu primeiro, lançado em 1967 pela Discos Beverly. Neste lp temos como destaque Mário Bruno, que na verdade, nada mais era que o tecladista da própria banda, mas que aqui aparece como um pretenso cantor de hits italianos. Os Carbonos atuaram nas décadas de 60 e 70. Também, seus membros, gravaram discos com outros nomes. Eram peritos na arte do que internacionalmente é chamado de ‘cover’. Para os amantes da música italiana, eis aí uma boa pedida. Confiram no GTM!

non pensare a me
django
ciao amore ciao
dio come ti amo
ringo dove vai
cuore matto 
fortissimo
quando bico che ti amo
l’ amore se  ne va
al di la
c’era un ragazo che come me amava i beatles e i rolling stones
si fa sera
 
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