Show 1º De Maio (1980)

Bom dia para todos nós! Hoje, 1º de maio, é comemorado o Dia Mundial do Trabalho. Curiosamente, todos nós estamos de folga, é feriado. Será que é feriado no mundo todo? Eu nunca havia me perguntado isso antes. Taí, não sei… mas pelo jeito deve ser apenas no Brasil, ou não? Falou que é feriado tá pra nós. Neste ano temos muitos, para compensar o excesso de trabalho (e mal remunerado) que a população é obrigada a encarar. Dizem que o brasileiro não gosta de trabalho. E quem gosta? Trabalho bom é aquele que nos dá prazer, que nos realiza como pessoa e como profissional. Consequentemente, nos traz dinheiro e prosperidade. Mas para a grande maioria, essa realidade está longe de se concretizar. Trabalho no Brasil é sinônimo de sobrevivência!
Para celebrar a data, eu tenho aqui este álbum que é uma pequena amostra do memorável ‘Show 1º de Maio” de 1980 que aconteceu no pavilhão Rio Centro. Para um público com aproximadamente trinta mil pessoas, participaram um dos maiores blocos de artistas, cantores e compositores, já reunidos num mesmo espetáculo. O show foi promovido pelo Centro Brasil Democrático no sentido de angariar fundos para o Encontro Nacional de Músicos, no CONCLAT (Congresso da Classe Trabalhadora). Participaram do espetáculo dezenas de artistas dos mais consagrados. Não vou relacioná-los aqui, pois tudo pode ser conferido na contracapa.
O certo é que foi um tremendo show, começando as 21 horas e só foi terminar nas altas da madrugada. Um espetáculo dessa grandeza levantou as orelhas (e focinhos) dos militares da época. No ano seguinte tivemos o episódio do atentado terrorista, perpetrado por radicais militares que não viam com bons olhos a ‘Abetura’ iniciada naquela década. Esse lance foi de amargar. Pior ainda é saber que o então Capitão Wilson Dias Machado, (in)responsável pelo ataque, vive hoje numa boa, com a patente de Coronel e é educador do Exército no Colégio Militar de Brasília. Pode???
Este disco só tem um grave defeito. Ao pensarmos em quantos e ótimos artistas estiveram se apresentando no show, fica a pergunta: porque não fizeram um álbum duplo, triplo ou coisa assim? Resposta simples: questões contratuais com as gravadoras, limitaram a oito os artistas presentes no lp. Boca Livre, Dorival Caymmi, Sérgio Ricardo e João do Vale eram artistas independentes, os demais foram estrategicamente liberados pela Ariola e WEA.
Nessas horas é que se percebe como nas gravadoras só tem gente sem visão comercial. Ao invés de liberar o artista ou fonograma, que indiretamente promoveria a gravadora, eles preferiram resguardar seus tesouros. É isso aí seus Manés, continuem dando tiro nos pés!

prá não dizer que não falei de flores – o público
toada (na direção do dia) – boca livre
ele disse / assum preto – alceu valença
um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco – milton nascimento
não deixo de pensar / segredo do sertanejo / pisa na fulô – joão do vale
o preto que satisfaz (feijão maravilha) – as frenéticas
vou renovar – sérgio ricardo
lá vem o brasil descendo a ladeira
história de pescadores – dorival caymmi
prá não dizer que não falei de flores – o público

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15 comentários a “Show 1º De Maio (1980)

  1. Cara, me parce que este show foi transmitido pela antiga TV Tupi e quando Angêla Rorô cantava a bomba explodiu lá fora.
    Tempos sinistros aqueles.
    Valeu pela postagem, brother.
    Abração.

  2. Esse plano arquitetado por alguns militares em 81 da bomba do Rio centro é um plano tipicamente brasileiro, tão surreal quanto o próprio país em si. Imaginem, enquanto a Elba rebolava uns militares se preocupavam com a Abertura, mas não como a platéia que estava disposta a ver a abertura em todos os sentidos, os militares estavam mais preocupados com a abertura política que o tempo provou nem ser tão aberta assim, ao contrário da…

    Leandro – SP

  3. Só a música do Sérgio Ricardo já vale o disco – pela audácia da letra instigante para aquele tempo .
    Elcio

  4. Em quase todo mundo o Dia do Trabalhador é comemorado no dia 1º de maio; nos EUA, de onde originou a comemoração, esse Dia é comemorado em setembro.

  5. França-Brasil!
    Sou um frances que estava là nesse dia. Muita saudade duma noite louca. Um momento pra a libertade de Lula e do Brasil. Uma noite doce, e a madrugaga louca.
    Desculpe, meu mau português!
    Patrick

  6. tenho esse vinil também – a Vou Renovar é fueda mesmo, mas João do Vale naquela introdução não nos deixa parar de pensar até hoje…

  7. Meu caro,
    acabei de ler a matéria publicada na Revista de História da Biblioteca Nacional (maio/2009) sobre o papel dos blogs na difusão cultural, citando o “Toque Musical” no episódio das gravações inéditas do João Gilberto.No mundo real sou professor de História e fiquei muito feliz em ver seu blog como fio condutor de uma matéria na referida revista.
    Parabéns, você está literalmente fazendo História.
    Abraços.

  8. Olha, Big Clash, o show de primeiro de maio que passou na TV Tupi NÃO foi este cujos melhores momentos saíram neste disco, e sim o do ano anterior, 1979. Isso porque, exatamente no dia 2 de maio de 1980, eclodiu mais uma greve dos funcionários da Tupi em São Paulo por atraso de pagamento. Eles chegaram a receber os cheques dos salários atrasados, mas quando foram ao banco descontar, tiveram a triste surpresa de saber que estavam SEM FUNDOS! Ao saber disso, inclusive, um dos funcionários da Tupi, apelidado de Ditinho, acossado pelas dificuldades que ele e sua família passavam, teve um infarto fulminante! A Tupi teve que retransmitir toda a programação do Rio de Janeiro por microondas da Embratel (naquele tempo ainda não se usava satélite) e o resto da história, lamentavelmente, todo mundo já sabe. Mas vamos ao que interessa, isto é, o repertório deste disco aqui. A coisa abre (e fecha) com o público interpretando a famosa “Caminhando” (na verdade subtítulo de “Pra não dizer que não falei das flores”), de Geraldo Vandré, liberada pela censura após mais de 10 anos de proibição. Em seguida vem o Boca Livre, interpretando um grande sucesso da época, “Toada (Na direção do dia)”, lançada no primeiro LP do grupo (produção independente no original) e incluído na novela global “Olhai os lírios do campo”, baseada em romance homônimo de Érico Veríssimo (curiosamente, em 2003, foi revivida em “Canavial de paixões”, do SBT). Alceu Valença, em uma única faixa, revive “Ele disse”, música em homenagem ao ex-presidente Getúlio Vargas, originalmente lançada por Jackson do Pandeiro em 1956, e o clássico da dupla Gonzagão-Humberto Teixeira “Assum preto”, datado de 1950. Mais reminscências, agora de Leila Diniz, em “Um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco”, feita por Mílton Nascimento a partir de frases da inesquecível Leila e lançada po ele originalmente no LP “Sentinela”, de 1980. O inesquecível maranhense (de Pedreiras) João do Vale, autor do clássico “Carcará”, vem com um delicioso popurri de composições suas: “Não deixo de pensar”, “Segredos do sertanejo” (também conhecida como “Uricuri”) e o xote “Pisa na fulô”, dos anos 1950 e muitíssimo gravado. Uma explosão de alegria vem em seguida com “O preto que satisfaz”, de Gonzaguinha, com as Frenéticas, que foi inclusive tema de abertura da novela global “Feijão maravilha”, de 1979. Sérgio Ricardo, “o homem do violão quebrado” do festival da TV Record de 1967, vem aqui com “Vou renovar”, ao que parece só registrada ao vivo neste disco. Moraes Moreira traz seu grande sucesso da época, “Lá vem o Brasil descendo a ladeira”, e o saudoso Dorival Caymmi revive sua “História de pescadores” (“Minha jangada vai sair pro mar/ Vou trabalhar, meu bem querer…”) antes da apoteose final, com o público entoando mais uma vez “Caminhando”.

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