Miguel Gustavo – MPM Propaganda (1972)

Olá a todos! Ontem, devido a minha falta de planejamento e também de tempo, acabei por não fazer a postagem do dia. Enganei vocês trazendo apenas mais um volume da coleção Nova História da MPB. Infelizmente, não tive mesmo condições. Mas retomo agora às curiosidades e raridades fonográficas como eu havia prometido. Há muito que eu venho querendo postar essas coisas aqui e acho que é chegado um bom momento.
Hoje temos um disco brinde de natal, criado para a agência MPM Propaganda em 1972, no intuito de presentear aos seus clientes e também homenagear um dos maiores criadores de jingles (música de propaganda), o compositor Miguel Gustavo, falecido naquele ano. No lp encontramos algumas de suas mais conhecidas composições, tanto para o mundo da propaganda como no musical artístico. Suas criações são aqui interpretadas por nomes de peso da música brasileira. Apenas a faixa “A Estrada” não é criação de Miguel. Esta foi feita em sua homenagem. Uma seleção bacana, como muita coisa inédita e rara.
Miguel Gustavo foi um compositor, como ele mesmo se intitulava, primário. Ele não entendia de música e suas composições eram fruto apenas de sua sensibilidade natural. Por certo que a prática acaba levando a perfeição e Miguel foi muito além.
Incluo a baixo (por pura preguiça) um texto de Fábio Dias, extraído do site Clube do Jingle, apresentando este ilustre desconhecido e seus famosos feitos musicais:
Miguel Gustavo Werneck de Souza Martins, compositor, jornalista, poeta e radialista nasceu no Rio de Janeiro em 24. de março de 1922 e faleceu em 22 de janeiro de 1972 aos 50 anos de idade. Ele era um cronista musical. Retratava em suas músicas o que de mais importante estava acontecendo nos meios sociais da época. Começou como discotecário da Rádio Vera Cruz em 1941. Mais tarde passou a escrever programas de rádio.
Em 1950 começou a compor jingles tendo se notabilizado nesta atividade com vários jingles de grande repercussão podendo ser destacado o que foi composto para as Casas da Banha com aproveitamento da melodia de Jesus, alegria dos homens de Johann Sebastian Bach. Sua primeira música gravada foi Primeiro amor, interpretada por Luiz de Carvalho, Os Tocantins e Dilu Mello em gravação Continental lançada em julho/agosto de 1946.
Em 23 de setembro de 1947, Ataulfo Alves gravou na Victor o samba O que é que eu vou dizer em casa, de sua autoria e Miguel Gustavo. Foi seu primeiro sucesso musical.
Em 1953 voltou a fazer sucesso com É sempre o papai, um baião de sua autoria que Zezé Gonzaga gravou na Sinter.
Mais tarde veio o ciclo dos sambas de breque com Moreira da Silva: O conto do pintor, O rei do gatilho, O último dos Moicanos, O sequestro de Ringo, O rei do cangaço e Morengueira contra 007.
Em 1963 compôs um jingle para o Leite Glória que até hoje é lembrado por muita gente pela forma moderna e criativa que a letra falava sobre as características do produto.
A música A dança da boneca, gravada pelo Chacrinha para o carnaval de 67 foi, depois, transformada no prefixo do Programa do Chacrinha com ligeiras modificações na letra e se popularizou pelo Brasil inteiro.
Para a Copa do Mundo de 1970, no México, ele criou o extraordinário Pra Frente Brasil ao participar de um concurso organizado pelos patrocinadores das transmissões dos jogos. O sucesso foi tanto que no carnaval do ano seguinte a música figurou entre as mais cantadas e até hoje é lembrada com carinho pela torcida brasileira.
Umas das principais características dos jingles de Miguel Gustavo eram as introduções marcantes que muitas vezes se tornavam um prefixo do próprio jingle e podiam ser consideradas melodias independentes dentro da peça, de tão bem estruturadas e fortes.
*Fábio Dias com dados fornecidos pela collectors.com.br

casas da banha – moinho de ouro – radamés gnattali
e daí? e daí? – alaide costa
morengueira contra 007 – moreira da silva
brasil eu adoro você – hino do sesquicentenário – angela maria
per omnia secula seculorum – josé tobias
café soçaite – jorge veiga
tatuzinho – leite gloria – erlon chaves
calma coração – miltinho
canção inútil da paz – severino filho
prá frente brasil – fala manuel gustavo
partido baixo do partido alto
a estrada – luis reis

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17 thoughts on “Miguel Gustavo – MPM Propaganda (1972)

  1. Eu sempre tive uma grande curiosidade em conhecer as musicas do Miguel Gustavo pois o Moreira da Silva sempre citava ele, agora graças ao TM estou conhecendo.Valeu gostei do toque!

  2. Fábio,
    não fiz mais que a minha obrigação. O texto é seu e muit bom. Fique ligado no blog, pois sempre temos novidades. aparecendo alguma coisa do gênero eu entoro em contato, ok?

  3. Puxa, esse disco tem até o famoso chá-chá-chá das Casas da Banha! Bom apanhado da obra do grande Miguel Gustavo, mostrando que ele fez mais do que “Pra frente Brasil”. Vale ressaltar que Miguel Gustavo compôs o primeiro rock genuinamente nacional, gravado por Cauby Peixoto em 1957 e intitulado “Rock and roll em Copacabana”.

  4. Augusto, não consegui baixar este Miguel Gustavo. Quando você tiver um tempinho, posta de novo? obrigada desde já.

  5. Mesmo recebendo duas postagens em meu e-mail não consigo entrar na sua página. Como faço isso?

  6. Augusto, poderia repostar o link no grupo? Nenhum do três links lá funcionam
    grato
    João Pedro

  7. Augusto, bom dia. Também não consegui baixar com nenhum dos tres links. Poderia por favor, postar o Miguel Gustavo novamente? Abrfaços
    Osman.

  8. Parabéns por postar algo sobre a obra de Miguel Gustavo. Como sobrinho dele, gostaria de agradecer pelas suas palavras e gostaria de saber como baixar as músicas.

  9. Sérgio, obrigado! Para ter acesso aos arquivos, basta você se associar ao GTM (Grupo do Toque Musical). Dê uma lida no texto na lateral do blog e também no da aba Toque Inicial

  10. Oi, a musica pra frente brasil, tenho boas lembrancas’ meu aniversario era muito crianca e todos catavam… tempo bom. O interplete quem era?abraco

  11. Tenho lembrancas lindas com a musica pra frente brasil,meu aniversario e o povo cantado… tempos maravilhosos. 1970… quem e q cantou essa cancao?-tenho curiosidade.

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