Pierre Kolmann – Dance Com Musidisc Vol. 1 (1957)

Olá meus caríssimos amigos cultos e ocultos, vamos nós com a postagem do dia. No embalo das raridades, vamos hoje dançar. Tenho aqui um legítimo representante da onda dance no final dos anos 50. Como já falei em outra ocasião, nos anos 50 era muito comum os lp’s com músicas dançantes onde não haviam separação por faixas. As músicas tocavam sem interrupção durante todo um lado do disco. Quem tinha muitos discos nessa linha era o Waldir Calmon e suas séries feitas para dançar. Neste disco temos exatamente isso, porém entre uma música e outra há uma discreta pausa que permitiu separarmos este quase pout-porri dançante.
Bom, agora resta saber quem é esse tal de Pierre Kolmann. Para os que não sabem, este é um dos pseudônimos do compositor, pianista e ‘bandleard’ Britinho (João Adelino Leal Brito). Foi um artista bastante atuante na música por mais de três décadas. Gravou vários discos com sua orquestra, acompanhou outros tantos, tendo também suas composições interpretadas por diversos artistas. Como instrumentista super-requisitado, adotou o esquema, usado por outros músicos na época, de pseudônimos. Assim podia gravar em outros selos sem problemas contratuais. Este disco, por exemplo, não aparece na discografia de Britinho. Eles não eram considerados como álbuns de carreira.

deixa a nega gingar
depois do carnaval
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13 comentários a “Pierre Kolmann – Dance Com Musidisc Vol. 1 (1957)

  1. querido toque, acho que vc fez confusão: Pierre Kolmann é o pseudônimo do Waldir Calmon, não do Britinho. valeu pelo disco, um abração.

  2. Segundo o Dicionário Cravo Albin: Pierre Kolmann é pseudonimo de Rubens Leal Brito, pianista gaucho que gravou na Continental e na Sinter com o nome Leal Brito. Talvez a confusão tenha se dado pelo fato da Gravadora Radio, que tinha Waldir Calmon sob contrato, ter entrado com uma ação na justiça em 1957 alegando que a Musidisc com este disco estava iludindo os consumidores com o título “Para Dançar” que poderia ser confundido com sua série “Feito para Dançar” com Waldir Calmon. Nesse processo Almirante foi chamado a depor, confirmando sim que a confusão procedia.

  3. Bom, acho então que não fiz confusão. Taí o Silvio que não me deixa mentir e o Cravo Albin para confirmar. De qualquer forma esses comentários foram ótimos.

  4. A confusão continua amigos, infelizmente o Dicionário Cravo Albim é ótimo, mas também possui seus furos e esse é um deles. Tenho aqui Revista do Rádio de 1958contando que até ao vivo o Waldir se apresentou como Kolmann e o pessoal da gravadora Rádio reconheceu ele, atrás do teclado, com os óculos ali, inconfundível. Logo depois o Waldir fundou a sua própria gravadora, a Arpege.

  5. Em tempo, sou tão fã do Britinho quanto do Calmon. Cada um tem seu estilo pessoal, e nos discos do Pierre Kolmann [que são muitos]podemos observar um terceiro estilo… A criatividade do músico brasileiro transborda… O Nilo Sérgio, criador do selo Musidisc foi especialista em trazer músicos de outras gravadoras, dando-lhes ele mesmo em alguns casos, o pseudônimo a ser usado. A lista dos músicos que compõe por exemplo as orquestras “Românticos de Cuba”, ou “Os Violinos Mágicos”, é de assustar, verdadeiros Dream Teams…

  6. Os muitos nomes de Rubens Leal Brito

    Alguns artistas mudam seu nome durante a carreira (casos de Jorge Benjor e Sandra de Sá). Outros usam um ao cantar e outro ao compor (como Jamelão, que assina as composições com seu nome de batismo, José Bispo). Mas o pianista gaúcho Rubens Leal Brito é um sério candidato a recordista de nomes artísticos simultâneos. Assinava com seu próprio nome suas composições, feitas entre 1938 e 1951, sozinho ou em parceria com Jorge Faraj.

    Como Britinho, além de gravar seus próprios discos com solo de piano – na Continental em 1956 e em LPs da Sinter em 1956 e 1957 -, acompanhava cantores, como na estréia em disco de João Gilberto (Copacabana, 1952). Também foi com este nome que gravou uma série de discos com outro pianista, Fats Elpídio (RCA, 1952-53). Assinou desta maneira algumas músicas, feitas entre 1952 e 1963 com os parceiros Fats Elpídio, Mesquita e Fernando César. Já era chamado Britinho em 1943, quando tocou na Rádio Farroupilha (Porto Alegre). Após alguns recitais, foi contratado para integrar a Orquestra Panfar, da emissora. Dirigiu por um período o Jazz da PRH-2, enquanto seguia atuando como pianista.

    Algumas das músicas gravadas pelo pianista Britinho em discos Todamérica de 1951 eram de autoria de… João Leal Brito. Este também era o parceiro de Fernando César em “Noite Chuvosa” (1960). Seria um irmão de Rubens? Talvez, embora em 1953, o crédito do choro “Vê se te Agrada”, gravado por Gentil Guedes e sua Orquestra na Sinter, era para João Leal Brito “Britinho”.

    Assinando Leal Brito, gravou LPs na Musidisc (1955) e na Sinter (1956-57). Também teve músicas gravadas em 1955.

    Teria havido outros nomes? É possível. Em abril de 1957, o radialista Almirante era convocado pela Justiça carioca para dar seu parecer como perito a respeito da ação da gravadora Rádio, que mantinha o pianista Waldir Calmon sob contrato e acusava a Musidisc de procurar iludir o consumidor, ao lançar o LP Para Dançar, gravado por Leal Brito com o pseudônimo de Pierre Kolman. Outra alegação se referia ao título do disco – Calmon tinha uma série de LPs com o nome de Feito para Dançar. Almirante concordou com a acusação. Talvez outro disco de “Kolman” tenha saído, pois o site do Dicionário Cravo Albim registra este pseudônimo, ao lado de outro – Franca Vila. Curiosamente, ali o nome de batismo de Britinho acabou sendo mencionado como “João Adelino Leal Brito”…

  7. Olá a todos, por incrível que pareça Rubens Leal Brito é meu tio-avô. Ele nasceu em Pelotas/Rs, meu avô era Oscar Leal Veleda, eles eram irmãos apenas por parte de mãe, o “britinho” do primeiro casamento, que no total são 4, e do segundo casamento meu avô que são mais 3, nome da minha bisavó era Chica Leal.(teve 7 filhos)
    João Leal Brito, era irmão do Britinho, porém mais novo, e foi levado para o Rio de Janeiro or influência de Britinho.

    Quem me contou isso, foi meu pai,
    Clóvis Veleda, que lembra muito bem do Britinho, segundo meu pai ele sempre vinha passar o carnaval aqui em Pelotas.

    Depois que meu pai me contou, pedi alguma coisa para ler sobre ele, e conseguiu algumas folhas, logo me interessei por conhecer sua obra. Quem souber mais coisa sobre Britinho e sua Orquestra, me interessaria muito. Abraços!

  8. Augusto, como vai?

    Já acompanho seu blog há algum tempo, mais precisamente desde a postagem do seu tributo ao Billy Blanco, que destaquei no meu blog Som do Norte – http://somdonorte.blogspot.com/2011/07/na-rede-billy-blanco-no-toque-musical.html

    De lá pra cá, tenho acompanhado sempre as novas postagens. Somente hoje, ao ler o aviso sobre o pedido que lhe fez a Musidisc, decidi dar uma garimpada pelos posts antigos, localizando então um texto meu de 2005 transcrito sem crédito em http://toque-musicall.blogspot.com/2008/10/pierre-kolmann-e-seu-conjunto-para.html . Navegando mais um pouco, vi que ele foi transcrito aqui pelo Anônimo e, depois, pinçado para o post citado.

    Mas não se preocupe, não vou pedir para você retirar o texto (eheh), apenas solicitar que inclua meu crédito, e se possível o link para a postagem anterior, no Mistura e Manda/ Brasileirinho – http://www.brasileirinho.mus.br/arquivomistura/103-300505.html

    Deixo outro link, o da mensagem que recebi de Anna Paes, pesquisadora da obra musical de Rubens Leal Brito, e que reproduzi no Mistura e Manda seguinte – http://www.brasileirinho.mus.br/arquivomistura/104-060605.html

    Grande abraço e parabéns pelo seu trabalho!

  9. Olá Fábio,
    que bom saber que apareceu o autor do texto sobre o Britinho. Essa história deu pano para as mangas. Contudo, foi uma polêmica muito salutar.
    Pode deixar que agora o seu crédito vai aparecer. Coloquei também na lista de links do blog os endereços do Mistura e Manda e para o Som do Norte. Gostei muitos dos site/blog, uma boa fonte de consulta.
    Agradeço também as referÊncias que você fez do TM nesses espaços. Muito obrigado 🙂

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