Peruzzi E Sua Orquestra – Páginas Inesquecíveis (1963)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Uma coisa que eu tenho percebido, depois da faxina que a turma do Blogger começou a fazer, é o receio das pessoas frente a repressão que vemos crescer cada dia mais no mundo digital. É impressionante e mesmo temeroso os rumos que toma a Internet. Cada vez mais ela deixa de ser um território livre para ser ocupado pelos mesmos latifundiários do mundo real e concreto. Querem aplicar as mesmas leis caducas, uma adaptação forçada que nos leva à mesma situação. Ou por outra, a ideia é manter tudo do mesmo jeito que sempre foi. Qualquer entendimento, reconhecimento ou ação isolada nesta ‘revolução digital’ pode ser considerado como uma conspiração contra o Sistema. Acontece que o Sistema, nos moldes atuais, está falido. Uma nova onda está por vir e nessa, quem ainda não aprendeu a surfar vai ser engolido pelas águas. O que me preocupa mais é pensar no tamanho dessa onda e até onde ela nos levará. A verdade é que as pessoas estão temerosas, estão sendo (veladamente) ameaçadas e sufocadas. Se não reagirmos, tenho certeza, cairemos todos, o mundo inteiro, numa ditadura mundial. Vivemos hoje um paradoxo, num mundo que para continuar existindo depende do coletivo, do compartilhamento, da fusão do individual no todo. Porém, essa ‘necessidade’ vai contra o formato anterior, o da sociedade industrializada e capitalista. Estamos vivendo um momento crítico, de transformações e cabe a cada individuo reconhecer seu coletivo. Somente assim nós não nos tornaremos os escravos do futuro. A união faz a força.

Mas eu comecei esse papo, na verdade, mais para dizer como me espanta o espanto e medo das pessoas. Depois da última represália, muitos dos amigos cultos passaram a ser ocultos e provavelmente, muitos ocultos sumiram da praça ou se tornaram ainda mais ocultos. Prova disso é que dos 700 seguidores que tinha o Toque Musical, apenas uns 20, até então, voltaram e se juntaram aos outros que já estavam nesta versão do blog. Por outro lado, no Grupo de discussão do Toque Musical, criado recentemente, temos um número crescente de amigos cultos, que vêm descobrindo ser esse (ainda) o único território livre, apesar de restrito, para o compartilhamento dos mesmos interesses. No caso, a música e seus correlatos. Que cresca esse Grupo, não apenas defendendo a bandeira do Toque Musical, mas a de todos os outros blogs e sites afins. O Grupo, embora tenha o nome do TM funciona não apenas para prestar serviços ao blog, mas a todos os outros que tenham algo semelhante a oferecer. Somos uma sociedade anônima, mas não estamos ocultos. Antes que isso acabe virando um manifesto e também porque já estou passando da hora, melhor partirmos para o disco do dia.
Hoje eu estou trazendo mais um raro exemplar do selo MGL (Minas Gravações Ltda), precursor da Paladium e Bemol. Este disco foi mais um que o Maestro Edmundo Peruzzi convenceu ao Dirceu Cheib de produzir. Como todos (imagino) devem saber, através de outras postagens que eu fiz dos primeiros discos desta gravadora, a MGL produziu pouquissimos discos. Eu até cheguei a comentar que foram só 4 discos, inclusive porque foi algo assim que o Sr. Dirceu me informou certa vez, numa entrevista. Percebo, porém, que havia mais discos. Descobri recentemente este outro álbum do Peruzzi que pela numeração deve ter sido o quarto disco e não o do Lauro Paiva como eu antes imaginava.
Em “Páginas Inesquecíveis” temos o Maestro Peruzzi comandando sua orquestra em um repertório totalmente nacional. Na contracapa do álbum temos um texto do compositor Victor Simon, o qual é (por acaso?) o autor de duas músicas do disco. Ele exalta as qualidades da orquestra e os arranjos do maestro. Realmente o Peruzzi era mesmo muito bom e até versátil. Porém, neste repertório ele acabou transformando tudo em marcha, o que, pessoalmente, acho meio chato e monótono. Me fez lembrar os desfiles escolares em 7 de setembro. Mas não se prendam à minha crítica. Isso é mesmo bem pessoal…

velho realejo
cano na praia
ave maria
caçador de esmeraldas
evocaçõa
chão de estrelas
o vagabundo
chuá chuá
pastorinhas
história antiga

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15 thoughts on “Peruzzi E Sua Orquestra – Páginas Inesquecíveis (1963)

  1. Na época de 50 houve uma febre de “jazzbands”… Eram orquestras para bailes e que arriscavam tocar os temas de hollywood etc… Para se ter ideia do tamanho da febre, basta dizer que na cidade onde nasci, Cajazeiras, interior da Paraiba, naquela época tinha duas orquestras desse tipo: A Manaira Jazzband e a Orquestra Salão Grenat. Não sei se ainda tem algum registro das performances desses grupos do sertão nordestino. Estou à cata.
    Francisco Roberto
    João Pessoa/ PB

  2. Pertinente o se “manifesto” sobre as possibilidades que aventam para restringir as liberdades da blogosfera. Eles são monstruosamente perigosos. O capitalismo é monstruoso. Porisso o medo de muitos em encará-lo de frente e daí a opção de fugir ou se ocultar. Tem nada não. Tenho a esperança de quando apertarem o garrote muita gente vai saber resistir.

  3. Não quero aqui ser qualquer tipo de revolucionário ou descobrir o ovo de Colombo, mas muitas vezes é preciso, também, estar oculto para resistir. A história nos mostra e ensina que muitas causas condenadas e perseguidas resistiram graças a isso. O que se faz aqui? Não se “oculta” (como se ninguém soubesse) o fornecedor dos links? Não é uma forma velada de mostrar uma fonte sem se expor? Não acredito que os usuários ocultos e muito menos os ocultos façam denúncias. O TM é um blog muito freqüentado, não é restrito, muito pelo contrário, todos acessam seu conteúdo. É natural que cedo ou tarde represálias ocorram. O Blogger rastreia, departamentos jurídicos são muito ativos nesta área, há empresas especializadas em bisbilhotar e vai por aí! Chega de neuroses! Cabe a nós cultos e ocultos, continuar nesta batalha, quer discutindo o assunto permanentemente, quer encontrando soluções provisórias e terá que ser sempre assim. É uma roda que gira o tempo todo, alguns à frente, outros na retaguarda e muitos outros ocultos também participando de alguma forma.
    Soluções como grupo de discussão, fóruns, troca de hospedagem de arquivos, troca de plataformas de blogs, etc. Há uma excelente plataforma para blogs que eu mesmo já testei. Chama-se Data Life Engine. É gratuito mas precisa de um servidor de hospedagem com BD. Tem um excelente padrão e um ótimo sistema de cadastro e controle de usuários com níveis diferenciados e bem flexíveis de hierarquia e de funções para cada um participante. Faz backup e muito mais. O custo disto é o de hospedagem, tão somente. Há muitos serviços bons e baratos, conheço muitos. Lanço uma idéia. Será que já não está na hora de ter um TM, onde os cultos e ocultos se integrem verdadeiramente, inclusive com verbas? Afinal, tudo que é de graça não dura muito tempo! Acrilato – Santos

  4. Prezado Acrilato, você tem razão em muitas coisas que diz. Realmente, em certas circunstâncias, o anonimato pode fazer a diferença. Porém, no nosso caso, o ideal seria um comprometimento maior entre os usuários do blog. Muito por conta disso também foi que eu criei o GTM, onde por lá só estão aqueles que realmente participam ativamente.
    O que me parece chato é perceber que quando o barco começa a balançar, cada um saí nadando de fininho. Deixando o capitão sozinho.

  5. Concordo contigo. É triste verificar que na hora de usar, usa. Na hora de ajudar, os que usaram desaparecem. Numa grande comunidade terá sempre os compartilhadores (via de mão dupla) e os aproveitadores (via única). O problema é separar o joio do trigo e juntar só o trigo, os que realmente agregam algo à causa. Pelo menos entendo seu blog como uma causa, algo nobre que se possa e se deva brigar. Depois é conseguir sobreviver nesta comunidade tecnológica onde, como você mesmo disse, já está sendo dominada pela “elite” capitalista e devoradora do poder e dos interesses financeiros. Gostaria de te dar uma idéia. Esse tema é um assunto atraente, excitante, complexo e longo. Afeta diretamente seu blog como os de muitos outros amantes da música e da arte em geral. Por que não é fruto de uma discussão específica, objetiva e quem sabe conclusiva. Isso tudo num fórum específico com acesso restrito. Sempre baixei seus posts e sempre admirei o seu blog e seu jeito de conduzir os temas e as temáticas, quero continuar fazendo isso! Ao contrário do que foi expressado, existe os ocultos que por uma razão ou outra não se identificam. Me considero um oculto ativo e me sinto na obrigação de uma atitude, que está sendo tomada nestas palavras. Volto a dizer, muitos blogs de compartilhamento tiveram o mesmo problema, restrições, represálias, censuras, etc. Quem não conhece o “heroturko” que compartilha toda a sorte de copyright em design e que agora, além disso, se enveredou para filmes, literatura e até na fonografia. Eles estão com 20 posts por página e quase 73 mil páginas. Como eles conseguem? Esse é o ponto. Você tem a fonte, nós consumimos essa fonte. Como um pode e deve chegar ao outro é o mais importante a se resolver. Para mim o Blogger, WordPress, etc. é o menos relevante, já que, se por um lado eles retaliam, nós, por outro, podemos escolher que serviço usar. O fato é que, infelizmente o Toque Musical, e isso me deixa triste, está ficando retalhado. A grandeza que o TM tem na sua essência e disposição e a perseverança que tem seu autor, merece reflexão, todos nós que consumimos do outro lado da corda temos que ajudar a resolver. Estou de mangas arregaçadas, é só falar.

  6. Acabei não completando o comentário anterior…
    Eu já havia pensado em criar um espaço que não dependesse de Blogger, WordPress ou ququlquer outro serviço gratúito, mas acho que assim eu estaria 'institucionalizando' o Toque Musical, que foi concebido no formato de blog. Ele perderia suas caracteristicas e também me deixaria mais exposto e responsável pelo que é publicado, tanto por mim quanto pelos amigos.
    Eu sempre brinco com essa coisa de anônimo, mas eu também me oculto atrás do pseudônimo e por razões diversas, prefiro continuar assim.
    Percebo também, que mesmo demosntrando ser mais de utilidade pública do que anarquista, ainda assim há represárias. A inveja e o despeito é uma merda. Tem muita gente que não consegue aceitar o sucesso do Toque Musical. Tenho certeza que esse também foi um fator determinante, através das denúncias anônimas que a equipe do Blogger recebeu.
    Talvez, se eu tivesse entrado no esquema de me associar a grupos que sempre me oferecem dinheiro em troca de espaços publicitários, o velho TM ainda estaria na rede.
    Mas infelizmente eu sou um bobo, tolo, ingênuo e muito honesto. Quem sabe se eu tivesse colocado links comerciais entre letras e palavras dos textos de postagem, se eu tivesse abrido o espaço, se tivesse aceitado doações em dinheiro… eu talvez não estaria mais aqui. Já teria feito ao logo desses anos algum dinheiro e estaria rindo da cara de vocês.
    Mas não é isso que eu quero. Não há dinheiro no mundo que pague o prazer de fazer as coisas do jeito e na hora que me dá vontade.
    O importante é mesmo que a nossa emoção sobreviva!

  7. E o curioso que mesmo sem te conhecer, é assim que eu sempre te enxerguei! Não querendo parafrasear, mas já fazendo, “não escuto a música somente com outros olhos, vejo seu blog com outros sentidos”. Não vejo o TM como anarquista, a não ser para a elite que detêm o poder transitório e muitas vezes ilusório da mídia. Mas para mim o poder da Natureza sempre será superior. Chamo isso de “tiro no pé” quando alguém que acha que tem o poder, cedo ou tarde erra a mira e a culatra fala mais alto, uma espécie de conspiração transcendental, coisas de Deus.
    Desculpe, mas discordo, o TM, é muito mais que um blog de utilidade pública. Mesmo um serviço de utilidade pública, precisa ser mantido com alguma verba. Que verba você recebe? Os membros cultos e ocultos colaboram com algum dinheiro pra manter as despesas que certamente você tem? Penso que não, portanto você mantém um serviço que tem um preço ( acesso a internet + luz + softwares + hardwares + equipamentos de digitalização + tempo, e tempo é dinheiro! + afins ). Isso tudo oferecendo jóias raras que muita gente sairia negociando por aí, você disponibiliza gratuitamente. A questão é, você se vira e faz isso porque gosta! Mas, “nós” que baixamos essas raridades gratuitamente, refletimos sobre isso?
    Quanto a ganhar dinheiro e entrar no “sistema” ( propagandas – anúncios e afins ) tenho certeza que não é a sua praia, nem é a minha e tenho certeza que não é a praia da maioria dos que prestigiam e apóiam o TM. É verdade e você tem toda razão quanto ao fato de que a institucionalização expõe mais a todos.
    O que o TM oferece é valioso demais para se institucionalizar. Institucionalização represa, limita, freia e na arte isso é detestável. Depois tem o conceito. O TM é um blog limpo, leve, livre e solto. Qualquer um se sente entrando numa grande biblioteca ou num grande acervo discotecário esquecido no tempo, mas disponível quando e o quanto quiser, dentro da casa de todo ser humano pensante. Um verdadeiro túnel do tempo num simples clique. Algo magnífico, sonho de qualquer apreciador da música, contudo utópico, se não fosse virtual. O TM dá essa sensação de cultura livre, incompatível com o modelo de sociedade que vivemos. Mas como resistir faz parte da nossa natureza e nos dá emoção e como você mesmo disse: “o importante é que a nossa emoção sobreviva” entonsse vivamos isso com esperteza. Há muitas formas de se disponibilizar tesouros musicais ( fonte – meio – destino ). Vamos pensar em algo que faça o TM do jeito que sempre foi, receita do grande sucesso, só que firme e forte.
    Me parece que trocamos o grupo de discussão pela área de comentários, mas muito apropriado para mostrar a todos que o TM tem vigor e amigos ocultos, preocupados e pensando em alguma solução. Força ao TM.
    Acrilato – Santos – SP

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