Gilda Lopes – A Fabulosa (1963)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Por certo estavam todos esperando por mais um número do Grand Record Brazil, trazendo alguma gravação do tempo do 78 rpm e apresentado pelo nosso amigo Samuel Machado Filho. Pois é, infelizmente e por mais uma vez eu terei que adiar o ‘lançamento’ do volume 55. Ainda não consegui instalar o Corel e o Photoshop na minha nova máquina, daí não posso confeccionar as capinhas e nem ao menos dar um trato nas capas das postagens diárias. Bem se vê pelos últimos discos publicados, sempre tem algum defeito que não deu para corrigir. Olha só esse disco da Gilda Lopes.
Vou deixar esse espaço aqui reservado para o nosso amigo e melhor resenhista, Samuel Machado Filho. Creio que na falta do GRB, a Gilda Lopes vem bem a calhar. Fala aí, Samuca!

Esta semana, o Toque Musical apresenta, com muita satisfação, um álbum único. Aliás, o único gravado por uma cantora de curta mas expressiva carreira: Gilda Lopes.
O título pode parecer exagerado, “A fabulosa”. Mas uma simples audição bastará para os ouvintes constatarem que não foi exagero da gravadora Odeon batizar o álbum com esse nome. Porque Gilda Lopes foi mesmo fabulosa. Seu nome na pia batismal era Guiomar Lopes, e ela veio ao mundo na capital gaúcha, Porto Alegre, no dia 17 de junho de 1937. Também demonstrou talento como compositora, aliás, desde menina adorava música, e estudou piano e balé dos cinco aos catorze anos, tendo também aprendido a sapatear e a tocar castanholas. Em 1950, foi eleita Rainha dos Estudantes Gaúchos, e, dois anos mais tarde, obteve um honroso segundo lugar no concurso de Miss Porto Alegre, pois então tinha 15 anos, e menores de idade, pelo regulamento, menores de 18 anos não poderiam vencer o certame. Alguns anos depois, Gilda foi morar na Itália, fazendo uma média de três serenatas por dia nas cidades daquele país. Certo dia, participou de um programa da Rádio Roma em homenagem ao Brasil, interpretando uma composição de sua autoria, “Lamento de escravo”. Fez outros programas radiofônicos (“Vigesima-quarta hora”, “Musicale”) e também bateu ponto na televisão (programas “Musichieri” e “Noi loro”) e nas boates Open Gate e Kit Kat. Igualmente apareceria no cinema, atuando numa co-produção Itália-EUA ao lado da atriz americana Mamie Van Doren. Foi também funcionária da Embaixada do Brasil em Roma. Embora fosse muito querida pelos italianos, tendo sido notícia em jornais e revistas (“Il Tempo”, “Settimana”, etc.), Gilda Lopes voltaria ao Brasil no final dos anos 1950. É quando lança pela Continental, em novembro de 1959, seu primeiro 78 rpm, com os boleros “Lola” (versão de João Roberto Kelly) e “Delírio” (parceria do próprio João com a cantora), com boa aceitação. Mas só obteria nova chance no disco em 1962, na Odeon. Seu primeiro 78 na “marca do templo”, gravado em 2 de maio de 1962 e lançado a toque de caixa com o número 14802, traz duas versões de Romeu Nunes, também produtor de discos da empresa: “Tango italiano”(Malgoni, Paresi e Beretta, matriz 15162) e, no verso, de Hubert Giraud e Jean Drejac, matriz 15163, uma valsa-fantasia que se constituiu em seu maior sucesso; “O trovador de Toledo (L’Arlequin de Tolede)”, uma verdadeira apoteose. E, evidentemente, não poderia deixar de ser incluída neste álbum que o TM oferece esta semana a vocês. Estão também aqui as músicas de seu segundo 78 na Odeon, número 14843, igualmente versões: “Padre Dom José’” (Jacques de la Rue e Alain Romans, vertida por uma certa Aline e gravada a 5 de novembro de 1962, matriz 15511) e “A hora do amor (Les fills de Cadix)”, de Loe Delibes com letra brazuca de Fernando César, registrada oito dias mais tarde, matriz 15527, tendo o 78 saído em abril de 63. Neste LP, há uma composição de José Messias (sim, ele mesmo, o severo jurado do Raul Gil!), “Babalaô”, e outras versões assinadas por Romeu Nunes (“Tormento de amor/Todo el español”, “Não, eu não vou ter saudade/Non, je ne regrette rien”, “Balada do adeus/Ballata della trompa’) e Aline (“Nasci para ti/Nata per me”, “Apaixonada/Sciummo”). Completam este trabalho três músicas de autores nacionais: “De degrau em degrau” (Nóbrega e Souza e Jerônimo Bragança), “Agonia” (Paulo Aguiar e Carlos Belisário) e “Quero paz” (Ricardo Galeno e Cirene Mendonça). Gilda Lopes demonstrou soltura tanto na ópera quanto na música popular. Ainda assim, sua discografia foi escassa (quatro discos 78 rpm com 8 músicas e um compacto simples, além deste álbum), uma vez que ela viu-se obrigada a interromper sua gloriosa carreira artística em virtude de problemas de ordem familiar e pessoal, em 1964. Casada com Eliezer Schneider, foi residir nos Estados Unidos, e, segundo informações prestadas por seu único filho, Jean Bayard Elam Schneider, faleceu em julho de 2009, fato esse que grande parte da mídia omitiu e que só pude trazer a vocês graças ao YouTube, do qual Jean é meu colega e usuário. Mas restou sua voz, que o TM oferece a vocês nesta semana. Com vocês, a fabulosa (e eterna) Gilda Lopes!
a hora do amor
padre don josé
tormento de amor
ba ba la ô
não, eu não vou ter saudade
de degrau em degrau
o trovador de toledo
nasci para ti
balada do adeus
apaixonada
agonia
quero paz
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