Linda Batista, Elizeth Cardoso, Onilda Figueiredo & Carmen Barbosa – Seleçào 78 RPM Do Toque Musical Vol. 118 (2014)

E vai para o ar mais uma edição do Grand Record Brazil, a de número 118. É mais um volume dedicado às cantoras, apresentando quatro grandes intérpretes que fizeram história em nossa música popular.
Para começar, temos Linda Batista (Florinda Grandino de Oliveira, São Paulo, 14/6/1919-Rio de Janeiro,  17/4/1988),que marca presença no GRB desta semana com quatro faixas bastante expressivas, todas em gravações Victor. A primeira é a divertida marchinha “No boteco do José”, sucesso do carnaval de 1946, alusivo à conquista do campeonato carioca de futebol pelo Vasco da Gama (o time era então chamado “expresso da vitória”), no ano anterior, invicto, fazendo menção inclusive ao atacante Lelé (Manuel Pessanha, 1918-2003), artilheiro do certame, de chute fortíssimo.  Flamenguista convicto, Wilson Batista fez a marchinha em parceria com Augusto Garcez, e Linda a gravou em 21 de setembro de 1945, sendo lançada ainda em  novembro com o n.o 80-0348-A, matriz S-078294. Logo depois,ao lado das Três Marias, com acompanhamento da orquestra do maestro Passos,  Linda interpreta o clássico samba-canção “Bom dia”, de Herivelto Martins e Aldo Cabral, em gravação de 2 de julho de 1942, lançada pela marca do cachorrinho Nipper em setembro do mesmo ano, disco 34962-A, matriz S-052569. “Bom dia” tem inúmeras regravações, destacando-se as de Dalva de Oliveira e Maria Bethânia. Ruço do Pandeiro e Alfeu de Brito assinam o samba “Quem sabe da minha vida sou eu”, que Linda gravou em 13 de agosto de 1941, com lançamento em outubro seguinte sob n.o 34814-A, matriz S-052327. Linda Batista encerra sua participação neste volume com o divertido samba-de-breque “Eu fui à Europa”, de Chiquinho Sales. No enredo, Linda é uma cantora brasileira que vai se apresentar numa rádio europeia, mas é presa, confundida com uma espiã, e levada para a execução. Porém… tudo não passou de um sonho! Gravação de 10 de junho de 1941, lançada em agosto do mesmo ano com o n.o 34785-A, matriz S-052241. Nestas duas últimas faixas,o acompanhamento é creditado aos Diabos do Céu, mas estes não eram mais os integrantes da orquestra formada e dirigida por Pixinguinha, e sim os do regional de Benedito Lacerda, como sempre fazendo maravilhas com sua flauta inconfundível.  Como a denominação era de propriedade da Victor, outros grupos também podiam aparecer nos selos dos discos como Diabos do Céu, caso do regional de Benedito.
 A eterna “Divina”, “Enluarada” e “Magnífica” Elizeth Cardoso, nascida (16/7/1920) e falecida (7/5/1990) no Rio de Janeiro, intérprete de uma longa e vitoriosa carreira, bate ponto aqui com outras quatro faixas,todas gravadas em seu início de carreira. Primeiro, temos seu primeiro  sucesso maiúsculo, “Canção de amor”, samba do comediante Chocolate (Dorival Silva, 1923-1989) em parceria com Elano de Paula, que se tornaria para sempre carro-chefe de Elizeth. Saiu no disco de estreia da cantora na Todamérica, n.o TA-5010-B, gravado em 27 de julho de 1950 e lançado em outubro seguinte, matriz TA-20, do qual também apresentamos logo depois o lado A, “Complexo”, samba de Wilson Batista e Magno de Oliveira, matriz TA-19. Meses antes, porém, Elizeth  havia gravado seu primeiro disco na Star, futura Copacabana, número 202, do qual apresentamos o samba do lado B, “Mensageiro da saudade”, composto por Ataulfo Alves e José Batista, com acompanhamento da orquestra de Acyr Alves. Esse disco, lançado provavelmente em março de 1950, seria logo retirado das lojas pela gravadora, que alegou “problemas técnicos”, jamais esclarecidos devidamente. Por fim, Elizeth canta “Venho de longe”, samba-canção de Dermeval Fonseca e Alberto Ribeiro, gravação Todamérica de 25 de janeiro de 1952, lançada em abril do mesmo ano, disco TA-5145-B, matriz TA-238.
Natural do Recife, a capital pernambucana, Onilda Figueiredo, a cantora que apresentamos a seguir, deixou, segundo consta,  uma escassa discografia. Gravou, em 78 rpm, quatro discos com oito músicas, entre 1956 e 1958, todos pela Mocambo, gravadora que por sinal tinha sede no Recife, e pertencia aos irmãos Rozenblit.  Foi também contratada da Rádio Jornal do Commércio, e era presença constante nos programas de auditório da emissora recifense, cujo slogan era “Pernambuco falando para o mundo”.  Fez ainda uma participação na coletânea “Catorze maiorais em boleros” (Copacabana, 1964), interpretando “Duas cruzes”. Ei-la aqui com as faixas de seu 78 de estreia, o Mocambo 15094, lançado em junho de 1956, com dois boleros. Primeiro, o lado B, matriz R-695, “Desespero”, de autoria de Ângelo Iervolino. E, em seguida, o lado A, o clássico “Nunca! Jamais! (Nunca! Jamás!)”, matriz R-694, de autoria do mexicano Lalo Guerrero, em versão de Nélson Ferreira, também notável compositor e então diretor artístico da Mocambo. Enorme sucesso, “Nunca! Jamais!” seria mais tarde faixa de abertura do único LP da cantora, o 10 polegadas “A voz de Onilda Figueiredo”, sendo também gravado por outros intérpretes (Ivon Cúri, Ângela Maria, Rosa Pardini, Zezé Gonzaga etc.).
Finalmente, lembramos de uma cantora expressiva, que infelizmente partiu muito cedo: Cármen Barbosa. Carioca do bairro do Catumbi, nascida em 4 de setembro de 1912, ela faleceria em 3 de setembro de 1942, um dia antes de fazer trinta anos, vítima de grave doença. Ela aqui comparece com as quatro faixas finais de nossa seleção desta semana. De início tem “Banalidade”, samba de Gilberto Martins (nada banal,apesar do título), gravação Columbia de 19 de junho de 1939, lançada em julho seguinte sob n.o  55073-A, matriz 165. O samba-canção “Carnaval que passou” é do mestre Benedito Lacerda, que muito incentivou Cármen Barbosa em sua carreira e por sinal a acompanha com sua flauta mágica em todas as quatro faixas que ela interpreta aqui, à frente de seu regional.  Gravação Victor de 30 de abril de 1937, lançada em agosto do mesmo ano, disco 34192-A, matriz 80390 (aqui, o regional de Benedito Lacerda aparece com o nome de Boêmios da Cidade). O samba “Depois que ele partiu” é também de Benedito, agora em parceria com Gilberto Martins, e Cármen o gravou na Columbia em 8 de agosto de 1939, com lançamento em setembro sob n.o 55157-B, matriz 187. Por fim, temos outro bom samba, “Adeus, Favela”, de Nélson Trigueiro e Paulo Pinheiro, gravação Columbia de 13 de maio de 1939, lançada em junho seguinte sob n.o  55069-A, matriz 152. Enfim, uma edição em que o GRB revive quatro grandes cantoras da MPB, cujo legado é sempre desfrutável e imperdível. Até a próxima!
* Texto de Samuel Machado Filho
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