A Música De Caxiné – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 127 (2014)

Esta semana comemoramos o Dia Nacional do Samba, 2 de dezembro. Entrando no clima, a edição de número 127 do nosso Grand Record Brazil vem com toda a ginga e espontaneidade, apresentando uma amostra do trabalho de um dos maiores compositores do gênero: Eden Silva, popularmente conhecido como Caxiné. Poucos são os dados biográficos a seu respeito. Entretanto, Eden “Caxiné” Silva foi um verdadeiro gênio de nossa música popular. Participou da Escola de Samba Depois eu Digo, e também fundou a Independentes do Leblon, a Unidos do Humaitá, e a Acadêmicos do Salgueiro (que surgiu da fusão da Depois eu Digo com a Azul e Branco, ambas as escolas situadas no Morro da Tijuca). Caxiné é considerado inclusive um dos maiores compositores que o Salgueiro já teve em todos os tempos, tendo também feito bons trabalhos para blocos carnavalescos. Foi eleito Cidadão Samba em 1946, e era também carnavalesco. Caxiné  e Aníbal da Silva, conhecido como o “seresteiro da Praia do Pinto” (situada no Leblon, Zona Sul carioca)formaram uma dupla de compositores de muito sucesso nos anos 1940/50, tendo composto quase todos os sambas-enredo da Depois eu Digo na década de 40. “Brasil, fonte das artes”, que fez em parceria com Djalma “Sabiá” Costa e Nilo Moreira, foi um dos primeiros sambas-enredo a ser gravados comercialmente (inclusive está nesta edição).  Caxiné faleceu em 1963, deixando várias músicas que fazem parte da história do samba: sambas-canções, de terreiro, de enredo…
Nesta edição do GRB, apresentamos dez gravações que montam um pequeno-grande panorama da obra musical de Caxiné, seleção esta idealizada pelo Blog Coisa da Antiga.  Abrindo o programa, temos “Tudo é ilusão”, parceria dele com Aníbal da Silva e Tufic Lauar (mais tarde cantor de sucesso com o pseudônimo  de Raul Moreno). Destinado ao carnaval de 1945, foi gravado na Odeon por Odete Amaral, “a voz tropical do Brasil”, em 5 de outubro de 44, com lançamento ainda em dezembro, sob número  12519-B, matriz 7676. Voltaria a fazer sucesso vinte anos mais tarde, numa gravação de Clara Nunes.  A faixa seguinte é talvez o trabalho mais famoso de Caxiné: “Rosa Maria”, outra parceria dele com Aníbal, até hoje cantado em rodas de samba. Um dos campeões do carnaval de 1948, foi imortalizado na RCA Victor por Gilberto Alves em 9 de outubro de 47, com lançamento um mês antes da folia, em janeiro, disco 80-0564-A,matriz S-078792. Caxiné e Aníbal assinam também nossa terceira faixa, “Vem me consolar”, samba do carnaval de 1949, interpretado por Zé e Zilda, “a dupla da harmonia”.  Gravação Continental de 13 de outubro de 48, lançada um mês antes dos festejos momescos, em janeiro, sob n.o 15984-A,matriz 1980. Em seguida, uma homenagem de Caxiné e Aníbal a outro grande sambista: “Paulo da Portela”,aliás, Paulo Benjamin de Oliveira, falecido prematuramente, aos 47 anos, em 31 de janeiro de 1949. Zé e Zilda também gravaram este samba, na Star (futura Copacabana), disco 151-A. para a folia de 1950. A dupla ainda nos apresenta  outro samba de rara beleza de Caxiné e Aníbal, aqui em parceria com Noel Rosa de Oliveira, “Falam de mim”, lado B do disco Continental de “Vem me consolar”, matriz 1981, e outro sucesso do carnaval de 1949. Completando este trabalho, cinco faixas de um precioso LP de 10 polegadas da Todamérica, gravado por integrantes da escola de coração de Caxiné, o Salgueiro, lançado em maio de 1957 e intitulado apenas “Samba!” (LPP-TA-12).  “Brasil, fonte das artes”, já mencionado acima, parceria de Caxiné com Djalma “Sabiá” Costa e Nilo Moreira, havia aparecido em 1957, em versão resumida, na voz de Emilinha Borba, que também apresentou a música no filme “Garotas e samba”, da Atlântida. Aqui, neste registro de integrantes do Salgueiro, este samba-enredo de 56 é apresentado com a letra completa. Caxiné e Djalma, agora na companhia de Oldemar Magalhães, assinam o samba “Novo dia”, até agora só com esta gravação. Não podia faltar uma “Exaltação ao Salgueiro”, que Caxiné assina com seu parceiro mais constante, Aníbal da Silva, e mais uma vez Nilo Moreira. E – por que não? – uma “Exaltação à Tijuca”, em cujo morro o Salgueiro surgiu, novamente com Caxiné e Nilo Moreira na parceria, e aqui junto com Luís Silva. Para encerrar, uma regravação de “Tudo é ilusão” (ouça, na faixa 1, o registro original de Odete Amaral). Enfim,  uma homenagem que o Grand Record Brazil presta,com muita justiça, a Eden Silva, o Caxiné, sem dúvida um gênio do samba carioca e brasileiro.
* Texto de Samuel Machado Filho

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