Moreira Da Silva – O Astro (1978)

O Toque Musical tem o prazer de apresentar a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum com o inigualável Moreira da Silva (Rio de Janeiro, 1/4/1902-idem, 6/6/2000), verdadeira unanimidade na história de nossa música popular, autêntico mito, e referência obrigatória quando se fala em samba de breque.  Trata-se da coletânea “O astro”, lançada no final de 1978 pela EMI-Odeon com o selo Jangada, braço dito “econômico” da empresa. Esta seleção traz muita coisa boa, músicas que sempre estiveram no repertório do grande Morenguera, e que nós, ouvintes, também apreciamos muito. São gravações de 1958 a 1965, extraídas de LPs que gravou para a Odeon nesse período. A faixa de abertura é o clássico “Amigo urso” (“Saudação polar”…), de Henrique Gonçalez,  lançada por Moreira na Victor em 1941 e que ele revive num registro de 1958, extraído do álbum “O último malandro”.  Desse disco também as regravações de “Acertei no milhar” (originalmente de 1940), “Esta noite eu tive um sonho” (1941) e “Na subida do morro” (1952). Este último é um clássico do samba-de-breque, oficialmente assinado pelo próprio Moreira em parceria com Ribeiro Cunha, fabricante dos chapéus do cantor, mas na verdade é de autoria de Geraldo Pereira. Do álbum seguinte, “A volta do malandro” (1959), são “Gago apaixonado” (ótima releitura do clássico de Noel Rosa), e as então inéditas “Filmando na América” e “Fui ao Japão”. Encontramos também aqui as duas deliciosas e divertidas “aventuras” do personagem Kid Morenguera, escritas (e apresentadas em falsete no início dos registros) por Miguel Gustavo: “O rei do gatilho” (1962, do álbum “O ’tal’… malandro”) e “O último dos moicanos” (do LP de mesmo nome, 1963). Gustavo também assina e apresenta a não menos divertida “Morenguera contra 007”, “superprodução” dirigida por Chacrinha (!), em que nosso herói recebe a missão de salvar de um sequestro o “rei do futebol”, Pelé, no qual James Bond tem a cumplicidade da atriz italiana Claudia Cardinale.  Gravação de 1965, editada apenas em compacto simples na época. Por fim, do álbum “Conversa de botequim”, também de 1965, são a faixa-título, deliciosa recriação do clássico de Noel Rosa e Vadico, e “Risoleta”, sucesso de Luiz Barbosa em 1937, também brilhantemente revivido por Moreira aqui. Enfim, é uma compilação imperdível, que revive toda a bossa e a  versatilidade do imortal Moreira da Silva!

amigo urso
gago apaixonado
conversa de botequim
o último dos moicanos
filmando na america
risoleta
na subida do morro
o rei do gatilho
acertei no milhar
morenguera contra 007
esta noite eu tive um sonho
fui ao japão
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Texto de Samuel Machado Filho

 

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