Cauby Peixoto – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 148 (2016) Parte 2

O Grand Record Brazil oferece hoje aos amigos cultos, ocultos e associados a segunda parte do retrospecto especial dedicado ao grande e notável Cauby Peixoto, que partiu para a eternidade em 15 de maio último, deixando muitas saudades em todos aqueles que apreciam o que é bom em matéria de música. Oferecemos aqui mais 14 gravações de Cauby, várias delas prensadas simultaneamente em 78 rpm e vinil. Abrindo esta segunda parte, o bolero “Meu amor por você”, de Lourival Faissal e Edson Menezes, que Cauby gravou na RCA Victor em 20 de dezembro de 1957, com lançamento em abril de 58, sob número 80-1928-B, matriz 13-H2PB-0312. E a faixa seguinte é justamente o lado A, matriz 13-H2PB-0311, e um clássico do repertório dele: o samba-canção “Nono mandamento”, de Renê Bittencourt, retumbante êxito na época, e que o nosso saudoso Cauby também interpretou no filme “De pernas pro ar”, co-produção Herbert Richers-Cinedistri. Na quarta faixa, temos o primeiro hit maiúsculo do “professor da MPB”: o fox “Blue gardenia”, dos norte-americanos Bob Russell e Lester Lee, em versão de Antônio Carlos. Foi composto para o filme de mesmo nome, exibido no Brasil como “Gardênia azul”, e nele interpretado por Nat King Cole, tornando a música bem mais lembrada do que a própria película. O registro de Cauby saiu pela Columbia em maio de 1954, sob número CB-10042-A, matriz CBO-215, e, mais tarde, “Blue gardenia” seria faixa-título e de abertura do primeiro LP do cantor, em dez polegadas. Ainda em 54, apareceu outra gravação em português deste fox, por Lúcio Alves, mas o sucesso foi mesmo de Cauby. Aqui também apresentamos o lado B desse 78, matriz CBO-214: o samba-canção “Só desejo você”, assinado pelo então empresário de Cauby, Di Veras, em parceria com Osmar Campos Filho, e, ainda em 1954, também gravado na Copacabana por Ângela Maria. A música entrou mais tarde no segundo LP de Cauby, o dez polegadas “Canção do rouxinol”.  A quinta faixa desta seleção é “Canção de sentir saudade”, samba-canção de Durval Ferreira e Orlando Henriques, que Cauby gravou na RCA Victor em 11 de outubro de 1960, com lançamento em janeiro de 61, sob número 80-2286-A, matriz L2CAB-1132. Mais tarde, seria faixa de encerramento do compacto duplo de 45 rpm número 583-5068. O lado B do 78, matriz L2CAB-1133, que também abriu o compacto em questão e um LP do cantor com o mesmo título, é a faixa seguinte: a balada “Perdão para dois”, de Palmeira e Alfredo Corleto, lançada pouco antes por Leila Silva na Chantecler. Em seguida, temos o beguine “Tentação”, de Edson Borges e Sidney Morais (que integrou o Conjunto Farroupilha e Os Três Morais, e gravou discos de música latina como Santo Morales). Foi lançado pela Columbia, na voz de Cauby, em abril de 1956, sob número CB-10250-B, matriz CBO-727. Logo depois, vem o lado B, matriz CBO-729, o fado “Lisboa antiga”, standard do cancioneiro lusitano, de autoria de Raul Portela, Amadeu do Vale e José Galhardo. Em LP, e de dez polegadas, esta faixa só apareceu na coletânea mista “Meus favoritos – vol.  5”. A faixa 9, “Bibape do Ceará”, é um baião de Catulo de Paula e Carlos Galindo, originalmente gravado pelo próprio Catulo em 1955. O registro de Cauby foi lançado em setembro de 56 pela Columbia, sob número CB-10285-B, matriz CBO-818 (o lado A é o clássico “Conceição”, já oferecido a vocês em nosso volume anterior). Na décima faixa, temos o fox “É tão sublime o amor (Love is a many splendored thing)”, dos norte-americanos Paul Francis e Sammy Fain, em versão de Alberto Almeida.  A música deu título a um filme também de sucesso, estrelado por William Holden e Jennifer Jones, e exibido no Brasil como “Suplício de uma saudade”. O registro de Cauby foi lançado pela Columbia em maio-junho de 1956, sob número CB-11002-A, matriz CO-55565, abrindo também seu terceiro LP, o dez polegadas “Você, a música e Cauby”.  Em seguida, outro clássico: o bolero “Espera-me no céu (Esperame em el cielo)”, do portorriquenho Francisco López Vidal (Paquito), em versão do pistonista Araken Peixoto, irmão de nosso Cauby, que a imortalizou na RCA Victor em 30 de janeiro de 1957, com lançamento em julho do mesmo ano, sob número 80-1812-B, matriz 13-H2PB-0044. A gravação entrou mais tarde no LP de dez polegadas “Música e romance”, já oferecido a vocês pelo Toque Musical. A faixa seguinte é o lado B do disco de estreia de Cauby, o Carnaval/Star 013, lançado bem em cima do carnaval de 1951, em fevereiro:  a marchinha “Ai, que carestia”, de Victor Simon e Liz Monteiro (nada mais atual, não é mesmo?).  A penúltima faixa é o clássico “Molambo”, samba-canção do violonista Jayme Florence, o Meira dos regionais, em parceria com Augusto Mesquita. Lançado em 1953 por Julinha Silva, tem vários outros registros, e o de Cauby foi lançado pela Columbia em maio-junho de 1956, em seu terceiro LP, o dez polegadas “Você, a música e Cauby”, chegando ao 78 rpm em agosto seguinte sob número CB-10267-A, matriz CBO-769. E, encerrando esta seleção, o fox “Tudo lembra você (These foolish things/Remind me of you)”. A música foi feita em 1936 pelos britânicos Jack Strachey e Eric Maschwitz (também conhecido por Holt Marvel), mais o norte-americano Harry Link, e tem vários registros. O de Cauby, com letra brasileira de Mário Donato, tem acompanhamento do conjunto do violonista Ângelo Apolônio, o Poly, e saiu pela Todamérica em março de 1953, com o número TA-5259-A, matriz TA-1153. Um fecho realmente de ouro para este retrospecto especial que o GRB dedica ao agora imortal Cauby Peixoto!

*Texto de Samuel Machado Filho

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