Luiz Loy Quinteto (1966)

Uma das grandes perdas da música popular brasileira neste ano de 2017 foi a do pianista e acordeonista Luiz Loy. Ele faleceu no dia 24 de maio passado, aos 78 anos, fato que poucos órgãos de imprensa noticiaram. Uma pena, porque Luiz Loy foi um músico notável, com larga folha de serviços prestados à nossa música. Ele nasceu em São Paulo, em julho de 1938, tendo na pia batismal o nome de Luiz Machado Pereira, e a música sempre existiu em sua vida. Aos 13 anos de idade, já participava de audições cantando músicas de Luiz Gonzaga, evidentemente acompanhando-se ao acordeom. Profissionalmente, começou sua carreira como integrante do regional do clarinetista Siles, contratado pela PRF-3, TV Tupi. Atuava na extensa programação musical da emissora e também em shows, que aconteciam a cada inauguração de retransmissoras da Tupi em cidades do interior de São Paulo (Batatais, Ribeirão Preto, Franca), e ainda na capital paranaense, Curitiba. Luiz Loy trabalhou ainda na noite paulistana, como músico free-lancer de grupos como o de Mário Augusto e do maestro Francisco Dorce. Isso o afastou da televisão por algum tempo e, em 1960, quando foi novamente contratado pela Tupi, Luiz Loy já tinha seu próprio conjunto. Em 1962/63 atuou na TV Excelsior e no Jardim de Inverno Fasano. Em 1964, fez temporada artística na Argentina, apresentando-se no Cassino  Internacional, de Mar del Plata, e no Canal 13 de Buenos Aires.  De volta ao Brasil, em 1965, Luiz Loy é contratado pela TV Record de São Paulo, então a emissora dos grandes programas musicais, onde permaneceria até 1970. Lá, estreou seu famoso quinteto, formado por ele mesmo ao piano, Papudinho ao pistom, Mazzola ao saxofone, Bandeira ao contrabaixo e Zinho à bateria. O grupo participou, em 1966, da gravação ao vivo do segundo LP da série “Dois na bossa”, com Elis Regina e Jair Rodrigues. Luiz Loy ainda apresentou-se, como free-lancer,  novamente na TV Excelsior, na TUPRO Artel de Buenos Aires, na TV Rio, Canal 13, no evento Profissionais do Ano, promovido pela TV Globo para premiar os melhores da publicidade, e na Teleonce Universidad, de Santiago do Chile. Fez cursos de arranjo e regência na Academia Paulista de Música, ampliando cada vez mais sua atuação.  Nos últimos anos de sua vida, apresentou-se com seu grupo, já como trio, em bailes e eventos nos principais grandes clubes da capital paulista, sempre conquistando, merecidamente, o aplauso e o carinho do público. Luiz Loy deixou ainda, com seu conjunto, quatro LPs gravados, dois deles com seu quinteto. E é justamente o primeiro deles, “Luiz Loy Quinteto”, lançado em 1966 pela RGE, que o TM oferece com a grata satisfação de sempre a seus amigos cultos e ocultos. Produzido por um verdadeiro “cobra”, Manoel Barembeim, sob a direção artística de Júlio Nagib, o disco é credenciado principalmente por sua contracapa, na qual é recomendado por grandes nomes da MPB na época, todos então colegas de Luiz Loy na TV Record:  Elis Regina, Agnaldo Rayol, Elza Soares, Wilson Simonal e Elizeth Cardoso. No repertório, figuram basicamente sucessos da MPB na época, a começar pela primeira faixa, “Upa, neguinho”, então uma coqueluche na voz de Elis Regina. Temos ainda “Tristeza que se foi”, “Tem mais samba”, “Flor da manhã”, ‘Estamos aí”, entre outras, assinadas por grandes compositores da época, tipo Edu Lobo, Chico Buarque, Durval Ferreira, Gilberto Gil, Adílson Godoy… Com direito até a uma faixa no estilo jequibau, ritmo criado pelos maestros Mário Albanese e Cyro Pereira, e a  apenas uma música de origem internacional, o standard norte-americano “Fly me to the moon”. Tudo isso com a competência e o balanço do Quinteto de Luiz Loy, um músico para se ouvir e dançar, cuja performance, tanto dele quanto a dos demais integrantes de seu conjunto, eram sempre bastante apreciados. A presente postagem é, também, uma merecida homenagem póstuma do TM àquele que foi um dos maiores músicos que o Brasil já teve. A conferir, sem falta…

upa negrinho

nosso amor existe

clichê

tristeza que se foi

mais samba

deixa prá lá

estamos aí

brinquedo sim

fly me to the moon

flor da manhã

no balanço do jequibau

chora céu

*Texto de Samuel Machado Filho

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