Clóvis Pereira – Velhos Sucessos Em Bossa Nova (1963)

Boa noite a todos, amigos cultos e ocultos! Aqui vai mais um disco bacana para se encaixar nessa mostra de fim de ano. Tenho para vocês “Velhos Sucessos em Bossa Nova”, lp do maestro e pianista Clóvis Pereira, disco lançado em 1963 pelo selo Mocambo, da Rosenblit. 
Eu estava buscando mais informações sobre este disco quando me deparei com um texto do jornalista José Teles, achei tão completo que tomo a liberdade de reproduzi-lo aqui:
“…estreia em disco do maestro Clóvis Pereira, com um time formado por craques do instrumental pernambucano, recriando sucessos de décadas anteriores, em roupagem bossa nova. Na época, depois dos intérpretes de BN, quase tudo na cola de João Gilberto, a onda eram os combos de samba jazz. Clóvis Pereira foi além, e formou uma orquestra de bossa nova, com instrumentação inovadora, com um naipe de saxes, dois trompetes, um trombone, celo, contrabaixo, percussão, violões, e ele, o maestro no piano. Talvez o desnecessário neste disco é o “velhos sucessos”, até porque João Gilberto, no LP que modernizou a música popular brasileira, interpreta quatro Ary Barroso, Dorival Caymmi, Marino Pinto e Zé da Zilda, duas das canções, estão neste LP de Clóvis Pereira, Aos Pés da Cruz, e Morena Boca de Ouro. O repertório do LP vai de Sinhô (Gosto que me enrosco), a João de Barro, Noel Rosa, Ary Barroso, e Ataulfo Alves, o menos conhecido Waldemar Gomes e Afonso. Teixeira, do então ainda recente sucesso Nega (gravado por Jorge Veiga em 1958). Se o repertório é impecável, o que dizer dos músicos que Clóvis arregimentou? Sivuca toca um dos três violões, o trombonista é o também compositor Senô (autor de, entre outras, Duda no Frevo), os quatro saxes são de Valderedo (soprano), Ivanildo (alto), Maurício (barítono), e Duda (tenor). Assim como estes, os demais, Miro, Zezinho, Chagas, são tudo cobra criada, de talento calejado em orquestras de baile e de frevo, ou nos estúdios da Rozenblit, então no auge. Os arranjos são todos muito bons. Amélia, por exemplo, começa com um uníssono de saxes. O maestro Duda mostra seu lado Stan Getz, dialogando com o sax de Ivanildo, na abertura do álbum, com Não me diga adeus (Paquito/Soberano), mais para o jazz West Coast (o que mais influenciou os bossa novistas).
Fim de Semana em Paquetá (João de Barros/Alberto Ribeiro) tem um toque de Stan Kenton, com a cozinha de contrabaixo, bateria e ritmistas (como se chamavam então percussionistas) firmes e discretos, enquanto saxes e trompetes se revezam nos improvisos. 54 anos depois ete álbum não perdeu o frescor, é daqueles trabalhos aos quais o tempo não causa danos, pelos contrário os torna ainda melhores.”
 
não me diga adeus
fim de semana em paquetá
madalena
morena boca de ouro
no rancho fundo
helena, helena
gosto que me enrosco
fita amarela
o orvalho vem caindo
aos pés da cruz
nêga
amélia

 

 
 

 

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