Maricenne – Correntes Alternadas (1992)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! A música brasileira e seus artistas tem histórias realmente surpreendentes. A cada dia descobrimos coisas que nem imaginávamos. Há pouco tempo atrás encontrei este disco em um sebo. Me chamou a atenção logo pela capa, me pareceu logo de cara um disco de alguma artista alternativa, coisas obscuras da produção independente paulista. Mal sabia eu quem era Maricenne até ler com atenção o encarte do disco. Fiquei realmente surpreso, primeiro pelo trabalho, este lp chamado “Correntes Alternadas”, disco produzido por Paulo Barnabé, com participações inusitadas que vão da banda punk Inocentes ao violonista Paulinho Nogueira e mais… Tem espaço para Tom Zé e Richie, Paulo Vanzollini, Haroldo Barbosa… É, sem dúvida, um trabalho diferente, de vanguarda e isso se vê também no repertório. Maricenne parece não ter um público certo, mas nesse conjunto musical ela demonstra um ecletismo dos mais saudáveis que não soa feio ou pretencioso, mito pelo contrário, ela passeia bem por diferentes gêneros e o disco, no geral é realmente muito bom. Porém, as surpresas não param por aí. A coisa fica ainda mais interessante quando descobrimos que Maricenne não é uma novidade, muito pelo contrário, tem uma trajetória artística de chamar a atenção. Sua carreira começa ainda nos anos 50. Quando adolescente já fazia parte de um grupo musical em sua cidade natal, Cruzeiro (SP). Ficou famosa da noite para o dia quando venceu o concurso “Voz de Ouro ABC” da TV Tupi. Teve nesta emissora um programa em horário nobre, gravou seu primeiro disco, ainda em 78 rpm. Trabalhou também na TV Record e já no início dos anos 60 passou a se apresentar em casas noturnas ao lado grandes músicos como Pedrinho Mattar, Manfredo Fest e Walter Wanderley. Viajou e se apresentou em temporadas na Espanha e Portugal. Em 1964 gravou num compacto, a “Marcha para um dia de sol”, primeiro registro gravado de uma música de Chico Buarque de Holanda. Participou de vários dos grandes festivais de música dos anos 60. Trabalhou com Walter Wanderley nos Estados Unidos, participando de diversos shows por lá, o que lhe rendeu um contrato com uma grande gravadora, mas infelizmente teve problemas como seu empresário e acabou voltando para o Brasil. Na década de 70 passou a trabalhar também como atriz, retomando as atividades de cantora no final desta década, quando então gravou seu primeiro lp, em 1980. “Correntes Alternadas” foi assim o seu segundo disco, um registro fonográfico que merece muito a nossa atenção. Com um pouco de sorte, quem se liga em vinil, pode ser que encontre um exemplar ainda dando sopa no Mercado Livre. Pura raridade que vale a pena conhecer. ..
 
muito prazer
wild life
dor de dente
angelitos negros
garotos do subúrbio
valsa das três da manhã
céu cor de rosa
foot prints in the sand
eterno enlevo
 
 
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