Mílton Carlos – Largo do Boticário (1976)

O Toque Musical novamente apresenta um dos nomes mais representativos da MPB na década de 1970, e que o destino, infelizmente, levou muito cedo. Estamos falando de Mílton Carlos Fantucci, ou simplesmente Mílton Carlos.  Ele veio ao mundo no dia 13 de novembro de 1954, na cidade de São Paulo, e era irmão e parceiro da também cantora e compositora Isolda, de quem o TM já postou seu primeiro álbum como cantora-solo.  Nosso Mílton começou a se interessar pela música ainda criança, fazendo histórias e músicas para teatrinhos de bonecos, juntamente com a irmã. Ambos, inclusive, atuaram como “backing vocals” (ou seja, fazendo coro) em gravações de cantores consagrados.  No início dos anos 70, embora muito jovens, Mílton e Isolda já tinham suas músicas gravadas por nomes como Antônio Marcos, Maria Creuza e o conjunto Os Incríveis. E, em 1973, a dupla se consagra definitivamente quando o “rei” Roberto Carlos grava  “Amigos, amigos”, que constitui-se no primeiro grande hit autoral de ambos.  De Milton e Isolda, Roberto ainda gravaria “Jogo de damas” (1974), “Elas por elas” (1975), “Pelo avesso’ e “Um jeito estúpido de te amar” (ambas em 1976). Eles ainda teriam músicas gravadas por Wando (“Amanhã é outro dia”, “Na boca do povo”), Ângela Maria (“Nunca mais”) e Agnaldo Rayol (“Eu levo uma cruz na corrente”).  E o próprio Mílton Carlos também gravaria algumas de suas músicas com Isolda, com aquela voz fina e infantil que muitos a princípio pensaram ser de mulher!  Sua estreia como intérprete acontece em 1974, quando grava um compacto duplo pela RCA, com uma música de autoria de Martinha, “Eu queria”, e outras três que compôs com a irmã Isolda, “Um presente pra ela”, “Amici, amici (Amigos, amigos)” e “Samba quadrado”, esta última constituindo-se em sucesso absoluto de execução e projetando Mílton Carlos nacionalmente. “Samba quadrado” ainda foi, em 1975, faixa-título e de encerramento do primeiro LP de Mílton, que ainda teve outro hit até hoje lembrado, “Memórias do Café Nice”, de Artúlio Reis e Monalisa.  Infelizmente, Mílton Carlos morreria prematura e tragicamente, pouco antes de completar 22 anos de idade, no dia 21 de outubro de 1976, em desastre de automóvel, quando vinha de Jundiaí para São Paulo, a bordo de seu Passat. O acidente aconteceu em um trecho da Via Anhanguera, quando o carro do cantor tentou ultrapassar uma carreta Scania-Vabis e colidiu com um caminhão Chevrolet. Com o choque, o Passat de Mílton desgovernou-se e foi colhido pela carreta. Ele e sua noiva, a também cantora Mariley Lima, que estava com ele, morreram na hora, mas o empresário Genildo Oliveira, que viajava no banco de trás, teve apenas ferimentos leves.  Apesar de abalada com o acidente que levou o irmão e parceiro, Isolda continuou compondo suas canções, e foi justamente em um momento de grande saudade de Mílton, como vocês já sabem,  que ela escreveu seu maior hit autoral, “Outra vez”, gravado em 1977 por Roberto Carlos e lembrado até hoje. Pois o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados o segundo e último LP que Mílton Carlos lançou em vida (houve um terceiro, com gravações inéditas, lançado após sua morte, em 1978, e já postado aqui no TM). Trata-se de “Largo do Boticário”, de 1976, produzido com todo o aparato técnico e artístico que então caracterizava as produções fonográficas da RCA, hoje Sony Music.  Com a coordenação de Marcelo Duran, e produção, teclados e arranjos do sempre eficiente Sérgio Sá, Mílton Carlos apresenta um excelente repertório, a começar pela faixa-título e de abertura, que compôs em parceria com Artúlio Reis, e que segue a linha saudosista de “Memórias do Café Nice”, hit do disco anterior. Da parceria com a irmã Isolda, ele regrava “Elas por elas”, já sucesso com Roberto Carlos, e apresenta as então inéditas “Me mata”, “Último samba-canção”, “Uma valsa, por favor”, “Vexame” e “Um acalanto”, que encerra o disco. Há ainda composições do produtor do disco, Sérgio Sá, em parceria com o próprio Mílton (“Hora do jantar”) e Antônio Marcos (“Da janela”), e da dupla Edson Conceição e Aloísio (“Zé Biriba”), com direito a regravações dos clássicos “Dorinha, meu amor” (samba de José Francisco de Freitas) e “Alguém me disse” (bolero da profícua parceria Evaldo Gouveia-Jair Amorim).  Tudo isso num trabalho imperdível e histórico, onde poderemos conferir, mais uma vez, todo o talento e a musicalidade de Mílton Carlos, e lamentar que o tenhamos perdido de forma tão trágica e prematura. Enfim, coisas do destino…

largo do boticário

da janela

me mata

alguém me disse

hora do jantar

elas por elas

dorinha meu amor

último samba canção

uma valsa por favor

vexame

zé biriba

um acalanto

*Texto de Samuel Machado Filho

Luiz Eça & Jerzy Milewski Ensemble – Duas Suítes Instrumentais (1988)

Após os dois volumes de “Piano e cordas”, o TM tem a honra de oferecer a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um primoroso trabalho de Luiz Eça (1936-1992), músico, arranjador e compositor que deu extraordinárias contribuições para a nossa música. E desta vez ele está muitíssimo bem acompanhado, ao lado do violinista Jerzy Milewski, polonês de Varsóvia, nascido a 17 de setembro de 1946 e naturalizado brasileiro. Milewski começou sua carreira bem cedo, aos seis anos de idade. Graduou-se pela Academia de Música de Varsóvia, onde também fez um mestrado. Foi solista e membro da Orquestra de Câmara da Filarmônica Nacional da Polônia, com a qual tocou, na Europa, América e Ásia. Recebeu do governo polonês a Medalha Henryk Wienawski. Em 1968, conheceu, em sua Polônia natal, a pianista brasileira Aleida Schweitzer, com quem se casou, e ambos residem no Brasil desde 1971. Aqui gravou álbuns diversos interpretando composições de “cobras” da MPB, como Djavan e Mílton Nascimento. Também faz apresentações divulgando obras de compositores poloneses para o público brasileiro, sempre acompanhado ao piano pela esposa, com a qual forma o Milewski Duo. Além disso, faz “Concertos Didáticos” em escolas e universidades, mas também com crianças da mais tenra idade. Às vezes é solicitado para ser jurado em concursos internacionais, e seu currículo ainda inclui turnês pelo Canadá (1998-99) e Escandinávia (1999-2000). Este “Ensemble – Duas suítes instrumentais de Luiz Eça”, no qual o violino de Jerzy Milewski se une ao piano do notável músico brasileiro, é um ponto altíssimo na discografia de ambos. Produzido por Milewski, com a participação do baterista e percussionista  Robertinho Silva, e do contrabaixista Luiz Alves, e editado com o selo JAM, pertencente ao violinista, é um trabalho que contou com o patrocínio da Nestlé, empresa alimentícia de origem suíça, que se instalou no Brasil no início do século passado. O resultado não poderia ser outro: um LP de indiscutível qualidade técnica e artística, muitíssimo bem cuidado.  A parte gráfica também merece destaque, com a capa dupla repleta de informações sobre os intérpretes, os músicos acompanhantes e o álbum em si. É mais um trabalho primoroso que o TM orgulhosamente nos apresenta, digno de figurar no acervo de todos os que apreciam a melhor música instrumental do Brasil.

duro na queda

imagem

alegria de viver

sempre será

daniele07

lá vamos nós

tranquilamente

dolphin

três minutos para aviso importante

melancolia

mestre bimba

*Texto de Samuel Machado Filho

Radamés Gnatalli – Radamés E Sua Bossa Nova (1961)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Passado o Carnaval, vamos voltar a Bossa Nova, que como sempre dá muito ibope. Hoje eu trago para vocês um raro e quase obscuro disquinho de 7 polegadas, o famoso ‘compacto’. Um disco de 45 rpm (que o torna ainda mais raro) de bossa nova, do grande maestro e precursor do mais famoso gênero musical brasileiro. Esta pequena preciosidade me foi enviada pelo amigo Hélio Mauro, a quem eu muito agradeço a generosidade. Antes de postá-lo, procurei dar uma melhorada no som e no GTM vocês irão encontrar este compacto duplo com suas faixas replicadas, possibilitando assim a escolha entre duas versões de cada faixa.
Neste joinha, vamos encontrar, abrindo o lado A, “Cheiro de saudade”, de Djalma Ferreira e Luiz Antonio; “Chora tua tristeza”, de Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini; “Samba de uma nota só”, de Tom Jobim e Newton Mendonça e fechando, “Pior pra você”, samba de Evaldo Gouveia e Almeida Rego.
Como eu disse, este é um compacto bem obscuro, entre a produção fonográfica de Radamés. Procurei pelos quatro cantos da internet informações sobre ele e nada… Em nenhum dos mais importantes sites sobre o músico, sobre seus discos ou sobre a Bossa Nova… nenhuma referência, exceto as músicas que podem ser acessadas no Youtube. Faltou apenas perguntar para a minha fonte onde foi que ele conseguiu o compacto. Assim sendo, até mesmo a data de lançamento é uma dúvida. Considerando alguns diversos fatores, eu deduzi que o disco seja do início dos anos 60. Coloquei 1961 por ser uma data memorável (pelo menos para mim, foi quando eu nasci) e até que me provem o contrário. De resto, oque ainda nos falta são as informações artísticas, a ficha da gravação confirmando a presença do Chiquinho do Acordeon, Luciano Perrone… Confiram já no Grupo Toque Musical 😉

cheiro de saudade
chora tua tristeza
samba de uma nota só
pior pra você
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Luiz Eça – Piano E Cordas Vol.2 (1970)

Em 1965, o notável músico e arranjador Luiz Eça (1936-1992), o Luizinho, lançou uma autêntica obra-prima, já oferecida a vocês pelo TM, “Luiz Eça & cordas”. Possivelmente, muitos que gostaram desse trabalho, de alto nível técnico e artístico, estavam esperando que o mesmo tivesse uma continuação. Pois é justamente  “Piano e cordas – volume 2”, lançado em 1970 pela mesma Philips, agora com o selo Elenco, que hoje oferecemos, com a satisfação e o orgulho de sempre, a nossos amigos cultos, ocultos e associados. Com a sempre eficiente produção de outro grande músico brasileiro, o capixaba Roberto Menescal, e arranjos a cargo do próprio Luiz Eça, este trabalho mantém a qualidade técnica e artística do primeiro volume, oferecendo treze faixas em autêntica roupagem de gala, com o piano de Luizinho e o notável reforço de uma orquestra de cordas. Três faixas são assinadas por ele mesmo: “Três minutos para um aviso importante” (com Novelli), “Daulphine” (sem parceiro) e “Oferenda” (que fez junto com a esposa Lenita, e foi defendida por Cynara e Cybele no Festival Internacional da Canção – FIC – de 1967). No restante do programa, temos hits do porte de “Preciso aprender a ser só”, dos irmãos Valle, “Pra dizer adeus”, de Edu Lobo e Torquato Neto, “Minha namorada”, clássico da parceria Carlos Lyra-Vinícius de Moraes, “Depois da queda”, assinada pelo próprio produtor desse disco, Roberto Menescal, e que foi inclusive tema da novela “Véu de noiva”, da TV Globo (o álbum com a trilha sonora já foi postado aqui no TM), “Duas contas”, inesquecível clássico do multi-instrumentista Garoto, a sempre lembrada “Travessia”, com a qual Mílton Nascimento despontou para a MPB, “Wave”, um dos trabalhos mais lembrados de outro mestre, Tom Jobim, e ainda duas composições de Dori Caymmi, “O homem entre o mar e a terra” e “Nosso homem em Três Pontas” (possivelmente uma homenagem a Mílton Nascimento).  Tudo com o alto padrão técnico de gravação que sempre caracterizou as produções fonográficas da Philips, fazendo este “Piano e cordas – volume 2”, a exemplo do primeiro, um trabalho digno de merecer mais esta postagem de nosso TM, para alegria e deleite de todos aqueles que apreciam o que é bom! Ótimas músicas, arranjos primorosos… Que mais se pode querer?

pra dizer adeus
três minutos para um aviso importante
daulphine
minha namorada
travessia
o homem entre o mar e a terra
wave
minha
nosso homem em três pontas
preciso aprender a ser só
depois da queda
duas contas
oferenda

*Texto de Samuel Machado Filho

Carnaval 76 – Convocação Geral Vol. 2 (1975)

Na sequencia carnavalesca temos então o segundo volume do projeto Carnaval 76 – Convocação Geral. Aqui também encontramos muita coisa boa, com destaque para Sérgio Sampaio, com a música “Cantor de rádio”, que viria no ano seguinte a fazer parte do seu lp “Sinceramente”. Tem Maria Alcina com “Paixão malagueta”, sucesso de vários carnavais, Alceu Valença no frevo “Pitomba pitombeira”. Moraes Moreira também vem de frevo na música “Satisfação”. Na contracapa podemos ver ainda a presença de veteranos com Jorge Veiga e Angela Maria. Tom e Dito também dão o recado na marchinha “Me larga, me solta, me deixa”. E ainda, Os Tincoãs e o maluco Osvaldo Nunes. É bom também lembrar do grande Waltel Branco, responsável pelos arranjos. Em resumo, um disco muito bom, com artistas de diferentes gravadoras. Puro espírito de carnaval.

paixão malagueta – maria alcina
a choradeira – oswaldo nunes
fazendo tudo – trama
quebra quebra guabiraba – os tincoãs
pitomba pitombeira – alceu valença
a roupa do gonça – jorge veiga
prenda minha no carnaval – angela maria
me larga me solta me deixa – tom e dito
satisfação – moraes moreira
cantor de rádio – sérgio sampaio
carnaval bloco do amor – renata lu

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Carnaval 76 – Convocação Geral Vol. 1 (1975)

Boa tarde, amigos foliões, cultos e ocultos! Embora espaçadas as nossas postagens, eu não poderia deixar ficar em branco nossa festa maior, o Carnaval. Para não dizerem que eu não falei de flores, segue aqui alguns buquês. Vamos fazer aqui uma convocação geral e em duas chamadas 🙂
Trago hoje o volume 1 do Carnaval 76, Convocação Geral. Este lp já se tornou um clássico, pois traz em seu conteúdo uma série de marchinhas carnavalescas nas vozes de um variado leque de artistas. Ao contrário de tantas outras coletâneas dessa espécie, esta tem algo de original, pois apresenta gravações únicas, feitas exclusivamente para este projeto da gravadora Som Livre, que começou no ano anterior, quando então lançaram o Carnaval 75 – Convocação Geral, em álbum duplo (disco este já postado aqui). Muitos desses fonogramas são encontrados apenas nesses discos, o que os torna raros. Para o ano de 76 a gravadora decidiu desmembrar o álbum duplo em dois volumes. No primeiro, que postamos hoje temos 12 músicas, sendo quase todas sucessos memoráveis. Vale muito a pena ouvir esses discos, pois eles só costuma aparecer uma vez por ano 😉

a filha da chiquita bacana – caetano veloso
mangueira minha alegria – elza soares
prá lá de bagdá – fevers
carimbó no carnaval – jorge goulard
verde e branco – sonia santos
a tartaruga – blackout
kojak – nelson gonçalves
é nessa onda – conjunto nosso samba
quem for mulher que me siga – quarteto em cy
mexa-se – djalma dias
feliz de quem pode sambar – luiz ayrão
saudade poluída – cesar costa filho
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Breno Sauer Quarteto – 4 Na Bossa (1966)

Hoje o TM põe em foco um dos mais criativos instrumentistas da época de ouro da bossa nova, que, apesar de ter feito grande sucesso no Brasil, hoje está totalmente esquecido : Breno Sauer.  Ele nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 1930 (ou 1935, não há certeza). Tanto seu pai como seus três irmãos também eram músicos. Ele começou tocando acordeom em um grupo regional, acompanhando calouros no rádio, também composto de violão, flauta, cavaquinho e pandeiro. Influenciado pelo quinteto de Art Van Damme, montou um grupo com a mesma formação, ou seja, guitarra elétrica, baixo, vibrafone, acordeom e bateria. Mais tarde, o próprio Breno passou a ser o vibrafonista. Com essa formação, grava seu primeiro LP  em 1959, “Viva o samba”. Um ano depois, lança “Viva a música”, com repertório essencialmente de bailes, tocando até mesmo o tema erudito “Pour Elise”, de Beethoven.  Em 1961, Breno Sauer transfere-se para Curitiba e forma um grupo para se apresentar em boates. De lá, vai para o eixo Rio-são Paulo, onde então estavam as melhores oportunidades de trabalho e desenvolvimento profissional. Grava mais quatro álbuns no Brasil até 1966, e, no ano seguinte, parte para uma turnê no México, já com seu grupo convertido em quarteto. Breno morou lá por um bom tempo, inclusive gravando, em terras mexicanas, um excelente LP com Leny Andrade. Em 1974, transfere-se para Chicago, nos Estados Unidos, e forma um grupo com músicos de diferentes nacionalidades residentes na América (brasileiro, japonês, cubano e norte-americano).  A base era: trompete, sax, piano, baixo, bateria, percussão e voz (no caso, a da esposa de Breno Sauer, Neusa). A princípio, o grupo se chamava Made in Brazil, mas como já havia um conjunto de rock com esse nome, este foi mudado para Som Brasil. Em 1983, o conjunto gravou o álbum “Tudo joia”, muito bem recebido pela crítica. Não se sabe se o grupo ainda está na ativa. Pois hoje o TM oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados o quinto LP gravado por Breno Sauer no Brasil, quando seu grupo era um quarteto. Trata-se de “Quatro na bossa”, lançado em 1965 pela Musidisc de Nilo Sérgio, em que Breno está ao vibrafone, acompanhado pelo pianista Adão, o baixista Ernê e o baterista Portinho. Nele, um repertório que mescla standards da bossa nova (“Você”, “Sonho de Maria”, Sambossa”, “Estamos aí”, “O amor em paz”) e do blues (“My many shely”, “Blues for mother”) com direito até mesmo ao clássico “Terra seca”, do mestre Ary Barroso, em produção bem cuidada. Portanto, o TM oferece a vocês uma rara oportunidade de se conferir o talento e a musicalidade de Breno Sauer e, quem sabe, tirar seu nome do injusto esquecimento a que foi relegado.  É ouvir e conferir…

você

essa é nossa

blues for mother

estamos aí

olhou pra mim

sonho de maria

sambossa

amanhã

my many shely

baiãozinho

amor em paz

terra seca

 

*Texto de Samuel Machado Filho

Luiz Eça & Cordas (1965)

Hoje, o TM põe em foco mais um nome importantíssimo de nossa música popular, atuando como pianista, compositor, músico e arranjador. Estamos falando de Luiz Mainzi da Cunha Eça, ou simplesmente Luiz Eça, como ficou para a posteridade. Ou ainda Luizinho, como era chamado carinhosamente pelos amigos. Embora nascido no Rio de Janeiro, em 3 de abril de 1936, Luiz Eça era descendente do escritor português Eça de Queiroz, e foi tão importante para a música, tanto popular quanto erudita, quanto seu ilustre antepassado para a literatura. Seu primeiro contato com a música deu-se aos quatro anos de idade, quando ganhou de presente um pianinho de brinquedo.  A sua primeira professora foi a pianista russa Zina Stern, amiga de seus pais, que lhe ensinou durante quatro anos as técnicas de piano das escolas francesas e russas. Aos catorze anos, após um período de muita brincadeira e pouca música, voltou aos estudos sistemáticos, e apresentou seu primeiro recital, no Conservatório Brasileiro de Música, e também fez seu primeiro baile, no Clube Caiçaras, na Lagoa. Nessa época, início dos anos 1950, ocasião em que estudava no Colégio Mallet Soares, em Copacabana, passa a ter aulas de piano com aquela que ele próprio considerava sua grande mestra, Madame Petrus Verdier. Em 1951-52 atuou na lendária Rádio Nacional, junto com Garoto, o mago das cordas, com quem inclusive participou de algumas rodas de choro no sítio que ele possuía em Areal, RJ. Aos 17 anos, em 1953, passa a atuar como pianista na boate do Hotel Vogue, autêntico reduto da “high society” carioca, onde tinha grande trânsito com os estrangeiros que lá se hospedavam, por falar fluentemente inglês, francês e espanhol (com essa idade, Luiz só podia tocar na noite com permissão judicial).  Um ano mais tarde, ingressa no conjunto do acordeonista Sivuca, que seria seu amigo para o resto da vida e, depois, forma o Trio Penumbra, com Candinho ao violão e Jambeiro ao contrabaixo, que fazia apresentações na Rádio Mayrink Veiga.  Em 1955, como pianista do Trio Plaza, integrado ainda por Ed Lincoln no contrabaixo e Paulo Ney na guitarra, Luiz Eça faz sua estreia fonográfica, quando a etiqueta Rádio lança o LP “Uma noite no Plaza”. Depois desse álbum, Luiz Eça ganhou uma bolsa de estudos do então presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira, para estudar em Viena, capital da Áustria, onde teve aulas, entre outros grandes professores, com o pianista e compositor Friederich Guida. De volta ao Brasil, em 1962, Luizinho forma um dos mais importantes conjuntos da bossa nova: o Tamba Trio, ao lado do contrabaixista Bebeto e do baterista Hélcio Milito, sendo os três também vocalistas. O Tamba Trio foi, inclusive, o primeiro a fazer “pocket-shows” no Bottle’s Bar, que ficava no lendário Beco das Garrafas, catedral da bossa nova no Rio de Janeiro, e ainda fez excursões pela América do Norte e pela Europa.  Luiz Eça acompanhou e fez arranjos para muitos dos mais importantes nomes da MPB a seu tempo, como Maysa, Nara Leão, Carlos Lyra, Sylvia Telles, Edu Lobo, Mílton Nascimento, Flora Purim, Joyce Moreno, João Bosco, Luiz Gonzaga  e Nana Caymmi, entre tantos outros. Foi ainda professor de jovens músicos e atuou como pianista na casa noturna Chiko’s Bar, onde também gravou um disco ao vivo com um de seus maiores amigos, o pianista de jazz norte-americano Bill Evans, em 1979. Luiz Eça faleceu em 25 de maio de 1992, em seu Rio de Janeiro natal, aos  56 anos, de infarto fulminante, deixando, como se vê, um extenso currículo de serviços prestados à música brasileira. Dele, o TM oferece, orgulhosamente, a seus amigos cultos, ocultos e associados, o álbum que é talvez sua maior obra-prima. Trata-se de “Luiz Eça & cordas”, lançado em  1965 pela Philips. Produzido pelo próprio Luizinho, que, claro, está também ao piano, este disco contém primorosos arranjos (dele próprio, naturalmente)  para composições suas e de outros grandes nomes da bossa nova, como Edu Lobo, Baden Powell, Robereto Menescal e Durval Ferreira. Obras como “A morte de um deus de sal”, “Chegança”, “Primavera” e “Tristeza de nós dois” ganham roupagem de gala, com grande orquestra de cordas e participação do contrabaixista Bebeto, seu companheiro de Tamba Trio, do violonista Neco e do baterista Ohanna.  A contracapa do disco reproduz, inclusive, um entusiasmado telegrama de parabéns do então diretor artístico da Philips, Armando Pittigliani. Tudo isso faz de “Luiz Eça & cordas” um trabalho de qualidade inquestionável, merecedor, por todos os títulos, de mais esta postagem do nosso TM.É só conferir…

morte de um deus de sal

imagem

canção da terra

tristeza de nós dois

velho pescador

canção do encontro

chegança

primavera

consolação

saudade

quase um deus

amando

*Texto de Samuel Machado Filho

Momento Quatro – Momento 4uatro (1968)

Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Hoje a resenha ‘fonomusical’ é minha. Trago, enfim, para as nossas ‘fileiras’ um lp que há tempos eu venho querendo postar. Vamos no embalo do Momento Quatro, um quarteto vocal que surgiu nos anos 60, junto aos festivais. Ganhou forma a partir do III Festival da TV Record, em 1967, acompanhando Edu Lobo e Marília Medalha na apresentação da festejada e memorável ‘Ponteio’. O Momento Quatro era formado por Zé Rodrix, Ricardo Villas, Maurício Maestro e David Tygel, figuras que após a efêmera existência do ‘M4’, seguiriam se destacando em outro importantes projetos. Zé Rodrix iria para o Som Imaginário, formaria um trio com Sá e Guarabyra, depois seguia em carreira solo. Ricardo Villas (antes Ricardo Sá) chegou a ser preso por conta da ditadura, se exilou na França e formou dupla com a cantora Teca Calazans. Maurício Maestro e David Tygel também se destacaram formando com Claudio Nucci e Zé Renato o conjunto vocal Boca Livre.
O Momento Quatro gravou apenas este lp, que hoje é um disco raro, afinal (e que eu saiba) nunca chegou a ser relançado. Tendo total liberdade de criação, o álbum ‘Momento 4uatro’ foi produzido ao gosto do quarteto, que nos apresenta um repertório fino, tanto autoral quanto de outros grandes nomes como Gilberto Gil, Milton Nascimento, Marcos Valle, Edú Lobo e mais… basta ver nos créditos da contracapa. Orquestrações de Rogério Duprat e arranjos vocais de Maurício Maestro. Um trabalho muito bacana que merece o nosso toque musical. Confiram lá no GTM 😉

passa ontem
três pontas
festa
dos caminhos longoestranhos até chegar junto dela
no brilho da faca
classe dominante
ele falava nisso todo dia
de luzia, ana e maria
irmão de fé
veleiro
proton elétron e neutron
litoral

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Moacir Santos – The Maestro (1974)

“Tu que não és um só, és tantos, como o meu Brasil de todos os santos, inclusive meu São Sebastião”. Assim o Poetinha Vinícius de Moraes, em seu “Samba da bênção”, com melodia de Baden Powell, homenageou um dos principais arranjadores, multi-instrumentistas e compositores brasileiros, aquele que renovou a linguagem da harmonia no país. É Moacir Santos, que o TM põe hoje em foco.  Foi na cidade de Flores, no sertão pernambucano, que Moacir Santos veio ao mundo, no dia 26 de julho de 1926. Começou a tocar clarinete aos onze anos, e iniciou sua carreira tocando em bandas de música. Foi para o Recife ainda adolescente e, em seguida, excursionou com um circo pelo interior de Pernambuco. Nos anos 1940, trabalhou na Bahia, Ceará e Paraíba, e aprendeu a tocar saxofone. Em 1948, junta-se à Orquestra Tabajara de Severino Araújo e muda-se para o Rio de Janeiro, sendo logo contratado pela lendária Rádio Nacional. Conhecido por seu virtuosismo, ainda dominava o piano, o trompete, o banjo, o violão e a bateria. Por dois anos, Moacir residiu em São Paulo, onde foi regente da orquestra da antiga TV Record, voltando em seguida para o Rio. Foi lá que, em 1965, gravou seu primeiro LP, “Coisas de Moacir Santos”, pela marca Forma, que pertencia a Roberto Quartin. Suas composições mais conhecidas são “Nanã (Coisa número 5)”, de parceria com Mário Telles, irmão da cantora Sylvia Telles, “Se você disser que sim” (que fez com o Poetinha Vinícius), “Menino travesso’ e “Triste de quem”.  Foi assistente do compositor alemão Hans Joachin Kollreuter e professor de importantes nomes da MPB, tais como Baden Powell, Paulo Moura, João Donato, Nara Leão, Roberto Menescal e Sérgio Mendes. Em 1967, Moacir Santos transfere-se para Los Angeles, EUA, pois fora convidado para a estreia mundial do filme “Amor no Pacífico”, de cuja trilha sonora foi responsável (também compôs para filmes do cinema novo brasileiro, como “Ganga Zumba”, “Os fuzis”, “O beijo” e “Seara vermelha”). Nos EUA, Moacir lançou quatro álbuns autorais (inclusive o que o TM nos traz hoje) e continuou compondo para o cinema, além de ministrar aulas de música e vir esporadicamente ao Brasil, onde recebeu inúmeras homenagens, como o Prêmio Shell de Música, com o qual foi agraciado em 2006. Em 2005, foi lançado pela Biscoito Fino o álbum “Choros & alegria”, com várias composições do início da carreira de Moacir, nunca antes gravadas.  Moacir Santos faleceria um ano mais tarde (6 de agosto de 2006), em Pasadena, Califórnia, onde residia. “The maestro”, o álbum de Moacir Santos que o TM orgulhosamente oferece a seus amigos ocultos, ocultos e associados, é o primeiro que ele fez nos EUA. Lançado em 1972 pela Blue Note, verdadeira referência em matéria de jazz, só chegou ao Brasil dois anos mais tarde, através da extinta Copacabana Discos, que representava o selo, então coligado da United Artists, e hoje com seus produtos mundialmente distribuídos pela Warner. Gravado em Los Angeles, nos estúdios da A&M Records, e remixado em Nova York, é um trabalho excepcional, com oito faixas, todas de autoria do próprio Moacir Santos, sozinho ou com parceiros. Logo no início, ele revive sua “Coisa número 5”, o afro-samba “Nanã”, como já frisado, um de seus mais conhecidos trabalhos autorais. Ele mesmo participa como vocalista em cinco faixas, sendo que em duas ele divide os vocais com Sheila Wilkinson, e assina quase todos os arranjos, a exceção de “Nanã”, que ficou a cargo de Reggie Andrews, também produtor deste trabalho. Por sinal, impecável do início ao fim, com o padrão técnico e de qualidade que até hoje caracteriza as produções fonográficas da Blue Note. Ouvindo-o, constata-se que, realmente, Moacir Santos não era um só: eram muitos, em uma só pessoa!

nanã (coisa n.5)

bluishmen

sou eu (luanne)

lamento astral (astral whine)

mãe iracema

kermis

april child (maracatu, nação do amor)

the mirror’s mirror

*Texto de Samuel Machado Filho

Claudia – Reza, Tambor E Raca (1977)

O Toque Musical põe hoje em foco uma das mais expressivas cantoras brasileiras. Estamos falando de Maria das Graças Rallo, que adotou inicialmente o nome artístico de Cláudia, e, por questões numerológicas, passou a se assinar Claudya. Ela veio ao mundo no dia 10 de maio de 1948, na cidade do Rio de Janeiro. Entretanto, foi criada em Juiz de Fora, Minas Gerais, onde também começou a cantar, aos oito anos de idade, participando de um programa de calouros da Rádio Sociedade.  Aos treze anos, atuou como “crooner” do conjunto Meia-Noite, que atuava em bailes e festas de Juiz de Fora e cidades vizinhas. Sua carreira profissional  se inicia nos anos 1960, em São Paulo, quando participa do programa “O fino da bossa”, da antiga TV Record. Entretanto, sua apresentadora, Elis Regina, a baniu definitivamente da atração, pois Claudia foi considerada, logo de saída, uma intérprete tão boa quanto Elis, que evidentemente temia sofrer concorrência. Claudia gravou seu primeiro disco em 1965, na RGE, um compacto simples com as músicas “Deixa o morro cantar”, de Tito Madi, e “Sorri”, de Zé Kéti e Elton Medeiros. Logo no primeiro ano de carreira, foi agraciada com o Troféu Roquette Pinto de cantora-revelação e, em 1967, lançou seu primeiro LP, também pela RGE.  Mais tarde, viajou para o Japão, onde se apresentou ao lado do saxofonista Sadao Watanabe, ficando seis meses naquele  país, e lançando um LP em japonês que vendeu mais de 200 mil cópias! De volta ao Brasil, em 1969, venceu o I Festival Fluminense da Canção, defendendo a música “Razão de paz para não cantar” , de Eduardo Lages e Alézio de Barros, que também concorreu no quarto FIC (Festival Internacional da Canção), obtendo a quarta colocação e dando à nossa Claudia o prêmio de melhor intérprete.  Ela também foi marcante presença em diversos festivais de música no exterior (Japão, Espanha, Grécia, México, Venezuela…), tornando-se a cantora mais premiada fora do Brasil. E, aqui mesmo, recebeu ainda os troféus Imprensa e Globo de Ouro. Claudia tem, em sua discografia, mais de 20 álbuns, entre LPs e CDs, e alguns compactos, e entre seus principais sucessos, destacamos: “Jesus Cristo” (cuja gravação chegou a vender tanto ou mais que a do próprio Roberto Carlos!), “Com mais de trinta”, “Só que deram zero pro Bedeu”, “Deixa eu dizer” (sampleada por Marcelo D2 na música “Desabafo”), “Mudei de ideia”, “Memória livre de Leila” (homenagem póstuma à atriz Leila Diniz, morta em acidente aéreo, composta por Taiguara) e “Gosto de ser como sou”.  O grande momento da carreira de nossa Claudia viria em 1982, ao ser convidada para fazer o papel principal na versão brasileira do musical “Evita”, de autoria dos britânicos Andrew Lloyd Weber e Tim Rice. Grande sucesso de público e crítica, “Evita” permaneceu seis meses em cartaz em São Paulo, e quase dois anos no Rio de Janeiro, e Claudia ainda foi considerada a que melhor interpretou o mito político argentino entre todas as adaptações internacionais do espetáculo. Claudia (ou Claudya) é ainda, desde os 23 anos de idade, exímia tecladista, e sua filha, Graziela Medori, também segue carreira de cantora. Da extensa e bastante expressiva discografia da então Claudia, o TM oferece hoje, a seus amigos, ocultos e associados, o sexto álbum de estúdio da intérprete. É “Reza, tambor e raça”, editado no início de 1977 pela RCA Victor, depois BMG, Sony/BMG e atualmente Sony Music.  Com direção de estúdio do experiente Osmar Navarro, e arranjos e regências a cargo dos competentíssimos José Paulo Soares, Pepe Ávila e Bauru, é um trabalho muitíssimo bem cuidado, técnica e artisticamente. Nele, Claudia dá um banho de interpretação e técnica vocal, seja em regravações de hits da ocasião (“Soy latino-americano”, “O cavaleiro e os moinhos”, “Apenas um rapaz latino-americano”, “Glorioso Santo Antônio”), quanto em trabalhos até então inéditos , como a própria faixa-título, “Reza, tambor e raça”, “Poeta do medo”, “Pororoca” e ‘Ana cor de cana”. E a curiosidade deste trabalho fica por conta da releitura do tema da série de TV norte-americana “Peter Gunn”, sucesso de audiência nos anos 1950/60, composto por Henry Mancini, que ganhou letra em português com o título de “Vai, baby” e acordes brasileiríssimos de samba! Enfim, um excelente trabalho da agora Claudya, cuja voz permanece atualíssima e vibrante. E ela continua aí, na ativa, para alegria de tantos quanto apreciem o que nossa música popular tem de melhor e mais expressivo!

reza, tambor e raça

soy latino americano

glorioso santo antonio

poeta do medo

pororoca

lua negra

apenas um rapaz latino americano

o cavaleiro dos moinhos

vai baby (peter gunn)

segunda feira

homem e mulher

ana cor de cana

*Texto de Samuel Machado Filho

Mario Albanese – Jequibáu na Broadway (1967)

Boa tarde, meus prezados amigos cultos e ocultos! Aqui estou eu, cada dia mais sumido, porém, ainda não completamente perdido. Graças ao amigo e colaborador Samuca, vamos aos trancos e barrancos mantendo acesa a chama do Toque Musical. Hoje quem traz a postagem sou eu mesmo, mas o Samuel continua no baralho e até mais atuante em suas resenhas (para a nossa felicidade).
Tenho hoje para vocês uma boa raridade, Mário Albanese e seu álbum ‘Jequibau na Broadway’, disco lançado em 1967 pelo selo Chantecler. Foi o seu segundo lp pela gravadora e que muitos consideram como sendo uma continuação de ‘Jequibáu’, uma obra prima, a qual Mário Albanese dividiu os créditos com o maestro Ciro Pereira. No presente lp temos um repertório de composições próprias de Mário e Ciro no ritmo do Jequibáu, somado a outros temas famosos e internacionais muito bem arranjados. Um trabalho de padrão internacional. Não deixem de conferir…
Numa próxima oportunidade postaremos também aqui o ‘Jequibáu’, uma joia brasileira premiada, que até hoje não recebeu por parte de nós brasileiros a sua merecida atenção. Aguardem, pois a resenha vai ser do Samuca, quer dizer, super completa 😉

zambo
un homme et une femme
o caminho das estrelas
days of wine and roses
longe de você
maré alta
fim de semana em guarujá
the shadow of your smile
certa vez
não posso esquecer

.

Dick Farney – As Duas Maneiras De Dick Farney (1972)

Um dos precursores da bossa nova, e, por tabela, integrado à mesma, Dick Farney (Farnésio Dutra e Silva, Rio de Janeiro, 14/11/1921-São Paulo, 4/8/1987) tem vários de seus álbuns postados aqui no TM, e já foi devidamente focalizado no Grand Record Brazil. É lembrado e cultuado até hoje, e com justiça, por todos que apreciam o importantíssimo legado que deixou como cantor e pianista, aplaudido tanto no Brasil quanto no exterior. Hoje, o TM apresenta a seus amigos cultos, ocultos e associados, mais um disco do notável Dick. Com o título “As duas maneiras de Dick Farney”, o álbum é uma coletânea organizada por Maurício Quadrio, e lançada em 1972 pela Philips/Phonogram, futura Universal Music, com o selo Fontana.  É dividido em duas partes distintas: na primeira, “Dick na Broadway”, são apresentadas as gravações que ele fez nos EUA com a orquestra do maestro Paul Baron, em 1954, perfazendo um total de oito faixas, que chegaram ao Brasil em discos de 78 rpm pela antiga Sinter. Os clássicos “Copacabana”, de Braguinha e Alberto Ribeiro, e “Marina”, de Dorival Caymmi, ganham aqui versões bilíngues, com letras em inglês de Jack Lawrence. No restante do programa, seis standards do repertório popular norte-americano, entre eles “How soon”, “For once in your life” e “Tenderly”(que ele próprio registrou pela primeira vez em 1946, lá mesmo nos EUA). A segunda parte deste álbum é denominada “Dick em Ipanema”, e engloba seis faixas que ele registrou em território brasileiro, todas pela Elenco, gravadora criada por Aloysio de Oliveira, cujos trabalhos fonográficos (lançou 60 LPs em quatro anos de atividades) eram extremamente bem produzidos, alguns deles tornando-se até clássicos. Três faixas são do álbum que Dick Farney gravou em 1964, sem título, entre elas um sucesso absoluto na época: “Você” (“Manhã de todo meu”), da vitoriosa parceria Roberto Menescal-Ronaldo Bôscoli, inesquecível dueto de Farney com Norma Bengell, atriz, cineasta e cantora e hoje, com justiça, um dos clássicos da bossa nova. Desse disco de 64 também são as faixas “Inútil paisagem”, e “One for my baby” . As três faixas restantes são de um outro LP, de 1966, denominado “Dick Farney: piano – Orquestra: Gaya”, e são apenas instrumentais, na qual Farney demonstra todo seu virtuosismo de pianista, acompanhado pela orquestra do já veterano maestro Lindolfo Gaya: “Fotografia”, “Valsa de uma cidade” e “And roses.. and roses”, que na verdade é “Das rosas”, de Dorival Caymmi, que ganhou esse título ao receber letra em inglês de Ray Gilbert, gravada por Andy Williams. Enfim, está é mais uma oportunidade que o TM oferece de apreciar um pouco do extraordinário trabalho do inesquecível Dick Farney. Para baixar e ouvir com todo o carinho…
*Texto de Samuel Machado Filho

Luiz Carlos Vinhas – O Som Psicodelico De LCV (1968)

Após apresentar o álbum “Os reis do ritmo”, com o conjunto Bossa 3, formado e dirigido pelo pianista Luiz Carlos Vinhas (1940-2001), o TM tem a grata satisfação de oferecer a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um trabalho com a marca deste notável músico, e considerado até mesmo sua obra-prima: trata-se de “O som psicodélico de Luiz Carlos Vinhas”, seu segundo disco individual (o primeiro foi “Novas estruturas”, em 1964), elaboradíssima produção de Hélcio Milito, então baterista do Tamba Trio, para a CBS, futura Sony Music, e preciosíssimo legado do “ano que não terminou”, 1968. Tendo em seu currículo participações em discos de grandes nomes da MPB, tipo Elis Regina, Quarteto em Cy, Jorge Ben Jor e Maria Bethânia, Luiz Carlos Vinhas iniciou-se na música ainda cedo, quando seu pai lhe deu um violão de presente, e em 1957 já estava nas composições da bossa nova carioca. Ele se supera neste trabalho, riquíssimo em elementos e experimentos, mesclando psicodelia e toques de música brasileira, com cantos folclóricos, caboclos e umbandistas. Abrindo o disco, a instrumental “Amazonas”, de João Donato, que impressiona o ouvinte logo de saída. Vinhas sempre foi experimental, e conhecia bem a cultura brasileira, o que se reflete em trabalhos autorais como “Tanganica”, “Zizê baiô”  e “Ye-melê” (títulos que remetem à cultura afro), esta última um lindo canto para Iemanjá, na mesma época também gravada por Elis Regina e mais tarde êxito mundial com Sérgio Mendes. Outro destaque é “Um jour Christine”, de Bruno Ferreira, uma canção melancólica porém com linda melodia vocal e percussão bem simples ao fundo. A partir da sexta faixa, Vinhas nos oferece fantásticas regravações de sucessos nacionais e internacionais, como “Arrasta a sandália”, “Chatanooga choo-choo”, “Tributo a Martin Luther King”, “Rosa morena”, “Morena boca de outro” e “Can’t take my eyes of you”. Tudo terminando, e muitíssimo bem, com “O diálogo”, uma parceria de Vinhas com Chico “Fim-de-Noite” Feitosa, que também fizeram juntos “Ye-melê” e “Zizê baiô”. Em suma, um trabalho primoroso, de alta qualidade técnica e artística, que o TM orgulhosamente nos oferece. Confiram…

amazonas

tanganica

yê-melê

zizé-melê

un jour christine

song to my father

chatanooga choo-choo

pourquoi

birthday morning

o diálogo

*Texto de Samuel Machado Filho

Marcos Valle (1970) REPOST

Um dos cobras da MPB, Marcos Valle já teve inúmeros álbuns postados aqui no TM, inclusive este, que agora volta como ‘repost, o quinto por ele gravado no Brasil, e lançado pela Odeon’, em 1970. Marcos Kostenbader Valle, seu nome na pia batismal, veio ao mundo em 14 de setembro de 1943, na cidade do Rio de Janeiro. Iniciou seus estudos de piano clássico aos seis anos de idade e formou-se em piano e teoria musical em 1956. Considerado um dos integrantes da segunda fase da bossa nova, Marcos iniciou sua carreira artística em 1961, participando de um trio do qual também faziam parte Edu Lobo e Dori Caymmi.  É quando também começa a compor, formando parceria com o irmão, Paulo Sérgio Valle. A primeira composição da dupla, “Sonho de Maria”, chegou ao público em 1963, interpretada pelo Tamba Trio. Um ano mais tarde, Marcos Valle grava seu primeiro LP-solo, “Samba demais”, alternando composições próprias com trabalhos de outros autores.  Entre os muitos sucessos compostos pelos irmãos Valle, destacamos: “Samba de verão”, “Preciso aprender a ser só”, “Terra de ninguém” (que Marcos apresentou com Elis Regina no show “Bossa no Paramount”, em 1965), “Viola enluarada”, “Black is beautiful”, “Com mais de trinta”, “Mustang cor de sangue”, “Um novo tempo” (aquela que todo fim-de-ano toca na programação da TV Globo, “Hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou”…), “Pelas ruas do Recife”, “Remédio pro coração”, etc. Seu respeitável currículo também inclui jingles publicitários, temas para novelas globais como “Pigmalião 70”, “Assim na terra como no céu”, “Carinhoso” e “Os ossos do barão”, e a trilha sonora do infantil “Vila Sésamo”, também da Globo, que tantas saudades deixou em quem foi criança nos anos 70. Compôs ainda a trilha completa do documentário “O fabuloso Fittipaldi” (1973), sobre a trajetória do célebre piloto de Fórmula-1 Emerson Fittipaldi. No setor publicitário, foi sócio da Aquarius Produções Artísticas, junto com o irmão Paulo Sérgio e o jornalista Nélson Motta. Em 1965, Marcos Valle esteve pela primeira vez nos EUA, onde atuou por sete meses no conjunto Brasil 65, de Sérgio Mendes. Retornou algumas vezes a esse país, e, farto da censura do regime militar, e enfrentando problemas psicológicos que afetavam sua voz, ali residiu entre 1975 e 1980, trabalhando com gente do porte de Andy Williams, Sarah Vaughan, Airto Moreira e o grupo de pop-rock Chicago. Fortemente influenciado pela “disco music”, então na moda, Marcos foi se aproximando  de músicos negros e do universo do rhythm and blues e do boogie-funk. Por volta de 1978, iniciou parceria com Leon Ware, colaborador frequente de Marvin Gaye. E, em 1980, Marcos volta definitivamente ao Brasil, já então em época de abertura política. Surgem, então, novos sucessos, como  “Bicho no cio”, “Velhos surfistas querendo voar”, “A Paraíba não é Chicago”, “Estrelar” e “Bicicleta”. Enfim, uma longa e vitoriosa trajetória com mais de 25 álbuns gravados, tanto no Brasil quanto nos EUA, além do DVD “Bossa entre amigos”, junto com Wanda Sá e Roberto Menescal, lançado em 2011. O álbum de Marcos Valle que o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados, de 1970, é um de seus melhores trabalhos. Curiosamente, na capa do disco, ele aparece deitado em uma cama, com o quarto arrumado, e, na contracapa, o mesmo quarto (na verdade o da irmã, Ângela Valle, na casa de seus pais) está vazio e desarrumado, com roupas femininas espalhadas pelo chão.  O álbum tem as credenciais de Mílton Miranda na direção de produção, com assistência de Mariozinho Rocha, direção musical do maestro Lírio Panicalli e arranjos e regências a cargo de dois outros “cobras”, Leonardo Bruno e Orlando Silveira. Evidentemente, é um trabalho autoral, com todas as faixas compostas pelo próprio Marcos Valle, sozinho ou com parceiros como Novelli e o irmão Paulo Sérgio. Destaque para dois temas que compôs para novelas da Globo, “Quarentão simpático” (de “Assim na terra como no céu”) e “Pigmalião 70” (do folhetim de mesmo nome) e para as faixas “Dez leis (Is that law)”, “Esperando o Messias”, esta com a participação dos sempre afinadíssimos Golden Boys, e a provocadora “Ele e ela”, na qual Marcos e a irmã Ângela insinuam uma relação sexual! “Os grilos” aparece duas vezes, na versão que foi gravada para este álbum, e na original, editada em compacto simples em 1967, como faixa-bônus. É mais um trabalho de Marcos Valle que o TM tem muito orgulho em oferecer a vocês que tanto apreciam nossa música popular, no que ela tem de melhor!
quarentão simpático
ele e ela
dez leis
pigmaleão
que eu canse e descanse
esperando o messias
freio aerodinâmico
os grilos
suite imaginária
os grilos (versão single 67)

*Texto de Samuel Machado Filho

Bossa 3 – Os Reis Do Ritmo (1966)

O TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum de música instrumental brasileira da melhor qualidade, com o conjunto Bossa 3, que os estudiosos consideram o primeiro grupo instrumental da bossa nova. O Bossa 3 foi criado no início dos anos 1960 pelo pianista e compositor Luiz Carlos Vinhas (Rio de Janeiro, 19/5/1940-idem, 22/8/2001), e, em sua primeira formação, estavam ainda o contrabaixista Tião Neto e o baterista Edison Machado. As primeiras apresentações do trio aconteceram nas boates do Beco das Garrafas, em Copacabana, acompanhando os bailarinos Lennie Dale, Joe Benett e Martha Botelho. Com eles, viajaram aos EUA para se apresentar no “Ed Sullivan Show”, então um dos programas de maior audiência da televisão norte-americana. Após gravarem três álbuns e realizarem uma série de apresentações em clubes de jazz novaiorquinos, Luiz Carlos Vinhas foi o único que resolveu  voltar para o Brasil. Aqui chegando, reorganizou o Bossa 3, agora com Octávio Bailly Júnior no contrabaixo e Ronie Mesquita na bateria. A nova formação gravou mais cinco álbuns, sendo um deles com Pery Ribeiro e outros dois com o mesmo intérprete, mais Leny Andrade, sob o nome de Gemini V. Após realizar uma turnê no México, da qual resultou um LP ao vivo, o Bossa 3 se dissolveu, e só voltaria à cena em 2000, para tocar com a cantora Wanda Sá, e desta vez com o baterista João Cortez e o contrabaixista Tião Neto. Foi a última formação do grupo, desfeito definitivamente com a morte de Luiz Carlos Vinhas, em 2001, aos 61 anos, de parada cárdio-respiratória. “Os reis do ritmo”, que o TM nos oferece hoje,  foi lançado pela Odeon em 1966, com o Bossa 3 já reformulado, isto é, com o baterista Ronnie Mesquita e o contrabaixista Octávio Bailly Júnior, acompanhando Luiz Carlos Vinhas, pianista e fundador do grupo. Sob a batuta de Mílton Miranda na direção de produção, e do maestro Lírio Panicalli na direção musical, e com excelentes arranjos do próprio Vinhas, o Bossa 3 está em plena forma, num repertório que mistura sambas clássicos (“Não me diga adeus”,  “Exaltação à Mangueira”), standards da bossa nova (“Onde anda o meu amor?”, “Até o sol raiar”, “Coisa mais linda”,  “Samba de verão”, “Balanço Zona Sul”, “Silk stop”) e trabalhos autorais do próprio Vinhas (“É”, “Le Bateau”, “Recado ao pé do berço”), que na última faixa, “Cartaz”, da parceria Roberto Menescal-Ronaldo Bôscoli (este também escreveu o texto de contracapa do disco) chega até mesmo a cantar! Tudo isso em um trabalho primoroso, com o invejável padrão técnico que a Odeon então imprimia às suas produções discográficas. É só ouvir e confirmar!  E mais:brevemente estaremos apresentando mais um álbum de Luiz Carlos Vinhas. Aguardem…

onde anda o meu amor
até o sol raiar
não me diga adeus
coisa mais linda
e
samba de verão
le bateau
silk stop
exaltação a magueira
balanço zona sul
recado ao pé do berço
cartaz

*Texto de Samuel Machado Filho

Vários – Transa Musical Sandsom (1975)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! O TM hoje oferece um álbum-coletânea  raro, e ainda por cima duplo! É o tipo de coisa que, creio eu, pouquíssima gente tem, uma vez que foi produzido em 1975 pela CBS, hoje Sony Music, especialmente para a empresa Sands Exportação, que vendia seus produtos apenas e tão-somente por mala direta (correio), promovendo-os através de catálogos e anúncios em revistas. Quer dizer, um título que não chegou às lojas de discos. Com o nome de “Transa musical Sandsom”, este raro e precioso álbum duplo é um autêntico desfile de sucessos ditos “jovens” da época, interpretados por alguns dos principais artistas que a CBS então mantinha sob contrato, vários deles remanescentes da Jovem Guarda e que, mesmo com o fim do movimento, continuaram marcando presença nas chamadas “paradas de sucesso” e nas rádios AM de cunho popular. Por certo muita gente que viveu na metade dos anos 1970 vai se lembrar de grande parte das músicas que um certo Edson Paulo Cleto selecionou para integrar este LP duplo. Para cada intérprete, foram reservadas duas faixas, sendo uma em cada LP, salvo uma ou outra exceção. Também merece destaque a parte gráfica, realmente impecável, com fotos dos artistas participantes do disco recheando a capa dupla. Roberto Carlos, o “rei” que nunca perde a majestade, aqui comparece com faixas de seu álbum de 1973, ambas compostas por ele em parceria com seu eterno “amigo de fé” Erasmo: “Proposta” (sucesso eterno, realmente um clássico!), escolhida para abrir este LP duplo,  e “Palavras”. Jerry Adriani, outro remanescente das “jovens tardes de domingo”, vem com “Uma vida inteira” e “Não feche os olhos”, ambas também de 1973. Leno, já separado de Lilian, com quem formara uma dupla de sucesso durante a Jovem Guarda, canta apenas uma faixa, porém bastante expressiva: “A festa dos seus quinze anos”, de autoria de Ed Wilson, faixa-título e de abertura  de seu segundo LP-solo, editado em 1969, lembrada até hoje por muitos. Nalva Aguiar, que mais tarde abrigou-se entre os intérpretes sertanejos, aqui comparece com a versão “Quero que volte (Magic woman touch)”, gravação de 1973. O organista Lafayette, cuja sonoridade marcou época na Jovem Guarda, aqui executa, em registros de 1974, “No more troubles”, então sucesso do cantor marroquino Sharif Dean, e “Tema para um samba”, esta só gravada pelo Lafayette mesmo. Baiano de Salvador, e ainda hoje em atividade, José Roberto bate ponto neste LP duplo com as faixas “Lágrimas nos olhos” (grande sucesso em 1973, composto por nada mais nada menos que Raul Seixas) e “Desculpas” (1974). Cantor e compositor bastante expressivo, o mineiro (de Belo Horizonte) Márcio Greyck interpreta aqui duas músicas românticas de sucesso, até hoje lembradas: “Impossível acreditar que perdi você” (sua e do irmão Cobel, de 1970, inclusive regravada por outros artistas) e a versão “O mais importante é o verdadeiro amor (Tanta vogila di lei)”, de 1972. Outras duas faixas foram reservadas para Diana, cantora de expressivo êxito junto às camadas mais populares: a versão “Por que brigamos? (I am… I said)”, hit também de 1972, regravada até por duplas sertanejas, cujo refrão (“Ó meu amado, por que brigamos?”) é cantarolado até hoje por muitos, e “Amor só se paga com amor”, de 1973. Conhecido como “o reizinho da Jovem Guarda”, por ter sido apadrinhado por Roberto Carlos, Oscar Teixeira, ou, como ficou para a posteridade, Ed Carlos, aqui comparece com “Meu aniversário”, de 1974, e a versão “A menina que passa (Conmigo en algun lugar)”, de 1973. Renato e seus Blue Caps, grupo de rock considerado a cara da Jovem Guarda, aqui interpretam “Eu quero dançar contigo (Dancing on a saturday night)” e a romântica e sensível “Eu não aceito o teu adeus”, sucessos em 1974. Cláudio Roberto, outro intérprete de sucesso junto às camadas populares nos anos 70, aqui interpreta duas composições de Cláudio Fontana: “Como é que eu posso ser feliz sem você?” (1971) e “Separados” (1975), esta originalmente lançada por Nélson Ned na Copacabana, em 1973, e que encerra o álbum duplo. O recifense Luiz Carlos Magno entrou com “Ave Maria pro nosso amor” (com direito até a declamação da Ave Maria!), de 1972, e “Sonho de menina”, de 1974. A curiosidade fica por conta do grupo Os Selvagens, interpretando “Eu e você”, versão de Rossini Pinto para “Me and you”, lançada no original por Dave MacLean, um daqueles brasileiros que cantavam e até compunham em inglês. Ídolo eterno e inesquecível, o recifense Reginaldo Rossi vem aqui com uma verdadeira pérola de seu repertório, ainda hoje muito lembrada: “Mon amour, meu bem, ma femme”, composta por Cleide de Lima, e lançada em 1972 com enorme sucesso. Enfim, um raro LP duplo que certamente proporcionará momentos de agradável reminiscência para quem viveu nessa primeira metade dos anos 1970, e desfrutável também para os que só chegaram depois dessa época. Deliciem-se…

proposta – roberto carlos
uma vida inteira – jerry adriani
festa dos seus quinze anos – leno
quero que volte – nalva aguiar
no more troubles – lafayette
lágrimas nos olhos – josé roberto
impossível acreditar que perdi você – marcio greyck
porque brigamos – diana
meu aniversário – ed carlos
eu quero dançar contigo – renato e seus blue caps
como é que eu posso ser feliz sem você – claudio roberto
ave maria pro nosso amor – luiz carlos magno
palavras – roberto carlos
desculpas – josé roberto
amor só se paga com amor – diana
tema para um samba – lafayette
eu e você – os selvagens
sonho de menina – luiz carlos magno
eu não aceito o teu adeus – renato e seus blue caps
não feche os olhos – jerry aderiani
o mais importante é o verdadeiro amor – marcio greyck
a menina que passa – ed carlos
mon amour meu bem ma femme – reginaldo rossi
separados – caludio roberto

*Texto de Samuel Machado Filho

Radamés Gnattali E Rafael Rabello – Tributo A Garoto (1982)

O TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados um disco que reúne dois grandes instrumentistas: o pianista e também maestro e compositor Radamés Gnattali (Porto Alegre, RS, 27/1/1906-Rio de Janeiro, 3/2/1988), e o violonista Rafael Rabello (Petrópolis, RJ, 31/10/1962-Rio de Janeiro, 27/4/1995). O álbum é um tributo-homenagem a outro grande instrumentista e compositor brasileiro, verdadeiro mago das cordas: Aníbal Augusto Sardinha, ou como ficou para a posteridade, Garoto (São Paulo, 28/6/1915-Rio de Janeiro, 3/5/1955). Produzido pela Funarte e gravado nos estúdios da Sonoviso, em 1982, o disco faz parte do Projeto Almirante, uma das inúmeras iniciativas da entidade, hoje vinculada ao Ministério da Cultura, objetivando divulgar e preservar nossa melhor música popular. Este trabalho teve a produção artística de um verdadeiro “craque” na matéria, Hermínio Bello de Carvalho, ficando a produção executiva a cargo de Cláudio Guimarães, e as transcrições das obras incluídas neste disco pelo mestre Radamés. Este trabalho, como vocês verão, é primoroso e muitíssimo bem cuidado, tanto técnica quanto artisticamente. Cuidado esse que também se verificou na parte gráfica, que inclui um encarte repleto de informações sobre o homenageado, os músicos-intérpretes, as músicas incluídas e até mesmo um bate-papo informal entre Radamés, Rafael e o mestre Tom Jobim. São seis faixas, cinco delas compostas por Garoto, incluindo dois clássicos, “Duas contas” e “Gente humilde” (esta só revelada ao público na década de 1970, ao receber letra de Vinícius de Moraes e Chico Buarque). Na sexta e última faixa, temos o “Concertino para violão e piano” (1953), de autoria do mestre Radamés, versão reduzida do “Concertino n.o 2 para piano e orquestra”, composto em 1948 especialmente para Garoto, que o apresentou cinco anos mais tarde no Teatro Municipal do Rio, ficando a regência da orquestra por conta do maestro Eleazar de Carvalho. Como bem afirma Cláudio Guimarães no encarte, “Garoto e Jacob do Bandolim, que tanto prestigiaram Radamés Gnattali, se orgulhariam ao conhecer o jovem Rafael Rabello”. Por uma triste coincidência, tanto Rafael quanto Garoto faleceram prematuramente. Mas este “Tributo a Garoto” ficou para a posteridade como um dos mais expressivos trabalhos discográficos de Rafael Rabello, notável violonista, contando com a honrosa companhia, ao piano, de outro grande mestre, Radamés Gnattali. É o que os amigos cultos, ocultos e associados do TM poderão constatar.

desvairada
gente humilde
enigmático
nosso choro1919
duas contas
concertinho para violão e piano

*Texto de Samuel Machado Filho

Ricardo Silveira – Bom De Tocar (1984)

Violonista, guitarrista e compositor de primeira linha, aplaudido no Brasil e no exterior. Assim é Ricardo Rodrigues Parente Silveira, ou, como ficaria para a posteridade, Ricardo Silveira. Nascido no Rio de Janeiro, a 25 de outubro de 1956, Ricardo cresceu ouvindo bossa nova, samba e marchinhas carnavalescas.  Suas primeiras influências foram os violonistas Baden Powell e João Gilberto. Mais tarde, interessou-se por Jimi Hendrix, e recebeu influências de Wes Montgomery e George Benson. Terminado o segundo grau, Ricardo deixou o Brasil e foi para os EUA, onde estudou por dois anos na Berklee College of Music, de Boston. Após morar durante anos em Nova York, onde tocou com Herbie Mann, Ricardo voltou ao Brasil para se aprofundar na música instrumental, logo se tornando um dos mais requisitados músicos de estúdio no país. Gravou e fez shows acompanhando nomes de prestígio da MPB, como Elis Regina, Hermeto Paschoal, Gilberto Gil, Maria Bethânia, João Bosco, Ivan Lins, Nana Caymmi, Vinícius Cantuária e Mílton Nascimento.  Ele inclusive é o autor do arranjo da música “Portal da cor”, que fez em parceria com Mílton.  Assim Ricardo Silveira define seu trabalho: “Eu toco dentro do ponto de vista de um músico brasileiro. Há elementos de funk e jazz, mas não gosto de dizer que toco fusion.  Eu sou um músico que gosta de diferentes formas de música, e me sinto bem explorando esses diferentes mundos musicais”. A carreira internacional de Ricardo Silveira deslanchou nos EUA quando ele assinou contrato com o selo Verve Forecast, da Polygram, hoje Universal Music. Tem mais de dez álbuns em sua discografia, e, entre uma gravação e outra, excursiona com sua banda, nos EUA e no Brasil. Já formou trio com Alfonso Johnson (ex-Weather Report) eWalfredo Reyes Jr.  (ex-Santana) e participou da turnê “Brasil Project”, com o gaitista belga Toots Thielemans. Atualmente, faz parte do grupo Latin American All Stars, junto com o peruano Alex Acuña, o colombiano Jsto Almario e o mexicano Abraham Laboriel. E é justamente o começo de tudo isso, o pontapé inicial da longa e vitoriosa  carreira de Ricardo Silveira como guitarrista-solo, que o Toque Musical orgulhosamente apresenta a seus amigos cultos, ocultos e associados: “Bom de tocar”, seu primeiríssimo álbum-solo, editado pela Polygram (selo Fontana) no ano da graça de 1984. Produzido por ele próprio juntamente com Luiz Carlos, o Lelé, o disco traz nove faixas marcantes, inclusive a que lhe dá o título. E ele vem muito bem acompanhado, com gente do quilate de Jamil Joanes (baixo), Chacal (percussão), Léo Gandelmann (saxofone) e Márcio Montarroyos (mais conhecido como trompetista, aqui atuando nos teclados, juntamente com Serjão e Serginho Trombone). Tudo isso com o elevado padrão técnico que sempre caracterizou os trabalhos discográficos da antiga Polygram. Ouvindo este “Bom de tocar”, entende-se por que o álbum foi (e ainda é) considerado  um marco na história da música instrumental brasileira.

bom de tocar

pica-pau I

xamba

maricy17

dois irmãos

rock

espaços

55

raizes

*Texto de Samuel Machado Filho

Lô Borges (1972)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Após mais de mil publicações a gente começa a esquecer o que já, ou não, foi postado por aqui. Para a minha surpresa, verifico que este segundo e emblemático disco do Lô Borges ainda não havia passado por aqui. E olha que não foi por falta de oportunidade. Mas, por alguma razão, acabou passando batido. Hoje, meio que na base dos discos ‘de gaveta’, enquanto espero as resenhas do Samuca, vou tomando a frente e finalmente postando o ‘álbum do tênis’. Este lp, originalmente foi lançado em capa sanduíche e trazia esta contracapa com a foto do adolescente Lô Borges sentado num caixote lendo jornal. Depois, na segunda edição, em capa comum, tiraram o cara do caixote e o colocaram numa cadeira, em foto preto e branco e dessa vez trazendo também as letras. 1972 foi para o artista um ano prolixo, que estreava naquele ano com dois discos, este do tênis e o Clube da Esquina, ao lado de Milton Nascimento. Dois álbuns básicos, clássicos da música popular brasileira. Para não dizer que não falei de flores… segue aqui e no GTM, finalmente 😉

você fica melhor assim
canção postal
o caçador
homem da rua
não foi nada
pensa você
fio da navalha
prá onde vai você
calibre
faça seu jogo
não se apague esta noite
aos barões
como o machado
eu estou com você
toda essa água
.