Coral Do Maranhão – As Mais Belas Canções (1963)

Hoje o TM oferece a seus amigos cultos e ocultos mais um ótimo álbum de música erudita produzido no Brasil. É “As mais belas canções”, com o Coral do Maranhão, lançado de forma independente (o disco não traz o ano de gravação, mas parece ser de 1963, um ano após a criação do grupo). Regido por Bruno Wyzuj, polonês radicado no Brasil, sobre o qual se dispõe apenas das informações constantes da contracapa, o coral é afinadíssimo, e apresenta um repertório selecionado de 13 peças eruditas, compostas pelos melhores autores, inclusive Brahms (“Taublein Weiss”, “In stiller nacht”) e o nosso Heitor Villa-Lobos (“Estrela é lua nova”, “Xangô”). Curiosamente, um dos tenores do coral, Murilo, era membro da família Sarney, de larga tradição na política maranhense! Detalhe à parte, o disco (ao que parece o único gravado pelo Coral do Maranhão) é de ótima qualidade, sendo por isso merecedor da postagem de nosso Toque Musical.

au joly jeu
el grillo
canzona napoletana
madona per voi ardo
je ne fus jamais si ayse
the silver swan
so ben mi cha bon tempo
ave maria
estrêla é lua nova
xangô
meninas vamos ao vira
lonesome valley
taublein weiss
in stiller nacht

*Texto de Samuel Machado Filho

USA Click… (1974)

Boa tarde, meu queridos amigos cultos e ocultos! Aqui temos mais um exemplar de coletâneas internacionais, na qual a editora Beverly fez uma bela salada mista, incluindo diferentes fonogramas. Destacando alguns hits da black music, do reggae e também grupos brasileiros Kris Kringle, Baby Joe e The Sweet Set. Ao que tudo indica, esta coletânea foi lançada inicialmente em 1971 e em 74 recebeu uma nova tiragem. Não deixem de conferir, muito legal 😉

double barrel – dave and ansil collins
funny funny – the sweet set
susie – kris kringle
(i could) conquer the world – baby joe
chicken lickin – okie duke
shocks of a mighty – upsetters
i’m sorry – bobby bland
the freedom under certain konditions marching band – raw spitt
black pearl – harace faith
we’re got to get ourselves together – bob and marcia
sal a faster – swamp dogg
you’re coming back – dandy

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Deixa Que Eu Empurro (1972)

Boa noite, amigos cultos e oculto! Em agosto vamos ao gosto da freguesia, procurando sempre variar. Hoje temos um disquinho curioso e como todos podem ver, uma coletânea internacional. Certamente, muitos aqui irão de se lembrar dos discos, lps e compactos, da Top Tape e seu selo One Way. Muita coisa bacana do cenário pop daquela época. E era uma época em que se faziam alguns ‘truques’ sem muitos problemas. No caso, me refiro ao uso e abuso da música estrangeira, quando até mesmo os músicos e artistas brasileiros faziam mais sucesso como gringos. Essa era a época sem muito controle, o que permitia a uma gravadora produzir discos com os mais variados fonogramas e também trabalhar com seus covers, o que era infinitamente mais barato. Daí, nasciam discos como este, bem produzidos, de capa dupla e laminada, com divertidos desenhos de Júlio Cesar. Reunia uma seleção de sucessos com artistas originais e covers, alguns tão perfeitos que a gente até achava que era o original. Vale a pena relembrar…
clair – spirit of freedom
where is the love – mike morton congregation
happier than the morning sun – b. j. thomas
baby let me take you – detroit emeralds
your life is gone – s. jerome
mouldy old dough – mike morton congregation
to be the one you love – mike morton congregation
mary had a little lamb – spirit of freedom
i wanna be a bird – dimensão 5
something new about you – silent majority
carmen brasilia – revolution system
burning love – mike morton congregation

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Lyrio Panicalli – E O Sucesso (1969)

Maestro, arranjador e pianista, além de compositor, LyrioPanicalli volta a bater ponto hoje aqui no TM. Ele veio ao mundo na cidade de Queluz, interior de São Paulo, em 26 de junho de 1906. Filho de imigrantes italianos, aos 12 anos transferiu-se para São Paulo, ingressando no Liceu Coração de Jesus e depois no Conservatório Dramático e Musical da cidade. Em 1922, já no Rio de Janeiro, estudou no Instituto Nacional de Música, e foi maestro e pianista da Companhia Negra de Revista. É quando conhece Lamartine Babo, e compõe com ele o fox “Saias curtas”. Por razões familiares, teve de voltar à Queluz natal, onde desenvolveu intensa atividade musical, organizando bandas e coros. Regressando à capital paulista, começou a trabalhar na Rádio São Paulo, desta passando, em 1938, para a lendária Nacional do Rio de Janeiro, onde participou do programa “Canção antiga”, de Almirante. Nesse ano, organizou uma orquestra melódica com seu nome, e desde então escreveu temas para diversas novelas da PRE-8, como as valsas “Encantamento”, “Magia” e “Ternura”. Em 1939, faz seu primeiro trabalho para o cinema: a trilha sonora do filme “Aves sem ninhos”, de Raul Roulien. Depois, faz o roteiro musical de inúmeros outros filmes, tais como “Moleque Tião” (1943), “A dupla do barulho” (1953) e “Nem Sansão, nem Dalila” (1954), os três da lendária Atlântida. Panicalli também foi um dos fundadores, em 1950, da gravadora Sinter (hoje Universal Music), onde foi diretor artístico e gravou seu primeiro LP, “Orquestra Melódica de LyrioPanicalli”. Idealizou com Paulo Roberto, na Rádio Nacional, o famoso programa “Lyra de Xopotó”, sobre bandas do interior do Brasil, de que resultou uma série de LPs com o mesmo título, alguns deles já postados aqui no TM. Foi ainda maestro contratado da Rádio MEC, também do Rio, e enriqueceu, com seus arranjos e regências, as gravações de vários cantores brasileiros, tais como Francisco Alves, Dalva de Oliveira, Sílvio Caldas, Orlando Silva, Cauby Peixoto, Tito Madi e Sérgio Murilo, às vezes usando o pseudônimo de Bob Rose. Com a popularização das telenovelas, nos anos 1960, escreveu trilhas sonoras para várias delas, trabalho esse resumido, em 1972, no disco “Panicalli e as novelas”. Faleceu em 29 de novembro de 1984, em Niterói, litoral fluminense, aos 78 anos de idade. Além dos discos da Lyra de Xopotó, o TM já postou outros trabalhos que tiveram o dedo do mestre LyrioPanicalli: “Cantigas de roda”, “Nova dimensão”, “Boleros” (regendo a Orquestra Violinos de Ouro) e “Panicalli italiano”. Agora trazemos, para desfrute de nossos amigos cultos e ocultos, um álbum que a Odeon, gravadora à qual o maestro esteve vinculado durante bastante tempo, lançou em 1969. Trata-se de “LyrioPanicalli e o sucesso”, gravado sob a direção de produção de Mílton Miranda. Aqui, ele investe na linha dançante, apresentando com sua orquestra doze sucessos nacionais e internacionais daquele ano, destacando-se “Eu disse adeus” (do repertório de Roberto Carlos), “Sugar sugar” (de um conjunto americano do “faz de conta”, The Archies), “F… commefemme’ (de Salvatore Adamo, tema da novela “Beto Rockfeller”, da extinta Tupi),  “I started a joke’ (dos Bee Gees, tema da mesma novela), “Cantiga por Luciana” (vencedora do FIC de 69, na voz de Evinha), “Aquarius” (da peça “Hair”), “Love isall” (também do FIC de 69, sucesso do britânico Malcolm Roberts) e “Evie” (que, na voz de Johnny Mathis, seria mais tarde prefixo do jornal “Hoje”, da Globo). Enfim, mais um álbum do mestre LyrioPanicalli que o TM oferece, verdadeiro e irresistível convite à dança. Que comece a festa…

i started  a joke
evie
stormy
cantiga para luciana
aquarius
daydream
eu disse
love is all
será será..
f… comme femme
goodbye
sugar sugar

*Texto de Samuel Machado Filho

O Melhor Do Millôr (1986)

Em sua postagem de hoje, o TM presta merecida homenagem àquele que foi um dos maiores humoristas brasileiros, de longa atividade na imprensa brasileira, tendo sido jornalista, escritor, desenhista, tradutor, escritor, poeta e dramaturgo. “Enfim, um escritor sem estilo”, como ele mesmo se apresentava. Trata-se de Millôr Viola Fernandes. Ele era do subúrbio do Méier, zona norte do Rio de Janeiro, e ali nasceu a 16 de agosto de 1923, filho do imigrante espanhol   Francisco Fernandes e da brasileira Maria Viola Fernandes. Entretanto, por descuido dos pais, só acabou registrado quase um ano depois, a 27 de maio de 1924, que passou a ser sua data oficial de vinda ao mundo, com o nome de Mílton Viola Fernandes (o nome Millôr teria se originado da letra garranchenta do escrivão!). Em 1925, ainda bebê, Millôr perdeu o pai, então com 36 anos de idade, e sua mãe passou a trabalhar como costureira, além de alugar parte do casarão em que a família morava (eram quatro filhos, incluindo Millôr). Em 1934, quando cursava o ensino básico, ele perdeu também a mãe, vítima de câncer. Os irmãos se separaram e Millôr, então com 10/11 anos de idade, foi morar com a avó num quarto no fundo do quintal da casa do tio materno, Francisco. Ainda em 34, estimulado pelo tio paterno, Antônio, enviou um desenho para “O Jornal”, matutino que pertencia aos Diários Associados. O trabalho é aceito e publicado, e ele recebeu um pagamento de dez mil-réis. Aos quinze anos, em 1938, conseguiu seu primeiro emprego fixo, como entregador de um remédio para os rins (!), mas ele durou pouco na função, logo se ocupou do trabalho que o acompanhou para o resto da vida. Ainda em 38, passou a trabalhar na revista “O Cruzeiro”, então a de maior circulação no Brasil, como paginador, contínuo e factótum. Em 1943, escreve a seção “Poste escrito”, para a revista “A Cigarra”, também dos Diários Associados e, dois anos depois, em “O Cruzeiro”, estreia a seção “O Pif-Paf”, sob o pseudônimo de Emanuel Vão Gogo, em parceria com o cartunista Péricles Maranhão, criador do Amigo da Onça. Em 1946, sai o seu primeiro livro, “Eva sem costela – Um livro em defesa do homem”, sob o pseudônimo de Adão Júnior, e depois viriam muitos outros, tais como “Tempo e contratempo” (como Emanuel Vão Gogo, 1949), “Lições de um ignorante” (1963), “Fábulas fabulosas” (1964), “Papaverum Millôr” (1967), “Trinta anos de mim mesmo” (1972, um apanhado de seus melhores trabalhos na imprensa), “Compozissõis imfãtis” (1975, aliás o título é esse mesmo), “O livro branco do humor” (idem ao anterior) e “Millôr definitivo – A Bíblia do caos” (1994). Em mais de 70 anos de carreira, Millôr ganhou fama por suas colunas de humor gráfico em publicações como “O Pasquim”, “Correio da Manhã”, “Tribuna da Impernsa” (que pertencia a seu irmão Hélio Fernandes), “Jornal do Brasil”, “Veja” e “Istoé”.  Em seus trabalhos costumava valer-se de expedientes como a ironia e a sátira para criticar o poder e as forças dominantes, sendo consequentemente  bastante confrontado com a censura. Escreveu também inúmeras peças teatrais, como “Um elefante no caos”, “Liberdade, liberdade”  (com Flávio Rangel), “É…” (talvez seu maior sucesso nessa área), “Os órfãos de Jânio” e “Computa, computador, computa”, além de ter traduzido outras 74, caso de “O prodígio do mundo ocidental” (John M. Synge), “Quem tem medo de Virgina Woolf?” (Edward Albee), “Pigmalião” (Bernard Shaw) e “Rei Lear” (Shakespeare). Outro fato marcante na vida de Millôr foi a invenção do frescobol, esporte que implementou junto com outros colegas na Praia de Ipanema, em 1958. No cinema, colaborou em três filmes dirigidos pelo argentino Carlos Hugo Christensen:  “Amor para três” (1960), “Crônica da cidade amada” (1965) e “O menino e o vento” (1967), e foi ainda corroteirista em “Modelo 19” (1950). Com a saúde fragilizada após sofrer um AVC, no começo de 2011, Millôr Fernandes  morreu no dia 27 de março de 2012, aos 88 anos de idade, deixando um vasto e expressivo legado para as futuras gerações. Dele também faz parte o álbum que hoje o TM possui a satisfação de oferecer hoje a seus amigos cultos e ocultos. É “O melhor do Millôr”, lançado em 1986 pela Continental (selo Phonodisc).  Sob a batuta do produtor Solano Ribeiro (notório pela organização de festivais de MPB para a televisão), e com a participação de Fernanda Montenegro,  Fernando Torres (marido de Fernanda), Luiz Carlos Miéli, Ruy Affonso (igualmente responsável pelo roteiro deste disco) e, claro, do próprio Millôr, o álbum é praticamente um resumo da trajetória dele como humorista e escritor. Temos aqui, por exemplo, uma de suas “Composições infantis”, “A água”, o conto “O abridor de latas” (“o primeiro escrito inteiramente em câmera lenta”, segundo definiu o próprio autor), o poeminha “Última vontade”, “Poesia matemática”, o “Decálogo do machão”, “Confúcio disse”… Enfim, uma obra-prima digna de ser desfrutada, que se constitui em diversão garantida e, ao mesmo tempo, uma merecida homenagem que o TM faz a este notório e inigualável humorista que foi Millôr Fernandes!




*Texto de Samuel Machado Filho

Caetano Veloso – Qualquer Coisa (1975)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Se é para começar agosto, que seja em bom tom, com boa música e mais que isso, homenageando um grande baiano, o genial Caetano Veloso, hoje, dia 7 de agosto, fazendo aniversário. Escolhi, para tanto, um de seus clássicos discos, o maravilhoso “Qualquer Coisa”, lp lançado no ano de 1975, mesmo anos em que foi lançado seu outro clássico, o “Jóia”. Segundo o próprio artista, “Qualquer Coisa” e “Jóia” seriam, inicialmente um único álbum, duplo. E a referência a isso está na contracapa onde podemos ler “A outra metade é Jóia”.
“Ia ser um álbum duplo, porque eu tinha muito material. Aí resolvi fazer dois discos, cada um com um título. O Jóia era a minha relação com o trabalho limpo, pequenas peças bem acabadas, com a liberdade de Araçá Azul. Não tem nem bateria no Jóia, um instrumento do qual eu não gostava. Cada faixa era uma jóia. Qualquer coisa era o vale tudo, bateria, confusão. O manifesto do Jóia e o manifesto do Qualquer Coisa, lidos juntos, tem um batimento engraçado. O Jóia foi o único que reouvi em CD. Soa tão bonito… Adoro o silêncio do CD. Gosto de Na Asa do Vento e em Minha Mulher é maravilhoso o relaxamento meu e de Gil ao violão, que não encontro em outra faixa de Jóia. Qualquer Coisa é que era relaxado. Gosto da faixa Qualquer Coisa, mas na gravação a canção ficou presa. O Roberto Carlos reclamou que eu não tinha dado pra ele Qualquer Coisa. Devia ter dado. Ia cantar tão lindo, tão profissional. É curioso. A letra mais abstrata do Brasil, cheia de referências, um título de filme de Rogério Sganzerla, todo mundo cantou. Qualquer Coisa vendeu muito mais que Jóia. Uma coisa assim de 60.000 contra 30.000.”

qualquer coisa
da maior importância
samba e amor
madrugada e amor
a tua presença morena
drume negrinha
jorge da capadócia
eleanor rigby
for no one
lady madonna
la flor de la canela
nicinha

 

Ronald Golias (1972)

Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Começamos mais uma jornada mensal. Agosto chega e a gente vai no embalo do mês anterior. Temos assim, para hoje, o ilustríssimo Ronald Golias, um dos grandes humoristas brasileiros marcando presença com este lp de 72, lançado pela Continental. Golias gravou vários discos, mas infelizmente, para o momento só disponho deste. Mas prometo que em breve farei aqui uma coletânea do melhor deste grande artista. Por hora ficamos com…

vida moderna
bartolomeu guimaraes
tragedinha
leão da metro
bronco socorro
piadinhas toim toim

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Black Joe – Barra Limpa 5 (1968)

E eis que o TM põe novamente na área o Black Joe! Já havíamos oferecido anteriormente a nossos amigos cultos e ocultos o segundo volume da série “Barra limpa”, em que ele era acompanhado pelo grupo The Gordons. Agora, oferecemos o número 5, também editado em 1968, com nosso Black Joe contando, desta vez, com o suporte instrumental dos Golden Medals. Todos os volumes de “Barra limpa” saíram pela obscura e efêmera marca Op-Disc. A exemplo do disco anterior, nada se sabe a respeito dos Golden Medals, nem mesmo quem foram os integrantes do grupo. E também não há informações disponíveis a respeito do Black Joe. Mas até que ele cantava muitíssimo bem… É o que poderemos constatar neste quinto (e ao que parece, último) volume de “Barra limpa”, reunindo doze sucessos nacionais e internacionais da música jovem de então. Os destaques ficam por conta de “San Francisco” (verdadeiro hino da geração hippie, originalmente gravado por Scott McKenzie), “Canzone per te” (vencedora, em 1968, do Festival de San Remo, na Itália, iniciando a carreira internacional de Roberto Carlos), “Pra nunca mais chorar” (balada com a qual a cantora Vanusa despontou para o estrelato), “Quem será?” (de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, então hit de Agnaldo Timóteo) , “Eu não sou ioiô” (criação de Wanderley Cardoso), “Eu sou aquele” (versão de uma música de origem espanhola, que teve diversas gravações) e “Quando a saudade apertar” (que estourou na voz de Paulo Sérgio). Com direito até mesmo a músicas então inéditas (“Vem, meu amor”, “Mundo de amor”, “O que será dos nossos corações”, “Eu não devia” e “Clarice desastrosa”). Tudo isso faz deste “Barra limpa 5” um interessante álbum para ouvir e dançar, além de documentar uma época em que podíamos cantar mais e melhor.  É só conferir.

mundo de amor
são francisco
pra nunca mais chorar
quem será
quando a saudade apertar
clarice desastrosa
que será dos nossos corações
eu sou aquele
eu não sou iô-iô
eu não devia
canzone per te
vem meu amor

*Texto de Samuel Machado Filho

Toque Musical – 11 Anos!

Boa noite, amigos cultos e ocultos! E hoje e mais uma vez estamos fazendo aniversário. Hoje, dia 30 de julho, o Toque Musical completa 11 anos de existência. Parabéns para nós! Conseguimos ser mais resistentes e teimosos que nossos próprios visitantes. Já não temos mais o pique da postagem diária, bem porque os tempos são outros e só mesmo os muito amigos continuam nos seguindo. Parabéns para todos nós, então! Aproveito o ensejo para agradecer aos meus grandes colaboradores, Edu Pampani, Fáres Darwiche e o Samuca (Samuel Machado Filho). Obrigado também a tantos outros amigos cultos que vez por outra também marcam presença, incentivando o nosso toque musical. Vamos seguindo enquanto existir o sonho, a vontade e o prazer de compartilhar tudo aquilo que se escuta com outros olhos 🙂

Augusto TM

O Vocal Brasileiro – Box (1982)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Para fechar com chave de ouro o nosso mês de aniversário, eu hoje ofereço a vocês esse belíssimo box lançado pela Polygram no início dos anos 80. Como se pode ver pela capa, trata-se de uma seleção dedicada a música vocal brasileira. Para tanto, a gravadora nos preparou quatro lps, cada qual com um tema: A Brasilerice, A Arte…A Técnica, Os Cantos de Amor e A Graça e o Humor. Cada tema reúne uma seleção característica, de acordo com os artistas e músicas, todos do selo Philips. É, sem dúvida, um estojo fino trazendo somente o melhor dos grupos vocais brasileiros. Confiram já essa belezura 🙂

A Brasileirice:
tão doce que é sal – os cariocas
querelas do brasil quarteto em cy
toada (na direção do dia) – boca livre
palhaços e reis – mpb-4
a morte de um deus de sal – o quarteto
o barquinho/salve o verde – quarteto em cy
samba do avião – os cariocas
candeias – mpb-4
tem mais samba – quarteto em cy
bumba meu boi da boa hora – boca livre
no cordão da saideira – mpb-4
Os Cantos de Amor:
mistérios – boca livre
vivo sonhando – os cariocas
amor amor – quarteto em cy e mpb-4
maria das dores – mpb-4
preciso aprender a ser só – os cariocas
luciana – céu da boca
não posso me esquecer do adeus – quarteto em cy
oba-lá-lá – quarteto em cy
correnteza – boca livre
amor até o fim – os cariocas
vingança/nunca – quarteto em cy
esses moços/três apitos – mpb-4
pra que mentir/clarissa – céu da boca
só quis você – os cariocas
Arte… A técnica:
odeon – céu da boca
o amor em paz – os cariocas
lamento – mpb-4
abandonado – quarteto em cy
tema para quatro – os cariocas
noites cariocas
quarteto em cy e mpb-4
bicicleta – boca livre
fuga – quarteto em cy empb-4
corcovado/insensatez – o quarteto
desafinado/tema em fuga – os cariocas
canto triste – mpb-4
o samba da minha terra – os cariocas
melancolia – céu da boca
A Graça O Humor
samba do criolo doido – quarteto em cy
injuriado – céu da boca
devagar com a louça – os cariocas
foi-se o que era doce – mpb-4
love love love – quarteto em cy
uva de caminhão – céu da boca
tim tim por tim tim – os cariocas
neném – boca livre
de frente pro crime – mpb-4
o circo – quarteto em cy
telefone – os cariocas
nossa dança – boca livre
bola ou bulica – mpb-4

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Isabel Mourão – Danças Brasileiras (1978)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Marcando presença, hoje temos um disco do selo Marcus Pereira. Certamente, trata-se de um disco já bem divulgado em outras praças, mas aqui também ele encontra a sua vez. Entre tantas pérolas musicais registradas por Marcus Pereira, temos aqui um trabalho dos mais importantes, lançado em 1978, reunindo temas tradicionais da dança brasileira. Músicas de diferentes autores como Francisco Viana, Francisco Mignone, Francisco Braga, Guerra Peixe, Lorenzo Fernandez, Ernani Braga, Villa Lobos, Camargo Guarnieri, Claudio Santoro, Marlos Nobre e Alberto Nepomuceno. Um time, realmente dos melhores. Para este trabalho foi escolhida com intérprete das obras a renomada pianista Isabel Mourão, um nome que infelizmente, como muitos outros, passa despercebido para a grande maioria. Isabel Mourão foi considerada uma da últimas damas do piano brasileiro. Uma artista das mais conceituadas e premiadas da música erudita. Foi a primeira pianista no mundo a gravar as 66 peças “Lyric Pieces”, de E. Grieg. Nascida em São Paulo, em 1922. Faleceu aos 84 anos, em São João Del Rey, Minas.

corta jaca – frutuoso viana
maxixando – francisco mignone
congada – francisco mignone
os lundus da marquesa – francisco braga
baião – osvaldo lacerda
cateretê – guerra peixe
jongo -lorenzo fernandez
tango brasileiro – ernani braga
miudinho – villa lobos
dança negra – camargo guarnieri
paulistana n. 2 – claudio santoro
capoeira e coco I – marlos nobre
brasileira – alberto nepomuceno

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Nivaldo Ornelas – Colheita Do Trigo (1990)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Dentro da nossa programação diária, neste mês de aniversário, eu hoje tenho o prazer de apresentar o disco de um grande instrumentista brasileiro, o flautista e saxofonista Nivaldo Ornelas. Um nome bem conhecido no meio musical, estando presente em discos dos mais diferentes artistas, seja como instrumentista, produtor ou arranjador. Iniciou sua carreira em Belo Horizonte, cidade onde nasceu, no começo dos anos 60. No final dessa década se mudou para o Rio de Janeiro onde veio a participar do lendário grupo Som Imaginário. Colheita do Trigo é mais um de seus discos lançado em 1990. Um álbum bem bacana com temas quase todos autorais. Um time de músicos e convidados de primeiríssima. Disco muito bom, que agora marca presença aqui no nosso Toque Musical.

colheita do trigo
sentimentos não revelados
nova lima inglesa
sorriso de criança
rock novo
adeus a infância
cello romanceado
13 de outubro

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Tadeu Franco – Alma Animal (1989)

Uma das maiores revelações da MPB na década de 1980, Tadeu Franco volta a bater ponto aqui no TM. Recebendo na pia batismal o nome de Geraldo Tadeu Pereira Franca, ele nasceu na cidade mineira de Itaobim, no Vale do Jequitinhonha, em19 de agosto de 1957, filho de Didico de Sousa Franca e Esmeraldina Rodrigues Franca, ambos funcionários dos Correios e Telégrafos. Aos cinco anos de idade, Tadeu muda-se para Teófilo Otoni, onde permanece até 1978. É lá que ele começa sua carreira, cantando em aniversários de amigos, sob protestos do pai, que o considera muito moço para tais apresentações.  Aos dez anos, ganha um acordeom de presente, mas prefere o violão, que o acompanha até hoje. Nos programas de calouros da rádio de Teófilo Otoni, a ZXY7, encanta o auditório com seu precoce romantismo e, nas serenatas noturnas, interpreta músicas de Chico Buarque, Caetano Veloso, Edu Lobo, Geraldo Vandré e Gonzaguinha. Ao mudar-se para Belo Horizonte, trabalhou como vendedor , mas foi cantando na noite que conheceu Mílton Nascimento. Com ele, mais Simone, Tadeu Franco grava, em 1982, a música “Comunhão”, faixa do álbum “Ânima” (o videoclipe da música, veiculado no “Fantástico”, da TV Globo, é considerado um dos mais belos da história do programa). Atuou no projeto “Fim de Tarde”, da Sala Humberto Mauro, do Palácio das Artes, e viajou no “Expresso melodia”, da Rádio Inconfidência. Apresenta-se também em shows por todo o país, cantando em praças públicas, circos, showmícios, favelas, teatros, ginásios, cinemas, casas paroquiais, feiras agropecuárias… Em 1984, vem seu primeiro álbum-solo, “Cativante”, já oferecido a vocês pelo nosso TM, devidamente produzido pelo mestre Mílton Nascimento, com arranjos de outras “feras”, Wagner Tiso e Túlio Mourão. Depois, vieram “Alma animal” (1990) – que o TM nos traz hoje – e “Orlando” (1995), uma homenagem ao cantor Orlando Silva, apresentando dezesseis de suas músicas mais conhecidas. Recebeu, na Câmara Municipal de Belo Horizonte, o título de Cidadão Honorário, e a Comenda Rômulo Paes, de Mérito Artístico. Casado com Solange Vieira de Faria Franca, com quem tem uma filha, Laura. É torcedor do Cruzeiro. “Alma animal”, que o TM hoje oferece a seus amigos cultos e ocultos, é o segundo álbum de Tadeu Franco, produção independente lançada em 1990. É um trabalho que foi bastante elogiado pela crítica especializada, e é dedicado a Mílton Nascimento (como não poderia deixar de ser), Dona Esmeraldina e Carlos “Pavão” Ernesto. São dez faixas, quase todas de sua autoria com parceiros do porte de Beto Guedes, Sérgio Santos e Heraldo do Monte, além da “Lira IV”, de Tomás Antônio Gonzaga, que Tadeu musicou. Enfim, é mais um trabalho de primeira qualidade que o TM nos apresenta, comprovando o talento e a sensibilidade de Tadeu Franco.

alma animal
as estações do amor
no desafio do mar
meu tamanho
mudança de tempo
dona julia
lira iv
a paixão é sempre passageira
esperando a feijoada
bonito

*Texto de Samuel Machado Filho

Izio Gross & Grupo – Isto É Bossa (1999)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Em nosso sortido balaio temos sempre de tudo um pouco. Hoje, para variar ainda mais nossas postagens eu trago um trabalho de primeiríssima com o pianista Izio Gross, uma saudação e homenagem a dois grandes bateristas brasileiros, Edson Machado e Dom Um Romão. Esta é na verdade uma versão em cd que reúne dois momento de Izio Gross, um ao lado de Edson Machado em gravações de seu disco de 1964. E anos mais tarde em gravações com Dom Um Romão, pouco antes de vir a falecer. O cd saiu como uma homenagem póstuma e ainda hoje se pode comprá-lo por aí. Muito bom 🙂

just a moment
fleur blanche
fire fly
na moita
noche de ronda
cartão de visita
mau mau
murmúrio
menina feia
palahçada
dançando e balançando
samba perroquet
a certain smile
samba triste
mulher de trinta

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Tukley – Raul Seixas Cover (1992)

Cantor, compositor e guitarrista, nascido em 1953, Tukley (pseudônimo de TuclayGanzert) já é conhecido dos amigos cultos e ocultos do TM, que já foram brindados com seu primeiro LP-solo, de 1980. Sua carreira começou na década de 1970, quando apresentou, na TV Paraná, Canal 6, de Curitiba, então pertencente à extinta Rede Tupi, o programa “Ponto 6”. Em 1974, é contratado pela gravadoraRGE-Fermata como integrante da Dupla Ponto e Vírgula, que alcança sucesso com as músicas “Chacrilongo” (mistura de chato, cri-cri e pernilongo) e “Laika nós laika (Mas money que é goodnóis não have)”, sendo que esta última serviu de inspiração para os Mamonas Assassinas nos anos 90 (não por acaso, o álbum que hoje oferecemos tem a co-produção de Rick Bonadio, o empresário que revelou os Mamonas). Foi ainda guitarrista e vocalista da banda paulista de rock Spray, criadora da música “Tictic nervoso”, mais tarde sucesso na regravação do grupo Magazine. Assim que saiu do Spray, adotou o nome artístico de Tuca Estrada, com o qual gravou o terceiro álbum-solo, em 1999, e passou a se apresentar como cover de Raul Seixas. E foi justamente nessa condição que participou de programas como o “Fantástico”, da Rede Globo, através do qual foi escolhido como melhor cover de Raulzito, e “Domingo legal”, do SBT. Já no primeiro álbum solo, anteriormente oferecido pelo TM a vocês, Tukley apresentava um repertório com nítida influência de Raul Seixas. Influência esta que se acentua ainda mais no presente trabalho, lançado em 1992 pela CID, gravadora carioca que existe até hoje, com produção de Mellino Júnnior, Antônio Carlos Kruppa e o já citado Rick Bonadio, aqui assinando-se Ricardo. São nove faixas de composição própria, a maior parte em parceria com um certo Nati, e apenas uma composta solo, “Camaleão”, que abre o disco, dedicado “às pessoas que acreditam que nada é por acaso”. Portanto, é um trabalho que reafirma Tukley, hoje Tuca Estrada, como um dos melhores “covers” de Raul Seixas, sempre mantendo certa originalidade. É só ouvir e confirmar.

o camaleão
titia rita
terra de cego
dona rolla
revoltado
a cigarra
de onde eu venho
nada
leis transcendentais

*Texto de Samuel Machado Filho

Carlos Lucena – Pomar Dos Deuses (1992)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Marcando presença mais uma vez em nosso Toque Musical, hoje temos um outro disco do Cacá, Carlos Lucena, um dos grandes nomes da música mineira, artista que aqui está pela terceira vez com este maravilhoso trabalho de 1992, “Pomar dos Deuses”, produção independente e autoral. Um disco que devido a sua tiragem limitada, hoje em dia adquire o status de raridade. Aliás, todos os disco do Carlos Lucena são ‘coisa rara’, vale muito uma conferida em seu trabalho.  🙂

pomar dos deuses
do céu da cabeça
olhos de lua
plataforma dos cristais
diamantes
nada demais
um tom de amor
o canto dos duedes
vi oh…

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Companhia Clic (1989)

Paralelamente ao chamado Rock Brasil, ou BRock, já comentado aqui anteriormente, um outro movimento musical começava a se manifestar em meados da década de 1980: o da axé music. Esse gênero surgiu no estado da Bahia, durante as manifestaçõespopulares do carnaval de Salvador, misturando ritmos como ijexá, samba-reggae, merengue, forró, samba duro, ritmos do candomblé e até mesmo pop-rock, bem como outros ritmos brasileiros e afro-latinos. A palavra “axé” é uma saudação religiosa usada no candomblé, significando energia positiva. E foi o jornalista Hagamenon Brito, em 1987, quem chamou de “axé music” aquela música dançante com aspirações internacionais. Com o impulso da mídia, a axé music se espalhou rapidamente por todo o Brasil (com a realização das micaretas, ou seja, carnavais fora de época) e fortaleceu-se como potencial mercadológico, produzindo sucessos durante o ano todo. Dentre os maiores astros da axémusic, podemos citar: Luiz Caldas, Margareth Menezes, Daniela Mercury, Carlinhos Brown (o criador da Timbalada), Sara Jane, Alinne Rosa e as bandas Asa de Águia, Olodum, Araketu, Reflexus, Chiclete com Banana, Terrasamba, É o Tchan, Companhia do Pagode, Cheiro de Amor (que tinha Márcia Freire como vocalista), Eva (que revelou Ivete Sangalo, mais tarde bem-sucedida na carreira-solo) e Babado Novo (da qual é oriunda outra cantora de axé mundialmente consagrada, Cláudia Leitte). Pois o TM está trazendo hoje, para seus amigos cultos e ocultos, um documento sonoro dos primórdios da axémusic. Trata-se do primeiro dos quatro álbuns gravados pela Companhia Clic, lançado em 1989 pela Eldorado. Na sua formação, estavam Sérgio Henrique, Jonga Cunha, Rudnei Monteiro, Raul Carlos Gomes, Marcus Sampaio e, como vocalista, nada mais nada menos que Daniela Mercury, a futura rainha da axémusic. Com 16 anos, Daniela já cantava em bares de Salvador. Entre 1986 e 1988 foi cantora da Banda Eva, a mesma da qual saiu Ivete Sangalo, e se tornou backing vocal de Gilberto Gil. Um ano depois,elá decidiu formar seu próprio grupo, exatamente a Companhia Clic, do qual apresentamos o primeiro disco. No repertório, dez faixas, com todo aquele ritmo e ginga da música baiana, destacando-se a faixa “Pega que oh…!”, grande sucesso em Salvador na época, e também lançada em compacto simples. Daniela ainda faria mais um LP como vocalista da Companhia Clic, desligando-se mais tarde do grupo para realizar sua bem-sucedida carreira-solo (nos dois últimos discos da banda, a vocalista foi Carla Visi).  Enfim, este primeiro disco da Companhia Clic é um trabalho que se reveste de inestimável valor histórico, não só dos primeiros passos da axé music, como também do promissor início de carreira de Daniela Mercury. Confiram…

vida ligeira
te procurei
asa sul
perto dela
nossa praia
zona solidão
mágica
pega que oh
porto belo
temporais

*Texto de Samuel Machado Filho

Encontros (1975)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Celebrando os 11 anos do Toque Musical, hoje o presente é esse box lançado pela Philips em 1975 reunindo em três discos 33 registros de músicas onde seus artistas cantam em parceria. E como podemos ver pela capa, trata-se da fina flor da nossa então moderna música popular brasileira. Um box realmente imperdível.

que pena – caetano veloso e gal costa
das rosas – dorival caymmi e quarteto em cy
quem mandou – gilberto gil e jorge ben
these are the songs – elis regina e tim maia
esse teu olhar – sylvia telles e lúcio alves
samba pra vinicius  – chico buarque e toquinho
aguas de março – elis regina e tom jobim
samba em prelúcio – odette lara e vinicius de moraes
amiga – claudette soares e ivan lins
joana francesa – fagner e chico buarque
formosa – nara leão e maria bethania
ponteio – marilia medalha e edu lobo
você não entende nada – chico buarque e caetano veloso
de onde vens – nara leão e edu lobo
mano caetano – jorge ben e maria bethania
ladeira da preguiça – elis regina e gilberto gil
você – dick farney e norma benguell
oração da mãe menininha – gal costa e maria bethania
samba da volta – toquinho, vinicius e mpb-4
charles anjo 45 – caetano veloso e jorge ben
saudades da bahia – tom jobim e dorival caymmi
clara – claudette sores e gilberto gil
pot pourri – elis regina e jair rodrigues
pra dizer adeus – maria bethania e edu lobo
país tropical – gal costa, caetano veloso e gilberto gil
carta ao tom 74 – toquinho, vinicius e quarteto em cy
penas do tiê – nara leão e fagner
noite dos mascarados – chico buarque e elis regina
canção a medo – mpb-4 e quarteto em cy
a estrada e o violeiro – nara leão e sidney miller
sete meninas – dominguinhos e quinteto violado
cada macaco no seu galho – gilberto gil e caetano veloso
cantores do rádio – chico buarque, nara leão e maria bethania

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Nazareno (1978)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Como todos devem saber, julho é o mês de aniversário do nosso blog Toque Musical. Estamos completando 11 anos de atividades! Não é pouca coisa não! Mas ao contrário dos anos anteriores, neste não teremos festejos e nem bolo, somente presentes. Presentes diários. Neste mês o que teremos de especial será apenas postagens diárias, como fazíamos anteriormente. Com a sempre colaboração do amigo Samuca, acho que vamos conseguir preencher todo o mês.
Hoje eu tenho este lp do Nazareno, o primeiro disco solo deste cantor e compositor que teve sua carreira iniciada nos anos 50. Participou de diversos grupos, entre esses o Quarteto Teorema. De lá, junto com outro membro do grupo, o Pena Branca, gravou em 75 um lp, seguindo a linha das duplas tipo Tom & Dito e Antonio Carlos & Jocafi. Em 78 ele volta, agora em carreira solo, com este lp muito bem produzido, trazendo em seu repertório um conjunto de músicas muito boas, entre composições autorais e de outros. Um bom disco que merece ser ouvido. Confiram no GTM.

socorro, joão
viva meu samba
amor que te quero amar
pra que brigar
amigo é pra essas coisas
pé de coelho
velho amigo
o nosso amor
corpo surrado
bolero
império do samba
cantiga de roda

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Nonato Luiz – Terra (1980)

O Toque Musical põe hoje em foco um dos melhores violonistas contemporâneos, aplaudido no Brasil e no exterior. Estamos falando de Raimundo Nonato de Oliveira Luiz, ou simplesmente Nonato Luiz. Também compositor e arranjador, ele veio ao mundo na cidade de Lavras da Mangabeira, interior do Ceará, no dia 3 de agosto de 1952. Aos três anos de idade, começou a tocar cavaquinho. Estudou no Conservatório de Fortaleza e, aos 15 anos, já era violinista da Orquestra Sinfônica da capital cearense. Em seguida, optou definitivamente pelo violão como seu instrumento. Aos 21 anos, foi estudar na Escola de Música Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, com Turíbio Santos, entre outros professores.  Em 1975, Nonato venceu o Concurso para Violonistas da extinta TV Tupi de São Paulo. Na mesma época, concluiu cursos de corpo coral e violão clássico, além de participar dos festivais de inverno de Campos do Jordão (SP). Em 1978, radicou-se definitivamente no Rio de Janeiro, e excursionou pelo Brasil com o concertistaDarcy Villa Verde. Seu repertório é bastante eclético, contemplando desde valsas, choros , minuetos e prelúdios até blues e flamenco, além dos gêneros tipicamente nordestinos, como baiões, xotes e frevos. Excursionou por diversos países nas décadas de 1980/90, e tem em sua discografia mais de 30 álbuns, gravados no Brasil e no exterior (o mais recente é “Natal feliz com Nonato Luiz”, lançado em 2014). Foi também contemplado com vários prêmios, entre eles o Prêmio Sharp de Música, pela canção “Baião da rua”, que fez em parceria com Fausto Nilo. Suas composições mereceram a publicação de um livro de partituras, “Suíte sexta em ré para guitarra”, editado em Paris. Pois hoje, o TM apresenta, para seus amigos cultos e ocultos, o pontapé inicial da trajetória fonográfica de Nonato Luiz. É o álbum “Terra”, lançado em 1980 pela CBS (selo Epic), e com o qual ele foi revelado ao grande público. Gravado no Rio de Janeiro, com direção artística e de produção de Fagner, e produção executiva de Cacá Moreno, o disco é primoroso, e ainda conta com as participações especiais de João Nonato, Bimba e do próprio Fagner, que ainda assina o pequeno texto de contracapa. São doze faixas, quase todas de autoria do próprio Nonato, sozinho ou com parceiros, e incluindo um arranjo dele para “Muié rendeira”, tema folclórico nordestino. Tudo isso em um disco precioso, em que Nonato Luiz já mostra a que veio, documentando o promissor início de carreira deste notável violonista, sempre sinônimo de alta qualidade musical.

terra
quatro prantos
mosaico
mulher rendeira
minueto em sol maior
micheline
interlúdio
choro acadêmico
contemplação
mourisca
tudo ou nada
reflexões nordestinas

*Texto de Samuel Machado Filho