Waldomiro Lobo (197…)

Boa noite, meus amigos cultos e ocultos! Hoje temos um encontro com um artista interessante, Eis que entre minhas escolhas para postagens de discos de música sertaneja/caipira, selecionei também este lp, uma produção um tanto obscura, como boa parte das coisas da Bemol, selo/gravadora de Belo Horizonte, acreditando ser este um disco do gênero. Mas para a minha surpresa, acabei descobrindo que não era exatamente música caipira, mas algo ainda melhor, se tratava do único disco (lp de 33rpm) do cantor e compositor Waldomiro Lobo e não por acaso, também um disco póstumo, lançado logo após a sua morte. Este disco não tem data, mas tudo leva crer que tenha sido lançado no início dos anos 70. Conforme o texto de contracapa este foi um disco planejado pelo autor que selecionou o repertório entre coisas inéditas e músicas/poemas gravados nos anos 40 e 50. Segundo o texto, Waldomiro desejou fazer este lp no sentido que sua renda fosse revertida para obras assistenciais do sanatório da sua Fundação Waldomiro Lobo. Neste disco temos as interpretações do próprio Waldomiro Lobo e também de Seixas Costa, Rony-Roná e Gumercindo Chagas. Curioso também que alguma músicas aparecem aqui com nomes diferentes dos originais em 78 rpm. Olhando mais a fundo na ficha técnica, temos também um time de músicos como Elias Salomé, Expedito, Waldir Silva e outros. Sem dúvida, um disco raro que já esteja disponível no Youtube e agora vai estar no GTM também. Confiram…

porteira abandonada
morena dos olhos negros
o meu cavalo pampinha
maria mandô uma carta
vai vai tristeza
mutirão
flor de maracujá
amor perfeito
são joão
minha prece
tem boi na linha
mula manca
 


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3 De Minas – Verdadeiro Amor (198…)

Boa noite, meus queridos amigos cultos e ocultos! Saímos, enfim, da série dos corais mineiros e agora vamos para outros gêneros. Andei separando aqui alguns lps, algumas coisas da produção mineira, discos obscuros, coisas curiosas e raras de se ver por aí. Entre tantos, pensei em fazer aqui mais uma ‘semana temática’, dessa vez com artistas da música caipira, sertaneja e rural. Acho que nunca fizemos isso como esses artistas sertanejos, poucas e espaçadas vezes postamos discos de música caipira. E isso se deve muito ao fato de que geralmente as informações sobre esses artistas são meio escassas e acaba demandando uma pesquisa mais aprofundada, coisa que na maioria das vezes nós aqui não conseguimos fazer. Discos de música caipira/sertaneja só conhece mesmo quem é do ‘métier’, da área.
Aqui temos um bom exemplo de discos de música sertaneja no qual só podemos mesmo contar com as informações da capa. Os “3 de Minas” é um lp de produção mineira, gravado pela Bemol, provavelmente nos anos 80. O disco não traz data. Na ficha técnica encontramos um grupo de músicos, seus nomes e instrumentos, mas nada que nos indique quem são os artistas principais. Quem são os três mineiros? Essa pergunta fica no ar até que alguém se manifeste. Enquanto isso, vamos nos ater ao principal, ao conteúdo deste lp. Temos aqui doze músicas no melhor estilo caipira/sertanejo. Fiz questão de colocar ‘caipira’ para que fique claro que se trata de música sertaneja autêntica e não esse lixo pasteurizado cujo molde original copia duplas como Chitãozinho e Xororó quando essas se tornam mais comerciais que sentimentais. Taí um disquinho bacana que me remete aos sons radiofônicos matinais. Coisa bem mineiro, paulista ou goiano. Confiram no GTM…

verdadeiro amor
responda-me
com alguem no pensamento
se quer partir
velho vivo
são jorge guerreiro
destino de boêmio
escuta a minha canção
arrependida
primeiro beijo
gaivota
chuva da saudade


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Corporação Musical Santa Cecília Banda e Coral (198…)

Olá, meus amigos cultos e ocultos! Tenho hoje o prazer de apresentar a vocês a banda e o coral da Corporação Musical Santa Cecília, um entidade tradicional da cidade mineira de Ipatinga, dedicada ao ensino e fomento da Música, criada há quase 60 anos. Neste disco, gravado na Bemol, temos um repertório variado com seresta, samba, canção, marcha, musica sacra, ou como nos apresenta no selo, ‘do dobrado ao clássico’. Temos de um lado a banda e do outro o coral. Um repertório bem interessante que nos convida a dar uma checada no GTM…

canção do infante
samba da amizade nipo-brasileira
festa do interior
españa cani
abertura da cavalaria ligeira
amo-te muito
peixe vivo
acalanto
cantiga por luciana
pastorinhas
abi-de with me
cantante dômino
 
 
 

 

José Vieira E Sebastião Idelfonso – Violões Ao Luar (1975)

Prezados, amigos cultos e ocultos, seguindo em nossa insana proposta fonomusical, tenho para hoje um delicioso apelo instrumental. Um disco para quem gosta de violão. Aqui temos “Violões Ao Luar”, de dois grandes violonistas mineiros, José Vieira e Sebastião Idelfonso, num lp lançado pela Bemol em 1975. Os dois violonistas apresentam neste lp 12 temas autorais. Tocam acompanhado de um terceiro violão, Orlando Pereira, filho de Sebastião Idelfonso. Juntos, eles dão um verdadeiro show. Infelizmente, o disco apresentava alguns riscos que em alguma faixas pode incomodar. Na falta de lago melhor, vamos que vamos…

barcelona (fantasia espanhola)
do carmo
caprichoso
dor de uma saudade
eu sou brasileiro
dança gaúcha
amor e romance (estudo para 2 violões)
danças das flores
brincando com as cordas
luar de barra longa
como chora um violão
dança mineira



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Juan Moreno – Tangos (196…)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje eu trago aqui para vocês um disco de tango. E quando se fala em tango, certamente pensamos em argentinos. Mas o tango sempre fez muito sucesso aqui no Brasil, aliás, no mundo inteiro. Mas no Brasil, em especial, pela irmandade, pela proximidade geográfica e cultural, sempre tivemos uma relação muito forte com o tango. Muitos foram os artistas que vieram da Argentina trazendo o tango e encantando nosso público e isso não é de hoje, ou melhor, isso era de ontem, de tempos atrás. Muitos foram os artistas, nacionais e internacionais (argentinos) que se espalharam pelas grandes cidades do Brasil, criando verdadeiros redutos tangueros, principalmente nas rádios e casas noturnas. Aqui em Belo Horizonte também tivemos grandes artistas e orquestras de tango que se apresentavam nas rádios Guarani e Inconfidência. Entre esses haviam nomes como os cantores Ruy Martinez, Alaor Brasil, Maria Helena, Eunice Fialho e Roberto Blasco, este ultimo um argentino nato que veio se apresentar na cidade junto com a orquestra do uruguaio Francisco Canaro e acabou ficando de vez morando em BH, passando a fazer parte do ‘cast’ da Rádio Guarani. Outro grande cantor de tango da mesma época era Juan Moreno, que fazia parte do ‘cast’ da Rádio Inconfidência. Juan Moreno era na verdade um pseudônimo do coronel da Polícia Militar Waldir Pascoal. Conhecido como “El guapo del Tango”, ele cantou muito tempo acompanhado por seu próprio conjunto. Há pouquíssimas referencias sobre este artista na internet, inclusive sobre esse disco, gravado na Bemol. Acredito que tenha sido lançado no final dos anos 60. Em 1977 ele aparece também com outro disco de tango, lançado pelo selo Tapecar. Fora isso, não há mais nada na tela. Referencia passou a ser aqui…

el dia que me quieras
gira gira
percal
cristal
a media luz
en esta tarde gris
uno
lo han visto con otra
tomo y obligo
garua
mentira
caminito

 

Grupo de Seresta Zé De Beta – Curvelo Em Seresta (1970)

Olá, amigos cultos e ocultos! A postagem de hoje do TM é em clima de uma verdadeira seresta. Apresentamos hoje o primeiro LP do Grupo de Seresta Zé da Beta, lançado pela gravadora belorizontina Bemol em 1970. O grupo era originário de Curvelo, cidade da região central de Minas Gerais que tinha, em 2018, uma população de 79.625 habitantes. O nome da cidade tem origem em um de seus primeiros moradores, o padre Antônio de Ávila Curvelo. Segundo estudos recentes, Curvelo ocupa o décimo-quarto lugar no ranking das cinquenta cidades pequenas brasileiras que apresentam melhor desenvolvimento econômico. Neste primeiro volume de “Curvelo em seresta” (depois viria o segundo), o Grupo Zé da Beta apresenta dez músicas tradicionais do gênero. Após uma mensagem do próprio Zé, vem o repertório, que tem pérolas como “Boneca”, “Elvira, escuta”, “É a ti, flor do céu”, “Casinha pequenina” e “Amo-te muito”. Este disco, portanto, tem uma seleção seresteira de primeira linha, autêntico prato cheio para quem gosta do gênero e digno merecedor de mais esta postagem de nosso Toque Musical. É ir para o GTM e conferir.

mensagem
boneca
euvira escuta
casinha pequenina
meiga virgem
flor do céu
saudade
amo-te muito
decolores
sereno da madrugada
mensageiro do céu




*Texto de Samuel Machado Filho

Dulcinha E Fernando E Dose Dupla – Trama (1987)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Na certeza de que em algum momento alguma informação há de chegar até nós, estou hoje postando este lp, uma produção com o selo Bemol, lançada nos anos 80.  Trata-se de Dulcinha e Fernando e Dose Dupla, um grupo, certamente mineiro, talvez da própria capital BH. Mas eu, como belo-horizontino, confesso, não me recordo dessa turma e também não consegui, numa rápida pesquisa, identificar os artistas. Não há muita informação sobre o disco além de sua referência no Discogs, por sinal, muito bem contado como raridade, chegando a um preço meio que absurdo, porém se percebe que apenas um cidadão é o detentor do disco e daí ele coloca o preço que quiser, não há concorrentes. Esse é o grande problema da especulação de preços do vinil. Não é só questão de qualidade, histórico ou quantidade, a coisa passa muito pelo crivo da subjetividade do colecionismo. Existem raridades e raridades…
Bom, mas o fato é que este disco, ao meu ouvido, me pareceu muito interessante. Tem todas as características de um disco pop, mas há nele uma certa peculiaridade, uma pegada de música mineira. Acho que isso tem a ver até mesmo com a própria produção, com o clima da gravação feito no mais tradicional estúdio mineiro, o Bemol. Infelizmente, o exemplar que possuo não tem encarte e nem traz maiores informações. Vamos então ficar no aguardo de algum esclarecimento. Mas nem por isso iremos deixar de conhecer Dulcinha, Fernando e o Dose Dupla. Basta ir lá no GTM buscar o link, ok?

transcendente
tudo que eu queria
sempre igual
notívago
tempero moreno
trama
sinto dizer
nossa manhã
banda mágica
mesmo assim

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Edição Brasileira – Lua (1988)

Olá, amigos cultos e ocultos! Há poucos dias atrás fiz a besteira de deletar alguns arquivos no computador e de bobeira, acabei excluindo uma pasta importante, a dos Festivais. Só percebi quando já havia deletado, pasta cheia, muito grande foi embora sem paradas. Achei que não tivesse um ‘backup’, mas por sorte tinha tudo num outro hd. De sobra, ainda achei uma ‘leva’ de discos de artistas mineiros, coisas de antigos projetos que acabaram não vingando. Hoje começamos essa mostra entre tantos outros diversos discos.
Tenho aqui o excelente grupo mineiro de música instrumental, Edição Brasileira e seu primeiro e único disco, Lua, lançado originalmente em 1988. O disco mereceu uma reedição em cd através do selo/editora Karmin, a partir dos anos dois mil e curiosamente ainda pode ser encontrado em algumas lojas virtuais. O Edição Brasileira foi um grupo formado grandes nomes da música mineira: Mauro Rodrigues (flauta e teclados); Bento Menezes (guitarra e violão); Lincoln Cheib (bateria) e Ivan Corrêa (contrabaixo). No disco eles ainda contam com participações importantes como André Dequech, Gil Amâncio, Nivaldo Ornelas, Renato Mota e outros… Beleza de trabalho, lançado e gravado pela Bemol já no processo digital. com muito carinho e dedicação. Vale a pena conhecer. Confiram no GTM…

cânone
mulher de barro
amarelinha
prelúdio
pra vivi
diversão infante
lua
bemol
duda no frevo