Carlos José – A Poesia De Caymmi Na Voz De Carlos José (1963)

Boa tarde, meus caros amigos cultos e ocultos. Do jeito que as coisas andam, logo vou acabar mudando o nome do blog para Obtuário Musical. Desculpe a ironia, mas de uns tempos para cá tem morrido muitos artistas da música. Penso que não apenas por conta do Coronavírus, da pandemia, mas também e até mesmo pela idade. Afinal, a músicos brasileiros oriundos da verdadeira era fonográfica, a era do disco, estão naturalmente e aos poucos indo embora. Hoje, infelizmente, perdemos Carlos José, vítima do Covid-19, aos 85 anos. O cantor paulista fez muito sucesso no início dos anos 60 e era considerado “o último seresteiro”. Iniciou carreira nos anos 50 e ainda hoje, nos dias atuais se mantinha atuante. Seu último disco, “Musa das Canções” saiu em 2014. Segundo contam, atualmente, estava preparando um novo trabalho em estúdio.
Para homenageá-lo estamos trazendo aqui este belíssimo disco gravado por ele para o selo Continental, em 1963. Não é preciso dizer muito, o próprio título já define bem seu conteúdo, uma seleção de músicas de Dorival Caymmi. Um disco, sem dúvida, impecável, que merece mais que nunca estar no rol das publicações do nosso Toque Musical. Confiram no GTM…
 
acalanto
saudades de itapoã
marina
a lenda do abaeté
nunca mais
a jangada voltou só
vestido de bolero
é doce morrer no mar
não tem solução
o bem do mar
a vizinha do lado
requebre que eu dou um doce
 
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Pery Ribeiro E Luiz Eça – Prá Tanto Viver (1985)

Bom dia, prezados amigos cultos e ocultos! Temos para hoje um disco bem intimista gravado em 1985 por Pery Ribeiro e Luiz Eça. Um trabalho de releitura de alguns clássicos do período Bossa Nova e também outras músicas desse mesmo universo. Certamente o mesmo tipo de repertório que os dois apresentavam em casas noturnas, tipo o Horse’s Neck Bar, do Rio Palace Hotel naqueles anos 80, com piano e voz. Aqui eles seguem essa mesma linha, no entanto em algumas faixas também contem com o contrabaixo de Luiz Alves, a bateria de Wilson das Neves, Carlos Bala e Robertinho Silva, o violão de José Carlos e Rafael Rabello. A faixa que dá nome ao disco, “Pra tanto Viver”, é uma música de autoria de Pery Ribeiro. Disco bacana, que merece o nosso toque musical. Confiram no GTM…

por causa de você
chega de saudade
indecisão
curare
nossas vidas
valsinha
pare de me arranhar
amargura
pra tanto viver
de onde vens
oferenda
canção que morre no ar

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Rago – Jamais Te Esquecerei (1957)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje trazemos o primeiro LP, em dez polegadas, de um dos maiores violonistas que o Brasil já teve: Antônio Rago. Ele nasceu em São Paulo, no dia 2 de julho de 1916, filho de imigrantes italianos. Desde criança interessou-se por música. Começou a tocar violão aos 14 anos e, em 1933, iniciou seus estudos de violão clássico com o professor Melo. Em 1936, começou sua carreira artística fazendo parte do regional de Armandinho, com o qual, e mais Zezinho, mais tarde conhecido como Zé Carioca, formou o trio de violões. Atuou com sucesso na Rádio Record e também na Rádio Belgrano de Buenos Aires, acompanhando o cantor Arnaldo Pescuma em excursão que se estendeu até o Uruguai. Em 1937, retornou ao Brasil e foi trabalhar na recém-inaugurada PRG-2, Rádio Tupi de São Paulo, com Zezinho e seu conjunto. Ao longo dos anos, acompanhou artistas como Sílvio Caldas, Francisco Alves e Aracy de Almeida. Gravou seu primeiro disco em 1943, época em que passou a dirigir o regional da Tupi, interpretando ao violão duas composições de sua autoria, o choro “Chorando” e a valsa “Velhos tempos”. Em 1947, passou a ter o próprio regional, que, em 1950, recebeu o Troféu Roquette Pinto como melhor daquele ano. Em 1952, ingressou na Rádio Nacional de São Paulo, hoje Globo. Em meados dos anos 1960, quando seu regional perdeu força, passou a produzir programas de rádio em diversas cidades paulistas, entre as quais Santos e Campinas. Como compositor, teve mais de 400 músicas gravadas, e foi ainda um dos responsáveis pela introdução do violão elétrico no Brasil. Antônio Rago faleceu em 24 de janeiro de 2008, em sua São Paulo natal, aos 91 anos de idade. Neste LP, lançado pela Continental em 1957, estão oito de suas composições mais expressivas, entre elas a faixa-título, “Jamais te esquecerei”, um bolero lançado originalmente em 1947 e que permaneceu por cerca de um ano nas paradas de sucesso, tornando-se fenômeno de popularidade. Tem ainda “O Barão na dança”, “Folinha”, “Mambo na Glória”, “Festa portuguesa”, “Encantamento”, “Mentiroso” e “Em tuas mãos”, em uma seleção que vale a pena ouvir. Portanto, este é mais um trabalho que merece o nosso Toque Musical. Não deixem de conferir no GTM.

jamais te esquecerei
folinha
mentiroso
mambo da glória
em tuas mãos
o barão da dança
festa portuguesa
encantamento




*Texto de Samuel Machado Filho 

Zé Ketti – Identificação (1979)

Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Hoje tenho o prazer de trazer até vocês (outro náufrago) o álbum “Identificação”, do grande compositor Zé Ketti, lançado em 1979 pela Continental. Disco bacana, a começar pela capa que reproduz sua carteira de identidade. Produzido por Wilson Miranda, o disco traz 10 faixas, todas autorais. Composições em sua maioria inéditas, mas também há espaço para um de seus maiores clássicos, a marchinha carnavalesca “Máscara Negra”, lançada originalmente por Dalva de Oliveira. Taí, mais um disco que merecia constar em nosso acervo. Confiram no GTM.

tamborim
você não foi legal
feijão malandrinho
companheira
último momento
máscara negra
eu vou pra bahia
você não está com nada
meus cabelos brancos
linhas cruzadas
 

Ruy Rey E Sua Orquestra – Ritmos Latino Americanos (1957)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Oportunamente, estou trazendo aqui discos que muito nos interessam e que foram postados em outros blogs que hoje já não existem mais. É o caso do Sintonia Musikal e Sanduiche Musical, do amigo Chico, que desanimado com este trabalho sem retorno, acabou abandonando o barco. Como um dos poucos que ainda sobraram nesse mar de afogados, nós do Toque Musical estamos recolhendo os sobreviventes, no caso os seus discos.
Entre tantos, temos um aqui bacana, “Ritmos Latino-Americanos, com Ruy Rey e Sua Orquestra. Este, me parece, foi seu primeiro disco em 33 rpm, lançado em 1957. Por certo, antes disso ele já havia participado de outros discos e gravações, inclusive aqui no Toque Musical temos ele na coletânea Grand Record Brazil e outras lançadas na década de 50. Neste lp de 12 polegadas temos o interprete num repertório para fazer frente a qualquer grande orquestra latino-americana. Apresentando doze temas clássicos entre boleros, sambas, mambos e cha-cha-cha. Sem dúvida, um dos grandes nomes dos anos 40 e 50 da música brasileira e porque não dizer, da latino-americana. Confiram já no GTM, pois esse náufrago, uma hora volta para o porto.

macarena
camino verde
sabiá de mangueira
negra açucarera
todo mundo quer dinheiro
no dejes para mañana
fantasia em mambo
donde quiera que tu vayas
star dust
faz quase um ano
mambo sevilhano
dansa do sabre