The Angels – Compacto (1963)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Compactando as emoções, tenho hoje para vocês este raro disquinho, um compacto duplo, com quatro faixas do conjunto The Angels, lançado em 1963 pela gravadora Copacabana. Este grupo pode ser considerado um dos pioneiros do rock nacional. Surgiu no final dos anos 50, quando o rock’n’roll começou a se espalhar pelo mundo. Formado no Rio de Janeiro pelos irmãos Carlos e Sérgio Becker (voz/guitarra e sax tenor), tendo ainda Jonas Damasceno no contrabaixo, Romir Andrade na bateria e Carlos Roberto na guitarra solo. Gravaram, inicialmente, três compactos pela Copacabana, sendo este o primeiro, se não me engano. Pouco tempo depois mudariam o nome da banda para The Youngsters, passando a gravar pela CBS e ainda na Polydor, já nos fins dos anos 60. O grande exito do grupo foi ter acompanhado Roberto Carlos em seus primeiros discos. Também gravaram acompanhando outros artistas, principalmente os da Jovem Guarda.
No disquinho que aqui apresento temos quatro músicas, autênticos rock’n’roll, sendo dois deles autorais, da própria banda. Confiram mais essa raridade no GTM, como sempre completo! 😉

gravy (for my mashed potatoes)
hully gully baby
hully guitar
the hully gully



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Leci Brandão (1985)

Cantora, compositora, atriz e política. Assim é Leci Cristina Brandão da Silva, ou simplesmente Leci Brandão, que o Toque Musical põe em foco no dia de hoje. Ela nasceu no Rio de Janeiro, em 12 de setembro de 1944, e começou sua carreira no início dos anos 1970, tornando-se a primeira mulher a participar da ala de compositores da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Começou a chamar a atenção do grande público em 1975, ao participar do festival Abertura, da TV Globo, defendendo seu samba “Antes que eu volte a ser nada”, mais tarde faixa-título de seu primeiro LP. Uma das mais importantes intérpretes de samba da MPB, Leci Brandão gravou, ao longo da carreira, 13 LPs, 8 CDs, 2 DVDs e 3 compactos, um total de 26 obras. É também madrinha da Escola de Samba Acadêmicos do Tatuapé, bicampeã do carnaval de São Paulo. Em 2010, elegeu-se deputada estadual por São Paulo, pelo PCdoB, reelegendo-se em 2014 e 2018. Como parlamentar, Leci Brandão dedica-se à promoção da igualdade racial, ao respeito às religiões de matriz africana e à cultura brasileira. Também levanta a questão das populações indígena e quilombola, da juventude, das mulheres e do segmento LGBTQ+. Na televisão, atuou na novela “Xica da Silva”, da extinta TV Manchete (1996/97), como a líder quilombola Severina, e foi ainda comentarista dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo pela Globo.  No cinema, participou dos filmes “Antônia” (2007), “Tropa de elite 2” (2010) e “O samba” (2015). Este álbum que o TM nos oferece hoje é talvez o melhor trabalho da carreira de Leci Brandão. Lançado pela Copacabana em 1985, o disco foi puxado pelo hit “Isso é fundo de quintal”, dela própria em parceria com Zé Maurício. Porém, é óbvio, tem mais a destacar. É o caso de “Zé do Caroço”, uma das músicas mais regravadas de Leci, e de uma versão de Martinho da Vila para “Gracias a la vida”, da chilena Violeta Parra. Martinho ainda assina “Tá quase odara”, parceria com Zé Catimba, e a própria Leci, “Belém meu bem”, “Deixa, deixa”, “Assumindo” e a adaptação de “Saudação ao rei das ervas”. Com direito até a um forró (“Entra no forró”). Tudo isso e muito mais fazem deste disco uma verdadeira joia que o TM oferece com a grata satisfação de sempre. Confiram.

papai vadiou

isso é fundo de quintal

tá quase odara

zé do caroço

belém meu bem

quero eu

agradeço a vida

deixa deixa

entra no forró

maria de um só joão

quebra-queixo

assumindo

saudação ao rei das ervas



*Texto de Samuel Machado Filho

Jorge Alfredo – Quem Fica É Quem Traz O Sol (1979)

Olá, amigos cultos e ocultos! O Toque Musical traz para vocês hoje o primeiro (e ao que parece único) álbum-solo do baiano Jorge Alfredo, lançado pela Copacabana em 1979. Conforme o pouco que se sabe a seu respeito, ele foi um dos primeiros artistas brasileiros a misturar elementos do reggae jamaicano com os ritmos baianos. É o que transparece nas onze faixas deste disco, feito um ano antes de ele fazer parceria com Chico Evangelista, com muito de pegada rock e batidas sertanejas, trazendo também letras de poesia e sensibilidade extremas. Segundo comentário que li no YouTube, “é um disco tão raro que parece que nem foi lançado”. Portanto, é mais uma raridade que o TM tem a grata satisfação de oferecer. Confiram…

rodapé
menina maluca
jeito de viver
nani nere cohrau
doideira
forró no escuro
de olho na esquina
assim preto – brasa branca
antiga mesma tristeza
parecendo piqui
daqui da lua



*Texto Samuel Machado Filho