O Ciclo Vargas – Um Visão Através Da Musica Popular (1983)

Olá, amigos cultos e ocultos! Esta postagem de hoje do Toque Musical é um LP duplo da série “Uma visão através da música popular”, produzida pelo Sesc em conjunto com a Fundação Roberto Marinho, a mesma da qual apresentamos anteriormente o disco dedicado à Revolução de 1932. Desta vez, é abordado o longo período em que Getúlio Vargas governou o Brasil, tanto que várias de suas faixas já foram apresentadas nos dois volumes da coleção Grand Record Brazil sobre a Era Vargas, cujas resenhas foram de minha responsabilidade, e nas quais vocês poderão encontrar maiores informações sobre esse importantíssimo período da história do Brasil. O disco ainda apresenta duas paródias fazendo referência a Getúlio, das músicas “Taí” e “Gosto que me enrosco”, com o coral da gravadora Eldorado, e o samba-enredo “61 anos de República”, apresentado pela escola Império Serrano em 1951, mas só gravado em 1976. Enfim, um documento histórico que o TM põe à disposição.

harmonia harmonia
comendo bola
g-e-gê (seu getúlio)
gosto que me enrosco
taí
a menina presidência
glórias do brasil
onde o céu é mais azul
é negócio casar
o sorriso do presidente
brasil brasileiro
diplomata
salve 19 de abril
palacete do catete
salada política
ai! gegê
juramento de getúlio vargas na posse de presidente 1951
setenta e um anos de república
ministério da economia
coisa modesta (gegê)
trabalhadores do brasil
se eu fosse o getúlio
ele disse
hino a getúlio vargas



*Texto de Samuel Machado Filho

O Santo Sudário – TSO (1980)

O santo sudário é uma relíquia que, segundo alguns acreditam, foi o pano que envolveu Jesus Cristo quando ele morreu. Guardado em Turim, na Itália, o sudário tem a imagem de um corpo ensanguentado, com feridas parecidas com as de Jesus. Foi revelado no século XV e se tornou uma atração entre os fiéis cristãos. Algumas referências mais antigas sugerem que o sudário é mais antigo que isso ou que outros panos com imagens de Jesus já existiam. No entanto, não existe evidência sólida que foi o pano que envolveu o corpo de Jesus. O santo sudário foi tema de diversos documentários. Um deles foi feito em 1980, sob a direção de Paulino Brancato Jr., até então o único jornalista que teve permissão para entrar na Igreja de São João Batista, em Turim, e filmar o santo sudário. E é justamente a trilha sonora desse filme, com arranjos e regência de Eduardo Assad, que o Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos. O lado A tem as músicas do filme acrescidas de narração, com atores interpretando Jesus Cristo, Maria, João Evangelista, Pôncio Pilatos e um jornalista e, no lado B, apenas a execução instrumental. Um trabalho interessante e curioso, que merece uma conferida. 

funk in turin
sarqabandi – 2 mov
judas macabeu – 1 mov
sarabandi – 1 mov
ave maria
judas macabeu  – 2 mov
sarabandi 2 mov
sarabandi – 1 mov
judas macabeu – 2 mov
ave maria
judas macabeu – 1 mov
sarabandi – 2 mov
funk in turin

*Texto de Samuel Machado Filho

Freelarmonica (1983)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Atendendo a pedidos (nesse sentido a gente ainda atende), estamos trazendo aqui o primeiro trabalho da banda instrumental ‘Freelarmonica’, lançado no início dos anos 80. A banda nasceu a partir de uma peça teatral, quando foram convidados a fazerem uma trilha musical. Músicos instrumentistas, de formação clássica, passaram ali a formatar uma nova proposta de grupo instrumental, se apresentando em vários teatros e casas de shows e parques da cidade de São Paulo. O projeto ganhou força ao lançarem o seu primeiro trabalho em disco pela produtora Lira Paulistana. Daí em diante, conquistaram seu espaço e respeito na excelência da música instrumental brasileira. Infelizmente, há poucas informações na rede sobre o grupo, inclusive ão encontrei referências de outros discos, mas ao que parece, a Freelarmonica ainda continua ativa, fazendo suas apresentações. Não deixem de conferir no GTM.

e um… tem aí?
primeira do lado b
o verdadeiro dom quixote
mr. malo
salada bem temperada
manhã
choro hermético
o velho sapato velho
tem



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Nelson Coelho De Castro – Juntos (1984)

Compositor, cantor e produtor musical, Nelson Coelho de Castro bate ponto hoje aqui no Toque Musical. Nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 17 de abril de 1954. Entre 1965 e 1968, fez parte de um grupo de meninos cantores do Colégio São João, em sua cidade natal. Estudou violão clássico e popular com Ivaldo Roque. Em 1974, no festival do Colégio Parobé, ganhou o Prêmio Comunicação. No MusiPUC, importante festival cultural que a Rádio Continental AM, sempre ligada ao movimento cultural de Porto Alegre, transmitia ao vivo, ganhou vários prêmios. Em 1975, fez sua estreia nas “Rodas de som” de Carlinhos Hartlieb, projeto dedicado a promover a música local. Em 1977, formou-se em jornalismo. No mesmo ano, realizou seu primeiro espetáculo, “E o crocodilo chorou”, ao lado do seu grupo Olho da Rua, dirigido por Luciano Albanese. Sua estreia em disco acontece em 1978, participando do álbum misto “Paralelo 30”, produzido pelo jornalista Juarez Fonseca, com as faixas “Rosa calamidade” e “Águias”. Em 1979, lançou seu primeiro compacto simples, com “Faz a cabeça” e “Hei de ver”., Entre 1980 e 81, produziu e lançou o primeiro disco independente feito no Rio Grande do Sul, exatamente este “Juntos”, que o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos num relançamento feito em 1984. Nelson Coelho de Castro tem uma discografia de dez álbuns lançados, o mais recente, “Lua caiada”, de 2010. É mais uma personalidade que o TM tem o prazer de focalizar, através de seu primeiro LP-solo, documento de um início de carreira bastante promissor.

o beijo
armadilha
juntos
zé aquele tempo do julinho
todos homens
desfilar
vanda bonita
sol
ponto nodal
por favor a
gosto



*Texto de Samuel Machado Filho

O Outro Bando Da Lua – Um Palco É Preciso (1981)

Olá, amigos cultos e ocultos! O Toque Musical vem trazer para vocês hoje o único álbum do Outro Bando da Lua, uma edição independente de 1981. Quase nada se sabe a respeito deste grupo, mas, ao ouvir o disco, podemos constatar que é um bom trabalho de MPB, com onze faixas. A curiosidade aqui fica por conta da presença, na flauta, de Chiquinho Brandão, também ator de teatro, cinema e televisão, morto prematuramente em acidente automobilístico, aos 39 anos, em 4 de junho de 1991. No mais, um álbum interessante e raro, merecedor de mais esta postagem de nosso TM.

virgem
gare du nord
sentimental
mar do norte
vôo
desarvorado
reguizinho mixuruca
carioquice
um blu sem razão
medida do coração
reticências



*Texto de Samuel Machado Filho 

Canto Livre (1982)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje o TM traz a vocês mais uma raridade: o primeiro LP do grupo gaúcho Canto Livre, gravado nos estúdios da ISAEC e lançado em outubro de 1982, de forma independente (aliás houve muitos lançamentos independentes nessa época), com produção e mixagem de Ricardo Garay e Calique Ludwig, também responsável pelo arranjo de vozes na faixa “Eta negro”. O grupo era formado pelos irmãos Jair e Jairo Kobe, Fernando Cardoso, Míriam Kelm, Elaine Marques e as irmãs Selma e Vânia Martins. Um excelente septeto, como poderemos confirmar ouvindo as nove faixas deste trabalho, considerado síntese da melhor música nativista gaúcha da nova geração de então. E todas elas com a parceria de Sérgio Napp  (1939-2015), também compositor e escritor. Foi com uma das faixas deste trabalho, “Desgarrados”, feita junto com Mário Barbará, que ele venceu a décima-primeira edição da Califórnia da Canção Nativa, evento que acontece desde 1971 e considerado patrimônio cultural do Rio Grande do Sul. A faixa de encerramento, “Juventude”, é também muito apreciada até hoje. O grupo ainda faria mais um LP em 1984, “Comunicação”, e voltaria à cena em 2014, com novos integrantes em sua formação. Ainda hoje continuam na ativa, fazendo shows nos quais apresentam músicas típicas gaúchas, faixas marcantes da MPB e destaques internacionais. Enfim, este primeiro álbum do Canto Livre é um documento histórico, mais um trabalho raro e de qualidade que o TM oferece a vocês, com o orgulho e a satisfação de sempre. 

recuerdos
e quando isso acontece
eta negro
dia de graça
desgarrados
entre na roda
janeiro
gente boa
juventude



*Texto de Samuel Machado Filho

Coisas Nossa (1980)


O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos o primeiro LP do conjunto carioca Coisas Nossas, lançado em 1980 de forma independente. Formado por Aluísio “Luíta” Didier e seu irmão Carlos, o Caola (ambos violonistas), mais Dazinho (flauta e sax), Henrique Cazes (cavaquinho), Zé Pité (piano) e Oscar Bolão (pandeiro), todos também vocalistas, o grupo apresentou-se pela primeira vez em 1975, com o espetáculo “Noel Rosa”, dedicado à obra do imortal compositor, no auditório da PUC-Rio e em algumas escolas públicas (o nome do conjunto, aliás, foi tirado de um samba de Noel). No ano seguinte, montaram o espetáculo “Novos músicos tocam velhos mestres”, com músicas de Pixinguinha, Noel Rosa e Ary Barroso, inaugurando o Museu de Arte de Campo Grande, zona norte do Rio. A partir de 1977, o grupo incorporou esquetes teatrais aos seus espetáculos, mesclando músicas cariocas dos anos 1920/30 com composições próprias e brincadeiras cênicas. Finalmente, em 1980, veio este primeiro álbum, que o TM nos apresenta hoje (depois vieram mais três). A maior parte das músicas é dos integrantes do grupo, e temos ainda duas composições de Noel Rosa: a já citada “Coisas nossas” e “Disse-me-disse”, até então inédita em disco e aqui em sua primeira gravação. Em suma, um trabalho interessante e digno da postagem de nosso Toque Musical.

deixa de ser burro
texas, etc, documentos s/a
santa luzia
barremoto
lundu
bandeira
o que é isso companheiro?
coisas nossas
disse me disse
índios
berços do samba
praia de angra III

*Texto de Samuel Machado Filho

Butuca – Lance Livre (1981)

De vez em quando aparecem algumas incógnitas. Por exemplo, este álbum que o Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos. Ao que parece, este foi o primeiro e único álbum de Butuca, gravado ao vivo em Salvador, no final de 1979, mas só lançado em 1981, de forma independente, somando-se, por sinal, aos muitos discos lançados fora do circuito das gravadoras nesse período. Olha, não encontrei absolutamente nada a respeito de Butuca, nem mesmo no Dicionário Cravo Albin, uma das fontes que geralmente se consulta em termos de MPB. É como se ele jamais tivesse existido. Pelo jeito, este trabalho deve ter passado despercebido quando de seu lançamento, daí a falta de informações a respeito de Butuca. Mas, ouvindo este disco, poderemos constatar que merecia sorte bem melhor. O repertório é todo autoral, e de ótima qualidade, demonstrando que a praia de Butuca era a MPB de nível. A ponto de se lamentar que ele não tenha passado desse disco. Se alguém tiver informações a respeito de Butuca (afinal não tem biografia dele em lugar nenhum) e também souber por onde ele anda, escreva aqui para o TM. Eu e o Augusto agradecemos de coração.

(PS. Augusto: Ao que tudo indica, Butuca é um artista falecido e este lp é uma obra póstuma)

mistérios do céu de abril

madrugada camponesa

desafio

madalena

paisagem tropical

segredos do mundo

morenou

chuva

esperança

lance livre



*Texto de Samuel Machado Filho

Marcelino Buru – Sessão Cabidela (1978)

Fala aê… meus amigos cultos e ocultos! Entre os muitos discos que venho recebendo do amigo Fáres, hoje eu trago um bem a cara do Toque Musical, ou seja, uma produção curiosa, interessante e geralmente obscura. Tenho aqui um disco de um artista brasileiro gravado na França. Trata-se de Marcelino Burú, um nome mais conhecido no mundo das artes cênicas. Ator, diretor, compositor e produtor cultural. Iniciou sua carreira nos anos 60, sendo o fundador do Teatro Casarão, em São Paulo. Atuou em diversas peças, trabalhando com alguns dos mais importantes nomes do teatro nacional. Trabalhou em novelas da Record, Tupi e da Globo. Foi também professor de teatro, tendo êxito como ator e diretor no Festival Mundial de Teatro, na Polônia com a peça O Rei Momo. Acabou ficando pela Europa indo morar em Paris por seis anos. Por lá, além do teatro, desenvolveu a carreira musical, tendo levado a sua arte por vários países da Europa, além de Africa e Estados Unidos. Trabalhou também no cinema. Creio que atualmente ele mora no Brasil.
Este disco foi sua estréia musical. Gravado em maio de 1978, “Sessão Cabidela” é um trabalho onde estão presentes outros ilustres artistas brasileiros, entre esses o genial Naná Vasconcelos que cuida também da direção musical. No disco há ainda a participação da dupla Les Etoiles (Luiz Antonio e Rolando), já apresentada aqui no Toque Musical. Não deixem de conferir no GTM. ok? 😉

mineiro
gosto
kinguelê
ovo há 
saco d’ alho
compadre 
sou feliz
alodó
cosi-cosa
cabidela

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Eduardo Gudim – Fogo Calmo Das Velas (1981)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Postagens aqui, agora acontecem quando todas as luas estão estão emparelhadas, ou seja quando tudo está favorável. O momento é propício e então vamos nós…
Tenho para vocês este lp do compositor paulista, Eduardo Gudim. Taí um disquinho que estarei descobrindo juntamente com vocês. Agradeço ao amigo Fáres por mais esse presentinho 🙂 Ouvi apenas uma vez, mas já deu pra sentir e recomendar. Eduardo Gudim nos apresenta um disco, produção independente, lançado em 1981 com dez faixas, todas de sua autoria e muitas com parceiros como Paulo Cesar Pinheiro, Cacaso, Sergio Natureza e outros. Conta com a participação também da turma do MPB-4, Vera Coutinho, Maria Martha e Márcia. Como se vê, um trabalho que não tem como ser ruim. Vamos conferir? 😉

anúncio classificado
teatro de revista
lamentos no morro
é reatando que a gente se estrepa
o que tem que ser
alma
mais de um
pensamento
olhos frios
por eu ser como eu sou
 

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