Acordel (1980)

Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Seguimos aqui em nossas postagens trazendo hoje o grupo Acordel, que tinha como idealizador o músico e compositor Hilton Acioli, figura cuja carreira começa ainda nos anos 50, quando fazia parte do Trio Marayá. Hilton foi parceiro de Geraldo Vandré em várias canções, sendo as mais conhecidas, “Ventania”, “O plantador”, “João e Maria” e “Guerrilhia”. Fez arranjos para disco de Diana Pequeno e teve suas músicas gravadas por diversos artistas nacionais. Uma curiosidade, Alcioli foi o autor do famoso jingles “Lula lá”. O grupo Acordel foi mais um de seus projetos, um conjunto vocal e instrumental, que infelizmente só gravou este disco.Um belo trabalho, por sinal, sendo a faixa de abertura “Chama” uma música que fez parte de trilhas e chegou a ser executada nas rádios. Confiram mais essa joinha no GTM, ok?

chama
brasileira
estrada de ferro madeira-marmoré
ladrão de terra
amanhecerá
em nome do pai e do filho
trabalhadores do metrô
cria corvos
gado bom quem tem sou eu
clarão
era uma vez


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Beto Mi (1983)

Compositor, cantor, arranjador, regente, produtor e diretor musical. Este é o perfil de Beto Mi, nome artístico de Humberto Miranda Neto, paulista de Guaratinguetá, nascido em 4 de julho de 1958. Filho de funcionários públicos, que também tocavam acordeom e piano, é primo dos músicos Sérgio, Geraldo e Marcelo, e das cantoras Tetê e Alzira Espíndola. Ainda menino, o nosso Beto dedilhava intuitivamente o acordeom de seus pais, repetindo sons ouvidos na casa de um vizinho que tocava sanfona. Na adolescência, participou de corais, bandas marciais e grupos musicais que, entre outras coisas, tocavam em missas jovens na região. Nos anos 1970, mudou-se para a capital paulista, e cursou alguns períodos da Faculdade de Música e Educação Artística do Instituto Musical de São Paulo. Frequentou bares de estudantes e a noite paulista, e atuou como diretor musical do Teatro Experimental Universitário (TEU). Em seguida, começou a participar de festivais de música, tendo sido premiado em vários deles como compositor e intérprete. Em 1982, venceu o festival de Ubá (MG) com a música “Ói u trem”, e a convite de diretores da RCA presentes ao evento, gravou um compacto simples distribuído somente no estado de Minas. Um ano depois, novo single, agora com distribuição nacional, e em seguida vem o primeiro LP, justamente o disco que o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos, produzido por Durval Ferreira e dedicado ao irmão de Beto Mi, Lucas. O disco tem as participações especiais do saxofonista Hector Costita, de Ubirajara (bandoneon) e do percussionista Mílton Banana, recebeu elogios da crítica e vendeu mais de cem mil cópias. Ainda em 1983, participou do III Festival do Disco Visão, em Canela (RS). Residiu durante algum tempo no Nordeste, época em que lançou os discos “Espelhos” e “Um tempo pra sonhar”. Ao todo, tem sete álbuns gravados, entre LPs e CDs, e um DVD, em seus mais de 35 anos de carreira artística, nos quais armazenou diversas vitórias e conquistou vários amigos e parceiros (Sá & Guarabyra, Vanusa, Ronnie Von, Ivan Lins, Flávio Venturini etc.), com seu trabalho e sua simplicidade. Além de cantar e compor, Beto Mi criou e desenvolveu o projeto educativo, cultural, musical e ambientalista “Planeta caipira”, em parceria com a Fundação Abrinq e a ONG SOS Mata Atlântica, o que resultou em um CD lançado em 2003. Desde 1997, atua ainda como professor, arranjador, maestro e regente dos corais do Instituto Salesiano Nossa Senhora do Carmo e Albert Einstein/Objetivo, em sua Guaratinguetá natal.  Enfim, este primeiro álbum de Beto Mi, que o TM oferece a vocês hoje, documenta o promissor início de carreira deste notável músico da MPB. É ouvir e conferir. 

anjo da guada
oi u tem
o ano que virá
companheiro
o poeta (vandré)
apocalipse
prá não dizer que não falei de verso
o canto do curupira
luzes do extermínio
coração do mundo

* Texto de Samuel Machado Filho