{"id":10324,"date":"2024-03-18T18:15:07","date_gmt":"2024-03-18T21:15:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=10324"},"modified":"2024-03-28T18:17:47","modified_gmt":"2024-03-28T21:17:47","slug":"brazilian-octopus-1969","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=10324","title":{"rendered":"Brazilian Octopus (1969)"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEhJAhGZMmqL496mhI_VetiBf3O0Rft_zOefSNexaA1XTwzg9OhOMH23sPPFha4oFDZNVlqQKlZo3ApK_AmgTaPmPtOs1wuJWNEe0CuGStnJlVCIJ7xZcXhxZDMxMsS4c-48HP-xLEh7UUOE7ZgNNyHqAZ3dvTHsR9A-F9jLJ-KketnRUMeEywFxLWQM8Km7\/w640-h638\/Capturar.JPG\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEibssftyNIxKp-zgrg2YR3ZfSuTvxmRECIOinQEuPVwOPhuDwZgbIIAvLCsYXLBBED4ABza8Y-5Oy7Vgk_lIQZ-QriGr9FxNboZDtJbgabolNN4H6SoWqg4kEIs4pyQT8zT4Dgc5U4ajU9bWRKzKjfBorYR93ig4PhNDYvCJxr4ydCTsXCA6ItgHUj-jFSG\/w636-h640\/Capturarb.JPG\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n<div class=\"separator\">Estou quase para chamar este m\u00eas de postagem de &#8216;momento surpresa&#8217;, ou, &#8216;pra gregos e troianos&#8217;. T\u00e1 uma salada mista, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Mas \u00e9 bom \u00e9 assim mesmo, quando menos se espera, aparece algo diferente&#8230; Desta vez, vamos com um lp bastante festejado, para n\u00e3o dizer redescoberto, principalmente para a turma de colecionadores exibicionistas, aqueles que compram discos (preferencialmente originais) celebrados pela cr\u00edtica especializada. Mas eu at\u00e9 entendo e no caso aqui, chego a bater palmas, afinal, estamos falando agora do Brazilian Octopus, um conjunto formado por feras e que sem d\u00favida, merece toda a aten\u00e7\u00e3o. Creio que nem precisamos fazer as apresenta\u00e7\u00f5es, pois est\u00e1 tudo a\u00ed. Disco badalado e tamb\u00e9m bem divulgado em outras s\u00edtios e blogs (se \u00e9 que ainda resiste algum). Inclusive \u00e9 um desses discos que mereceu uma reedi\u00e7\u00e3o, afinal, quem n\u00e3o quer ter essa joinha em sua cole\u00e7\u00e3o?<\/div>\n<div class=\"separator\">Lan\u00e7ado em 1969, pelo selo Fermata, o Brazilian Octopus foi um conjunto de um disco s\u00f3. N\u00e3o por conta de na \u00e9poca ter vendido pouco, mas creio que mais por ser formado por diversos e talentosos m\u00fasicos que n\u00e3o caberiam apenas num momento. A hist\u00f3ria \u00e9 boa e vale replicar aqui, em texto escrito por Carlos Calado. Quem ainda n\u00e3o leu ou n\u00e3o sabe da hist\u00f3ria, veja aqui&#8230;<\/div>\n<div class=\"separator\">\u00a0<\/div>\n<div class=\"separator\"><i>Imagine reunir numa mesma banda m\u00fasicos de orienta\u00e7\u00f5es t\u00e3o diversas, como o bruxo dos mil instrumentos Hermeto Pascoal, o her\u00f3i da guitarra p\u00f3s-tropicalista Lanny Gordin, o bossanovista Cido Bianchi (ex-pianista do Jongo Trio e do Milton Banana Trio), o violonista Olmir Alem\u00e3o Stocker (autor de O Caderninho, hit da gera\u00e7\u00e3o jovem guarda) e o jazzista Nilson da Matta (contrabaixista que hoje vive nos EUA). Esse encontro inusitado aconteceu mesmo, mais exatamente em 1968. Marca um cap\u00edtulo pouco conhecido da hist\u00f3ria da nossa m\u00fasica instrumental, intitulado Brazilian Octopus, e resultou num \u00e1lbum hom\u00f4nimo que hoje \u00e9 disputado por colecionadores. &#8220;Sem d\u00favida, o grupo mais estranho surgido na m\u00fasica brasileira&#8221;, comenta Marcelo Dolabela, em seu dicion\u00e1rio ABZ do Rock Brasileiro (ed. Estrela do Sul, 1987).\u00a0&#8220;Naquela \u00e9poca, n\u00e3o pens\u00e1vamos em grana, s\u00f3 quer\u00edamos tocar. Foi uma experi\u00eancia maravilhosa&#8221;, recorda Cido Bianchi, hoje tamb\u00e9m maestro e arranjador. O Brazilian Octopus foi formado em S\u00e3o Paulo, no in\u00edcio de 1968, por iniciativa de L\u00edvio Rangan, o todo-poderoso diretor de eventos da Rhodia &#8211; empresa da \u00e1rea t\u00eaxtil que produzia arrojados shows-desfiles para promover seus produtos. &#8220;O L\u00edvio gostava muito de mim. Chegou a dizer que ia me transformar em um novo S\u00e9rgio Mendes&#8221;, conta o m\u00fasico paulista, encarregado por Rangan de coordenar o grupo.\u00a0Por sinal, o Brazilian Octopus j\u00e1 nasceu com uma regalia incomum no mercado musical da \u00e9poca: um contrato de trabalho por um ano, que inclu\u00eda tr\u00eas meses de ensaios pagos. Da primeira forma\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de Bianchi (piano e \u00f3rg\u00e3o), Lanny (guitarra) e Alem\u00e3o (viol\u00e3o e guitarra), participavam tamb\u00e9m Douglas de Oliveira (bateria), Jo\u00e3o Carlos Pegoraro (vibrafone), Carlos Alberto Alc\u00e2ntara (sax tenor e flauta), Caz\u00e9 (sax alto) e Matias (contrabaixo). Na \u00e9poca, esses mesmos m\u00fasicos gravaram um disco com o saxofonista japon\u00eas Sadao Watanabe, que n\u00e3o chegou a ser lan\u00e7ado no Brasil.\u00a0Rangan formou o Brazilian Octopus para executar ao vivo a trilha sonora do Momento 68, o mais ambicioso dos espet\u00e1culos institucionais da Rhodia produzidos at\u00e9 ent\u00e3o no pa\u00eds. Com dire\u00e7\u00e3o musical do maestro Rog\u00e9rio Duprat e dire\u00e7\u00e3o c\u00eanica de Ademar Guerra, esse show-desfile tinha os atores Raul Cort\u00eas e Walmor Chagas encabe\u00e7ando o elenco, ao lado dos cantores Gilberto Gil, Caetano Veloso, Eliana Pitman e do bailarino Lennie Dale. Os textos eram assinados por Mill\u00f4r Fernandes. &#8220;Eu me fantasiei de le\u00e3o v\u00e1rias vezes naqueles desfiles da Rhodia. O grupo todo se vestia de bicho e tocava dentro de uma jaula&#8221;, lembra Hermeto, que veio a substituir Caz\u00e9, alguns meses depois, junto com Nilson da Matta, que assumiu o contrabaixo. Apesar de suas trajet\u00f3rias diversas, quase todos os integrantes do grupo j\u00e1 se conheciam da noite paulistana, especialmente da boate Stardust (dirigida pelo pai de Lanny), onde Hermeto, Bianchi e Alem\u00e3o tocavam com freq\u00fc\u00eancia.\u00a0&#8220;Lembro bem de que estava ensaiando com o Brazilian Octopus, quando recebemos a not\u00edcia de que o Wes Montgomery havia falecido dois dias antes&#8221;, conta Alem\u00e3o, referindo-se ao lend\u00e1rio guitarrista de jazz norte-americano, que morreu em 15 de junho de 1968. &#8220;Como sempre, aconteciam aquelas briguinhas&#8221;, conta o saxofonista Carlos Alberto (hoje integrante da big band que acompanha Wilson Simoninha), lembrando que a &#8220;incompatibilidade de id\u00e9ias&#8221; era freq\u00fcente nos ensaios do grupo, especialmente na hora de decidir o repert\u00f3rio.\u00a0N\u00e3o foi diferente quando, ap\u00f3s alguns meses de ensaio, o diretor de eventos da Rhodia prop\u00f4s ao octeto a grava\u00e7\u00e3o de um disco. &#8220;A id\u00e9ia do L\u00edvio Rangan era que a gente inclu\u00edsse no repert\u00f3rio algumas m\u00fasicas mais comerciais, para tocar no r\u00e1dio&#8221;, recorda Alem\u00e3o, encarregado por ele de contactar compositores com os quais j\u00e1 havia trabalhado. &#8220;Consegui v\u00e1rias m\u00fasicas in\u00e9ditas, que o Cido Bianchi, interessado apenas em tocar jazz, recusou. Uma delas era Pa\u00eds Tropical, do Jorge Ben&#8221;, alfineta o violonista.\u00a0&#8220;Mesmo quando t\u00ednhamos que tocar m\u00fasicas italianas e francesas do repert\u00f3rio da Rhodia, n\u00f3s n\u00e3o brinc\u00e1vamos, toc\u00e1vamos sempre bonito. Esse trabalho influenciou muita coisa que eu fa\u00e7o at\u00e9 hoje. \u00c9 por isso que eu acho que a m\u00fasica \u00e9 universal. Todo mundo tem influ\u00eancia de todo mundo&#8221;, diz Hermeto, que assumiu a tarefa de coordenar os arranjos coletivos, depois de alguns desentendimentos entre os m\u00fasicos. Ele comp\u00f4s tamb\u00e9m dois temas, que aparecem entre as 12 faixas do hoje rar\u00edssimo LP Brazilian Octopus (editado pela Fermata, em 1969): Rhodosando e Chay\u00ea, fus\u00f5es de m\u00fasica pop com o ritmo cubano do ch\u00e1-ch\u00e1-ch\u00e1. &#8220;Para compor essas m\u00fasicas, inspirei-me nas modelos e nos rapazes que desfilavam para a Rhodia. Eu era m\u00fasico da noite naquela \u00e9poca e j\u00e1 tocava de tudo&#8221;, lembra o compositor alagoano.\u00a0Outros integrantes do grupo tamb\u00e9m contribu\u00edram com composi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias: Alem\u00e3o (Can\u00e7\u00e3o Latina, parceria original com Vitor Martins, que j\u00e1 tinha conquistado o segundo lugar no Festival Internacional da Can\u00e7\u00e3o do M\u00e9xico), Pegoraro (a jazz\u00edstica Summerhill) e Lanny (a singela O P\u00e1ssaro). A grava\u00e7\u00e3o desta \u00faltima, por sinal, acabou provocando um bate-boca no est\u00fadio entre Hermeto e os t\u00e9cnicos de som. &#8220;Como essa m\u00fasica tinha uma linha mel\u00f3dica repetitiva, ele escreveu um contracanto tocado por duas flautas, para variar um pouco. S\u00f3 que, na hora da mixagem, o contracanto tinha sumido da grava\u00e7\u00e3o. O Hermeto ficou t\u00e3o bravo que queria pegar o t\u00e9cnico&#8221;, diverte-se o saxofonista Carlos Alberto, lembrando tamb\u00e9m que o bruxo de Lagoa da Canoa n\u00e3o aparece na capa do disco porque n\u00e3o p\u00f4de comparecer \u00e0 sess\u00e3o de fotos. Um funcion\u00e1rio da ag\u00eancia de propaganda Standard, que gerenciava a conta da Rhodia, foi fotografado ao piano. Assim como um velhinho, um cachorro e uma crian\u00e7a, que n\u00e3o tinham nada a ver com a grava\u00e7\u00e3o mas aparecem na capa. A sess\u00e3o de fotos foi realizada num terreno descampado, cuja aridez lembrava a superf\u00edcie da Lua &#8211; refer\u00eancia \u00e0 ent\u00e3o badalada corrida espacial entre os Estados Unidos e a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.\u00a0Produzido por M\u00e1rio Albanese e Fausto Canova, o \u00e1lbum do Brazilian Octopus inclui ainda arranjos das conhecidas Casa Forte (de Edu Lobo), Pavane (Gabriel Faur\u00e9), Can\u00e7\u00e3o de Fim de Tarde (dos bossa-novistas Walter Santos e Thereza Souza), Gosto de Ser Como Sou e Gamboa (ambas de M\u00e1rio Albanese e Ciro Pereira), que exploravam uma caracter\u00edstica sonoridade produzida pelas flautas com o vibrafone, o \u00f3rg\u00e3o e as guitarras. &#8220;Nunca recebemos um tost\u00e3o por esse disco. Parece que ele foi lan\u00e7ado na Europa, onde fez at\u00e9 um certo sucesso&#8221;, diz Carlos Alberto, lembrando que os integrantes do Brazilian Octopus chegaram a procurar a diretoria da Fermata, para tirar satisfa\u00e7\u00f5es sobre a vendagem do \u00e1lbum. Em vez de cheques, receberam apenas elogios e um convite para gravar outro disco. Como imaginaram que n\u00e3o receberiam nada novamente, recusaram. Terminou ali o inusitado octeto.\u00a0Tr\u00eas d\u00e9cadas depois , Hermeto Pascoal n\u00e3o se surpreende, nem mesmo se incomoda, ao saber que c\u00f3pias dom\u00e9sticas do \u00fanico \u00e1lbum do Brazilian Octopus v\u00eam circulando no formato CD, em S\u00e3o Paulo. &#8220;Se a gravadora n\u00e3o se interessa em fazer o CD, essas pessoas t\u00eam que copiar mesmo. \u00c9 o \u00fanico jeito que o p\u00fablico tem de ouvir a nossa m\u00fasica&#8221;, referenda um dos pais dessa raridade da MPB instrumental dos anos 60.<\/i><\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div class=\"separator\">gamboa<\/div>\n<div class=\"separator\">rhodosando<\/div>\n<div class=\"separator\">can\u00e7\u00e3o latina<\/div>\n<div class=\"separator\">pavane<\/div>\n<div class=\"separator\">as borboletas<\/div>\n<div class=\"separator\">momento b8<\/div>\n<div class=\"separator\">summerhill<\/div>\n<div class=\"separator\">gosto de ser como sou<\/div>\n<div class=\"separator\">chay\u00ea<\/div>\n<div class=\"separator\">can\u00e7\u00e3o de fim de tarde<\/div>\n<div class=\"separator\">o p\u00e1ssaro<\/div>\n<div class=\"separator\">casa forte\u00a0<\/div>\n<div class=\"separator\">\u00a0<\/div>\n<div class=\"separator\">\u00a0<\/div>\n<div class=\"separator\">.<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estou quase para chamar este m\u00eas de postagem de &#8216;momento surpresa&#8217;, ou, &#8216;pra gregos e troianos&#8217;. 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