{"id":2408,"date":"2012-09-04T00:36:39","date_gmt":"2012-09-04T00:36:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=2408"},"modified":"2012-09-04T00:36:39","modified_gmt":"2012-09-04T00:36:39","slug":"tonico-tinoco-selecao-78-rpm-do-toque-musical-vol-33-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=2408","title":{"rendered":"Tonico &#038; Tinoco &#8211; Sele\u00e7\u00e3o 78 RPM Do Toque Musical &#8211; Vol. 33 (2012)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-LG6kkVfF2as\/UEVKfBmWRNI\/AAAAAAAADk8\/o89qhWaFCRQ\/s400\/CAPAp.JPG\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-qlNmb2sGgss\/UEVKbazl1FI\/AAAAAAAADk0\/FVcr5cCUeWY\/s400\/CONTRACAPAp.JPG\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p>E o Grand Record Brazil chega \u00e0 \u201cidade de Cristo\u201d (rsrsrsrsrsrs&#8230;)&#8230; \u00c9 porque j\u00e1 estamos na edi\u00e7\u00e3o de n\u00famero 33, apresentando a primeira parte de uma retrospectiva dos melhores momentos da eterna \u201cdupla cora\u00e7\u00e3o do Brasil\u201d, Tonico e Tinoco.<\/p>\n<p>Obviamente, os dois eram irm\u00e3os, filhos de imigrantes espanh\u00f3is. Tonico (Jo\u00e3o Salvador Perez) era de S\u00e3o Manoel, interior paulista, onde nasceu em 2 de mar\u00e7o de 1917. Tinoco (Jos\u00e9 Perez), por sua vez, era um pouquinho mais novo, nascido em 19 de novembro de 1920 em uma fazenda em Botucatu, perto de S\u00e3o Manoel, que hoje pertence ao munic\u00edpio de Prat\u00e2nia. E foi ouvindo as m\u00fasicas de Corn\u00e9lio Pires que foram influenciados na arte de cantar. Ainda adolescentes, compraram suas violas e passaram a cantar em dupla em serenatas nas fazendas da regi\u00e3o, sendo que a primeira m\u00fasica que aprenderam foi o cl\u00e1ssico \u201cTristeza do Jeca\u201d, de Angelino de Oliveira, que mais tarde gravariam (e est\u00e1 nesta sele\u00e7\u00e3o). Em fins de 1937, a fam\u00edlia Perez, ao lado de outras, decidiu tentar a sorte em Sorocaba, Tonico foi ser servente na Pedreira Santa Helena e Tinoco virou engraxate na esta\u00e7\u00e3o de trem da Sorocabana. Mas, a coisa n\u00e3o deu certo, e a fam\u00edlia voltou ao campo, na Fazenda Jo\u00e3o Cintra, em S\u00e3o Manoel. Isso, por\u00e9m, deu aos irm\u00e3os Perez a chance de se apresentar em r\u00e1dio, mais precisamente a R\u00e1dio Clube de S\u00e3o Manoel, levados pelo administrador da fazenda, Jos\u00e9 Augusto Barros. Durante a semana eles trabalhavam na ro\u00e7a e aos domingos cantavam na r\u00e1dio, sem nada ganhar, apenas por amor \u00e0 arte.<\/p>\n<p>Em 1943, j\u00e1 em S\u00e3o Paulo, os irm\u00e3os participaram de programas de calouros do r\u00e1dio, sem \u00eaxito. Nessa ocasi\u00e3o, o Capit\u00e3o Furtado (Ariowaldo Pires, sobrinho de Corn\u00e9lio Pires), promoveu um concurso em seu programa \u201cArraial da Curva Torta\u201d, na Difusora, para preencher uma vaga (o programa estava sem violeiros). \u00c9 a\u00ed que os irm\u00e3os Perez, mais um primo, se candidatam como Trio da Ro\u00e7a. Classificam-se para a final, obtendo o primeiro lugar e, sem o primo, s\u00e3o batizados pelo Capit\u00e3o Furtado com os nomes que os imortalizaram: Tonico e Tinoco.<\/p>\n<p>A primeira grava\u00e7\u00e3o da dupla saiu pela Continental, em julho de 1945: o cateret\u00ea \u201cEm vez de me agradecer\u201d, do Capit\u00e3o Furtado, Jaime Martins e Aimor\u00e9, lado B de \u201cSalada internacional\u201d, com Palmeira e Piraci (s\u00f3 saiu porque a outra m\u00fasica dessa dupla foi censurada!). Em setembro de 1945 \u00e9 que sai o primeiro 78 completo de Tonico e Tinoco, gravado em 8 de agosto desse ano, apresentando as modas de viola \u201cTudo tem no sert\u00e3o\u201d, de Tonico (lado A, que ali\u00e1s est\u00e1 aqui, matriz 10454-2), e \u201cPorto Esperan\u00e7a\u201d, de Tonico e Miguel Patetti.<\/p>\n<p>Depois disso, todos sabem o que aconteceu: \u00eaxitos sobre \u00eaxitos em disco (cerca de mil grava\u00e7\u00f5es em 60 anos de estrada!), apresenta\u00e7\u00f5es em todos os cantos do Brasil (at\u00e9 mesmo no Teatro Municipal de S\u00e3o Paulo, e chegaram at\u00e9 a cantar numa feira de moda junto com nossa rainha-m\u00e3e do rock, Rita Lee!), sempre mantendo a fidelidade ao velho e bom g\u00eanero caipira, sendo por isso considerada, com justi\u00e7a, a mais importante dupla caipira brasileira, e a de maior refer\u00eancia no g\u00eanero. Ganharam, claro, in\u00fameros pr\u00eamios: Roquette Pinto, Pr\u00eamio Sharp de M\u00fasica, Medalha Anchieta, Trof\u00e9u Imprensa&#8230; Tiveram companhia circense, escrevendo e atuando em 25 pe\u00e7as, e atuaram no r\u00e1dio paulistano durante mais de 50 anos, na Nacional (atual Globo), na Record e sobretudo na Bandeirantes (ent\u00e3o \u201ca mais popular emissora paulista\u201d), onde apresentaram o programa \u201cNa beira da tuia\u201d. Tamb\u00e9m tiveram esse programa na televis\u00e3o, nas redes Bandeirantes e SBT. Gravaram, al\u00e9m da Continental, na Chantecler, na RCA Victor, na Copacabana, na Philips e em sua sucessora, a Polygram, onde registraram seu \u00faltimo trabalho em disco.<\/p>\n<p>O \u00faltimo show da dupla aconteceu na cidade matogrossense de Ju\u00edna, em 1994. Seis dias mais tarde, a 13 de agosto, Tonico falece ap\u00f3s uma queda na escada do pr\u00e9dio em que morava, no bairro paulistano da Mo\u00f3ca. Tinoco, por\u00e9m, ap\u00f3s dizer que deixaria de cantar, prosseguiu sozinho, apoiado pelos seus in\u00fameros f\u00e3s e homenageado at\u00e9 mesmo por Roberto Carlos, em 2010, no especial de TV \u201cEmo\u00e7\u00f5es sertanejas\u201d. E continuaria na ativa at\u00e9 falecer, em 4 de maio deste 2012, em S\u00e3o Paulo, de insufici\u00eancia cardiorrespirat\u00f3ria, aos 91 anos, tornando-se assim o artista sertanejo que mais atuou na hist\u00f3ria de nossa m\u00fasica.<\/p>\n<p>O GRB come\u00e7a a trazer um pouco da hist\u00f3ria musical dos inesquec\u00edveis irm\u00e3os Tonico e Tinoco. As grava\u00e7\u00f5es que apresentamos s\u00e3o todas de sua primeira fase, na Continental, feitas entre 1945 e 1948. Em ordem de lan\u00e7amento, s\u00e3o: a j\u00e1 citada \u201cTudo tem no sert\u00e3o\u201d; \u201cSert\u00e3o do Laranjinha\u201d, motivo popular adaptado pela dupla mais o Capit\u00e3o Furtado, matriz 10453, tendo no verso do disco 15418, gravado em 22 de julho de 1945 e lan\u00e7ado em setembro seguinte, o cateret\u00ea \u201cPercorrendo o meu Brasil\u201d, de Jo\u00e3o Martins, matriz 10451. Temos depois a moda de viola \u201cCuiabana\u201d de Tonico e Bonfim Pereira, gravada em 16 de agosto de 1945, com lan\u00e7amento em outubro (15447-A, matriz 10469). Em seguida o disco 15681, gravado em 10 de abril de 1946 e lan\u00e7ado em agosto do mesmo ano, apresentando a valsa \u201cCortando estrad\u00e3o\u201d, de Anacleto Rosas Jr., matriz 10578, e no lado B, matriz 10579, uma toada que todo mundo sabe de cor, embora pungente: \u201cChico Mineiro\u201d, de Tonico e Francisco Ribeiro. Ali\u00e1s, quando Tonico e Tinoco foram gravar a m\u00fasica, os dirigentes da Continental lhes informaram que esse seria o \u00faltimo disco deles na empresa, pois j\u00e1 haviam gravado outros cinco com nove m\u00fasicas e os ouvintes reclamavam n\u00e3o entender a pron\u00fancia caipira da dupla. \u00c9 claro que isso n\u00e3o aconteceu, e, com o dinheiro resultante do sucesso de \u201cChico Mineiro\u201d, eles conseguiram comprar sua primeira casa para viver com a fam\u00edlia. Do Continental 15706, gravado em primeiro de junho de 1946 e lan\u00e7ado em setembro seguinte, vem o lado A, matriz 10606, apresentando a moda de viola \u201cPe\u00e3o vaqueiro\u201d, de Tonico sozinho. E n\u00e3o h\u00e1 quem nunca tenha ouvido \u201cTristeza do jeca\u201d, toada cl\u00e1ssica de Angelino de Oliveira, originalmente lan\u00e7ada em 1926 por Patr\u00edcio Teixeira. Esta \u00e9 a primeira das muitas grava\u00e7\u00f5es que Tonico e Tinoco fizeram desta p\u00e1gina antol\u00f3gica, em pleno feriado de Tiradentes (21 de abril) de 1947, matriz 10706, com lan\u00e7amento pela Continental em julho sob n.o 15795-B. Na sequ\u00eancia vem a toada \u201cVingan\u00e7a do Chico Mineiro\u201d, de Tonico e Sebasti\u00e3o de Oliveira, sequ\u00eancia natural do sucesso de \u201cChico Mineiro\u201d. Saiu no lado A do Continental 15913, em grava\u00e7\u00e3o de 3 de maio de 1948, lan\u00e7ada no suplemento para o trimestre de julho a setembro desse ano, matriz 10867, tendo no verso, matriz 10866, a moda de viola \u201cGoiana\u201d, de Tonico e Teddy Vieira (autor do cl\u00e1ssico \u201cO menino da porteira\u201d, entre outras), tamb\u00e9m aqui apresentada. E \u00e9 assim que o GRB come\u00e7a a reviver a gloriosa trajet\u00f3ria de Tonico e Tinoco nas 78 rota\u00e7\u00f5es por minuto. E olha: semana que vem tem mais. Combinado?<\/p>\n<p>TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E o Grand Record Brazil chega \u00e0 \u201cidade de Cristo\u201d (rsrsrsrsrsrs&#8230;)&#8230; \u00c9 porque j\u00e1 estamos na edi\u00e7\u00e3o de n\u00famero 33, apresentando a primeira parte de uma retrospectiva dos melhores momentos da eterna \u201cdupla cora\u00e7\u00e3o do Brasil\u201d, Tonico e Tinoco. 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