{"id":2452,"date":"2012-09-17T23:50:41","date_gmt":"2012-09-17T23:50:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=2452"},"modified":"2014-04-20T08:24:56","modified_gmt":"2014-04-20T11:24:56","slug":"instrumental-selecao-78-rpm-do-toque-musical-vol-35-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=2452","title":{"rendered":"Instrumental &#8211; Sele\u00e7\u00e3o 78 RPM Do Toque Musical &#8211; Vol. 35 (2012)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-a8yNdwd_deM\/UFfetfaC25I\/AAAAAAAAD0w\/pXCKxqfqWDs\/s400\/CAPAp.JPG\" width=\"400\" height=\"400\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-WYWgHVH9Za8\/UFfeg1iuTMI\/AAAAAAAAD0o\/N1XZeDLEeuw\/s400\/CONTRACAPA+p.JPG\" width=\"400\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p>Chegamos \u00e0 trig\u00e9sima-quinta edi\u00e7\u00e3o do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil. Nesta semana, apresentamos mais uma sele\u00e7\u00e3o do melhor do \u201ceasy listening\u201d tupiniquim, ou seja, a nossa m\u00fasica instrumental.<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, apresentamos raridades executadas por um violonista que deixou sua marca na hist\u00f3ria de nossa m\u00fasica popular: Am\u00e9rico Jacomino, o Canhoto (S\u00e3o Paulo, 1889-idem, 1928). Filho de imigrantes napolitanos, ele foi um dos respons\u00e1veis pelo \u201cenobrecimento\u201d do viol\u00e3o, antes considerado um instrumento de menor import\u00e2ncia, dizia-se at\u00e9 que s\u00f3 marginais faziam uso do mesmo. Tocava com a m\u00e3o esquerda, da\u00ed o apelido de Canhoto. Sua pe\u00e7a mais conhecida, a valsa \u201cAbismo de rosas\u201d, foi por ele gravada pela primeira vez em 1916, com o nome \u201cAcordes do viol\u00e3o\u201d, recebendo o nome que a consagrou em 1925, numa execu\u00e7\u00e3o bem mais lenta e elaborada. Canhoto morreu prematuramente, aos 39 anos de idade, por problemas card\u00edacos. Aqui, duas aut\u00eanticas preciosidades da fase mec\u00e2nica de grava\u00e7\u00e3o, ambas valsas, gravadas entre os dias 16 e 26 de junho de 1913 pela lend\u00e1ria Casa Edison, selo Odeon, e de autor desconhecido: \u201cAdeus, Helena\u201d, com o grupo do violonista, n\u00famero 120600, e \u201cL\u00e1grimas de amor\u201d, com Canhoto integrando o Grupo dos Chorosos, disco 120624, matriz SP.36. Esses dois registros fizeram parte da primeira s\u00e9rie de grava\u00e7\u00f5es paulistas da Casa Edison, que teve um total de 82 matrizes!<\/p>\n<p>Instrumentista, cantor, compositor e maestro, o carioca Jo\u00e3o Thomaz de Oliveira, ali\u00e1s J. Thomaz (c.1900-ant.1964) costumava reger suas orquestras de luvas brancas, isso porque, quando ele era baterista, queimou as m\u00e3os ao soltar um foguete numa festa de S\u00e3o Jo\u00e3o. E nada sabia de m\u00fasica! Dele apresentamos o disco Victor 33460, gravado em 28 de julho de 1931 e lan\u00e7ado em setembro do mesmo ano, com dois maxixes. Abrindo-o, a matriz 65203 apresenta\u00a0 \u201cLevanta, meu n\u00eago\u201d, de autoria do mestre Pixinguinha. No verso, matriz 65202, uma composi\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio J. Thomaz em parceria com S\u00e1tiro de Melo, \u201cV\u00ea se pode\u201d.<\/p>\n<p>A carioca Carolina Cardoso de Menezes (1916-1999) fazia parte de um cl\u00e3 de ilustres pianeiros, sendo filha de Oswaldo Cardoso de Menezes e da dona Sinh\u00e1, que tamb\u00e9m tocavam, \u00e9 claro. Carolina come\u00e7ou a estudar piano aos 13 anos, e chegou a ter aulas at\u00e9 mesmo com Chiquinha Gonzaga. Mesmo com idade avan\u00e7ada e problemas de sa\u00fade, apresentou-se em recitais at\u00e9 falecer, em 31 de dezembro de 1999. Aqui, Carolina, acompanhada de grupo r\u00edtmico, nos brinda com sua arte t\u00e3o pian\u00edstica e brasileira com as faixas do disco Odeon 13611, gravado em 20 de outubro de 1953 e lan\u00e7ado em mar\u00e7o de 54. No lado A, matriz 9938, o choro \u201cUma farra em Campo Grande\u201d, de autoria de outro pianista de renome, Romualdo Peixoto, o Non\u00f4, tio dos cantores Cauby Peixoto e Ciro Monteiro, e por ele pr\u00f3prio lan\u00e7ado em 1932. No verso, matriz 9939, um bai\u00e3o de autoria dela pr\u00f3pria, \u201cVem c\u00e1, meu amor\u201d.<\/p>\n<p>O paraguaio Luiz Bord\u00f3n (1926-2006) recebeu incentivo de seus pais desde a inf\u00e2ncia para dedicar-se \u00e0 m\u00fasica. Com sua harpa, fez apresenta\u00e7\u00f5es no Paraguai e no Brasil (onde residiu por v\u00e1rios anos), e seu \u00e1lbum mais famoso \u00e9 \u201cA harpa e a cristandade\u201d, com m\u00fasicas de Natal, editado em 1960 e que mereceu um segundo volume cinco anos depois. Residiu por tr\u00eas anos nos EUA e voltou ao Paraguai, onde morreu aos 80 anos. Aqui, apresentamos o disco Chantecler 78-0238, lan\u00e7ado em mar\u00e7o de 1960, que abre com o cl\u00e1ssico \u201cBai\u00e3o de dois\u201d (o arroz com feij\u00e3o no Cear\u00e1), de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, matriz C8P-475, originalmente lan\u00e7ado por Emilinha Borba em 1950. No lado B, matriz C8P-476: uma vers\u00e3o, em ritmo de tango, da marchinha \u201cMe d\u00e1 um dinheiro a\u00ed\u201d, dos irm\u00e3os, Homero, Ivan e Glauco Ferreira, hit do carnaval daquele ano na voz de Moacyr Franco, e inspirada no mendigo por ele interpretado na \u201cPra\u00e7a da Alegria\u201d, na TV. Ambas as grava\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m chegaram ao LP, afinal era uma \u00e9poca de transi\u00e7\u00e3o de formatos: \u201cBai\u00e3o de dois\u201d saiu em \u201cHarpa paraguaia em hi-fi \u2013 volume 3\u201d, e \u201cMe d\u00e1 um dinheiro a\u00ed\u201d em \u201cRecordando carnavais\u201d.<\/p>\n<p>Um dos maiores \u2018bandleaders\u2019 brasileiros, o paulistano Sylvio Mazzuca (1919-2003) tamb\u00e9m foi pianista e ex\u00edmio executante de vibrafone. Sua orquestra, nos anos 1950\/60, era a mais solicitada para animar bailes e festas em S\u00e3o Paulo, al\u00e9m de tamb\u00e9m se exibir em bailes de formatura no Rio de Janeiro. Continuou atuando at\u00e9 meados dos anos 1990, viajando pelo pa\u00eds a bordo de um \u00f4nibus especialmente adaptado. De Mazzuca e sua prestigiad\u00edssima orquestra apresentamos o disco Copacabana 5145, lan\u00e7ado em agosto-setembro de 1953. De um lado, o fox-slow \u201cLimelight\u201d, matriz M-554, composi\u00e7\u00e3o de Charles Chaplin inclu\u00edda em seu filme de mesmo nome, o famoso \u201cLuzes da ribalta\u201d no Brasil (s\u00f3 foi lan\u00e7ado nos EUA em 1972, pois Chaplin estava inclu\u00eddo na lista negra do macartismo). No verso, matriz M-555, um choro do pr\u00f3prio Mazzuca, \u201cTravesso\u201d.<\/p>\n<p>Para terminar, apresentamos dois cl\u00e1ssicos do mestre Zequinha de Abreu (Santa Rita do Passa Quatro, SP, 1880-S\u00e3o Paulo, 1935), executados pela Orquestra Colbaz, com piano e reg\u00eancia do maestro Ga\u00f3 (Odmar Amaral Gurgel, 1909-1994), paulista de Salto. Os demais integrantes eram Jonas Arag\u00e3o (clarineta), Z\u00e9 Carioca (violino), Petit (viol\u00e3o), Jos\u00e9 Rielli (acorde\u00e3o) e At\u00edlio Grany (flauta).\u00a0 Colbaz era o endere\u00e7o telegr\u00e1fico da gravadora Columbia do Brasil, que lan\u00e7ou esse disco em junho-julho de 1931 com o n\u00famero 22029. Abrindo-o, matriz 381027, a bela valsa \u201cBranca\u201d, que Zequinha comp\u00f4s em homenagem \u00e0 filha do chefe da esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria de Santa Rita, ent\u00e3o com 13 anos de idade, e a quem muito admirava, \u201ca gentil senhorita Branca Barreto\u201d, nome dado inclusive a pedido do chefe da esta\u00e7\u00e3o, muito amigo do compositor. O verso, matriz 381028, \u00e9 o famoso \u201cchoro sapeca\u201d \u201cTico-tico no fub\u00e1\u201d, mundialmente conhecido e gravado in\u00fameras vezes. Foi composto em 1917 como \u201cTico-tico no farelo\u201d, e lan\u00e7ado por Zequinha durante um baile animado por sua orquestra. Mas j\u00e1 havia outra m\u00fasica com esse nome, da\u00ed o farelo ter sido trocado pelo fub\u00e1. Esse disco permaneceria em cat\u00e1logo por v\u00e1rios anos, e teve outras edi\u00e7\u00f5es: pela mesma Columbia, com o n\u00famero 55038, e pela Continental, com o n\u00famero 15004. E encerra a edi\u00e7\u00e3o desta semana do GRB, que certamente proporcionar\u00e1 momentos muito agrad\u00e1veis de recorda\u00e7\u00e3o e enlevo. Aproveite!<\/p>\n<p>TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chegamos \u00e0 trig\u00e9sima-quinta edi\u00e7\u00e3o do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil. Nesta semana, apresentamos mais uma sele\u00e7\u00e3o do melhor do \u201ceasy listening\u201d tupiniquim, ou seja, a nossa m\u00fasica instrumental. 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