{"id":2560,"date":"2012-10-15T21:54:18","date_gmt":"2012-10-15T21:54:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=2560"},"modified":"2014-04-20T08:22:00","modified_gmt":"2014-04-20T11:22:00","slug":"varios-cantores-selecao-78-rpm-do-toque-musical-vol-39-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=2560","title":{"rendered":"V\u00e1rios Cantores &#8211; Sele\u00e7\u00e3o 78 RPM Do Toque Musical &#8211; Vol. 39 (2012)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-64U_3SCP1WA\/UHyEASNK27I\/AAAAAAAAESE\/guiJzhGxJCo\/s400\/CAPAp.JPG\" width=\"400\" height=\"400\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-J_KqI7GfqrQ\/UHyD6TpFvPI\/AAAAAAAAER8\/2m_3CG0GhoE\/s400\/CONTRACAPAp.JPG\" width=\"400\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p>E chegamos \u00e0 trig\u00e9sima-nona edi\u00e7\u00e3o do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil. Esta semana, estaremos apresentando seis cantores de prest\u00edgio popular, cada um comparecendo com duas grava\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O primeiro deles \u00e9 Jos\u00e9 Alcides Gerardi, nascido na cidade ga\u00facha de Rio Grande em 15 de maio de 1918. Ainda muito jovem, Alcides mudou-se para Porto Alegre, onde come\u00e7ou seus estudos, e logo depois para o Rio de Janeiro, onde concluiu a escola prim\u00e1ria e come\u00e7ou a trabalhar com o pai, que era comerciante, o que faria at\u00e9 1935, quando iniciou sua carreira de cantor numa orquestra de dancing. Sua primeira grava\u00e7\u00e3o comercial deu-se em 1945, interpretando a valsa \u201cLourdes\u201d, de M\u00e1rio Rossi e George Brass, que o acompanhou ao acorde\u00e3o. Entre seus maiores sucessos est\u00e3o \u201cPergunte a ela\u201d, \u201cAbaixo de Deus\u201d, \u201cAntonico\u201d, \u201cSeu nome n\u00e3o \u00e9 Maria\u201d, \u201cMarise\u201de muitos outros. Alcides Gerardi morreu de acidente automobil\u00edstico, ao voltar de um show, em 3 de janeiro de 1978, no Rio de Janeiro. Dele o GRB apresenta o disco Columbia CB-10370, lan\u00e7ado no ano de 1957. Abrindo-o, matriz CBO-1093, o bolero \u201cN\u00e3o\u201d, de Ren\u00ea Bruxelas e Belony de Carli, e no verso, matriz CBO-1092, um rasqueado de Paulo Borges que at\u00e9 hoje todos conhecem: o famoso \u201cCabecinha no ombro\u201d (&#8216;Encosta tua cabecinha no meu ombro e chora\u201d&#8230;), um sucesso de fato estrondoso, e que tem merecido in\u00famera regrava\u00e7\u00f5es. As duas faixas tamb\u00e9m foram inclu\u00eddas no LP de dez polegadas \u201cEncantamento\u201d, refletindo uma \u00e9poca de transi\u00e7\u00e3o de formatos, da cera para o vinil.<\/p>\n<p>O seguinte \u00e9 Jo\u00e3o Dias Rodrigues Filho, ou simplesmente Jo\u00e3o Dias. Paulista de Campinas, onde nasceu em 12 de outubro de 1927, come\u00e7ou sua carreira em 1948 na PRA-5, R\u00e1dio S\u00e3o Paulo (\u201ca voz amiga\u201d), levado por Cardoso Silva. Um ano depois j\u00e1 estava na Bandeirantes (ent\u00e3o \u201ca mais popular emissora paulista\u201d) e, em uma apresenta\u00e7\u00e3o na boate Cairo, foi descoberto por Francisco Alves, que o levou para o Rio de Janeiro (e o apontou como seu sucessor, porque a voz era praticamente igual). L\u00e1, Jo\u00e3o gravou seu primeiro disco, na Odeon, lan\u00e7ado em fevereiro de 1951, interpretando \u201cGuacira\u201d (Hekel Tavares e Joracy Camargo) e \u201cCanta, Maria\u201d (Ary Barroso). Entre seus maiores hits est\u00e3o \u201cSinos de Bel\u00e9m\u201d (vers\u00e3o de \u201cJingle bells\u201d), \u201cFim de ano\u201d (o famoso \u201cAdeus, ano velho\u201d), \u201cO velhinho\u201d (\u201cBotei meu sapatinho na janela do quintal\u201d&#8230;), \u201cMam\u00e3e\u201d (cl\u00e1ssico dueto com \u00c2ngela Maria), \u201cMilagre da volta\u201d, \u201cPoema das m\u00e3os\u201d, \u201c\u00c9 o pau\u201d, etc. Faleceu em 27 de novembro de 1996, no Rio de Janeiro, \u00e9poca em que dirigia a Socimpro (Sociedade Brasileira de Int\u00e9rpretes e Produtores Fonogr\u00e1ficos). Jo\u00e3o Dias \u00e9 aqui lembrado com o disco Odeon 13679, gravado em 17 de maio de 1954 e lan\u00e7ado em julho do mesmo ano. Abrindo-o, matriz 10130, a valsa \u201c\u00c9 o amore\u201d (\u201cThat&#8217;s amore\u201d), de Harry Warren e Jack Brooks, em vers\u00e3o de Haroldo Barbosa, e no verso, matriz 10131, o samba-can\u00e7\u00e3o \u201cFalso amigo\u201d, de Herivelto Martins (compositor cujo centen\u00e1rio de nascimento \u00e9 relembrado neste ano de 2012) e Benedito Lacerda.<\/p>\n<p>Francisco Rodrigues Filho, ali\u00e1s, Francisco Carlos, nasceu no Rio de Janeiro em 5 de abril de 1928, mas foi criado no Recife, capital pernambucana, para onde sua fam\u00edlia se transferiu, l\u00e1 morando at\u00e9 1939. De volta ao Rio natal, apresentou-se ainda estudante no programa de Ademar Cas\u00e9 (av\u00f4 da Regina), na R\u00e1dio Mayrink Veiga, e diplomou-se em pintura pela Escola Nacional de Belas Artes. Ao longo de sua vida dedicou-se \u00e0 m\u00fasica e \u00e0 pintura (inclusive foi pintor premiado no Brasil e fora dele) e, em 1946, assinou seu primeiro contrato profissional, com a R\u00e1dio Tamoio. Seu primeiro disco saiu pela Star, em 1949, interpretando os sambas-can\u00e7\u00f5es \u201cAbandono\u201d, de C\u00e9sar Formenti Neto\u201d, e \u201cDist\u00e2ncia\u201d, de Fernando Lobo. Mas seu primeiro grande sucesso aconteceu quando ele se transferiu para a RCA Victor: a marchinha \u201cMeu brotinho\u201d, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira\u201d, estrondoso sucesso na folia momesca de 1950 e por ele tamb\u00e9m interpretada no filme \u201cCarnaval no fogo\u201d, da Atl\u00e2ntida. Nesse lend\u00e1rio est\u00fadio, participou de in\u00fameras chanchadas como ator e cantor, e tamb\u00e9m foi contratado da n\u00e3o menos lend\u00e1ria R\u00e1dio Nacional, onde foi campe\u00e3o absoluto de correspond\u00eancia durante anos. Entre seus sucessos destacamos \u201cRio de Janeiro (Isto \u00e9 o meu Brasil)\u201d, de Ary Barroso, \u201cVestido de noiva\u201d (Francisco Alves e David Nasser), \u201cVoc\u00ea n\u00e3o sabe amar\u201d (Dorival Caymmi, Carlos Guinle e Hugo Lima), \u201cMinha prece\u201d (Haroldo Eiras e Ciro Cunha), o frevo-can\u00e7\u00e3o \u201cNos cabelos de Rosinha\u201d (Capiba) e muitos mais. Faleceu em 19 de mar\u00e7o de 2003, em seu Rio de Janeiro natal, de c\u00e2ncer. De Francisco Carlos apresentamos o disco RCA Victor 80-1967, gravado em 6 de maio de 1958 e lan\u00e7ado em agosto do mesmo ano. Abrindo-o, matriz 13-J2PB-0403, o cl\u00e1ssico choro-can\u00e7\u00e3o (originalmente polca) \u201cFlor amorosa\u201d, de Joaquim Ant\u00f4nio da Silva Callado, com letra escrita por Catulo da Paix\u00e3o Cearense no mesmo ano do falecimento de Callado, em 1880, e cuja primeira grava\u00e7\u00e3o cantada deu-se em 1913, por Aristarco Dias Brand\u00e3o. Francisco Carlos tamb\u00e9m o interpretou no filme \u201cEsse milh\u00e3o \u00e9 meu\u201d, da j\u00e1 mencionada Atl\u00e2ntida, e sua inclus\u00e3o deu-se por sugest\u00e3o de Paulo Tapaj\u00f3s, cantor, compositor e radialista. No verso, matriz 13-J2PB-0402, o bolero \u201cCuando tu me quieras\u201d, de Raul Shaw Moreno e Mario Barrios, em vers\u00e3o de Geraldo Serafim. Das\u00a0 duas, s\u00f3 \u201cFlor amorosa\u201d chegou ao LP, em \u00e1lbum sem t\u00edtulo.<\/p>\n<p>Em seguida, vem um dos mais queridos cantores populares que o Brasil j\u00e1 teve: Jos\u00e9 Adauto Michiles, ali\u00e1s Orlando Dias, nascido no Recife em 1.o de agosto de 1923 e falecido no Rio de Janeiro em 11 de agosto de 2001. Ele tinha como marca registrada interpreta\u00e7\u00f5es cheias de estilo, exageradas, acenando len\u00e7os, fazendo gestos teatrais, ajoelhando-se no palco, declamando versos emocionados, agradecendo \u00e0s f\u00e3s, usando roupas espalhafatosas&#8230; Enfim, o mais pol\u00eamico cantor de sua \u00e9poca, mas ainda assim verdadeiro \u00eddolo popular, com sucessos sem conta, principalmente no g\u00eanero rom\u00e2ntico, interpretando boleros e sambas-can\u00e7\u00f5es. No disco que inclu\u00edmos aqui, o Odeon 14538, gravado em 2 de outubro de 1959 e lan\u00e7ado a toque de caixa, vem dois bolera\u00e7os de sucesso por ele interpretados: \u201cVem pra junto de mim\u201d, de William Duba e Nahum Luiz, matriz 13837, e \u201cTu h\u00e1s de pensar de mim\u201d, de Waldir Machado, matriz 13838. Esta \u00faltima seria faixa-t\u00edtulo de um LP lan\u00e7ado por Orlando em 1960, no qual tamb\u00e9m saiu \u201cVem pra junto de mim\u201d. Outros hits do cantor foram \u201cPerdoa-me pelo bem que te quero\u201d, \u201cMinha ser\u00e1s eternamente\u201d, \u201cTenho ci\u00fame de tudo\u201d e muitos e muitos mais&#8230;<\/p>\n<p>Em seguida relembramos Roberto Vidal, nome art\u00edstico de Pedro Sidnei Grigoletto. Membro de uma tradicional fam\u00edlia do bairro paulistano do Ipiranga, foi finalista de um concurso promovido pela TV Record para descobrir novos talentos, logo passando a se apresentar com frequ\u00eancia no programa \u201cAstros do disco\u201d. Por\u00e9m, sua carreira art\u00edstica foi curta e a discografia escassa: apenas oito discos de 78 rpm com 16 m\u00fasicas (o primeiro deles, em 1959,\u00a0 apresentando o samba-can\u00e7\u00e3o \u201cBotequim da vida\u201d e o samba\u201dViol\u00e3o amigo\u201d), e um LP, todos pela RCA, selos Victor e Camden, o do LP. Dele apresentamos seu segundo 78, o RCA Victor 80-2159, gravado em 28 de outubro de 1959 e lan\u00e7ado em janeiro de 60. E ele abre, na matriz 13-K2PB-0805, com um verdadeiro cl\u00e1ssico do samba-can\u00e7\u00e3o: nada mais nada menos que \u201cNegue\u201d, de Adelino Moreira em parceria com o radialista Enzo de Almeida Passos, que marcou \u00e9poca no r\u00e1dio paulistano com os programas \u201cTelefone pedindo bis\u201d e \u201cA grande parada Brasil\u201d. \u201cNegue\u201d foi in\u00fameras vezes regravado, inclusive por Maria Beth\u00e2nia, que o incluiu em seu LP \u201c\u00c1libi\u201d, de 1978,\u00a0 renovando-lhe o \u00eaxito, e seu criador foi justamente Roberto Vidal. No verso, matriz 13-K2PB-0806, o samba \u201cTriste cora\u00e7\u00e3o\u201d, do carioca de Botafogo Aldacir Louro (Aldacir Evangelista de Mendon\u00e7a, 1926-1996) em parceria com a cantora Linda Rodrigues, depois regravado por An\u00edsio Silva no LP\u00a0 \u201cAlgu\u00e9m me disse\u201d. Das duas, s\u00f3 \u201cNegue\u201d saiu no \u00fanico LP de Roberto, sem t\u00edtulo, lan\u00e7ado em 1961 com o selo RCA Camden.<\/p>\n<p>Por fim, apresentamos Cl\u00e1udio de Barros, nascido na cidade mineira de Itanhandu em 24 de outubro de 1932. Antes da fama, trabalhou como comiss\u00e1rio de bordo e redator de jornal. Gravou sue primeiro disco na Columbia, em 1954, interpretando o samba-can\u00e7\u00e3o \u201cEspiritualmente\u201d (Ant\u00f4nio Bruno) e a toada \u201cAmor, ilus\u00e3o\u201d (dele pr\u00f3prio com Fenando Lacerda). Mas foi na Chantecler, para onde foi levado pelo cantor e compositor sertanejo Diogo Mulero, o Palmeira, que Cl\u00e1udio de Barros despontou para o estrelato, e justamente com o disco que o GRB apresenta aqui, de n\u00famero 78-0132, lan\u00e7ado em junho de 1959. O lado A, matriz C8P-263, \u00e9 um tango dele mesmo, \u201cCinzas do passado\u201d, ainda hoje bastante conhecido. No verso, matriz C8P-264, outra composi\u00e7\u00e3o sua, agora em parceria com M\u00e1rio Zan (o acordeom que o acompanha nas duas faixas \u00e9 certamente dele), o rasqueado \u201cMeu primeiro beijo\u201d, que um m\u00eas depois teve outro registro na mesma gravadora, selo Sertanejo, pelas Irm\u00e3s Celeste. \u201cCinzas do passado\u201d tamb\u00e9m foi faixa-t\u00edtulo e de abertura do primeiro LP de Cl\u00e1udio de Barros, no qual tamb\u00e9m saiu \u201cMeu primeiro beijo\u201d, \u00e9 claro. Outros sucessos do cantor: \u201cTeu desprezo\u201d, \u201cBonequinha da noite\u201d, \u201cTa\u00e7a da amargura\u201d, etc. Com 20 \u00e1lbuns gravados, Cl\u00e1udio de Barros tamb\u00e9m comp\u00f4s para outros artistas e se apresentou com sucesso na Am\u00e9rica Latina e em Portugal, onde cantou in\u00fameras vezes no famoso Cassino Estoril. Segundo Robertinho do Acordeom, foi o primeiro cantor a migrar do g\u00eanero rom\u00e2ntico para o sertanejo, bem antes de S\u00e9rgio Reis.\u00a0 Faleceu em 22 de agosto de 2009, em Mairipor\u00e3, na Grande S\u00e3o Paulo, ap\u00f3s sofrer o quarto infarto.<\/p>\n<p>Enfim, mais uma edi\u00e7\u00e3o do GRB que \u00e9 entregue aos amigos cultos, ocultos e associados do TM, relembrando int\u00e9rpretes e m\u00fasicas que, se depender da gente, dificilmente ser\u00e3o esquecidos!<\/p>\n<p>Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E chegamos \u00e0 trig\u00e9sima-nona edi\u00e7\u00e3o do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil. Esta semana, estaremos apresentando seis cantores de prest\u00edgio popular, cada um comparecendo com duas grava\u00e7\u00f5es. 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