{"id":2585,"date":"2012-10-22T01:22:03","date_gmt":"2012-10-22T01:22:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=2585"},"modified":"2014-04-20T08:30:41","modified_gmt":"2014-04-20T11:30:41","slug":"varias-cantoras-selecao-78-rpm-do-toque-musical-vol-40-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=2585","title":{"rendered":"V\u00e1rias Cantoras &#8211; Sele\u00e7\u00e3o 78 RPM Do Toque Musical &#8211; Vol. 40 (2012)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-d478v0eWpnM\/UIXwYHBMo0I\/AAAAAAAAEZQ\/-EnmPZnfA6s\/s400\/CAPAp.JPG\" width=\"400\" height=\"400\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-l5Wp5seiun8\/UIXwUsrcbjI\/AAAAAAAAEZI\/EBSg_MJYbiY\/s400\/CONTRACAPAp.JPG\" width=\"400\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p>As vozes femininas sempre t\u00eam lugar reservado no Grand Record Brazil. E nesta quadrag\u00e9sima edi\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia ser diferente, posto que temos mais uma compila\u00e7\u00e3o dedicada \u00e0s cantoras, com 14 faixas.<\/p>\n<p>Relembramos, mais uma vez, para come\u00e7ar, Aracy Cortes (Zilda de Carvalho Esp\u00edndola), nascida (31\/3\/1904) e falecida (8\/1\/1985) no Rio de Janeiro, filha de um \u201cchor\u00e3o\u201d, Carlos Esp\u00edndola, e que morou at\u00e9 os 12 anos no bairro do Catumbi, onde teve um ilustre vizinho: nada mais menos que Pixinguinha. Foi Luiz Peixoto quem a descobriu, quando ela se apresentava no Circo Democrata interpretando e dan\u00e7ando maxixes, e seu nome art\u00edstico lhe foi dado por M\u00e1rio Magalh\u00e3es, cr\u00edtico teatral do jornal \u201cA Noite\u201d. Sua estreia em teatro deu-se em 1921, na revista \u201cN\u00f3s, pelas costas\u201d. Em disco, suas primeiras grava\u00e7\u00f5es sa\u00edram em 1925, ainda no processo mec\u00e2nico. Entre os anos 1950\/60 afastou-se do meio art\u00edstico, voltando em 1965 no hist\u00f3rico show \u201cRosa de ouro\u201d, produzido por Herm\u00ednio Bello de Carvalho e Kleber Santos, onde tamb\u00e9m atuavam Paulinho da Viola e Elton Medeiros, entre outros. Aracy aqui comparece com tr\u00eas \u00f3timas faixas: \u201cVoc\u00ea n\u00e3o era assim\u201d, samba de Ary Barroso e Aricles Fran\u00e7a, lan\u00e7ado pela Odeon em junho de 1930 (10619-A, matriz 3592), mais os cl\u00e1ssicos \u201cJura\u201d, samba de Sinh\u00f4 que ela mesma lan\u00e7ou na revista \u201cMicrol\u00e2ndia\u201d (Parlophon 12868-A, lan\u00e7ado em novembro de 1928, matriz 2071) e \u201cIai\u00e1\u201d, que ficou mais conhecido como \u201cAi, Ioi\u00f4\u201d, e \u00e9 considerado o primeiro samba-can\u00e7\u00e3o brasileiro (Parlophon 12926-A, lan\u00e7ado em mar\u00e7o de 1929, matriz 2366). Com m\u00fasica de Henrique Vogeler, teve antes duas letras: por C\u00e2ndido Costa (\u201cLinda flor\u201d) e Freire J\u00fanior (\u201cMeiga flor\u201d), mas a que pegou mesmo foi esta, assinada pelo descobridor de Aracy, Luiz Peixoto, e Marques Porto, e que ela tamb\u00e9m cantou na revista \u201cMiss Brasil\u201d. Nas tr\u00eas faixas, a cantora \u00e9 acompanhada pela orquestra do palestino Simon Bountman, que tinha diversos nomes: Pan American, Copacabana, Sim\u00e3o Nacional Orquestra,\u00a0 Orquestra Parlophon, todas na verdade a mesm\u00edssima orquestra. Quando gravava na Columbia, aparecia nos selos como \u201cSim\u00e3o e sua Orquestra Columbia\u201d.<\/p>\n<p>Elisa de Carvalho Coelho (Uruguaiana, RS, 1909-Volta Redonda, RJ, 2001) era filha de um tenente do Ex\u00e9rcito e da jornalista e escritora Acy Carvalho, que redigia a se\u00e7\u00e3o feminina de \u201cO Jornal\u201d, matutino carioca. Passou a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia em Florian\u00f3polis, considerando-se por isso catarinense. Ao voltar para o Rio, cantava acompanhando-se ao piano em reuni\u00f5es familiares nas quais compareciam jornalistas e poetas, amigos de seu pai. Numa dessas reuni\u00f5es, em 1929, foi convidada pelo diretor da R\u00e1dio Clube do Brasil, um coronel amigo de seu pai, para apresentar-se l\u00e1, e agradou logo de sa\u00edda. Excursionou pela Bahia e pelo restante do Nordeste em 1930, ao lado do compositor Hekel Tavares, passando a interpretar composi\u00e7\u00f5es suas. Em 1935-36 esteve por duas vezes na Argentina e no Uruguai, e atuou no r\u00e1dio at\u00e9 o final dos anos 1940. Era m\u00e3e do jornalista e apresentador de TV Goulart de Andrade, aquele do bord\u00e3o \u201cVem comigo\u201d, e sua discografia, gravada entre 1930 e 1934, compreende 15 discos com 30 m\u00fasicas. Desse repert\u00f3rio, o GRB apresenta duas grava\u00e7\u00f5es Victor: o samba-can\u00e7\u00e3o \u201cTenho saudade\u201d, de Ary Barroso (disco 33480-A, gravado em 14 de julho de 1931 e lan\u00e7ado em novembro do mesmo ano, matriz 65195), e a toada \u201cCi\u00fame de caboca\u201d (no mais puro caipir\u00eas), de\u00a0 Josu\u00e9 de Barros, descobridor de C\u00e1rmen Miranda, e Domingos Mangarinos, grava\u00e7\u00e3o de 11 de junho de 1930, por\u00e9m s\u00f3 lan\u00e7ada em agosto de 31 (disco 33444-A, matriz 50308).<\/p>\n<p>Por falar na luso-brasileira C\u00e1rmen Miranda (Maria do Carmo Miranda da Cunha, Marco de Canavezes, Portugal, 1909-Los Angeles, EUA, 1955, ela aqui comparece com outra composi\u00e7\u00e3o de Ary Barroso, o samba \u201cNosso am\u00f4 veio dum sonho\u201d, grava\u00e7\u00e3o Victor de 10 de mar\u00e7o de 1932 lan\u00e7ada a toque de caixa (disco 33537-A, matriz 65404). Na verdade, j\u00e1 tinha sido gravada como can\u00e7\u00e3o por Gast\u00e3o Formenti, em 1930, como can\u00e7\u00e3o e o nome de \u201cTeus \u00f3io\u201d, tendo sido a primeira composi\u00e7\u00e3o do mestre de Ub\u00e1, feita quando ele tinha seus quinze anos, com o t\u00edtulo \u201cDe longe\u201d. O estribilho e a melodia s\u00e3o iguais, mas a segunda parte \u00e9 diferente.<\/p>\n<p>Olga Praguer Coelho (Manaus, AM, 1909-Rio de Janeiro, 2008), pertencente \u00e0 gloriosa dinastia das cantoras-folcloristas, e com vitoriosa carreira internacional, comparece aqui com tr\u00eas faixas gravadas na Victor: o ponto de macumba \u201cEstrela do c\u00e9u\u201d, por ela pr\u00f3pria adaptado (disco 34325-B, gravado em 30 de julho de 36 mas s\u00f3 lan\u00e7ado em junho de 38, matriz 80182), a modinha \u201cMulata\u201d, tamb\u00e9m chamada de \u201cMucama\u201d ou \u201cMesti\u00e7a\u201d, versos de Gon\u00e7alves Crespo e autor da melodia desconhecido (lado A desse mesmo disco, gravado em 22 de abril de 1936, matriz 80137) e a modinha \u201cR\u00f3seas flores\u201d, adapta\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Olga (disco 34042-A, gravado em 29 de novembro de 1935 e s\u00f3 lan\u00e7ado em abril de 36, matriz 80024).<\/p>\n<p>La\u00eds Marival, paulista de Taquaritinga (1911-?),\u00a0 deixou uma discografia escassa: apenas 7 discos com 14 m\u00fasicas, todos pela Columbia, futura Continental, entre 1936 e 1938. Dela, aqui est\u00e1 uma m\u00fasica de seu segundo disco, o de n\u00famero 8210-B, matriz 3314, de 1936: \u00e9 o samba \u201cCada um d\u00e1 o que tem\u201d, de autoria de Raul Torres, grande expoente da chamada m\u00fasica caipira ou sertaneja de raiz, mas que tamb\u00e9m era de samba.<\/p>\n<p>Aut\u00eantica \u201cgarota de Ipanema\u201d por sua origem (foi eleita miss desse bairro em 1929), a carioqu\u00edssima Laura Su\u00e1rez (1909-c.1990), tamb\u00e9m atriz de teatro (no qual atuou por mais de meio s\u00e9culo) e cinema, s\u00f3 gravou na Brunswick, selo americano que durou menos de dois anos no Brasil:13 discos com 26 m\u00fasicas: em 1930\/31, inclusive com m\u00fasicas de autoria pr\u00f3pria. E \u00e9 dela mesma o samba que apresentamos aqui, \u201cVoc\u00ea&#8230; voc\u00ea\u201d, lan\u00e7ado em setembro de 1930 com o n\u00famero 10103-A, matriz 500.<\/p>\n<p>Outra cantora-folclorista de carreira internacional, a tamb\u00e9m carioca Elsie Houston, aqui se apresenta com o samba \u201cMorena cor de canela\u201d, motivo popular adaptado por Ary Kerner (autor tamb\u00e9m de \u201cNa Serra da Mantiqueira\u201d e \u201cTrepa no coqueiro\u201d, entre outras), em grava\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada pela Columbia em junho de 1930 sob n\u00famero 5217-A, matriz 380649. Um m\u00eas depois saiu pela Victor o registro de Helena Pinto de Carvalho, sendo o original do cantor S\u00edlvio Salema, um ano antes. A morte prematura de Elsie Houston, aos 40 anos, ainda \u00e9 um mist\u00e9rio: ela foi encontrada morta em seu apartamento em Nova York, EUA, no dia 20 de fevereiro de 1943, e ainda hoje existem d\u00favidas se foi suic\u00eddio ou assassinato.<\/p>\n<p>A respeito da cantora Neide Martins, quase nada se sabe. Sua escassa discografia compreende seis discos com doze m\u00fasicas, entre 1937 e 1939, nos selos Victor (dois), Odeon (tr\u00eas) e Columbia (o \u00faltimo). Aqui, um frevo-can\u00e7\u00e3o de seu disco de estreia, o Victor 34142-A, gravado em 10 de dezembro de 1936 e lan\u00e7ado em janeiro de 37, matriz 80293: \u201cQue fim voc\u00ea levou?\u201d, do mestre N\u00e9lson Ferreira.<\/p>\n<p>Encerrando esta edi\u00e7\u00e3o, apresentamos a carioca Zez\u00e9 Fonseca (Maria Jos\u00e9 Gonz\u00e1lez). Nascida em 5 de agosto de 1915, come\u00e7ou sua carreira na \u201cHora da arte\u201d, do Tijuca T\u00eanis Clube. Em 1932, levada por Paulo Bevilacqua, foi contratada pela R\u00e1dio Philips, PRAX, onde apresentava o programa \u201cFox tarde demais\u201d, depois atuando como produtora de programas femininos na R\u00e1dio Cruzeiro do Sul. Integrou a companhia teatral de Proc\u00f3pio Ferreira, atuando com sucesso na pe\u00e7a \u201cDeus lhe pague\u201d, de Joracy Camargo. Abandonou o r\u00e1dio em 1935, nele reingressando em 1939, atrav\u00e9s da lend\u00e1ria R\u00e1dio Nacional, onde trabalhou por seis anos. Em 1945 foi para a R\u00e1dio El Mundo, de Buenos Aires (Argentina), transferindo-se um ano depois, ao voltar ao Rio, para a Globo, passando pela Mayrink Veiga e depois retornando \u00e0 Nacional, sendo uma das pioneiras da radionovela no Brasil, e uma das melhores atrizes do g\u00eanero.. Ficou famosa, a partir de 1942, por manter um t\u00f3rrido romance com Orlando Silva, cujos altos e baixos causaram s\u00e9rio desequil\u00edbrio emocional no \u201ccantor das multid\u00f5es\u201d, que se viciou em morfina e afastou-se do meio art\u00edstico por alguns anos. Deixou, como cantora, entre 1933 e 1940, sete discos com catorze musicas, os cinco primeiros pela Columbia e os dois \u00faltimos pela Victor. Aqui, de seu quarto disco, o Columbia 22224-B, matriz 381502, apresentamos a marchinha \u201cCasar n\u00e3o \u00e9 pra mim\u201d, de Alberto Ribeiro, lan\u00e7ada para o carnaval de 1933. Zez\u00e9 Fonseca morreu de forma tr\u00e1gica, em 16 de agosto de 1962, aos 47 anos, durante um inc\u00eandio em seu apartamento no Rio.<\/p>\n<p>Enfim, mais uma edi\u00e7\u00e3o do GRB que por certo ocupar\u00e1 lugar de destaque no acervo de nossos amigos cultos, ocultos e associados!<\/p>\n<p>Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As vozes femininas sempre t\u00eam lugar reservado no Grand Record Brazil. E nesta quadrag\u00e9sima edi\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia ser diferente, posto que temos mais uma compila\u00e7\u00e3o dedicada \u00e0s cantoras, com 14 faixas. 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