{"id":2652,"date":"2012-11-05T21:23:34","date_gmt":"2012-11-05T21:23:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=2652"},"modified":"2014-04-20T08:29:44","modified_gmt":"2014-04-20T11:29:44","slug":"orlando-silva-nelson-goncalves-selecao-78-rpm-do-toque-musical-vol-42-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.toque-musicall.com\/?p=2652","title":{"rendered":"Orlando Silva \/ Nelson Gon\u00e7alves &#8211; Sele\u00e7\u00e3o 78 RPM Do Toque Musical &#8211; Vol. 42 (2012)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-aC0APN8CBiU\/UJgqi9q-8WI\/AAAAAAAAEqQ\/jEo4PQwrwUM\/s400\/CAPAp.JPG\" width=\"400\" height=\"400\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-YdBrIEcz0pQ\/UJgqcvlRZ3I\/AAAAAAAAEqI\/5s3VlZI9j6w\/s400\/CONTRACAPAp.JPG\" width=\"400\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p>J\u00e1 em sua quadrag\u00e9sima-segunda edi\u00e7\u00e3o, o meu, o seu, o nosso Grand Record Brazil homenageia dois int\u00e9rpretes inesquec\u00edveis que deixaram inestim\u00e1vel contribui\u00e7\u00e3o para a hist\u00f3ria de nossa m\u00fasica popular: Orlando Silva e N\u00e9lson Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p>Orlando Garcia da Silva era carioca do Engenho de Dentro, nascido a 3 de outubro de 1915 na Rua General Clarindo, hoje Rua Augusta. Era filho do violonista Jos\u00e9 Celestino da Silva, que participou de serenatas, peixadas e feijoadas junto com o mestre Pixinguinha, ambiente em que tamb\u00e9m viveu Orlando por tr\u00eas anos, at\u00e9 o falecimento do pai, vitimado pela gripe espanhola. Orlando teve uma inf\u00e2ncia normal, sempre gostando muito de viol\u00e3o e j\u00e1 f\u00e3, na adolesc\u00eancia, de Carlos Galhardo e Francisco Alves. Seu primeiro emprego foi como estafeta da Western, indo depois para o com\u00e9rcio, onde foi sapateiro, vendedor de roupas e tecidos e trocador de \u00f4nibus. Quando era \u201coffice-boy\u201d, ao saltar de um bonde para entregar uma encomenda, sofreu grave acidente que causou o amputamento de parte de um dos p\u00e9s, ficando inativo por um ano. Estimulado por amigos, Orlando come\u00e7ou sua peregrina\u00e7\u00e3o pelas r\u00e1dios, querendo ao menos ser ouvido, sem conseguir, dada sua apar\u00eancia de mo\u00e7o pobre e mal trajado, que mancava. Quando j\u00e1 estava a ponto de desistir, foi ouvido pelo compositor Boror\u00f3 (autor do cl\u00e1ssico \u201cDa cor do pecado\u201d) nos corredores da R\u00e1dio Cajuti. Impressionado, Boror\u00f3 arranjou uma audi\u00e7\u00e3o com Francisco Alves, que aconteceu dentro de seu carro! E Chico, encantado com a voz de Orlando, o escalou imediatamente para seu programa dominical na Cajuti, e sua estreia aconteceu em 24 de junho de 1934. Em janeiro do ano seguinte, lan\u00e7ava seu primeiro disco, pela Columbia, para o carnaval, interpretando a marchinha \u201cOndas curtas\u201d e o samba \u201cOlha a baiana\u201d. Ainda em 1935, foi para a RCA Victor, onde ficaria at\u00e9 1942, lan\u00e7ando sucessos sobre sucessos (&#8216;A \u00faltima estrofe\u201d, \u201cL\u00e1bios que beijei\u201d, \u201cCarinhoso\u201d, \u201cRosa\u201d, \u201cAbre a janela\u201d, \u201cA jardineira\u201d, \u201cMeu consolo \u00e9 voc\u00ea\u201d, recebendo do locutor esportivo Oduvaldo Cozzi o apelido de \u201ccantor das multid\u00f5es\u201d, ap\u00f3s o retumbante \u00eaxito de sua primeira apresenta\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo, em janeiro de 1938. Um fen\u00f4meno de popularidade como poucos. Gravou tamb\u00e9m na Odeon, na Copacabana e na Mocambo, voltando definitivamente \u00e0 RCA Victor em 1960. Morreu em 7 de agosto de 1978, em seu Rio natal, vitimado por uma trombose.<\/p>\n<p>Para esta edi\u00e7\u00e3o do GRB, foram selecionadas grava\u00e7\u00f5es de Orlando na Odeon, na Victor e na Copacabana. Da Copacabana temos: do disco 5067, lan\u00e7ado em maio-junho de 1953, os dois lados: no lado A, faixa 8 de nossa sequ\u00eancia, matriz M-392, o samba-can\u00e7\u00e3o \u201cMeu lampi\u00e3o\u201d, de Alberto Ribeiro e Alcyr Pires Vermelho e, no verso, matriz M-393 e faixa 7 de nossa sequ\u00eancia, o samba \u201cEscravo do amor\u201d, de J. Cascata, Leonel Azevedo (autores dos cl\u00e1ssicos \u201cL\u00e1bios que beijei\u201d e \u201cJuramento falso\u201d, tamb\u00e9m gravados por Orlando) e Lilinha Fernandes. Ainda dessa marca, o lado B do disco 099, lan\u00e7ado em agosto de 1952 e faixa 9 de nossa sequ\u00eancia, apresentando o choro cantado \u201cMoreninha\u201d, de autoria do descobridor de Orlando, Boror\u00f3 (de quem o cantor tamb\u00e9m gravou o hit \u201cCurare\u201d, em 1940). A faixa 10, da primeira fase de Orlando na Victor, tem outro choro cantado: \u201cMentirosa\u201d, de Cust\u00f3dio Mesquita e M\u00e1rio Lago, gravado em 9 de junho de 1941 e lan\u00e7ado em agosto seguinte, disco 34783-B, matriz S-052240. Por fim, apresentamos, da Odeon, a can\u00e7\u00e3o-marcha \u201cA carta\u201d, de Cust\u00f3dio Mesquita, que \u00e9, como o nome indica, uma carta escrita por um expedicion\u00e1rio da FEB, ent\u00e3o lutando na It\u00e1lia durante a Segunda Guerra Mundial, a sua m\u00e3e no Brasil. Grava\u00e7\u00e3o de 21 de julho de 1944, lan\u00e7ada em setembro seguinte com o n\u00famero 12487, ocupando os dois lados do disco, matrizes 7613 e 7614.<\/p>\n<p>As 6 primeiras faixas desta nossa edi\u00e7\u00e3o foram destinadas a N\u00e9lson Gon\u00e7alves, nome art\u00edstico de Ant\u00f4nio Gon\u00e7alves. O \u201cgog\u00f3 de ouro\u201d nasceu na cidade ga\u00facha de Santana do Livramento, em 25 de junho de 1919, filho dos portugueses Manoel e Lib\u00e2nia, que ganhavam a vida vendendo cortes de tecidos a domic\u00edlio, de porta em porta. Era o irm\u00e3o mais velho de Joaquim, o Quincas, que tamb\u00e9m seria cantor, gravando alguns discos de fados lusitanos. Conforme documentos dispon\u00edveis, a fam\u00edlia mudou-se para S\u00e3o Paulo em 1926, morando primeiro no Canind\u00e9, e depois fixando-se no Br\u00e1s. Ali N\u00e9lson e o irm\u00e3o come\u00e7aram a estudar, no Liceu Eduardo Prado. Para refor\u00e7o da economia familiar, \u201cseu\u201d Manoel levava os filhos para cantar nas feiras livres, em cima de caixotes, acompanhando-os ao viol\u00e3o. N\u00e9lson (para a fam\u00edlia apenas Nico) , apesar de ser gago (ou \u201ctaquil\u00e1rico\u201d), cantava com dic\u00e7\u00e3o normal, desenvolvendo seus dotes em bares, restaurantes, festas e rodas de amigos. Logo ele iria conhecer momentos de trabalho duro: primeiro como oper\u00e1rio numa f\u00e1brica de tamancos e depois como polidor de metais na Wolff, atividades de fato insalubres, chegando at\u00e9 a praticar pugilismo amador. Em 1937, numa festa de casamento no Br\u00e1s, \u00e9 ouvido pela cantora S\u00f4nia Carvalho, que deixara a carreira para se casar, e, encantada, deu-lhe o nome art\u00edstico que o eternizou: N\u00e9lson Gon\u00e7alves. S\u00f4nia deu-lhe aulas de canto em sua casa por cerca de 4 meses, e o levou para um teste na R\u00e1dio S\u00e3o Paulo, PRA-5 (\u201ca voz amiga\u201d), ent\u00e3o dirigida pelo maestro Gabriel Migliori, sendo aprovado e contratado, pedindo dispensa da Wolff. Em um per\u00edodo que ficou afastado do r\u00e1dio, N\u00e9lson foi gar\u00e7om no bar do irm\u00e3o Quincas, na Avenida S\u00e3o Jo\u00e3o e, em 1940, cantou em programas da PRE-4, R\u00e1dio Cultura (\u201ca voz do espa\u00e7o\u201d), com audit\u00f3rio na mesma avenida. Em 1941, vai ao Rio de Janeiro tentar a sorte em programas de calouros, sendo v\u00e1rias vezes reprovado. Dois meses mais tarde, volta ao Rio, agora com um acetato gravado na R\u00e1dio Record, onde cantava a valsa \u201cSe eu pudesse um dia\u201d e a can\u00e7\u00e3o \u201cOs anos carregaram\u201d, ambas de Orlando Monello e Oswaldo Fran\u00e7a, aprovado pelo diretor da C\u00e1ssio Muniz, ent\u00e3o representante da RCA Victor em S\u00e3o Paulo. N\u00e9lson vai at\u00e9 \u00e0 gravadora apresentar o acetato para o diretor art\u00edstico Vitt\u00f3rio Lattari, que o ouve mas n\u00e3o acredita ser ele o cantor, e que ele tinha \u201croubado\u201d essa prova de algu\u00e9m, dada sua gagueira. Com o ambiente pesado, N\u00e9lson s\u00f3 volta para pegar o acetato de volta no dia seguinte, e para sua sorte l\u00e1 estava o compositor e flautista Benedito Lacerda, que resolve tirar a prova acompanhando N\u00e9lson com seu regional. Provado que o cantor era ele mesmo, e com a profecia de Benedito (\u201cesse vai ser o maior cantor do Brasil!\u201d), N\u00e9lson Gon\u00e7alves \u00e9 finalmente contratado pela RCA Victor, que seria sua primeira, \u00fanica e \u00faltima gravadora. Sua primeira sess\u00e3o de grava\u00e7\u00e3o acontece em 4 de agosto de 1941, com as m\u00fasicas \u201cSe eu pudesse um dia\u201d, \u201cSinto-me bem\u201d (primeiro disco), \u201cFormosa mulher\u201d e \u201cA mulher dos sonhos meus\u201d (segundo disco). Em quase 60 anos de atividade, N\u00e9lson gravaria 869 m\u00fasicas, e seria um dos maiores vendedores de discos da RCA Victor em todo o mundo: mais de 50 milh\u00f5es de c\u00f3pias! Apresentou-se tamb\u00e9m nos EUA, mais precisamente em Nova York, no Radio City Music Hall, em novembro de 1960. Entre seus maiores sucessos est\u00e3o: \u201cQuem mente perde a raz\u00e3o\u201d, \u201cDeusa do Maracan\u00e3\u201d, \u201cMaria Bet\u00e2nia\u201d, \u201cNormalista\u201d, \u201cA volta do bo\u00eamio\u201d (certamente o maior de todos), \u201cDeusa do asfalto\u201d, \u201cEscultura\u201d, \u201cFica comigo esta noite\u201d e muitos, muitos mais. O envolvimento com coca\u00edna prejudicou em muito sua carreira, mas ele conseguiu se recuperar do v\u00edcio ap\u00f3s um tratamento de choque no qual ficou quatro meses enclausurado em seu quarto (at\u00e9 batia na mulher!). Seu \u00faltimo trabalho em disco foi o CD \u201cAinda \u00e9 cedo\u201d, uma homenagem a cantores e compositores de nossa m\u00fasica pop surgidos nos anos 1980, lan\u00e7ado em 1997. N\u00e9lson morreria em 18 de abril do ano seguinte, 1998, no Rio de Janeiro, e v\u00e1rios epis\u00f3dios de sua vida e carreira s\u00f3 se esclareceram com a publica\u00e7\u00e3o, em 2002, do livro \u201cA revolta do bo\u00eamio \u2013 A vida de N\u00e9lson Gon\u00e7alves\u201d, escrito por Marco Aur\u00e9lio Barroso.<\/p>\n<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o do GRB, temos seis grava\u00e7\u00f5es de N\u00e9lson Gon\u00e7alves, todas, claro, pela RCA Victor:\u00a0 \u201cPrimeira mulher\u201d, de Kid Pepe e Theo Magalh\u00e3es, gravado em 30 de maio de 1944 e lan\u00e7ado em agosto seguinte (80-0198-B, matriz S-052969), \u201cCi\u00fame\u201d, de N\u00f3brega de Macedo e Jos\u00e9 Batista, grava\u00e7\u00e3o de 4 de mar\u00e7o de 1947 lan\u00e7ada em maio seguinte (80-0511-A, matriz S-078729), \u201cDona Rosa\u201d, nost\u00e1lgico e divertido dueto com Isaura Garcia, de autoria dos irm\u00e3os Aloysio e Armando Silva Ara\u00fajo, grava\u00e7\u00e3o de 21 de novembro de 1946, lan\u00e7ada em mar\u00e7o de 47 (80-0493-B, matriz S-078644), sendo as tr\u00eas m\u00fasicas sambas. Depois, vem a can\u00e7\u00e3o \u201cOs anos carregaram\u201d, de Oswaldo Fran\u00e7a e Orlando Monello, que N\u00e9lson gravou em seu acetato de apresenta\u00e7\u00e3o e registraria comercialmente em 13 de janeiro de 1942 com lan\u00e7amento em seu quinto disco, em maio seguinte, com o n\u00famero 34879-A, matriz S-052452. Para encerrar, mais dois sambas: \u201cSeus olhos na can\u00e7\u00e3o\u201d, de Marino Pinto e Waldemar Gomes, grava\u00e7\u00e3o de 29 de janeiro de 1946 lan\u00e7ada em maio seguinte (80-0400-A, matriz S-078427) e \u201cEla me beijou\u201d, de Herivelto Martins e Artur Costa, gravado em 10 de agosto de 1944 e lan\u00e7ado em outubro seguinte sob n\u00famero 80-0218-B, matriz S-078033. Desta grava\u00e7\u00e3o participa o Trio de Ouro original (Herivelto Martins, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas), n\u00e3o creditado no selo certamente por serem ent\u00e3o contratados da Odeon.<\/p>\n<p>Enfim, dois cantores inesquec\u00edveis, de vozes privilegiadas, que o GRB agora oferece para os amigos cultos, ocultos e associados do TM. Ou\u00e7am e recordem!<\/p>\n<p>* TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 em sua quadrag\u00e9sima-segunda edi\u00e7\u00e3o, o meu, o seu, o nosso Grand Record Brazil homenageia dois int\u00e9rpretes inesquec\u00edveis que deixaram inestim\u00e1vel contribui\u00e7\u00e3o para a hist\u00f3ria de nossa m\u00fasica popular: Orlando Silva e N\u00e9lson Gon\u00e7alves. 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